O que é essencial?

XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

O que é essencial?

Deut 6, 2-6 / Slm 17 (18), 2-4.47.50-51ab / Hebr 7, 23-28 / Mc 12, 28b-34

Moisés exorta o povo de Israel a temer «o Senhor, teu Deus». Não se trata de inculcar medo, porque sendo Deus amor, só há que cultivar sentimentos positivos. Mas, em sentido bíblico, «temer a Deus» significa fazer a sua vontade, observar o que Deus quer, que é sempre o melhor para nós.

Ainda hoje, todo o crente judeu reza três vezes por dia a oração que vem nesta passagem do livro do Deuteronómio, e que começa com uma profissão de fé na unicidade de Deus: «Escuta Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças». Uma oração recomendável a todos nós, que seguimos Jesus Cristo, que incontáveis vezes rezou esta oração, como fiel judeu.

O autor da Carta aos Hebreus dirige-se aos cristãos convertidos do Judaísmo, afirmando que o sacerdócio de Cristo é infinitamente superior ao dos sacerdotes da antiga lei, pecadores como todos os homens e necessitando de repetir holocaustos e sacrifícios. O culto que Cristo estabeleceu é do «sumo sacerdote perfeito para sempre». Vivo na gratidão pelo sacerdócio de Cristo que os sacramentos da sua Igreja especialmente nos transmitem?

Jesus resume toda a lei no amor de Deus e no amor ao próximo. São dois amores que se reclamam mutuamente, porque as pessoas são um lugar teológico, presença de Deus. No tempo de Jesus, os mestres tinham resumido toda a lei em 613 preceitos ou mandamentos. Era uma floresta complicada de deveres (248, segundo a ciência de então, era o número dos membros do corpo humano) e de proibições (365, tantas quantos os dias do ano). Cristo é simplificador das complicações dos legalismos humanos. Propõe-nos o amor, a Deus e ao próximo, como a síntese fundamental de todos os nossos deveres. Vivo a crescer na simplificação do amor, como Deus quer e o próximo necessita?

Cristo é simplificador das complicações dos legalismos humanos. Propõe-nos o amor, a Deus e ao próximo, como a síntese fundamental de todos os nossos deveres. Vivo a crescer na simplificação do amor, como Deus quer e o próximo necessita?

(Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração)

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Que eu veja!

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM – DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

Que eu veja!

Jer 31, 7-9 / Slm 125 (126), 1-6 / Hebr 5, 1-6 / Mc 10, 46-52

A presente leitura do profeta Jeremias situa-se no chamado «Livro da consolação». São palavras que levantam o ânimo do povo de Israel, humilhado no exílio de Babilónia. Todos sabemos que as nossas palavras têm o maravilhoso poder de levantar quem caiu, de curar feridas e de ressuscitar a alegria e a esperança. O que digo em palavras e comunico com gestos faz parte do «livro da consolação»? Sou profeta da esperança e da alegria?

O autor da Carta aos Hebreus, bem instruído nas escrituras sagradas, faz notar aos cristãos de origem judaica que não devem ficar presos a saudades do esplendor litúrgico do templo de Jerusalém. É que o sacerdócio de Cristo é a plenitude da revelação de Deus, incomparavelmente superior ao sacerdócio do Antigo Testamento. Recorda que, segundo o estilo de Jesus, todo o sacerdote deve ser «compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza».

Os três evangelistas sinóticos – Marcos, Mateus e Lucas – apresentam esta cena do cego de Jericó, Bartimeu, que pede esmola à beira do caminho, pois por ali passavam os peregrinos a caminho de Jerusalém. O seu desejo de ver era a esmola milionária da sua vida, que esperava poder receber do Messias. Assim gritava, repetidamente, sem se preocupar com o que era socialmente correto: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». E Jesus recompensou a sua grande fé, concedendo-lhe o dom da vista. Que cura preciso receber de Jesus, para ser melhor pessoa, cristão, familiar, trabalhador, amigo?

