Miranda do Douro: Animação dos monumentos da cidade

Miranda do Douro: Animação dos monumentos da cidade

Para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se assinala a 18 de abril, o Município de Miranda do Douro programou várias atividades, como um peddy paper, visitas guiadas ao centro histórico, concertos e a animação pelas ruas da cidade.

De acordo com a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, na cidade existem monumentos de grande valor histórico, cultural e arquitetónico, com destaque para a concatedral e o antigo paço episcopal.

“Em 1545, com a elevação de Miranda à categoria de cidade e sede de diocese, a construção da catedral iniciou-se em 1552, por ordem do rei D. João III. A antiga Sé é sem dúvida, o monumento mais representativo da nossa história”, disse.

No âmbito religioso, para além da concatedral, a autarca de Miranda do Douro sugeriu ainda visitas às igrejas da Misericórdia e de Santa Cruz, templos também construídas no centro histórico.

“Entre o património arquitetónico, outro destaque são as muralhas e as ruínas do castelo de Miranda, com as antigas portas da cidade, uma fortaleza construída durante o reinado de Dom Dinis (1279-1325)”, disse.

Séculos mais tarde, no decurso da Guerra dos Setes Anos e num momento em que os mirandeses tentavam resistir às investidas das tropas espanholas, o paiol do Castelo de Miranda explodiu, em maio de 1762, naquela que ficou conhecida com a Guerra do Mirandum.

“A Câmara Municipal de Miranda do Douro vai promover de 17 a 19 de maio a recriação histórica da Guerra do Mirandum. Com este evento pretende-se recordar o importante papel desta cidade na defesa do território de fronteira”, justificou.

Para além dos monumentos religiosos e militares, Helena Barril, indicou outros edificados de grande valor arquitetónico como o Antigo convento dos Frades Trinos, onde foi instalada a biblioteca municipal. A antiga Alfândega, onde funciona a Casa da Cultura Mirandesa. Ou a antiga escola primária, onde está sediada a Casa da Música Mirandesa.

Em Miranda do Douro, as visitas guiadas aos monumentos são gratuitas, sendo no entanto necessária a prévia inscrição, que pode ser feita através do email: cultura@cm-mdouro.pt ou presencialmente no edifício das Quatro Esquinas, localizado na Rua da Costanilha.

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi instituído em 18 de abril de 1982, com o propósito de chamar a atenção do público para a diversidade do património e sensibilizar para a sua proteção e conservação.

HA

Mogadouro: Centro hípico aberto à prática de atividades equestres

Mogadouro: Centro hípico aberto à prática de atividades equestres

O município de Mogadouro e a Associação Centro Hípico assinaram um protocolo de colaboração, para o fomento das várias atividades equestres, contando já com 30 alunos inscritos.

Este Centro Hípico, certificado pela Federação Equestre Portuguesa, é o primeiro da região do Planalto Mirandês e vai funcionar no Espaço de Promoção e Valorização das Associações e Raças Autóctones (EPVARA) com capacidade para 500 pessoas sentadas, numa arena com cerca 1.618 metros quadrados de área útil.

A vereadora do município de Mogadouro, Márcia Barros, disse que o espaço exterior do EPVARA foi cedido à Associação Centro Hípico de Mogadouro, um edificado já existente e cuja atividade era diminuta e que poderá passar a abarcar a hipoterapia, além do ensino da equitação, em diferentes formatos. 

“O município de Mogadouro, através do associativismo, apoia esta iniciativa de forma a promover uma modalidade desportiva que, pela sua arte e contacto com o cavalo – animal cuja nobreza é inquestionável, potencia a formação equilibrada do indivíduo e alarga ainda mais o leque de opções a nível de atividades culturais e desportivas”, indicou a autarca.

João Moreira, membro da Associação Centro Hípico de Mogadouro, avançou que a ideia de criar um centro hípico nesta vila transmontana surgiu no ano de 2018 aquando da fundação da associação.

“Com a inauguração do EPVARA em outubro de 2023, surgiu um espaço onde o Centro Hípico poderia tornar-se uma realidade. A associação propôs um protocolo de parceria com o município que foi imediatamente bem recebido e encarado com todo o entusiasmo”, descreveu o também cavaleiro.

