Sociedade: «Educação e a formação» são ferramentas para combater a pobreza – Academia de Líderes Ubuntu

Sociedade: «Educação e a formação» são ferramentas para combater a pobreza – Academia de Líderes Ubuntu

Capacitação de jovens líderes capazes de fazer a diferença nas suas comunidades alcançou em 10 anos 22 mil pessoas

Rui Nunes da Silva, diretor do Instituto Padre António Vieira (IPAV), afirmou a educação como ferramenta para a erradicação da pobreza e indicou a formação na Academia de Líderes Ubuntu (ALU) como exemplo de capacitação dos participantes.

“A educação e a formação são ferramentas com o desígnio de erradicar a pobreza. A rede, a comunidade que se cria na Academia, a interligação, a ideia de interdependência é uma fonte de riqueza muito grande, porque as pessoas são verdadeiramente solidárias umas com as outras: sofrem e alegram-se em partilha”, reconheceu o responsável em entrevista à Agência ECCLESIA.

Há 12 anos que a ALU desenvolve formação, inicialmente destinada a jovens líderes de comunidades, assente em cinco pilares – autoconhecimento, a confiança, a resiliência, a empatia e o serviço – como ferramentas que para o desenvolvimento de “competências singulares e coletivas”.

O projeto, nascido em Portugal pelas mãos do IPAV, “não estava todo construído”, esclarece Rui Nunes da Silva, mas ganhou com o contributo de realidades dos mais de 22 mil participantes que até ao momento passaram pela formação.

A Academia de Líderes Ubuntu (ALU) desenvolve formação, assente em cinco pilares – autoconhecimento, a confiança, a resiliência, a empatia e o serviço.

“Quando iniciamos fizemo-lo com comunidade de descendentes de migrantes na região da grande Lisboa, juntamente com a Fundação Calouste Gulbenkien, para trabalharmos com jovens líderes destas comunidades, para lhes dar uma capacitação humanista que fosse capaz de trazer notícias positivas nos seus contextos e capaz de transformar as capacidades para liderança ao serviço das comunidades”, esclarece.

De um projeto dirigido a jovens, a ALU está hoje presente em18 países, em quatro continentes, sendo hoje constituída por uma rede alargada dirigida também a escolas.

“Em 2021, resultado de um trabalho de cinco anos com as escolas, num contexto que se foi alargando, em parceria com a Direção-geral de Educação, o projeto Academia de Líderes Ubunti Escolas chega a 392 estabelecimentos, permitindo chegar a jovens adolescentes a partir dos 13 anos”, esclarece.

Inês Albergaria, que frequentou a ALU na 7ªa edição, trabalha hoje no projeto Escolas Ubuntu e dá conta do “privilégio” de oferecer o programa de formação a jovens muito diferentes.

“Semana após semana, acompanhamos o modelo Ubuntu, um pouco diferente, em diversas escolas e contextos, permitindo que jovens e adolescentes a partir dos 13 anos se conheçam e encontrem respostas para si e para o sue lugar na sociedade”, conta.

Recordando a sua experiência na ALU, Inês Albergaria destaca um processo de autoconhecimento que realizou e lhe permitiu “encontrar respostas que não encontrava em outros locais”.

“Não sei se esta viagem de autoconhecimento começou na Academia mas deu-me estrutura para encontrar respostas que não encontrava em outros locais, e não terminou – segue connosco – mas ajudou-me a encontrar, e naquela altura que era uma das minhas grande dúvidas, algum propósito, o que quero e vou fazer com a minha vida”, acrescenta.

Tcherno Baldé fez o percurso da academia em 2017 e reconhece que a formação o ajudou na “construção da narrativa pessoal”, procurando dar significado “a momentos negativos e desafiantes”, lhe deu ferramentas que hoje utiliza no associativismo e ativismo social e político.

“Todo o processo de construção da história só é possível com o aprofundamento dos pilares, em especial o auto conhecimento, a autoconfiança e a resiliência para poder olhar os desafios enfrentados e perceber as oportunidades que me foram proporcionadas, perceber a gratidão à família e a valorização do meu percurso”, explica.

Rui Nunes da Silva fala sobre o papel inspirador que cada jovem participante assume no contacto com a sua comunidade.

“Nós somos pessoas sempre em construção na relação com os outros. A dinamização dos cinco pilares trabalha competências singulares e coletivas e tem sempre o desafio do serviço, porque no final a resposta tem de ser sempre para fora”, indica o responsável.

