Cultura: Museu Terra de Miranda celebra 40 anos

O Museu da Terra de Miranda (MTM), em Miranda do Douro, celebra 40 anos de existência, no ano em que o edifício vai receber obras de remodelação com um custo de 1,4 milhões de euros, foi anunciado.

“A intervenção visa obras de ampliação, remodelação e atualização de espaços técnicos, administrativos e a criação de uma nova narrativa museológica, obras que estão orçadas em cerca de 1,4 mil euros”, concretizou a diretora do museu, Celina Pinto.

O MTM está instalado num edifício do século de XVII no centro histórico de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, “que não possui uma estrutura física adaptada e capaz de responder à função museológica que lhe foi adstrita aquando da sua criação”.

“Esta realidade reveste o funcionamento do museu de uma série de constrangimentos, designadamente o desenvolvimento de uma eficaz programação. Por isso, este espaço museológico encontra-se envolvido num projeto de ampliação e remodelação”, indicou a responsável.

De acordo com Celina Pinto, este projeto de remodelação e atualização dos espaços vai permitir a criação de novos conteúdos museográficos e a aproximação a uma nova museologia, mais contemporânea, mais sensitiva e mais interativa.

“Urgia atualizar este museu, atualizar o espaço e a narrativa dos discursos no sentido de acompanhar a atual evolução da museologia. Há muito que aguardávamos por esta obra, e irá acontecer num momento especial para esta instituição, mais propriamente quando celebramos os 40 anos da criação do MTM”, vincou a responsável.

Por outro lado, e de acordo com a responsável, a intervenção vem possibilitar a criação de novos conteúdos museográficos, possibilitando a aproximação a uma nova museologia, mais contemporânea, mais sensitiva e mais interativa, “sentida” e partilhada num espaço de referência que ultrapassa a dimensão local, considerando que este museu é detentor de um potencial antropológico/etnográfico incondicionalmente único no contexto nacional.

Para a diretora da unidade museológica, este projeto de reabilitação física do MTM, além de ajudar a suprir as necessidades e fragilidades deste equipamento cultural, no que se refere à sua estrutura edificada, sublinha a importância, cada vez maior, que o património seja reabilitado numa perspetiva de promoção e coesão territorial, no sentido de combater e atenuar os desequilíbrios e assimetrias regionais.

“Em termos de discurso, o MTM reflete uma dimensão geográfica, um sentido de territorialidade pelo qual está subjacente a leitura do seu próprio território, da sua paisagem e da sua história, da sua língua, dos seus modos de viver e da sua cultura”, observou a responsável.

No que respeita as comemorações do 40.º aniversário do MTM, o objetivo tem como principal missão aproximar as pessoas ao museu, enquanto pretende trazer “renovação e inovação”.

A efeméride está agendada para o dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, data que em será apresentado o projeto de ampliação e reabilitação do edifício do MTM, que tem associado um conjunto de iniciativas como uma homenagem ao seu fundador, o padre António Maria Mourinho e a apresentação do terceiro volume do Cancioneiro Tradicional Mirandês.

Ainda no âmbito das comemorações, que decorrem ente 17 e 22 de maio, estão previstas a realização de atividades educativas e culturais dedicadas à comunidade escolar, uma Feira de Antiguidades, um Festival de Música Tradicional e ‘workshops’ de dança.

O MTM foi fundado em 1982 por António Maria Mourinho, um conhecedor da sociedade e cultura trasmontanas, em particular da região do planalto mirandês da qual foi divulgador, através dos estudos arqueológicos, históricos, linguísticos e etnográficos que realizou.

Este é um espaço museológico que reúne “características únicas no país e na Península Ibérica”, na medida em que espelha os valores da cultura mirandesa, cujas práticas, tradições e valores linguísticos têm sido valorizados e estudados a nível europeu.

Fonte: Lusa

História: A importância estratégica do castelo de Algoso

História: A importância estratégica do castelo de Algoso

Algoso é a aldeia mais a sul do concelho de Vimioso. O castelo do século XII é a sua principal atração, tendo sido construído a uma altitude de 681 metros, num lugar deslumbrante e a partir do qual se avista quase todo o nordeste transmontano.




