Demografia: Apenas 50 dos 308 municípios com evolução positiva da população – estudo
Em 10 anos, apenas 50 dos 308 municípios de Portugal registaram uma evolução positiva da população, sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa (AML), em 14 concelhos num total de 18, e no Algarve, com 11 em 16.
De acordo com o estudo “O que nos dizem os Censos 2021 sobre dinâmicas territoriais”, apresentado a 15 de março no Instituto Nacional de Estatística (INE), em Lisboa, os municípios de Lisboa e do Porto tiveram decréscimos populacionais, de -1,25% e -2,44%, respetivamente, entre 2011 e 2021.
Na Área Metropolitana de Lisboa, alguns municípios registaram aumentos populacionais superiores a 5%, nomeadamente Mafra (+12,82%), Palmela (+9,58%), Alcochete (+8,96%), Montijo (+8,71), Sesimbra (+5,83) e Seixal (+5,21%), enquanto na região algarvia destacaram-se aumentos em Vila do Bispo (+8,73%), Albufeira (+8,17), Lagos (+7,87%), Portimão (+7,61), São Brás de Alportel (+5,50%) e Tavira (+5,18%).
Da sub-região do Cávado surge o município de Braga (+6,52%) e, no Alentejo Litoral, surge o município de Odemira (+13,32%), que apresenta o valor mais elevado do país.
Na Área Metropolitana do Porto, apenas os municípios de São João da Madeira, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Valongo e Vila Nova de Gaia tiveram aumentos populacionais na ultima década, mas com valores inferiores a 2%.
Em 12 das 25 sub-regiões NUTS III (entidades intermunicipais e as duas regiões autónomas), maioritariamente no interior do país, registaram-se taxas de variação negativas da população em todos os municípios.
Barrancos (-21,59%), no Baixo Alentejo, Tabuaço (-20,72%) e Torre de Moncorvo (-20,37%), ambos na sub-região do Douro, e Nisa, no Alto Alentejo (-20,11%), perderam, na última década, cerca de 20% da sua população.
Miranda do Douro: Festa Solidária para apoiar crianças carenciadas
No sábado, dia 18 de Março, às 22h30, vai realizar-se em Miranda do Douro, a Festa Solidária “Remenber 2000”, um evento organizado pelo Clube Motard Ls Cartolicas Zinantes e o Rochedo Bar, com o propósito de angariar receitas para apoiar as crianças mais carenciadas do concelho.
O evento vai decorrera partir das 22h30, de sábado, nas instalações anexas do pavilhão multiusos, em Miranda do Douro.
A animação musical vai estar a cargo dos DJ’s Murphy; do mirandês, Jorge Barroso; e do espanhol, Philip, que vão presentear o público com os grandes êxitos do novo milénio.
Segundo Daniel Flaire, do Clube Motard Ls Cartolicas Zinantes, para participar na festa (e causa) solidária, o público terá de adquirir a pulseira que dá acesso ao recinto e que tem um custo de 5 euros.
A organização informa que a receita angariada com a festa solidária, destina-se a pagar os custos do evento e outra parte será encaminhada para apoiar as crianças mais carenciadas do concelho de Miranda do Douro, que estão sinalizadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).
A Festa Solidária é uma iniciativa organizada pelo Clube Motard Ls Cartolicas Zinantes e o Rochedo Bar e que conta com o apoio do município de Miranda do Douro, da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e do Bombeiros Tapas Bar.
Sobre as próximas atividades, o Clube Motard Ls Cartolicas Zinantes informou que no próximo dia 16 de abril vão realizar um passeio motard ao concelho de Mogadouro, mais concretamente à aldeia de Gregos, onde vão realizar um almoço convívio.
Em maio, os motociclistas mirandeses vão a Zamora (Espanha) participar na rota do rio Douro.
Nos dias 2, 3 e 4 de junho vai realizar-se em Miranda do Douro, a XI Concentração Motard Ls Cartolicas Zinantes.
Miranda do Douro: Exposição “Terra Fria, Alma Quente” mostra a beleza do planalto mirandês
Foi inaugurada a 14 de março, em Miranda do Douro, a exposição fotográfica “Terra Fria, Alma Quente”, uma coleção de fotografias de Cláudia Costa, que retratam o dia-a-dia nas localidades rurais do planalto mirandês, onde a natureza, os animais e as pessoas que a habitam são a sua maior beleza.