A Academia de Líderes Ubuntu entregou este ano, pela primeira vez, o prémio António Brandão Vasconcelos, este ano a Fatu Banora, com o objetivo de apoiar anualmente um jovem, proveniente da academia, que pudesse prosseguir os estudos.

Fonte: Ecclesia

Entrevista: «Precisamos muito de jovens empreendedores» – Tó Zé e Carla Sofia, Café Pizzaria Juventude

Entrevista: «Precisamos muito de jovens empreendedores» – Tó Zé e Carla Sofia, Café Pizzaria Juventude

Quanto ouvimos falar de pessoas empreendedoras pensamos em alguém ativo, enérgico e dinâmico que conseguiu começar o seu próprio negócio ou empresa, enfrentando dificuldades e obstáculos. O Tó Zé e a Carla Sofia são um casal de jovens empreendedores, que em 2008, iniciou a sua atividade por conta própria, ao reabrir e modernizar o Café Pizzaria Juventude, em Vimioso.

O Tó Zé e a Carla Sofia são um casal de jovens, empreendedores, que iniciou a atividade por conta própria em 2008.

Terra de Miranda – Notícias: A Carla e o Tó Zé são ambos naturais do concelho de Miranda do Douro, mais concretamente das aldeias de Vale de Mira e da Granja da Silva. Por que motivo se estabeleceram em Vimioso?

Carla Sofia: E e o Tó Zé conhecemo-nos no decorrer dos estudos em Miranda do Douro. Passados uns tempos, reencontramo-nos quando começámos a frequentar um curso técnico-profissional, em Contabilidade e Gestão de Empresas, em Vimioso.

T.M.N.: Quando decidiram ser empreendedores e criar a vosso próprio trabalho, neste caso, ao reabrir o Café Pizzaria Juventude?

Tó Zé: Inicialmente, a nossa ideia era abrir um espaço comercial em Miranda do Douro. Mas como não encontrámos o local ideal, decidimos iniciar a atividade no antigo café Juventude, em Vimioso.

T.M.N.: Que conhecimentos tinham na área da restauração?

Carla: Eu já tinha experiência, pelo trabalho realizado nos resrtaurantes em Miranda do Douro.Depois, em Vimioso, e após a conclusão do curso do IEFP, em Técnico de Gestão e Contabilidade, comecei a trabalhar no Hotel Restaurante “A Vileira”. Seguiram-se duas experiências de trabalho na pizzaria “Pires” e no Hotel Rural “Senhora de Pereiras”.

Tó Zé: Na restauração, adquiri experiência profissional ao trabalhar no Hotel Rural “Senhora de Pereiras”, em Vimioso. Foi lá que tive a oportunidade de trabalhar com a Carla. O curso de contabilidade e gestão de empresas em que participámos foi-nos muito útil, pois deu-nos conhecimentos práticos sobre a contabilidade de uma empresa, o modo como devemos organizar as encomendas e as mercadorias, entre outros conhecimentos.

“O curso de contabilidade e gestão de empresas em que participámos foi-nos muito útil, pois deu-nos conhecimentos práticos sobre a contabilidade de uma empresa, o modo como devemos organizar as encomendas e as mercadorias, entre outros conhecimentos.” – Tó Zé

T.M.N.: No começo da vossa aventura empresarial, quais foram os maiores desafios e dificuldades que tiveram que enfrentar?

Carla: A abertura da empresa foi a fase mais difícil, dado que todo o investimento foi realizado por nós os dois. No início, sentíamos o receio de fracassar e de não ser bem-sucedidos. Recordo que quando abrimos as portas, no dia 29 de novembro de 2008, disponibilizámos apenas o serviço de café. Depois, progressivamente, fomos oferecendo o serviço de restaurante e começámos com apenas 5 mesas e 20 talheres. Felizmente, com o decorrer do trabalho fomos fidelizando clientes.

T.M.N.: Como é o trabalho diário num café restaurante? Como lidam com a exigência dos clientes? E como se conquista a confiança e a preferência do público?

Tó Zé: O trabalho na restauração e o contato permanente com o público exige simpatia, tolerância e resiliência. Para conquistar a preferência das pessoas há que oferecer produtos de qualidade e inovar constantemente. A par disso, a higiene e a decoração do espaço também são fatores que contribuem decisivamente para a preferência das pessoas.

T.M.N.: Quantas pessoas trabalham no Café Pizzaria Juventude”? E como se forma um bom espírito de equipa entre os trabalhadores?