A história do castelo de Algoso remonta ao século XII, ainda durante o reinado de Afonso Henriques e portanto está ligado à fundação de Portugal. Segundo as Inquirições de 1258, o castelo terá sido construído por Mendo Rufino e posteriormente foi cedido a D. Sancho I em troca da vizinha povoação de Vimioso. O texto das inquirições acrescenta que na sequência dessa permuta, o castelo de Algoso foi elevado pelo rei à condição de “cabeça” da Terra de Miranda.

Naquele tempo, o representante do rei que arrecadava os direitos reais residia em Algoso, localidade central na então designada Terra de Miranda.

Na Idade Média, a denominação “Terra”, significava distrito administrativo, militar e judicial.

A designação medieval “Terra de Miranda” referia-se a um território que corresponderia ao espaço geográfico entre os rios Sabor e Douro.

Para se ter uma ideia, atualmente o território da Terra de Miranda ocuparia a área dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso, parte de Bragança e de Freixo de Espada à Cinta.

Pensa-se que o papel que o castelo de Algoso passou então a deter na organização administrativa e militar da região o tenha convertido num alvo. Por essa razão, em 1212, durante a guerra civil entre Afonso II e as suas irmãs Teresa e Sancha, o castelo de Algoso foi um dos que foi atacado e conquistado por Afonso IX de Leão, aliado das Infantas.

Em 1224, já no reinado de Sancho II, o castelo de Algoso foi entregue pelo rei à Ordem do Hospital, instituição nascida da Síria e Palestina, em finais do século XI.

Devido à sua importância estratégica, durante o reinado de D. Dinis (1279-1325), o castelo de Algoso recebeu importantes obras de melhoramento. Estas obras fizeram do castelo aquilo que é hoje: um pequeno perímetro amuralhado de planta irregular, com três torres, sendo que a torre de menagem ou principal tem uma base hexagonal.

O texto das inquirições acrescenta que o castelo de Algoso foi elevado pelo rei à condição de “cabeça” da Terra de Miranda.

A fortaleza apresenta apenas uma porta a que se acede por uma escadaria talhada na rocha na face norte da torre. Por se localizar numa zona onde não existiam fontes de água, o castelo estava equipado com duas cisternas, das quais ainda subsistem alguns vestígios.

Em articulação com os castelos de Penas Roias, Mogadouro, Outeiro e Miranda, o castelo de Algoso tinha uma importância estratégica na vigilância e defesa no nordeste transmontano. Recorde-se que no início da nacionalidade, esta fronteira era motivo de constante conflito e de batalhas.

Bem próximo da fronteira localiza-se a vila espanhola de Alcanices, onde a 12 de setembro de 1297 foi assinado um tratado de paz, pelo rei D. Dinis e pelo rei de Leão e Castela, Fernando IV, definindo a fronteira que ainda hoje existe entre Portugal e Espanha. Por esta razão, se diz que a fronteira terrestre luso-espanhola é a mais antiga da Europa.

Em articulação com os castelos de Penas Roias, Mogadouro, Outeiro e Miranda, o castelo de Algoso tinha uma importância estratégica na vigilância e defesa no nordeste transmontano.

Segundo reza a história, Algoso foi vila e sede de concelho, tendo recebido foral de D. Afonso V, em 1480. Contudo, em 1855, procedeu-se à extinção do concelho de Algoso, para fazer parte do atual concelho de Vimioso.

Em Algoso, para além da visita ao castelo e ao centro de interpretação, também é possível ver o pelourinho, o antigo edifício da Câmara Municipal (muito bem conservado por sinal!), a ponte romana sobre o rio Angueira e a fonte santa na capela de São João Batista.

Diz o povo que a fonte terá sido construída pelos romanos para descanso dos peregrinos que iam a caminho de Santiago de Compostela. Nas suas longas caminhadas, muitos peregrinos repousavam os pés na água e passaram a designá-la de Fonte Santa.

HA

A fonte Santa localiza-se junto à Capela de São João Batista, em Algoso.

HA

Cinema: «Fátima» chega às salas portuguesas

Cinema: «Fátima» estreia nas salas portuguesas

O filme ‘Fátima’ que recorda as Aparições de Nossa Senhora, em 1917, está em exibição nas salas de cinema, em Portugal.