A inauguração da exposição fotográfica, na Casa da Cultura Mirandesa, contou com a presença da presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, que referindo-se à mostra fotográfica disse que aí está a essência da região.
“Ao contemplar as fotografias da Cláudia Costa vemos as paisagens, os animais, as nossas gentes e as suas tradições, que afinal são os principais elementos identitários da nossa terra. Com esta exposição, a Cláudia, a par do dom artístico e fotográfico, revela uma grande atenção à nossa realidade”, disse.
Helena Barril mostrou-se convencida de que o público que visitar a exposição “Terra Fria, Alma Quente”, certamente vai apreciar, ainda mais, os encantos da ruralidade, na Terra de Miranda.
Sobre a exposição, a artista, Cláudia Costa, informou que através das fotografias quis dar a conhecer o nordeste transmontano e de um modo especial, o planalto mirandês.
“Nestas fotografias procuro mostrar a região ao longo das várias estações do ano: o inverno, a primavera, o verão e o outono. E para quem vê as fotografias de inverno, por exemplo, certamente consegue imaginar o frio que se sente nesta região”, disse.
Referindo-se ao título da exposição “Terra Fria, Alma Quente”, a autora, acrescentou que nas fotografias pretende também destacar o acolhimento, a docilidade e a generosidade das pessoas (e dos animais, como o burro de Miranda!).
“Para contrabalançar com o frio do inverno, quis sublinhar o calor da alma das pessoas”, disse.
Cláudia Costa é natural de Lisboa e em janeiro de 2011 decidiu mudar-se para o planalto mirandês, onde trabalha, desde então, na Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA).
“Tenho uma grande afeição pelo burro de Miranda e em 2011 decidi vir fazer voluntariado na AEPGA. Esta experiência tornou-se depois num trabalho a tempo inteiro, o que me permitiu ir descobrindo paisagens maravilhosas, pessoas incríveis e conhecer de perto a cultura local e as antigas tradições”, disse.
Questionada sobre o problema do despovoamento, Cláudia Costa, partilhou da preocupação geral da população e expressou votos de que haja mais oportunidades profissionais para atrair e fixar mais jovens nesta região.
A exposição “Terra Fria, Alma Quente” vai estar patente ao público de 14 de março a 11 de maio de 2023, na Casa da Cultura Mirandesa, em Miranda do Douro.
Numa viagem pelas estações do ano, Cláudia Costa conta, através das fotografias, estórias da Terra Fria Transmontana.
Economia: Deco sugere 18 medidas para apoiar as famílias
A criação de um observatório de preços e a redução do IVA para 6% em todas a componentes da fatura de eletricidade e do gás, são duas das 18 sugestões, do roteiro para sobreviver à crise, elaborado pela Deco.
O roteiro da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) pretende incentivar o debate público sobre as condições de vida dos consumidores e assegurar a tomada de decisões que possam “promover o bem estar social e económico dos cidadãos”.
Entre as 18 sugestões da Deco estão, na área da alimentação, a criação de um observatório que fiscalize a evolução dos preços dos bens, bem como das práticas comerciais, e legislação que reforce a transparência e a obrigação de informação ao consumidor em produtos alvo de reduflação [quando reduzem as embalagens mantendo os preços].
O reforço da oferta de produtos de marca própria e nacionais, com especial enfoque num cabaz de bens essenciais, é outra das sugestões do roteiro para sobreviver à crise.
Na área da mobilidade, a Deco defende o direito ao reembolso por parte de titulares de passes em caso de greve, a criação de uma tarifa social para os transportes públicos coletivos e a isenção de IVA no transporte ferroviário, incluindo no suplemento de bagagem pelo transporte de bicicletas e trotinetes.
Na habitação sugere incentivos fiscais e sociais “que garantam um verdadeiro equilíbrio e oferta no mercado”, a criação de “programas inclusivos” e adaptados às necessidades de todos os consumidores, que incluam o arrendamento e a aquisição de habitação própria e permanente, e menos burocracia no apoio ao desempenho energético habitacional.
Além da redução para 6% no IVA de todas as componentes da fatura de eletricidade e gás natural, a Deco propõe a reavaliação dos critérios da tarifa social, tendo em consideração o atual contexto da inflação e o alargamento dos beneficiários relativamente ao gás natural, assim como a simplificação e apoio à mudança de comercializador.
