Entrevista: «A língua mirandesa é mais do que útil, pois é a essência de um povo» – António Bárbolo Alves

Entrevista: «A língua mirandesa é mais do que útil, pois é a essência de um povo» – António Bárbolo Alves

Após a sua eleição para a Academia das Ciências de Lisboa, o professor e investigador da língua mirandesa, António Bárbolo Alves, ministrou a sua primeira lição na instituição científica, no passado dia 28 de setembro, um acontecimento que é visto como um reconhecimento da sua obra académica e uma valorização da língua e cultura mirandesas.

Terra de Miranda – Notícias: Em 2022, foi eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, uma das mais antigas instituições científicas nacionais. O que faz um sócio correspondente?

António Bárbolo Alves: Esta distinção é um reconhecimento do trabalho que tenho desenvolvido em prol da língua mirandesa e é sobretudo uma valorização e distinção para a nossa língua, que assim entra no “panteão” científico da Academia das Ciências de Lisboa. O compromisso dos sócios da academia das ciências é o de continuar a realizar o seu trabalho de investigação, no meu caso da língua mirandesa, na área da filologia e da linguística. Outro contributo ou dever dos sócios correspondentes é o de dar uma lição sobre a área de investigação. Foi o que fiz no passado dia 28 de setembro, em Lisboa, numa conferência com o título “You nun sou you – As teias que a língua tece”.

No dia 28 de setembro, em Lisboa, António Bárbolo Alves, prestou a sua primeira conferência na Academia das Ciências de Lisboa, com o título “You nun sou you – As teias que a língua tece”.

T.M.N.: A Academia das Ciências de Lisboa foi fundada, no dia 24 de dezembro de 1779, durante o reinado de D. Maria I, sob o lema inspirador Se não é útil o que fazemos, vã é a glória.” Atualmente, qual é a utilidade da língua mirandesa?

A.B.A.: A língua mirandesa, como todas as outras línguas, é um sistema constituído por palavras e por regras gramaticais que permitem a construção de frases e que é usado como meio de comunicação, falado ou escrito, pelos membros de uma mesma comunidade linguística. E por isso, a língua mirandesa tem de ser vista como algo muito valioso, pois permitiu (e permite) comunicar e interagir entre as pessoas. A língua mirandesa é uma herança histórica e cultural deste território. Portanto, a língua mirandesa é mais do que útil, pois é a essência de um povo. A língua é inseparável da cultura mirandesa.

A língua mirandesa é uma herança histórica e cultural deste território. Portanto, a língua mirandesa é mais do que útil, pois é a essência de um povo. A língua é inseparável da cultura mirandesa.

T.M.N.: António Bárbolo Alves nasceu em Picote, no ano de 1964. É professor de Português-Francês, sendo leitor (professor) do Instituto Camões na Universidade de Nice, em França. Também frequentou o curso livre de Espanhol, na Universidade do Minho. Sente-se vocacionado para os idiomas?

A.B.A.: A minha língua materna é o mirandês. O português aprendi-o depois ao iniciar a escola primária. Talvez este bilinguismo na minha infância me tenha despertado o interesse pelas línguas. O espanhol ou castelhano aprendi-o no final dos anos 80, na Universidade do Minho, quando me inscrevi num curso livre. Recordo que nessa altura, a Porto Editora queria reformular todos os dicionários e participei num grupo de trabalho que reformulou o dicionário de Espanhol – Português. Relativamente ao francês, recordo que na minha infância fiz um teste e obtive uma nota péssima. O professor de francês para além de um valente raspanete e deu-me negativa no final do primeiro período. Para demonstrar que conseguia fazer bem melhor, comecei a estudar francês e obtive boas notas no resto do ano letivo.

O professor de francês para além de um valente raspanete e deu-me negativa no final do primeiro período. Para demonstrar que conseguia fazer bem melhor, comecei a estudar francês e obtive boas notas no resto do ano letivo.

T.M.N.: É considerado um dos mais conceituados estudiosos e divulgadores da língua mirandesa. Em 1997, apresentou mesmo uma tese de Mestrado, na Universidade do Minho, com o título: “A língua mirandesa: contributos para o estudo da sua história e do seu léxico.” Já existem dicionários de mirandês, uma convenção ortográfica e muita literatura. No entanto, comunicar em mirandês, não é fácil. Como se aprende o mirandês?

A.B.A.: O ensino do mirandês é um problema complexo. No Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, por exemplo, a língua mirandesa é uma disciplina opcional e há dois professores de mirandês a tempo inteiro, o que é bom, mas é pouco para o que é necessário fazer. Recordo que quando o ensino do mirandês começou nas escolas, esta experiência pedagógica seria depois avaliada. Até hoje, essa avaliação ainda não foi feita. É importante que o mirandês passe de disciplina facultativa, para integrar o currículo, à semelhança de outras línguas como o inglês, o espanhol ou o francês.

“É importante que o mirandês passe de disciplina facultativa, para integrar o currículo, à semelhança de outras línguas como o inglês, o espanhol ou o francês.”

T.M.N.: E que oferta de ensino há para os adultos?

