Gastronomia: Bragança retoma formato presencial do Festival do Butelo e das Casulas

Gastronomia: Bragança retoma formato presencial do Festival do Butelo e das Casulas

Bragança vai voltar a realizar no fim de semana de 25 a 27 de fevereiro, o Festival do Butelo e das Casulas, um enchido de ossos e vagens de feijão secas que se tornaram dois dos produtos mais apreciados da gastronomia regional.

Se em 2021, a pandemia apenas permitiu as vendas ‘online’, este ano a autarquia de Bragança e a Confraria do Butelo e das Casulas decidiram voltar ao formato presencial, com uma tenda para acolher 40 produtores, na Praça Camões e uma semana gastronómica, com 26 restaurantes a servirem este prato.

Ao longo dos tempos, da tradicional matança do porco saía um butelo enchido na bexiga do animal com as carnes menos nobres e que as famílias guardavam para comer no Carnaval, com as casulas ou cascas, as vagens de feijão secas, que, depois de demolhadas, são cozinhadas com o butelo e outras carnes.

De um prato pobre e esquecido, o volumoso enchido e as cascas tornaram-se em produtos nobres da gastronomia regional desde que se realizam o festival e a semana gastronómica, há mais de uma década.

Um quilo de casulas é vendido a 11 euros e do butelo a 14 euros, indicou o grão-mestre da confraria, Francisco Figueiredo, na apresentação do festival.

“Desde que existe este festival, o butelo e as casulas tiveram uma procura bastante acentuada e o preço tem acompanhado esta procura”, enfatizou.

O festival regressa entre 25 e 27 de fevereiro à Praça Camões, no centro histórico de Bragança, com cerca de “40 produtores que vão comercializar fumeiro, como butelo, salpicões e chouriças, produtos regionais, nomeadamente as casulas, azeite, mel, vinho e licores, e artesanato regional”.

Além desta venda, decorre também, entre 18 de fevereiro e 1 de março, a Semana Gastronómica do Butelo e das Casulas em 26 restaurantes aderentes.

Esta é uma época do ano em que “muita gente”, nomeadamente espanhóis, visita este território, como salientou o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, que espera com o regresso dos eventos presenciais começar a “dinamizar a economia local”, através dos produtos mais apreciados, depois dos constrangimentos da pandemia de covid-19.

As restrições sanitárias que permanecem ainda têm reflexos nas festividades da época, com a autarquia a manter suspenso o Carnaval dos Caretos, que costumava decorrer em paralelo com o Festival do Butelo e das Casulas.

Fonte: Lusa

Santulhão: “Este ano há azeite de qualidade e em quantidade” – Adrião Rodrigues

Santulhão: “Este ano há azeite de qualidade e em quantidade” – Adrião Rodrigues

A boa qualidade da azeitona deste ano e a maior quantidade, comparativamente com os anos anteriores, fazem com que haja uma boa produção de azeite nos lagares da região, como é o caso do Lagar de Azeite de Santulhão (Vimioso).

De acordo com o responsável pelo lagar de Santulhão, Adrião Rodrigues, o ano está a ser muito bom na produção de azeite.

Sobre a “muito boa qualidade da azeitona”, o responsável explica que esta se deve à quase inexistência da praga de moscas nos olivais, o que faz com que as colheitas cheguem ao lagar com muita sanidade.

Outra razão apontada para a boa qualidade da azeitona são as condições cilmatéricas, tais como a existência de menos geadas, o que diminuiu a oxidação da azeitona.

A laborar desde 2006, ao lagar de azeite de Santulhão acorrem produtores dos concelhos de Vimioso, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Miranda do Douro e Bragança.

Este ano, os custos ou a maquia para transformação da colheita de azeitona em azeite estão a 20%. Ou seja, cada agricultor do total da sua produção de azeite deixa no lagar 20%.

“Em cada 100 litros de azeite, o produtor entrega 20 litros ao lagar”, explicou.

Adrião Rodrigues explicou que a designada maquia aos produtores aumentou em consequência do aumento de custos no transporte do bagaço da azeitona para Mirandela. Os bagaços destinam-se a outros fins, como o aquecimento, a extração de óleos refinados, etc.

