Sendim: “Tomba-Ladeiras” é uma caminhada turístico-cultural entre portugueses e espanhóis

Sendim: “Tomba-Ladeiras” é uma caminhada turístico-cultural entre portugueses e espanhóis

No sábado, dia 27 de dezembro, mais de uma centena de portugueses e espanhóis, participaram na “Caminhada Tomba-Ladeiras”, um percurso pedreste e fluvial de 11 quilómetros nas arribas do rio Douro, entre as localidades de Fermoselle (Espanha) e a vila de Sendim (Portugal).

Uma das caminhantes, a vice-presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Ana Paula André, indicou que a primeira caminhada Tomba-Ladeiras, entre Sendim e Fermoselle, realizou-se no ano 2005, por iniciativa da associação Mirai q’Alforjas.

“Percorridos 20 anos desde a primeira caminhada entre Sendim e Fermoselle, este ano participaram na atividade 125 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, 35 dos quais foram os vizinhos espanhóis. O percurso de 11 quilómetros, entre Fermoselle e Sendim levou-nos a calcorrear as arribas do rio Douro, que antigamente foram uma antiga rota de contrabando usada pelos portugueses e os espanhóis. Apesar do frio do inverno, o convívio e a confraternização aqueceu os corações e o ânimo de todos os caminhantes”, disse a autarca sendinesa.

A atividade começou ao início da manhã de sábado (8h30), com as viagens de autocarro da vila Sendim para Fermoselle (Espanha), onde os portugueses foram recebidos “calorosamente” pelos vizinhos espanhóis, com um “desayuno” (pequeno-almoço) de café, licor de café, bolos tradicionais de Espanha e os portugueses ofereceram a Bola Doce Mirandesa.

«Após o pequeno-almoço de boas-vindas, seguiu-se uma visita às históricas “bodegas” ou adegas subterrâneas de Fermoselle, que estão em processo de inscrição no Património Natural e Cultural Material da Humanidade, pela originalidade de estarem construídas no subsolo da localidade de Fermoselle”, destacou Ana Paula André.

A caminhada propriamente dita iniciou-se às 10h30, com a descida de Fermoselle até ao rio Douro, numa distância de três quilómetros. Chegados ao rio, a mais de uma centena de participantes fez a travessia fluvial do Douro, em viagens de barco.

Já na margem de Portugal, os caminhantes foram presenteados com um almoço convívio, no cais fluvial dos Pisões, preparado pela Comissão de Festas em honra de Santa Bárbara, cuja ementa foi um sopa quente, com postas de vitela assada na brasa e batatas, pão e fruta.

Após o almoço houve a animação musical dos jovens gaiteiros e as danças dos Pauliteiros de Sendim e os espanhóis também se juntaram à festa com a música do tamboril e a dança da garrafa.

Os mais de 100 participantes concluíram a caminhada “Tomba-Ladeiras” com a subida de sete quilómetros, dos Pisões até à vila de Sendim.

De acordo com a Freguesia de Sendim, no próximo ano de 2026, a Caminhada “Tomba-Ladeiras”, volta a realizar-se no mês de dezembro, mas desta vez começa em Sendim e termina em Fermoselle (Espanha).

“Em 2026, o autocarro vai buscar os vizinhos espanhóis a Fermoselle (Espanha), para iniciarmos juntos a caminhada desde Sendim até aos Pisões. No cais fluvial atravessamos o rio Douro de barco, para depois subirmos até Fermoselle, onde vamos concluir a atividade com um almoço nas bodegas”, adiantou a autarca de Sendim.

A “Caminhada Tomba-Ladeiras” é uma iniciativa anual, que pretende ser um projeto de cooperação transfronteiriça entre Sendim (Portugal) e Fermoselle (Espanha), para aprofundar as relações de vizinhança e potenciar o desenvolvimento turístico cultural de ambas as localidades.

HA | Fotos: APA

2026: Pão e pastelaria com “ligeiro aumento” de preço

2026: Pão e pastelaria com “ligeiro aumento” de preço

O pão e os produtos de pastelaria deverão sofrer um “ligeiro aumento” de preço no próximo ano, impactados pelas revisões laborais e pelo agravamento do gasto com os ovos, frutos secos e cartão, adiantou a Associação do Comércio da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP).

“Para 2026, as perspectivas da ACIP são cautelosamente otimistas. A estabilidade nos mercados internacionais da farinha, energia e logística cria condições favoráveis para um ano sem grandes oscilações”, apontou a presidente da direção da associação, Deborah Barbosa.

Contudo, a ACIP antecipa “um ligeiro aumento” do preço do pão e da pastelaria, à boleia dos impactos de revisões laborais e das subidas dos preços dos ovos, frutos secos e do cartão.

A isto poderá ainda acrescer o impacto da possível retirada do apoio do Estado aos combustíveis, avisou.

