III DOMINGO DA PÁSCOA / 1.º DIA DA SEMANA DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

Caminhando

At 2, 14.22-33 / Slm 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11 / 1 Pe 1, 17-21 / Lc 24, 13-35

Neste III Domingo da Páscoa somos convidados a rezar por uma intenção particular: hoje começa a Semana de Oração pelas Vocações. A primeira vocação de todas é viver a alegria de Jesus ressuscitado.

Temos, no Evangelho, mais um relato das aparições do Ressuscitado. Jesus aparece a dois discípulos que regressam a casa, no lugar de Emaús. Desiludidos pelos acontecimentos que levaram à morte do Mestre, vão marcados pela violência da Paixão. Tristes e derrotados, são surpreendidos por Jesus, que se coloca a caminho com eles.

Meditando nesta narração, pensemos como Jesus nos vem buscar à tristeza e à desesperança. E fá-lo discretamente, com paciência, através de uma memória agradecida dos momentos em que experimentámos a alegria da fé.

Ainda hoje Jesus ressuscitado é capaz de nos mostrar novos horizontes «ao virar da esquina». Só temos de confiar no seu amor. O Evangelho diz que Jesus se revela a estes dois homens na fração do pão, quando se sentam com Ele à mesa, recordando que a presença do Ressuscitado se vive sobretudo no Sacramento da Eucaristia.

Os Atos dos Apóstolos apresentam um excerto da primeira pregação de São Pedro a respeito do núcleo central da fé da Igreja. O Apóstolo, que vemos aqui falar de pé com convicção, é agora um Pedro muito diferente daquele que negou Jesus três vezes. O seu anúncio é cheio de força e segurança, determinado em afirmar que é testemunha da ressurreição. Na Primeira Epístola de São Pedro, o mesmo Apóstolo São Pedro lembra aos cristãos que nada disto aconteceu em vão; fomos resgatados pelo «sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha». Como a comunidade cristã primitiva, também nós nos vamos transformando em testemunhas de Jesus ressuscitado e do amor de Deus, vivo e atuante no coração da humanidade.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Vimioso: Dia Mundial do Livro é celebrado em São Joanico

Para celebrar o Dia Mundial do Livro, que se assinala no próximo Domingo, dia 23 de abril, o município de Vimioso vai realizar na localidade de São Joanico, o primeiro encontro do projeto “Chá com Livros”, uma iniciativa que pretende criar um clube de leitura e assim despertar (ou reavivar) o interesse da população local pelos livros.

De acordo com a vereadora da cultura do município de Vimioso, Carina Lopes, um dos objetivos do projeto “Chá com livros”, que vai ser apresentado às 16h00, na antiga escola primária de São Joanico, é disponibilizar obras literárias às pessoas que vivem nas freguesias do concelho de Vimioso.

“Os livros também são uma companhia e é importante que as pessoas não percam ou adquiram hábitos de leitura! Outra vertente do projeto é descobrir nas várias localidades do concelho de Vimioso, pessoas que tenham talento para a escrita e pretendam editar os seus trabalhos”, justificou.

Atualmente, são cientificamente reconhecidos os benefícios do hábito regular da leitura.

Entre estes benefícios destacam-se o desenvolvimento do conhecimento, da concentração, da memória, da criatividade, assim como a diversificação do vocabulário e por conseguinte o aperfeiçoamento da comunicação oral e escrita.

Outro benefício da leitura é proporcionar momentos de lazer e de descanso.

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor que se assinala no próximo Domingo, dia 23 de abril, é uma comemoração anual criada pela UNESCO, em 1995. Com esta efeméride, a UNESCO pretende promover o interesse pela leitura, pela publicação de livros e pela proteção dos direitos de autor.

HA

Mogadouro: Falta de chuva condicionou aparecimento de pantorras

O presidente da Associação Micológica “A Pantorra” explicou que que a falta de chuva no início de abril, não permitiu o aparecimento de pantorras, um cogumelo silvestre muito procurado no nordeste transmontano devido ao seu potencial gastronómico.

