Ambiente Há nove reservas naturais em Portugal

Ambiente Há nove reservas naturais em Portugal

Em Portugal, existem atualmente nove zonas classificadas como reservas naturais, 50 anos depois da primeira classificação de uma reserva natural no país, a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, no Algarve, que pôs em marcha um processo de conservação que foi alargado a outras áreas nacionais ambientalmente sensíveis.

Em março de 1975, a criação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António marcou o início desse processo, permitindo que o país preservasse áreas que, de outra forma, teriam sido afetadas negativamente pelas atividades humanas, explicou João Alves, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade responsável pela gestão das reservas naturais nacionais.

“O balanço é claramente positivo, uma vez que, se estas parcelas do território – bem como outras que tiveram outra classificação [como Parque Natural] – não tivessem sido classificadas e protegidas, com certeza que esses territórios estariam bastante alterados e com certeza para pior”, afirmou à Lusa o biólogo, que tem 43 anos de experiência e desempenhou cargos de direção na área.

Depois da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (1975), foram também criadas as reservas naturais do Estuário do Tejo (1976), de São Jacinto, do Paul do Boquilobo, do Estuário do Sado e das Berlengas (entre 1980 e 1981), da Serra da Malcata (1981), visando a salvação do lince ibérico, do Paul de Arzila (1988) e das Lagoas de Santo André e da Sancha (2000).

“As reservas naturais foram classificadas fundamentalmente para proteger sistemas ecológicos sensíveis e, essencialmente, sistemas aquáticos ou de transição, como são o caso dos estuários”, explicou o responsável.

Esta classificação permitiu fazer o zonamento cartográfico, valorizar e hierarquizar as várias parcelas do território e dar mais proteção às que são “mais sensíveis e mais valiosas”, mas também criar um “regulamento associado que determina o que é que pode ser feito, onde e como pode ser feito”, observou.

João Alves frisou que “algumas utilizações” desses territórios “podem e devem ser mantidas, com ligeiras alterações, porque muitas vezes são o fator que permitiu que esses territórios tivessem aquelas características”, como acontece com a produção de sal no sapal de Castro Marim.

Estes mecanismos permitiram também, no caso do Estuário do Tejo, intervir junto de indústrias, como a química ou a de metalurgia pesada, para prevenir o despejo de efluentes contaminados no ecossistema, através de relocalizações ou da implementação de sistemas de tratamento que evitem descargas lesivas para os ecossistemas.

“À medida que foi sendo melhorada a qualidade das águas, passou a ser visitado volta e meia por golfinhos”, exemplificou, comparando o Estuário do Tejo com o do Sado, onde a presença da indústria era menor e se “manteve uma população de [golfinhos] roazes corvineiros”, enquanto a do Tejo só reapareceu quando a envolvente melhorou.

João Alves destacou também a importância que este processo teve para a sensibilização ambiental de todos os intervenientes de um território, incluindo os próprios municípios, e contou que a primeira reserva natural foi criada como uma “medida urgente” para “impedir que os sapais do lado português do Estuário do Guadiana continuassem a ser utilizados como depósito, como vazador de entulhos, restos de obras e lixo”, até pelas autarquias.

“Com a classificação da reserva, isto parou e fez-se um trabalho de recuperação, de limpeza, de retirada daquilo que era possível, depois, a natureza encarregou-se, também, de recuperar o resto e, a partir daí, a reserva manteve-se”, destacou, frisando que as autarquias perceberam depois “a mais-valia que era para os dois concelhos terem uma reserva natural”.

Atualmente, são eles “os guardiães da reserva”, através da sua presença na comissão de cogestão da área protegida, com um “papel determinante na gestão e na melhoria das condições de visitação” do espaço, concluiu João Alves.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

Ambiente: 67 meios aéreos para o combate aos incêndios

Ambiente: 67 meios aéreos para o combate aos incêndios

Este ano, o combate aos incêndios rurais conta com 67 meios aéreos, menos nove do que as aeronaves previstas para esta fase do dispositivo, indicou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANPEC).

“O dispositivo aéreo da ANEPC conta com 69 aeronaves, das quais duas estão inoperativas por motivos de manutenção”, refere a Proteção Civil, após os autarcas de Grândola, Ourique e Moura se terem queixado da falta de meios aéreos para combate aos incêndios rurais nestes concelhos e apelado a uma solução urgente para dar resposta às populações.