A antestreia nacional decorreu no Centro Pastoral de Paulo VI, em Fátima, onde o reitor do Santuário destacou a “beleza das opções estéticas” e sublinhou a forma “digna e íntegra” como a obra aborda as Aparições de 1917.

De acordo com o testemunho, reconhecido pela Igreja Católica, das três crianças conhecidas como pastorinhos de Fátima (Lúcia, Francisco e Jacinta), ocorreram seis aparições da Virgem Maria na Cova da Iria e imediações, uma a cada mês, entre maio e outubro de 1917.

O padre Carlos Cabecinhas realça que o realizador “põem em relevo, de forma digna e íntegra, o comportamento de todos quantos se confrontaram com o acontecimento de Fátima”.

“O Santuário congratula-se com todas as iniciativas e projetos independentes que veem na história e na mensagem de Fátima lugar de criação artística”, assinalou o sacerdote, em declarações divulgadas pelo Santuário.

Em declarações à comunicação social, o cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima considera que esta produção “corresponde ao fundamental da história de Fátima”.

“Mostra ambas as posições, os que aceitam na fé, e naturalmente aqueles que se opõem”, explica o prelado, salientando ainda “a imagem espetacular”, por isso “considero este filme muito bom, digno de ser visto numa sala de cinema”.

No filme, tanto no início como no final, foi tocado o tema da paz, em que o povo reage em massa com essa mensagem, e não só a mensagem de paz num sentido apaziguador, mas também a paz nos corações, e isso toca, sobretudo hoje, que vivemos num mundo que se tornou palco de luta pelo poder e pela riqueza, numa indiferença globalizada, fria e insensível”.

O cardeal português destaca que a mensagem de Fátima “é uma mensagem de grande fraternidade a partir da fé, que toca o coração das pessoas, e aqui acorrem crentes e não crentes e por isso é um oásis de espiritualidade para todos aqueles que querem repousar e encontrar uma paz interior”.

‘Fátima’ foi filmado em várias localidades portuguesas, nomeadamente em Coimbra, Fátima, Tomar e na Tapada de Mafra.

A banda sonora ‘Gratia Plena’ é da autoria do compositor Paulo Buonvino com interpretação do tenor Andrea Bocelli.

Com interpretações de Harvey Keitel, Sônia Braga, Goran Visnjic, Lúcia Moniz, Marco d’Almeida e Joaquim de Almeida, entre outros, ‘Fátima’ envolveu um total de 72 atores e 2500 figurantes.

Ecclesia | OC

Cultura: Hoje é dia da Dia da Língua Mirandesa – 17 de setembro

Cultura: Dia da Língua Mirandesa – 17 de setembro

Assinalou-se a 17 de setembro, pela primeira vez, o Dia da Língua Mirandesa, que continua a ser falada e ouvida no concelho de Miranda do Douro e nas aldeias de Vilar Seco, Caçarelhos e Angueira, pertencentes ao concelho de Vimioso.

Desde 1999 que o mirandês é língua oficial em Portugal. No entanto, o despovoamento e o envelhecimento da população na designada Terra de Miranda, fazem com que haja cada vez há menos pessoas a falar o mirandês.

Para assegurar a preservação e transmissão deste património linguístico para as novas gerações, muito tem contribuído o ensino do mirandês, nas escolas do concelho de Miranda do Douro, onde cerca de 60% dos alunos frequentam a disciplina.

Outros promotores da língua mirandesa são a Câmara Municipal de Miranda do Douro e a Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), que ao longo destes 22 anos de reconhecimento oficial da língua, têm realizado inúmeras iniciativas para a sua preservação e promoção, como é o incentivo à publicação de obras literárias em mirandês, as traduções, os cursos de língua mirandesa, entre outras iniciativas.

Recentemente, a 9 de setembro, o Estado português e a Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) subscreveram a carta europeia das línguas regionais ou minoritárias.

A carta europeia das línguas regionais e minoritárias é um mecanismo do Conselho de Europa que tem como objetivo proteger e promover a diversidade linguística.

À rádio Observador, Alcides Meirinhos, secretário da ALCM, disse que, com a subscrição da Carta Europeia das Línguas Regionais e Minoritárias, o mirandês deu mais um passo para a sua preservação.