Segundo dados da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a 1 de janeiro de 2025 meia dúzia de ovos custava 1,61 euros, mas em 19 de novembro do mesmo ano a mesma caixa já estava a 2,12 euros, verificando-se assim um agravamento de 31,68%.

O preço dos ovos mantém-se estável desde 22 de outubro, quando atingiu o pico de 2,12 euros. Por sua vez, o valor mais baixo foi o atingido no início do ano (1,61 euros) e manteve-se até ao dia 29 do mesmo mês.

Segundo a ACIP, o setor deverá focar-se na “consolidação, eficiência produtiva e reforço da diferenciação”, fatores que para a ACIP são essenciais para atingir margens sustentáveis e responder às expectativas dos clientes.

Deborah Barbosa disse ainda que os dados preliminares do corrente ano mostram um alinhamento dos preços da pastelaria e padaria com a inflação, após anos de forte volatilidade nos custos e de baixa no consumo.

“O setor apresenta uma evolução moderada, com crescimento contido mas positivo, sustentado pela normalização dos preços das matérias-primas e por um comportamento do consumidor mais previsível. Embora ainda existam muitas pressões ao nível da mão-de-obra e dos serviços essenciais, 2025 evidencia um ambiente de maior equilíbrio operacional”, afirmou.

Fonte: Lusa | fotos: Flickr

Sociedade: Pensões aumentam em janeiro – Governo

Sociedade: Pensões aumentam em janeiro – Governo

A atualização das pensões, com aumentos de 2,80% para a maioria dos pensionistas é paga já em janeiro, segundo um esclarecimento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

“Um esforço adicional da Segurança Social permitiu que as pensões relativas ao mês de janeiro já sejam pagas com os valores atualizados, e não apenas em fevereiro, como tinha sido anteriormente comunicado”, adianta o gabinete de Rosário Palma Ramalho, em comunicado enviado esta tarde.

O esclarecimento surge depois de esta manhã, também em comunicado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social ter indicado que os aumentos das pensões para o próximo ano, que decorrem da lei, só seriam pagos a partir de fevereiro “e com retroativos a janeiro, uma vez que as pensões desse mês têm de ser processadas ainda em dezembro”.

A maioria dos pensionistas vai ter um aumento de 2,80% nas pensões a partir de janeiro de 2025, segundo a portaria publicada hoje em Diário da República.

De acordo com a legislação, as pensões até 1.074,26 euros, onde se situa a grande maioria dos pensionistas, vão subir 2,80% no próximo ano. No mínimo, estas pensões têm de ter um aumento de 9,29 euros (para pensões entre 331,79 euros e 1.074,26 euros).

As pensões de montante superior a 1.074,26 euros e até 3.222,78 euros sobem 2,27% (no mínimo de 30,08 euros) e as pensões acima de 3.222,78 euros sobem 2,02% (no mínimo de 73,16 euros).

Já as pensões de montante superior a 6.445,56 não serão atualizadas.

A portaria explica a fórmula de cálculo da atualização das pensões, tal como prevista na lei, que tem em conta o crescimento médio real do produto interno bruto (PIB) dos últimos dois anos, terminados no terceiro trimestre de 2025, e a variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor sem habitação, disponível em dezembro deste ano.

Na prática, estes valores de atualização significam que, a partir de janeiro, um pensionista que atualmente tem uma reforma de 400 euros brutos passa a receber 411,2 euros mensais, mais 11,20 euros.

Por sua vez, uma pensão de 950 euros avançará para 976,60 em 2026, isto é, mais 26,60 euros.

Já uma pensão de 1.100 euros passa a receber 1.124,97 euros, uma subida de 24,97 euros.

Ao mesmo tempo, uma pensão de 3.300 euros subirá para 3.366,66, mais 66,66 euros mensais.

O parlamento aprovou na votação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) a iniciativa do PSD e CDS-PP para que o Governo volte a pagar no próximo ano o suplemento extraordinário para as pensões mais baixas, em função da evolução das contas públicas, ao passo que as propostas da oposição para um aumento estrutural das pensões foram todas chumbadas.

Fonte: Lusa | Imagem: SS

2025: Mudança de Papa, eleições, Ano Santo e guerra marcaram história do ano

2025: Mudança de Papa, eleições, Ano Santo e guerra marcaram história do ano

O fim do pontificado do Papa Francisco e a eleição de Leão XIV estão entre os acontecimentos mais relevante do ano de 2025, que ficou marcado também pela vivência do Jubileu 2025 e voltou a ser ensombrado pela guerra.

“Sinto que muitos dos jovens hoje em dia sentiram que perderam ali um Papa muito importante, um Papa que lhes chamava muito ao coração”, afirmou Carolina Berlim, do Departamento de Comunicação da Província Portuguesa dos Jesuítas, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido na RTP2.

O Papa Francisco faleceu no dia 21 de abril, aos 88 anos de idade, pelas 07h35 locais (menos uma hora em Lisboa), na Casa de Santa Marta, onde residia, após um internamento de 38 dias no Hospital Gemelli, colocando fim a 13 anos de liderança da Igreja Católica.

