Legislativas 2025: Guia para ajudar a refletir sobre sentido de voto

Legislativas 2025: Guia para ajudar a refletir sobre sentido de voto

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), da Conferência Episcopal Portuguesa, disponibiliza um “guia prático católico para jovens”, no âmbito das eleições legislativas portuguesas de 18 de maio e na sequência de um conjunto de visitas às juventudes partidárias.

“Acreditamos que este guia pode ser uma verdadeira ferramenta de apoio para os jovens católicos, ajudando-os a refletir sobre o sentido do seu voto, a fazer escolhas informadas e a reconhecer que a participação política é também uma expressão concreta da fé”, afirmou Pedro Carvalho, coordenador do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil.

O documento é uma versão adaptada do “Catholic Toolkit for Young Europeans”, originalmente promovido pela plataforma juvenil da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) para as Eleições Europeias de 2024.

Com este guia prático, o DNPJ deseja que “cada jovem compreenda que o seu voto conta e que o futuro coletivo também passa pelas decisões” tomadas no dia das eleições.

Segundo o DNPJ, o documento “surge como um instrumento concreto de apoio à participação cívica e política dos jovens católicos em Portugal, procurando fomentar o voto consciente e refletido”.

guia prático oferece conteúdos acessíveis, perguntas de reflexão, informações práticas sobre o processo eleitoral.

Organizado em quatro secções (política, cidadania, bem comum e casa comum e pensamento crítico), o documento convida os jovens “a redescobrir o valor da sua participação política, integrando uma visão cristã da democracia, da justiça social, da dignidade humana e da solidariedade”.

“Estruturado com citações inspiradoras, reflexões temáticas e questões orientadoras, pretende também estimular a escuta, o diálogo entre pares e o debate construtivo sobre os desafios do presente e do futuro”, indica o DNPJ.

O guia inclui também informações práticas sobre o processo eleitoral para as legislativas 2025, como os links dos programas eleitorais dos partidos com assento parlamentar.

“Esta iniciativa integra-se no esforço mais amplo do DNPJ em promover uma juventude informada, comprometida e responsável na vida pública. Votar é também uma forma concreta de viver a fé no dia a dia, assumindo o compromisso de ser cristão em todas as dimensões da vida, incluindo a participação política”, reforça o DNPJ.

A plataforma juvenil da COMECE, que promoveu o documento original, junta organizações jovens católicas e ativas ao nível da UE, empenhadas em dialogar com instituições europeias, em conformidade com o artigo 17 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE).

A jovem Alice Cardoso é a representante portuguesa na organização.

Os bispos portugueses também já se manifestaram a propósito das eleições legislativas, no comunicado final 211ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, apelando “aos partidos políticos para que colaborem numa campanha eleitoral honesta e esclarecedora, acima de qualquer interesse pessoal ou partidário”.

“É urgente um diálogo entre as principais forças políticas para que destas eleições nasça uma estabilidade governativa capaz de restabelecer a esperança dos cidadãos e atender à primazia do bem comum, à justiça social e ao cuidado para com os mais vulneráveis”, escreveram.

O episcopado português pediu “aos cidadãos para que, no próximo dia 18 de maio, exerçam o seu direito de voto refletido e informado”, realçando que “votar é um direito e um ato de participação ativa na construção da sociedade que ninguém deve negligenciar”.

Fonte: Ecclesia

Espanha: Espanhóis e portugueses percorrem a 4ª etapa da Calzada Mirandesa

Espanha: Espanhóis e portugueses percorrem a 4ª etapa da Calzada Mirandesa

No sábado, dia 10 de maio, peregrinos da diocese de Zamora e da paróquia de Miranda do Douro vão percorrer a quarta etapa da “Calzada Mirandesa”, entre as localidades de Abelón e Torregamones, na província de Zamora, num percurso de 14 quilómetros.

Iniciadas em 2014, sob o lema “Peregrinos por 1 dia”, as caminhadas conjuntas entre espanhóis e portugueses têm como finalidades proporcionar a prática da atividade física, o contato com a natureza e também a vivência comunitária da fé cristã.

Ao longo das peregrinações, os participantes visitam santuários e outros locais de interesse religioso e cultural. O responsável pela Religiosidade Popular da diocese de Zamora, Javier Fresno revelou que na diocese espanhola e em Bragança – Miranda há muitas afinidades na prática religiosa.