Carla: Atualmente, trabalham connosco cinco pessoas e para que o trabalho decorra bem, costumo dizer que o mais importante é haver respeito entre todos. Depois, há que atribuir responsabilidades e tarefas a cada um. No decorrer do mês de agosto, época em que há mais trabalho, conseguimos manter todos os anos a mesma equipa, o que é para mim é um motivo de grande alegria, pois significa que as pessoas gostam de trabalhar connosco.

“No decorrer do mês de agosto, época do ano em que há mais trabalho, conseguimos manter a mesma equipa, o que é para mim é um motivo de grande alegria, pois significa que as pessoas gostam de trabalhar connosco” – Carla Sofia.

T.M.N.: O chefe de cozinha ou cozinheiro (a) desempenha um papel preponderante num restaurante. O que é necessário para ser “mestre” na cozinha?

Carla: Para trabalhar na cozinha é preciso ter gosto, criatividade e delicadeza! Na confeção das pizzas, por exemplo, há que combinar e aprimorar a junção dos vários ingredientes.

T.M.N.: Quais são os pratos gastronómicos mais apreciados e solicitados no Café Pizzaria Juventude?

Tó Zé: Os pratos mais apreciados são as pizzas, as francesinhas e os kebabs. Recentemente, de 5 a 8 de outubro, aquando da realização da prova de todo-o-terreno “King of Portugal”, as pessoas das várias equipas portuguesas e estrangeiras, apreciaram sobretudo as pizzzas e os kebabs. Por sua vez, os visitantes espanhóis, depois de provarem as francesinhas gostaram muito deste prato e pedem-no com muita frequência.

T.M.N.: De onde provêm os vossos produtos?

Carla: Sempre que é possível utilizamos os produtos locais, como são as alfaces, as hortaliças, os tomates, as cebolas, os pimentos, os cogumelos, as cenouras, as chouriças de Águas Vivas e os ovos mirandeses.

“Recentemente, de 5 a 8 de outubro, aquando da realização da prova de todo-o-terreno “King of Portugal”, as pessoas das várias equipas portuguesas e estrangeiras, apreciaram sobretudo as pizzzas e os kebabs” – Tó Zé.

T.M.N.: Qual é a receita para o vosso sucesso?

Tó Zé: O sucesso deve-se ao gosto pelo trabalho, à qualidade dos produtos e ao serviço prestado ao público. Sublinho também a importância da inovação, isto é, de oferecer novos pratos gastronómicos aos clientes.

T.M.N.: Que conselho daria a quem pretenda ser empreendedor(a) e criar o seu negócio ou empresa nesta região?

Carla: Para criar o seu próprio negócio ou empresa é importante reunir toda a informação necessária, os recursos e as ajudas possíveis para iniciar a atividade. Simultaneamente, há que ter muita força de vontade, não ter medo e ser perseverante. Encorajo a trabalhar muito e todos os dias, sem desanimar. Dado o declínio demográfico da nossa região, precisamos muito de pessoas e sobretudo de jovens empreendedores, que criem novos negócios e empresas.

“Dado o declínio demográfico da nossa região, precisamos muito de pessoas e sobretudo de jovens empreendedores, que criem novos negócios e empresas” – Carla Sofia.

HA

Vaticano: Rezar como quem rega uma planta, o conselho do Papa para a oração

Vaticano: Rezar como quem rega uma planta, o conselho do Papa para a oração

O Papa pediu no Vaticano que os cristãos dediquem tempo diário à oração, como se regassem uma planta, evitando a concentração excessiva em “realidades secundárias”.

“Precisamos da água da oração diária, de um tempo dedicado a Deus, para que Ele possa entrar no nosso tempo, na nossa história, de momentos constantes nos quais lhe abrimos nossos corações, para que Ele possa derramar sobre nós todos os dias amor, paz, alegria, força, esperança; isto é, nutrir a nossa fé”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.

Perante cerca de 20 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco lamentou que muitos negligenciem a vida espiritual e deixam que “o amor por Deus arrefeça”.

“Pensemos numa planta que temos em casa: temos de regá-la com constância, não podemos encharcá-la e depois deixá-la sem água por semanas”, exemplificou.

A oração é o remédio da fé, o reconstituinte da alma. Porém, deve ser uma oração constante. Se tivermos de seguir um tratamento para melhorar, é importante observá-lo bem, tomar os medicamentos de maneira correta e na hora certa, com constância e regularidade. Tudo na vida precisa disso”.

