Saúde: Um quarto dos laboratórios fez 90% das análises – Regulador

Saúde: Um quarto dos laboratórios fez 90% das análises – Regulador

Um estudo do regulador da saúde revela que 26% dos laboratórios clínicos realizaram 90% das análises, no primeiro semestre de 2023, alertando que a concentração de mercado no Norte e no Algarve pode suscitar preocupações de concorrência no setor.

Segundo a “Informação de Monitorização do Setor convencionado de Análises Clínicas”, divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), em outubro de 2023, estavam registados, 3.381 estabelecimentos na área das análises clínicas e patologia clínica.

Destes 251 são laboratórios e 3.130 são postos de colheitas, dos quais 34 são unidades móveis, o que representa um crescimento de 8,9% em relação a setembro de 2015 e de 0,4% face ao ano de 2022.

A ERS explica que, a nível concorrencial, o universo de 3.178 estabelecimentos fixos não públicos detentores de convenção com o SNS para a área de análises clínicas se integra em 53 operadores (entidades ou grupos de entidades) que constituem efetivos concorrentes nos mercados considerados.

“Constata-se que os três maiores operadores englobam cerca de 50% das requisições aceites, e 14 operadores (26%) representam cerca de 90% da totalidade de requisições aceites em Portugal continental no primeiro semestre de 2023, sendo certo que a mesma percentagem de requisições tinha sido apresentada, em 2022, por 28,6% dos operadores”, sublinha o documento.

Em termos regionais, o estudo verificou que os níveis de concentração de mercado (calculado através do Índice de Herfindahl-Hirschmann – IHH)) das regiões de saúde do Norte e do Algarve encontravam-se dentro de “valores passíveis de suscitar preocupações concorrenciais, à luz das orientações da Comissão Europeia”.

Nas regiões de saúde do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo foram encontrados “níveis de concentração moderados” com IHH mais altos do que em 2022.

“O cálculo do rácio de concentração para os quatro grupos mais representativos que atuam em cada região de saúde (CR4), com um ligeiro aumento em relação a 2022, revela índices de concentração elevados nas regiões do Algarve, do Norte e do Alentejo e moderados nas restantes regiões (21), destacando-se que o mercado é dominado por um reduzido número de operadores”, sublinha a ERS.

O regulador verificou também que, à semelhança do que constatou em 2022, o operador com maior representatividade a nível nacional só corresponde ao maior grupo dentro de uma região de saúde, a do Norte.

Ainda segundo a ERS, cerca de 87% dos concelhos apresentam menos de 26 estabelecimentos fixos, notando a ausência de oferta em nove concelhos, um da região de saúde do Centro (Manteigas), dois da região de saúde do Norte (Boticas e Torre de Moncorvo) e seis da região de saúde do Alentejo (Alter do Chão, Arronches, Barrancos, Crato, Marvão e Sousel).

Ressalva, contudo, que todos os concelhos sem oferta de estabelecimentos fixos são abrangidos por unidades móveis.

A maior concentração de estabelecimentos encontra-se nos concelhos de Lisboa (mais de 100 estabelecimentos), Sintra, Almada (região de Lisboa e Vale do Tejo) e no concelho do Porto (região Norte), que correspondem também a regiões com elevado número de habitantes.

Em 2023, no primeiro semestre 97% dos estabelecimentos (excluindo as unidades móveis) do setor privado detinham convenção com o SNS na área de Análises Clínicas.

Em 2022, o número de atos aceites em todas as regiões de saúde foi superior ao verificado no ano de pré-pandemia e no ano transato.

Nos primeiros seis meses do ano, os exames aceites por 1.000 habitantes foram de 3.305 a nível nacional (cerca de 50% do obtido para o ano completo de 2022, 6.518 atos por 1.000 habitantes), com a região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo a apresentar o rácio mais baixo e a região de saúde do Centro o mais elevado.