HA

Livro: «O que não cresce decresce» é um livro do padre Vasco Pinto de Magalhães para ler em família

Livro: «O que não cresce decresce» é um livro para ler em família

O padre Vasco Pinto de Magalhães, autor do livro “O que não cresce decresce”, disse que a família “é um processo” e convida cada um dos seus membros a “cultivar um objetivo comum”, apostando em “muita comunicação”.

“Do entendimento ao projeto de vida vai muita comunicação, os dois perceberam-se cada vez melhor. Um casal que não fala, não sabe o que o outro pensa, começa a suspeitar e as suspeitas estragam tudo”, disse o autor em entrevista ao programa Ecclesia, na RTP2”.

Na apresentação do livro “O que não cresce decresce”, o padre Vasco Pinto de Magalhães valoriza a “capacidade de aceitação, a si mesmo e a outro”, o “cultivar um objetivo comum” e “deitar fora muitas tentações do mundo, como a competição, igualitarismo ou a afirmação individualista”.

Para o sacerdote jesuíta, “um dos maiores males é o amor não inteligente” e a relação entre casal e com os filhos acontece quando é possível “saber dar e saber receber”.

“O amor inteligente é o amor de boa vontade, o querer bem e querer bem do outro, por isso é preciso perceber o que ele precisa, quando precisa. Amar não é só um desejo ou paixão, é ir ao encontro da necessidade do outro, do que lhe faz bem e isso é inteligência”, afirmou.

No livro “O que não cresce decresce”, o padre Vasco Pinto Magalhães afirma que “amar é comprometer-se”, pois “o compromisso concretiza a liberdade” e resulta da “capacidade de fazer escolhas bem feitas” e da compreensão recíproca.

“Quando se vive a partir da compreensão então há caminho, ajudam-se e revelam-se. O amor não se esgota aqui porque supõe a vontade e, para um crente, supõe a graça; ali se alicerça o matrimónio, celebrado na fé, pelo menos num deles, na convicção de os dois agarrarem a missão de constituir família”, defende.

O padre Vasco Pinto de Magalhães alerta para o “perigo” de confundir “o amor com o gostar” e afirma que “o amor precisa de inteligência, convicções, serviço e, às vezes, até é compatível com o desgosto e dificuldade”.

O livro “O que não cresce decresce” resulta do diálogo e de encontros entre casais e noivos, nos centros universitários dos jesuítas, e foi publicado pela Editorial Apostolado Oração no contexto do “Ano Família Amoris Laetitia”, convocado pelo Papa Francisco.

Ecclesia | SN/PR

Cultura: Concatedral de Miranda do Douro expõe crucifixo em marfim do século XVI

Cultura: Concatedral de Miranda do Douro expõe crucifixo em marfim do século XVI

O Museu da Terra de Miranda concluiu o processo de conservação e restauro de um crucifixo, datado da segunda metade do século XVI, que passa a integrar o Núcleo Expositivo da Concatedral, informou a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

Segundo a DRCN, trata-se de um crucifixo de pousar com a imagem de Cristo morto, em marfim, e cruz em madeira decorada com incrustações de madrepérola.

As características estilísticas e técnicas desta escultura remetem para a arte cingalo-portuguesa, nascida do contacto dos portugueses com os artesãos do Ceilão (atual Sri Lanka) desde o século XVI.

A imagem do Cristo de Marfim foi restaurada através do Museu da Terra de Miranda, com a ajuda de mecenas e outros apoios externos, à semelhança de outro espólio da Concatedral de Miranda do Douro já intervencionado e disponibilizado ao público.

As mais belas peças de pintura, escultura e arte sacra que incorporam o espólio da Concatedral de Miranda do Douro integram a exposição temática do Núcleo Expositivo deste templo religioso.

A mostra reúne a parte mais significativa do espólio da antiga Sé Catedral de Miranda do Douro, incluindo o conjunto pictórico conhecido por “Calendário da Sé”, calendário Flamengo, pintado por Pieter Balten (c.1527-1584).

Passados cerca de 240 anos, da transferência da sede da diocese para a cidade de Bragança, a qual ocorreu no último quartel do século XVIII, esta é a primeira vez que um conjunto de obras tão relevante é colocado à fruição do público.