Cada caminhada inicia-se com uma oração da manhã no local de partida e termina com a celebração da eucaristia, no local de chegada. Por isso, cada percurso é vivido com um sentido espiritual, ou seja, como uma caminhada ao encontro de Deus», disse o sacerdote espanhol.

No final de cada peregrinação, espanhóis e portugueses partilham um almoço convívio, que é um momento de fraternidade e de festa entre todos os participantes.

«Nesta quarta etapa da “Calzada Mirandesa”, o almoço-convívio é em Torregamones. A ementa do almoço é arroz à zamorana, carrilleras, sobremesa, água, vinho e café. O custo do almoço é de 12 euros”, indicou.

Quem pretenda participar nas peregrinações “Peregrinos por um dia” deve inscrever-se, presencialmente na concatedral de Miranda do Douro ou contatar o padre Manuel Marques, através dos contatos 912 100 523 | email: mjlm1952@hotmail.com.

Em alternativa, também pode inscrever-se na Delegação para a Religiosidade Popular da Diocese de Zamora, contatando o padre Javier Fresno Campos, através dos contatos 034 606876098 | email: jfresno2000@yahoo.es

A participação nas peregrinações é gratuita. Já o almoço e o transporte são da responsabilidade dos participantes.

Calzada Mirandesa - Ruta BTT 

A Calzada Mirandesa ou Caminho Mirandês é uma antiga rota romana, entre as cidades de Zamora (Espanha) e de Miranda do Douro (Portugal). Atualmente, este circuito com uma distância de cerca de 60 quilómetros é muito utilizado pelas Bicicletas Todo-o-Terreno (BTT), num trajeto que acompanha alguns dos cursos de água ou ribeiras afluentes do rio Douro.

15 de fevereiro: Zamora - Pereruela = 17 kms;
22 de março: Pereruela - Abelón = 18 kms;
10 de maio Abelón -Torregamones = 14 kms;
24 de maio: Torregamones - Miranda do Douro = 12 kms

HA



Sendim: I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês

Sendim: I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês

A vila de Sendim foi o local do I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês, uma iniciativa que decorreu na tarde de 4 de maio e reuniu cerca de uma centena de motociclistas dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Torre de Moncorvo.

O encontro iniciou-se com uma concentração dos motociclistas na praça central de Sendim, para depois participarem na eucaristia na igreja matriz. No final da celebração religiosa houve uma procissão com a imagem do Arcanjo São Rafael, patrono dos motociclistas, que terminou com a benção dos capacetes.

Na tarde de Domingo, dia 4 de maio, não obstante a alternância de chuva e sol, a centena de motociclistas do planalto mirandês aventurou-se num passeio motard pelo concelho de Miranda do Douro.

O I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês encerrou com um lanche convívio, no pavilhão multiusos, em Sendim.

O presidente da associação Motoclube Abutres do Douro, José Pires, expressou o seu contentamento pela adesão dos motociclistas à iniciativa e adiantou que no próximo ano, o encontro vai realizar-se noutra freguesia do concelho de Miranda do Douro.

“A associação “Abutres do Douro” foi constituída em 1998 e é considerado o mais antigo motoclube do concelho de Miranda do Douro. Nesta primeira edição do Dia do Motociclista do Planalto Mirandês, aos motociclistas do concelho de Miranda do Douro juntaram-se também motociclistas de Mogadouro e de Torre de Moncorvo”, indicou.

Após a participação na eucaristia, os motociclistas realizaram um passeio pelo concelho de Miranda do Douro.

O presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, elogiou o trabalho do motoclube e frisou que as associações locais desempenham um importante papel na dinamização de atividades culturais e recreativas.

“As associações são um garante de atividades ao longo de ano, que por conseguinte trazem pessoas e dinamismo social, cultural e económico à vila de Sendim. Por isso, cabe à União de Freguesias apoiar e incentivar as associações na organização de atividades como esta do I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês”, justificou.

Por sua vez, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, sublinhou o carater intermunicipal deste encontro de motociclistas, que nesta primeira edição trouxe gente dos concelhos de Mogadouro e de Moncorvo.

“As atividades lúdicas e desportivas também são um fator de desenvolvimento social e económico do concelho, pelo que incentivo o motoclube Abutres do Douro a investir nas relações com os outros motoclubes da região, de modo a fazer crescer este evento”, disse o autarca de Miranda do Douro.