A Diretiva Operacional Nacional (DON) que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) prevê para o período de 01 a 30 de junho, denominado ‘nível Charlie’, 76 meios aéreos.

No entanto, apenas estão operacionais para o combate aos fogos 67.

Segundo a ANEPC, os helicópteros ligeiros inoperacionais para manutenção estão sediados nos Centros de Meios Aéreos (CMA) de Arcos de Valdez (Viana do Castelo) e Santa Comba Dão (Viseu). Em Arcos de Valdevez existe um outro helicóptero que está operacional.

A Proteção Civil indica apenas os locais onde existem meios aéreos, faltando referir quais as aeronaves em falta.

A Força Aérea Portuguesa, entidade responsável pela contratação dos meios aéreos de combate a incêndios rurais, sobre os motivos para a falta de aeronaves, mas até ao momento não obteve resposta.

No início do mês de junho, quando entrou em vigou o ‘nível Charlie’, fonte do setor afirmou que a falta de meios aéreos estava relacionada com a documentação para poderem operar e falta de candidatos nos concursos.

A ANEPC indicou que tem atualmente ao dispor 36 helicópteros ligeiros sediados nos CMA de Arcos de Valdevez , Famalicão, Fafe, Chaves (2), Ribeira de Pena, Bragança, Alfandega da Fé, Baltar, Vale de Cambra, Vila Real, Armamar, Águeda, Viseu, Aguiar da Beira, Mêda, Guarda, Seia, Covilhã, Cernache, Lousã, Pampilhosa da Serra, Pombal, Figueiró dos Vinhos, Alcaria, Castelo branco, Proença-a-Nova, Ferreira do Zêzere, Sardoal, Santarém, Lourinhã, Montijo, Évora, Monchique, Cachopo e Loulé.

Estão também operacionais cinco helicópteros pesados localizados nos CMA de Macedo de Cavaleiros, Braga, Pombal, Ferreira do Zêzere e São Brás de Alportel e quatro helicópteros de reconhecimento, avaliação e coordenação em Vila Real, Lousã, Ponte de Sor e Beja.

Existem também 18 aviões médios anfíbios em Mirandela (2), Vila Real (2), Viseu (2), Cernache (2), Castelo Branco (2), Proença-a-Nova (2), Ponte de Sor (2), Beja (2) e Portimão (2).

Segundo a Proteção Civil, estão ainda ativos dois aviões anfíbios pesados em Castelo Branco e dois aviões de reconhecimento, avaliação e coordenação sediados nos CMA de Viseu e Ponte de Sor.

O DECIR vai ser reforçado a 1 de julho, data em que estão previstos 79 meios aéreos.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

Ensino: Provas finais do 9.º ano começam em formato digital

Ensino: Provas finais do 9.º ano começam em formato digital

Os alunos do 9.º ano realizam a 20 de junho, a primeira das duas provas finais do ensino básico que, pela primeira vez vão ser feitas em formato digital, desafio para o qual as escolas dizem estar preparadas.

A prova de Matemática vai decorrer em dois turnos, o primeiro a partir das 09:30 e o segundo às 12:00.

Pela primeira vez, as provas finais do 9.º ano vão realizar-se em formato digital, depois de, no ano passado, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação ter decidido manter o formato em papel por considerar que a equipa ministerial anterior, liderada por João Costa, não assegurou as condições necessárias.

Há uma semana, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) disse estar confiante que as escolas estão em condições para garantir a realização das provas sem percalços.

“Não estamos a contar com percalços. A máquina está montada. Estamos em condições de avançar com segurança para que as provas do 9.º ano sejam realizadas em suporte digital”, disse, na altura, Filinto Lima.

Menos otimista, o movimento Missão Escola Pública alertou que não estão reunidas as condições de equidade e antecipou um cenário de perturbação num momento que deveria ser de serenidade.

O representante dos diretores escolares desvalorizou as preocupações levantadas pelo movimento de professores, sublinhando que as escolas estão desde o início do ano letivo a preparar-se para aquele momento.