O Centro Hípico de Mogadouro encontra-se federado na Federação Equestre Portuguesa.

No plano de atividades estão incluídas aulas de equitação, passeios a cavalo e de charrete, galas e participação em diversas iniciativas equestres.

Para já os cavalos são transportados para o local nos dias das atividades, prometendo a autarquia de Mogadouro a instalação de alojamentos para os cavalos para que possam permanecer no local, onde se encontra instalado o Centro Equestre.

O município de Mogadouro investiu 1,3 milhões de euros no EPVARA destinado à promoção das raças autóctones destinadas às atividades ligadas à agropecuária e mercados de gado, e agora ganha novas competências.

Fonte: Lusa

Empresas: Portugal é o 2.º maior produtor europeu de calçado

Empresas: Portugal é o 2.º maior produtor europeu de calçado

A indústria portuguesa de calçado ultrapassou Espanha e assumiu-se em 2022 como o segundo maior produtor de calçado da Europa, com 85 milhões de pares fabricados, mais dois milhões do que os concorrentes espanhóis, indicou a associação setorial.

Partindo dos resultados finais de 2022 apurados pelo Eurostat, a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) destaca que, na última década, a produção de calçado em Portugal aumentou 14,4% (de 74 para 85 milhões de pares), o que compara com um recuo de 14% (de 97 para 83 milhões) da indústria espanhola.

“Melhor só Itália, ainda que, ano após ano, esteja a perder terreno para Portugal”, enfatiza a associação em comunicado, detalhando que “a indústria italiana deu um passo atrás” e decresceu 18,6% desde 2012, para 162 milhões de pares produzidos em 2022, “longe dos 199 milhões uma década antes”.

A associação destaca aliás que, “em termos práticos, na Europa apenas Portugal reforçou a produção de calçado”.

Como resultado, a quota de Portugal na produção europeia aumentou 34,3%, ascendendo agora a 17,1% do total.

Considerando toda a produção de calçado na Europa, verifica-se que, na última década, recuou 19,6%, para 496 milhões de pares, quando em 2012 ascendia a 617 milhões.

Citado no comunicado, o presidente da APICCAPS afirma que esta evolução traduz “o investimento continuado do setor de calçado em Portugal na definição de uma visão ambiciosa e em políticas públicas ajustadas, que permitiram ao setor reposicionar-se na cena competitiva internacional”.

“Independentemente dos ciclos conjunturais complexos, continuamos a acreditar no futuro da nossa indústria”, sustenta Luís Onofre, apontando como “maior prova na confiança do futuro do setor” o investimento previsto até ao final da década.

“Importa realçar que temos em curso dois grandes projetos no âmbito do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], que pressupõem um investimento de 140 milhões de euros até ao final do próximo ano, e, até final da década, no âmbito do novo Plano Estratégico, tencionamos investir 600 milhões de euros”, sustentou.

Segundo dados avançados pela APICCAPS, estão atualmente registadas 6.381 empresas da fileira do calçado em Itália (recuo de 25,8% numa década), 2.808 em Espanha (menos 16,1% desde 2012) e 2.428 em Portugal (recuo de 5%).

Os três países, em conjunto, são responsáveis por praticamente 70% da produção europeia de calçado.

As exportações portuguesas de calçado recuaram 11,3% em quantidade e 8,2% em valor em 2023, face ao ano recorde de 2022, com 66 milhões de pares de calçado vendidos por 1.839 milhões de euros.

Segundo a APICCAPS, “o abrandamento económico internacional, em particular em mercados de grande relevância, como a Alemanha, a França ou os EUA, penalizou fortemente o setor do calçado no plano externo” durante o ano passado.

Fonte: Lusa

Ensino: Governo vai apresentar plano de emergência para resolver falta de professores

Ensino: Governo vai apresentar plano de emergência para resolver falta de professores

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou que o Governo vai apresentar “em breve” um plano de emergência para resolver o problema da falta de professores, uma situação que classificou de “gravíssima”.