O I Dia do Motociclista do Planalto Mirandês foi organizado pelo motoclube Abutres do Douro e contou com os apoios institucionais do município de Miranda do Douro e da União de Freguesias de Sendim e Atenor.

HA

Avifauna: Há 53 novos tartaranhões-caçadores no Nordeste Transmontano

Avifauna: Há 53 novas águias-caçadeiras no Nordeste Transmontano

O sucesso reprodutor da águia-caçadeira (tartaranhão-caçador) aumentou 180% no Nordeste Transmontano, depois de terem sido registadas 53 novas aves juvenis voadoras, por ninho/casal em 2024, através de um projeto coordenado pela organização Palombar.

O biólogo Joaquim Teodósio explicou que sucesso reprodutor é o número de crias juvenis do tartaranhão-caçador (‘Circus pygargus’) que chegam à fase de voo por casal reprodutor ou por ninho.

“Em todo o Nordeste Transmontano, o aumento do sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador em 2024 deve-se à implementação de medidas de conservação no terreno, promovidas pela Palombar e outros parceiros no âmbito da campanha ‘Salvar o tartaranhão-caçador’”, indicou o especialista em avifauna.

As ações em destaque neste projeto, de acordo com o biólogo, incluíram a monitorização contínua dos ninhos, dos quais sete eram de alto risco e foram protegidos com vedações.

Foram ainda resgatados 28 ovos de zonas com ceifa iminente ou abandono parental.

Também se desenvolveram em cativeiro 20 crias depois libertadas de forma gradual, através de um conjunto de medidas feitas em colaboração com agricultores e voluntários locais.

“Estas intervenções permitiram que 53 juvenis voassem, em vez dos 19 previstos, num cenário sem qualquer ação, traduzindo-se num aumento significativo da produtividade da espécie”, vincou Joaquim Teodósio

Para os investigadores deste projeto ibérico, o cálculo do aumento percentual no sucesso reprodutor é feito comparando o número real de juvenis voadores com o número estimado sem intervenção.

“Também se pode dizer que tivemos 2,8 vezes mais juvenis voadores do que provavelmente teríamos sem intervenções”, indicou Joaquim Teodósio.

O êxito reprodutivo, segundo os especialista envolvidos nesta ação ambiental deveu-se à campanha “Salvar o tartaranhão-caçador” implementada pela organização não governamental (ONG) de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural no Norte do país e agora integrada no projeto ibérico “LIFE SOS Pygargus”, financiado em 75% pelo “Programa LIFE” da União Europeia e com cofinanciamento da Viridia – Conservation in Action, Lightsource bp e Fundo Ambiental.

É implementado por um consórcio que integra a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural (entidade coordenadora), que tem sede em Vimioso, no distrito de Bragança, à qual se junta um conjunto de outros de vários setores da sociedade  de Portugal e Espanha.

“Graças ao trabalho incansável dos técnicos da organização, dos agricultores locais, de entidades parceiras e de voluntários, em 2024, houve um total de 53 novos juvenis que levantaram voo, dando uma esperança para recuperação das populações da espécie em Portugal”, afiança o também coordenador do projeto.

Para este ano está previsto “continuar a proteger esta ave icónica das searas, cuja população diminuiu 80% em 10 anos”.

Fonte: Lusa | Fotos: Palombar

Língua portuguesa: Léxico cresce graças ao Brasil e PALOP

Língua portuguesa: Léxico cresce graças ao Brasil e PALOP

Na comemoração do Dia Internacional da Língua Portuguesa, a 5 de maio, a linguista Helena Figueira, do dicionário Priberam, considerou que há um aumento do léxico português, graças à influência do Brasil e um crescente contributo dos PALOP.

Segundo a linguista do Priberam, com frequência são adicionadas novas palavras aos dicionários de português, sendo que a maioria são provenientes do Brasil, dado que há uma maior exposição à variante do português do Brasil.

A especialista esclarece que as palavras no Priberam – dicionário online de português – são inseridas tendo por critérios “a evidência, a frequência, a atualidade ou de sugestões dos utilizadores”, adiantando que as palavras são sempre analisadas.

Em relação à maior predominância de palavras vindas do Brasil, Helena Figueira afirmou que a causa se deve ao maior número de utilizadores brasileiros.