“A exposição, além de cumprir o objetivo de salvaguarda, conservação e valorização do património, afirma a relevância, a vitalidade e o potencial cultural do que foi a Diocese de Miranda, ao mesmo tempo que revela a urbanidade e mundividência dos prelados que ocuparam o trono episcopal mirandês, assim como do investimento que foi realizado para que este templo fosse, de facto, brilhantíssimo em termos artísticos e arquitetónicos”, vincou a DRCN.

Estas obras de arte, de apreciável valor cultural, abrem agora espaço à consolidação e integração do acesso ao património artístico e religioso da Terra de Miranda, e àquilo que foi, e é, parte da sua herança sociocultural, que se destacou a partir da criação da Diocese em meados do século XVI.

Ao mesmo tempo que se constata e atesta, também, a importância estratégica e económica desta Diocese no contexto da fronteira nordestina.

O espaço, que atualmente aloja a exposição, encontra-se instalado numa das antigas sacristias da antiga Sé.

A sua intervenção e remodelação foi desenvolvida pela DRCN no âmbito da Operação “Rota das Catedrais no Norte” de Portugal, e cofinanciada pelo Programa Operacional Norte 2020.

Lusa | HA

Cultura: Padre José Frazão Correia é novo diretor da revista Brotéria

Cultura: Padre José Frazão Correia é novo diretor da revista Brotéria

O padre José Frazão Correia assume, no início de 2022, a coordenação da revista «Brotéria», uma publicação cultural de inspiração cristã, da responsabilidade dos jesuítas portugueses.

“O padre José Frazão Correia será diretor da Revista Brotéria, a partir da edição do primeiro volume de 2022, e Diretor Adjunto do Centro Brotéria”, pode ler-se na carta de nomeação enviada pelo provincial da Companhia de Jesus, o padre Miguel Almeida, onde indica as “novas missões confiadas a alguns jesuítas”.

Publicada mensalmente desde 1902, a revista Brotéria pretende oferecer “uma reflexão serena e rigorosa sobre o mundo, contribuindo para a discussão dos principais temas de hoje na literatura, política, arte, história, filosofia, religião e bioética. O Caderno Cultural apresenta uma seleção crítica de livros, filmes, séries, peças de teatro, exposições, música, património e museus”, pode ler-se no site do centro cultural, com o mesmo nome da publicação, localizado em Lisboa.

O padre José Frazão Correia, jesuíta desde 1995, foi provincial entre 2014 e 2020 e sucede ao padre António Júlio Trigueiros na direção da revista Brotéria.

Ecclesia | LS

Cultura: Festival de arte nas aldeias de Bragança

Cultura: Festival de arte nas aldeias de Bragança

O Festival de Street Art – Sm’arte de Bragança vai decorrer em sete aldeias do concelho, de 16 a 20 de junho.

O anúncio foi feito pelo município de Bragança, que há cinco anos promove o festival de rua, através do qual já foram criados cerca de 50 trabalhos de artistas por toda a cidade.

Este ano, a autarquia vai investir dez mil euros no evento e leva o festival ao meio rural, entre quarta-feira e domingo, com intervenções nas aldeias de Baçal, Deilão, Mós, Santa Comba de Rossas, São Julião de Palácios, Rebordãos e Zoio.

Conhecidas pelo seu património natural, cultural e etnográfico, estas aldeias vão transformar-se no palco de criação de vários artistas locais, como Duarte Saraiva, Lucky Hell e Trip Dtos e do coletivo Ruído (Draw e Contra), Mário Belém, Zela e Fedor Rua Duarte.

Os locais escolhidos para as intervenções são a sede de uma Junta de Freguesia, um posto de transformação de energia, uma escola primária já desativada, um pavilhão multiusos, a sede de uma associação e o edifício de uma antiga ordenha.

Os artistas têm liberdade de criação, como vincou na apresentação do evento o presidente da Câmara, Hernâni Dias, com o município a propor que as intervenções sejam em torno do tema “Bragança. Naturalmente”.

A ideia, segundo o autarca, é aproveitar a campanha lançada no concelho há dois anos consecutivos para cativar turistas através dos recursos e riquezas naturais locais, muitos deles centrados no meio rural.

Estas aldeias passarão, de acordo com Hernâni Dias, a integrar o roteiro das cerca de 50 intervenções em espaço público concretizadas ao longo de quatro edições do Sm’arte.

