Gastronomia: Bragança retoma formato presencial do Festival do Butelo e das Casulas

Gastronomia: Bragança retoma formato presencial do Festival do Butelo e das Casulas

Bragança vai voltar a realizar no fim de semana de 25 a 27 de fevereiro, o Festival do Butelo e das Casulas, um enchido de ossos e vagens de feijão secas que se tornaram dois dos produtos mais apreciados da gastronomia regional.

Se em 2021, a pandemia apenas permitiu as vendas ‘online’, este ano a autarquia de Bragança e a Confraria do Butelo e das Casulas decidiram voltar ao formato presencial, com uma tenda para acolher 40 produtores, na Praça Camões e uma semana gastronómica, com 26 restaurantes a servirem este prato.

Ao longo dos tempos, da tradicional matança do porco saía um butelo enchido na bexiga do animal com as carnes menos nobres e que as famílias guardavam para comer no Carnaval, com as casulas ou cascas, as vagens de feijão secas, que, depois de demolhadas, são cozinhadas com o butelo e outras carnes.

De um prato pobre e esquecido, o volumoso enchido e as cascas tornaram-se em produtos nobres da gastronomia regional desde que se realizam o festival e a semana gastronómica, há mais de uma década.

Um quilo de casulas é vendido a 11 euros e do butelo a 14 euros, indicou o grão-mestre da confraria, Francisco Figueiredo, na apresentação do festival.

“Desde que existe este festival, o butelo e as casulas tiveram uma procura bastante acentuada e o preço tem acompanhado esta procura”, enfatizou.

O festival regressa entre 25 e 27 de fevereiro à Praça Camões, no centro histórico de Bragança, com cerca de “40 produtores que vão comercializar fumeiro, como butelo, salpicões e chouriças, produtos regionais, nomeadamente as casulas, azeite, mel, vinho e licores, e artesanato regional”.

Além desta venda, decorre também, entre 18 de fevereiro e 1 de março, a Semana Gastronómica do Butelo e das Casulas em 26 restaurantes aderentes.

Esta é uma época do ano em que “muita gente”, nomeadamente espanhóis, visita este território, como salientou o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, que espera com o regresso dos eventos presenciais começar a “dinamizar a economia local”, através dos produtos mais apreciados, depois dos constrangimentos da pandemia de covid-19.

As restrições sanitárias que permanecem ainda têm reflexos nas festividades da época, com a autarquia a manter suspenso o Carnaval dos Caretos, que costumava decorrer em paralelo com o Festival do Butelo e das Casulas.

Fonte: Lusa

Santulhão: “Este ano há azeite de qualidade e em quantidade” – Adrião Rodrigues

Santulhão: “Este ano há azeite de qualidade e em quantidade” – Adrião Rodrigues

A boa qualidade da azeitona deste ano e a maior quantidade, comparativamente com os anos anteriores, fazem com que haja uma boa produção de azeite nos lagares da região, como é o caso do Lagar de Azeite de Santulhão (Vimioso).

De acordo com o responsável pelo lagar de Santulhão, Adrião Rodrigues, o ano está a ser muito bom na produção de azeite.

Sobre a “muito boa qualidade da azeitona”, o responsável explica que esta se deve à quase inexistência da praga de moscas nos olivais, o que faz com que as colheitas cheguem ao lagar com muita sanidade.

Outra razão apontada para a boa qualidade da azeitona são as condições cilmatéricas, tais como a existência de menos geadas, o que diminuiu a oxidação da azeitona.

A laborar desde 2006, ao lagar de azeite de Santulhão acorrem produtores dos concelhos de Vimioso, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Miranda do Douro e Bragança.

Este ano, os custos ou a maquia para transformação da colheita de azeitona em azeite estão a 20%. Ou seja, cada agricultor do total da sua produção de azeite deixa no lagar 20%.

“Em cada 100 litros de azeite, o produtor entrega 20 litros ao lagar”, explicou.

Adrião Rodrigues explicou que a designada maquia aos produtores aumentou em consequência do aumento de custos no transporte do bagaço da azeitona para Mirandela. Os bagaços destinam-se a outros fins, como o aquecimento, a extração de óleos refinados, etc.