Já na área das comunicações eletrónicas, sugere a disponibilização, por parte de todos os operadores, de um pacote económico de serviços que inclua telefone (fixo e móvel), internet e TV (número reduzido de canais, mas de oferta variada), a preços reduzidos e sem contrapartidas.
Defende igualmente a interdição – com medidas temporárias – de aumentos anuais dos serviços de comunicações superiores à média ponderada da taxa de inflação dos últimos 10 anos, assim como a proibição do aumento dos preços e taxas aplicáveis a serviços postais durante este ano.
No roteiro para sobreviver à crise elaborado pela Deco há ainda sugestões como a aplicação obrigatória da tarifa social por todas as entidades gestoras de abastecimento, saneamento e resíduos e a aplicação de tarifas de resíduos que premeiem quem separe para reciclar.
Com as soluções apresentadas neste roteiro, a Deco diz acreditar que as famílias “conseguirão ultrapassar a crise, assegurando a salvaguarda dos seus direitos e interesses por todos os setores da economia nacional”.
Política: Hernâni Dias acusa Governo de evitar regionalização
O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, acusou o Governo de estar a concentrar competências nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para evitar fazer a regionalização.
“Estamos a ver que está-se a fazer este trabalho, provavelmente para evitar que se faça a verdadeira regionalização”, declarou o autarca brigantino, considerando que a o processo em curso “não é necessariamente regionalização”.
Para o governante social-democrata, que se assume como “um regionalista convicto”, “o Governo atual não tem a vontade de promover a regionalização” e está a “escudar-se” para não avançar com o processo de um referendo à regionalização até ao final da legislatura.
O Governo socialista tinha anunciado a realização de um referendo sobre a regionalização para 2024, mas considerou, no início do mês de março, que a consulta aos portugueses “não faz qualquer sentido”, tendo em conta a “mudança de posição” do PSD sobre o assunto.
“O Governo não pode escudar-se numa declaração do líder da oposição quando tem vontade de fazer alguma coisa, e se há vontade do Governo de promover a regionalização tem que fazer muito mais do que isso. Isto mostra apenas claramente que é o Partido Socialista que não tem vontade de fazer o trabalho que lhe compete porque à mínima dificuldade deixa de fazer esse trabalho”, considerou o autarca de Bragança.
Hernâni Dias insiste que a posição do presidente do PSD “não pode servir de pretexto para se parar um processo que se diz tão importante para o país”.
“O Governo se efetivamente acha e quer dar seguimento àquilo que era a sua intenção de regionalizar o país deve fazer todos os esforços possíveis para conseguir os consensos necessários ao nível da Assembleia da República para que efetivamente as coisas aconteçam em 2024, que era a data que estava previamente definida”, defendeu.
O autarca de Bragança não vê como alternativa à regionalização a reestruturação das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), que passarão a ter o estatuto de institutos públicos especiais, com o objetivo de assumirem competências descentralizadas do Estado central, de acordo com a nova lei orgânica aprovada a 2 de março pelo Conselho de Ministros.
“É dar a ideia que estamos a transferir competências, a concentrar tudo numa entidade, dando quase a ideia de que aquilo é a regionalização, mas verdadeiramente não é, aquilo de facto é uma concentração de competências, eu diria até de poderes, que são feitas numa determinada entidade que neste momento é a CCDR, e depois não há mais do que isto”, observou.
Para o presidente da Câmara de Bragança, “o processo de regionalização tem de contemplar muitas coisas bem diferentes daquilo que está neste momento a ser feito, que é um ato de concentração pura e simples numa determinada entidade”.
Miranda do Douro: Município vai pagar mensalidades das crianças nas creches
O município de Miranda do Douro vai assumir os encargos financeiros de 37 famílias do concelho, com o pagamento das mensalidades das crianças nas creches sociais, informou a presidente da Câmara Municipal, Helena Barril.
“Consciente das despesas que os agregados familiares suportam para ter os seus filhos integrados nestas respostas sociais e educativas e por forma a aliviar as suas despesas mensais e ainda promover a natalidade, o município decidiu assumir o pagamento das mensalidades pagas pelos pais. Assim, a autarquia vai pagar a mensalidade de forma direta a instituições envolvidas”, explicou Helena Barril.