Com a “descentralização” do Sm`arte para as aldeias, o município propõe-se “promover a coesão territorial concelhia e novas dinâmicas turísticas nas aldeias, dinamizar e promover a Rota da Terra Fria e evitar o esgotamento de espaços na cidade para este tipo de intervenções”.

Hernâni Dias acredita que a arte urbana nas aldeias promoverá um fluxo de visitantes, nomeadamente durante a realização das obras nos próximos dias para acompanhamento dos trabalhos em execução pelos artistas.

A aposta na arte urbana, com a realização do festival e as intervenções existente na cidade, levou a que Bragança passasse a integrar, desde 2018, a plataforma mundial de arte urbana (https://streetartcities.com/).

Lusa | HA

Cultura: «A pintura também se aprende» – Balbina Mendes

Cultura: «A pintura também se aprende» – Balbina Mendes

Após vários meses sem mostras culturais por causa da pandemia, a Casa da Cultura de Vimioso inaugurou a exposição de pintura “O Rosto, Máscara intemporal”, da autoria de Balbina Mendes, que pode ser visitada até 18 de julho.

A artista Balbina Mendes apresentou a coleção “O rosto, máscara intemporal”

A apresentação da exposição realizou-se no serão do dia 3 de junho, e estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal de Vimioso, Jorge Fidalgo e demais membros do executivo, assim como inúmeras pessoas que puderam contemplar as obras da artista plástica, ao som do grupo musical “Hardança” e da interpretação poética de Duarte Martins.

Terra de Miranda – Notícias: Balbina Mendes nasceu em 1955, em Malhadas, Miranda do Douro. Quando descobriu o gosto pela pintura?

Balbina Mendes: Sempre tive uma aptidão natural para a imagem e as artes visuais. E quando tive oportunidade aprofundei os conhecimentos sobre a pintura, o que se revelou muito importante, pois a pintura também se aprende. E assim, o que inicialmente era uma tendência e uma vontade de pintar, hoje é algo mais pensado e assente no conhecimento.

T.M.N.: Decidiu estudar e concluiu um Mestrado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). O que se aprende na Faculdade de Belas Artes?

B.M.: Na faculdade de Belas Artes, no Porto, aprendi muito porque tive professores de excelência. E também aprendi muito com os colegas. Para além disso, o ambiente académico exige o trabalho de investigação, onde me confrontei e analisei outras linguagens e abordagens, o que foi muito importante. Em suma, a pintura também se aprende, também se estuda e é assim que se evolui nesta área.

T.M.N.: Em 1989, no Porto, mostrou pela primeira vez os seus trabalhos numa exposição coletiva, que viria a ser um êxito. Foi esta exposição que a motivou a enveredar pela carreira artística?

B.M.: Sim, foi a minha primeira participação como artista autodidata numa exposição coletiva com outros artistas. Correu muito bem, o que me deu ânimo para continuar. Depois, em 1995, fiz a primeira exposição individual, no centro Paulo Quintela, em Bragança.

T.M.N.: Atualmente Balbina Mendes dedica-se em exclusivo à pintura. Mas antes foi professora, é assim?

B.M.: Sim, fui professora do primeiro ciclo e trabalhei com crianças durante muitos anos. Foi uma experiência muito enriquecedora, porque as crianças são muito criativas e aprende-se muito com elas. Algumas destas crianças, antigos alunos com quem mantenho contato, dizem-me que optaram pela carreira artística, inspirados pelas exposições, pelos ateliers de artistas e práticas de arte dramáticas que realizámos na escola. É gratificante saber isso.

T.M.N.: Para se dedicar por inteiro à pintura teve que deixar o ensino?

B.M.: Sim, não era possível compatibilizar as duas atividades. Na altura, já tinha idade e tempo de serviço suficiente para sair do ensino com alguma tranquilidade financeira, o que me permite dedicar-me por inteiro à pintura.

T.M.N.: Que exposição é esta “O Rosto, Máscara Intemporal”?

B.M.: Esta exposição é uma evolução do processo dedicado às máscaras. A primeira máscara que pintei foi a máscara medonha do chocalheiro de Bemposta. Essa primeira pintura deu aso a que pintasse as quarenta máscaras dos rituais de inverno de Trás-os-Montes e Alto Douro. A atual exposição “Rosto, Máscara Intemporal” é uma evolução e significa que o conceito “máscara” não tem tempo, não tem limite, não esgota. É, portanto, um manancial.