Além das provas finais do ensino básico, também as provas de Monitorização das Aprendizagens (ModA), que decorreram entre 19 de maio e 6 de junho para os alunos dos 4.º e 6.º anos, foram realizadas em formato digital, com constrangimentos pontuais, mas que Filinto Lima diz terem ajudado as escolas a preparar-se.

Depois da prova de Matemática, os alunos voltam a ser avaliados na quinta-feira, dia 26 de junho, a Português.

Fonte: Lusa | Foto: HA

Deus alimenta-nos

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Solenidade)

Deus alimenta-nos

Gen 14, 18-20 / Slm 109 (110), 1.2.3.4 / 1 Cor 11, 23-26 / Lc 9, 11b-17

Em Portugal, à festa do «Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo» damos o nome de festa do «Corpo de Deus». É um título bonito e significativo: Jesus é Deus e encarnou para que experimentássemos a proximidade e a ternura divinas.

Adoramos a hóstia consagrada, o Corpo do Senhor transformado em alimento da nossa vida. Adoramos o seu Sangue, derramado pela humanidade como sinal de aliança eterna e prova de amor sem fim.

Recordamos a instituição da Eucaristia e comungando, lembramos e atualizamos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Fortalecidos por este alimento de vida eterna, acatamos a missão de darmos de comer e beber, espiritual e materialmente, aos que têm fome e sede de pão e da Palavra de Deus.

É dia de primeiras comunhões e também de procissões que transmitem a mensagem de que o Senhor nos acompanha nos caminhos que percorremos. Professamos acreditar no «mistério da fé». Saciados com o pão da vida, somos transformados em templos vivos do Senhor. Não somos dignos do privilégio desta dádiva, mas precisamos dela. O que temos a fazer é vencer a rotina, preparar a celebração, examinando como está a nossa relação com Deus e com os irmãos. Jesus previne-nos: «sem mim, nada podeis fazer».

A Eucaristia é um tesouro que devemos repartir, por meio de gestos concretos de amor com os necessitados. É viático, maná para os peregrinos. Acompanhemos os que caminham connosco, compartilhando o que recebemos de graça. Rezemos diante do sacrário.

Fonte e foto: Rede Mundial de Oração do Papa

Vimioso: Dia do Clube é uma festa que conclui a época desportiva

Vimioso: Dia do Clube é uma festa que conclui a época desportiva

No sábado, dia 21 de junho, o Águia Futebol Clube de Vimioso, celebra o dia do clube, numa jornada que começa com um peddy paper para os jovens atletas, seguida de um almoço convívio e um jogo durante a tarde entre os treinadores e os pais, que visa promover o convívio e concluir a época desportiva.

“Neste final de época desportiva, para todos os escalões, o Dia do Clube é um dia de festa e visa agradecer a participação das crianças, jovens, pais, treinadores, órgãos sociais, associados e adeptos do Águia Futebol Clube de Vimioso”, justificou o presidente do clube, Vitor Cardoso.

A 19 de setembro de 2024, aquando da eleição da nova direção do Águia Futebol Clube de Vimioso, o presidente, Vitor Cardoso, definiu como principal objetivo “aproximar o clube da população” e apostar nos escalões jovens.

Numa avaliação ao trabalho realizado na primeira temporada como presidente do clube vimiosense, Vitor Cardoso, mostrou-se otimista dada a participação de 60 crianças na modalidade de futsal, nos escalões de petizes, traquinas, benjamins, infantis, iniciados e juniores.

“Para muitos dos nossos jovens jogadores, esta foi a primeira vez que jogaram em competições distritais. Desportivamente, estamos muito satisfeitos com a grande vontade dos miúdos em querer aprender a jogar futsal, quer nos treinos, quer nos jogos”, disse.

Sobre a possibilidade do clube de Vimioso voltar a formar equipa sénior para participar no campeonato distrital de futsal, o presidente, Vitor Cardoso, informou que já estão em processo de formar uma equipa para a próxima época 2025/2026.

“O nosso objetivo é conseguir formar equipas em todos os escalões de formação para depois chegarem à equipa sénior. A existência de uma equipa sénior é uma motivação extra para os jovens jogadores”, avançou.