A ERS adianta que acompanha de perto o setor para garantir o bom uso dos recursos públicos, considerando ser importante “garantir a concorrência no mercado para evitar preços altos e baixa qualidade”.

Fonte: Lusa

Ensino Superior: Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com primeiro doutoramento

Ensino Superior: Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com primeiro doutoramento

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) tem acreditado o primeiro doutoramento do país lecionado no ensino politécnico, com a designação de “Engenharia de Sistemas Inteligentes”, anunciou a instituição.

O presidente do IPB, Orlando Rodrigues, disse à Lusa que esta aprovação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3Es), por seis anos e sem condicionamentos, era muito ambicionada, e tem “um valor simbólico” porque representa uma vitória para os politécnicos.

A alteração da lei que regulamenta a atribuição de graus e diplomas no ensino superior, votada por unidade na Assembleia da República em fevereiro de 2023, veio permitir aos politécnicos conferir o grau de doutor. 

“Era uma alteração muito ambicionada pelo sistema politécnico, tendo em conta que pretendemos ser instituições próximas das empresas, mas com capacidade científica. Daí que os doutoramentos fossem absolutamente centrais nesta estratégia”, explicou Orlando Rodrigues, acrescentando que este é o culminar de um processo “que passou no parlamento depois de muito esforço e de muita luta”.

“Os politécnicos submeteram as suas propostas. Este foi o primeiro a ser aprovado, outros serão de seguida. (…) Tem este valor especial, simbólico, porque é o resultado desta vitória dos politécnicos”, considerou o presidente do IPB.

O doutoramento aprovado tem por objetivo preparar profissionais e investigadores numa área que é multidisciplinar e que se liga com o “universo científico do Centro de Investigação em Digitalização e Robótica Inteligente (CeDRI, localizado IPB), nomeadamente eletrónica, automação e robótica, sistemas ciberfísicos, inteligência artificial, computação avançada e cibersegurança”, explicou a instituição, em comunicado.

Para Orlando Rodrigues, a ‘luz verde’ dada ao doutoramento é também uma questão de justiça.

“Porque há um requisito que é o mais difícil de atingir, desde que foi alterada esta lei dos graus e diplomas, que exige que para se ter um doutoramento as instituições têm de ter um centro de investigação com a classificação mínima de muito bom ou excelente. Nós temos dois com a classificação de excelente. Algumas universidades não têm nenhuma”, salientou Orlando Rodrigues.

O responsável afirmou ainda que há vários alunos de doutoramento a serem orientados pela instituição que dirige, mas estes tinham de recorrer a universidade externas, portuguesas ou espanholas, com as quais o IPB tem protocolos, para poderem obter o grau.

“Não era justo e, sobretudo, não era eficaz, porque não podíamos ajustar completamente as linhas de investigação às necessidades das nossas regiões. E isso agora será possível. (…) Vai-nos permitir desempenhar melhor o nosso papel (…)”, rematou Orlando Rodrigues.

O doutoramento em Engenharia de Sistemas Inteligentes arranca no próximo ano letivo, com 15 vagas.

O IPB aguarda a aprovação ainda de mais dois cursos de doutoramento, um em Engenharia de Biossistemas e outro em Tecnologia e Produtos de Base Natural.

Fonte: Lusa

Paradela: 400 atletas e caminhantes percorreram os carreiros do contrabando

Paradela: 400 atletas e caminhantes percorreram os carreiros do contrabando

Na manhã de Domingo, dia 14 de abril, a aldeia de Paradela foi o local de partida e de chegada do II Trail Contrabando do Café, uma prova desportiva, com corrida e caminhada, na qual participaram mais de 400 pessoas, que ficaram maravilhadas com a beleza das paisagens, não obstante a dureza do percurso e o intenso calor.

A caminhada de 12 quilómetros, do Trail Contrabando do Café contou com a participação de cerca de 300 pessoas.

