Palaçoulo: Mosteiro com oito jovens portuguesas e uma caboverdiana
O Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, é hoje a casa de 19 mulheres, as dez monjas fundadoras, as quais se juntaram oito jovens portuguesas e uma caboverdiana, que decidiram descobrir e aprofundar a vocação religiosa no mosteiro trapista, que simultaneamente continua a atrair a vinda e a estadia de pessoas, famílias e grupos para descansar e rezar.

Em 2019, um grupo de 10 monjas trapistas provenientes do Mosteiro de Nossa Senhora de São José, em Vittorchiano (Itália), vieram para Palaçoulo (Portugal), na diocese de Bragança-Miranda, para fundar um novo mosteiro trapista.
A 23 de outubro de 2024, o Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, foi finalmente inaugurado, num edifício com capacidade para acolher 40 monjas.
A madre superiora do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, Giusy Maffini, indicou que atualmente, a comunidade é constituída pelas 10 monjas italianas, às quais já se juntaram outras oito jovens portuguesas e uma jovem caboverdiana.
“Já vivem conosco quatro noviças, duas postulantes e três pessoas que estão a fazer a experiência de vida trapista. A fundação deste mosteiro tem por objetivo despertar e formar vocações religiosas em Portugal. Durante os primeiros anos de vida monástica, as jovens dedicam a maior parte do seu tempo ao estudo, à reflexão, à formação e à orientação espiritual e vocacional com a ajuda da mestra de noviças. A descoberta e confirmação da vocação religiosa é um processo lento e gradual, em que a pessoa tem de perceber em que estado de vida está mais disponível e feliz”, disse a madre superiora.
A primeira etapa deste percurso no mosteiro trapista é o postulantado. Trata-se de um ano (ou mais anos) de preparação para a entrada no noviciado. O postulantado é um período de tempo sem compromisso, durante o qual as postulantes não usam hábito, mas partilham o mesmo modo de vida – oração e estudo – das monjas trapistas.
“A seguir ao postulantado seguem-se dois anos de noviciado, tempo durante o qual se começa a assumir um compromisso, com o uso do hábito, mas ainda sem votos. O compromisso mais sério surge ao fim de três anos, com os votos simples, que se renovam anualmente, durante cinco anos consecutivos. Ao final de nove anos, realiza-se a profissão solene, numa celebração em público, na igreja, com a monja trapista a fazer os votos perpétuos”, explicou a madre superiora.
Outra novidade no Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, é a provável atribuição, neste ano de 2026, do estatuto de “Priorado”. Isto significa uma maior independência e autonomia do mosteiro de Palaçoulo relativamente ao Mosteiro de Nossa Senhora de São José, em Vittorchiano (Itália).
“Após os cinco anos de estadia das monjas trapistas em Portugal vamos requerer este ano a nacionalidade portuguesa. Com a passagem do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, ao estatuto de priorado simples, reconhece-se que este novo mosteiro já tem uma identidade própria, em Portugal. Por conseguinte, as monjas fundadoras vão mudar o seu voto de obediência e estabilidade da comunidade em Itália, para a comunidade onde vivem atualmente, em Palaçoulo. O estatuto de priorado exige também que a nova comunidade escolha a sua madre superiora”, explicou Giusy Maffini.

Por sua vez, o capelão do mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, o padre António Pires, referiu que a comunidade trapista está a “consolidar-se”.
“Desde a chegada em 2020, das dez monjas trapistas a Palaçoulo, já entraram para a comunidade do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, nove jovens. No total, a comunidade é constituída por 19 pessoas”, destacou.
A vida das monjas trapistas pauta-se pela regra de São Bento “Ora et labora”, mediante a oração e o trabalho, que ajuda as religiosas a ter uma permanente consciência da presença de Deus. No dia-a-dia, no mosteiro, os toques do sino assinalam os atos comunitários, como são a oração e o trabalho.

Outro benefício do mosteiro trapista para a diocese é a vinda regular e a estadia de pessoas, famílias e grupos, com o intuito de descansar, rezar, realizar retiros de silêncio ou estudar.
“É impressionante a quantidade de pessoas, famílias e grupos que vêm conhecer o novo mosteiro trapista, em Palaçoulo, para rezar, descansar e procurar no silêncio uma maior intimidade com Deus. Tem vindo muita gente do Patriarcado de Lisboa, de outras dioceses de Portugal e de outros países, como de Itália e da vizinha Espanha. Neste fim-de-semana, por exemplo, esteve hospedado um grupo de Madrid (Espanha), que na sua estadia presenteou as monjas com um concerto de Reis”, disse o capelão do mosteiro.
Ao longo do ano, a comunidade trapista de Palaçoulo, realiza encontros vocacionais, destinados às jovens interessadas em conhecer o estilo de vida monástico. Para obter informações sobre estes encontros, pode consultar o site do mosteiro, escrever um e-mail (chamamento@trapistaspalacoulo.pt) ou ligar para o número: 910 909 588.
As monjas trapistas do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, criaram uma loja online para vender as suas peças de artesanato e os produtos. Em www.trapistaspalacoulo.pt é possível encomendar livros, terços, lembranças, cabazes, porta-chaves, compotas, mel, doces, salgados e licores.




HA | Fotos: Monjas Trapistas
Louvado seja Deus.