No último ano, tem-se verificado também um aumento de termos provenientes de países lusófonos como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, nos dicionários, sendo dipanda (independência), meninência (meninos e/ou meninas), manguana (amanhã) e baiar (fazer um feitiço contra alguém) alguns exemplos de palavras adicionadas que vêm dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

As palavras vindas dos PALOP “são menos comparativamente com as provenientes de Portugal e do Brasil”, porque há “menos acesso às coisas que são produzidas na língua desses países”, sublinha Helena Figueira.

Questionada sobre quais as palavras ‘brasileiras’ mais utilizadas pelos portugueses, a linguista disse que não tinha “dados das palavras mais usadas”, mas que essas são muito poucas, sendo que o que é mais usado são as preposições como ‘de’ e ‘em’.

“Às vezes o nosso discurso é muito pobre porque, em termos de alta frequência, as palavras mais frequentes, aquelas que nós usamos todos os dias, são as palavras mais normais que nós podemos encontrar para articularmos o nosso discurso”, acrescenta.

Acerca do Acordo Ortográfico – uma convenção que visa a unificação da ortografia entre os países lusófonos com o objetivo de facilitar a comunicação entre os países – a especialista explica que este lida apenas com a ortografia, a parte mais artificial da língua, enquanto os “brasileirismos” pertencem ao léxico e, por vezes, à sintaxe.

“Quando falamos em Portugal, em alguns casos encontramos ‘facto’, quando queríamos escrever ‘fato’, porque em geral, o ‘C’, de facto, não cai porque é pronunciado. Estamos a falar de equívocos ortográficos ou de erros ortográficos”, explica a linguista, acrescentando que os brasileirismos são “outra coisa completamente diferente” e que “fazem parte das interferências no português europeu, mas que não têm a ver com a parte ortográfica, têm a ver com interferências que vêm através de fontes ou contactos, com a literatura, a televisão e a internet”.

Em 5 de maio celebrou-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi estabelecida pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2009 e reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a 25 de novembro de 2019.

A CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Fonte: Lusa

Legislativas: ACEC apela ao debate de políticas que visem coesão económica e social do país

Legislativas: ACEC apela ao debate de políticas que visem coesão económica e social do país

A Associação Círculo de Estudos do Centralismo (ACEC), com sede em Miranda do Douro, apelou aos partidos políticos que introduzam no debate eleitoral propostas que permitam o “desenvolvimento económico, social e político harmonioso e regionalmente equilibrado do país”.

Em comunicado, a associação, constituída formalmente em 29 de abril de 2022, reitera “o empenho na luta pelo desenvolvimento económico, social e político harmonioso e regionalmente equilibrado” do país, objetivo que tem fundamento no artigo 81.º da Constituição e que “só será concretizável através de reformas e políticas consistentes e persistentes, suportadas por uma organização política e administrativa coerente e com níveis adequados de descentralização, bem como por uma administração pública com elevados níveis de competência e eficiência”.

“Ao fazer este apelo, não se ignora que as políticas em apreço exigem estudo e ponderação adequados, não compatíveis com o tempo e o modo de uma campanha eleitoral. Mas esta deve servir para assumir objetivos, orientações de política e, acima de tudo, o compromisso de prosseguir com determinação”, indica a ACEC.

A direção da ACEC, que tem sede em Miranda do Douro e é presidida pelo ex-ministro da Economia Carlos Tavares, pede assim aos partidos políticos – e aos seus candidatos a deputados – que se apresentam às eleições de 18 de maio que “introduzam explicitamente nos programas e no debate pré-eleitoral a discussão dos objetivos, das políticas e das propostas que permitam levar ao cumprimento efetivo do disposto a este respeito na Constituição da República Portuguesa”.

Para a associação, é preciso orientar “o desenvolvimento no sentido de um crescimento equilibrado de todos os setores e regiões e eliminando progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo e entre o litoral e o interior”, lê-se na mesma nota.

“Portugal tem de ser capaz de mobilizar as energias potenciais que se encontram por todo o território e de confiar nas capacidades dos agentes políticos e da sociedade que, numa lógica de descentralização e desconcentração, possam por contribuir decisivamente para a coesão económica e social de todo o território nacional”, justifica.

A ACEC manifesta ainda “disponibilidade e empenho em colaborar com os deputados eleitos a 18 de maio e com o Governo, que delas emanar, para que se abra uma nova etapa de forte e equilibrado crescimento, de coesão territorial e de combate ao centralismo paralisante”.