No café local, em Paradela, a proprietária Isabel Sebastião, estava radiante com o inusitado movimento na aldeia, por causa da prova de atletismo e a caminhada.

“Pelo segundo ano consecutivo, este evento traz a Paradela, gente cheia de alegria e de entusiasmo. E com estas centenas de pessoas na aldeia, o negócio melhora um pouco, já que ao longo do ano, o nosso dia-a-dia é muito tranquilo, em que vamos recebendo as visitas de alguns turistas que vêm visitar o miradouro da Penha das Torres”, disse.

Outros habitantes locais, Diamantino Preto e Alberto Pires, mostraram-se igualmente entusiasmados com a invulgar chegada de pessoas à localidade mais oriental de Portugal, para participar na prova desportiva. Sobre o nome do evento, “Contrabando do Café”, os dois senhores de Paradela, confirmaram a importância económica passada, que a troca comercial clandestina, teve no rendimento de algumas famílias.

“Para Espanha levávamos café, dado que em Portugal era mais barato por causa da produção que chegava de Angola. E de Espanha, trazíamos calças de ganga e pesetas”, disseram.

Naquele tempo, os contrabandistas operavam sobretudo à noite, para não serem vistos pela guarda-fiscal. Ademar Preto, natural de Paradela, é um antigo militar dessa força de segurança. O antigo guarda, que serviu em vários postos no país, recordou que foi na sua terra natal, em Paradela, onde teve mais dificuldade em exercer a autoridade, dado que alguns dos contrabandistas eram familiares e amigos.

“Houve vezes, em que tive mesmo de dizer-lhes que a fronteira era muito extensa, pelo que lhes pedia que fizessem o contrabando por outros caminhos mais distantes”, recordou.

E foi por muitos destes caminhos e carreiros, outrora percorridos pelos contrabandistas, que se realizou a corrida e a caminhada, do II Trail Contrabando do Café.

Numa antevisão da prova, o pastor local, Delfim Preto, destacou que os participantes iriam realizar um passeio agradável, envoltos pela beleza da natureza primaveril.

No trail de 18 quilómetros, Ilídio Moreiras, confirmou a boa forma física e venceu a corrida. O atleta do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), concluiu o percurso, em 1hora 30 minutos e 32 segundos. Após a chegada à meta, o veterano atleta descreveu a prova como “muito difícil”.

Ilídio Moreiras venceu o trail de 18 quilómetros, em 1hora 30 minutos e 32 segundos.
“Já sabia de antemão da grande dificuldade da prova, com muitas subidas e descidas e o calor veio dificultar ainda mais a corrida. Nestas condições, a minha estratégia foi assumir a dianteira, para depois gerir a distância para os meus seguidores”, disse.

Aproximadamente três minutos depois, chegou o segundo classificado, Marco Rivera, da equipa CD Solorunners Valladolid (Espanha). Sobre a prova, o atleta espanhol, que participou pela primeira vez no trail em Paradela, descreveu o percurso como muito bonito e variado.

“Gosto de provas assim, com muitas descidas e subidas, o que exige técnica na corrida. Sobre o calor que se fez sentir, pessoalmente, gosto muito de correr com temperaturas altas. Na prova, destaco ainda as paisagens belíssimas do castro e do miradouro da Penha das Torres”, disse.

Do lado feminino, a atleta Lucinda Moreiras, foi a primeira a chegar à meta, cumprindo o percurso em 1 hora 54 minutos e 24 segundos.

“Após ter conquistado, recentemente, na categoria 55, o campeonato nacional de mini-maratona, com recorde nacional, hoje senti-me bastante cansada e foi-me mais difícil realizar esta prova. Ainda assim, consegui chegar em primeiro lugar. Felicito a organização pelo bonito percurso”, disse.

Do lado dos caminhantes, os jovens Tomás Fernandes e Maria Leonor, elogiaram também a beleza do percurso e a grande participação de pessoas, o que deu para conviver enquanto percorreram os 12 quilómetros.