Admitindo que o ritmo da vida contemporânea dificulta os tempos de oração e silêncio, o Papa recomendou que se retome a “prática espiritual sábia” das chamadas orações jaculatórias.

“São orações muito curtas, fáceis de memorizar, que podemos repetir com frequência durante o dia, no decorrer das várias atividades, para ficar em sintonia com o Senhor”, precisou.

Francisco deu alguns exemplos dessas orações: “Senhor, eu te agradeço e te ofereço este dia”; “Vem, Espírito Santo”; “Jesus, eu confio em ti e te amo”.

“Com quanta frequência enviamos pequenas mensagens às pessoas que amamos: façamos isso também com o Senhor, para que os nossos corações permaneçam ligados a Ele. E não nos esqueçamos de ler as suas respostas”, indicou.

O Papa aconselhou a ter “sempre à mão” os Evangelhos, numa edição de bolso: “Quanto tiverem um minuto, abram e leiam alguma passagem”.

A reflexão partiu de uma passagem do Evangelho segundo São Lucas lida nas celebrações deste domingo: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará porventura a fé sobre a terra?” (Lc 18,8).

“É uma pergunta séria. Imaginemos que o Senhor viesse hoje à Terra: Ele veria, infelizmente, tantas guerras, pobreza e desigualdades, e ao mesmo tempo grandes conquistas da técnica, meios modernos e pessoas sempre a correr, sem nunca parar. Mas encontraria os que lhe dedicam tempo e afeto, que o colocam em primeiro lugar?”, referiu Francisco.

Após a oração do ângelus, o Papa recordou que um milhão de crianças vão rezar o terço pela paz, a 18 de outubro, numa iniciativa da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“Obrigado a todas as crianças que vão participar. Unamo-nos a eles e confiemos à intercessão de Nossa Senhora o martirizado povo ucraniano e a todos os povos que sofrem por causa da guerra e qualquer forma de violência e miséria”, declarou.

Em Portugal, a iniciativa concentra-se na Capelinha das Aparições, Santuário de Fátima.

“Este ano, a Ucrânia está obviamente no pensamento de todos, mas não serão esquecidos outros países com conflitos e que também conhecem os horrores da violência, da guerra, do terrorismo, da destruição e da morte”, precisa o secretariado português da AIS.

Francisco falou ainda do Dia Internacional para a Erradicação da Miséria, que se assinala esta segunda-feira, apelando à construção de uma sociedade “onde ninguém se sinta excluído, por ser indigente”.

Os peregrinos presentes na Praça de São Pedro aplaudiram ainda a beatificação de dois sacerdotes, martirizados pelos nazis no norte da Itália, a 19 de setembro de 1943, durante a II Guerra Mundial: Giuseppe Bernardi e Mario Ghibaudo.

“No perigo extremo, não abandonaram o povo a eles confiado, mas ajudaram-no até o derramamento de sangue, partilhando o trágico destino de outros cidadãos, exterminados pelos nazis. Que o seu exemplo desperte nos sacerdotes o desejo de serem pastores de acordo com o coração de Cristo, sempre perto do seu povo”, afirmou o Papa.

Fonte: Ecclesia

Ambiente: Espanha não cumpriu Convenção de Albufeira em relação aos rios Douro e Tejo

Ambiente: Espanha não cumpriu Convenção de Albufeira em relação aos rios Douro e Tejo

O Governo português informou que Espanha não cumpriu com o estabelecido na Convenção de Albufeira para os rios Douro e Tejo, frisando que em relação ao primeiro forneceu 91% do caudal anual e no Tejo, 86% do caudal estabelecido.

“Tivemos oportunidade de falar sobre a questão da Convenção de Albufeira. Quero dar nota que as bacias do Minho e do Lima, apesar de se terem verificado as situações de exceção, Espanha garantiu o lançamento de 99% desse caudal previsto na convenção”, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática.

O governante falava em Castelo Branco, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES).

Duarte Cordeiro salientou que em relação aos rios Douro e Tejo, “Espanha não cumpriu aquilo que é o caudal anual, apesar de ter cumprido aquilo que são os caudais semanais relativamente à convenção [de Albufeira]”.

“No Douro forneceu apenas 91% do caudal anual e no Tejo, apenas 86% do caudal que estava estabelecido na convenção”, sustentou.

O governante explicou que foi acordado entre os governos dos dois países ibéricos uma declaração conjunta: “Será feita uma reunião ao mais alto nível, neste caso com a minha colega espanhola [do Ambiente], até ao final do ano”.