Em declarações aos jornalistas em Barcelos, distrito de Braga, à margem da tomada de posse de Maria José Fernandes como presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Fernando Alexandre sublinhou que em meados de março ainda havia 1.172 alunos que tinham pelo menos uma disciplina sem professor desde o início do ano letivo.

“É uma situação gravíssima, um problema que é estrutural e que tem de ser resolvido rapidamente. Vamos apresentar um plano de emergência para resolver o problema da falta de professores em breve”, referiu.

O ministro ressalvou que o problema dos professores “não se resolve de um dia para o outro”, mas adiantou que o Governo, com o plano de emergência que será apresentado em breve, tentará evitar que, no próximo ano letivo, haja uma repetição do que aconteceu este ano.

“As falhas foram muito significativas”, vincou.

Fonte: Lusa

Vimioso: Abertas as inscrições para o III Trail Vales de Vimioso

Vimioso: Abertas as inscrições para o III Trail Vales de Vimioso

Estão abertas as inscrições para o III Trail Vales de Vimioso, uma prova agendada para o dia 5 de maio, que inclui uma corrida de 16 quilómetros pelo vale do rio Maçãs e as encostas da Batuqueira e para os caminhantes está programada uma peregrinação até ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em São Pedro da Silva.

Sobre o trail ou corrida de montanha, Paulo Braz, do município de Vimioso, sublinhou que a prova integra a Taça Distrital da modalidade, tem prémios monetários com um valor total de 1600€ e são esperados atletas conceituados.

“No trail de 16 quilómetros, gostaríamos de contar com a participação de pelo menos 250 praticantes de atletismo, vindos não só do distrito de Bragança, mas também da vizinha Espanha e de outras regiões do país”, avançou.

Segundo o organizador deste evento desportivo, no percurso do “III Trail Vales de Vimioso” os atletas vão percorrer o vale do rio Maçãs e as íngremes encostas da Batuqueira.

A inscrição no trail tem um custo de 20€ (que inclui seguro, medalha de finisher, brinde de participação, dorsal personalizado, banho, almoço, cronometragem por chip, abastecimentos e cobertura fotográfica).

De acordo com Paulo Braz, do município de Vimioso, uma das novidades nesta edição é a caminhada e peregrinação, para celebrar o Dia da Mãe, que este ano se assinala a 5 de maio.

“Todos os anos, a Unidade Pastoral de Nossa Senhora da Visitação organiza uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora do Rosário, em São Pedro da Silva. Este ano decidimos juntar a caminhada do trail com a peregrinação”, adiantou.

As inscrições para a caminhada decorrem até 28 de abril e podem ser feitas no site www.runvasport.es ou na Biblioteca Municipal de Vimioso.

Segundo a organização, a caminhada de 10 quilómetros com o almoço incluído tem um custo de 12€; as pessoas que pretendam só almoçar também podem fazê-lo, com um custo de 12€; e para os participantes que pretendem apenas caminhar, a iniciativa é gratuita.

Os participantes inscritos na “Caminhada e Peregrinação Senhora do Rosário” têm direito a um brinde, carro de apoio e transporte de regresso.

O “III Trail Vales de Vimioso” é uma atividade coorganizada pelo município de Vimioso e a associação “Os Furões” e que conta com os apoios da Federação Portuguesa de Atletismo, da Associação de Atletismo de Bragança, da seção de atletismo do CDMD e do patrocínio de várias empresas locais.

HA

Sendim: Regina Nobre é a nova presidente da cooperativa Ribadouro

Sendim: Regina Nobre é a nova presidente da cooperativa Ribadouro

A contabilista, Regina Nobre é a nova presidente da Cooperativa Agrícola Ribadouro, C.R.L., na sequência da assembleia geral ordinária realizada na tarde de Domingo, dia 14 de abril, durante a qual foram eleitos os novos órgãos socais para o quadriénio 2024/2028.

Eleição e tomada de posse dos novos órgãos sociais da Cooperativa Agrícola Ribadouro, C.R.L..