Outra caminhante, Dulce Torrão, vinda de Vimioso, apreciou a beleza das paisagens de Paradela, o convívio, mas indicou a dificuldade do percurso.

“As paisagens são líndíssimas e o convívio que se estabeleceu com os caminhantes espanhóis foi espetacular! No entanto, a subida realizada por carreiros estreitos e o calor tornaram a prova bastante difícil. Houve ainda um cruzamento dos caminhantes com os atletas do trail, o que gerou alguma confusão. Mesmo assim, a caminhada valeu bem o esforço!”, disse.

Para Teresa Jesus, vinda da aldeia vizinha de Ifanes, a caminhada foi “maravilhosa”, pois os caminhantes tiveram oportunidade de conviver e contemplar a natureza verdejante e florida da Primavera.

“Na ribeira do Castro, a natureza estava ao rubro com a água a correr, os nenúfares e outras flores. Esta beleza natural associada à boa companhia tornaram esta caminhada memorável. Parabéns à organização!”, disse.

No final da prova, o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), a freguesia de Paradela e o município de Miranda do Douro expressaram idêntica satisfação pelo êxito do evento desportivo.

O responsável pelo atletismo do CDMD, Alírio Sebastião, frisou que o Trail Contrabando do Café tem como “meta” promover o turismo desportivo na localidade de Paradela.

Por sua vez, o presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas, justificou que o investimento na promoção deste evento tem obtido retorno, pela grande afluência de pessoas à localidade.

“É o segundo ano em que se realiza esta prova desportiva em Paradela e estamos muito satisfeitos com o retorno obtido. Esta localidade, à semelhança do que acontece nas outras aldeias do concelho de Miranda do Douro, vive sobretudo da agricultura, da pecuária e do turismo de natureza. Para promover a atividade turística e atrair mais e novos visitantes a este território, que integra o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) decidimos apostar nesta prova desportiva”, justificou.

Em representação do município, o vereador, Vitor Bernardo, destacou que o II Trail Contrabando do Café registou mais de 400 inscrições no trail e na caminhada.

“O sucesso deste evento desportivo mostra que o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), para além das conquistas no futsal distrital, está a afirmar-se também no atletismo. Neste âmbito, todas as inciativas que promovam o desporto, a saúde e o turismo de natureza serão sempre apoiadas pelo município de Miranda do Douro”, assegurou.

No final da prova, a entrega dos prémios aos vencedores e participantes do II Trail Contrabando do Café foi animada com as danças das Pauliteiras de Miranda do Douro.

HA

Miranda do Douro: Mirandeses são bicampeões distritais de futsal

Miranda do Douro: Mirandeses são bicampeões distritais de futsal

Na passada sexta-feira, dia 12 de abril, o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) revalidou o título de campeão distrital de futsal, após a vencer em Freixo de Espada-à-Cinta por 3-6 e beneficiar da derrota do segundo classificado.

A três jornadas do final do Campeonato Distrital I Divisão de Futsal, o CD Miranda do Douro conquistou, pela segunda temporada consecutiva, o título de campeão da Associação de Futebol de Bragança (AFB).

Na 19ª jornada, a equipa de Miranda do Douro venceu o GD Freixo por 3-6 e beneficiou da derrota do SC Moncorvo, segundo classificado, por 3-2 frente à ACDR Ala.

Em 17 jogos realizados, os já bicampeões mirandeses somam 49 pontos, resultantes de 16 vitórias, 1 empate e ainda não permitiram qualquer derrota.

O segundo classificado é o Sporting de Moncorvo que totaliza até ao momento 40 pontos.

A par do bicampeonato, a equipa de Miranda do Douro já havia conquistado a 16 de março, a Taça Distrital pelo segundo ano consecutivo, voltando a fazer a dobradinha.