A azeite produzido no lagar de Santulhão tem três marcas próprias.

“Produzimos o azeite Terras do Sabor e o Oliveiras Gold. E neste momento estamos a criar uma terceira marca que se chama Quinta de Arufe”, indicou.

Segundo o responsável pelo lagar de Santulhão, o azeite é comercializado para quase todo o mundo.

Sobre o preço do azeite, Adrião Rodrigues explicou que o preço varia consoante a qualidade.

“Há azeites extraídos a frio, há azeites maduros e há inclusivé azeites com alguns defeitos, dado que ainda há produtores que não têm o devido conhecimento para procurar a qualidade do produto”, referiu.

Por esta razão, o preço por litro do azeite varia dos 2,50€ a 3,00€ na venda a granel.

“O azeite de melhor qualidade tem um preço, por litro, que ronda 10,00€ a 11,00€”, disse.

Desde que o lagar de azeite de Santulhão, começou a laborar, há quinze anos atrás, Adrião Rodrigues acompanhou algumas mudanças na olivicultura, sendo que a mais evidente é a mecanização na apanha da azeitona.

“A grande mudança é a mecanização na apanha da azeitona. E isso explica-se pela falta de mão-de-obra na região e também pelos elevados custos associados à apanha manual. Por estas razões, cada vez mais a apanha da azeitona é feita com recurso a máquinas”, referiu.

HA

Extração do azeite, no lagar de Santulhão (VImioso)

Olivicultura: Azeite de Murça conquistou 19 medalhas em 2021 e aumentou 30% nas vendas

Olivicultura: Azeite de Murça conquistou 19 medalhas e aumentou as vendas em 30%

Em 2021, a Cooperativa dos Olivicultores de Murça conquistou 19 medalhas em concursos internacionais, aumentou as vendas de azeite em 30% e está a investir 400 mil euros numa nova linha de extração e na diminuição da fatura energética.

O presidente da direção da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça, Francisco Ribeiro, disse que o reconhecimento internacional ajuda a criar novos canais, a conquistar parceiros novos e a aumentar as vendas.

Recentemente o azeite “Porca de Murça” conquistou cinco medalhas de ouro no Concurso Internacional Olivinus 2021, que decorreu na Argentina e é considerado um dos maiores concursos do mundo.

Francisco Ribeiro referiu que os cinco lotes colocados a concurso obtiveram cinco medalhas de ouro naquele que considerou ser um dos “mais prestigiados concursos do mundo”, que contou com a “participação de mais de 200 empresas do setor oriundas de 17 países”.

Segundo o responsável, neste ano, em que a cooperativa celebra o 65.º aniversário, o seu azeite conquistou um total de 19 medalhas (ouro e prata) em concursos que se realizaram na Argentina, Israel, Japão, Itália, Canadá, Inglaterra e Portugal.

O presidente da direção disse ainda que, nos primeiros nove meses do ano, as vendas aumentaram “cerca de 30%” comparativamente com 2020, traduzindo-se na venda “de meio milhão de litros”, o “equivalente à produção quase toda do ano passado”.

A exportação representa entre 20 a 22% do volume de negócios e os principais mercados são a Alemanha, França, Canadá, Suíça e alguns países nórdicos.

“Notámos, principalmente no primeiro e segundos trimestres deste ano, um aumento de consumo em embalagens de maior dimensão e, notoriamente, a procura de produtos de maior qualidade”, referiu.

Francisco Ribeiro explicou que as “percas verificadas no canal Horeca (restauração, hotelaria) foram muito recompensadas pelo consumo em casa”.

“E esta notoriedade que se ganha com os concursos internacionais ajuda a essas vendas”, sustentou.

A cooperativa vai lançar nas próximas semanas uma “nova loja ‘online’, mais moderna, com novos canais de pagamento e que tem como objetivo facilitar a venda direita ao consumidor final” e “encurtar os intermediários”.