“A expectativa para o aparecimento de pantorras é baixa. Apesar da quantidade de chuva que se fez sentir nos últimos meses, seguiu-se uma fase de seca que não deixou desenvolver esta espécie de cogumelos silvestres, havendo muito poucos em comparação com um ano normal”, explicou o micólogo Manuel Moredo.

Esta situação foi dada a conhecer na véspera de uma saída de campo, marcada para sábado pela manhã, que se enquadra no encontro de primavera desta associação micológica, com sede em Mogadouro.

“A pantorra [‘Morchella esculenta’] é um cogumelo que nem sempre se encontra. O ano passado houve muitas pantorras. Este ano há poucas, mas as saídas de campo valem sempre a pena, não só por estes cogumelos, mas também pelo convívio e o contacto com a natureza”, vincou Manuel Moredo.

Mesmo com fracas expectativas, os lameiros, soutos e pinhais, do Nordeste Transmontano são locais ideais para a apanha, que são batidos palmo a palmo nesta altura do ano pelos recoletores de cogumelos silvestres, alguns dos quais o fazem por gosto e outros porque encontraram nesta atividade uma forma de sustento.

“Este tipo de cogumelos de primavera, como é o caso das pantorras, tidas como dos mais emblemáticos, são muito apreciados e procurados pelo seu potencial gustativo e um quilo deste fungo poderá chegar aos 20 euros”, indicou o micólogo transmontano.

De acordo com o especialista, há também outras formas de consumir pantorras, que “é em seco”, com o quilo destes cogumelos silvestres desidratados a corresponder a 10 quilos em fresco e a custar mais de 200 euros/quilo.

Durante a primavera, os primeiros cogumelos a sair são as pantorras, seguindo-se os cantarelos (também conhecidos por ‘rapazinhos’), boletos e ‘Amanita ponderas’.

“As pantorras têm uma característica única. Estes cogumelos, só aparecem uma vez, não sendo possível colher outro exemplar no mesmo local, o que faz dele mais raro do que as outras espécies e mais apreciado”, explicou Manuel Moredo.

Apesar de serem muito procuradas, as pantorras têm alguma toxicidade, pelo que há cuidados a ter em conta.

“Trata-se de um cogumelo tóxico que tem de ser degustado em pequenas quantidades, mas não é mortal. E daí advém o termo ‘empanturrado’, devido à sua toxina”. Em fresco têm de ser cozinhados com várias lavagens com água quente. A forma mais segura de os consumir é comprá-los em seco, porque estão ausentes de toxicidade”, explicou Manuel Moredo

A restauração vê neste tipo de fungos um excelente complemento às suas cartas gastronómicas e a procura é cada vez mais elevada por quem vem dos grandes centros urbanos ou da vizinha Espanha, mas esta primavera escasseiam as famosas pantorras.

Apesar do valor económico dos fungos, em Portugal ainda não há legislação que regulamente o setor e esse “vazio legal” não permite a “certificação” das mais variadas espécies para que se tornem numa mais-valia.

Fonte: Lusa

Ambiente: Comissão de acompanhamento da seca reúne-se para debater medidas

Pela primeira vez este ano, a comissão de acompanhamento dos efeitos da seca reúne-se a 21 de abril, num momento em que metade do país está em seca meteorológica e há três albufeiras com um nível de água inferior a 15%.

A 13.ª Reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES) é presidida pelos ministros do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, e da Agricultura, Maria do Céu Antunes.

Em declarações públicas, o ministro já tinha admitido que poderá ser necessário aplicar medidas de contingência.

Segundo o último boletim climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a situação de seca meteorológica aumentou em Portugal continental durante o mês de março, piorando na região sul. Nessa data 48% do território encontrava-se em seca meteorológica, enquanto no último dia de fevereiro a percentagem era de 28%.