Esta autarquia mirandesa assinou dois protocolos com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS): um com a Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD) e um outro com a Casa da Criança Mirandesa (CCM), localizada em Sendim.
Os montantes atribuídos a ambas as instituições são de 6.678 euros à CCM, repartidos por três tranches, montante a que acresce 12.452 euros/ano para despesas correntes. No caso da SCMMD, o montante é de 33.207 euros, igualmente repartido por três parcelas a que se juntam 12.452 euros para despesas correntes.
Para a autarca de Miranda do Douro, o importante é criar medidas que permitam uma maior coesão e bem-estar social e a garantia e igualdade de oportunidades no âmbito da educação.
“A nova realidade económica e social do país obriga a que as instituições com responsabilidades sociais, como é caso dos municípios, procedam à adaptação dos serviços que prestam aos seus munícipes”, vincou Helena Barril.
A creche da Casa da Criança Mirandesa, em Sendim tem cinco crianças. E a creche da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro é frequentada por 32 crianças, até aos 3 anos de idade.
Miranda do Douro: Feira da Bola Doce Mirandesa vai “adoçar” a Semana Santa
A Feira da Boa Doce Mirandesa vai decorrer na Semana Santa, nos dias 6, 7 e 8 de abril, no Largo do Castelo, em Miranda do Douro, onde para além do espaço de exposições, com os produtores locais e regionais, o público poderá acompanhar as celebrações religiosas e assistir aos concertos da fadista Sara Correira, dos Quarteto Abalone e dos Galandum Galundaina.
A presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, adiantou que tal como no ano anterior, espera a vinda de muito público à cidade, para visitar o certame dedicado à Bola Doce Mirandesa e a outros produtos tradicionais da Páscoa, como são o folar, os dormidos e o cordeiro mirandês.
“No ano passado, a feira da Bola Doce Mirandesa teve um grande sucesso, pois estávamos a sair da pandemia e havia uma grande vontade das pessoas saírem do isolamento e participarem em eventos sociais. Neste ano, renovo o convite para visitarem Miranda do Douro e a nova edição da Feira da Bola Doce Mirandesa”, disse.
Nos três dias do certame, os grupos de pauliteiros e gaiteiros do concelho mirandês vão animar o espaço dos expositores, onde vai ser possível encontrar uma grande variedade de produtos como a Bola Doce Mirandesa, o fumeiro, o vinho, o azeite, os frutos secos, o artesanato local e muitos outros produtos.
Recorde-se que a Bola Doce Mirandesa é um dos ícones gastronómicos da Terra de Miranda. Segundo a tradição, este doce é confecionado com farinha de trigo, ovos, canela, açúcar, fermento padeiro, manteiga, azeite e sal.
Para dar visibilidade às raças autóctones existentes na região, o município de Miranda do Douro informa que vão ser expostos exemplares dos bovinos mirandeses, dos ovinos de raça churra galega mirandesa, dos cabritos transmontanos, dos cães de gado transmontanos, dos burros de Miranda e dos suínos bísaros.
No que concerne à programação cultural e religiosa, a Feira da Bola Doce Mirandesa vai presentear os visitantes, na quinta-feira santa, com o concerto de Páscoa, interpretado pelo grupo Quarteto Abalone (16h00), na Igreja de Santa Cruz. Às 21h00, celebra-se a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a cerimónia do Lava-pés, na Igreja da Misericórdia. E o dia culmina com o concerto da fadista, Sara Correia.
Na Sexta-feira Santa, o destaque é o VIII Concurso da Bola Doce Mirandesa, às 15h30. No programa religioso, realiza-se a procissão do Enterro do Senhor, às 21h00.
No Sábado Santo, para além do concurso do folar de carne, o grande destaque é o concerto dos Galandum Galundaina, que vai encerrar a edição deste ano da Feira da Bola Doce Mirandesa.
Segundo o município de Miranda do Douro, este certame anual tem como principal objetivo contribuir para a divulgação, promoção e venda dos produtos locais e regionais. Simultaneamente, o evento dinamiza outros setores de atividade como são o turismo, a hotelaria, a restauração e fomenta o convívio entre a população local e os visitantes.