Neste momento está já a preparar a campanha 2021/2022, que arranca em novembro, estando a ser montada uma nova linha de extração, um investimento de cerca de 300 mil euros que visa duplicar a capacidade de extração e, assim, diminuir o tempo de espera da azeitona para a transformação.

“Quanto menos tempo demorar melhor qualidade vamos ter no produto final”, salientou Francisco Ribeiro.

O responsável perspetiva um “ano de produção ligeiramente inferior” ao ano passado. Em 2020, foram produzidos três milhões de quilos de azeitona e, nesta campanha, as previsões apontam para menos 800 toneladas colhidas em Murça.

“Em algumas zonas as oliveiras estão muito bonitas, a floração foi boa e a chuva no final da época estival ajudou a fazer alguma seleção natural da azeitona. Não foi também um ano com muitas pragas”, referiu.

Como preocupação para esta campanha, Francisco Ribeiro apontou o aumento do preço das embalagens (plásticos, garrafas e papelão), e dos custos dos combustíveis e também da energia. “Tudo isto está a sufocar a indústria”, frisou.

Já a pensar no aumento da fatura energética, a organização concorreu a uma linha de apoio governamental para a colocação de painéis fotovoltaicos e, no âmbito deste projeto, vai instalar cerca de 500 metros quadrados de painéis.

Trata-se de um investimento 200 mil euros que vai permitir reduzir em “um terço por ano” o custo da energia desta cooperativa que possui cerca de mil associados.

Nos últimos quatro anos, a instituição aumentou em 16% a capacidade de armazenamento para dar resposta ao também aumento de produção e, na última campanha, pagou 40 cêntimos por quilo de azeitona, mais IVA, aos associados 15 dias depois do levantamento do azeite para autoconsumo.

Fonte: Lusa

Crédito: Fim das moratórias

Crédito: Fim das moratórias

A maioria das moratórias de crédito terminam a 30 de setembro, tendo os clientes de retomar o pagamento das prestações dos empréstimos a partir de outubro, designadamente créditos à habitação, podendo muitos não ter capacidade para o fazer.

Clientes particulares que tiveram significativos cortes de rendimento (pois perderam emprego, tiveram de reduzir as suas atividades ou viram salários reduzidos) ou empresas cujas atividades ainda não recuperaram estarão entre os que terão dificuldades em retomar o pagamento das prestações ao banco.

O decreto-lei do Governo, que saiu em agosto, diz que os bancos devem ser diligentes na sinalização de clientes em dificuldades e apresentem melhorias das condições contratuais, nos créditos de clientes que beneficiaram das moratórias públicas (as moratórias privadas já acabaram anteriormente), facilitando o seu pagamento.

Segundo informações recolhidas, em muitos casos os bancos estão a optar por dar um período de carência de seis a 12 meses (tempo em que os clientes continuarão sem fazer alguns pagamentos).

A lei do Governo diz ainda que, em caso de dificuldades financeiras, as famílias com crédito à habitação ficam protegidas pelo período mínimo de 90 dias, não podendo os bancos avançar com ações em tribunal, resolver esses contratos ou vender esses créditos a empresas terceiras.

Nas empresas, em julho, o Governo disse que o Estado vai garantir 25% do crédito sob moratória às empresas dos setores mais afetados pela pandemia que acordem com os bancos uma reestruturação da dívida.

Na semana passada, o ministro da Economia, Siza Vieira, disse que o executivo “já disponibilizou uma linha de crédito de 1.000 milhões de euros que permite garantir uma parte do crédito que esteja sobre moratória e que careça de alguma reestruturação”.

No final de julho, últimos dados disponíveis, havia 381,4 mil empréstimos abrangidos por moratórias no valor total de 36,8 mil milhões de euros. Desse valor, 14,2 mil milhões de euros eram de empréstimos a particulares (dos quais 12,9 mil milhões de euros correspondiam a empréstimos à habitação) e 21,8 mil milhões de euros de créditos de empresas.

Serão a maior parte dessas moratórias que terminam a 30 de setembro, havendo uma parte pequena que ainda pode continuar. Clientes que tenham aderido à moratória até 31 de março de 2021 têm até 31 de dezembro de 2021 (se por outro motivo não a prorrogaram).