De acordo com o IPMA, verificou-se um aumento da intensidade da seca meteorológica na região sul, destacando-se os distritos de Setúbal e Beja e alguns locais do sotavento algarvio, que se encontram na classe de seca severa.

A 17 de abril, o boletim semanal de albufeiras, divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente, dava conta de que três albufeiras estavam a menos de 20% da capacidade, sendo todas no sul do país: Campilhas, a 13%, e Monte da Rocha a 10%, na bacia do Sado, e Bravura a 14% na bacia das Ribeiras do Barlavento.

Com uma capacidade abaixo de 40% estavam mais quatro albufeiras.

Na quinta-feira foi divulgado o relatório do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copérnicus, “Estado do Clima Europeu 2022”, referindo que as temperaturas na Europa estão a subir duas vezes mais que a média global e este aumento é mais rápido do que em qualquer outro continente.

O Serviço sustenta que a Europa está a assistir a uma tendência ascendente do número de dias de verão com “stresse de calor forte” ou “muito forte” e no sul da Europa existe já “stresse de calor extremo”.

A Associação Nacional de Produtores de Cereais já manifestou preocupação com a situação de seca no país, apelando ao Governo para que tome “as devidas providências” para mitigar os efeitos da falta de chuva.

Fonte: Lusa

Miranda do Douro: Pecuária e agricultura biológica são fatores de desenvolvimento

A 19 de abril foi apresentado em Miranda do Douro, o projeto Rural On – Agricultura Conectada, uma iniciativa que pretende contribuir para o desenvolvimento da agricultura, da pecuária e da viticultura no concelho, através da implementação de boas práticas e conhecimentos científicos.

Este projeto é uma iniciativa da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro (APPITAD), em parceria com o MORE – COLAB Montanhas de Investigação e a sessão de esclarecimento realizada em Miranda do Douro, foi dedicada ao tema da sustentabilidade ambiental e da agricultura circular.

Para aprofundar estas temáticas, foram convidados o engenheiro Nuno Paulo, da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, que começou por dizer que os criadores desta raça autóctone despenham um importante papel, no povoamento de concelhos bom baixa densidade populacional, como é o caso do concelho de Miranda do Douro.

Referindo-se à evolução da raça de bovinos mirandeses, o também responsável pela Cooperativa Agropecuária Mirandesa, indicou que atualmente existem 338 explorações.

“Cada exploração tem em média 15,05 animais. E no total, estão registados 5283 animais”, indicou.

Segundo a Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, esta raça autóctone gera anualmente 4 milhões de euros, sendo que a matéria-prima (os animais), a mão de obra e a transformação da carne mirandesa (em subprodutos) são processos inteiramente realizados na região.

“Em 2022, foram vendidas 343 toneladas de carne mirandesa”, precisou.

Segundo o relatório apresentado no decorrer da sessão, 79% desta carne destina-se ao mercado nacional, 12% ao internacional e 9% é vendida na região de origem.

Sobre os desafios que a marca “Carne Mirandesa” enfrenta, Nuno Paulo, elencou a necessidade de continuar a exigir o cumprimentos das regras nas explorações, de modo a assegurar a qualidade da carne, que pretendem continuar a apresentar em novos nichos dos mercados internacionais.

“Os nossos clientes valorizam a qualidade, a proveniência e a história da carne mirandesa”, concluiu.

No painel dedicado à viticultura, Joana Sobrinho, da Quinta do Romeu, em Mirandela, destacou a crescente importância da agricultura biológica na saúde dos consumidores e da preservação do ambiente.

“A agricultura biológica permite produzir alimentos de elevada qualidade e simultaneamente manter e aumentar a fertilidade dos solos”, defendeu.

Em sentido inverso, a engenheira agrícola, alertou que os herbicidas e a constante mobilização das terras (lavras), acabam por degradar os solos e provocam a extinção dos predadores naturais, o que conduz ao aparecimento das pragas.

“No nordeste transmontano, devido às constantes lavras, os solos têm perdido matéria orgânica, têm um PH ácido e não conseguem reter água ou humidade. Os solos nus perdem muito mais água, do que os solos cobertos”, explicou.

