Miranda do Douro: Peregrinações na raia continuam a criar laços de amizade entre portugueses e espanhóis

Cerca de oitenta peregrinos, portugueses e espanhóis, das paróquias de Miranda do Douro e de Zamora percorreram no sábado, dia 5 de novembro, os dez quilómetros de distância entre a ermida de Nossa Senhora da Luz, em Constantim e o Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa.

A peregrinação fez parte do ciclo de caminhadas transfronteiriças “Peregrinos por um dia”, que junta mensalmente, paroquianos portugueses e espanhóis e os leva a visitar vários santuários marianos, na raia luso-castelhana.

Desta vez, a caminhada levou os 64 peregrinos espanhóis e 20 portugueses, a percorrer a distância entre da ermida de Nossa Senhora da Luz, em Constantim, e o Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa.

A peregrinação iniciou-se às 8h00, do dia de sábado, com a oração da manhã, na capela de Nossa Senhora da Luz. Depois, os peregrinos iniciaram a caminhada, descendo para a aldeia de Constantim, onde seguiram pelo caminho pedestre em direção ao Santuário de Nossa Senhora do Naso.

Tal como vem sendo habitual, estas peregrinações proporcionam a atividade física, o contato com a natureza, a vivência da espiritualidade, a visita ao património religioso e histórico e momentos de convívio entre os participantes.

João Paulo Miranda participou pela segunda vez na atividade “Peregrinos por um dia” e sublinhou que “caminhar faz bem à saúde”. Sobre a convívio com os vizinhos espanhóis, o peregrino português disse que “é muito fácil comunicar com os espanhóis, pois são um povo muito extrovertido e sociável”.

Matias Esteban veio de Zamora e nestas peregrinações destaca a possibilidade de praticar exercício físico na natureza e conhecer melhor o povo português. Relativamente à espiritualidade, o peregrino espanhol, afirmou que é crente em Deus, mas reconheceu que não é um católico muito praticante.

“Costumo participar na vida da Igreja nos dias de festa, como é a Semana Santa. E aqui em Portugal, sou um assíduo visitante nas romarias de Nossa Senhora da Luz e Nossa Senhora da Ribeira”, disse.

Por sua vez, Marisa, revelou que a sua grande motivação para participar nas caminhadas organizadas pela Delegação para a Religiosidade Popular da Diocese de Zamora é a vontade de agir contra ao sedentarismo, o convívio e descobrir novos lugares.

“Desde 2010 que participo nestas caminhadas e gosto muito. Sobre a convivência com os portugueses acho a ideia formidável, pois é uma excelente oportunidade dos dois povos vizinhos se conhecerem melhor”, disse.

Ao seu lado caminhava a amiga, Aurora, que disse que começou a participar nas peregrinações pelo exercício físico.

“Comecei a participar porque precisava ganhar mais resistência física. E ao fazê-lo comecei a desfrutar destas caminhadas nas suas várias dimensões: a natureza, o convívio e também a espiritualidade, pois ao caminhar vais refletindo sobre a tua vida”, disse.

Nestas peregrinações mensais aos santuários marianos, o português, Fernando Mendes, destacou o espírito de grupo, o convívio e a união que existe entre todos os participantes, portugueses e espanhóis.

“Destaco também a excelente organização conjunta das paróquias de Zamora e de Miranda do Douro, que faz destas peregrinações jornadas inesquecíveis”.

Questionado sobre as razões para a realização desta atividade, o padre espanhol, Javier Fresno, respondeu que são as próprias pessoas a pedir que se organizem as peregrinações com os vizinhos portugueses.

“Ao praticar este exercício tão simples como é caminhar, as pessoas estão também a aprofundar a sua espiritualidade. Veja-se o interesse que as pessoas têm pelo Caminho de Santiago! Ou seja, o rezar caminhando é outra forma de oração. Destaco ainda o encontro e o convívio que se estabelece entre todos os peregrinos! E esta dimensão comunitária também ajuda à espiritualidade”, disse.

Sobre a melhor maneira de despertar o interesse dos jovens para estas peregrinações, Javier Fresno sublinhou que “os jovens são os melhores evangelizadores de outros jovens”.

“Neste momento, em Zamora, estamos a preparar os jovens para a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa. Nesta preparação vejo que aos jovens motiva-os o encontro com outros jovens. E é esse encontro que os anima a participar. A nossa tarefa é acompanhar os jovens e ajudá-los a descobrir que Deus é Quem sacia o nosso desejo mais profundo, como ensinava Santo Agostinho”, disse.

O jovem Henrique Alonso, de 26 anos, também participou na peregrinação entre a ermida de Nossa Senhora da Luz, em Constantim, e o Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa.

“Gostei muito de participar na peregrinação. Caminhei, contemplei a natureza neste bonito dia de sol, convivi e falei com muita gente. Foi muito interessante!”, disse.

Quando lhe perguntámos sobre a melhor estratégia para motivar outros jovens a participar nestas peregrinações, o jovem seminarista de diocese de Zamora, concordou que os jovens são os melhores “influencers” dos outros jovens.

“Em primeiro lugar, têm que ser os jovens a animá-los para que participem nas atividades. Depois, se gostarem da experiência, serão eles próprios a quererem participar noutras atividades”, disse.

Relativamente à dificuldade em juntar jovens e adultos numa mesma atividade, Henrique Alonso, disse que o desafio é criar uma relação de confiança entre as diferentes gerações, para que os mais novos vejam nos mais crescidos exemplos a seguir, imitar e aprender.

Sobre a sua segunda participação nestas peregrinações na raia portuguesa e espanhola, Henrique Alonso, disse que é enriquecedor conhecer outros lugares e outras pessoas.

“Na zona da raia é muito importante cuidar da relação entre os dois povos vizinhos, português e espanhol. Aqui continuam a estabelecer-se contínuas relações comerciais, de vizinhança e é muito comum participar nas festividades, nos dois lados da fronteira”, concluiu.

A próxima caminhada “Peregrinos por um dia” está agendada para o dia 3 de dezembro, entre a ermida de Nossa Senhora da Luz, em Constantim e a Iglesia da Virgem de la Salud, em Alcañices.

HA

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