A azeite produzido no lagar de Santulhão tem três marcas próprias.

“Produzimos o azeite Terras do Sabor e o Oliveiras Gold. E neste momento estamos a criar uma terceira marca que se chama Quinta de Arufe”, indicou.

Segundo o responsável pelo lagar de Santulhão, o azeite é comercializado para quase todo o mundo.

Sobre o preço do azeite, Adrião Rodrigues explicou que o preço varia consoante a qualidade.

“Há azeites extraídos a frio, há azeites maduros e há inclusivé azeites com alguns defeitos, dado que ainda há produtores que não têm o devido conhecimento para procurar a qualidade do produto”, referiu.

Por esta razão, o preço por litro do azeite varia dos 2,50€ a 3,00€ na venda a granel.

“O azeite de melhor qualidade tem um preço, por litro, que ronda 10,00€ a 11,00€”, disse.

Desde que o lagar de azeite de Santulhão, começou a laborar, há quinze anos atrás, Adrião Rodrigues acompanhou algumas mudanças na olivicultura, sendo que a mais evidente é a mecanização na apanha da azeitona.

“A grande mudança é a mecanização na apanha da azeitona. E isso explica-se pela falta de mão-de-obra na região e também pelos elevados custos associados à apanha manual. Por estas razões, cada vez mais a apanha da azeitona é feita com recurso a máquinas”, referiu.

HA

Extração do azeite, no lagar de Santulhão (VImioso)

Entrevista: «Decidi ficar para tratar dessas vinhas velhas» – Aline Domingues

Entrevista: «Decidi ficar para tratar destas vinhas velhas» – Aline Domingues

A vindima é uma das tradições agrícolas mais antigas do nosso país, que é marcada por muito trabalho, mas também pela alegria e a festa. Na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso, vive Aldine Domingues, uma jovem luso-francesa que decidiu mudar-se para o planalto mirandês, para aqui se dedicar à viticultura.

Aline Domingues decidiu instalar-se no planalto mirandês para se dedicar à viticultura. (HA)

Terra de Miranda – Notícias: Há quanto tempo se dedica ao cultivo da vinha e à produção de vinho?

Aline Domingues: Comecei este projeto em 2017, quando decidi vir para Portugal, com o propósito de desenvolver um projeto vitícola na região do Douro. Mas depois, em conversa com o meu avô, apercebi-me do abandono das vinhas no planalto mirandês, cuja causa é o despovoamento e o facto de as pessoas idosas já não poderem cuidar das vinhas.

T.M.N: Que trabalhos exige a vinha ao longo do ano?

A.D.: Eu opto por tratar das vinhas com o método da agricultura biológica, ou seja, procuro cuidar dos solos. Para tal, após a vindima e antes da chegada das chuvas, em outubro, vou lavrar as vinhas para aí semear tremoços, lentilhas e trevos. São leguminosas que têm a capacidade de captar o azoto do ar e de o fixar no solo, servindo assim de ingrediente ou alimento para as videiras.

T.M.N.: Quais são as castas predominantes nesta região do planalto mirandês?

A.D.: As castas tradicionais desta região são a negreda e o bastardo preto.

T.M.N.: Que doenças afetam as videiras?

A.D.: No planalto mirandês, dado que o clima é árido e há pouca humidade, não há muitas doenças. Ainda assim, uma das doenças mais comuns é a propagação de fungos como o míldio.

T.M.N.: Quais são as condições atmosféricas ideais para a vinha?

A.D.: A vinha quer muito sol e pouca água, para não stressar as videiras.

T.M.N.: Como se poduz um bom vinho?

A.D.: O bom vinho faz-se na vinha, ao longo do ano. Para tal, são necessárias uvas maduras e claro, sem doenças. Depois, vem o trabalho na adega. Como faço um vinho natural, sem aditivos e conservantes, é muito importante lavar bem a adega e todos os materiais, antes de começar a prensar as uvas, para as transformar em vinho.

O bom vinho faz-se na vinha, ao longo do ano. Para tal, são necessárias uvas maduras e sem doenças.