A Lusa questionou os principais bancos sobre os créditos com moratória que estão a ser reestruturados, mas não obteve informações. Contudo, as declarações dos banqueiros têm sido no sentido de não estarem muito preocupados com o impacto sobre os seus bancos.

Apenas a Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse, em 21 de setembro, pelo seu presidente executivo (Paulo Macedo), que já houve “mais de 2.000 pessoas que pediram para restruturar os seus créditos”, o que foi feito.

Paulo Macedo disse ainda que não é esperado que o fim das moratórias cause um “problema enorme” à banca.

Ainda assim, considerou que o processo vai ser “penoso, obviamente, para muitas empresas e para muitas famílias” e que também a saída das moratórias será “um pouco assimétrica”, porque “têm a expressão maior na restauração e turismo”.

Contudo, acrescentou, será “menos penoso” se o desemprego continuar controlado.

O BPI afirmou que está a dar aos clientes “toda atenção, caso a caso, porque cada situação tem circunstâncias diferentes” e que “não é antecipado um agravamento relevante” do crédito em incumprimento.

Fonte: Lusa

Espanha: Inflação acelera para 4%

Espanha: Inflação acelera para 4%

A inflação homóloga em Espanha acelerou para 4% em setembro, a taxa mais alta desde setembro de 2008, principalmente devido ao aumento dos preços da eletricidade, foi anunciado.

O Instituto Nacional de Estatística espanhol (INE) publicou a primeira estimativa da inflação, em setembro, cujo valor se for confirmado a 14 de outubro, representará um aumento de 0,7 pontos percentuais em relação ao valor de agosto (3,3%) e o sétimo mês consecutivo de aumento.

O INE espanhol explica que o aumento de preços está relacionado com o aumento dos preços da eletricidade, que é mais elevado em setembro do que no mesmo mês do ano 2020.

A subida dos preços também é influenciada, embora em menor grau, pela evolução das férias organizadas, que caíram menos este ano do que em 2020, e dos combustíveis, que aumentaram quando no ano passado tinham descido.

A inflação de base – que exclui os preços dos produtos energéticos ou alimentares não transformados, uma vez que são os mais voláteis – situou-se em 1%, mais três décimas do que em agosto e menos três pontos que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) geral, a maior diferença entre as duas taxas desde que a série começou em 1986.

Em termos mensais, os preços subiram 0,8% em setembro face a agosto, marcando o segundo mês consecutivo de subida.

O índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), que mede a evolução dos preços utilizando o mesmo método em toda a zona euro, situou-se em 4% em termos homólogos, contra 3,3% em agosto e em 1,1% face ao mês anterior.

Em que consiste a inflação?

Numa economia de mercado, os preços dos bens e serviços estão sujeitos a variações. Alguns preços sobem, outros descem. A inflação ocorre quando se verifica um aumento geral dos preços dos bens e serviços, não apenas de artigos específicos: significa que, com 1 euro, se compra menos hoje do que ontem. Por outras palavras, a inflação reduz o valor da moeda ao longo do tempo.

in Banco Central Europeu (BCE)

Fonte: Lusa

Pandemia: Destinos turísticos menos massificados, digitalização e preocupações ambientais vieram para ficar

Pandemia: Outros destinos turísticos vieram para ficar

A procura por destinos turísticos menos massificados e com maiores preocupações ambientais, bem como uma maior aposta na digitalização são algumas das transformações provocadas pela pandemia no setor do turismo, que vieram para ficar, segundo algumas associações.

Para assinalar o Dia Mundial do Turismo que se celebrou a 27 de setembro, algumas das associações mais representativas, em Portugal, responderam ao que mudou de forma permanente no setor turístico devido à pandemia.

“Uma maior aposta na digitalização, a utilização de serviços de entrega ao domicílio através da utilização de plataformas, proporcionar experiências integradas que criem memórias e emoções e continuar a privilegiar as medidas de segurança e higiene sanitária, são propostas que podem criar valor acrescentado para os negócios”, destacou a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto.