A.B.A.: Há associações como a Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) e a FRAUGA – Associação para a Desenvolvimento Integrado de Picote, que costumam fazer pequenos cursos de introdução à língua mirandesa.

T.M.N.: Em 2002, doutorou-se pela Universidade de Toulouse (França), com a tese de doutoramento sobre os contos da literatura oral mirandesa. A literatura é um bom veículo para divulgar o mirandês?

A.B.A.: Com a elaboração e publicação da convenção ortográfica, em 1999, verificou-se uma explosão de escritos em mirandês. Nesses anos, o padre António Maria Mourinho antevia que o estabelecimento das regras ortográficas seriam um passo decisivo para a conservação do mirandês, dada a perenidade da escrita em relação à oralidade. Hoje, em dia a convenção ortográfica precisa ser melhorada.

“A convenção ortográfica de língua mirandesa precisa ser melhorada.”

T.M.N.: Há portanto melhoramentos a fazer no ensino e na escrita. E no âmbito político?

A.B.A.: No âmbito político é preciso criar uma estratégia linguística ou uma política para a língua. As ações pontuais, como os cursos livres, a música, a literatura ou o teatro mirandês são importantes sim, mas tudo tem que funcionar interligado. Porque na realidade, o mirandês desapareceu como língua de comunicação quotidiana. Devemos perguntar-nos: o que é que queremos fazer com o mirandês? Porque através do mirandês também é possível comunicar no quotidiano, criar palavras novas e metaforizar o mundo.

T.M.N.: A música e o teatro também são eficazes na transmissão da língua mirandesa?

A.B.A.: A razão pela qual o mirandês ainda se conserva nesta região é porque a língua é o corpo de uma cultura. E esta cultura compreende a música, a literatura oral, as danças dos pauliteiros e o teatro popular mirandês. E se há algo que é valioso na espécie humana é a sua cultura. Por isso digo que, com o mirandês é possível falar de assuntos tão banais como telemóveis ou mais eruditos como os tratados de ciência.

T.M.N.: Um dos livros em que participou, como coordenador, foi “Lhiteratura Oural Mirandesa – Recuolha de Testos an Mirandés”. A literatura oral é uma das expressões mais interessantes do mirandês?

A.B.A.: Esse trabalho foi realizado em 1999 e foi verdadeiramente simbólico porque pressupôs a participação das pessoas que nessa data, falavam o mirandês. Na altura, as pessoas foram convidadas a contar as suas histórias, as suas lendas, os seus contos, as suas lhonas e as suas orações. E toda esta recolha foi depois plasmada em livro. Recordo que na apresentação pública do trabalho, em Picote, as pessoas participantes foram convidadas e foi um momento muito belo, porque as pessoa viram o seu saber reconhecido e a língua valorizada. Este trabalho foi muito gratificante! É preciso continuar a acarinhar os falantes de mirandês.

T.M.N.: Assumiu vários cargos, entre os quais o de diretor do Centro de Estudos António Maria Mourinho. Que iniciativa foi esta?

A.B.A.: O padre António Maria Mourinho foi um dos guardiões da língua mirandesa, durante grande parte do século XX. Quando ele morreu em 1996, deixou grande parte do seu espólio à Câmara Municipal de Miranda do Douro. E no ano 2000 foi criado um grupo de trabalho para estudar esse espólio. Depois em 2003, o então ministro da educação, Mariano Gago, incentivou a criação de centros de investigação. E eu propus a criação de um centro de estudos não só para estudar o espólio de António Maria Mourinho, mas também para dar continuidade ao trabalho de investigação sobre a língua mirandesa. E foi aí que nasceu o Centro de Estudos António Maria Mourinho, através de um protocolo com a UTAD, onde eu era investigador e que nessa data tinha um polo em Miranda do Douro. O protocolo foi estabelecido com a Câmara Municipal, que então cedeu as instalações na Biblioteca Municipal. No entanto, depois houve o encerramento do polo da UTAD e ainda que o protocolo continue vigente, não se realizaram novos trabalhos.

“É preciso acarinhar os falantes de mirandês.”

T.M.N.: Também é secretário da FRAUGA – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote. Que trabalho têm realizado pela língua mirandesa?

A.B.A.: A FRAUGA nasceu em 1996 graças à iniciativa de um grupo de jovens de Picote, para a defesa e preservação da língua e cultura mirandesas, que já então considerávamos como as traves mestras da identidade da Terra de Miranda. Uma das nossas primeiras iniciativas foi colocar a toponímia em mirandês, nas ruas da localidade de Picote. Para quê? Para trazer o mirandês para a rua, para divulgar e valorizar a língua e os seus falantes.

T.M.N.: A palavra “frauga” tem um significado sugestivo.

A.B.A.: Sim, “frauga” é uma palavra mirandesa que significa forja, ou seja, era a oficina do ferreiro. Antigamente, quando as pessoas iam compor os seus instrumentos de trabalho ao ferreiro diziam que “andavam de frauga”. Nestas oficinas, para além da função do ferreiro que metia o objeto no fogo para o aquecer e ficar moldável, eram necessárias mais duas pessoas para malhar o ferro, uma de cada lado. Ou seja, era necessário um trabalho em conjunto. Também nesta associação, percebemos que para fazer alguma coisa temos que trabalhar em conjunto.