A assembleia da cooperativa realizou-se no salão nobre da Junta de Freguesia de Sendim, onde marcaram presença cerca de uma centena de viticultores associados.

Após várias tentativas para formar um novo corpo de dirigentes, foi entregue uma única lista para ser aprovada pelos sócios. Da votação, o resultado ditou 71 votos a favor e 5 votos em branco.

Os novos órgãos sociais da Cooperativa Ribadouro, C.R.L., são assim presididos por Regina Nobre, na Direção; Nuno Rodrigues, assumiu a presidência da Mesa da Assembleia; e Ana Paula André, preside do Conselho Fiscal.

A nova presidente da Cooperativa Agrícola Ribadouro, C.R.L., Regina Nobre é licenciada em contabilidade e admitiu que os grandes desafios são recuperar o equilíbrio financeiro desta coletividade e impulsionar a comercialização dos vinhos aí produzidos.

“O grande desafio da Ribadouro continua a ser escoar os vinhos a um preço que permita pagar as uvas aos viticultores associados. Atualmente, os vinhos são vendidos no Brasil e França”, disse.

A nova presidente da Ribadouro, Regina Nobre, prometeu “fazer bem” o seu trabalho.

Por sua vez, o presidente da Assembleia da cooperativa Ribadouro, Nuno Rodrigues, mostrou-se esperançado com esta nova equipa, “constituída maioritariamente por jovens”.

“O cultivo da vinha continuar a ser uma atividade económica importante na vila de Sendim, onde continuam a cultivar-se vinhas novas. E a produção de vinho na cooperativa Ribadouro é uma fonte de receita para as famílias desta região”, disse.

Segundo dados da Ribadouro, atualmente, estão registados na cooperativa 2600 associados, sendo que estão ativos cerca de 700 viticultores, dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.

Do lado dos viticultores, Silvino Aleixo, elogiou a coragem e o dever cívico da nova equipa dirigente da cooperativa.

“Apesar das dificuldades financeiras, acredito que esta jovem equipa vai fazer um bom trabalho na cooperativa Ribadouro. E para que isso aconteça, os viticultores associados também têm que colaborar na qualidade das uvas, de modo a produzir vinhos de excelência, que sejam depois comercializados nos mercados nacional e internacional”, disse.

A Adega Cooperativa Ribadouro foi constituída em 1959 e atualmente produz os vinhos “Ribeira do Corso”, “Lhéngua Mirandesa”, “Mirandum” e “Pauliteiros”.

HA

Educação: Disciplina de EMRC ajuda a afirmar que «a paz é possível»

Educação: Disciplina de EMRC ajuda a afirmar que «a paz é possível»

O diretor do Secretariado de Educação Cristã, na Igreja católica, afirmou que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) ajuda “num tempo de guerra, a sonhar e a perspectivar o futuro”.

“(A disciplina) Ajuda a desbravar o futuro, a conhecermo-nos melhor e a ter os valores estruturantes da pessoa humana: a amizade, o perdão, a capacidade de perdoar. Neste tempo que vivemos de guerras, ajuda a sonhar e a perspectivar o futuro. Gestos partilhados entre jovens e professores com uma vela na mão, como o que vivemos ontem, significava também isto: a paz é possível”, explicou Fernando Moita.

“A disciplina de EMRC ajuda a formar a pessoa no seu todo e apelamos muito aos professores que motivem nos agrupamentos, às famílias para que acreditem que a disciplina quer receber as suas crianças e filhos, dizendo que a aprendizagem e a vida em construção destas crianças será mais eficaz”, acrescentou.

Cerca de três mil participantes estiveram em Bragança, na XII edição do Encontro Nacional do Ensino Secundário (ENES), representando “77 realidade educativas, da totalidade do país”.

O diretor do Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC) reconhece a escola como o “lugar por excelência para construir o futuro” e a “educação como “valor primordial”.

“Enquanto disciplina quisemos apostar neste encontro na dimensão do coração e nos sentidos: só viveremos um futuro maravilhoso se, no hoje, tivermos a capacidade para olhar, com os pés assentes na terra, saborear o que a natureza nos dá, o que o trabalho dos irmãos nos oferece. Os alunos fizeram uma experiência de saborear a vida e projetar o seu futuro”, traduz.