Já no que diz respeito ao consumidor, esta associação defende que se deve procurar “corresponder às suas novas exigências de procura, que hoje se centram muito mais em destinos menos massificados e com maiores preocupações ambientais”, acreditando que se trata de “tendências que vieram para ficar, e que por essa razão é preciso adaptar e mudar para evoluir”.

“A crise sanitária que ainda atravessamos deve fazer-nos refletir sobre os efeitos que esta provocou no turismo e também no turista, com novas tendências que, embora impostas pela pandemia, podem perdurar no tempo e criar novas oportunidades para os negócios do alojamento turístico e da restauração e bebidas”, apontou Ana Jacinto.

Por seu turno, na perspetiva da vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, houve com certeza muitas alterações, adaptações e revisões de procedimentos. Muitas destas alterações decorrem do cumprimento de restrições e protocolos e higiéno-sanitários e irão passar”, defendeu a responsável da AHP.

“Entre várias alterações, destaco duas estruturais. A primeira, a aceleração da digitalização dos serviços, incluindo um maior uso da automação, por exemplo em pagamentos e serviços ‘contactless’; experiências virtuais; informação em tempo real, etc. A segunda, a aceleração da busca da sustentabilidade, nos destinos, nos prestadores de serviços (hotéis, companhias aéreas, etc., etc.); no menor impacto ambiental que as escolhas individuais podem ter”, ressalvou Cristina Siza Vieira.

No mesmo sentido, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, acredita que, apesar de se tratar de um setor que vai sempre sofrendo alterações, “o sol e mar vai continuar a ser o sol e mar”.

No entanto, o responsável apontou alterações no que diz respeito às viagens de negócios, provocadas pela pandemia, uma vez que se tornou usual fazer essas mesmas reuniões através de meios informáticos e telemáticos, sem necessidade de deslocações.

Também a Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT), apesar de considerar que é “ainda um pouco cedo para se perceber mudanças permanentes”, destacou algumas tendências que a pandemia veio reforçar, como “a redução das equipas, a digitalização de processos e as preocupações ambientais, resultantes também de uma nova agenda política”.

Para o presidente da APHORT, Rodrigo Pinto de Barros, do lado do consumidor “tem-se verificado, por exemplo, um interesse crescente por destinos tradicionalmente menos visitados, com menor densidade populacional, e essa é uma oportunidade que, não só as empresas, mas também as autarquias devem procurar explorar”.

Já no que diz respeito a uma das regiões mais turísticas do país, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) realçou que “ofertas turísticas pouco consistentes encerraram definitivamente, quer ao nível do alojamento privado e local, quer no que se refere a oferta menos estruturada, como o ‘self-catering’, por exemplo”.

Mais, no Sul do país, “o desemprego aumentou, exponencialmente, e muita mão-de-obra regressou aos países de origem e/ou migrou para outros setores de atividade, criando um problema estrutural de falta de mão-de-obra qualificada no período de retoma”.

“No Algarve, o número de desempregados inscritos é muito mais elevado do que no período pré-pandemia (três vezes mais) e falta mão-de-obra para satisfazer as necessidades empresariais”, alertou a AHERTA.

Para o presidente da APHORT, Rodrigo Pinto de Barros, do lado do consumidor “tem-se verificado, por exemplo, um interesse crescente por destinos tradicionalmente menos visitados, com menor densidade populacional, e essa é uma oportunidade que, não só as empresas, mas também as autarquias devem procurar explorar”.

Fonte: Lusa

Entrevista: «Decidi ficar para tratar dessas vinhas velhas» – Aline Domingues

Entrevista: «Decidi ficar para tratar destas vinhas velhas» – Aline Domingues

A vindima é uma das tradições agrícolas mais antigas do nosso país, que é marcada por muito trabalho, mas também pela alegria e a festa. Na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, vive Aldine Domingues, uma jovem luso-francesa que decidiu mudar-se para o planalto mirandês, para aqui se dedicar à viticultura.

Aline Domingues decidiu instalar-se no planalto mirandês para se dedicar à viticultura. (HA)

Terra de Miranda – Notícias: Há quanto tempo se dedica ao cultivo da vinha e à produção de vinho?