O ministro salientou que tendo em conta as previsões meteorológicas que apontam para um mês de outubro mais quente do que a média, o governo vai continuar, com muita atenção no que diz respeito à monitorização dos caudais que são libertados durante este período.

“Quero dar nota que na primeira semana de outubro, os caudais lançados por Espanha foram cumpridos. Para minorar os efeitos da seca, os países [Portugal e Espanha] acordaram em reforçar aquilo que é o mecanismo de acompanhamento dos regimes dos caudais e tem existido reuniões quinzenais, desde julho, entre ambas as autoridades”, frisou.

Duarte Cordeiro garantiu que este é um trabalho que vai continuar a ser realizado “com muita atenção da parte do nosso país”.

“Procuramos, do nosso lado cumprir, mas também procuramos que os nossos parceiros cumpram as suas responsabilidades relativamente a esta convenção [Albufeira]”, concluiu.

Fonte: Lusa

Miranda do Douro: Esculturas restauradas na Concatedral

Miranda do Douro: Esculturas restauradas na Concatedral

O núcleo expositivo da Concatedral de Miranda do Douro, passou a contar com duas peças de arte sacra do século XVII que foram restauradas e que podem ser apreciadas pelo público.

“Este par de anjos, exemplares de finais do século XVII, em escultura de madeira dourada e policromada com decoração vegetalista e floral, vêm juntar-se ao espólio já existente no núcleo museológico da Concatedral de Miranda do Douro”, informou a diretora do Museu da Terra de Miranda, Celina Pinto.

A mostra patente no núcleo expositivo daquele templo reúne a parte mais significativa do espólio da antiga Sé Catedral de Miranda do Douro, incluindo o conjunto pictórico conhecido por “Calendário da Sé”, calendário flamengo, pintado por Pieter Balten (c.1527-1584).

“A exposição, além de cumprir o objetivo de salvaguarda, conservação e valorização do património, afirma a relevância, a vitalidade e o potencial cultural do que foi a Diocese de Miranda”, frisou Celina Pinto.

O espaço, que atualmente aloja a exposição de arte sacra, encontra-se instalado numa das antigas sacristias da antiga Sé de Miranda do Douro.

A intervenção e remodelação do núcleo expositivo deste tempo religioso foi desenvolvida pela Direção Regional de Cultura do Norte no âmbito da Operação “Rota das Catedrais no Norte” de Portugal, e cofinanciada pelo Programa Operacional Norte 2020.

A antiga Sé de Miranda do Douro foi mandada construir pelo rei João III em 1552, tendo sido concluída na última década do século XVI.

Fonte: Lusa

Mogadouro: História do concelho em monografia

Mogadouro: História do concelho em monografia

O município de Mogadouro apresentou a primeira monografia do concelho, com um conteúdo que se situa entre a pré-história até atualidade.

“Esta obra [História do Concelho de Mogadouro – Monografia] é um legado imprescindível que permite descobrir as nossas origens, quem somos, os caminhos que percorremos, como nos fomos agregando, à totalidade do nosso país e do mundo, como fomos construindo a nossa identidade, desde os primórdios da existência de Mogadouro”, disse o presidente da câmara, António Pimentel.

O trabalho é da autoria de Raquel Patriarca, Flávio Miranda e Miguel Moreira que contou com o apoio científico de Conceição Meireles Pereira e Teresa Soeiro, ambas da Universidade do Porto (UP).

Esta trabalho está divido em seis capítulos, que ao longo de cerca de 500 páginas caracterizam a terra o nome, as gentes, o passando pela origem de Mogadouro, o concelho na idade média, época moderna, Mogadouro contemporâneo, terra de tradições e um retrato do presente.

De acordo com António Pimentel, este trabalho ficou concluído, mas esquecido, há mais de oito anos “e só agora viu a luz do dia”.

“Foram várias as razões que impediram a publicação desta obra, estando pronta a editar há cerca de oito anos e que o anterior executivo (PS), não andou com a iniciativa para a frente. Decidimos editar este trabalho porque reconhecemos a importância essencial que tem para os munícipes do nosso concelho”, vincou o autarca social-democrata.

Para o mentor desta monografia e antigo presidente da câmara de Mogadouro (PSD) António Moraes Machado, desta obra emerge uma riqueza arquitetónica religiosa, arqueológica, etnográfica e urbanística e o temperamento das gentes de Mogadouro.