O jornalista da Renascença João Maldonado considera que mudança de pontificado é o “acontecimento do ano” para todos os católicos bem como para o mundo inteiro.

“É algo muito, muito raro mudarmos de Papa, mudarmos um pontificado e acaba sempre por marcar o ano em que acontece”, reforça.

O jornalista recorda acontecimentos dos últimos meses de vida de Francisco, nomeadamente a abertura do Ano Santo 2025, a 24 de dezembro de 2024, a publicação da autobiografia “Sfera” (Esperança, em Portugal), em janeiro, e o agravamento do estado de saúde do pontífice nos meses que se seguiram.

João Maldonado destaca o dia da morte de Francisco, na segunda-feira, a seguir à Páscoa, como uma data com “enorme simbolismo para os católicos”, “o começo de uma nova vida”, e o processo que se seguiu com o início do Conclave, que teve a oportunidade de cobrir como jornalista em Roma.

“A expectativa durante esses dias acho que foi sempre a palavra de ordem, é muito giro olhar para trás e ver o que é que todos os jornais, não só os italianos, os portugueses, os internacionais, as apostas que sempre foram tentando fazer por esses dias em relação a quem poderia seguir como Papa”, refere, lembrando que Leão XIV não estava na listas iniciais.

A 8 de maio de 2025, o cardeal Robert Francis Prevost, até então prefeito do Dicastério para os Bispos, foi eleito como Papa, após dois dias de Conclave, assumindo o nome de Leão XIV.

“Acho que ninguém estava à espera que fosse àquela hora em que sai o fumo branco. Eu, no meu caso pessoal, até conto que eu tinha acabado de fazer um direto, até tinha já arrumado meio as coisas”, relata, explicando que, dada a quantidade de pessoas no local, à hora do anúncio, havia muito pouco acesso à internet.

“Apesar de toda a tecnologia em que estamos envolvidos, naquele momento nós não sabemos nada, de nada, sobre aquele cardeal, e mesmo assim há milhares, milhões de pessoas em todo o mundo que param tudo o que estão a fazer para ou ali irem presencialmente ou seguirem o acontecimento”, salienta.

Carolina Berlim evoca o momento em que que é anunciado o nome do novo Papa e se conhece a nacionalidade de Leão XIV: “O primeiro ambiente geral, foi ouvir esse nome e pensar, ‘ah, americano’, então houve quase uma ligeira desilusão”.

“Depois ele apresenta-se de uma forma um bocadinho diferente de Francisco, um bocadinho mais semelhante a Bento XVI, imediatamente as pessoas começam a fazer relações nas suas cabeças e assim um bocadinho a entrar em pânico, mas acho que é também belo vermos que o Papa Leão XIV é uma bonita continuação do Papa Francisco”, salienta.

“Não é uma cópia do Papa Francisco, porque também não era isso que a Igreja precisava neste momento”, acrescenta.

Sete meses depois da eleição de Leão XIV, Carolina Berlim e João Maldonado destacam a paz como o tema do pontificado, que esteve muito presente na primeira viagem internacional do pontífice, na qual visitou a Turquia e o Líbano (27 a 2 de dezembro).

“Acho que foi muito bonito ver e ler as imagens e as descrições de milhares de jovens que ali foram ver o Papa, não só do Líbano, mas que vieram também de outros países, como sa Síria, que naquele ambiente pesado conseguiram criar ali uma mini Jornada Mundial da Juventude, com muitos cânticos a fazer recordar uma JMJ”, indica.

Além destes acontecimentos, 2025 mostrou ser um ano de grande dinamismo para a Igreja Católica, que viveu o Jubileu 2025, dedicado à esperança, que levou milhares de grupos a Roma.

Carolina Berlim considera “muito poético” o facto de a eleição de um novo Papa ter acontecido num ano “especialmente dedicado à unidade da Igreja”.

No campo político, Portugal foi chamado às urnas duas vezes, primeiro nas eleições legislativas, em maio, e depois nas eleições autárquicas, em outubro, tendo o ano terminado com a campanha eleitoral para as presidenciais.

“Deve ser dos poucos anos na história da democracia em Portugal que isto acontece. E mesmo noutros pontos da Europa acho que é difícil encontrarmos casos assim”, mencionou João Maldonado, que defende que os atos eleitorais de 2025 mostraram polarização e que faz falta encontrar “pontos comuns”.

Carolina Berlim concorda que se ouvem cada vez mais “vozes polarizadas” que intimidam as “vozes moderadas”: “Penso que na cabeça das pessoas talvez tenha-se instituído muito esta ideia de que ou é preto ou é branco. …] E, de facto, a moderação não é isso. A moderação implica um bocadinho mais de discernimento. Acho que o discernimento é fundamental para qualquer cristão que queira votar”.