A ACEC assume-se como “associação cultural e de intervenção cívica, tendo como objeto contribuir para fomentar e divulgar estudos sobre a organização político-administrativa do território, sob pontos de vista complementares dos princípios de organização, em que se inserem estudos relativos ao centralismo e ao princípio da subsidiariedade e das formas de organização”.

Outro dos objetivos passa por contribuir para fomentar e divulgar estudos sobre o desenvolvimento económico, social e cultural do território, em geral, e em especial na Terra de Miranda, em concelhos como Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso e em outros territórios do interior.

Fonte: Lusa

Palaçoulo: Mosteiro acolheu Leigos para o Desenvolvimento

Palaçoulo: Mosteiro acolheu Leigos para o Desenvolvimento

De 1 a 4 de maio, o Mosteiro de Santa Maria, Mãe da Igreja, em Palaçoulo, recebeu a visita e a estadia de um grupo de Leigos para o Desenvolvimento (LD) que comemorou o trigésimo aniversário do regresso das missões desenvolvidas em São Tomé e Príncipe e em Moçambique.

O grupo formado por 11 pessoas, vindas de localidades como Coimbra, Batalha, Porto e Lisboa decidiram comemorar os 30 anos de regresso das missões, com uma visita e estadia na hospedaria do mosteiro trapista, em Palaçoulo.

“À semelhança do que nós, leigos para o desenvolvimento fizemos há 30 anos com as viagens e as missões em África, quisemos conhecer as dez monjas trapistas que deixaram Vittorchiano, em Itália, para fundar um mosteiro, em Palaçoulo, na diocese de Bragança-Miranda”, justificou, Madalena Abreu, leiga voluntária em São Tomé e Príncipe.

Ao longo de quatro dias, o grupo de leigos ficou alojado na hospedaria do mosteiro trapista e acompanhou o dia-a-dia monástico, com a participação nas orações, na missa diária e nos trabalhos das monjas.

“Estes quatro dias no mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo foram uma oportunidade de encontro entre nós, os Leigos para o Desenvolvimento e também de descanso e oração junto da comunidade trapista”, disse.

Madalena Abreu explicou que em 1995 decidiu participar nos Leigos para o Desenvolvimento, consciente das necessidades que havia em África e assegurou que foi uma experiência enriquecedora.

“Fomos trabalhar para a paz e o desenvolvimento e em termos humanos foi uma experiência enriquecedora. Entre os leigos criou-se um amizade para toda a vida. Há trinta anos havia muitos jovens interessados em participar nestes projetos de voluntariado, com vontade de dedicar 1 ou mais anos da sua vida a um país em desenvolvimento”, indicou.

Outro leigo, Paulo Frois, foi missionário no Malawi, em 1993 e 1994, quando este país africano recebeu mais de um milhão de refugiados moçambicanos, por causa da guerra civil.

“Aquele pequeno país pobre, de língua inglesa, recebeu de braços abertos um milhão de refugiados moçambicanos. Naquela situação, trabalhei como voluntário no Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), num programa de educação, em conjunto com professores”, recordou.

Em outubro de 1994, após 16 anos de guerra civil e a assinatura dos acordos de paz realizaram-se em Moçambique as primeiras eleições gerais multipartidárias.

“As eleições levaram ao regresso dos refugiados a Moçambique e nós os leigos regressamos com eles, para começar a trabalhar nas missões dos padres jesuítas, na região da Angónia”, disse.

No mosteiro, em Palaçoulo, os Leigos para o Desenvolvimento participaram nas orações diárias.

Trinta anos passados e questionado sobre a importância do encontro com outros leigos, Paulo Frois, respondeu que é a oportunidade de partilhar e agradecer uma experiência que transformou as vidas dos voluntários.

“A beleza e a alegria que nos encheu é tão grande, que nós, os Leigos para o Desenvolvimento não podemos estar sem nos reencontrarmos regularmente. Por isso, todos os anos, marcamos um encontro. No ano passado foi em Coimbra. E este ano foi em Palaçoulo”, disse.

Os Leigos para o Desenvolvimento são uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, que trabalha há mais de 35 anos em países de língua portuguesa, com vista à capacitação e autonomização de pessoas e comunidades. 

A atuação desta ONGD católica faz-se através de voluntários missionários qualificados, que desenvolvem projetos em áreas como a educação e alfabetização, formação e empreendedorismo, saúde e promoção da mulher.