T.M.N.: Esta coleção intima-nos a ver. Nestas pinturas sobressai o olhar?

B.M.: Sim, esta exposição é diferente. Eu senti necessidade de agarrar o olhar do representado, uma vez que ele está atrás de uma máscara. E esse olhar comunica com o interlocutor, com o público, confrontando-o. Curiosamente, é pelo olhar que eu começo cada pintura. Se eu conseguir que aquele olhar comunique comigo, eu avanço com a pintura. Se não, se aquele olhar ficar insípido ou desviado não avanço e recomeço outra pintura. É importante que o olhar do mascarado comunique com quem o está a ver.

T.M.N.: Tem realizado muitas exposições do seu trabalho em Trás-os-Montes. Sente-se acarinhada pelos transmontanos?

B.M.: Sim, sinto-me muito acarinhada. Creio que já expus em todas as cidades e vilas transmontanas. A minha pintura, por norma, é facilmente interpretável. Esta nova coleção, talvez nem tanto e por isso, em algumas das pinturas coloquei uma pequena memória descritiva para ajudar as pessoas nessa interpretação. Está programado que esta série de pinturas seja exibida em todas as cidades e vilas transmontanas, até 2023.

Até 18 de julho, a exposição “O Rosto, Máscara Intemporal” pode ser visitada na Casa da Cultura de Vimioso, de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00. Aos sábados, Domingos e feriados o horário de visita é das 14h30 às 17h30 horas.

Perfil:

Balbina Mendes, artista plástica

Nasceu em 1955, em Malhadas (Miranda do Douro). Concluiu um mestrado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Reside e tem atelier em Vila Nova de Gaia. Realizou diversas exposições individuais em Portugal e no estrangeiro. Participou em inúmeras exposições coletivas. Para mais informação consultar: www.balbinamendes.com

HA

Língua: Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) já é uma entidade de Utilidade Pública

Língua: Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) já é uma entidade de Utilidade Pública

A ALCM foi considerada pessoa coletiva de utilidade pública, pelo seu trabalho de promoção e divulgação da língua e cultura mirandesa, informa um despacho da presidência do conselho de ministros.

De acordo com o despacho publicado em Diário da República, a 24 de maio de 2021, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, reconhece o trabalho que a ALCM desenvolve na dinamização de “atividades de interesse geral no âmbito da promoção e divulgação da língua e cultura mirandesa, bem como do património cultural, histórico e natural da Terra de Miranda”, pode ler-se.

Segundo o referido despacho (n.º 5496/2021), a presidência do conselho de ministros especifica que a “ALCM organiza e participa em diversos eventos que visam os referidos fins, designadamente em conferências, formação e apoio a estudantes, palestras e seminários”.

A comunicação do governo português refere ainda que a ALCM presta apoio ao Museu da Terra de Miranda, “na tradução dos textos a incluir no espaço expositivo, em publicações ou em outras formas de apresentação de textos”.

Para a atribuição da Declaração de Utilidade Pública, é reconhecida à ALCM a cooperação com diversas entidades da administração pública, nomeadamente com o município de Miranda do Douro, na promoção e divulgação da língua e cultura mirandesa.

Júlio Meirinhos, presidente da Assembleia da ALCM, congratulou-se com este reconhecimento e explicou que o reconhecimento de utilidade pública poderá beneficiar a associação em matéria de regalias, isenções fiscais e financiamento, como por exemplo, o mecenato e a submissão de candidaturas que “têm outra prevalência e importância”, explicou.

Por sua vez, Alcides Meirinhos, secretário da ALCM, informou que o processo de reconhecimento da associação como entidade de utilidade pública começou em finais de 2019 e para o êxito desta distinção muito contribuiu o “parecer muito positivo e favorável do Museu da Terra de Miranda e das Universidades com que a ALCM trabalha”.

São pessoas coletivas de utilidade pública as associações, fundações ou cooperativas que prossigam fins de interesse geral, ou da comunidade nacional ou de qualquer região ou circunscrição, cooperando com a Administração Central ou a Administração Local, em termos de merecerem da parte desta Administração a declaração de utilidade pública.

HA