Joana Sobrinho prosseguiu dizendo que para alimentar as plantas, há que cuidar dos solos. E deu o exemplo da Quinta do Romeu, nas proximidades de Mirandela, onde os solos dos olivais e das vinhas não são lavrados há muitos anos.

“Na Quinta do Romeu, em vez das lavras, optamos pela manutenção da cobertura vegetal. Esta técnica permite manter os solos dos olivais e das vinhas, com nutrientes e água. Um bom indicador da matéria orgânica nos solos é o aparecimento de papoilas, o que indica a existência de potássio e fosfato ”, informou.

No final da sua intervenção, a engenheira agrícola, disse que embora o preço dos produtos biológicos seja um pouco mais dispendioso, a qualidade, o sabor e o contributo para a preservação do solo e da biodiversidade são boas razões para optar pelos produtos da agricultura biológica.

HA

Miranda do Douro: Cartolinhas Peregrinos chegaram a Fátima

O grupo de 11 peregrinos que caminhou de 16 a 25 de março, entre Miranda do Douro e o Santuário de Fátima, disse que esta dura experiência física e psicológica de percorrer 370 quilómetros, permitiu-lhes aprofundar o conhecimento e o respeito de uns pelos outros e adquirir uma maior consciência da presença de Deus nas suas vidas.

Ao longo de 10 dias, o grupo denominado “Cartolinhas Peregrinos” – constituído por seis mulheres e cinco homens, com idades compreendidas entre os 37 e os 67 anos – caminharam 37 quilómetros por dia.

Três destes peregrinos, Bruno Rodrigues, Raúl Silva e Fernando Mendes, disseram que para empreender esta grande aventura foi necessário planear previamente as etapas a percorrer, as refeições para cada jornada e os locais onde iriam descansar durante a noite.

“O planeamento e a logística foram fundamentais para que a peregrinação fosse bem sucedida. Na logística, o carro de apoio prestou um serviço imprescindível, já que assegurou a assistência aos peregrinos ao longo do caminho, bem como o transporte de água, da alimentação e preparou ainda o alojamento no final de cada etapa”, indicaram.

Ao longo do percurso, os peregrinos evitaram caminhar nas estradas nacionais por causa do trânsito e do maior perigo de acidentes. Na rota traçada, passaram por localidades como Tó (Mogadouro), Carviçais, Vila Nova de Foz Coa, Moitos de Trancoso, Celorico da Beira, São Romos (Seia), Arganil, Bairro Novo (Miranda do Corvo), Alvaiázere e Fátima.

“Na passagem por estas localidades, fomos sempre muito bem recebidos. As pessoas sabendo que íamos a caminho do Santuário de Fátima, encomendaram-nos mesmo orações a Nossa Senhora”, revelaram.

E a oração também fez parte do dia-a-dia do grupo. Em jornada, a oração da manhã deu início à caminhada. Depois, ao início da tarde, o grupo rezou o terço.

“Houve dias, em que na chegada às localidades, como sucedeu em Vila Nova de Foz Coa, também participámos na missa”, acrescentaram.

No final dos dias, os peregrinos mirandeses ficaram alojados nas instalações das corporações dos bombeiros das várias localidades e afirmaram que foram sempre muito bem acolhidos.

Sobre o percurso, os peregrinos de Miranda do Douro criticaram a inoperância do governo e dos municípios portugueses em construir trajetos e colocar a devida sinalização em direção a Fátima.

“Dada a grande afluência de pessoas, as peregrinações a Fátima têm um potencial idêntico às peregrinações dos Caminhos de Santiago de Compostela, em Espanha. Mas em Portugal, falta fazer quase tudo, não há caminhos definidos, não há sinalização, não há albergues, nem sequer há informação”, criticaram.

Para Fernando Mendes, o mais velho do grupo, com 67 anos, o que mais o impressionou nesta peregrinação a Fátima, foi codividir o sofrimento físico e psicológico com os companheiros e companheiras de caminhada.