Atualmente, os Leigos para o Desenvolvimento têm projetos em Angola e São Tomé e Príncipe.

HA

Sendim: VII Encontro Intergeracional juntou 200 crianças e idosos

Sendim: VII Encontro Intergeracional juntou 200 crianças e idosos

Com os objetivos de proporcionar o convívio intergeracional e promover um estilo de vida ativo e saudável, o município de Miranda do Douro organizou na vila de Sendim, no dia 3 de maio, o VII Encontro Intergeracional, que reuniu cerca de 200 crianças e idosos.

As danças dos pauliteiros e pauliteiras de Sendim agradaram aos mais idosos.

O encontro entre gerações decorreu no pavilhão multiusos, em Sendim e contou com a participação dos alunos do 1º ciclo da Escola Básica de Sendim, das crianças do jardim de Infância, dos utentes da Oficina do Idoso, do Centro Social e Paroquial São João Baptista de Picote e dos membros da Tuna da Universidade Sénior de Miranda do Douro

Durante a tarde de convívio, as crianças e os idosos foram protagonistas de várias atuações musicais, de recitação de poemas, das danças dos pauliteiros e de um baile, que encerrou com um lanche convívio entre todos.

Segundo o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, o Encontro Intergeracional é uma iniciativa anual que se insere na celebração do Dia Mundial da Família (15 de maio).

“Este encontro das várias gerações visa reforçar e aprofundar os laços comunitários entre os mais novos e os mais idosos. Entre estas duas gerações há muito para partilhar, dado que os idosos podem transmitir aos mais novos o seu saber e valores. E por sua vez, as crianças e jovens também partilham com os idosos, a sua alegria e entusiasmo”, disse o autarca.

A anfitriã do encontro, a vice-presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Ana Paula André, como mãe de dois filhos realçou que o convívio intergeracional é uma mais valia para o crescimento das crianças.

“A simples companhia entre os avós e os netos ajuda a moldar a personalidade das crianças. E os mais velhos também beneficiam muito com a proximidade das crianças, pois recebem deles a força e a alegria de viver”, disse.

HA



Sendim: Associação de Pais abordou a educação inclusiva de alunos imigrantes

Sendim: Associação de Pais abordou a educação inclusiva de alunos imigrantes

Com o propósito de sensibilizar pais, professores e auxiliares educativos para a importância de acolher e integrar os alunos imigrantes, a Associação de Pais e Encarregados de Educação das Escolas de Sendim (APEEES) organizou no dia 30 de abril, o I Encontro “Direitos e Deveres na Educação Inclusiva: Implicações, Práxis Implícitas”.

A sessão de esclarecimento foi orientada pelas docentes, Ana Raquel Prada e Carla Pedroso de Lima.

A iniciativa decorreu no salão nobre da União de Freguesias de Sendim e Atenor e teve como oradoras, as docentes do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) Ana Raquel Prada e Carla Pedroso de Lima que explicaram que a educação inclusiva implica a adaptação do sistema educacional para atender uma maior diversidade de necessidades de todas as crianças e jovens.

“Sem descurar as caraterísticas de cada criança e jovem, há que garantir o acesso a uma educação de qualidade a todos os alunos”, começaram por dizer as investigadoras.

Sobre o que é uma escola inclusiva, as docentes do IPB responderam que são as comunidades educativas que acolhem e valorizam a diversidade.

“A inclusão envolve toda a comunidade educativa, desde as famílias, professores, as turmas e os auxiliares educativos, todos contribuem para o desenvolvimento social, emocional e académico de cada aluno”, indicaram.

O I Encontro “Direitos e Deveres na Educação Inclusiva: Implicações, Práxis Implícitas” realizado em Sendim, contou com a participação da presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, da vice-presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Ana Paula André e do diretor do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD), António Santos.

A autarca de Miranda do Douro, Helena Barril, referiu que perante a chegada de um maior número de imigrantes ao concelho de Miranda do Douro é imperativo acolher, acompanhar, integrar e valorizar a diversidade cultural e linguística dos novos agregados familiares.

“Vivemos numa sociedade cada vez mais diversa e complexa, onde cada pessoa precisa ser acolhida, incluída, respeitada e integrada”, disse Helena Barril.

Por sua vez, o diretor do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD), António Santos, apelou a todos os intervenientes no processo educativo: pais, professores e funcionários das escolas para que trabalhem no mesmo sentido da inclusão social dos novos alunos.