Colocar a toponíma em mirandês teve como objetivo trazer o mirandês para a rua, para assim divulgar e valorizar a língua e os seus falantes.

T.M.N.: No passado mês de setembro, a FRAUGA, num trabalho conjunto com a freguesia local, organizou em Picote, a I Fiesta de las Lhénguas. O que se pretende fazer com este evento?

A.B.A.: Como o próprio nome diz, pretendemos fazer uma festa. Para nós, a diversidade linguística deve ser motivo de celebração. A ideia de que todos deveríamos falar a mesma língua é um absurdo. Pelo contrário, devemos valorizar a diversidade e festejar esta diferença! Veja-se o mosaico cultural de que a Europa e o mundo são feitos! Ainda que, por vezes, se corra o risco de existir má comunicação. Não devemos deixar morrer as línguas, nem as palavras, porque assim ficamos mais pobres. Nesta I Fiesta das Lhénguas tivemos a participação de associações e representantes do espaço falante do asturo-leonês. No futuro, queremos estar abertos a todas as línguas europeias e do mundo. A II Fiesta de las Lhénguas vai realizar-se no fim-de-semana de 21 e 22 de setembro, aproveitando o Dia Europeu das Línguas, que se comemora a 26 de setembro.

A II Fiesta de las Lhénguas vai realizar-se no fim-de-semana de 21 e 22 de setembro, em Picote, aproveitando o Dia Europeu das Línguas, que se comemora anualmente a 26 de setembro.

Perfil

António Bárbolo Alves, nasceu em Picote – Miranda do Douro, a 5 de Dezembro de 1964.

Licenciou-se em ensino de Português e Francês, pela universidade do Minho e começou a lecionar em 1997, tendo atualmente mais 30 anos de serviço

Concuiu um Mestrado em Ensino da Língua e Literatura Portuguesas pela Universidade do Minho, com a tese “A língua mirandesa – Contributos para o estudo da sua história e do seu léxico”, Universidade do Minho, 1997.

Durante o serviço militar obrigatório, (1989-1990) desempenhou as funções de Tradutor de francês, na 6ª Repartição do referido Estado Maior do Exército

De 1991 a 1994, esteve, em regime de destacamento, no Pólo do Projecto Minerva da Universidade do Minho, tendo por função dar apoio técnico-pedagógico às escolas abrangidas por esse Pólo, fazer o acompanhamento de projectos educativos em curso nessas escolas, assim como participar em projectos de investigação e implementação das Tecnologias da Informação no ensino.

De 1997 a 2003 foi Leitor (Professor) de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Nice (França).

Em 2002, doutorou-se pela Universidade de Toulouse (França).

Assumiu vários cargos de gestão e representação, entre os quais o de diretor do Centro de Estudos António Maria Mourinho, secretário da direção da FRAUGA e Secretário Territorial para Portugal da Associação Internacional pela Defesa das Línguas e das Culturas Ameaçadas (AIDLCM).

Desde 2022, é sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa (2.ª Secção – Filologia e Linguística).

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Gastronomia: Semana da castanha em Bragança

Gastronomia: Semana da castanha em Bragança

Entre os dias 3 e 12 de novembro, decorre em Bragança a Semana Gastronómica da Castanha, com o mote “Sabores de Outono”, uma iniciativa promovida pelo município de Bragança.

A edição deste ano do certame conta com a participação de 17 restaurantes.

A castanha é descrita pela organização do evento como um produto versátil, que poderá ser degustado em sopas, pratos de carne ou peixe e também em sobremesas.

As refeições nos estabelecimentos aderentes da Semana da Castanha, custam entre 15 e 45 euros por pessoa.

“Bragança produz anualmente entre 30 a 40 mil toneladas de castanha, representando um significativo impacto económico para a região na ordem dos 100 milhões de euros. A Semana Gastronómica da Castanha é uma oportunidade para celebrar a época alta deste produto endógeno e contribuir para a sua promoção” referiu o presidente da câmara municipal de Bragança, Hernâni Dias.

Fonte: Lusa

Saúde: Hospital de Mirandela sem cirurgiões em novembro 

Saúde: Hospital de Mirandela sem cirurgiões em novembro

O Hospital de Mirandela vai funcionar sem cirurgiões durante o mês de novembro, afirmou a porta-voz do Movimento Médicos em Luta, Susana Costa.

Segundo a porta-voz, a falta de profissionais afeta os serviços de cirurgia do serviço de Urgência e a Medicina Interna daquele hospital.

“Tanto quanto sei, não há cirurgião no hospital de Mirandela para dar o apoio nem aos doentes internados nem ao serviço de urgência”, afirmou Susana Costa.

A situação, que se deve à escusa dos médicos em realizar mais horas extraordinárias do que as 150 previstas na lei, já tinha deixado sem cirurgia o serviço de urgência de Mirandela entre os dias 6 e 8 de outubro. 