Noutras modalidades, o Águia Futebol Clube de Vimioso já é representado no atletismo, por Rui Fernandes e no futebol virtual, por Gonçalo Marques.

O Águia Futebol Clube de Vimioso foi fundado a 18 de agosto de 1973, pelo que vai celebrar 52 anos. A 21 de junho, no Dia do Clube, a direção vai homenagear Luís Rodrigues, pela longevidade como associado, com as quotas em dia.

“O Luís Rodrigues completou 50 anos como associado do Águia Futebol Clube de Vimioso, com as quotas regularizadas. Para além disso é uma pessoa que participa voluntariamente e com regularidade nos órgãos sociais do clube, razões pelas quais decidimos prestar esta merecida homenagem”, justificou.

HA



Mogadouro: Bemposta organiza segada tradicional

Mogadouro: Bemposta organiza segada tradicional

A freguesia de Bemposta, no concelho de Mogadouro, organiza a 28 de junho, uma segada tradicional, de um modo didático, lúdico e cultural, para dar a conhecer uma das antigas tarefas agrícolas do território, informou o presidente da Junta de Freguesia, António Martins.

A Junta de Freguesia de Bemposta e a Associação Maschocalheiro juntaram-se para promover esta atividade agrícola, que vai decorrer na manhã do dia 28 de junho.

“Trata-se de uma antiga tradição do território que por esta altura do ano mobilizava muita gente para fazer as ceifas. Vamos fazer uma recriação desta atividade agrícola, em que as funções da segada serão feitas de forma manual, com antigamente”, explicou António Martins.

Após os trabalhos, está programado um almoço da segada, passando de seguida pelo transporte do cereal em carros de bois.

Segundo a organização, a debulha do trigo vai ser feita com uma malhadeira antiga em madeira, que foi recuperada para o efeito.

Fonte: Lusa | Cartaz: Maschocalheiro

Tecnologia: 43% dos utilizadores de IA raramente verifica informação

Tecnologia: 43% dos utilizadores de IA raramente verifica informação

A maioria dos trabalhadores utiliza ferramentas de inteligência artificial (IA) gratuitas, mas 43% dos portugueses admitem que raramente ou ocasionalmente verificam a exatidão dos resultados, conclui um estudo da KPMG em parceria com a Universidade de Melbourne.

O estudo intitulado “Confiança, utilização e atitudes em relação à IA”, conta com a participação de mais de 48 mil pessoas, de 47 países, incluindo Portugal, onde foram registados mais de 1.000 inquiridos.

De acordo com este estudo, a que a Lusa teve acesso, a inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no dia-a-dia dos portugueses, com 70% dos inquiridos a afirmarem que a utilizam no trabalho, 93% a referirem que a usam no estudo e 79% para fins pessoais.

A percentagem de portugueses que admite que a utilizam no trabalho é, no entanto, ligeiramente inferior à registada a nível global, que se situa em 73%.

O estudo revela ainda que a maioria dos trabalhadores (83%) usam ferramentas de IA publicamente disponíveis e de utilização gratuita, enquanto quase um terço (29%) usa ferramentas de IA geridas ou disponibilizadas pelo empregador ou estabelecimento de ensino e apenas 8% usam ferramentas de acesso pago.

A análise consultora aponta ainda algumas ameaças relativamente ao uso da IA. Uma das quais diz respeito à falta de uma política interna por parte das empresas de uso de IA, com apenas 22% dos inquiridos portugueses a referirem que esta existe na sua empresa, dos quais 18% a sinalizarem que é uma política de orientação e 4% de proibição.

“A outra grande ameaça está diretamente ligada à formação e literacia e diz respeito à inexistência de pensamento crítico”, aponta a KPMG, em comunicado.

Segundo este estudo, mais de um terço (43%) dos trabalhadores admitem que raramente ou ocasionalmente verificam a exatidão dos resultados da IA antes de a utilizarem no trabalho, 3% nunca o fazem e 54% referem que o fazem sempre ou quase sempre.

Por outro lado, menos de metade (45%) referem que utilizam regularmente a IA de forma crítica no trabalho, 51% raramente ou ocasionalmente pondera os benefícios e os riscos antes de utilizar estas ferramentas e 56% admitem que raramente ou ocasionalmente pensam nas implicações éticas.