Em 2025, a guerra continuou a dominar a atualidade, tendo o som da armas continuado a ecoar em vários pontos do mundo.

O jornalista da Renascença João Maldonado observa que o cessar-fogo não chega devido à “falta de pontes”, à falta de ambição pela paz, a que se aliam o “negócio das armas”, da tecnologia e da inteligência artificial.

“O papel de cada um de nós primeiro é acompanhar estes conflitos com muita oração e com muita tristeza como o Papa também o faz, portanto seguimos o nosso pastor, mas por outro lado também percebermos que não podemos justificar nem normalizar nas nossas cabeças estes conflitos só porque eles não estão a acontecer aqui perto de nós”, disse Carolina Berlim.

Fonte: Ecclesia

Genísio: Padre Telmo Ferraz regressou para apresentar “Fui Pároco de Aldeia”

Genísio: Padre Telmo Ferraz regressou para apresentar “Fui Pároco de Aldeia”

Na tarde de Domingo, dia 28 de dezembro, a Associação Cultural e Recreativa Sol Nascente, em Genísio, recebeu a visita do padre Telmo Ferraz, antigo pároco (1951-1953), para a apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, que recorda os primeiros anos de sacerdócio nas paróquias de Genísio e Vilar Seco.

Telmo Ferraz nasceu a 25 de novembro de 1925, na aldeia de Bruçó, no concelho de Mogadouro, tendo celebrado recentemente 100 anos de vida. Foi ordenado sacerdote em Bragança, em 1951, pelo então bispo de Bragança-Miranda, Dom Abílio Vaz das Neves e teve como primeiras paróquias as aldeias de Genísio e Vilar Seco, de 2 de agosto de 1951 até 30 de junho de 1953.

Na apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, em Genísio, estiveram presentes o vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, a presidente da Freguesia de Genísio, Edite Lopes e o padre Basileu Pires.

Coube ao professor da Universidade Católica, Henrique Manuel Pereira, autor do prefácio, fazer uma apresentação do livro que assinala os 100 anos de vida do Padre Telmo Ferraz (1925-2025).

«A primeira edição de “Fui Pároco de Aldeia” foi lançada a 29 de junho, data da sua ordenação sacerdotal, dia de São Pedro e no âmbito dos 100 anos de vida do padre Telmo Ferraz. O “Lodo e as Estrelas (1985)” foi o seu primeiro livro e “Pároco de Aldeia” é o 14º livro da sua autoria”, indicou Henrique Manuel Pereira.

Sobre o conteúdo do livro, Henrique Manuel Pereira, escreve no prefácio que «este livro é um coração aberto, um gesto de ternura, um fio de memória feito de terra, de povo e de Evangelho. .. “Fui Pároco de Aldeia” é um regresso à própria vocação de Telmo Ferraz, jovem e caloiro padre num remota paróquia de Miranda do Douro», pode ler-se no prefácio.

Após o serviço nas paróquias de Genísio e Vilar Seco, o padre Telmo Ferraz assumiu a responsabilidade de ser capelão da barragem de Picote, onde desenvolveu uma “pastoral e humanitária junto dos operários”.

Em 1960, viajou para Angola, para ser capelão na barragem de Cambambe. Em 1963, ainda por terras africanas, fundou a Casa do Gaiato de Malanje, dedicando-se à formação de sucessivas gerações de jovens em risco.

Ao longo dos anos, o padre Telmo Ferraz publicou livros como Mourela (2012), Contigo no Planalto (2013), Pelo Caminho das Tipoias (2013), Mibangas e Frutos (2013), A Mulemba e o Grão de Areia (2014), Um Retiro na Montanha (2016), Terra Batida (2017), As Abelhas e o Mel (2018), O Silêncio de Deus (2019), Sinais (2021), Aldeia de Leprosos (2023) e Meu Sonho Profundo (2023).

Atualmente, o padre Telmo Ferraz vive na comunidade da Casa do Gaiato, no Calvário de Beire, em Paredes (Portugal).

HA



Vimioso: Assembleia Municipal aprova orçamento destinado a fixar pessoas no concelho

Vimioso: Assembleia Municipal aprova orçamento destinado a fixar pessoas no concelho

Para o novo ano de 2026, a Assembleia Municipal de Vimioso (PSD) aprovou por maioria, um orçamento de 14,5 milhões de euros, tendo como prioridades a ação social, educação, saúde e os apoios ao empreendedorismo e à criação de emprego, de modo a fixar pessoas no concelho. 

O presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos (PSD), disse que este orçamento conta com mais um milhão de euros face a 2025, com a preocupação de fixar pessoas no concelho.

“A única forma de atrair e fixar pessoas no concelho é direcionar uma boa fatia deste orçamento municipal para a ação social, para a educação e para a saúde”, disse o autarca vimiosense.