T.M.N.: Após a prensa das uvas o trabalho está terminado?

A.D.: Após a prensa da uvas há que acompanhar a fermentação do vinho. Diariamente, meço a temperatura do vinho e a sua densidade ou quantidade de açúcar. Dado que é um vinho natural, sem a adição de outros produtos tenho que cuidar bem da fermentação, para evitar que o vinho se estrague. Esta fermentação vai decorrer ao longo de vários meses e o vinho só estará pronto para beber em junho, do próximo ano.

A fermentação vai decorrer ao longo de vários meses e o vinho só estará pronto para beber em junho do próximo ano.

T.M.N.: E quais são as caraterísticas destes vinhos?

A.D.: Para mim, o importante é o equilíbrio entre o aroma e acidez. Tradicionalmente, nesta região vindima-se muito tarde, o que faz com que as uvas tenham muito açúcar e portanto muito álcool. Os vinhos que produzo têm mais acidez, sabem mais à fruta e são mais leves.

T.M.N: Como vai ser a colheita de uvas deste ano? Que quantidade espera colher? E como é a qualidade das uvas?

A.D.: A quantidade é boa, mas em termos de qualidade, a colheita deste ano vai ser complicada, porque a maturação das uvas está atrasada. Nas últimas semanas de setembro, a temperatura arrefeceu bastante e chove, o que não permitiu que as uvas amadurecessem tanto quanto desejaria. A uva branca, por exemplo, está pouco doce e falta-lhe aroma.

T.M.N.: Que tipos de vinhos produz?

A.D.: Produzo três tipos de vinho. Um branco. Um tinto. E um vinho rosé.

T.M.N.: O seu vinho tem um marca própria?

A.D.: Sim, a marca dos vinhos denomina-se Menina d’Uva. São comercializados sobretudo para Porto, Lisboa e o estrangeiro.

T.M.N.: Esta região tem boas condições de solo e de clima para a produção de vinho?

A.D.: Sim, no planalto mirandês há ótimas condições para a viticultura, dado que há vários tipos de solos, como são o granito, o xisto e a argila. Mas, estranhamente, é uma região esquecida e subaproveitada na produção de vinho.

T.M.N.: Depois da vindima, que tarefas vai realizar na vinha?

A.D.: Como referi atrás, após a vindima vou lavrar as vinhas para aí semear tremoços, lentilhas e trevos que têm a capacidade de captar o azoto do ar e de o fixar no solo, servindo assim de ingrediente ou alimento para as videiras. Depois, em janeiro vou iniciar a poda das videiras.

T.M.N.: Porque é que a poda é tão importante?

A.D.: A poda é muito importante, porque uma videira é uma planta, ou seja, é um circuito de seiva. Se na poda corto a planta num sítio errado posso interromper esse circuito de seiva e assim secar a planta. Por essa razão, dou uma grande importância ao trabalho da poda das videiras. No primeiro ano de cultivo de uma vinha, tenho por método dedicar cinco minutos a cada videira, usando uma machada e uma tesoura. Depois, nos anos seguintes, o trabalho da poda já é mais rápido. Este trabalho da poda inicia-se em janeiro. E após a poda, as vinhas são estrumadas.

T.M.N.: Para além do trabalho, costuma dizer-se que a vindima é também uma festa. Continua a ser assim?

A.D.: Sim, a vindima também é um momento de convívio entre familiares, amigos e até voluntários que se interessam pela produção de vinho biológico.

No planalto mirandês há ótimas condições para a viticultura, dado que há vários tipos de solos, como são o granito, o xisto e a argila. Mas, estranhamente, é uma região esquecida e subaproveitada na produção de vinho.

Comércio: Vimioso vende produtos e serviços através do digital

Comércio: Vimioso vende produtos e serviços através do digital

O município de Vimioso apresentou o portal de venda online “BEST OF VIMIOSO”, onde é possível divulgar e encomendar os melhores produtos e serviços locais, como são o azeite, o mel, as unidades hoteleiras e as Termas existentes no concelho.

Através desta nova ferramenta de divulgação e comercialização dos produtos e serviços locais já é possível através de um simples clique comprar mel, azeite, doces típicos, fumeiro, cogumelos, licores, leguminosas e frutos secos provenientes deste concelho do nordeste transmontano.