“As longas caminhadas diárias de 37 quilómetros, com subidas e descidas, debaixo do sol e noutros dias com chuva e frio causaram-nos um grande sofrimento. Houve pessoas do nosso grupo que ficaram mesmo com os pés em ferida e o seu sofrimento fez-nos sofrer”, disse.

Outra dificuldade na peregrinação foi gerir as emoções no grupo.

“A convivência diária, os diferentes ritmos, o cansaço, o sofrimento e a ansiedade de querer chegar rapidamente ao destino, provocaram desgaste e pequenos conflitos”, contaram.

E esta ansiedade aumentou à medida que os peregrinos de Miranda do Douro se iam aproximando do destino. Para o grupo, a última etapa, entre Alvaiázere e Fátima, foi mesmo a mais difícil.

A tão desejada chegada ao Santuário de Nossa Senhora, em Fátima, aconteceu no dia previsto, no sábado, dia 25 de março, onde os 11 peregrinos mirandeses tinham à espera os familiares.

“Na chegada ao santuário, o grupo teve o gesto muito bonito de se descalçar e caminhar descalço”, contaram.

Na noite de sábado, os peregrinos mirandeses e os seus familiares participaram na procissão das velas.

No dia seguinte, Domingo, antes do regresso a casa, o grupo participou na Eucaristia Dominical, celebrada na Basílica da Santíssima Trindade.

Concluída a peregrinação, os Cartolinhas Peregrinos revelaram que nesta experiência aprenderam a conhecer-se melhor, a respeitar a diferença e o ritmo uns dos outros.

Sobre a fé que os levou a percorrer 370 quilómetros de planaltos, vales e montanhas, os peregrinos mirandeses afirmaram que ao longo dos dias da peregrinação aprofundaram a consciência da presença de Deus nas suas vidas.
Fotos: Cartolinhas Peregrinos

HA

Pecuária: Produtores de ovinos de raça mirandesa registaram poucas vendas na Páscoa

Na Páscoa, os produtores de ovinos do planalto mirandês registaram poucas vendas da carne e, se não fossem os apoios governamentais por cabeça, teriam muitas dificuldades em continuar a atividade pecuária.

Ilda Parada, uma criadora de ovinos de Raça Churra Mirandesa, disse que de momento não compensa criar estes animais, acrescentando que só o faz porque gosta de ter ovelhas, mas face ao aumento de preços dos fatores de produção e da inflação, não compensa.

“Se não fossem os apoios à manutenção desta raça, não ficava nada. Porque são as grandes superfícies comerciais que ficam com o lucro, como se verificou no período da Páscoa”, disse.

De acordo com a produtora, um cordeiro com 12 quilos pode valer 50 euros, acrescentando, que, nas grandes superfícies comerciais, o quilo de cordeiro ultrapassa atualmente os 12 euros por quilo.

“Não ficamos com nada, o lucro vai sempre para os mesmos. Atualmente, o que vale são os subsídios à manutenção de raça autóctone”, rematou.

Cada ovelha de raça churra mirandesa recebe um subsidio no âmbito das medidas agro-ambientais, que tem como objetivo a preservação desta raça autóctone, em risco, no valor de 24 euros, a que acresce o prémio de ovinos e caprinos no valor de 21 euros.

Já o produtor de pequenos ruminantes, Manuel António Duarte, refere que os intermediários têm um lucro “imediato”, enquanto quem vende demora mais tempo a criar os cordeiros e os gastos são contínuos e as mais-valias nem sempre são as desejadas.

“Por este motivo, somos penalizados em relação aos intermediários. Quem compra os cordeiros são comerciantes que vêm de fora desta região, principalmente da área do Grande Porto, destinados aos restaurantes e outros clientes”, especificou.

Este produtor disse igualmente que são aos subsídios que dão por cabeça de este tipo de animais que ainda vão mantendo a produção, já que estes apoios rondam os 40 euros por animal.

