Miranda do Douro: Aumento do preço dos alimentos está a mudar os hábitos de consumo do público

Desde o final de fevereiro, com o deflagrar da guerra na Ucrânia, o preço dos alimentos tem aumentado significativamente. Em Miranda do Douro, os administradores do “Intermarché” e do supermercado “Zona Norte – Aqui é Fresco” falaram-nos sobre o impacto da subida dos preços nos hábitos de consumo dos seus clientes.

Em Portugal, o aumento dos alimentos deve-se à grande dependência do país dos mercados externos, sobretudo por causa da importação de cereais, onde o país importa cerca de 80% dos cereais que consome.

Por outro lado, a escassez de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, sobretudo da energia como fator indispensável para a produção agroalimentar, estão a refletir-se no aumento generalizado dos preços dos bens alimentares.

Eduardo e Paula Santos, administradores do Intermarché de Miranda do Douro, informaram que o público tem manifestado preocupação pelo constante aumento generalizado dos preços dos alimentos.

“As pessoas têm contestado o aumento dos preços, o que faz com que não comprem em tanta quantidade e escolham sobretudo os bens essenciais como o pão, o leite, o arroz, a massa, farinha, o açúcar, o óleo, etc.”, indicaram.

Outra mudança nos hábitos dos clientes é a preferência pelos produtos da marca do distribuidor ou marca “branca”, dado que apresentam um preço mais económico.

«As pessoas estão mais ponderadas, não compram por impulso e focam-se sobretudo nos bens essenciais. A nossa marca ´”Por Si” está a vender muito bem, o que confirma que é uma das melhores marcas em termos de qualidade/preço”, disseram.

Por seu lado, no supermercado “Zona Norte – Aqui é Fresco”, em Miranda do Douro, Ângelo Delgado, enfatizou que o aumento do preço dos alimentos tem sido “estrondoso e gigante” e por isso, registou-se um aumento no consumo de bens essenciais e uma redução dos bens não essenciais.

“Verifico que nas compras as pessoas continuam a gastar o mesmo montante. No entanto, a grande diferença é que agora levam menos produtos com o mesmo dinheiro. Daí que haja uma maior procura dos bens essenciais, cujo preço é mais acessível como é o caso do pão, do arroz, da massa, etc.”, disse.

Segundo Ângelo Delgado, os clientes do supermercado “Zona Norte – Aqui é Fresco” estão também a dispensar os produtos processados como as refeições pré-cozinhadas (pizzas, lasanhas, hambúrgeres), as bolachas, os alimentos sem glúten, os refrigerantes, etc..

“Recentemente, verificámos outro aumento nos preços do arroz, da polpa de tomate, do peixe, dos produtos de cosmética e nos detergentes. Se antes as pessoas optavam pela qualidade, agora procuram os produtos mais baratos, como são os bens de marca branca”, indicou.

A época natalícia

Estamos a aproximarmo-nos da época do Natal, período caraterizado pelo grande fluxo comercial.

Relativamente às previsões de vendas para este Natal, Eduardo e Paula Santos, do Intermarché de Miranda do Douro, informaram que a época natalícia naquele espaço comercial vai decorrer de 10 de novembro até 24 de dezembro.

“A nossa previsão é a de que, tal como sucedeu no passado mês de agosto, em que a população de Miranda do Douro duplicou, também no período festivo de Natal, esperamos uma maior afluência de público e por conseguinte um aumento do volume de vendas”, responderam.

Já no supermercado “Zona Norte – Aqui é Fresco”, o responsável, Ângelo Delgado, também prevê que o público continue a realizar as habituais compras para a época festiva, mas antevê dificuldades no próximo ano.

“Conto que o Natal seja idêntico ao do ano passado, com as pessoas a aproveitarem o subsídio de Natal para fazerem as suas compras para esta época festiva. No entanto, receio que, em janeiro, com outro possível aumento dos preços dos bens alimentares, as pessoas tenham que enfrentar novas dificuldades económicas”, disse.

“Receio que, em janeiro, com outro possível aumento dos preços dos bens alimentares, as pessoas tenham que enfrentar novas dificuldades económicas”, disse.

Novo posto de combustível 24 horas

O Intermarché de Miranda do Douro abriu portas no passado dia 14 de julho. Segundo Eduardo e Paula Santos, este novo hipermercado abriu recentemente o posto de abastecimento de combustíveis, com um serviço permanente de 24 horas.

“O público ficou contente por ter mais um posto de combustível em Miranda do Douro, com preços competitivos e mais próximos daquilo que se pratica na vizinha Espanha. A partir de agora, já não compensa atravessar a fronteira para ir abastecer em Espanha”, disseram.

Os administradores do Intermarché de Miranda do Douro informaram também, que estão a instalar coberturas no parque de estacionamento, com painéis solares.

“O grupo Intermarché aconselha-nos a investir nas energias renováveis e por isso estamos a colocar painéis solares em cima das coberturas do parque de estacionamento. Este investimento vai permitir-nos poupar entre 60% a 70% dos gastos em energia. Na prática, se atualmente temos um gasto mensal de 3 mil euros em eletricidade, com a energia solar vamos reduzir a despesa para apenas 600 euros/mês”, indicaram.

Após 4 meses de trabalho em Miranda do Douro, Eduardo e Paula Santos, afirmaram que o mais gratificante tem sido o interesse e a crescente adesão da população ao novo hipermercado, que veem como uma mais-valia para a cidade.

Sobre os maiores desafios a enfrentar, os administradores do Intermarché indicaram que é importante agir contra o despovoamento do interior do país.

“A cidade e o concelho de Miranda do Douro são belíssimos e são o local ideal para viver. No entanto, apercebemo-nos que é importante estancar o êxodo demográfico e atrair novos habitantes para criar um maior dinamismo económico na cidade e no concelho de Miranda do Douro”, concluíram.

HA

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