Segundo António Santos, no que toca à ação social, serão tidos em conta os estratos sociais mais desfavorecidos do concelho, apoios aos estudantes do ensino secundário e superior com o pagamento de propinas e apoio à criação de emprego e ao empreendedorismo.

No campo da saúde, são apoiados os doentes com transporte gratuito para o Instituto Português de Oncologia (IPO) e hospitais de referência. Haverá ainda incentivos de apoio à natalidade.

Já em matéria de emprego, serão apoiadas empresas com cinco mil euros por cada posto de trabalho.

Das obras prioritárias, o armazenamento de água é uma prioridade com a criação de barragens da Alamela e Santulhão, que é tida pelo executivo social-democrata como uma obra estruturante no que respeita ao regadio, com uma dotação de 6,5 milhões de euros.

A ribeira da Ramalheira, em Angueira, será outro ponto de armazenamento de água, orçado em mais de 15 milhões de euros, para o qual estão a ser desenvolvidos estudos de impacte ambiental e outros trâmites inerentes junto das entidades competentes.

Ainda no campo do abastecimento de água foi aprovada uma candidatura para instalação de contadores inteligentes em todas as habitações, no valor de 1,5 milhões de euros, para deteção de fugas.

Segundo António Santos, há outra obra emblemática para o concelho que passa pela construção de seis residências autónomas para jovens portadores de deficiência.

No campo dos impostos, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para prédios urbanos fica no valor mínimo (0,3%), enquanto para prédios rústicos fixa-se no máximo (0,8%).Já em sede de Imposto sobre o Rendimento (IRS) ficou nos 5%. No que respeita aos Direitos de Passagem, a taxa é de 0,25%.

Do lado da bancada do PS, os eleitos justificaram os votos contra porque o orçamento segue opções políticas segundo os socialistas “erradas, ao privilegiar o aumento da despesa corrente em detrimento do investimento estruturante”.

“Esta escolha enfraquece a capacidade do município para responder aos problemas reais do concelho, adia investimentos necessários e limita o desenvolvimento futuro. Há a ausência de uma estratégia clara para enfrentar desafios como a perda de população, o envelhecimento, a falta de oportunidades económicas e o isolamento territorial”, indicam os eleitos pelo PS.

Em Vimioso, o orçamento municipal foi aprovado por maioria, em sede e executivo municipal, no dia 5 de dezembro, com três votos a favor da maioria PSD e dois votos contra da oposição do PS.

A Assembleia Municipal de Vimioso e a Câmara Municipal são ambas de maioria PSD. Na câmara há cinco eleitos, sendo três do PSD e dois do PS.

Fonte: Lusa | Foto: HA

Mogadouro: Aprovado o orçamento municipal para obras como o museu arqueológico

Mogadouro: Aprovado o orçamento municipal para obras como o museu arqueológico

A Assembleia Municipal de Mogadouro (PSD) aprovou para o ano de 2026, um orçamento de mais de 34 milhões de euros, destinado a obras como o ginásio municipal, matadouro municipal, museu arqueológico de Mogadouro e a conclusão das requalificações das antigas escolas primárias do concelho.

“Este orçamento de mais de 34,1 milhões tem em vista todas políticas que vinham a ser seguidas por este executivo e que vão incidir nos apoios às empresas e às pessoas. Este orçamento contempla ainda um conjunto de obras que estão na fase final de execução, que ao todo ainda somam 6,8 milhões de euros “, explicou à agência Lusa, o presidente da câmara de Mogadouro (PSD), António Pimentel.

O orçamento aprovado teve um aumento de 4,2 milhões de euros face ao de 2025.

De acordo com o autarca mogadourense, as obras em causa são o ginásio municipal, matadouro municipal, o museu arqueológico de Mogadouro que vai ter o seu início em 2026 e ainda conclusão das obras das antigas escolas primárias do concelho.

“São obras que transitam para 2026. Mas há novos projetos como parque biológico do Juncal, o centro interpretativo do Douro Internacional, a recuperação do edifício do convento de São Francisco, onde estão os paços do concelho, e recuperação de arruamentos em várias localidades do concelho, sendo estas a obras mais representativas”, explicou Antonio Pimentel.

O autarca social-democrata lembrou ainda que também há investimentos previstos para 2026, como a  manutenção de vários equipamentos públicos que vão desde a biblioteca municipal, à Casa das Artes e Casa da Cultura J.Rentes de Carvalho e à escola do ensino básico.

António Pimentel explicou ainda que para a educação estão destinados 218 mil euros, destinados a fichas escolares para todos os níveis de ensino, prémios de excelência educativa, e apoio à primeira infância de atividades de tempos livres e estudo e a segunda fase de combate ao insucesso escolar.

Já o setor agrícola tem uma dotação de 216 mil euros para a vacinação animal, apoio ao plantio de árvores e trabalhos preparatórios.

No que respeita aos apoios a iniciativas empresarial e económica de interesse municipal está alocada uma verba de 490 mil euros.