Ensino: Professores iniciam greve às avaliações finais e ao serviço extraordinário
A plataforma informal que reúne nove sindicatos de profissionais de educação anunciou greves a partir do dia 27 de março, a “todo o serviço extraordinário”, às avaliações finais, paragens por distrito e uma “grande concentração” para dia 6 de junho.
Em conferência de imprensa em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, garantiu que os professares “não se vão deixar calar” e que apresentaram uma proposta para “forçar o Ministério da Educação” a negociar já a pensar em 2024.
Mário Nogueira anunciou ainda que os professores vão fazer pedidos de reuniões com todos os partidos políticos, que vão apresentar à Comissão Europeia uma queixa contra as “limitações impostas ao direito à greve” e uma outra queixa à Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre outras formas de luta.
“Ações de luta não vão faltar para podermos pressionar o Governo a resolver problemas que estão a massacrar uma profissão em que há cada vez menos gente”, explicou Mário Nogueira.
Ensino: Sociedade Portuguesa de Matemática alerta que alunos vão chegar mal preparados à universidade
Os alunos que escolherem cursos nas áreas ligadas às ciências e engenharias vão chegar mal preparados às universidades devido às mudanças nos currículos do ensino secundário, alerta o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM).
“O problema está nos programas de Matemática do ensino secundário que, na nossa opinião, não vão preparar bem os alunos para o ensino superior”, disse José Carlos Santos em declarações, a propósito do Dia Internacional da Matemática, que se assinala a 14 de março.
Numa retrospetiva de como o ensino da Matemática tem evoluído em Portugal, José Carlos Santos, que assumiu o cargo no ano passado, começou por notar que o país parece não conseguir desenhar “um programa que se mantenha estável por uma ou duas gerações”.
A alteração mais recente vai entrar em vigor no próximo ano e procura corrigir o modelo atualmente em vigor, definido no mandato do ex-ministro da Educação Nuno Crato.
Um dos princípios que orientou o novo modelo para o ensino secundário é o de uma matemática para todos e para a cidadania e, entre as principais novidades, a partir de 2024, os alunos do 10.º ano vão ter um primeiro período de aulas semelhante, independentemente de estarem em ciências, humanidades, artes ou cursos profissionais.
A SPM já se tinha manifestado contra as alterações e no início do ano acusou mesmo o Ministério da Educação de atirar a aprendizagem da Matemática no ensino secundário para “mínimos históricos inexplicáveis”, apontando “múltiplos e graves problemas” num parecer às novas aprendizagens essenciais.
“Este programa sacrificou a unidade lógica da Matemática e as ligações lógicas entre as várias coisas. Fica mais um conjunto de factos separados e é mais fácil aprender assim, o problema é que quando o aluno vai para um curso científico não está preparado”, insistiu José Carlos Santos, que é também professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
“E das duas uma: ou se dá muito mal no ensino superior ou, alternativamente, o ensino superior terá de baixar o nível. Qualquer um dos casos é muito triste”, acrescentou.
O presidente da SPM tem, por outro lado, dúvidas quanto aos objetivos dos novos programas, que pretendem que os alunos se sintam mais à vontade com a matemática. Para José Carlos Santos, o resultado será alunos expostos a menos conhecimento sob a ilusão de que estão mais aptos para usar a matemática no dia-a-dia.
Mas isso não vai acontecer, antecipa o matemático, justificando que “a Matemática que tem usos em situações reais é demasiado avançada para aquilo que é razoável dar no (ensino) secundário” e isso vê-se nos problemas “altamente artificiais” que, habitualmente, são colocados aos alunos nessa fase do seu percurso escolar.
Além dos conteúdos programáticos, a SPM está preocupada por considerar que as alterações tornam os programas mais vagos, dificultando a avaliação objetiva e comparável dos alunos, e lamenta que as sociedades científicas de Matemática e Estatística não tenham sido ouvidas.
“O que seria desejável – mas não estou a ver que seja o que vá acontecer – era as sociedades científicas e as associações dos professores juntarem-se e concordarem com um programa básico”, defendeu.
O Dia Internacional da Matemática assinala-se a 14 de março com atividades organizadas por várias instituições de ensino superior e ligadas à ciência. No Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, vão realizar-se encontros, debates e feiras durante todo o dia, sob o tema “Todas as horas contam”, em colaboração com a SMP.