E Jesus recompensou a sua grande fé, concedendo-lhe o dom da vista. Que cura preciso receber de Jesus, para ser melhor pessoa, cristão, familiar, trabalhador, amigo?

Na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões do presente ano, o Papa Francisco assim afirma: «No Dia Mundial das Missões, que se celebra anualmente no penúltimo domingo de outubro, recordamos com gratidão todas as pessoas cujo testemunho de vida nos ajuda a renovar o nosso compromisso batismal de ser apóstolos generosos e jubilosos do Evangelho». A cada um de nós compete ser testemunha, pelo exemplo e pela palavra, da mensagem, alegre e feliz, do Evangelho de Jesus.

(Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração)

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Nós

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM | DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO

Nós

Num 11, 25-29 / Slm 18 (19), 8.10.12-14 / Tg 5, 1-6 / Mc 9, 38-43.45.47-48

Tanto no livro dos Números como no Evangelho, aparece a pretensão de alguns quererem que outros não sejam considerados, não tenham qualidades especiais, porque isso os incomoda, fazendo-lhes sombra. Trata-se do ciúme e da inveja, que são vícios que podem corromper o nosso coração. O bem a fazer não tem patrões nem donos. Todos somos chamados a estimar as qualidades e virtudes que existem nos nossos próximos, que nos completam, e assim todos ficamos mais enriquecidos. Cultivo na minha família, comunidade e grupo de trabalho ou convívio, a estima recíproca, a mútua consideração, o apreço pelo que há de bom nas outras pessoas, naquilo que são e no que fazem?

Na carta, de São Tiago, encontramos um veemente apelo aos ricos que, em vez de acumularem histórias de solidariedade e ajuda, multiplicam casos de injustiça e corrupção que bradam aos céus. É uma página de gritante doutrina social, de há vinte séculos, mas cheia de atualidade. São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?

São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?

Cristo arrisca fazer esta promessa: «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa». Dar um copo de água é um gesto muito simples e comum. Mas o Senhor garante que o recompensará. Vai na linha da solene afirmação do juízo final: «o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes». Cristo identifica-se connosco. Somos muito mais do que nós mesmos. Somos Cristo em nós.

O Senhor Jesus exorta-nos, com imagens de estrutural radicalidade, a dar bom exemplo e a evitar tudo o que possa ser motivo de escândalo. É que ser ocasião de escândalo é algo tão grave como cortar um pé ou uma mão a alguém. Temos a obrigação de edificar, de sermos positivamente construtivos, renunciando a dar rédea solta ao egoísmo com que usamos o que somos e podemos: a nossa inteligência e vontade, a nossa força física e desejos de domínio. É preciso arrancar dos nossos olhos a soberba e o desprezo. Importa cortar dos nossos pés tudo o que nos leva por maus caminhos e ensinar as nossas mãos a amar e a servir.

O mundo dos migrantes e refugiados é um mundo imenso, que necessita de uma imensa solidariedade. Este é o tema que o Papa Francisco nos propõe para o Dia Mundial deste ano: «Rumo a um “nós” cada vez maior», mais inclusivo, sem fronteiras, ao jeito do Bom Samaritano, que aceita fazer tudo o que pode por quem sofre.

in Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

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Escutar

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM 

Escutar

Is 35, 4-7a / Slm 145 (146), 7-10 / Tg 2, 1-5 / Mc 7, 31-37

O profeta Isaías dirige-se ao povo de Israel exilado na Babilónia. Falando em nome de Deus, inspira coragem e confiança, porque o Senhor fará justiça e salvará o seu povo. Exorta a abrir os olhos e a ultrapassar a surdez, para escutar a voz de Deus. É significativo que, no Antigo Testamento, o verbo escutar apareça 1.159 vezes. O Senhor sempre nos ouve e nós, muitas vezes, fechamos os ouvidos ao que Ele nos diz. Assim acontecia no tempo do profeta Isaías e hoje também. Não será ocasião de fazer uma revisão à saúde dos meus ouvidos interiores, para estar mais atento ao que Deus quer e ao que os outros precisam de mim?