Através do portal “Best of Vimioso” também é possível agendar reservas nas unidades hoteleiras do concelho, nas casas de turismo rural, nas Termas da Terronha e no parque de campismo municipal.

O novo merc@do online está acessível no portal www.bestofvimioso.pt , onde pode realizar as suas encomendas com segurança e comodidade.


O objetivo deste novo serviço online anular a distância geográfica e facilitar a compra dos produtos de qualidade existentes no concelho de Vimioso.

De acordo com o município de Vimioso, esta nova plataforma visa estabelecer a ligação entre os consumidores e os produtores locais.

HA

Agricultura: Cooperativa de lavradores iniciou processo de certificação da amêndoa transmontana

Agricultura: Cooperativa de lavradores iniciou processo de certificação da amêndoa transmontana

A Cooperativa dos Lavradores do Centro e Norte (CLCN), instalada em Mogadouro, iniciou junto das entidades competentes o processo de registo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da amêndoa transmontana, anunciou aquela organização.

“Iniciámos o processo de registo e certificação IGP da amêndoa produzida em todos os 12 concelhos do distrito de Bragança e em cinco concelhos do distrito de Vila Real. O primeiro passo foi dado com a entrega do processo à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DAPN)”, disse Armando Pacheco, um dos responsáveis pela CLCN.

O responsável explicou que a iniciativa de certificação da amêndoa transmontana, com a chancela IGP, pretende ser uma mais-valia para a comercialização deste fruto de casca rija, produzido neste território.

“Achámos que devíamos certificar a amêndoa produzida nesta região do país, para depois os produtores retirarem mais-valias deste produto agrícola por ser IGP. Consideramos que após a obtenção desta cancela a comercialização será superior. É importante realçar a importância de território de Trás-os-Montes neste tipo de produção”, destacou o técnico.

De acordo com Armando Pacheco, já há uma Denominação de Origem Protegida (DOP) da amêndoa do Douro. Contudo, o dirigente referiu que a certificação IGP a que se propõe a CLCN pretende ser mais abrangente.

“Queremos ter a marca Trás-os-Montes, e a amêndoa tem de ser produzida nesta região, onde se verifica um aumento das variedades deste fruto de casca rija, porque já existem outras, sem ser a antiga tradicional, mas de pouco rendimento comercial”, disse Armando Pacheco.

Para já, a CLCN está a liderar o processo de certificação da amêndoa produzida em Trás-os-Montes, mas espera-se que outras organizações de produtores se juntem e possam vir a comercializar com este selo IGP a amêndoa, cuja produção que tem vindo a crescer neste território.

“Tudo indica que a produção de amêndoa vai continuar a crescer neste território. Nos últimos anos, a plantação subiu mais de 60% na nossa região, mas terá que aumentar ainda muito mais para ser rentável”, observou o dirigente agrícola.

O processo de certificação como IGP, depois de analisado pelos serviços de Agricultura a nível nacional, seguirá para Bruxelas, “sendo esperado que se prolongue por vários meses, sendo necessária alguma calma”.

A CLCN tem atualmente meio milhar de produtores de amêndoa e outros frutos de casca rija e castanha.

“Ao sermos reconhecidos como uma organização de produtores, os nossos associados beneficiam de mais valias em termos de candidaturas a apoios de fundos comunitários, havendo mesmo algumas majorações, como são as medidas agroambientais”, exemplificou o representante desta cooperativa agrícola.

Segundo Armando Pacheco, a CLCP comercializa atualmente um milhão de quilos de amêndoa e outros frutos de casca rija produzidos em Trás–os-Montes, traduzindo-se num volume de negócio rondar um milhão de euros.

Fonte: Lusa

Entrevista: Picote está cada vez mais turístico

Entrevista: Picote está cada vez mais turístico

A aldeia de Picote é cada vez mais procurada pelos turistas nacionais e estrangeiros, que ficam maravilhados com os recursos naturais e culturais aí preservados, em boa parte graças ao trabalho da freguesia local e do atual presidente, Jorge Lourenço. 