Segundo um documento hospitalar, nesse período explicava-se que, devido a essa circunstância, havia “a consequente necessidade de concentrar recursos na Urgência Médico Cirúrgica” do hospital de Bragança, o maior do distrito.

A escala de dia 8 de outubro foi preenchida, confirmou à data o Movimento Médicos em Luta, sendo que desde então não há cirurgião na escala, disse.

Os utentes estavam a ser encaminhados para o hospital de Bragança, mas Susana Costa revelou hoje que está já a haver dificuldade em preencher as escalas do serviço de Cirurgia no hospital da capital de distrito.

“O que se tem tentado, atendendo a que é uma população que está demasiadamente distante de qualquer outro centro, é que haja alguma resposta por parte das equipas cirúrgicas” para preencher a escala, disse Susana Costa, não excluindo que esta complicação se possa estender a outras especialidades.

Susana Costa lamentou que a rede hospitalar do Serviço Nacional de Saúde esteja “a desfazer-se”. 

No caso de Bragança não ter capacidade de resposta, o hospital de referência seria Vila Real, que “já está também com constrangimentos nas escalas, nomeadamente nas equipas de cirurgia”, avançou ainda Susana Costa.

A Lusa contactou a Unidade Local de Saúde do Nordeste, responsável pela gestão dos hospitais de Mirandela e de Bragança, mas ainda não teve resposta.

Susana Costa alertou que a falta de clínicos vai “ficar mais evidente”.

A porta-voz antecipou um novo “insucesso nas negociações” em curso hoje com o Governo e explicou: “Tendo em conta a contraposta que recebemos do Ministério da Saúde na sequência da última reunião [no domingo], o que é previsto é que não haja acordo. Haverá um maior número de médicos que ainda estava expectante num acordo, e que estão a aguardar para decidir se vão também eles colocar as minutas [de escusa a horas extra]”.

Em caso de falha negocial, Susana Costa disse que a previsão é de “uma catadupa de minutas nos próximos dias”.

“A revolta, a insatisfação dos médicos está a ser crescente”, rematou.

As negociações entre o Ministério da Saúde e o SIM e a Fnam iniciaram-se em 2022, mas a falta de acordo tem agudizado a luta dos médicos, com greves e declarações de escusa ao trabalho extraordinário além das 150 horas anuais obrigatórias, o que tem provocado constrangimentos e fecho de serviços de urgência em hospitais de todo o país.

Fonte: Lusa

Ensino Superior: Orçamento do IPB aumenta mais de 20%

Ensino Superior: Orçamento do IPB aumenta mais de 20%

O orçamento de cinco instituições de ensino superior, entre as quais o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai aumentar mais de 20% no próximo ano, com a aplicação do novo modelo de financiamento, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2024 (OE2024).

O modelo de financiamento e distribuição das dotações das instituições de ensino superior está a ser revisto e, apesar de o processo não estar ainda concluído, as novas regras propostas pelo Governo vão já servir de referência para o próximo ano.

A proposta de OE2024 prevê um aumento de 10,7% do orçamento global das instituições, que em 2024 deverá atingir 2.904,4 milhões de euros. A maior fatia vai para as universidades, que recebem 2.138 milhões de euros, estando destinados aos politécnicos 706 milhões de euros.

Mas, de acordo com a informação detalhada na nota explicativa do OE2024 para o setor da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, publicada na página da internet da Assembleia da República, há cinco instituições para as quais o reforço da dotação será o dobro face às dotações globais.

A lista é encabeçada pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave que beneficia do maior aumento face ao ano anterior, com uma dotação de 44 milhões de euros, que representa mais 82,6%.

Seguem-se o Instituto Politécnico de Beja (mais 39,4%), a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (mais 35,0%), o Instituto Politécnico de Bragança (mais 26,9%) e o ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa (mais 22,9%).

No âmbito do novo modelo de financiamento, o aumento da dotação para as instituições será dividido em duas partes: 70% da verba distribuída por todas as instituições com base na aplicação da nova fórmula e os restantes 30% distribuídos pelas instituições que, ao longo dos últimos anos, têm vindo a ser prejudicadas a não aplicação da fórmula anterior.

Está prevista uma nova figura de contratos-programa de desenvolvimento que, destinados às instituições localizadas em regiões ultraperiféricas e em regiões de baixa pressão demográfica, sendo um terço do financiamento assegurado pelo Governo, e o restante através de financiamento regional ou de outras entidades.

Além dos contratos de desenvolvimento, o novo modelo de financiamento introduz um segundo tipo de contratualização – os contratos de estabilidade – destinados, pelo contrário, às instituições que no passado foram beneficiadas pelo mesmo motivo, de forma a evitar uma redução abrupta no seu nível de financiamento, garantindo um período de transição até 2027.

“O modelo combina uma componente com indicadores de atividade com impacto no financiamento e permitirá incorporar, progressivamente, uma componente com indicadores de desempenho”, que deverão ser desenvolvidos até 2027, refere ainda a nota explicativa.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a revisão do modelo de financiamento pretendeu contribuir “para a estabilidade e previsibilidade do financiamento do ensino superior, assente em objetivos de eficiência, equidade e qualidade do ensino superior público”.