Além disso, 29% dos inquiridos admitem que possa haver um aumento do risco organizacional, resultante do desrespeito das regras e regulamentos, com quase um quinto (19%) a referirem que por vezes ou muito frequentemente carregaram dados da empresa numa ferramenta de IA pública, nomeadamente informações financeiras, de vendas ou de clientes.

Não obstante, o estudo releva ainda que mais de metade (56%) dos trabalhadores portugueses consideram que o uso de IA aumentou a sua eficiência no trabalho e cerca de metade que aumentou a criação de ideias e a inovação, bem como acesso a informações exatas (52% e 49%, respetivamente).

Por outro lado, 45% referem que reduziu a carga de trabalho e 42% o stress e a pressão.

“A utilização de IA por parte das empresas deve ser feita, predominantemente, para reforçar o conhecimento humano e não para substituí-lo”, afirma João Sousa Leal, ‘head of advisory’ da KPMG em Portugal, citado na mesma nota, defendendo, por isso, uma aposta na literacia digital, na formação tecnológica dos colaboradores e “um modelo de ‘governance’ interno forte”.

Esta posição é também partilhada pela generalidade dos inquiridos portugueses, com 82% a considerarem que preferem alguma utilização de IA nos processos de tomada de decisões de gestão, desde que o controlo continue a recair sobre o ser humano.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

Política: Parlamento aprova programa do Governo

Política: Parlamento aprova programa do Governo

A Assembleia da República aprova esta quarta-feira, dia 18 de junho, o programa do XXV Governo Constitucional, através do chumbo da moção de rejeição do PCP, que não tem o apoio de PS e Chega.

O período de encerramento do debate do programa do governo, tem cerca de duas horas para intervenções dos partidos, por ordem crescente de representatividade e do Governo, seguindo-se a votação da moção de rejeição do PCP ao documento, que PS e Chega já disseram inviabilizar.

Na terça-feira, dia 17 de junho, o debate ficou marcado por algumas das medidas inscritas no documento, como a política fiscal, com uma redução do IRS anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para as próximas semanas, assim como a política de imigração, em que foi assumido um “apertar as regras”, mas sem suspender o reagrupamento familiar.

O primeiro-ministro adiantou ainda, relativamente à revisão da lei da nacionalidade, que no alargamento das situações em pode haver perda de nacionalidade constarão comportamentos graves “de natureza criminal” e anunciou um reforço de 1500 elementos da PSP e da GNR até ao final do ano.

Do ponto de vista político, o primeiro-ministro abriu o debate a avisar que a próxima legislatura só não durará quatro anos se existir uma “coligação deliberada, ativa e cúmplice” entre os dois maiores partidos da oposição, referindo-se ao PS e Chega.

O primeiro-ministro também prometeu um “diálogo franco” e “nunca diminuir” o PS, mas sem excluir o diálogo com outras forças, em resposta a José Luís Carneiro, que lhe perguntou com quem quer dialogar, mas também lhe pediu para despartidarizar a administração pública.

O presidente do Chega, André Ventura, referiu-se a um novo quadro parlamentar que exige” reformas “a sério para Portugal”, assinalando que agora é possível excluir o PS dessas reformas.

A IL pediu mais meritocracia na escolha dos cargos públicos, o Livre acusou o Governo de arrogância ao incluir medidas da oposição no seu programa sem consultar as forças políticas do parlamento, enquanto o PCP disse que o documento “cheira a ‘troika’”.

Só depois de apreciado o programa do Governo e da sua não rejeição, é que o XXV Governo Constitucional, que tomou posse a 5 de junho, entra em plenitude de funções.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

Picote: “Encontros da Primavera” dão origem a projetos de desenvolvimento local

Picote: “Encontros da Primavera” dão origem a projetos de desenvolvimento local

De 12 a 15 de junho, Picote, no concelho de Miranda do Douro, foi o cenário dos XX Encontros Primavera, um evento cultural promovido pela associação FRAUGA, que proporciona o diálogo entre a comunidade local e os artistas convidados, com a finalidade de pensar e realizar projetos que promovam o desenvolvimento local.

A exposição “Pandorga”, de Gonçalo Mota, no Ecomuseu Terra Mater, em Picote.

