XV Domingo do Tempo Comum – Ano A
Que tipo de terreno sou?
Is 55, 10-11 / Slm 64 (65), 10abcd. 10e-11.12-13.14 / Rom 8, 18-23 / Mt 13, 1-23 ou Mt 13, 1-9

Hoje e nos dois Domingos seguintes, São Mateus expõe-nos parábolas do Reino que ajudam a compreender a dinâmica que lhe é própria (Mt 13, 1-52). Hoje, temos a parábola do semeador. No refrão do Aleluia, esclarece-se que o semeador é Cristo e que a semente é a palavra de Deus. Obviamente a iniciativa de semear pressupõe a expectativa dos frutos: «assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra… e feito produzir, … assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito» (Livro de Isaías).
A parábola ensina-nos que Deus é como um semeador que lança sempre sementes abundantes nas nossas vidas. O problema da germinação da semente e do crescimento está sempre do lado do terreno, ou seja, do nosso lado. Por isso, é importante perguntar-se: que tipo de terreno sou?
A semente pode encontrar em nós quatro terrenos diferentes. Pode cair «ao longo do caminho», não entrando sequer na terra; quer dizer que a palavra de Deus não é compreendida e facilmente se some do nosso coração. A semente pode cair «em sítios pedregosos», onde a terra não tem profundidade; quer dizer que a palavra de Deus é acolhida no momento, mas não ganha raiz na pessoa; o acolhimento vem a sucumbir. A semente pode cair «entre espinhos» e estes acabam por a abafar; quer dizer que a palavra de Deus é recebida, mas as preocupações e seduções deste mundo acabam por a sufocar. A semente pode cair «em boa terra»; quer dizer a palavra de Deus é recebida e entendida, vindo a dar frutos.
A parábola exorta-nos a sermos melhor terreno para que a palavra de Deus semeada em nós resulte em mais frutos. É claro que estamos metidos na condição do nosso mundo. Há «os sofrimentos do tempo presente», «as dores da maternidade», «a corrupção que escraviza», enfim o gemer das criaturas («toda a criatura geme»). Rendermos melhor na sequência do que Deus “pôs em nós” não se consegue sem esforço, sem luta. Mas sabemos que é nessa direção que temos de caminhar. Esperamos «a glória que se há de manifestar em nós». Esperamos «a adoção filial». Esperamos que se venha a revelar o quanto somos «filhos de Deus» (Carta aos Romanos). Daí que sejamos também responsabilizados: «o coração deste povo tornou-se duro». A dureza do coração não deixa compreender a dinâmica do Reino. E quanto menos se compreende, menos ainda se virá a compreender: «àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado» (São Mateus).
Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP) | Foto: Flickr