Aline Domingues: Comecei este projeto em 2017, quando decidi vir para Portugal, com o propósito de desenvolver um projeto vitícola na região do Douro. Mas depois, em conversa com o meu avô, apercebi-me do abandono das vinhas no planalto mirandês, cuja causa é o despovoamento e o facto de as pessoas idosas já não poderem cuidar das vinhas.

T.M.N: Que trabalhos exige a vinha ao longo do ano?

A.D.: Eu opto por tratar das vinhas com o método da agricultura biológica, ou seja, procuro cuidar dos solos. Para tal, após a vindima e antes da chegada das chuvas, em outubro, vou lavrar as vinhas para aí semear tremoços, lentilhas e trevos. São leguminosas que têm a capacidade de captar o azoto do ar e de o fixar no solo, servindo assim de ingrediente ou alimento para as videiras.

T.M.N.: Quais são as castas predominantes nesta região do planalto mirandês?

A.D.: As castas tradicionais desta região são a negreda e o bastardo preto.

T.M.N.: Que doenças afetam as videiras?

A.D.: No planalto mirandês, dado que o clima é árido e há pouca humidade, não há muitas doenças. Ainda assim, uma das doenças mais comuns é a propagação de fungos como o míldio.

T.M.N.: Quais são as condições atmosféricas ideais para a vinha?

A.D.: A vinha quer muito sol e pouca água, para não stressar as videiras.

T.M.N.: Como se poduz um bom vinho?

A.D.: O bom vinho faz-se na vinha, ao longo do ano. Para tal, são necessárias uvas maduras e claro, sem doenças. Depois, vem o trabalho na adega. Como faço um vinho natural, sem aditivos e conservantes, é muito importante lavar bem a adega e todos os materiais, antes de começar a prensar as uvas, para as transformar em vinho.

O bom vinho faz-se na vinha, ao longo do ano. Para tal, são necessárias uvas maduras e sem doenças.

T.M.N.: Após a prensa das uvas o trabalho está terminado?

A.D.: Após a prensa da uvas há que acompanhar a fermentação do vinho. Diariamente, meço a temperatura do vinho e a sua densidade ou quantidade de açúcar. Dado que é um vinho natural, sem a adição de outros produtos tenho que cuidar bem da fermentação, para evitar que o vinho se estrague. Esta fermentação vai decorrer ao longo de vários meses e o vinho só estará pronto para beber em junho, do próximo ano.

A fermentação vai decorrer ao longo de vários meses e o vinho só estará pronto para beber em junho do próximo ano.

T.M.N.: E quais são as caraterísticas destes vinhos?

A.D.: Para mim, o importante é o equilíbrio entre o aroma e acidez. Tradicionalmente, nesta região vindima-se muito tarde, o que faz com que as uvas tenham muito açúcar e portanto muito álcool. Os vinhos que produzo têm mais acidez, sabem mais à fruta e são mais leves.

T.M.N: Como vai ser a colheita de uvas deste ano? Que quantidade espera colher? E como é a qualidade das uvas?

A.D.: A quantidade é boa, mas em termos de qualidade, a colheita deste ano vai ser complicada, porque a maturação das uvas está atrasada. Nas últimas semanas de setembro, a temperatura arrefeceu bastante e chove, o que não permitiu que as uvas amadurecessem tanto quanto desejaria. A uva branca, por exemplo, está pouco doce e falta-lhe aroma.

T.M.N.: Que tipos de vinhos produz?

A.D.: Produzo três tipos de vinho. Um branco. Um tinto. E um vinho rosé.

T.M.N.: O seu vinho tem um marca própria?

A.D.: Sim, a marca dos vinhos denomina-se Menina d’Uva. São comercializados sobretudo para Porto, Lisboa e o estrangeiro.

T.M.N.: Esta região tem boas condições de solo e de clima para a produção de vinho?

A.D.: Sim, no planalto mirandês há ótimas condições para a viticultura, dado que há vários tipos de solos, como são o granito, o xisto e a argila. Mas, estranhamente, é uma região esquecida e subaproveitada na produção de vinho.