Este ano, o evento cultural em Picote, começou com a apresentação “Oblivio” da autoria de João Meirinhos. O artista natural do concelho de Miranda do Douro, apresentou uma performance dedicada à realidade do “esquecimento”: esquecimento da terra e da gente que persiste em viver nesta região do planalto mirandês.

A curadora, Patrícia Geraldes, foi a responsável pela seleção dos artistas que desenvolveram trabalhos com a comunidade local.

“Ao longo de um mês, os artistas permaneceram em Picote, para conhecer a aldeia, dialogar com a comunidade residente e desenvolver os seus trabalhos. O resultado final foi apresentado no decorrer dos Encontros da Primavera, que consiste num um evento cultural que envolve a antropologia, o cinema e a arte”, contextualizou.

Na XX edição dos Encontros da Primavera, os artistas convidados para as residências artísticas foram a Evgenia Emets e Gonçalo Mota.

“A Evgenia realizou um trabalho de intervenção na paisagem com uma reflorestação de árvores autóctones, que envolve a participação da comunidade local. Durante a estadia em Picote, a comunidade de Picote ofereceu sementes de plantas e árvores caraterísticas da localidade, cuja recolha já está exposta e acessível na freguesia de Picote”, informou a curadora.

A 13 de junho, a artista, Evgénia Emets, apresentou no salão da junta de freguesia de Picote, o filme “As vozes dos guardiães da terra”. Este documentário inclui entrevistas aos habitantes locais de Picote, que falam sobre a vida nesta localidade, que após a conclusão da barragem em 1958, se tornou predominantemente rural.

«Estou a desenvolver um projeto que se chama “Eternal Forest” e visa criar uma rede de florestas protegidas, através da arte e da comunidade. O objetivo é criar mil santuários de floretas protegidas, para mil anos, em Portugal e no estrangeiro. Em Portugal, Picote foi um dos locais escolhidos para criar um santuário de floresta protegida ou uma floresta comunitária, na zona da ribeira de cima, numa propriedade cedida pela senhora Ana Rosa, residente em Picote”, explicou a artista.

A plantação de floresta autóctone está agendada para os meses de outubro e novembro, estando previstas 25 árvores autóctones, como freixos, juncos, salgueiros, entre outras.

Já o artista, Gonçalo Mota, que estudou antropologia, em Miranda do Douro, no antigo polo da Universdade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) inaugurou a exposição de fotografia “Pandorga” (chocalhada).

A mostra fotográfica está em exibição no Ecomuseu Terra Mater e é alusiva à Festa de Santa Bárbara, de Duas Igrejas, também conhecida como a Festa da Primavera ou Festa das Flores.

“A exposição de fotografia que apresentei nos XX Encontros da Primavera, reune alguns elementos da tradição da pandorga ou chocalhada, em Duas Igrejas. É uma tradição que se faz no último fim-de-semana de maio, de dois em dois anos, na qual as pessoas fazem uma fogueira à porta de casa, que os rapazes acompanhados por chocalhos, saltam por cima para afastar os maus espíritos”, indicou.

De 12 a 15 de junho. a programação dos XX Encontros Primavera, teve outros destaques, como foram a observação astronómica e a sugestiva conversa sobre o tema “Direito às Estrelas”; a sessão de contos, no coreto de Picote; ou o concerto do DJ Matias, com a música folk, no Largo do Tumbar.

“O público-alvo dos Encontros da Primavera são as pessoas que residem em Picote, assim com as populações das localidades circundantes como Sendim, Palaçoulo, Prado Gatão, Vila Chã de Braciosa, Duas Igrejas, Miranda do Douro, etc. O objetivo deste evento é fomentar o diálogo, o debate, a troca de ideias e de perspectivas que aportem novos contributos à aldeia, ao concelho e à região”, concluiu a curadora, Patrícia Geraldes.

Para o professor António Bárbolo, da direção da FRAUGA – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote, os Encontros da Primavera são um evento cultural que “faz pensar” sobre a realidade da aldeia de Picote e da região.

Na perspectiva de António Bárbolo, o desenvolvimento local e regional exige a colaboração das pessoas e a sinergia entre as instituições e as associações, em torno de um desígnio comum.