“Se não fossem estes apoios, tínhamos de arrumar as botas”, enfatizou o também pastor.

Por seu lado, Maria Cristina Ventura disse que não conseguiu vender os seus cordeiros na Páscoa dado os preços baixos pagos pelos intermediários e terá de esperar por outra oportunidade.

“Para quem tem poucos animais, não compensa vender ao preço de mercado, embora sejam raças de qualidade superior. Quem tem muitos ainda se aguenta por via dos subsídios. Quem tem poucos não tem lucro, tem trabalho “, frisou.

O presidente da Associação de Criadores de Ovinos Raça Churra Galega Mirandesa, Tiago Sanches da Gama verificou que no período da Páscoa, o escoamento de carne proveniente desta raça de ovinos foi reduzido devido à inflação.

“A carne de ovelha ficou de fora da medida do IVA 0%, numa altura em que os fatores de produção aumentam. Se não houvesse apoios a esta raça, não compensaria a sua manutenção, sendo este apoio que mantém as explorações a funcionar”, acrescentou o dirigente que é também produtor de ovinos.

Esta associação, com sede em Malhadas, no concelho de Miranda do Douro, tem um efetivo de produção que ronda as sete mil fêmeas reprodutoras e cerca de 200 machos reprodutores.

Fonte: Lusa

Palaçoulo: Ana Rosa Pires celebrou 102 anos no Lar de São Miguel

No dia 14 de abril, o Lar de São Miguel, em Palaçoulo, celebrou o 102º aniversário de Ana Rosa Pires, uma senhora natural de Constantim, que contou que a longevidade da sua vida se deve ao carinho dado e recebido pelas pessoas e ao amor de Deus.

Na instituição, em Palaçoulo, vivem atualmente 37 pessoas, maioritariamente oriundas de localidades do concelho de Miranda do Douro.

Ana Rosa Pires nasceu a 14 de abril de 1921, em Constantim (Miranda do Douro) e contou que naquela época, esta localidade raiana era muito povoada e industrializada, com vários artesãos, tais como sapateiros, costureiras, tecedeiras, alfaiates, ferreiros, carpinteiros e agricultores.

Aos 10 anos de idade sofreu a infelicidade da morte do pai e a partir daí foi criada pela mãe e duas irmãs, com as quais aprendeu a trabalhar no campo.

“Na ausência do meu pai, tivemos que aprender a fazer o trabalho dos homens, que era lavrar, cavar e semear. Nessa época é verdade que não havia mimos ou luxos, mas não se passava fome”, disse.

Aos 22 anos casou-se com um guarda fiscal, que entretanto foi destacado para trabalhar no Algarve. Com o regresso do marido ao norte, tiveram dois filhos.

Ao longo dos seus 102 anos de vida, acompanhou muitas mudanças no mundo. Nos anos da sua infância e juventude não havia sequer estradas, nem muito menos televisão. Disse que a mudança que lhe causou maior apreensão foi a revolução política e social do 25 de abril de 1974.

“A mudança de regime foi um bem, mas a interpretação que as pessoas fizeram da liberdade, onde tudo era permitido e ninguém tinha nada a ver com isso, causou-me receio”, disse.

Questionada sobre os conselhos para ter uma vida longa e saudável, Ana Rosa Pires, referiu-se ao carinho e à simpatia das pessoas que trabalham no Lar de São Miguel, em Palaçoulo.

“Tenho-me sentido muito amada, como uma mãe para as suas filhas e sinto-me muito feliz por isso! Eu também procuro ser doce para as outras pessoas. A longevidade da vida é uma graça de Deus, que é Pai e é Amor!” – respondeu.

A presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, fez questão de estar presente no 102º aniversário da senhora Ana Rosa Pires e destacou a sabedoria das pessoas idosas.

