Igreja/Ensino: EMRC pode «não contar para a nota, conta para a vida»

A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) está a promover a revisão das aprendizagens essenciais, sendo a sua oferta obrigatória e a frequência facultativa do 1º ao 12º ano, pelo que não conta “para a nota, mas conta para a vida”.

“Educar é educar a pessoa toda em todas as suas dimensões da vida. Desse ponto de vista, há questões que não podem ser mensuráveis, senão a própria imensurabilidade da própria pessoa humana que assim se vai concretizando”, disse o diretor do Secretariado Diocesano da Educação Moral e Religiosa Católica do Porto.

O professor Carlos Moreira salienta que “é uma questão muito pertinente” a disciplina de EMRC “não contar para a nota”, e destaca que “conta para a vida”, e independentemente do algoritmo avaliativo, “esta oferta humanizadora da disciplina permite ter aqui uma visão muito clara sobre o que é educar”, desenvolve.

Para o diretor do Secretariado da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica da Diocese do Porto, o processo avaliativo “é coerente, sequencial, sério”, e, naturalmente, o próprio aluno vai, com os seus docentes, tendo feedback, desta apropriação humanizadora do seu modo de ser e de estar”.

“Não há aqui números que se configuram numa avaliação, há a vida”, acrescenta o professor António Cordeiro, o coordenador de EMRC, no Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Segundo este responsável, o próprio conceito quando se introduzem as aprendizagens “fala de saberes que são mobilizados, não é para ficar num somatório de saberes”, e, nesse sentido, é importante “mobilizar todo o saber em função das atitudes” que querem “promover na relação com os outros”.

“A avaliação do nosso ponto de vista mais importante não é a somativa, não é a classificativa, mas a formativa. Nós acompanhamos os alunos na sua aprendizagem específica, e dela retiramos informações para melhorarmos o nosso processo de ensino”, salientou o professor Jorge Novo, diretor do Secretariado diocesano de EMRC de Bragança-Miranda.

O SNEC, organismo da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé da CEP, está a promover a revisão das aprendizagens essenciais de Educação Moral e Religiosa Católica, processo que está a decorrer em várias disciplinas por iniciativa do Ministério da Educação, após reunião nos Serviços do Desenvolvimento Curricular do governo português.

“Era ter em conta um período de tempo de experiência, entre 2018 e 2026, e olhar este documento que sairia de 2026 a partir de três componentes novas: Primeira, olhar a avaliação, era um elemento que não constava no documento de 2018, a avaliação das aprendizagens, a articulação com a cidadania e desenvolvimento, e referências bibliográficas”, explicou o coordenador nacional de EMRC.

O professor António Cordeiro assinala que “não se trata de uma consulta pública”, mas foi dirigida aos professores, que são “quem cuida este assunto na escola, a Educação Moral e Religiosa Católica”, e incentivou os docentes, até aos dia 30 de abril, a pronunciarem sobre este “instrumento de planificação de todo o trabalho”.

Este responsável explica, sobre aprendizagens essenciais, que se fala “de saberes, de conhecimentos, de capacidades, e de atitudes”, e que o Secretariado Nacional da Educação Cristã constituiu uma equipa “que agilizou todo o processo”, da qual fizeram parte dos professores Jorge Novo e Carlos Moreira.

“Este processo não se trata de engessar as aprendizagens essenciais, trata-se de reforçar a sua inteligibilidade, a sua adaptabilidade, a sua praticabilidade no terreno, junto dos professores”, explicou o docente da Diocese de Bragança-Miranda.

Jorge Novo realça que os professores “continuam a ser essenciais na gestão das mesmas aprendizagens essenciais”, para se passar de um processo assente no ensino “para um processo assente na aprendizagem dos alunos”.

Carlos Moreira salienta que a avaliação “é um constructo curricular, que é muito caro à gramática escolar”, por isso, “quase que, em teoria, tudo passaria pela avaliação”, no caso de EMRC “injeta uma dose de humanização” da própria avaliação, “a avaliação das aprendizagens, mas também avaliação para a própria aprendizagem dos alunos”.

“Aqui há uma descrição um pouco mais parametrizada de alguns indicadores de avaliação que permitem ao próprio aluno perceber o seu próprio progresso evolutivo de aprendizagem. No sentido de conjugar diversas dimensões que estão descritas nas aprendizagens essenciais e que, naturalmente, passará pela religião, a leitura religiosa da experiência, o modo como se vê o mundo, e como se situa nele; e questões sempre muito prementes do ponto de vista ético e moral”, desenvolveu o responsável por EMRC na Diocese do Porto.

No Programa ECCLESIA na RTP2, os três entrevistados destacaram também no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica as próximas “três grandes atividades que saem da sala de aula”: o Encontro Nacional dos Alunos do Ensino Secundário, intitulado ‘Onde está o teu irmão’, esta sexta-feira e sábado, dias 17 e 18 de abril, no Fundão e na Covilhã, o Encontro Nacional do Primeiro Ciclo, no 30 de abril, no Centro Paulo VI, do Santuário de Fátima, e a Semana Nacional, com o título ‘EMRC Pontes e Palavras de Encontro’, 17 a 23 de maio.

Fonte: Ecclesia | Fotos: EMRC

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