São Tiago aborda uma questão de injustiça na própria realização das celebrações litúrgicas, em que uns são privilegiados à custa de desprezar outros, quando todos se deveriam tratar como irmãos. A fraternidade humana, sem discriminações nem classes, com todos a serem igualmente filhos de Deus Pai, é uma dimensão fundamental da boa nova de Jesus. Ser cristão é uma experiência de fraternidade, a partir de múltiplas diversidades: cultura, idade, sexo, capacidades. Acredito que só na vivência prática da fraternidade é que sou realmente cristão?

É significativo que, no Antigo Testamento, o verbo escutar apareça 1.159 vezes. O Senhor sempre nos ouve e nós, muitas vezes, fechamos os ouvidos ao que Ele nos diz.

Cristo veio como salvador. Trata-se de uma missão espiritual de libertação do pecado. Mas, na realidade prática da vida, Jesus aparece-nos a curar doentes, aproximando-se mesmo dos atingidos pela lepra, considerada como maldição e altamente contagiosa. A salvação de Cristo implica toda a pessoa humana, portanto também a sua saúde física e psíquica. Cristo hoje continua a querer o bem de todo o homem e do homem todo. É com este Cristo, interessado e solícito pelo meu bem total, que me relaciono na vida de oração e, especialmente, na comunhão eucarística?

(Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração)

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Caminhar com…

XIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Caminhar com…

Sab 1, 13-15; 2, 23-24 / Slm 29 (30), 2.4.5-6.11.12a.13b / 2 Cor 8, 7.9.13-15 / Mc 5, 21-43

O livro da Sabedoria abre-nos uma janela de esperança sobre a vida para além da morte, que não tem a última palavra sobre nós. A morte é apresentada como uma invenção do demónio. Deus é o autor da vida e não se alegra com a perdição de alguém. Mas a verdadeira morte é o pecado que contradiz o amor. Deus, porque é amor infinito, é o Senhor da vida que não conhece ocaso.

O apóstolo Paulo faz uma exortação à generosidade dos cristãos de Corinto, pois havia outras comunidades cristãs que passavam por graves dificuldades. Como fonte de inspiração dá o exemplo de Cristo: «Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza». Para ser generoso não é preciso ser rico. É preciso sim ter um coração cheio de amor, assumindo como próprias as necessidades dos outros.

O Evangelho apresenta-nos dois milagres de Jesus em que a doença e a morte são vencidas. Todas as doenças têm a marca da morte, com a diminuição da vida. Mas a perda de sangue durante 12 anos era sinal do abismo da morte que se aproximava. E uma jovem de 12 anos que diz adeus à vida é um drama para qualquer família.

Cristo nunca se apresenta como um herói reinando acima do sofrimento humano. Deixa-se tocar por quem sofre, sintoniza com a nossa dor, chora perante as nossas desgraças, pois fazemos parte da sua vida, somos seus. Os milagres que o Evangelho nos apresenta não aparecem como um espetáculo do poder sobre-humano de Jesus, mas como uma resposta de Deus à fé dos que a Ele recorrem com confiança: «Minha filha, a tua fé te salvou», «Não temas; basta que tenhas fé». Não é verdade que nós, felizmente crentes, precisamos de crescer na fé em Deus, nosso máximo benfeitor?

“Cristo deixa-se tocar por quem sofre, sintoniza com a nossa dor, chora perante as nossas desgraças, pois fazemos parte da sua vida, somos seus.”

Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

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Semear

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Semear

Ez 17, 22-24 / Slm 91 (92), 2-3.13-16 / 2 Cor 5, 6-10 / Mc 4, 26-34

O profeta Ezequiel, deportado com o seu povo no exílio da Babilónia, levanta a voz em nome de Deus para animar a todos. O rei Joaquim, último rebento da dinastia de David, tinha sido feito prisioneiro e deportado. Mas, como recordou o Papa Francisco, na sua histórica visita ao Iraque, «a violência e a morte nunca têm a última palavra», porque esta é do Deus da Vida.