Nas útimas três jornadas do campeonato distrital de futsal, os mirandeses recebem o ACDR Ala (19 de abril); defrontam o GD Sendim (26 de abril); e encerram o campeonato em Miranda do Douro, diante da EF Arnaldo Pereira, a 30 de abril.

HA

Imagens: AFB e Zerozero

25 Abril: Peça de teatro “Ir a salto” retrata a emigração clandestina com humor

25 Abril: Peça de teatro “Ir a salto” retrata a emigração clandestina com humor

A emigração no século XX é retratada na peça de teatro “Ir a Salto”, que se baseia em histórias reais de quem clandestinamente transpôs fronteiras, mas também de quem foi enganado e deixado na aldeia transmontana de França.

“É uma história de enganos e há uma coincidência com um objetivo que, na altura, as pessoas tinham de emigrar para França e nós temos uma aldeia, em Bragança, com o mesmo nome. A história é por aqui”, revelou hoje Fábio Timor, diretor artístico da Urze Teatro.

O projeto “Ir a salto” desenvolvido por aquela companhia insere-se no programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e tem estreia marcada em Vila Real.

A peça faz uma viagem ao passado, a um período em que ‘a salto’ muitos emigrantes conseguiram transpor clandestinamente as fronteiras portuguesas, mas em que também muitos foram enganados e deixados à sorte por agiotas na aldeia de França, no concelho de Bragança.

“O desafio da Urze foi de pegar precisamente no tema da emigração frustrada, na frustração, ou seja, no pensar que se estava a chegar a França e estava-se, afinal, a chegar a Bragança. É um tema que me obrigou a refletir como é que foi possível, em 1968, enganar tão facilmente as pessoas”, referiu o dramaturgo e encenador José Carretas.

E uma justificação provável é, segundo o próprio, o grau elevado de analfabetismo, na altura de cerca de 30% da população, que afetava mais as mulheres.

“Este lado ingénuo do espetáculo, leve quase, agrada-me muito”, referiu.

A história é trágica, um drama, mas é pintada com humor.

Os protagonistas são o Francisco e a Aurora, que, nos anos 60 do século passado, procuram uma vida melhor e arriscam a emigração com a ajuda de passadores, mas que acabam a viagem apenas na aldeia transmontana de França.

“Não estamos a retratar uma história específica, é um imaginário, mas ela é validada por várias histórias”, assegurou.

Entre 1960 e 1969, cerca de 640 mil portugueses emigraram, 20 a 25% dos quais de forma clandestina.

Porque emigrar “não foi, nem é fácil”, a peça faz, segundo realçou Fábio Timor, uma homenagem ao emigrantes, mas alerta também a atual imigração.

“Nós hoje somos um país que acolhe e temos uma experiência enorme sobre isso e, portanto, acho que devíamos ter uma outra forma inovadora, mais inteligente, mais sofisticada de acolher os imigrantes e não tentar copiar aquilo que já foi mal feito”, salientou o diretor artístico.

O trabalho de investigação foi coadjuvado pelo professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) José Eduardo Reis.

“Ir a salto” é uma coprodução com o Teatro Municipal de Vila Real que conta com o apoio da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, da Direção-Geral das Artes e dos municípios de Vila Real e de Cinfães.

A Urze Teatro foi fundada há 20 anos e criou o Teatro de Bolso em 2021, em Vila Real, um espaço que serve de sede da companhia e de palco para a realização de vários eventos culturais.

No âmbito de um ciclo sobre o 25 de Abril, a Urze já produziu as peças “A teia” e “O tesouro”.

Fonte: Lusa

Cultura: Venda de livros aumentou de janeiro a março

Cultura: Venda de livros aumentou de janeiro a março

Nos primeiros três meses deste ano, foram vendidos cerca de três milhões de livros em Portugal , o que traduz um aumento de 5,8% face ao mesmo período de 2023, apesar do aumento médio de preços de 1,8%.

Segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), no primeiro trimestre deste ano foram vendidos perto de 2,961 milhões de livros (2.960.939), mais 5,8% do que no mesmo período de 2023, o que representou um encaixe financeiro de 42,26 milhões de euros (42.260.298 euros), mais 7,6% face aos primeiros três meses do ano passado.

A APEL baseou-se nos dados disponibilizados pela Gfk, entidade independente que faz auditoria e contagem das vendas de livros ao longo do ano, que revela ainda que o preço médio do livro, este ano, entre janeiro e março, aumentou 1,8% para os 14,27 euros.

Relativamente aos pontos de venda, 70,2% dos livros vendidos no primeiro trimestre foram escoados por livrarias, enquanto 29,8% foram vendidos por hipermercados. Isto reflete-se igualmente nos valores das vendas, já que 79,5% do total arrecadado no mercado livreiro foram repartidos pelas livrarias e 20,5% ficaram com os hipermercados.

Por categoria, o género mais procurado foi a literatura infantojuvenil, com o maior número de unidades vendidas – 35,3% do total -, a um preço médio de 11,03 euros, que contribuem com 27,3% para o encaixe financeiro total, abaixo da receita das vendas de ficção e não ficção.

Em segundo lugar, em termos de unidades vendidas, está a ficção, com um peso de 31,0% do mercado, a um preço médio de 16,40 euros por livro, conseguindo um valor correspondente a 35,6% do total das vendas.

Os livros de não ficção, que representam 30,1% das unidades vendidas neste período, a um preço médio de 17,12 euros, obtêm 36,1% do valor total de vendas, o que corresponde à maior ‘fatia’ dos 42,26 milhões de euros do mercado, neste período.

O género menos representativo – campanhas e exclusivos – contribuiu com 3,6% em número de unidades vendidas, 1% do valor final apurado, tendo o preço médio destas publicações rondado os 4,03 euros.

No primeiro trimestre de 2023, foram vendidos 2,8 milhões de livros, para um valor global do mercado, nesse período, de 39,31 milhões de euros.

No total do ano de 2023, a venda de livros em Portugal cresceu 5% em valor, em relação a 2022, impulsionada sobretudo pelas faixas etárias mais novas e pelas redes sociais, mantendo a tendência de crescimento registada nos dois anos anteriores, embora menos acentuada.

Os resultados dos primeiros três meses levam a APEL a afirmar “o ano começa com um trimestre de evolução positiva, sugerindo um cauteloso otimismo” para 2024.

Fonte: Lusa

Ensino superior: Concurso de acesso com 55 mil vagas

Ensino superior: Concurso de acesso com 55 mil vagas

No concurso nacional de acesso ao ensino superior, as universidades e politécnicos vão abrir cerca de 55 mil vagas para novos alunos, registando-se um aumento do número de vagas nos cursos com médias mais altas, na Educação Básica e competências digitais.

A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior arranca em 22 de julho e segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), terá 55.166 vagas, mais 158 do que no ano passado.

Entre as 34 instituições de ensino superior, 13 vão disponibilizar mais lugares para novos alunos e o maior aumento é no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, que passa de 1.378 para 1.516 vagas (mais 138), seguido da Universidade do Porto, que vai abrir 4.714, mais 45 face ao concurso anterior.

Há sete instituições com menos vagas e só o Instituto Politécnico de Bragança vai contar com menos 140, passando de 2.105 para 1.965 lugares.

Em alguns cursos específicos, para os quais está previsto que o número de vagas não pode ser reduzido, as instituições vão mais longe e disponibilizam mais lugares.

É o caso dos cursos com as médias mais elevadas, que fixaram 4.036 vagas (mais 46), e dos cursos que visam as competências digitais, com 9.355 vagas (mais 252).

No caso de Medicina, verifica-se um ligeiro aumento, de 1.541 para 1.554 vagas, mas a maioria das faculdades optou, como tem acontecido, por manter o número inalterado.