A proposta de OE2024 foi aprovada pela Assembleia da República na generalidade. O período de apreciação na especialidade começa na quinta-feira, dia em que será ouvida pelo parlamento a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.

Fonte: Lusa

1 de novembro: Igreja Católica evoca Todos os Santos

1 de novembro: Igreja Católica evoca Todos os Santos

A Igreja Católica celebrou a 1 de novembro a solenidade litúrgica de Todos os Santos, feriado nacional em Portugal, na qual lembra conjuntamente “os eleitos que se encontram na glória de Deus”, tenham ou não sido canonizados oficialmente.

As Igrejas do Oriente foram as primeiras (século IV) a promover uma celebração conjunta de todos os santos, quer no contexto feliz do tempo pascal, quer na semana a seguir.

No Ocidente, foi o Papa Bonifácio IV a introduzir uma celebração semelhante em 13 de maio de 610, quando dedicou à Santíssima Virgem e a todos os mártires o Panteão de Roma, dedicação que passou a ser comemorada todos os anos.

A partir destes antecedentes, as diversas Igrejas começaram a solenizar em datas diferentes celebrações com conteúdo idêntico.

A data de 1 de novembro foi adotada em primeiro lugar na Inglaterra do século VIII, acabando por se generalizar progressivamente no império de Carlos Magno, tornando-se obrigatória no reino dos Francos no tempo de Luís, o Pio (835), provavelmente a pedido do Papa Gregório IV (790-844).

Segundo a tradição, em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por Deus’ de porta em porta: recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

Em contraponto surge, o Halloween, assinalado na noite de 31 de outubro, ligado à tradição celta de celebração do novo ano, o fim das colheitas, a mudança de estação e a chegada do inverno.

De acordo com esta tradição, nessa noite os fantasmas dos mortos visitavam os vivos; a festa foi conservada no calendário irlandês após a cristianização do país e implantou-se mais tarde nos EUA.

Já no dia 2 de novembro tem lugar a ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’, que remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos ‘desde o princípio até ao fim do mundo’.

Este costume depressa se espalhou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar três Missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia.

Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915).

Fonte: Ecclesia

Santidade é felicidade

Solenidade de Todos os Santos

Santidade é felicidade

Ap 7, 2-4.9-14 / Slm 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 / 1 Jo 3, 1-3 / Mt 5, 1-12a

A felicidade é o desejo mais profundo de todo o ser humano. Nem sempre é claro no que consiste a felicidade, mas para nós, crentes, a meta deveria ser inconfundível: a santidade, a vida ao estilo de Deus, no respirar da graça.

Cada um de nós é chamado por Deus à santidade, de maneira pessoal e intransmissível, aprendendo do único modelo: Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele aponta-nos o caminho da santidade: atender à vontade do Pai e confiar em Deus. Este é o grande desafio das nossas vidas e a nossa grande glória: ser santos! Um dia de cada vez, atentos ao que o Espírito nos pede, disponíveis para amar.

O Evangelho deste Dia de Todos os Santos, não apontando o caminho exato que devemos trilhar para alcançar a santidade, alerta-nos com as bem-aventuranças para os mais comuns enganos. Voltemos às bem-aventuranças e vejamos o que elas negam: se os pobres são bem-aventurados, então não é o ter que dá felicidade; se os que choram, os mansos e os que têm fome e sede de justiça é que são bem-aventurados, então não é estar sempre contente, satisfeito, ou alcançar as coisas através da força que traz felicidade; se bem-aventurados são os misericordiosos, os pacificadores e os puros de coração, então não são os vingativos, os que semeiam a divisão e os interesseiros que alcançarão felicidade; se bem-aventurados são os perseguidos por amor ao Amor, então a felicidade não se encontra no aplauso.

Se os que choram, os mansos e os que têm fome e sede de justiça é que são bem-aventurados, então não é estar sempre contente, satisfeito, ou alcançar as coisas através da força que traz felicidade.

Todos os dias, mas em particular hoje, Dia de Todos os Santos, a multidão de santos que nos precede torce por nós. Estão junto de Deus a interceder por nós, pedindo-lhe que continue a enviar a sua graça.

Nesta Solenidade, não sejamos surdos ao chamamento de Deus: digamos sim à santidade. E se porventura antevemos dificuldades no caminho, não tenhamos pudor nem vergonha em pedir às santas e santos do Céu que nos ajudem. A felicidade está ao nosso alcance, a santidade é algo que já nos foi dado. Da nossa parte, falta remover os obstáculos e arriscar vivê-la.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Sendim: Feira dos Grazes está a modernizar-se

Sendim: Feira dos Grazes está a modernizar-se

Apesar da chuva que caiu durante o fim-de-semana, a feira dos Grazes, em Sendim, voltou a ser o local de encontro de mlhares de pessoas, entre eles muitos espanhóis, que não perderam a oportunidade de visitar a localidade e o certame anual que está a modernizar-se com a introdução de novos produtos e atividades.