Jorge Lourenço, presidente da freguesia de Picote, junto às bicicletas elétricas. (HA)

Sendo o turismo um setor fundamental para a dinamização da economia do concelho de Miranda do Douro, o projeto Raia Norte Bikes, promovido pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Transfronteiriça (AECT) Duero-Douro, em conjunto com o Turismo de Portugal, visa proporcionar aos visitantes e também aos habitantes locais, a possibilidade de conhecer as maravilhas naturais e culturais da região, utilizando um meio de transporte ecológico como é a bicicleta elétrica.

O projeto elaborado para o Agrupamento AECT Duero-Douro consistiu na construção e instalação de 48 bicicletas, em vários municípios e freguesias, entre estas, Picote, como o objetivo de contribuir para a descarbonização do ambiente, para a poupança de energia e um planeta cada vez mais verde.

T.M.N.: Quantas bicicletas elétricas estão disponíveis em Picote? E onde se encontram?

Jorge Lourenço: Neste momento, Picote, disponibiliza quatro bicicletas elétricas que se encontram junto à sede da freguesia. Mas futuramente vai ter seis, dada a crescente afluência de turistas à aldeia. Tal como referiu a secretária de Estado de Valorização do Interior, Isabel Ferreira, embora a pandemia seja uma contrariedade, esta vicissitude levou a que muita gente preferisse passar as férias em regiões mais isoladas, como é o interior do país, o que foi benéfico para estas populações, pois dinamizou um pouco mais a economia local.

T.M.N.: O que tem Picote para oferecer aos visitantes?

J.L.: Ao longo dos anos, aldeia de Picote tem vindo a apostar no turismo de qualidade, de natureza e cultural. O miradouro da fraga do Puio, dada a excelência da sua panorâmica, é um local de visita obrigatória e que tem impulsionado as visitas turísticas a Picote.

T.M.N.: Que outros pontos de interesse existem na aldeia?

J.L.: Destaco a arquitetura tradicional da aldeia que tem vindo a ser cuidada e preservada. Sugiro também uma visita ao Eco Museu Terra Mater e aos painéis dos frescos na capela do Santo Cristo. E claro, há que visitar a arquitetura moderna da barragem de Picote, construída num impressionante estrangulamento do rio. E o edificado no Barrocal do Douro que é um local estudo frequente das maiores escolas de arquitetura do mundo.

T.M.N.: O que é o museu Eco Terra Mater?

J.L.: Trata-se de um projeto estruturante para o desenvolvimento da freguesia e que consiste na recuperação de alguns muros e socalcos das arribas do Douro, fustigados pelos incêndios de 2017. O objetivo desta recuperação é promover a biodiversidade e o ecossistema. Noutra vertente, o projeto contempla a recuperação dos antigos caminhos e pontes das arribas, por exemplo, entre Picote e o Barrocal do Douro.

T.M.N.: O Projeto Terra Mater também tem o contributo da associação local, a FRAUGA?

J.L.: Sim, paralelamente a FRAUGA, está a desenvolver um projeto que visa a ampliação do Centro Interpretativo Terra Mater e que é de extrema importância para a dinâmica de desenvolvimento turístico da aldeia. O nosso propósito é criar a filosofia de um ecomuseu, em que o mais importante não é o que está dentro das paredes, mas sim no exterior. O Centro Interpretativo convida as pessoas a visitar os recursos existentes no território, como são os moinhos de água, a barragem, os castros, os fornos, as forjas, a fogueira de Natal, etc. Com todo este trabalho, o nosso objetivo é dar modernidade a Picote. A exemplo, do que aconteceu há 50 anos, com a construção do aldeamento do Barrocal do Douro por causa da barragem.

“O Centro Interpretativo convida as pessoas a visitar os recursos existentes no território, como são os moinhos de água, a barragem, os castros, os fornos, as forjas, a fogueira de Natal, etc.”

T.M.N.: Em 1996, Picote foi a primeira freguesia do planalto mirandês a colocar as placas toponímias bilingues, em mirandês e português. Desde então o que têm feito para preservar e divulgar a língua mirandesa?