A ação social leva a maior fatia com mais de dois milhões de euros, com ampliação da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia (com uma dotação de 1,5 milhões de euros), o apoio à habitação, apoio à natalidade, entre outros.

Em sede de executivo municipal que decorreu a 09 de dezembro o orçamento foi aprovado com três votos da maioria PSD e duas abstenções do PS.

No campo dos impostos municipais para 2026, a taxa de IRS será de 0,3% . No campo de IMI o valor mantém-se nos mínimos (2,5%). No que respeita à Derrama a taxa é de 1,5 % aplicável a banca e energético.

Do lado da bancada do PS, Manuel Lobo, disse que este orçamento representa mais do mesmo, materializando opções e apostas do executivo que suscitam sérias dúvidas quanto ao futuro de Mogadouro.

“Assim, o Grupo Municipal do Partido Socialista opta pela abstenção, por não se rever nas opções, prioridades e orientação política expressas neste orçamento”, indicou o líder da bancada socialista.

O executivo municipal de Mogadouro é composto por cinco eleitos, sendo três pelo PSD e dois pelo PS.

A Assembleia Municipal é de maioria PSD.

Fonte: Lusa | Foto: MM

Miranda do Douro: Município aprovou orçamento para 2026

Miranda do Douro: Município aprovou orçamento para 2026

A câmara Municipal de Miranda do Douro, liderada pela social-democrata, Helena Barril, aprovou, por maioria, o orçamento municipal para 2026, com uma dotação de 29 milhões de euros, sendo que 1,7 milhões destinam-se à modernização do sistema de abastecimento de água à população.

“O orçamento municipal para 2026 tem mais 4,1 milhões de euros face a 2025 e afirma-se como um orçamento de proximidade, de combate e de esperança, refletindo o compromisso do executivo municipal com a proteção dos cidadãos e de futuro para o concelho de Miranda do Douro”, explicou a presidente da câmara, Helena Barril.

Segundo a autarca mirandesa, foi aprovado com os votos a favor da maioria PSD, a que se juntou também um voto a favor do PS e uma abstenção também do PS.

“Este reforço orçamental traduz uma estratégia de crescimento sustentado e responsável, orientada para as reais necessidades da população”, sublinhou.

Segundo Helena Barril, o documento evidencia um esforço claro de rigor financeiro, com o aumento da arrecadação de receitas de capital e a redução da despesa corrente prevista.

“O orçamento para 2026 adota ainda uma política fiscal competitiva, assumidamente amiga das famílias e das empresas, com o objetivo de impulsionar a recuperação social e económica do concelho, reforçando a coesão territorial e a qualidade de vida dos mirandeses”, acrescenta.

No campo dos investimentos, destacam-se os apoios de 350 mil euros para os dois corpos de bombeiros do concelho (Miranda do Douro e Sendim) para o transporte de doentes oncológicos.

No campo da agricultura, pecuária e indústria está previsto um investimento de um milhão de euros para o próximo ano.

Há projetos com candidaturas aprovadas como é o caso dos sistemas de abastecimento de água e saneamento no montante de 1,7 milhões de euros, destinado a vários pontos do concelho.

Helena Barril fala ainda na criação de um corredor ecológico ao longo da área concelhia do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI)

No campo dos impostos, o IMI vai de 0,3% a 0,8%. O IRS está fixado na taxa de 2,5 %. Já a Derrama é de 1,5% aplicável aos setores da branca e aos centros eletroprodutores.

Do lado da oposição do PS, o vereador sem pelouros António Ribeiro disse que votou a favor, mas os dois eleitos vão ser fiscais da execução deste orçamento aprovado para 2026.

O Executivo municipal de Miranda do Douro é composto por cinco elementos, dos quais três foram eleitos pelo PSD e dois pelo PS.

O PSD tem igualmente maioria na Assembleia Municipal.

O orçamento foi votado a 29 de dezembro na Assembleia Municipal.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

Constantim: Jovens regressam para dar alegria à Festa de São João Evangelista

Constantim: Jovens regressam para dar alegria à Festa de São João Evangelista

De 27 a 30 de dezembro, decorre na aldeia raiana de Constantim, no concelho de Miranda do Douro, a festividade em honra de São João Evangelista ou Festa dos Moços, uma festa de solstício de inverno organizada e animada pelos jovens pauliteiros, músicos e mascarados que trazem alegria e vida a uma aldeia despovoada.

Confessa aficionada da Festa de San Juan ou Festa dos Moços, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, mostrou-se otimista de que a preservação desta tradição na aldeia de Constantim também contribui para o rejuvenescimento desta localidade raiana.

“É com enorme alegria que vejo os jovens, muitos deles a estudar e trabalhar noutras regiões do país, a regressar a Constantim para assumirem a responsabilidade de organizar a Festa de São João Evangelista ou Festa dos Moços. A participação entusiasta dos jovens é um motivo de esperança de que esta tradição tem futuro”, disse a autarca de Miranda do Douro.