“Uma cultura que não interrogue e que não faça pensar é pobre e não evolui. A meu ver, precisamos de políticas estruturais, estratégias culturais e planificação de projetos que perdurem no tempo. Tal como acontece com os Encontros da Primavera, um encontro anual, que já se faz há 20 anos, em Picote”, destacou.

Os Encontros da Primavera são um evento anual, promovido pela FRAUGA – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote, que conta com os apoios do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Freguesia de Picote, do Município de Miranda do Douro, Família Kolping Picote, Movhera e CCDR-Norte.

HA

Ambiente: Oito anos da tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande

Ambiente: Oito anos da tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande

A 17 de junho, a Associação de Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande (AVIPG) assinala oito anos da tragédia que provocou dezenas de mortos e feridos, além da destruição de casas, empresas e floresta.

Segundo o programa, às 14:30 a sede da AVIPG, na antiga escola primária da Figueira, freguesia da Graça (Pedrógão Grande), abre portas, seguindo-se, pelas 17:00, um encontro junto ao Memorial às Vítimas dos Incêndios de 2017 e a colocação de uma coroa de flores.

Às 18:30, está prevista uma missa na Igreja Matriz da Graça.

Já no dia 22 de junho, realiza-se a caminhada “Renascer 17.06.2017”.

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria adiantou que os autarcas vão associar-se às iniciativas da associação, com deposição de coroa de flores no local, bem como preparar o monumento para o efeito.

O memorial abriu em 15 de junho de 2023, junto à Estrada Nacional (EN) 236-1, na zona de Pobrais, Pedrógão Grande, com o nome das 115 vítimas mortais dos fogos naquele ano.

Foi no memorial que, em 9 de junho do ano seguinte, foi hasteada a Bandeira Nacional, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, então centradas em Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no norte do distrito de Leiria, os concelhos mais atingidos pelos incêndios de junho de 2017.

A bandeira foi entregue no Dia de Portugal à AVIPG.

Os incêndios que deflagraram em 17 junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Em outubro do mesmo ano, incêndios na região Centro provocaram 49 mortos e cerca de 70 feridos, registando-se ainda a destruição, total ou parcial, de cerca de 1.500 casas e mais de 500 empresas.

O processo judicial relativo às mortes nos incêndios de Pedrógão Grande aguarda deliberação do Tribunal da Relação de Coimbra, após a interposição de vários recursos na sequência da absolvição de todos os arguidos em setembro de 2022 no Tribunal Judicial de Leiria.

Neste processo, o Ministério Público (MP) contabilizou 63 mortos e 44 feridos quiseram procedimento criminal.

Em julgamento estiveram o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, então responsável pelas operações de socorro, dois funcionários da antiga EDP Distribuição (atual E-REDES), José Geria e Casimiro Pedro, e três trabalhadores da Ascendi (Rogério Mota, José Revés e Ugo Berardinelli).

A linha de média tensão Lousã-Pedrógão, na qual o MP sustentou que ocorreram descargas elétricas que desencadearam os incêndios, era da responsabilidade da empresa.

Já a subconcessão rodoviária do Pinhal Interior, que integrava a EN 236-1, estava adjudicada à Ascendi Pinhal Interior, à qual cabia proceder à gestão de combustível.

Os ex-presidentes das Câmaras de Castanheira de Pera e de Pedrógão Grande, Fernando Lopes e Valdemar Alves, respetivamente, também foram acusados.

O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, assim como o antigo vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande José Graça e a então responsável pelo Gabinete Florestal deste município, Margarida Gonçalves, estavam, igualmente, entre os arguidos.

Um outro processo judicial, relativo à reconstrução de casas em Pedrógão Grande na sequência dos incêndios, regressou, entretanto, à primeira instância para aplicação das penas determinadas, após diversos recursos.

Neste processo, 14 arguidos, incluindo Valdemar Alves e o antigo vereador Bruno Gomes, e requerentes da reconstrução de imóveis como se de primeira habitação se tratasse, familiares destes ou funcionários das Finanças e de junta de freguesia, foram condenados, em penas suspensas, tendo sido ainda determinados pagamentos a diversas entidades por conta dos pedidos cíveis.

Fonte: Lusa | Fotos: HA e Flickr