T.M.N.: Depois da vindima, que tarefas vai realizar na vinha?

A.D.: Como referi atrás, após a vindima vou lavrar as vinhas para aí semear tremoços, lentilhas e trevos que têm a capacidade de captar o azoto do ar e de o fixar no solo, servindo assim de ingrediente ou alimento para as videiras. Depois, em janeiro vou iniciar a poda das videiras.

T.M.N.: Porque é que a poda é tão importante?

A.D.: A poda é muito importante, porque uma videira é uma planta, ou seja, é um circuito de seiva. Se na poda corto a planta num sítio errado posso interromper esse circuito de seiva e assim secar a planta. Por essa razão, dou uma grande importância ao trabalho da poda das videiras. No primeiro ano de cultivo de uma vinha, tenho por método dedicar cinco minutos a cada videira, usando uma machada e uma tesoura. Depois, nos anos seguintes, o trabalho da poda já é mais rápido. Este trabalho da poda inicia-se em janeiro. E após a poda, as vinhas são estrumadas.

T.M.N.: Para além do trabalho, costuma dizer-se que a vindima é também uma festa. Continua a ser assim?

A.D.: Sim, a vindima também é um momento de convívio entre familiares, amigos e até voluntários que se interessam pela produção de vinho biológico.

No planalto mirandês há ótimas condições para a viticultura, dado que há vários tipos de solos, como são o granito, o xisto e a argila. Mas, estranhamente, é uma região esquecida e subaproveitada na produção de vinho.

Energia: Bruxelas “acompanha de perto” subida dos preços da energia

Energia: Bruxelas “acompanha de perto” subida dos preços da energia

A Comissão Europeia está a “acompanhar de perto” a subida dos preços da energia e está a debater com os Estados-membros “ferramentas” para os conter, disse a comissária Kadri Simson.

Os preços da eletricidade aumentaram recentemente em vários países da União Europeia (UE).

“A comissão europeia está a acompanhar de perto a situação e a discutir os instrumentos que tem à disposição” para travar o aumento dos custos da eletricidade”, disse a comissária da energia, antes de uma reunião dos ministros da Energia e dos Transportes da UE, na Eslovénia, que detém a presidência rotativa da UE.

“Na situação atual, a Europa precisa de investir em energias renováveis, uma vez que estas oferecem uma alternativa real à nossa dependência de combustíveis fósseis importados”, acrescentou Kadri Simson.

“Precisamos de cooperação (…) a nível europeu para proteger o nosso povo em casa”, salientou o ministro da Energia lituano, Dainius Kreivys, enquanto a sua homóloga austríaca, Leonore Gewessler, denunciou “demasiada dependência (da UE) do gás russo”.

Em meados de setembro, um grupo de cerca de 40 eurodeputados tinha pedido à Comissão que investigasse a gigante energética russa Gazprom, acusando-a de cortar o fornecimento de gás através da Ucrânia para pressionar a Alemanha a aprovar mais rapidamente o gasoduto Nord Stream 2 através do Mar Báltico – e fomentando preços europeus mais elevados.

A Gazprom tinha negado qualquer manipulação de mercado.

Espanha é particularmente afetada pela sua dependência do gás para a produção de eletricidade, que é muito superior à dos países vizinhos europeus como a França.

Mas a França não é poupada: apesar de produzir a maior parte da sua eletricidade com as suas centrais nucleares, os preços de mercado seguem os das matérias-primas (gás e carvão), que aumentaram acentuadamente em resultado da recuperação económica pós-pandemia e do aumento das quotas de emissão de CO2.

A subida dos preços aumenta o risco da pobreza energética em toda a UE: um estudo publicado pela Confederação Europeia de Sindicatos (CES) estima que quase três milhões de trabalhadores pobres da Europa “já não poderão pagar” as suas contas de aquecimento neste outono e inverno.

Fonte: Lusa

Comércio: Vimioso vende produtos e serviços através do digital

Comércio: Vimioso vende produtos e serviços através do digital

O município de Vimioso apresentou o portal de venda online “BEST OF VIMIOSO”, onde é possível divulgar e encomendar os melhores produtos e serviços locais, como são o azeite, o mel, as unidades hoteleiras e as Termas existentes no concelho.