Deus, pelo profeta, usa uma bela imagem: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto». É o começo de um ciclo de vida nova, livre e abundante, que alcançará a máxima plenitude em Jesus. É um convite a confiar em Deus, sobretudo quando as certezas e seguranças humanas parecem desmoronar-se. Deus é sempre a nossa rocha firme, seguro inabalável.

São Paulo, com realismo, partindo da sua dura experiência de sofrimento, mostra o seu desejo de ir juntar-se com o Senhor, no reino dos Céus. Por outro lado, sente o dever de não fugir às dificuldades do tempo presente, que encara «cheio de confiança», empenhado em ser agradável a Deus. Um modelo para nós: desejando encontrar o Senhor na plenitude da glória, queremos viver, com generosa intensidade, os compromissos da vida real.

A nossa missão de viver a praticar o bem e de fazer crescer o reino de Deus é um trabalho de paciência, de perseverança e constância. Não podemos esperar colheitas a partir do que não semeámos. Feita a sementeira, há que esperar, com resiliência, o tempo próprio da colheita. Perante as dificuldades do terreno e das condições atmosféricas, importa acreditar na força da semente do reino de Deus. Perante as dificuldades de viver e comunicar a nossa fé no mundo atual, temos de acreditar que a Igreja não é nossa, mas de Jesus Cristo, e que a força da evangelização não assenta nas nossas qualidades e estratégias pastorais, mas na luz e força do Espírito Santo.

“Perante as dificuldades de viver e comunicar a nossa fé no mundo atual, temos de acreditar que a Igreja não é nossa, mas de Jesus Cristo, e que a força da evangelização não assenta nas nossas qualidades e estratégias pastorais, mas na luz e força do Espírito Santo.”

Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

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Reportagem: Ora et labora

Reportagem: Ora et labora

As Irmãs da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), conhecidas como monjas trapistas, chegaram a Portugal em outubro de 2020 para fundar o Mosteiro de Santa Maria, Mãe da Igreja, em Palaçoulo, um local que já é uma referência de oração e de trabalho, com a identidade do Evangelho. (por Hugo Anes)

A comunidade das Irmãs Trapistas, em Palaçoulo. (HA)

A Irmã Giusy Maffini é a superiora do novo mosteiro trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja, em Palaçoulo. Ela foi uma das primeiras irmãs a chegar a Portugal e contou que esta aventura começou com um desejo que havia na ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO): o de voltar a ter uma presença em Portugal.

Este desejo começou a tornar-se realidade em 2017, aquando do centenário das Aparições de Nossa Senhora, em Fátima. Nesse ano, a comunidade de monjas trapistas, ligada ao Mosteiro de Vitorchiano, em Itália, encontrou-se com o Bispo de Bragança-Miranda, Dom José Cordeiro, que se disponibilizou para acolher o mosteiro trapista, na diocese transmontana. Este acolhimento foi para as irmãs um “sinal de Deus”.

No ano seguinte, em 2018, o Mosteiro de Santa Maria, Mãe da Igreja, começou a ser construído no lugar do Alacão, na freguesia de Palaçoulo (Miranda do Douro). Os terrenos foram doados pela paróquia de S. Miguel de Palaçoulo, em colaboração com 25 paroquianos e a junta de freguesia local.

Para a superiora da comunidade das irmãs trapistas, a irmã Giusy, esta localização é a ideal para a forma de vida das religiosas. “A ordem cisterciense sempre procurou lugares desertos e isolados, onde pudessem dedicar-se com maior disponibilidade à oração e ao trabalho”, disse.