O presidente de União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, pretende modernizar a Feira dos Grazes.

Na cerimónia de abertura da Feira dos Grazes, que decorreu nos dias 27, 28 e 29 de outubro, o presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, começou por destacar a longevidade deste certame, que não obstante o problema do despovoamento, continua a atrair muitas pessoas à vila de Sendim.

“Somos uma localidade de gente dinâmica e queremos modernizar a Feira dos Grazes. Para isso, criámos um espaço onde os produtores locais também podem expor e comercializar os seus produtos e serviços. Neste mesmo espaço, realizam-se os espetáculos culturais e musicais que animam o certame ao longo do fim-de-semana”, indicou.

Para o sucesso da feira, o autarca sendinês agradeceu da colaboração da população local, em particular das associações, do clube desportivo, das cooperativas e da comissão de festas de Santa Bárbara.

Por sua vez, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, sublinhou a importância que esta histórica feira franca dos Grazes tem para a vila de Sendim.

“Historicamente, a feira dos Grazes de Sendim era uma das mais concorridas feiras francas da província de Trás-os-Montes. Atualmente, por causa do acentuado despovoamento, este certame perdeu algum fulgor. No entanto, a freguesia local e o município estão determinados em recuperar esse dinamiso e para isso é crucial apetrechar o certame de novos atrativos e atividades, como a realização de uma montaria ao javali e de um passeio todo-o-terreno para trazer ainda mais gente à vila de Sendim”, indicou.

Este ano, ao longo do fim-de-semana, 150 feirantes vindos de todo o país, expuseram os seus artigos e produtos pelas ruas da vila de Sendim. Foi o caso do feirante, Carlos Barbosa, que veio de Barcelos, para comercializar o excedente de stock de chinelos e meias. Disse que participa nesta feira há cerca de 12 anos e desde então a afluência de público tem-se mantido constante.

Apesar da chuva, a Feira dos Grazes de Sendim, registou a afluência de muito público.

Por sua vez, a feirante Rosa Maria, de Santa Maria da Feira, que já participa na feira dos Grazes há 45 anos, voltou mais um ano à vila de Sendim, para comercializar a sua produção de doçaria, com as regueifas, cavacas e a broa de milho e centeio.

Outro feirante, o espanhol, Florêncio Lourenzo, veio da província de Zamora para comercializar a sua produção agrícola de alhos, cebolas e outros produtos agrícolas.

Do lado do público, registou-se em Sendim uma grande afluência de espanhóis, vindos em excursões de Salamanca e de Zamora. A espanhola, Isabel Fernandez, veio numa excursão de 50 pessoas, de Salamanca.

“É o primeiro ano que venho à Feira dos Grazes, em Sendim. Estou agradada com a grande variedade de produtos, os preços acessíveis e também com o tempo meteorológico, que apesar dos chuva intermitente, nos permite ver a feira”, disse.




Na edição deste ano, a feira dos Grazes contou com a realização de atividades paralelas, como foram as atuações dos grupos locais Midnes e do Rancho Infantil do Grupo Cultural de Sendim. Noutro âmbito, o
motoclube local, “Abutres do Douro” quis participar no evento através da organização do passeio “Grazes em Movimento”, que se realizou na manhã de Domingo, dia 29 de outubro. Por seu lado, a comissão de festas em honra de Santa Bárbara, disponibilizou ao longo de todo o fim-de-semana, o serviço de restaurante, no salão de festas, em Sendim.
Outro destaque na Feira dos Grazes deste ano foram os concertos dos artistas Jorge Guerreiro e de José Malhoa.

O grupo musical Midnes participou na abertura da Feira dos Grazes.

Finalizada a feira dos Grazes, esta terça-feira, dia 31 de outubro, a vila de Sendim vai assinalar a noite de halloween ou dia das bruxas.

A noite de halloween é encarada como uma oportunidade para recriar a antiga tradição do esconjuro e da queimada galega, um ritual usado para afugentar as bruxas ou algo que se considera maligno. A tradicional queimada galega é uma bebida feita à base de aguardente, limão, maçã, canela e açúcar.”, explicou o autarca, Luís Santiago.

Segundo o autarca, à semelhança do que acontece em Motalegre, com a noite das bruxas, que atrai anualmente milhares de visitantes, a freguesia de Sendim pretende recriar um evento semelhante na localidade.

Recorde-se que o halloween é uma festa que se realiza no dia 31 de outubro, em que as pessoas vestem trajes fantasmagóricos e usam abóboras ocas, com velas no interior, para decoração de casas, jardins, etc.

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Cinema: Filme “Alma Viva” candidato a nomeação para Melhor Filme Europeu dos Prémios Gaudí

Cinema: Filme “Alma Viva” candidato a nomeação para Melhor Filme Europeu dos Prémios Gaudí

O filme “Alma Viva”, da realizadora luso-francesa Cristèle Alves Meira, é candidato a uma nomeação para os Prémios Gaudí da Académia del Cinema Catalá, na categoria de Melhor Filme Europeu, segundo a lista divulgada em Barcelona.