O concelho de Mogadouro estende-se por 758 quilómetros quadrados que abrigam 56 povoações, sendo que duas encontram-se despovoadas desde a década de 90 do século XX.

Fonte: Lusa

Mogadouro: Nova plataforma para comercialização dos produtos locais

Mogadouro: Nova plataforma para comercialização dos produtos locais

O município de Mogadouro e a Associação Comercial e Industrial, apostaram numa nova plataforma para comercialização dos produtos locais, com a marca “Origem: Mogadouro”, informou o presidente da câmara.

“Trata-se de uma parceria entre o município com a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Mogadouro (ACISM), apesar das dificuldades em implementar este tipo de comércio digital, porque os produtores de início não se mostram recetivos a novas ideias. Contudo, temos um técnico no terreno a fazer contactos diretos e personalizados para promover a adesão à plataforma”, explicou à Lusa, António Pimentel.

De acordo com o autarca, com a adesão à plataforma digital “Origem: Mogadouro”, há um conjunto de vantagens para o escoamento e comercialização dos produtos do território e dos serviços existentes neste concelho do distrito de Bragança.

“O concelho de Mogadouro tem múltiplas atividades que cabem nesta plataforma e que vão desde a pesca à caça, passando pelo turismo natureza ou os produtos agrícolas e pecuários como ao azeite, vinho, amêndoa, mel, queijos, enchidos, entre outros produtos de origem regional e local”, vincou o autarca.

Segundo o autarca social-democrata, esta plataforma esta disponível para todos os associados da ACISM para assim rentabilizar os seus negócios.

O município alocou a este projeto um técnico em tempo parcial, que em conjunto com a ACISM vão construir esta nova plataforma digital.

“O que é importante é fazer uma abordagem personalizada junto dos empresários, comerciantes e produtores agrícolas e pecuários, para se demonstrar que só têm vantagem em aderir a este novo serviço ‘on-line ‘”, especificou o autarca.

António Pimentel disse ainda que Mogadouro já teve uma outra plataforma digital para promover comércio e indústria, “só que lhe faltou a devida assistência para introdução das novidades comerciais e indústrias, tidas como importantes para o desenvolvimento económico do concelho de Mogadouro”.

Este projeto teve um investimento de cerca de 80 mil euros que foi comparticipado por fundos do Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos (PROVERE) e foi apresentado no decurso da feira “Os Gorazes”.

Fonte: Lusa

Seca: Agricultores de Avelanoso e São Martinho preveem uma acentuada quebra na colheita de castanhas

Seca: Agricultores de Avelanoso e São Martinho preveem uma acentuada quebra na colheita de castanhas

Por causa da seca, nas aldeias de Avelanoso e São Martinho de Angueira, a apanha da castanha está muito atrasada, devido ao desenvolvimento tardio dos frutos, o que antecipa uma acentuada quebra na colheita de castanhas.

Em Avelanoso, prevê-se uma acentuada quebra na produção de castanha devido à seca.

João Gonçalves é agricultor em Avelanoso, onde é proprietário de vários soutos de castanheiros. À semelhança do que acontece com a maioria dos produtores da região, a sua produção de castanha vai sofrer uma acentuada redução.

“Nesta altura do ano, muitos produtores já tinham iniciado a apanha da castanha, que se prolongava ao longo dos meses de outubro e novembro. Este ano, por causa da falta de chuva e da seca, o amadurecimento da castanha está tardio, o fruto ainda está pequeno e os ouriços ainda não abriram”, explicou.

O agricultor de Avelanoso prevê que a colheita de castanha seja um ¼ da sua habitual produção.

“Houve anos em que apanhámos 12 toneladas de castanhas. Este ano, se apanhar 2 mil quilos ficaria muito contente”, disse.

Para além da seca, a produção de castanha também é afetada pelas recorrentes doenças dos castanheiros, como são a “tinta” e o “cancro”, o que leva à morte de muitas árvores.

“O Instituto Politécnico de Bragança (IPB), através de investigações tem contribuído para o combate a estas doenças. No entanto, os tratamentos dos castanheiros são muito caros para os produtores”, informou.

De acordo com João Gonçalves, a produção de castanha, em Avelanoso, é vendida a intermediários, que por sua vez a comercializam para as grandes superfícies, como a fábrica Sortegel, em Bragança.

Sobre o preço da castanha, o produtor de Avelanoso adiantou que ainda não foi definido um valor.