A hospedaria do mosteiro já está construída e começou a receber os primeiros hóspedes: estudantes, pessoas que querem fazer retiros e até mesmo famílias, todos podem hospedar-se no novo espaço. Aí, os hóspedes podem partilhar com as irmãs trapistas um tempo da sua vida, em retiro, individualmente ou em grupo, ao acompanhar as religiosas nos momentos de oração, na capela.

Pela estadia na hospedagem não existe um preço estabelecido. “As pessoas oferecem o que quiserem. Há pessoas que oferecem muito mais do que aquilo que precisamos. E outras oferecem menos. Nós seguimos a regra de São Bento, que nos ensina a acolher os hóspedes como se fosse o próprio Cristo”, revelou a superiora da comunidade trapista.

“Seguimos a regra de São Bento, que nos ensina a acolher os hóspedes como se fosse o próprio Cristo” – Irmã Giusy Maffini

Se a hospedaria já está funcionamento, o mosteiro vai começar a ser construído no final do verão e vai decorrer ao longo dos próximos anos. Esta construção vai ser financiada pela ordem religiosa cisterciense e espera pelo apoio outras congregações religiosas, de donativos e da venda de alguns produtos.

“Ainda não temos todo o dinheiro necessário para a construção do mosteiro. A nossa ordem disponibilizou-se para ajudar e também agradecemos a generosidade das pessoas. Confiamos que aquilo que Deus inicia, também vai concluir”, disse a irmã Giusy.

A par da vida de oração, as monjas trapistas procuram ganhar a vida com o seu trabalho. Para além dos produtos de confeitaria, como são as compotas, bolachas e doces, também fabricam peças de artesanato, como os terços, livros e outros artigos religiosos.

O dia-a-dia das irmãs começa muito cedo. Às 3h30 da manhã rezam a oração das vigílias, é a primeira oração do dia, durante a qual relembram o amor de Deus pelo povo de Israel e pela humanidade. “O nosso primeiro trabalho é procurar a Deus e tentar viver o Evangelho entre nós. Esta é a nossa principal missão, que consiste em viver numa autêntica comunhão entre nós para assim converter o nosso coração”, explicou a irmã Giusy.

De segunda a sexta-feira, a eucaristia é celebrada às 8h00 da manhã, pelo pároco da aldeia, o padre António Pires. Aos sábados, cabe ao Bispo da diocese, Dom José Cordeiro ou ao vigário geral, Monsenhor Adelino Paes presidir à celebração eucarística, às 12h00. Ao Domingo, a Eucaristia Dominical celebra-se às 8h30.

O mosteiro é um lugar de contemplação, de silêncio e de paz e quem se aproxima deste local recebe a vida que cativou estas mulheres corajosas. – Dom José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

A Irmã Giusy, superiora da comunidade trapista revelou que as irmãs estão a gostar de viver em Palaçoulo. “Sim, vale sempre a pena servir a vida, em qualquer lugar do mundo. O que mais gosto nesta região de Palaçoulo é o sossego. A natureza é lindíssima. E a alma repousa neste ambiente.”

Num mosteiro de vida monástica, a comunidade das irmãs trapistas vive para a oração, o trabalho e o acolhimento. Se para muitos este estilo de vida causa estranheza, para as religiosas é uma vida cheia de sentido e de beleza. “É verdade que é uma vida de ascese, mas é também uma vida linda”, revelou a irmã Giusy.

De acordo com o monsenhor Adelino Paes, vigário-geral da diocese de Bragança-Miranda, o mosteiro e a presença das irmãs trapistas, em Palaçoulo, já é uma referência. “Aqui reza-se. Aqui as pessoas encontram-se com Deus, descansam e sentem-se bem. As irmãs, com a sua oração, trabalho e ação contínua são como um para-raios para benefício deste concelho e de toda a diocese.”

“É verdade que é uma vida de ascese, mas é também uma vida linda” – Irmã Giusy Maffini


Celebração da eucaristia, na capela da hospedaria do Mosteiro de Santa Maria, Mãe da Igreja, em Palaçoulo.

