Economia: Insolvência do matadouro do Cachão preocupa trabalhadores

O sindicato (SINTAB) acusou os municípios de Mirandela e de Vila Flor de não serem transparentes, ao não reunirem com os trabalhadores do matadouro do Cachão, para discutir o plano de recuperação da empresa, que entrou em insolvência.

“Os trabalhadores não podem continuar a ser tratados como figurantes num processo que decide o futuro das suas vidas. Aquilo que nos parece é que há demasiada encenação pública neste processo e transparência a menos”, afirmou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), Eduardo Andrade.

Segundo Eduardo Andrade, o sindicato solicitou “há um mês” uma reunião com os municípios de Mirandela e Vila Flor, que são os acionistas maioritários do matadouro, mas até agora sem respostas.

“Quiseram os trabalhadores saber quais eram os trâmites desta proposta de recuperação da empresa. (…) Os trabalhadores têm o direito de saber qual é a perspetiva que se aponta, que possa ser aceitável para o futuro da unidade”, afirmou.

O presidente da Câmara de Mirandela, Vítor Correia, referiu que o município está receptivo para colaborar com os sindicatos e para os colocar ao corrente da situação. “Se o sindicato já fez o pedido, provavelmente está a aguardar oportunidade de agendamento para se poder realizar a reunião”, referiu.

Em abril, o matadouro industrial do Cachão, em Frechas, no concelho de Mirandela, entrou em processo de insolvência, solicitado por um dos credores, a Ares Lusitani, depois de uma dívida que terá chegado a perto de um milhão de euros.

O administrador do matadouro do Cachão, Michel Monteiro, disse, na altura à Lusa, que os municípios de Mirandela e Vila Flor iriam apresentar um “plano de recuperação” para esta unidade de abate, que está no Complexo Agroindustrial do Cachão, com o intuito de impedir o seu encerramento.

No entanto, o SINTAB coloca em causa a existência deste plano, devido à alegada falta de resposta das câmaras municipais para com os trabalhadores.

“Quem ao fim de um mês nada esclarece, ou não tem plano nenhum, ou tem um plano que quer esconder. É isto que os trabalhadores acabam por pensar. Aquilo que está em causa não é apenas um silêncio político, é um silêncio cúmplice perante a angústia dos trabalhadores neste momento”, vincou o sindicato, em declarações à Lusa.

O presidente da Câmara de Vila Flor, Pedro Lima, revelou que já foi elaborado e entregue, ao administrador de insolvência, o plano de recuperação do matadouro.

No entanto, de acordo com o dirigente sindical, os trabalhadores colocam em cima da mesa a possibilidade de o matadouro vir mesmo a fechar, devido a “interesses” “relativos ao desmantelamento de tudo aquilo que é atividade económica daquele complexo”, porque “há quem ache [que] o complexo é apetecível do ponto de vista turístico”.

“O que acontece, neste momento, é um silêncio claro por parte das câmaras municipais e é um silêncio que continua a alimentar a desconfiança e o receio deste desmantelamento encapotado”, criticou.

O sindicato considera ainda que o Governo deve tomar medidas, face à importância que o matadouro tem para o nordeste transmontano.

“O poder central não pode lavar as mãos e fingir que o problema é só das câmaras. (…) Defender o matadouro do Cachão é defender a produção nacional, defender a soberania alimentar e defender a coesão territorial”, vincou, salientando que “o Estado tem a obrigação de proteger as infraestruturas fundamentais à sobrevivência económica do interior do país”.

Apesar do processo de insolvência estar a decorrer, o matadouro industrial do Cachão mantém-se aberto e emprega 23 trabalhadores, “na maioria com idades entre os 63 e 66 anos”. 

No nordeste transmontano, há mais três matadouros, em Miranda do Douro, Vinhais e Bragança, estando ainda a ser construído outro em Mogadouro.

Ainda assim, “nenhum deles terá capacidade para fazer o abate de vitelos, como este faz, quase na totalidade, a este preço e com uma eficácia tão grande” e o seu encerramento pode obrigar os produtores a fazerem o abate em Penafiel, no distrito do Porto, a mais de 100 quilómetros, segundo o SINTAB.

Fonte: Lusa

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