A seleção de “Alma Viva” entre os dez candidatos à nomeação para Melhor Filme Europeu, pela Academia de Cinema da Catalunha, acontece cerca de dois meses depois de a longa-metragem ter também sido escolhida pela Academia de Cinema de Espanha como candidata a uma nomeção para Melhor Filme Ibero-Americano dos Prémios Goya.

As nomeações aos Gaudí serão conhecidas a 12 de dezembro, e a gala dos vencedores realizar-se-á em 04 de fevereiro, no Centro Internacional de Convenções de Barcelona, indicou hoje a academia catalã.

Primeira longa-metragem de Cristèle Alves Meira, produzida pela Midas Filmes, “Alma Viva” é uma ficção que aborda a emigração, o misticismo e a cultura transmontana, e foi integralmente rodada em Junqueira, concelho de Vimioso, onde a realizadora tem raízes maternas.

Em Barcelona, “Alma Viva” está entre obras de realizadores como Marie Kreutzer, da Áustria, Charlotte Wells, do Reino Unido, Hlynur Pálmason, da Islândia, J.A. Bayona, de Espanha, e entre filmes como os premiados “O Triângulo da Tristeza”, de Ruben Östlund, da Suécia, “Eo”, de Jerzy Skolimowski, da Polónia, e “Close”, de Lukas Dhont, da Bélgica.

Para a produtora Midas Filmes, as duas nomeações confirmam “o impacto” que a estreia de “Alma Viva” teve em Espanha, tendo a academia espanhola, em agosto, quando da nomeação aos Goya, destacado que o filme “é um retrato das tradições transmontanas, influenciadas pelas raízes ibéricas que compõem [os portugueses] enquanto povo, movendo-se num equilíbrio fascinante entre realidade e superstição”.

Estreado na competição da Semana da Crítica de Cannes, em 2022, “Alma Viva” foi “distribuído e premiado em festivais um pouco por todo o mundo, consagrado pelo público e a crítica em Portugal”, como recorda a Midas Filmes no comunicado de reação à nomeação aos Gaudí.

“Alma Viva” recebeu já duas dezenas de prémios, entre os quais seis Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, incluíndo o de Melhor Filme.

Coproduzido entre Portugal, França e Bélgica, “com um pequeno apoio do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual], mas com um envolvimento muito significativo por parte do Fundo de Apoio ao Turismo e Cinema e da RTP”, o filme estreou-se “em mais de uma dezena de países e continua a circular em Portugal”, escreve a Midas Filmes, no comunicado de reação agora divulgado.

A produtora portuguesa recorda ainda que está agora envolvida em Espanha em duas campanhas com vista à nomeação do filme – para os Prémios Goya e para os Prémios Gaudí – em conjunto com o distribuidor espanhol do filme, Paco Poch Cinema, mas “sem qualquer apoio” do ICA, “à revelia do que mandam os seus próprios regulamentos.”

Para os prémios da Academia de Cinema de Espanha, está também nomeado “Great Yarmouth: Provisional Figures”, de Marco Martins, como candidato a uma nomeação ao Goya de Melhor Filme Europeu.

A realizadora Cristèle Alves Meira esteve em Vimioso no decorrer da I Bienal Intercultural Transfronteiriça e Europeia.

Fonte: Lusa

Alcobaça: Monjas Trapistas de Palaçoulo regressam à Mostra de Doces Conventuais

Alcobaça: Monjas Trapistas de Palaçoulo regressam à Mostra de Doces Conventuais

A Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais de Alcobaça vai decorrer de 16 a 19 de novembro, numa edição comemorativa do 25.º aniversário do certame, onde poderão ser apreciados mais de 300 doces e licores conventuais.

Segundo a Câmara Municipal, organizadora do evento, esta iniciativa realiza-se desde 1999 e contribui para divulgar e preservar o legado dos doces e licores conventuais dos Mosteiros de Alcobaça (masculino) e de Coz (feminino).

Na edição comemorativa dos 25 anos do evento, a autarquia pretende também “celebrar as casas participantes com destaque para as que venceram nas últimas edições os primeiros prémios de melhor doce e licor”, iniciativa que este ano vai também envolver o público na votação.

Entre as novidades deste ano, o presidente da autarquia, Hermínio Rodrigues, destacou a realização, pela primeira vez, da exposição “Mérito em retrospetiva: 25 anos. 25 premiados”.

O objetivo, disse, é “recordar os doces premiados ao longo destes anos” e mostrar a evolução que a iniciativa “e a doçaria tiveram e que contribuem para que este seja um certame único a nível do país e como há poucos no mundo”.

Além de perto de 30 pastelarias de todo o país, a mostra vai contar com a participação de mosteiros e abadias nacionais e internacionais, ente os quais o Mosteiro do Santíssimo Sacramento do Louriçal, Mosteiro de Bande (Vila Nova da Carvalhosa), Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja (Palaçoulo/ Miranda do Douro), Monjas Cistercienses da Porta Aberta (Braga), Mosteiro de São Bento de Singeverga (Santo Tirso), Abadia de Herkenrode (Bélgica), Mosteiro Cisterciense de Boa Vista (Brasil) e Casa do Povo do Curral das Freiras (Madeira).