“Este ano, como há menos quantidade é provável que seja mais cara. No ano passado, os produtores venderam o quilo de castanha a 1,40€ e 1,50€.”, informou.

Na aldeia vizinha de São Martinho, no concelho de Miranda do Douro, o casal de agricultores, António Fernandes e Bárbara Fernandes, estão desolados com a escassez e a fraca qualidade das castanhas nos soutos.

“Estamos conscientes de que a produção deste ano vai ser fraca”, adiantaram.

Por causa da seca e do desenvolvimento tardio dos frutos, os produtores de São Martinho prevêm iniciar a apanha das castanhas, apenas no final do mês de outubro.

“Este ano, a apanha da castanha vai ser ainda mais custosa, dado que vamos ter que separar as castanhas em bom estado de comercialização, daquelas que não têm tamanho nem qualidade para serem comercializadas”, adiantaram.

Para compensar a quebra na produção de castanhas, os agricultores de São Martinho mostraram-se um pouco mais otimistas, com a produção de outros frutos secos, como a avelã.

“Este ano, a produção de avelã, que também é um fruto rentável, correu melhor do que a castanha. E a avelaneira é uma árvore que não se seca tanto como o castanheiro”, informaram.

Para muitas famílias de Avelanoso e São Martinho, a produção de castanha é uma fonte de rendimento suplementar. E a apanha é uma atividade sazonal, realizada em contexto familiar.

Em Avelanoso, no final do mês de outubro vai realizar-se a já tradicional Feira da Castanha, um certame anual que possibilita aos produtores locais a comercialização da sua colheita.

A Feira da Castanha de Avelanoso atrai milhares de visitantes, aos quais oferece várias atividades como uma montaria ao javali, um passeio todo-o-terreno, concertos musicais, lutas de touros, um magusto, entre outras atividades.

HA



Miranda do Douro: Visita guiada, degustação e concerto na Concatedral

Miranda do Douro: Visita guiada, degustação e concerto na Concatedral

No próximo sábado, dia 15 de outubro, a Concatedral de Miranda do Douro vai ser o monumento em destaque do programa “Celebração do Património a Norte”, com a apresentação de uma visita guiada e interativa, seguida de uma prova gastronómica do cordeiro mirandês e um concerto musical de António Chaínho.

O objetivo deste programa idealizado pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), em parceria com as autarquias e as instituições eclesiásticas é divulgar o património do norte de Portugal e assim fomentar o interesse da população residente e a captação de novos públicos turístico-culturais.

Em Miranda do Douro, a programação contempla uma visita guiada e interativa à concatedral, com o propósito de saber mais sobre este monumento cuja construção se iniciou em 1552, por ordem do rei D. João III.

Nesta visita à concatedral, o público será também presenteado com uma prova gastronómica de um prato tipicamente mirandês: o guisado de canhono no pote.

Após a prova de degustação, segue-se o concerto do músico e fadista António Chaínho.

Programa na Concatedral de Miranda do Douro 
17h00 – Lançamento das visitas
17h30 – Património em Prova, Partilha e Degustação com chefe Renato Cunha
19h00 – Concerto de António Chainho

O projeto “Celebração do Património a Norte” está a realizar-se em seis espaços patrimoniais, cinco dos quais classificados como monumentos nacionais.

São eles: a concatedral de Miranda do Douro; a sé velha de Bragança, o mosteiro de Santa Maria de Salzedas, em Tarouca; o mosteiro de Arouca; a igreja matriz de Sambade, em Alfândega da Fé; e o mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras.

Para Laura Castro, Diretora Regional da Cultura do Norte, “O ciclo de eventos Património a Norte oferece uma programação cultural em rede. Dinamizar estes extraordinários espaços patrimoniais através da criação cultural tem por objetivo atrair novos públicos à região e gerar curiosidade pela oferta cultural e patrimonial do norte de Portugal”.

O projeto «Arte e Cultura em Circulação… pelo Património» | NORTE é promovido pela Direção Regional de Cultura do Norte, em parceria com os municípios locais, representando um investimento aproximado de 300 mil Euros, cofinanciado pelo Programa Norte 2020, através do FEDER.

HA

Miranda do Douro: Música tradicional discutida em congresso

Miranda do Douro: Música tradicional discutida em congresso

Nos dias 14 e 15 de outubro, Miranda do Douro vai acolher o Congresso Internacional Termus – Territórios Musicais, um evento que assinala o encerramento de um projeto transfronteiriço, de recolha e preservação da música tradicional do planalto mirandês e da província espanhola de Zamora.

