Agricultura: Mirtilos dão origem a corantes e ‘snacks’

Na impossibilidade de serem vendidos em fresco, os mirtilos vão criar corantes e ‘snacks’ alimentares, novas utilidades que estão a ser desenvolvidas pelo MORE CoLAB – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, em Bragança.

O desafio partiu da empresa Green Factor, de Braga, que recolhe e vende mirtilos e pretende aproveitar uma grande percentagem do fruto que está a ser desperdiçado, porque já não corresponde aos padrões para ser vendido a fresco.

“Permite considerar os mirtilos de refugo não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos. O objetivo é conferir valor acrescentado a um recurso encaminhado para alimentação animal, contribuindo, assim, para a sustentabilidade da cadeia de valor do mirtilo”, disse Tadeu Alves, administrador da Green Factor, num comunicado enviado à Lusa.

Este trabalho de reaproveitamento do mirtilo está a ser desenvolvido pelo MORE CoLAB, em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e resulta na criação de dois produtos.

Face ao poder antioxidante do mirtilo, será extraída a cor azul, que pode ser usado na pastelaria como corante natural, para “dar cor a diferentes massas, receios ou coberturas”. “Tem desafios concretos. Esta cor azul do mirtilo tem de ser estabilizada antes de poder ser usada em processos industriais, porque senão vamos perder a cor durante os processos”, explicou o investigador Alexandre Gonçalves.

Outro dos produtos consiste na criação de uma farinha de mirtilo, que pode ser usada para ‘snacks’, como barras energéticas.

“O que nós vamos fazer é um pó de mirtilo, como se fosse uma farinha, ou seja, temos de desidratar o mirtilo, fazer esta farinha e esse pó passá-lo por processo de extrusão para podermos fazer estes diferentes produtos alimentares”, esclareceu Alexandre Gonçalves.

Nos primeiros dois anos do projeto o laboratório criará os protótipos alimentares e fará testes com potenciais consumidores e, no terceiro ano, dedicar-se-á à produção em escala, para poder ser vendido no meio industrial.

“Começamos por fazer a caracterização de todo este mirtilo de refugo. Não é só uma questão de calibres diferentes, também temos mirtilos que não estão no ponto de maturação desejado, portanto, o teor de açúcar é bastante diferente, o nível de coloração é diferente. Ainda estamos a fazer a caracterização, e esperamos no mês de junho e julho começar a fazer os primeiros protótipos alimentares”, revelou o investigador do MORE CoLAB.

Os dois produtos vão ser comercializados pela Green Factor, mas, de acordo com Alexandre Gonçalves, “a ideia é que este conhecimento possa ser explorado pelo setor como um todo”.

“Sabemos que existem outras regiões do país muito fortes nestes pequenos frutos, que poderão depois, no futuro, tentar explorar estas estratégias de valorização dos subprodutos para a produção de ingredientes alimentares ou mesmo ‘snacks’ alimentares com valor mais acrescentado”, frisou.

O projeto InovBlueValue é cofinanciado pelo Norte 2030 e a sua conclusão está prevista para dezembro de 2028.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

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