Malhadas: Lobo mata seis ovelhas e quatro cordeiros
Na madrugada de 21 de junho, um ataque de lobo, em Malhadas, no concelho de Miranda do Douro, matou quatro cordeiros, seis ovelhas e feriu outros quatro animais, uma realidade que está a causar prejuízos económicos aos criadores e está a condicionar cada vez mais a vida dos pastores, exigindo uma permanente vigilância aos seus rebanhos.

Na aldeia de Malhadas, Pedro Alves é criador de um rebanho de 300 ovelhas da raça churra galega mirandesa. O jovem agricultor informou que o ataque de lobo à sua exploração pecuária ocorreu na madrugada do passado Domingo, dia 21 de junho.
“Às 5h30 da manhã de Domingo fui tirar 14 ovelhas paridas do estábulo, para o pastoreio numa cerca de quatro hectares. Mas às 9h30 quando regressei deparei-me com 6 ovelhas e quatro cordeiros mortos e outras quatro ovelhas feridas”, indicou.
Segundo o criador de Malhadas, a propriedade está vedada com uma rede de dois metros de altura e arame farpado na parte superior, mas o lobo terá entrado pela parte inferior, após ter escavado o solo.
“A rede da vedação está enterrada no solo, mas o lobo mesmo assim conseguiu entrar. Após o ataque e para voltar a sair da cerca o lobo acabou por trepar a rede pois aí havia vestígios do pêlo do animal”, indicou.
Perante o ataque de lobo, Pedro Alves, ligou de imediato para o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), o que obrigou a vinda à exploração pecuária, de dois funcionários para registar a ocorrência.
Outro procedimento necessário para ser indemizado pela perda dos animais é a comunicação do prejuízo na plataforma digital do Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas (IFAP).
“Com a ajuda da Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) registámos de imediato a perda das seis ovelhas e dos quatro cordeiros para ser indemnizado pelo Ministério da Agricultura. De acordo com informações recolhidas junto de outros pastores que já foram indemnizados por ataques de lobos, o preço por animal morto é de 188 euros. E a indemnização demora cerca de quatro meses a ser paga”, disse.
Os sucessivos ataques de lobos a rebanhos no planalto mirandês está a alterar o modo de vida dos pastores, obrigando-os a uma permanente vigilância.
“A pecuária em si já é uma atividade que exige uma grande dedicação e agora com o perigo dos ataques de lobos a vida de pastor torna-se ainda mais condicionada e exige uma permanente vigilância”, lamentou.
Segundo o ICNF, O lobo-ibérico possui em Portugal o estatuto de em “perigo”, que lhe confere o Estatuto de Espécie Protegida. “A nível da União Europeia (UE), é considerado uma espécie prioritária de interesse comunitário pela Diretiva Habitats”, vincou este organismo público.

PREJUÍZOS ATRIBUÍDOS AO LOBO
Os prejuízos sobre efetivos pecuários atribuídos ao lobo são indemnizados pelo Estado Português desde a entrada em vigor da Lei n.º 90/88, de 13 de agosto - Lei de Proteção ao Lobo-ibérico.
Nesta revisão das normas aplicáveis alterou-se a abordagem que se faz ao direito à indemnização. Este modelo pretende potenciar a corresponsabilização dos proprietários de gado pela proteção do mesmo, sem pôr em causa a obrigação do Estado, de indemnizar, como compensação do risco que aqueles proprietários correm pela atividade que exercem, em áreas de presença de lobo. Institui-se um mecanismo de pagamento de indemnização que supõe o pagamento de um número limitado de prejuízos em cada ano civil, bem como uma redução do valor a pagar relativamente ao dano efetivo, à medida que aumenta o número de ocorrências.
É fixada a lista de animais passíveis de indemnização e clarificados os conceitos relativos aos requisitos de proteção a observar para que possa ser reconhecido o direito à indemnização, a título de exemplo a tipologia do cão de proteção de gado.
Outra alteração significativa prende-se com a transferência do pagamento das indemnizações do ICNF, para o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, de forma a aumentar a eficácia administrativa, proporcionado ainda uma maior acessibilidade no acompanhamento do processo por parte dos interessados.
Espera-se com este conjunto de medidas potenciar a coexistência da atividade pecuária com a presença de lobo.
De forma a melhor esclarecer sobre a implementação destas medidas, é disponibilizado um folheto informativo destinado aos criadores de gado em área de lobo.
Fonte: ICNF
Sendo reconhecida a importância do lobo-ibérico no equilíbrio natural dos ecossistemas, na valorização e diferenciação do território, para além da aposta num melhor conhecimento da espécie junto da população, Portugal tem estado comprometido em conciliar a sua conservação com a presença e as atividades humanas.
Existem diversas medidas de proteção da espécie, entre as quais se destacam as indemnizações por danos causados pelo lobo-ibérico, e ainda vários projetos que apoiam os criadores de gado e incentivam medidas de proteção, como o uso de cães de gado de raças autóctones (projeto desenvolvido pelo ICNF, desde os anos de 1990, e pelo Grupo Lobo e Rewilding Portugal mais recentemente).
Em julho de 2025, foi apresentado o Programa Alcateia 2025-2035, de proteção do lobo-ibérico, que tem para este ano um orçamento de 3,3 milhões de euros e contempla a revisão das indemnizações por ataques de lobos a gado, aproximando-as dos valores de mercado.






HA | Fotos: PA