A vontade de Deus é a nossa felicidade

X DOMINGO DO TEMPO COMUM

A vontade de Deus é a nossa felicidade

Gen 3, 9-15 / Slm 129 (130), 1-8 / 2 Cor 4, 13 – 5, 1 / Mc 3, 20-35

Na carta encíclica Laudato sí’, o Papa Francisco afirma que a «ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, refletir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais, contemplar o Criador, que vive entre nós e naquilo que nos rodeia». O relato bíblico do livro do Génesis apresenta-nos a vergonha que experimentam Adão e Eva por terem desobedecido a Deus, quebrando a harmonia da criação e ficando mal consigo mesmos, sentindo-se nus. Não é verdade que tudo o que é egoísmo, pecado, desamor, para além de ofender Deus e o próximo, também nos prejudica a nós mesmos, fazendo-nos sentir como estrangeiros no país da nossa própria identidade?

São Paulo exorta-nos a viver o tempo que passa com a dimensão de eternidade, do que fica para sempre. Assim, perante as provações e dificuldades que experimenta, confessa com grande transparência e otimismo: «Não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória». Por vezes, sonhamos com o céu na terra, com um mundo feito de facilidades, sem contratempos nem sofrimentos. Quando acordamos destes sonhos, confrontamo-nos com a dureza da vida. Felizmente a nossa fé abre-nos os olhos para o mundo da graça salvadora de Cristo, tão misteriosa quanto real e eficaz.

“Por vezes, sonhamos com o céu na terra, com um mundo feito de facilidades, sem contratempos nem sofrimentos. Quando acordamos destes sonhos, confrontamo-nos com a dureza da vida. Felizmente a nossa fé abre-nos os olhos para o mundo da graça salvadora de Cristo, tão misteriosa quanto real e eficaz.”

No Evangelho encontramos Jesus no meio de um turbilhão de polémicas. Seus parentes puseram-se a caminho para o deter, pois acham que «está fora de si». Conheceram em Nazaré um jovem e um homem exemplar na normalidade da vida quotidiana e agora chegam-lhes notícias de rarezas de alguém que se faz Deus. Pensam ter o dever de o chamar à razão da sensatez. Os conceituados escribas vêm oficialmente de Jerusalém para lhe pedir contas do que faz, ao libertar os que estão sob o domínio de Satanás, e desferem-lhe uma acusação grave: «Está possesso de Belzebu, e é pelo chefe dos demónios que ele expulsa os demónios». Isto aconteceu a Jesus, perfeito Deus e perfeito homem. Não é verdade que devemos aprender a ser compreensivos com as incompreensões, a aceitar com paz que nem sempre sejamos bem interpretados quanto ao que dizemos ou fazemos?

Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

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Fátima: «Que todo este sofrimento nos torne melhores» – D. José Tolentino Mendonça

Fátima: «Que todo este sofrimento nos torne melhores» – D. José Tolentino Mendonça

O cardeal português D. José Tolentino Mendonça disse em Fátima que a pandemia do último ano, marcada pelo luto e a morte, deve tornar as pessoas “melhores”, para evitar que o sofrimento seja “em vão”.

Queremos confiar-te, Mãe de Jesus e nossa Mãe, o caminho histórico e interior que estamos a percorrer e pedir-te que esta dor sirva para alguma coisa, que todo este sofrimento nos torne melhores: mais espirituais, mais humanos e mais fraternos”, referiu o presidente das celebrações do 13 de maio, na celebração vespertina da peregrinação internacional.

O recinto de oração, na Cova da Iria, contou com a presença de 7500 peregrinos, que esgotaram a lotação prevista para o espaço pelas autoridades de saúde e os responsáveis do santuário. D. José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé, sublinhou que os últimos meses “foram difíceis, mas não foram vãos”.

“A turbulência da pandemia também nos desinstalou e nos ajudou a identificar o essencial com mais clareza”, apontou, destacando as perguntas que nasceram no coração humano e se “podem tornar um trampolim de futuro”.

