IPB: Produto biológico com eficácia de 95% na cura do cancro do castanheiro

Na última década, mais de 200 mil castanheiros do nordeste transmontano, foram curados do cancro, graças a um tratamento biológico, criado pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), projeto que foi prolongado por mais cinco anos.

O IPB e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram a 14 de maio, o protocolo que prolonga por mais cinco anos, o projeto de combate ao cancro do castanheiro, que envolve mais de três mil produtores, segundo a investigadora responsável pelo programa, Eugénia Gouveia.

O cancro do castanheiro é uma das principais doenças fitossanitárias que afeta os soutos nos concelhos de Bragança e Vinhais, onde há a maior produção de castanha do país.

O IPB desenvolveu um tratamento biológico que tem vindo a ser aplicado desde 2015 e que trata o cancro provocado pela estirpe Cryphonectria parasítica, comum na região.

De acordo com a investigadora do IPB, “10% de castanheiros” têm a doença, mas o tratamento biológico tem uma “eficácia em termos globais que rondará os 95%” e, por isso, já foram tratados “mais de 200 mil castanheiros”.

“Este é um produto biológico que atua no fungo, que é patogénico, e dessa forma o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e para o crescimento, e promove o desenvolvimento de tecidos novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico, e não interfere nem com a saúde humana, nem com o ambiente”, explicou Eugénia Gouveia.

Uma das vantagens do tratamento, em relação aos pesticidas, é que uma aplicação é suficiente para a cura da árvore.

“Todo esse trabalho que está a ser feito pelo IPB, além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir, de facto, tudo o que é necessário para se vir, um dia, a homologar o produto. Até lá, obviamente, o que nos interessa a todos, quer à DGAV quer ao IPB, é apoiar os agricultores no controlo deste flagelo que afeta os nossos castanheiros”, salientou Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da DGAV.

O tratamento é aplicado apenas nos soutos dos agricultores que fazem parte deste programa.

O produto ainda não está à venda no mercado, sendo que, para isso, precisa de homologação. O presidente do IPB revelou hoje que espera consegui-la nos próximos anos.

“Há perspetiva que, tratando-se de um produto biológico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade”, disse Orlando Rodrigues, presidente da instituição, acrescentando que espera que antes dos cinco anos do programa o produto já esteja homologado para entrar no mercado.

Em Portugal, cerca de 85% da produção de castanha é proveniente de Trás-os-Montes. Nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto, por ano.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr e HA

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