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa escolheu o tema “Matemática para todos” e tem programado palestras até 16 de março para alunos do ensino básico e secundário e professores. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa realiza, durante a tarde de 14 de março, um encontro de matemáticos sobre o papel da disciplina na sociedade.
Portugal/ Espanha: Programa bilateral quer “revitalizar e recuperar” aldeias na fronteira
Na cimeira ibérica que se inicia a 14 de março, em Lanzarote, nas ilhas Canárias, Portugal e Espanha avançam com um projeto comum para “revitalizar e recuperar” aldeias na fronteira, informou a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.
“A ideia é revitalizar, recuperar vida nestas aldeias, algumas que estão praticamente abandonadas e outras que perderam grande parte da sua população e da sua atividade”, afirmou Ana Abrunhosa.
Segundo a ministra, o objetivo do programa é “trazer investimento empresarial, inovador e competitivo, para estas aldeias”, “projetos inovadores que criem emprego”, e levar para esses locais atividades “que normalmente é mais habitual ver noutras geografias”.
Ana Abrunhosa defendeu que o crescimento do teletrabalho, por exemplo, criou oportunidades de ter nestas aldeias “atividade económica que normalmente elas não teriam”, mas é preciso criar “as condições tecnológicas” e outras para isso se concretizar e estes puderem ser “territórios competitivos para além da agricultura, da pecuária ou da agroindústria”, numa “diversificação da base económica e social” tradicional.
Essas condições passam por novas infraestruturas de telecomunicações, pela garantia de ligações a pequenos centros urbanos ou pela recuperação de património, segundo explicou a ministra da Coesão Territorial.
Está em causa “revitalizar casas para as pessoas viveram” e “património para empresas se instalarem, para espaços de ‘coworking’, para empresas ou associações darem formação ” ou “recuperar património para projetos culturais entre ambas as fronteiras”, afirmou.
A ministra insistiu em que se trata de “revitalizar património, mas o património que é necessário para atrair nova atividade económica”, valorizando o potencial de cada território, “mas agora com mais conhecimento e com tecnologia”.
Ana Abrunhosa adiantou que os detalhes do programa serão apresentados em breve em Penha Garcia, uma freguesia de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, e uma das aldeias já selecionadas para integrar o projeto.
Tanto Portugal como Espanha já identificaram várias aldeias para este programa, disse a ministra, que acrescentou que o financiamento passará também por fundos europeus.
Os projetos serão diferentes para cada aldeia, porque se trata de valorizar as potencialidades de cada local, para “reter e captar talento nestes territórios que hoje estão a ser muito procurados, não só pelos nómadas digitais, mas por outras empresas que consideram estes territórios mais atrativos para desenvolverem as suas atividades”, segundo a ministra da Coesão Territorial.
Ana Abrunhosa acrescentou que “são projetos que não podem envolver só os municípios” e contarão com uma “multiplicidade de parceiros”.
O programa enquadra-se dentro da estratégia de desenvolvimento nas regiões de fronteira anunciada por Portugal e Espanha em 2020, na cimeira ibérica da Guarda.
Na cimeira deste ano, que se inicia a 14 de março, em Lanzarote, e dentro da mesma estratégia transfronteiriça, Portugal e Espanha vão ainda assinar um acordo para criar o “campus rural transfronteiriço”, que permitirá a estudantes do ensino superior dos dois países fazer estágios e trabalhos de investigação em territórios rurais e despovoados.
Segundo Ana Abrunhosa, neste caso, o objetivo é que os estudantes “conheçam melhor essas realidades”, sendo esta uma forma de “lutar contra preconceitos e perceções erradas sobre os territórios do interior e transfronteiriços”, mas que também se estudem essas zonas e regiões com trabalhos académicos.
A 34.ª cimeira entre Portugal e Espanha decorre nos dias 14 e 15 de março, em Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias.
Desde que foi anunciada em 2020, a Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço de Portugal e Espanha tem sido protagonista dos acordos saídos das cimeiras bilaterais.
A estratégia abrange 1.551 freguesias, cerca de metade das freguesias portuguesas, e abarca uma área correspondente a 62% do território nacional.
Do lado espanhol, inclui 1.231 municípios, correspondentes a 17% da superfície de Espanha.
Portugal e Espanha partilham a maior fronteira terrestre da União Europeia, um território marcado, na sua maioria, pelo despovoamento.