De acordo com a diretora do Museu da Terra de Miranda, Celina Pinto, o congresso ibérico que vai decorrer no auditório municipal de Miranda de Douro é uma oportunidade para promover o debate, a reflexão e a promoção da música tradicional da raia hispano-portuguesa, ao mesmo tempo que permite expor os resultados do trabalho da investigação.

“O projeto Internacional Termus- Territórios Musicais decorreu ao longo de três anos. A primeira fase do projeto consistiu na investigação e a recolha de informações no terreno. Seguiu-se a publicação dos cancioneiros, a aquisição de instrumentos musicais e de equipamentos multimédia, os workshops de dança, o festival e concluímos agora o projeto com o congresso”, explicou.

Segundo um comunicado, o projeto Termus – Territórios Musicais teve por objetivo a recuperação, conservação e valorização da música tradicional e popular do planalto mirandês e da província de Zamora (Espanha), através da recolha de testemunhos orais, que atestam a memória e a diversidade musical deste território.


Anteriormente, nos dias 7 e 8 de outubro, o Museu de Etnologia de Castela e Leão, em Zamora, recebeu este Congresso Internacional.

Na perspetiva de Celina Pinto, a cooperação transfronteiriça entre o Museu da Terra de Miranda e o Museu de Etnologia de Castela e Leão (Zamora) foi um sucesso, o que leva as duas entidades a planear uma nova candidatura conjunta a fundos europeus.

Termus – Territórios Musicais é um projeto de cooperação transfronteiriça, financiado pelo INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP) e desenvolvido em parceria, pelo Museu da Terra de Miranda e pelo Museu de Etnologia de Castela e Leão (Zamora).

Segundo a diretora do Museu da Terra de Miranda, o Congresso Internacional TERMUS- Territórios Musicais agendado para os dias 14 e 15 de outubro, dirige-se a todas as pessoas interessadas pela música tradicional.

“Os oradores portugueses e espanhóis são personalidades com experiência e conhecimento na área da música tradicional desta região. Por isso, ao longo do congresso pretendemos desenvolver reflexões, análises, debates e críticas sobre a música tradicional da raia”, concretizou.

Na tarde de sábado, dia 15 de outubro, o programa do congresso prevê a realização de workshops de construção de instrumentos e workshops de dança, com o propósito de promover e divulgar a música tradicional.

PROGRAMA (dias 14 e 15 outubro)
CONGRESSO INTERNACIONAL TERMUS- Territórios Musicais - A tradição musical em contexto raiano

14 outubro

Manhã (Auditório municipal)

9h30 Receção dos convidados Miniauditório Municipal

10h00 – Abertura Dr. Miguel Areosa Rodrigues (DRCN)

Celina Pinto (Museu da Terra de Miranda) e José Luís Calvo (Museu Etnográfico de Castilha e León) – Apresentação do catálogo TERMUS – Territórios Musicais

10h30 – Mário Correia – Nós e Vós daqui e dali

11h00 – Pablo Carpinteiro – “As gaitas mais antigas do noroeste. Um modelo de datação pelos desgastes e a sua comprobação com probas do carbono 14.”

11h30 – Javier Montes e Ángel Paez – Los instrumentos tradicionales de La Raya: construcción y catalogación.

12 h30 – Debate

13h00 – Almoço

Tarde – Praça D. João III

14h30 – Lérias Associação Cultural

Gaiteiros da Lérias

Workshop de dança


15 outubro

Manhã (Auditório municipal)

9h30 Inicio de trabalhos

10h00 -Alberto Jambrina Leal – “Kurt Schindler, García Matos, Ernesto Veiga de Oliveira y las Alvoradas de Trás Os Montes, Sanabria, Carballeda, Aliste.”

10h30- Ricardo Santos – Territórios Musicais – Instrumentos e práticas nos ritmos da mudança

11h00 – Napoleão Ribeiro – “Os Zés Pereiras: uma cultura musical entre Portugal e a Galiza”.

11h45 – Lenice Leite – “A gaita de foles: legado hispano-português difundido pela prática dos Zés Pereiras em Portugal”

12h30 – Debate

13h00 – Almoço

Tarde (Praça D. João III)

Workshop de construção de instrumentos

Célio Pires – Construção de gaitas de foles

Henrique Fernandes – Construção de palhetas

Dança das fitas Workshops de dança

Pauliteiras Workshops de dança

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