J.L.: Picote, em conjunto com outras entidades, tem promovido a publicação de livros, eventos, estudos e congressos. A preservação e divulgação da língua mirandesa é um trabalho que há que continuar a realizar.

T.M.N.: Dado o despovoamento das aldeias, o que o motiva a continuar a trabalhar por Picote?

J.L.: Se o nosso foco estiver nas pessoas, no desenvolvimento e na melhoria da sua qualidade de vida, certamente vamos estar motivados para o trabalho.

Se o nosso foco estiver nas pessoas, no desenvolvimento e na melhoria da sua qualidade de vida, certamente vamos estar motivados para o trabalho.

T.M.N.: Atualmente, vivem em Picote cerca de 270 habitantes. O que fazem estas pessoas?

J.L.: A maior parte da população residente são ex-funcionários da EDP, que estão a gozar a sua reforma e vão conciliando com a agricultura de subsistência. Também há ex-funcionários de serviços. Há uma serralharia, uma carpintaria, construção civil, um produtor de vinho e uma cozinha regional.

T.M.N.: Nos censos de 2011 para 2021, a aldeia de Picote perdeu 73 pessoas. O despovoamento é inevitável?

J.L.: É difícil estancar o despovoamento. No entanto, podemos criar condições para que as pessoas que cá vivem não emigrem. E também podemos atrair, sazonalmente, os nossos emigrantes e os turistas.

É difícil estancar o despovoamento. No entanto, podemos criar condições para que aqueles que cá vivem não emigrem. E também podemos atrair, sazonalmente, os nossos emigrantes e os turistas.

T.M.N.: No âmbito turístico, o que ainda falta fazer em Picote?

J.L.: Na aldeia, dada a maior afluência de turistas há uma crescente procura de estabelecimentos de restauração e de guias turísticos. Mas isso compete aos privados. A junta de freguesia tem a competência de criar condições e tornar o território atrativo para que o setor privado possa investir na aldeia.

T.M.N.: Picote tem uma pequeno jornal?

J.L.: Sim, a publicação do jornal L’Cuco iniciou-se em 2013, como o anterior presidente da junta de Freguesia. E nós achamos que fazia sentido continuar esse projeto para melhor comunicar e servir a população. Publicamos duas edições por ano. O jornal L’Cuco vai recebendo os contributos de muitos picoteses e barrocalenses, residentes e não residentes, de modo a enriquecer ainda mais a comunicação com a população.

O jornal L’Cuco vai recebendo os contributos de muitos picoteses e barrocalenses, residentes e não residentes, de modo a enriquecer ainda mais a comunicação com a população.

HA

Vimioso: Mantas para o turismo de natureza

Vimioso: Mantas para o turismo de natureza

A tradicional manta da merenda nas jornadas agrícolas, está a ser recuperada em Vimioso como um atrativo turístico e ambiental.

“Lançar a Manta” é o nome do projeto turístico-ambiental, que permite conhecer os locais de interesse no concelho de Vimioso enquanto saboreia uma merenda na “manta” deste belo território.

Segundo a autarquia local, no concelho vimiosense oito há oito locais de visita obrigatória: o Castelo de Algoso, o parque temático PINTA, a atalaia, o parque de merendas de Pinelo, o santuário de São Bartolomeu de Argozelo, a aldeia de São Joanico, o parque de merendas de Angueira, os cabanais de Caçarelhos e a Capela de Santa Bárbara.

A requisição da manta por parte dos turistas pode ser feito no PINTA e também nas unidades hoteleiras e de restauração aderentes, pressupondo uma caução de 20 euros ou documento de identificação.

A manta pode também ser usada pelos turistas nos percursos pedestres do concelho de Vimioso, todos eles passam por locais de paisagens deslumbrantes onde apetece descansar, merendar e desfrutar da tranquilidade que estes locais proporcionam.

Com a iniciativa “Lançar a manta”, o município de Vimioso pretende dar visibilidade a uma peça artesanal presente “em todas as casas transmontanas, muito associadas aos trabalhos agrícolas, porque a meio da jornada de trabalho são estendidas e sobre elas é disposta a merenda”.