O responsável enquadra o trabalho que está a ser realizado pelo SNEC para “estar cada vez mais dentro e nos lugares onde os jovens estão”.

“Esta dimensão dos recursos digitais significa dizer aos jovens e famílias, que escolhem a disciplina, que queremos dar o melhor que conseguimos e, sobretudo dizer aos professores, que são brilhantes no seu trabalho, homens e mulheres apaixonados pela causa da educação e do Evangelho, dizer que a Igreja quer ajudar no cumprimento da sua nobre tarefa, ajudar a juventude a crescer e a sonhar”, enfatiza.

De Guimarães, Jéssica Martins, a frequentar o 10º ano, explica que com a inscrição na disciplina consegue “aprender mais” e que a participação no encontro em Bragança lhe permitiu “conhecer melhor a música católica”, novos lugares e novas amizades.

“Em EMRC além de aprender sobre religiões, aprendemos mais sobre nós e a respeitar os outros. Esses conteúdos não estão presentes em outras disciplinas”, indica.

A colega Rafaela Matos diz ser católica e que isso a levou a inscrever-se em EMRC.

“Nas aulas aprendemos a respeitar as diferentes religiões, falamos um bocado de todas e isso captou-me a atenção, a respeitar as pessoas, e isso é algo importante em especial nesta idades. Sinto que em EMRC aprendemos a valorizar a nossa liberdade, podemos exprimir-nos, podemos praticar a religião que queremos, admitir o que gostamos ou não”, explica.

D. Nuno Almeida, bispo da diocese de Bragança-Miranda, anfitriã do encontro lembrou “ecos da JMJ Lisboa 2023 com a invasão de uma onda jovem na cidade”.

“Neste momento precisamos compreender que as pessoas não se inscrevem ou não virão para o Seminário espontaneamente. O ambiente cultural requer um esforço de aproximação, com amizade e simplicidade, para partilhar experiências, dúvidas mas também o acreditar nos valores do Evangelho, que isso traz alegria, dá rumo e sentido à vida”, explicou.

Fonte: Ecclesia

Saúde: Um quarto dos laboratórios fez 90% das análises – Regulador

Saúde: Um quarto dos laboratórios fez 90% das análises – Regulador

Um estudo do regulador da saúde revela que 26% dos laboratórios clínicos realizaram 90% das análises, no primeiro semestre de 2023, alertando que a concentração de mercado no Norte e no Algarve pode suscitar preocupações de concorrência no setor.

Segundo a “Informação de Monitorização do Setor convencionado de Análises Clínicas”, divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), em outubro de 2023, estavam registados, 3.381 estabelecimentos na área das análises clínicas e patologia clínica.

Destes 251 são laboratórios e 3.130 são postos de colheitas, dos quais 34 são unidades móveis, o que representa um crescimento de 8,9% em relação a setembro de 2015 e de 0,4% face ao ano de 2022.

A ERS explica que, a nível concorrencial, o universo de 3.178 estabelecimentos fixos não públicos detentores de convenção com o SNS para a área de análises clínicas se integra em 53 operadores (entidades ou grupos de entidades) que constituem efetivos concorrentes nos mercados considerados.

“Constata-se que os três maiores operadores englobam cerca de 50% das requisições aceites, e 14 operadores (26%) representam cerca de 90% da totalidade de requisições aceites em Portugal continental no primeiro semestre de 2023, sendo certo que a mesma percentagem de requisições tinha sido apresentada, em 2022, por 28,6% dos operadores”, sublinha o documento.

Em termos regionais, o estudo verificou que os níveis de concentração de mercado (calculado através do Índice de Herfindahl-Hirschmann – IHH)) das regiões de saúde do Norte e do Algarve encontravam-se dentro de “valores passíveis de suscitar preocupações concorrenciais, à luz das orientações da Comissão Europeia”.

Nas regiões de saúde do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo foram encontrados “níveis de concentração moderados” com IHH mais altos do que em 2022.