“Gosto muito de estar e conversar com pessoas como a Dona Rosa Pires. Hoje quis muito estar presente no Lar de São Miguel, para celebrar a vida desta senhora, que já conheço há muitos anos. Sublinho que as pessoas idosas são fontes de sabedoria e muitas das tradições que nos orgulhamos de ter se devem ao legado que elas nos transmitem”, disse.

Nesta visita ao Lar de São Miguel, em Palaçoulo, a autarca de Miranda do Douro destacou ainda o cuidado prestado pelas pessoas que trabalham nestas instituições e que proporcionam às pessoas idosas a companhia, o conforto, as refeições quentes e a higiene, que doutro modo teriam mais dificuldade em usufruir.

A diretora técnica do Lar de São Miguel, em Palaçoulo, Lara Cristal, informou que a senhora Ana Rosa Pires foi acolhida na instituição em 2021, após ter recebido apoio domiciliário nos anos anteriores.

“Os 100 anos foram celebrados em sua casa, como a equipa do apoio domiciliário, da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro”, recordou.

Sobre os cuidados que a velhice exige, Lara Cristal informou que as pessoas idosas precisam (e valorizam!) sobretudo o carinho e a companhia. No Lar de São Miguel, em Palaçoulo, trabalham atualmente 23 pessoas.

“As pessoas idosas não dão muito trabalho. Elas precisam apenas de se sentirem acompanhadas e estimadas”, disse.

Na instituição, em Palaçoulo, vivem atualmente 37 pessoas, maioritariamente oriundas de localidades do concelho de Miranda do Douro.

Segundo a diretora técnica, o Lar de São Miguel, também presta apoio domiciliário a 17 pessoas, nas localidades de Palaçoulo, Prado Gatão, Teixeira, Atenor, Águas Vivas, São Pedro da Silva, Fonte Ladrão e Granja

HA

Ciclismo: Nacionais de estrada voltam a Mogadouro

Pelo segundo ano consecutivo, o concelho de Mogadouro vai acolher os campeonatos nacionais de ciclismo de estrada, entre 23 e 25 de junho, com a presença dos melhores ciclistas nacionais da atualidade, informou o município mogadourense.

“A prova velocipédica está contratualizada e os campeonatos nacionais de ciclismo vão regressar a Mogadouro. Não valorizámos eventos efémeros e por esse motivo, queremos iniciativas com continuidade e tratámos de assegurar o regresso da competição”, explicou António Pimentel.

Por sua vez, Cândido Barbosa, um dos intervenientes na organização da prova, disse os que percursos ainda não estão definidos e haverá alterações aos circuitos da competição de 2022.

“Não se repetem percursos de ano para ano”, vincou o também antigo ciclista.

O município de Mogadouro vai investir entre cerca de 50 a 60 mil euros nesta iniciativa desportiva de âmbito nacional, que de acordo com o autarca origina retorno económico ao concelho, dado o número de adeptos, equipas, e ‘staff ‘ presentes nesta competição de alto nível desportivo.

Segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) nesta prova participam ciclistas de Elite e sub-23 masculinos e atletas femininas.

Fonte: Lusa

25 de Abril: “Rumo à Revolução”, retrato de um regime com “pena suspensa”

“Rumo à Revolução” faz o retrato de um país aflito, de um “governo com pena suspensa”, pressionado pelos aliados a negociar uma solução para a guerra colonial, e com dificuldades em comprar armas para combater em África.

O livro é a história dos últimos meses do Estado Novo, desde o lançamento do livro de António Spínola “Portugal e o Futuro”, que defendia ser impossível vencer a guerra colonial, iniciada em 1961, até 26 de abril de 1974, um dia depois do golpe que derrubou a ditadura, quando foram retirados os retratos de Marcello Caetano e Salazar na sede da polícia política, a PIDE.

“O de Salazar era mais difícil por estar mais alto” e foi preciso ir buscar um escadote, mas “também foi removido”, lê-se na última frase do livro do historiador José Matos e da jornalista Zélia Oliveira, da agência Lusa, editado pela Guerra e Paz, que chega hoje às livrarias.