“A acolhimento de alunos que vêm de países cuja língua materna não é o português exige um plano de educação e acompanhamento personalizado”, indicou.

Segundos dados do Ministério da Educação, nos últimos dois anos letivos o número de alunos estrangeiros nas escolas em Portugal, aumentou de 70 mil para 140 mil crianças e jovens.

HA



Ovinos: Lã ganha novo uso em recheio de edredões

Ovinos: Lã ganha novo uso em recheio de edredões

Atualmente com pouca utilidade e a consequente desvalorização no mercado, a lã de ovinos está a ser reaproveitada como recheio de edredões, vendidos por uma empresa de Sousel, no distrito de Portalegre.

“É o único edredão de lã de borrego que existe. Tudo é feito em Portugal, não há nada importado e estamos a começar a exportar”, realça Ricardo Machado, um dos sócios da empresa que comercializa estes edredões, com a marca Lãmb.

No expositor que a marca tem num dos pavilhões da feira agropecuária Ovibeja, que termina hoje em Beja, estão expostos alguns exemplares deste produto, assim como camas para cão ou gato, igualmente com interior em lã de borrego.

Ricardo Machado conta que a marca ‘nasceu’ de uma parceria entre a Herdade de Vale Feitoso, em Idanha-a-Nova, concelho de Castelo Branco, de que é proprietário, e a empresa Pasto Alentejano, de Sousel, que comercializa borregos.

“Tosquiar uma ovelha custa bastante dinheiro” aos criadores de ovinos e “não tinha qualquer rendimento, porque até aqui a lã não era valorizada”, mas o cenário está a mudar, graças a novas soluções para este produto natural, salienta.

Segundo o empresário, os borregos são tosquiados em Sousel e a lã é transportada para a Guarda, onde é lavada, e, depois, para a indústria têxtil no norte do país, para ser fiada e onde os edredões são confecionados.

“É um produto verdadeiramente português”, realça o também criador de ovinos, que possui cerca de 2.500 ovelhas, notando igualmente que este é 100% lã de borrego, enquanto outros edredões no mercado são produzidos com fibras sintéticas.

Assinalando que estas coberturas acolchoadas de cama começaram a ser vendidas no final de 2024, Ricardo Machado refere que as vendas da primeira remessa, que foi de teste, foram um sucesso e acabaram por “esgotar praticamente em menos de um mês”.

“Este ano, já vamos ter lã que dá para fazer muitos edredões”, assinala, revelando que se prevê a utilização de cerca de 80 toneladas. Além do mercado interno, a Lãmb já está a preparar-se para exportar, nomeadamente para Inglaterra e França.

As mantas de lã caíram em desuso, argumenta o empresário, frisando que o este novo produto “consegue ter a mesma qualidade e é melhor ainda do que o edredão de penas”. E, tal como antigamente, “pode ser geracional”.

A Lãmb está, em conjunto com outros parceiros, como universidades, a testar novos produtos confecionados à base de lã de borrego nas áreas do vestuário, construção civil e arte, que se prevê serem lançados no mercado até ao final deste ano.

“E isto é o princípio do que nós achamos que é uma solução integrada que vai, sem dúvida, ajudar o mundo rural”, sublinha.

Também a ACOS – Associação de Agricultores do Sul, com sede em Beja e promotora da Ovibeja, uniu esforços com a artesã, investigadora e empresária Rosa Pomar que, depois, lança peças feitas com lã de ovelha da raça campaniça.

“Felizmente, para os produtores da raça campaniça, tem sido uma lufada de ar fresco termos a Rosa Pomar a trabalhar connosco, porque, apesar de estar neste mercado difícil, faz questão de valorizar a lã e que essa valorização se repercuta no produtor”, observa Miguel Madeira, vice-presidente da ACOS e criador deste tipo de ovinos.

Novelos de fio e peças têxteis são alguns dos artigos desenvolvidos por Rosa Pomar. Em exposição e à venda na Ovibeja estão outros feitos de lã feltrada, com a própria marca da feira e da autora, como mangas térmicas para garrafas de vinho ou estojos para lápis e canetas.

Com esse trabalho, acrescenta Miguel Madeira, a artesã “consegue escoar a quase totalidade” dos 20 mil quilos da lã produzida pelo efetivo total de 10 mil ovelhas da raça campaniça.

Fonte: Lusa | Fotos: ACOM