“O cálculo do rácio de concentração para os quatro grupos mais representativos que atuam em cada região de saúde (CR4), com um ligeiro aumento em relação a 2022, revela índices de concentração elevados nas regiões do Algarve, do Norte e do Alentejo e moderados nas restantes regiões (21), destacando-se que o mercado é dominado por um reduzido número de operadores”, sublinha a ERS.

O regulador verificou também que, à semelhança do que constatou em 2022, o operador com maior representatividade a nível nacional só corresponde ao maior grupo dentro de uma região de saúde, a do Norte.

Ainda segundo a ERS, cerca de 87% dos concelhos apresentam menos de 26 estabelecimentos fixos, notando a ausência de oferta em nove concelhos, um da região de saúde do Centro (Manteigas), dois da região de saúde do Norte (Boticas e Torre de Moncorvo) e seis da região de saúde do Alentejo (Alter do Chão, Arronches, Barrancos, Crato, Marvão e Sousel).

Ressalva, contudo, que todos os concelhos sem oferta de estabelecimentos fixos são abrangidos por unidades móveis.

A maior concentração de estabelecimentos encontra-se nos concelhos de Lisboa (mais de 100 estabelecimentos), Sintra, Almada (região de Lisboa e Vale do Tejo) e no concelho do Porto (região Norte), que correspondem também a regiões com elevado número de habitantes.

Em 2023, no primeiro semestre 97% dos estabelecimentos (excluindo as unidades móveis) do setor privado detinham convenção com o SNS na área de Análises Clínicas.

Em 2022, o número de atos aceites em todas as regiões de saúde foi superior ao verificado no ano de pré-pandemia e no ano transato.

Nos primeiros seis meses do ano, os exames aceites por 1.000 habitantes foram de 3.305 a nível nacional (cerca de 50% do obtido para o ano completo de 2022, 6.518 atos por 1.000 habitantes), com a região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo a apresentar o rácio mais baixo e a região de saúde do Centro o mais elevado.

A ERS adianta que acompanha de perto o setor para garantir o bom uso dos recursos públicos, considerando ser importante “garantir a concorrência no mercado para evitar preços altos e baixa qualidade”.

Fonte: Lusa

Ensino Superior: Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com primeiro doutoramento

Ensino Superior: Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com primeiro doutoramento

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) tem acreditado o primeiro doutoramento do país lecionado no ensino politécnico, com a designação de “Engenharia de Sistemas Inteligentes”, anunciou a instituição.

O presidente do IPB, Orlando Rodrigues, disse à Lusa que esta aprovação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3Es), por seis anos e sem condicionamentos, era muito ambicionada, e tem “um valor simbólico” porque representa uma vitória para os politécnicos.

A alteração da lei que regulamenta a atribuição de graus e diplomas no ensino superior, votada por unidade na Assembleia da República em fevereiro de 2023, veio permitir aos politécnicos conferir o grau de doutor. 

“Era uma alteração muito ambicionada pelo sistema politécnico, tendo em conta que pretendemos ser instituições próximas das empresas, mas com capacidade científica. Daí que os doutoramentos fossem absolutamente centrais nesta estratégia”, explicou Orlando Rodrigues, acrescentando que este é o culminar de um processo “que passou no parlamento depois de muito esforço e de muita luta”.

“Os politécnicos submeteram as suas propostas. Este foi o primeiro a ser aprovado, outros serão de seguida. (…) Tem este valor especial, simbólico, porque é o resultado desta vitória dos politécnicos”, considerou o presidente do IPB.

O doutoramento aprovado tem por objetivo preparar profissionais e investigadores numa área que é multidisciplinar e que se liga com o “universo científico do Centro de Investigação em Digitalização e Robótica Inteligente (CeDRI, localizado IPB), nomeadamente eletrónica, automação e robótica, sistemas ciberfísicos, inteligência artificial, computação avançada e cibersegurança”, explicou a instituição, em comunicado.

Para Orlando Rodrigues, a ‘luz verde’ dada ao doutoramento é também uma questão de justiça.