Helena Barril recordou que esta festividade em Constantim é uma das três festas de solstício de inverno, no concelho de Miranda do Douro, que aguardam pela inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

“Dada a relevância cultural das festas de Santa Luzia (Velho e a Galdrapa), em São Pedro da Silva; de São João Evangelista (Festa dos Moços), em Constantim; e a Festa do Menino, em Vila Chá de Braciosa, o município de Miranda do Douro entende que estas manifestações culturais são únicas e também contribuem para o desenvolvimento do concelho, na atração de visitantes”, justificou.

Sobre a festa de San Juan ou Festa dos Moços, o presidente da União de Freguesias de Constantim e Cicouro, José Ribeiro, explicou que é organizada pelos moços ou rapazes solteiros da aldeia de Constantim.

“Os principais momentos da festa são o peditório, animado pelas danças dos pauliteiros de Constantim e as travessuras dos mascarados, o carocho e a velha. Outro momento importante é a celebração da missa em honra de São João Evangelista e que conta com a participação dos pauliteiros. No dia seguinte, realiza-se o jantar comunitário, com o fumeiro angariado no peditório”, indicou o autarca local.

De visita a Constantim, o etnógrafo, Mário Correia, um dos estudiosos da festas de solstício de inverno no concelho de Miranda do Douro indicou que esta festa é a mais completa, pela envolvência de toda a comunidade e porque se desenrola ao longo de quatro dias.

“Em Constantim, a Festa de São João ou Festa dos Moços começa com a recolha dos cepos ou da lenha para fazer a fogueira comunitária. Neste primeiro dia faz-se a apresentação dos mascarados, o carocho e a velha. No dia seguinte, há a ronda do peditório pela aldeia, no qual se convidam pessoas para a festa oferecendo-lhes tremoços e castanhas. O peditório culmina com a celebração da missa em honra de São João Evangelista, na qual participam os pauliteiros com a dança do Ato de Contrição. No dia seguinte, realiza-se uma ceia comunitária, que antigamente era confeccionada com o fumeiro angariado no peditório. No último dia, os moços fazem as contas da festa e nomeiam-se os mordomos do próximo ano”, descreveu.

Este ano, a festa de solstício de inverno, em Constantim, recebeu a visita de um grupo de 30 pessoas, vindas de Setúbal, Lisboa, Açores e Madeira, no âmbito do programa do INATEL “Aldeias de Sonho”.

“O programa Aldeia de Sonho destina-se a aldeias com menos de 100 habitantes, como é o caso de Constantim. Há três anos, os poucos habitantes desta aldeia foram presenteados com uma viagem para conhecer o Minho. Agora foi a vez da população de Constantim receber a visita de pessoas de Setúbal, Lisboa, Açores e da Madeira, que aproveitaram a viagem para visitar também a cidade de Miranda do Douro”, explicou o responsável da INATEL, Pedro.

Integrado no grupo de visitantes da Inatel, dos Açores, veio o casal, Maria Barcelos e Carlos Ferreira, que elogiaram a participação dos jovens na organização da festa, um modo segundo o casal, de devolver vida à uma localidade afetada pelo despovoamento.

“É muito bonito ver o entusiasmo destes jovens pauliteiros, músicos e mascarados na animação da festa em honra do apóstolo, São João Evangelista. Para nós, visitantes, que costumamos ver os Pauliteiros de Miranda na televisão é muito diferente presenciar ao vivo estas danças e escutar os sons da gaita de foles, da caixa e do bombo”, disseram.

De acordo com os visitantes açorianos, a preservação das tradições e a promoção turística da região podem ser uma estratégia para atrair visitantes e fixar a população, em aldeias como Constantim.

Da vizinha Espanha, Luísa Balares, Cristina Rodero e Carlos Blanco, vieram de Madrid, Valladolid e Aliste, para acompanhar a Festa de São João ou Festa dos Moços, em Constantim.

“Viemos com o propósito de conhecer esta bela e antiga tradição da festa de San Juan, nesta aldeia raiana de Constantim. Dada a proximidade geográfica com Espanha, em algumas aldeias espanholas, como Vilarinho Tras la Sierra, também há festas de mascarados e são rituais de fim-de-ano e de purificação para o ano novo que aí vem”, disseram os visitantes espanhóis.

Questionados sobre como inverter o declínio populacional das aldeias raianas, o grupo espanhol referiu que, em Espanha, tem-se verificado um gradual regresso de pessoas para se dedicarem à agricultura, à pecuária, ao comércio e a atividades artesanais.

HA

Malhadas: Livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” permite descobrir a língua mirandesa

Malhadas: Livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” permite descobrir a língua mirandesa

A igreja de Nossa Senhora da Expectação, em Malhadas, foi o local da apresentação do livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764”, uma obra de investigação que dá a conhecer aspetos da língua mirandesa, economia, família, religiosidade desta aldeia do concelho de Miranda do Douro, no decorrer do século XVIII.