De maio passado a este vivemos um ano difícil. Experimentamos uma vulnerabilidade que desconhecíamos. A pandemia em curso ceifou vidas e alastrou lutos”.

O cardeal e poeta madeirense alertou para o aumento das “solidões” e as várias crises provocadas pela Covid-19, da saúde à educação, passando pela economia e a diminuição de presenças nas comunidades cristãs.

“Queremos hoje pedir, Senhora de Fátima, que ilumines a dor de todos, sem fronteiras nem distinções, que ilumines a dor de próximos e distantes, de crentes e não-crentes, como se fosse uma só”, rezou.

D. José Tolentino Mendonça apontou ao desafio de “consolar, de cuidar e de reconstruir” a humanidade, no pós-pandemia, com um olhar de esperança.

“Precisamos da esperança para transformar os obstáculos em caminhos e os caminhos em novas oportunidades. Precisamos da esperança para nos unirmos mais, para construirmos sociedades eticamente qualificadas, sociedades que concretizem a justiça social e a fraternidade entre todos os homens”, indicou.

“Se cada um de nós tem uma história de sofrimento para contar, tem também histórias de amor, de reencontro, de interajuda e solidariedade e essas histórias constituem um património que não podemos esquecer”.

O membro da Cúria Romana quis saudar o testemunho de “quantos colocaram o bem dos outros acima do seu próprio bem” e as  histórias de amor” desta pandemia.

Durante a oração do Rosário, na Capelinha das Aparições, uma das dezenas foi recitada em Língua Gestual Portuguesa; os 7500 peregrinos participaram depois na tradicional Procissão das Velas.

A peregrinação tem como tema ‘Louvai o Senhor, que levanta os Fracos’.

Esta quinta-feira, o Rosário será recitado às 09h00, seguindo-se a Missa Internacional às 10h00.

Ainda a 13 de maio, pelas 17h00, o Santuário de Fátima associa-se à maratona de oração pelo fim da pandemia, promovida pelo Papa, rezando, como intenção particular, por todos os presos.

Ecclesia | OC

Igreja: Miranda do Douro vai celebrar o Dia Diocesano da Juventude

Igreja: Miranda do Douro vai celebrar o Dia Diocesano da Juventude

Nos dias 23 e 24 de abril, a cidade de Miranda do Douro vai acolher uma assembleia de jovens da diocese de Bragança-Miranda, que vão dinamizar o Dia da Juventude, com o tema “Levanta-te já!”».

O encontro anual dos jovens com o bispo da diocese, Dom José Cordeiro, vai iniciar-se no serão de sexta-feira, dia 23 de abril, às 21h, com a realização da Vigília dedicada à semana das vocações (que decorre até Domingo) e à preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude 2023.

Devido à pandemia, o Dia Diocesano da Juventude (DDJ) vai decorrer em duas modalidades – presencial e virtual, com transmissões através da página do facebook, do Secretariado da Pastoral Juvenil Vocacional (SDPJV).

No sábado, dia 24 de abril, o programa do Dia Diocesano da Juventude inclui o acolhimento aos participantes e a realização de quatro workshops em espaços emblemáticos da cidade histórica de Miranda do Douro.

Programa:

14:30 – Acolhimento e Abertura da Assembleia Jovem da Diocese de Bragança-Miranda

15:00 – «Hai priessa an Miranda» — 5 suonhos

16:30 – Marca da JUVENTUDE DE BRAGANÇA-MIRANDA

          Transmissão online via Facebook do SDPJV

17:00 – CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA, presidida pelo Bispo, Dom José Cordeiro

          Transmissão online via Facebook do SDPJV

O Secretariado da Pastoral Juvenil Vocacional | Diocese Bragança-Miranda garante que neste encontro vão ser respeitadas todas as normas da Direção-Geral da Saúde e, “por isso, todos os participantes  vão usar máscara no decorrer do evento”.

HA