“Porque há um requisito que é o mais difícil de atingir, desde que foi alterada esta lei dos graus e diplomas, que exige que para se ter um doutoramento as instituições têm de ter um centro de investigação com a classificação mínima de muito bom ou excelente. Nós temos dois com a classificação de excelente. Algumas universidades não têm nenhuma”, salientou Orlando Rodrigues.

O responsável afirmou ainda que há vários alunos de doutoramento a serem orientados pela instituição que dirige, mas estes tinham de recorrer a universidade externas, portuguesas ou espanholas, com as quais o IPB tem protocolos, para poderem obter o grau.

“Não era justo e, sobretudo, não era eficaz, porque não podíamos ajustar completamente as linhas de investigação às necessidades das nossas regiões. E isso agora será possível. (…) Vai-nos permitir desempenhar melhor o nosso papel (…)”, rematou Orlando Rodrigues.

O doutoramento em Engenharia de Sistemas Inteligentes arranca no próximo ano letivo, com 15 vagas.

O IPB aguarda a aprovação ainda de mais dois cursos de doutoramento, um em Engenharia de Biossistemas e outro em Tecnologia e Produtos de Base Natural.

Fonte: Lusa

Paradela: 400 atletas e caminhantes percorreram os carreiros do contrabando

Paradela: 400 atletas e caminhantes percorreram os carreiros do contrabando

Na manhã de Domingo, dia 14 de abril, a aldeia de Paradela foi o local de partida e de chegada do II Trail Contrabando do Café, uma prova desportiva, com corrida e caminhada, na qual participaram mais de 400 pessoas, que ficaram maravilhadas com a beleza das paisagens, não obstante a dureza do percurso e o intenso calor.

A caminhada de 12 quilómetros, do Trail Contrabando do Café contou com a participação de cerca de 300 pessoas.

No café local, em Paradela, a proprietária Isabel Sebastião, estava radiante com o inusitado movimento na aldeia, por causa da prova de atletismo e a caminhada.

“Pelo segundo ano consecutivo, este evento traz a Paradela, gente cheia de alegria e de entusiasmo. E com estas centenas de pessoas na aldeia, o negócio melhora um pouco, já que ao longo do ano, o nosso dia-a-dia é muito tranquilo, em que vamos recebendo as visitas de alguns turistas que vêm visitar o miradouro da Penha das Torres”, disse.

Outros habitantes locais, Diamantino Preto e Alberto Pires, mostraram-se igualmente entusiasmados com a invulgar chegada de pessoas à localidade mais oriental de Portugal, para participar na prova desportiva. Sobre o nome do evento, “Contrabando do Café”, os dois senhores de Paradela, confirmaram a importância económica passada, que a troca comercial clandestina, teve no rendimento de algumas famílias.

“Para Espanha levávamos café, dado que em Portugal era mais barato por causa da produção que chegava de Angola. E de Espanha, trazíamos calças de ganga e pesetas”, disseram.

Naquele tempo, os contrabandistas operavam sobretudo à noite, para não serem vistos pela guarda-fiscal. Ademar Preto, natural de Paradela, é um antigo militar dessa força de segurança. O antigo guarda, que serviu em vários postos no país, recordou que foi na sua terra natal, em Paradela, onde teve mais dificuldade em exercer a autoridade, dado que alguns dos contrabandistas eram familiares e amigos.

“Houve vezes, em que tive mesmo de dizer-lhes que a fronteira era muito extensa, pelo que lhes pedia que fizessem o contrabando por outros caminhos mais distantes”, recordou.

E foi por muitos destes caminhos e carreiros, outrora percorridos pelos contrabandistas, que se realizou a corrida e a caminhada, do II Trail Contrabando do Café.

Numa antevisão da prova, o pastor local, Delfim Preto, destacou que os participantes iriam realizar um passeio agradável, envoltos pela beleza da natureza primaveril.

No trail de 18 quilómetros, Ilídio Moreiras, confirmou a boa forma física e venceu a corrida. O atleta do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), concluiu o percurso, em 1hora 30 minutos e 32 segundos. Após a chegada à meta, o veterano atleta descreveu a prova como “muito difícil”.