Depois da merenda comida, a manta serve ainda para alguns momentos de descanso, antes de regressar ao trabalho.

“São peças artesanais, construídas com sobras de diversos tecidos, que depois de cortados em tiras, tantas vezes juntas com nós, se enrolam de maneira a fazer novelos e poderem ser trabalhadas nos teares tradicionais, ainda bem presentes no concelho de Vimioso”, informa o município, em comunicado.

Apesar da utilidade, estas mantas não são consideradas “uma peça de valor, mas o município de Vimioso acredita que, não só lhe vai reconhecer o devido valor, como pode fomentar o seu uso com a criação de um novo produto que vai complementar a oferta turística do concelho ligada à natureza”.

O município propõe-se ainda “incentivar os estabelecimentos do setor do turismo, restauração e similares a criar o serviço de preparação de piqueniques, feitos à base de produtos regionais”.

Lusa | HA

Reportagem: Jovens empreendedores

Reportagem: Jovens empreendedores

Ser empreendedor é ser capaz de transformar dificuldades em oportunidades. Para isso, é necessária a capacidade de planear e executar, a resiliência e a criatividade. Foi o que fizeram Isabel Sá e Alfredo Cordeiro, dois jovens que com a lã das ovelhas e a fruta dos pomares criaram os projetos “Lhana” e “Cristus”. (Por Hugo Anes)

O projeto “Lhana”, da autoria de Isabel Sá, surgiu em 2012, quando a jovem engenheira do ambiente, trabalhava pela associação ALDEIA, junto dos criadores de ovinos de raça churra galega mirandesa. Da comunicação com os pastores apercebeu-se que a lã dos ovinos, que antigamente era utilizada na confeção do vestuário, era um encargo para os criadores, pois não sabiam o que fazer com essa matéria-prima. Isso surpreendeu-a bastante. “Como é que a lã não tem utilidade?” – questionou-se. A partir daí debruçou-se sobre este problema e veio a concluir que, para além do valor histórico e cultural, a lã poderia ser reaproveitada para novos usos.

A oportunidade

Isabel Sá decidiu ela própria investir no aproveitamento e transformação da lã dos ovinos. Começou por comprar a lã aos criadores a um preço justo. E de seguida, recuperou antigos ofícios, como a fiação manual, a tecelagem e confeção de malhas. Para realizar este trabalho encontrou muitas senhoras que ainda sabem fiar e tecer à mão. No entanto, constatou que apenas as pessoas mais velhas saibam estes ofícios e não se transmita este conhecimento aos mais jovens. “Este conhecimento merece ser preservado, valorizado e transmitido”, alerta.

“Como é que a lã não tem utilidade?” – questionou-se. A partir daí debruçou-se sobre este problema e veio a concluir que, para além do valor histórico e cultural, a lã poderia ser reaproveitada para novos usos.

O ciclo da lã

Isabel Sá aprendeu a manusear a lã e agora transmite este conhecimento através do workshop “O ciclo da lã”. Nesta atividade, a engenheira ambiental dá a conhecer as diversas fases de manuseio desta matéria-prima, onde são feitas demonstrações de lavagem, cardação, fiação, tinturaria, malha e tecelagem.

“A lã dá muito trabalho” – diz. E explica que o ciclo da lã começa no pastoreio. “Depois da tosquia, a lã tem que ser lavada, aberta, cardada ou penteada dependendo do objetivo de fazer fio ou feltro”. Outras tarefas são a fiação manual com a roca e o fuso, a tinturaria e a tecelagem. “Todas estas etapas são demoradas”, disse.

Os vários produtos

No projeto ‘Lhana’ transforma-se a lã em vários produtos finais: fios de lã, estojos didáticos, sabonetes esfoliantes e artigos em feltro.

Atualmente, Isabel Sá está a desenvolver novos produtos com a técnica do feltro. “Tenho aproveitado este período da pandemia para fazer várias formações online, com gente de todo o mundo e depois aplico esse conhecimento no desenvolvimento de novos produtos”, revelou.

“A lã dá muito trabalho. O ciclo começa no pastoreio e depois da tosquia, a lã tem que ser lavada, aberta, cardada ou penteada dependendo do objetivo de fazer fio ou feltro.”