À semelhança do que aconteceu na última edição, a mostra volta a ocupar o Claustro do Rachadouro, uma das alas do Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel, onde ficarão situados os espaços dedicados aos licores conventuais, a mostra de chocolates (belgas), o espaço de realização de ‘showcookings’ e a tenda para os momentos musicais e culturais que integram o programa.

Em termos de animação, a organização destaca o concerto da cantora lírica Sofia Escobar, no primeiro dia, e o espetáculo imersivo “Quadros Vivos de Caravaggio”, uma dramatização “que recria em palco uma sequência de 21 obras do pintor italiano do Barroco, que se vai construindo e desconstruindo”.

A experiência “substitui o espetáculo de ‘vídeo mapping’ que tem sido apresentado noutras edições”, explicou o presidente da Câmara de Alcobaça, no distrito de Leiria, adiantando que a aposta este ano “foi levar para dentro do mosteiro” a experiência imersiva que apresenta os 21 quadros bíblicos.

A Mostra Internacional de Doces e Licores Conventuais de Alcobaça conta este ano com um orçamento de mais de 100 mil euros, menos 40 mil que o ano passado (dada a redução dos custos por não incluir o espetáculo de ‘vídeo mapping’).

A estimativa da autarquia é que o certame seja visitado por cerca de 30 mil pessoas.

Fonte: Lusa

Pecuária: DGAV contabiliza 450 bovinos infetados  por doença hemorrágica epizoótica

Pecuária: DGAV contabiliza 450 bovinos infetados  por doença hemorrágica epizoótica

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) registou até ao momento 188 explorações pecuárias a nível nacional, onde há animais com sintomas da Doença Hemorrágica Epizoótica (DHE), num total de 450 bovinos infetados num universo de 27.000 animais.

“Nestas explorações afetadas, encontram-se presentes cerca de 27.300 bovinos no total, mas destes apenas 450 animais apresentaram sinais clínicos compatíveis com a doença. Em termos de números da mortalidade há o registo de apenas 15 bovinos, devido à doença”, indicou a DGAV.

De acordo com esta Direção Geral, os dados nacionais “são dinâmicos, uma vez que sendo uma doença transmitida por vetores (insetos do género Culicoides) vão sendo notificados focos à DGAV diariamente, registam-se ao dia de hoje 188 explorações notificadas com animais com sinais clínicos, a nível nacional (só notificada no território continental) ”.

“A cada novo concelho onde surge a doença promove-se a recolha de amostras para confirmação laboratorial”, indicou a DGAV.

O mesmo organismos explicou ainda que durante os meses de verão, e face às alterações climáticas e permanência do mosquito na Península Ibérica, o número de casos tem aumentado substancialmente, mas os animais recuperam da doença cerca de duas semanas após o início da sintomatologia.

“Apesar de existir uma taxa de morbilidade das explorações afetadas inferior a 10%, a taxa de mortalidade verificada é inferior a 1% “, indica o mesmo esclarecimento.

A DGAV acrescenta ainda que tem vindo a tomar um conjunto de medidas desde o aparecimento de um foco de doença em Espanha (Badajoz) no final de novembro de 2022.

“Neste momento todo o território continental está afetado pelas restrições associadas a esta doença”, vinca.

Sempre que se confirma um foco de doença, é definido pela DGAV um raio de 150 quilómetros em volta deste e foram criadas regras aplicáveis à circulação animal e à desinsetização dos animais e dos veículos.

“Têm sido atualizados os editais à medida que são alteradas as áreas, e efetuadas reuniões com os médicos veterinários e associações do setor, de forma a expor e atualizar as medidas a tomar”, esclarece.

Em julho deste ano foram confirmados os primeiros dois focos em Portugal no Alentejo, pelo que foi implementado o reforço da vigilância clínica e das medidas de desinsetização.

A DGAV apenas declara as notificações que chegam de forma oficial, estando os produtores e médicos veterinários legalmente obrigados a declarar a suspeita desta doença.

Nesta doença, os focos correspondem a explorações onde um médico veterinário reconheceu clinicamente esta doença, tendo já sido confirmado laboratorialmente pelo menos um caso no mesmo concelho.

Os dados detetados ao momento no distrito de Bragança indicam a existência de 42 explorações afetadas, nas quais se contabiliza a presença de 1768 bovinos. Destes, 193 apresentaram sinais clínicos e 11 morreram da doença.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, disse discordar da estimativa de 33 casos de morte por DHE, na região transmontana, avançados então pela Direção Geral de Veterinária (DGAV), afirmando que são “bem mais”.

“Não posso acreditar nos dados avançados pela Direção-Geral de Veterinária, porque não correspondem à realidade vivida nas explorações do meu concelho”, afirmou Nuno Rodrigues.

O autarca disse ainda acreditar que atualmente os números de animais de raça bovina mortos com DHE são “bem mais” e podem mesmo ultrapassar a meia centena, só no concelho de Miranda do Douro.

Fonte: Lusa