São mais de 240 páginas de história e estórias escritas a partir de documentos dos arquivos da diplomacia norte-americana e francesa, que revelam, no caso de França, estar bem informada sobre o que se passava em Portugal a poucos meses da queda da ditadura de Salazar e Caetano derrubada pelo Movimento das Forças Armadas, a que se juntam testemunhos de alguns dos protagonistas.

Os franceses “estavam bem informados” sobre a situação no país e, escrevem os autores, são “bem claros quanto ao futuro do regime” – Portugal tinha “um Governo com a pena suspensa”. Pedro Feytor Pinto, da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, escreveu “Na Sombra do Poder”, em que descreve a pressão dos aliados, nomeadamente franceses, para uma solução da guerra colonial.

Homem do regime, Feytor Pinto encontra-se em Paris, já em Abril de 1974, com um assessor do Presidente Pompidou, e procura apoio para uma solução de autonomia progressiva, evitando uma “independência repentina” das colónias. Em vão. E é aí que surge a frase da “pena suspensa”. De facto, o regime estava prestes a cair pela mão dos militares.

Os episódios relatados em “Rumo à Revolução” revisitam a história, mas alguns deles surgem com mais pormenores.

Para a História ficou o encontro de Londres – revelado por José Pedro Castanheira no Expresso em 1994 – de um enviado de Marcello com uma delegação do PAIGC no exílio. E o que este livro revela é a pressão da França para o diálogo que depois aconteceu em Londres, iniciativa de diplomatas britânicos em Lisboa.

Em janeiro de 1974, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício, reúne-se com o seu homólogo francês, Michel Jobert, que lhe fala do crescente isolamento de Portugal em África, fala-lhe numa solução confederal, mas os “argumentos de Patrício mostravam claramente a dificuldade em aceitar qualquer tipo de solução negociada para a Guiné e, por arrasto, para as restantes colónias”, escrevem os autores, com base num relatório francês sobre essa conversa.

Dias depois, é Freitas Cruz, diretor-geral dos Negócios Políticos, a falar com o seu homólogo francês, e na conversa prometia que Portugal iria refletir sobre as ideias de Jobert, nomeadamente em conversações com o PAIGC. E argumentou que “se podia encontrar uma personalidade portuguesa, não governamental, não oficial, que poderia cumprir essa tarefa de forma discreta, não envolvendo diretamente o Estado português”.

Afinal, a solução foi mais oficial para o encontro de Londres e a escolha recaiu no embaixador José Manuel Villas-Boas, que foi em “missão secreta”, em março de 1974, para negociar uma possível independência da colónia com o PAIGC, também vista como uma manobra para ganhar tempo e comprar armamento.

A situação do regime era aflitiva, não só com a guerra, mas também com a dificuldade em comprar armas, devido ao isolamento internacional.

Portugal tentou comprar, sem sucesso, mísseis israelitas, com a ajuda mais ou menos relutante dos EUA, pressionados pelos facto de Portugal ter autorizado o uso da Base das Lajes, nos Açores, durante a guerra de Yom Kippur, entre Israel, Egito e Síria, em 1973.

Tudo avançou em segredo, mais tarde. Aproveitando o facto de Israel “estar a receber grandes quantidades de armamento depois da guerra”, lê-se no livro, Henry Kissinger, secretário de Estado dos Estados Unidos, “terá convencido os israelitas a desviar 500 mísseis ‘Redeye’ do seu ‘stock’ e a enviá-los para Portugal através de um intermediário alemão”.

“O número de mísseis encomendado mostra que os ‘Redeye’ não se destinavam apenas à Guiné, onde as forças portuguesas necessitavam de cerca de 200 mísseis, mas também a outros pontos das colónias portuguesas. Os mísseis custaram 209 mil contos (um milhão e 42 mil euros), e já tinham chegado à Alemanha quando se deu o 25 de Abril e a queda do regime”, concluem José Matos e Zélia Oliveira. Nunca foram usados.

Fonte: Lusa