Através desta nova ferramenta de divulgação e comercialização dos produtos e serviços locais já é possível através de um simples clique comprar mel, azeite, doces típicos, fumeiro, cogumelos, licores, leguminosas e frutos secos provenientes deste concelho do nordeste transmontano.

Através do portal “Best of Vimioso” também é possível agendar reservas nas unidades hoteleiras do concelho, nas casas de turismo rural, nas Termas da Terronha e no parque de campismo municipal.

O novo merc@do online está acessível no portal www.bestofvimioso.pt , onde pode realizar as suas encomendas com segurança e comodidade.


O objetivo deste novo serviço online anular a distância geográfica e facilitar a compra dos produtos de qualidade existentes no concelho de Vimioso.

De acordo com o município de Vimioso, esta nova plataforma visa estabelecer a ligação entre os consumidores e os produtores locais.

HA

Agricultura: Cooperativa de lavradores iniciou processo de certificação da amêndoa transmontana

Agricultura: Cooperativa de lavradores iniciou processo de certificação da amêndoa transmontana

A Cooperativa dos Lavradores do Centro e Norte (CLCN), instalada em Mogadouro, iniciou junto das entidades competentes o processo de registo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da amêndoa transmontana, anunciou aquela organização.

“Iniciámos o processo de registo e certificação IGP da amêndoa produzida em todos os 12 concelhos do distrito de Bragança e em cinco concelhos do distrito de Vila Real. O primeiro passo foi dado com a entrega do processo à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DAPN)”, disse Armando Pacheco, um dos responsáveis pela CLCN.

O responsável explicou que a iniciativa de certificação da amêndoa transmontana, com a chancela IGP, pretende ser uma mais-valia para a comercialização deste fruto de casca rija, produzido neste território.

“Achámos que devíamos certificar a amêndoa produzida nesta região do país, para depois os produtores retirarem mais-valias deste produto agrícola por ser IGP. Consideramos que após a obtenção desta cancela a comercialização será superior. É importante realçar a importância de território de Trás-os-Montes neste tipo de produção”, destacou o técnico.

De acordo com Armando Pacheco, já há uma Denominação de Origem Protegida (DOP) da amêndoa do Douro. Contudo, o dirigente referiu que a certificação IGP a que se propõe a CLCN pretende ser mais abrangente.

“Queremos ter a marca Trás-os-Montes, e a amêndoa tem de ser produzida nesta região, onde se verifica um aumento das variedades deste fruto de casca rija, porque já existem outras, sem ser a antiga tradicional, mas de pouco rendimento comercial”, disse Armando Pacheco.

Para já, a CLCN está a liderar o processo de certificação da amêndoa produzida em Trás-os-Montes, mas espera-se que outras organizações de produtores se juntem e possam vir a comercializar com este selo IGP a amêndoa, cuja produção que tem vindo a crescer neste território.

“Tudo indica que a produção de amêndoa vai continuar a crescer neste território. Nos últimos anos, a plantação subiu mais de 60% na nossa região, mas terá que aumentar ainda muito mais para ser rentável”, observou o dirigente agrícola.

O processo de certificação como IGP, depois de analisado pelos serviços de Agricultura a nível nacional, seguirá para Bruxelas, “sendo esperado que se prolongue por vários meses, sendo necessária alguma calma”.

A CLCN tem atualmente meio milhar de produtores de amêndoa e outros frutos de casca rija e castanha.

“Ao sermos reconhecidos como uma organização de produtores, os nossos associados beneficiam de mais valias em termos de candidaturas a apoios de fundos comunitários, havendo mesmo algumas majorações, como são as medidas agroambientais”, exemplificou o representante desta cooperativa agrícola.

Segundo Armando Pacheco, a CLCP comercializa atualmente um milhão de quilos de amêndoa e outros frutos de casca rija produzidos em Trás–os-Montes, traduzindo-se num volume de negócio rondar um milhão de euros.

Fonte: Lusa