Ser empreendedor

Os produtos do projeto ‘Lhana’ já estão à venda nos Museus da zona norte e também noutras lojas espalhadas pelo país. Simultaneamente, Isabel Sá, está a trabalhar na construção de um site, que sirva de montra digital e permita um contato mais direto com o público.

Em 2018, o projeto ‘Lhana’ foi vencedor do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola. Este prémio foi um reconhecimento do projeto de Isabel Sá, como uma boa prática ligada à sustentabilidade ambiental. Perguntámos à premiada, o que é preciso para ser-se empreendedor, ao que a jovem engenheira ambiental respondeu: “Ter gosto pelo que se faz, ser curioso e interessado é meio caminho andado!”

Em 2018, o projeto ‘Lhana’ foi vencedor do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola.

Vimioso: Apresentada a marca “Terra de Trás-os-Montes”

Vimioso: Apresentada a marca “Terra de Trás-os-Montes”

A marca “Terras de Trás-os-Montes” foi apresentada em Vimioso, com o objetivo de  sensibilizar os produtores locais e outros agentes económicos para a importância de trabalhar em conjunto na promoção do território e dos seus produtos.

A primeira sessão de apresentação da marca “Terra de Trás-os-Montes”, que decorreu no dia 27 maio, pelas 14h30, no auditório da casa da cultura de Vimioso, teve como oradores Sérgio Pires, vereador da autarquia vimiosense e os representantes da comunidade intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), que prestaram esclarecimentos sobre às condições de adesão à nova marca.

De acordo com o secretário da CIM-TTM, engenheiro Rui Caseiro, “Trás-os-Montes” é uma marca “forte” e conhecida, razão pela qual é importante que produtores locais, associações de produtores, artesãos e operadores turísticos adiram à marca e trabalhem em conjunto para criar mais valor para a região transmontana.

De acordo com a CIM-TTM, para além da sessão de apresentação em Vimioso, a marca “Terras de Trás-os-Montes” vai ser também apresentada nos nove municípios que integram a comunidade intermunicipal. São eles: Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

Para saber mais sobre a marca Terras de Trás-os-Montes pode consultar o site: https://www.terrasdetrasosmontes.pt/marca

HA

Inovação: Vimioso já tem um espaço coworking

Inovação: Vimioso já tem um espaço coworking

A vila de Vimioso está a disponibilizar um espaço coworking, com salas de trabalho e salas de reuniões, com acesso à internet e impressora, de forma gratuita, que podem ser partilhadas pelos cidadãos e empresas que queiram trabalhar no interior do país.

O espaço coworking de Vimioso, está instalado na antiga residência de estudantes e de acordo com o município de Vimioso, este novo espaço de trabalho tem por finalidade “atrair empreendedores nacionais e estrangeiros, que se possam trabalhar desde Vimioso para o mundo inteiro”, informou Paulo Braz, da autarquia vimiosense.

Recorde-se que o coworking é um modelo de trabalho que se baseia na partilha de espaços e recursos e que frequentemente reúne pessoas de diferentes áreas e empresas.

De acordo com consultora, Carla Branco, os espaços de coworking reduzem as desvantagens do teletrabalho, nomeadamente o isolamento, fator frequente de desmotivação. “Estes espaços coworking estimulam a partilha de experiências, ideias e constituem fator de estímulo à economia local”, destacou.

A criação do espaço de coworking, em Vimioso, é uma medida do programa “Teletrabalho no Interior, Vida Local, Trabalho Global”, que visa contribuir para a dinamização dos territórios do Interior, facilitando a fixação e atração de pessoas e empresas. Estes espaços de trabalho conjunto, têm também um objetivo ecológico ao diminuir a necessidade de deslocações e ao promover uma melhor conciliação entre vida profissional e familiar.

A assinatura do acordo de cooperação para instalação deste espaço de teletrabalho, em Vimioso, realizou-se com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vimioso, Jorge Fidalgo, da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa e da Secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira.

Doravante, o distrito de Bragança vai disponibilizar cinco espaços coworking localizados em Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Flor e Vimioso.

HA