XVII Domingo do Tempo Comum – Ano / A Dia Mundial dos Avós e dos Idosos
O reino dos céus é como uma rede…
1 Rs 3, 5.7-12 / Slm 118 (119), 57.72. 76-77.127-128.129-130 / Rom 8, 28-30 / Mt 13, 44-52 ou Mt 13, 44-46

São Mateus apresenta-nos outras três parábolas do Reino: o tesouro (v. 44), a pérola (vv. 45-46), a rede (vv. 47-50). As duas primeiras sublinham a ideia de “tudo” na dinâmica do Reino. O empenho na busca do Reino, o esforço da construção do Reino tem de ser total, porque aquilo por que se luta é tudo. Vale a pena investir tudo quando se quer o Reino, porque o Reino é tudo: é um tesouro, uma pérola. «Foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo»; neste estava o tesouro. «Foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola»; era de grande valor.
A parábola da rede parece transmitir um ensinamento semelhante ao da parábola do trigo e do joio que vimos no Domingo passado. A rede lançada ao mar apanha toda a espécie de peixes: bons e maus. Tal como no meio do trigo pode haver joio, também no meio de peixes bons pode haver maus.
Far- -se-á a separação no momento de ver claro. «Escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora; [também] assim será no fim do mundo: os anjos sairão a separar…». É parecido com o que Jesus dizia na parábola do trigo e do joio: «Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros…».
Tem-se a esperança de, no ato de colher, juntar mesmo a totalidade do que é bom.
Procura-se que nada do que é bom se perca. Importa, assim, ter a graça que o rei Salomão pede ao Senhor: um «coração inteligente», um «coração sábio e esclarecido», para «saber distinguir o bem do mal» (1.º Livro dos Reis). O que é mau tem de ser rejeitado, mas também é preciso que no processo de destrinça não haja desperdícios desnecessários daquilo que é bom. Trata-se dum discernimento que tem de ser bem-sucedido, porque não é para benefício egoísta («longa vida», «riqueza», «morte dos inimigos»), mas para a realização da obra do Senhor.
No fim, o próprio que faz bom discernimento não fica a perder; só ganha. São Paulo diz: «Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que o amam» (Carta aos Romanos). Desde que o discernimento esteja centrado em Deus – na realização do seu Reino – há de haver benefício para quem o faz, maior até do que terá pensado.
Fonte: RMOP | Foto: Flickr