Ilídio Moreiras venceu o trail de 18 quilómetros, em 1hora 30 minutos e 32 segundos.
“Já sabia de antemão da grande dificuldade da prova, com muitas subidas e descidas e o calor veio dificultar ainda mais a corrida. Nestas condições, a minha estratégia foi assumir a dianteira, para depois gerir a distância para os meus seguidores”, disse.

Aproximadamente três minutos depois, chegou o segundo classificado, Marco Rivera, da equipa CD Solorunners Valladolid (Espanha). Sobre a prova, o atleta espanhol, que participou pela primeira vez no trail em Paradela, descreveu o percurso como muito bonito e variado.

“Gosto de provas assim, com muitas descidas e subidas, o que exige técnica na corrida. Sobre o calor que se fez sentir, pessoalmente, gosto muito de correr com temperaturas altas. Na prova, destaco ainda as paisagens belíssimas do castro e do miradouro da Penha das Torres”, disse.

Do lado feminino, a atleta Lucinda Moreiras, foi a primeira a chegar à meta, cumprindo o percurso em 1 hora 54 minutos e 24 segundos.

“Após ter conquistado, recentemente, na categoria 55, o campeonato nacional de mini-maratona, com recorde nacional, hoje senti-me bastante cansada e foi-me mais difícil realizar esta prova. Ainda assim, consegui chegar em primeiro lugar. Felicito a organização pelo bonito percurso”, disse.

Do lado dos caminhantes, os jovens Tomás Fernandes e Maria Leonor, elogiaram também a beleza do percurso e a grande participação de pessoas, o que deu para conviver enquanto percorreram os 12 quilómetros.

Outra caminhante, Dulce Torrão, vinda de Vimioso, apreciou a beleza das paisagens de Paradela, o convívio, mas indicou a dificuldade do percurso.

“As paisagens são líndíssimas e o convívio que se estabeleceu com os caminhantes espanhóis foi espetacular! No entanto, a subida realizada por carreiros estreitos e o calor tornaram a prova bastante difícil. Houve ainda um cruzamento dos caminhantes com os atletas do trail, o que gerou alguma confusão. Mesmo assim, a caminhada valeu bem o esforço!”, disse.

Para Teresa Jesus, vinda da aldeia vizinha de Ifanes, a caminhada foi “maravilhosa”, pois os caminhantes tiveram oportunidade de conviver e contemplar a natureza verdejante e florida da Primavera.

“Na ribeira do Castro, a natureza estava ao rubro com a água a correr, os nenúfares e outras flores. Esta beleza natural associada à boa companhia tornaram esta caminhada memorável. Parabéns à organização!”, disse.

No final da prova, o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), a freguesia de Paradela e o município de Miranda do Douro expressaram idêntica satisfação pelo êxito do evento desportivo.

O responsável pelo atletismo do CDMD, Alírio Sebastião, frisou que o Trail Contrabando do Café tem como “meta” promover o turismo desportivo na localidade de Paradela.

Por sua vez, o presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas, justificou que o investimento na promoção deste evento tem obtido retorno, pela grande afluência de pessoas à localidade.

“É o segundo ano em que se realiza esta prova desportiva em Paradela e estamos muito satisfeitos com o retorno obtido. Esta localidade, à semelhança do que acontece nas outras aldeias do concelho de Miranda do Douro, vive sobretudo da agricultura, da pecuária e do turismo de natureza. Para promover a atividade turística e atrair mais e novos visitantes a este território, que integra o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) decidimos apostar nesta prova desportiva”, justificou.

Em representação do município, o vereador, Vitor Bernardo, destacou que o II Trail Contrabando do Café registou mais de 400 inscrições no trail e na caminhada.

“O sucesso deste evento desportivo mostra que o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), para além das conquistas no futsal distrital, está a afirmar-se também no atletismo. Neste âmbito, todas as inciativas que promovam o desporto, a saúde e o turismo de natureza serão sempre apoiadas pelo município de Miranda do Douro”, assegurou.

No final da prova, a entrega dos prémios aos vencedores e participantes do II Trail Contrabando do Café foi animada com as danças das Pauliteiras de Miranda do Douro.

HA