A apresentação do livro contou com a participação da presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, da presidente da Freguesia de Malhadas, Micaela Igreja e dos autores da obra, os professores António Bárbolo Alves e Anabela Leal de Barros.

Coube ao professor de História, Fernando Pereira, natural de Malhadas, iniciar a apresentação do livro, na qual destacou que os testamentários referidos na obra, foram todos sepultados na igreja de Nossa Senhora da Expectação, em Malhadas, como era costume no século XVIII.

«Não é por acaso que foi escolhida esta igreja para a apresentação da obra sobre os “Testamentos de Malhadas”. Este lugar sagrado foi o centro espiritual da comunidade, onde os homens e mulheres rezaram e refletiram sobre a vida, a morte e a salvação da alma”, começou por dizer.

Sobre o conteúdo da obra, Fernando Pereira, indicou que a investigação inclui 41 testamentos, relativos ao período 1757-1764 e revela aspetos da realidade daquela época, relativos à economia, família, sociedade, língua, fé, território e vida quotidiana.

“Do ponto de vista linguístico, os testamentos são textos riquíssimos, pois indicam nomes e lugares, alguns já desaparecidos, como Currala, Pardal, Ferrão, Delagad, Preta, Mouro, Rapoza. Os topónimos são outro tesouro: Panhalta, Pral, Olmeda, Val de Madeiro, Camino de Palaçoço, Vale de Angueira”, exemplificou.

O professor de história do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro destacou ainda que os testamentos estudados revelam os costumes religiosos de então, como a encomendação de missas, ofícios e sufrágios para a salvação das almas.

“Estes testamentos serviam para preparar a morte, mas também para organizar a vida, a família, a memória e evitar desentendimentos. Revelam uma comunidade estruturada, consciente e profundamente ligada à fé e ao território”, disse.

Segundo o professor de História, o livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” é útil aos estudiosos mas também à própria comunidade de Malhadas, porque ajuda a compreender a identidade da comunidade local.

O livro resultou de um trabalho de investigação, realizado pelos professores António Bárbolo Alves e Anabela Leal de Barros, ambos doutorados e interessados em estudar a linguística da língua mirandesa.

No concelho de Miranda do Douro, António Bárbolo Alves explicou que os testamentos, como documentos antigos, estão a ser estudados como registos escritos da língua que se falava na designada Terra de Miranda.

“Ao longos dos séculos, a língua mirandesa foi transmitida de geração em geração através da oralidade e antes do século XX há poucos escritos de mirandês. O estudo e análise destes testamentos ou textos jurídicos, dos séculos XVIII e XIX, escritos em português padrão, deixam transparecer caraterísticas (fonéticas, sintáticas, morfológicas) da língua falada nesta região da Terra de Miranda, seja o português e/ou o mirandês”, justificou.

Por sua vez, a professora da Universidade do Minho, Anabela Leal de Barros, acrescentou que os testamentos são textos objetivos, com locais e datas definidas e autores identificados, constituindo por isso, fontes credíveis para o estudo da língua mirandesa.

“Os escrivães, a quem competia a redação dos testamentos, embora escrevessem em português, deixavam transparecer palavras e marcas orais da língua mirandesa, como por exemplo, as palavras que designavam peças de roupa, móveis de casa, tradições, costumes, movimentos populacionais, etc. Os testamentos são textos riquíssimos de conteúdo, pois revelam aspetos sociais, económicos, culturais, religiosos e espirituais das pessoas e comunidades”, indicou.

A edição do livro “Testamentos de Malhadas 1757-1764” contou com os apoios do município de Miranda do Douro e da freguesia de Malhadas.

A presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, elogiou o trabalho de investigação dos autores, que está a revelar aspetos históricos das localidades do concelho de Miranda do Douro.

“Este livro é um legado dos nossos antepassados, que nos convida a conhecer a realidade do século XVIII. Destaco, por exemplo, o modo como as pessoas se relacionavam e transmitiam os seus bens (propriedades, objetos, etc.) e preparavam a sua morte, numa perspectiva profundamente religiosa”, salientou a autarca de Miranda do Douro.

Por sua vez, a anfitriã do encontro, a presidente da Freguesia de Malhadas, Micaela Igreja, expressou contentamento pela apresentação deste livro que traz à luz aspetos da história desta localidade, situada em pleno planalto mirandês.

“Compete à freguesia de Malhadas apoiar todas as iniciativas que revelem e promovam a nossa história, com especial atenção aos estudos da língua mirandesa, pois é um dos tesouros da nossa cultura, que nos diferencia e torna únicos”, disse a jovem autarca.

Após as apresentações dos livros “Testamentos de Picote” e “Testamentos de Malhadas”, a FRAUGA pretende apresentar outros livros similares relativos aos testamentos nas localidades de Sendim, Duas Igrejas e Águas Vivas.

HA