Dos 13 lugares adicionais, face ao ano passado, cinco foram disponibilizados pela Universidade da Beira Interior e oito pela Universidade de Coimbra.

Nos últimos anos, os cursos de Educação Básica também passaram a integrar este grupo de exceções, devido à falta de professores, havendo agora mais 38 vagas do que no concurso passado, num total de 993.

Além do concurso nacional de acesso, as instituições de ensino superior públicas vão disponibilizar 2.712 vagas no âmbito dos regimes especiais de acesso (menos 1.340) e 18.084 através dos concursos especiais (mais 1.121).

Em comunicado, o MECI dá ainda conta da abertura de 17.929 vagas para as instituições privadas, no âmbito do Regime Geral de Acesso, que aumentam em 73 o número de lugares para novos alunos.

Há ainda 49 novas vagas nos regimes especiais e outras 6.046 nos concursos especiais.

Fonte: Lusa

Ser companheiro (a) de Jesus

III Domingo da Páscoa | 1º Dia da Semana de Oração Pelas Vocações

Ser companheiro(a) de Jesus

At 3, 13-15.17-19 / Slm 4, 2.4.7.9 / 1 Jo 2, 1-5a / Lc 24, 35-48

O Jesus Ressuscitado é um enigma. Pode, aquele que morreu, regressar com um corpo? Tal como os discípulos, creio que também nós mais facilmente cremos que este Jesus é uma aparição fantasmagórica. Por isso são tão frequentes, nos relatos dos encontros com o Ressuscitado, os apelos de Jesus a que toquem o seu corpo ou que lhe deem de comer, para que o reconheçam e se abram à vida nova.

Aconteceu algo extraordinário naqueles quarenta dias de Jesus com os discípulos após a sua Paixão. Tão extraordinário que, dois mil anos depois, continuamos a reunir-nos e a fazer memória do que aconteceu, a ser discípulos seus nos vários lugares do mundo. Se Jesus tivesse sido um Mestre judeu como tantos outros, poderíamos citar muitas vezes os seus ensinamentos, mas não haveria Igreja. Se Jesus tivesse sido um curador como tantos contemporâneos seus, a ciência e a psicologia poderiam interessar-se por esta figura, mas não seriam seus discípulos.

Se hoje há Igreja, se hoje há discípulos de Jesus é porque a fé dos nossos primeiros irmãos era de tal maneira forte e escandalosa que ainda hoje ecoa nas nossas praças. Desde o primeiro momento que aquele grupo heterogéneo de pescadores, zelotas e cobradores de impostos, judeus bem-intencionados mas de sensibilidades distintas, se negou a remeter ao silêncio a Ressurreição de Jesus, dispondo-se à perseguição, flagelação, prisão e martírio.

Como este primeiro grupo de discípulos, também nós somos chamados por Deus, também nós fomos escolhidos para ser suas testemunhas. Revisitemos a origem da nossa fé, as pessoas que nos transmitiram a sua luz e alegria, e mergulhemos na história dos primeiros apóstolos. Questionemos a forma como damos testemunho, principalmente quanto à misericórdia que colocamos nas nossas palavras, gestos e olhares. E, neste primeiro dia da semana de oração pelas vocações, sejamos promotores da presença de Deus junto dos nossos irmãos, inspirando-os a que procurem o silêncio fecundo da oração, onde a voz de Deus os espera e lhes confiará uma missão.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Miranda do Douro: “Ladrão que rouba ladrão”, no serão de sábado

Miranda do Douro: “Ladrão que rouba ladrão”, no serão de sábado

Ladrão que rouba ladrão…” é o nome da comédia à portuguesa que vai ser representada no palco do miniauditório, em Miranda do Douro, no serão de sábado, dia 13 de abril, às 21h00.

A comédia conta a história de um casal cuja relação não atravessa o melhor momento e que piora quando o genro percebe que a sogra (que não sofre de amores por ele – interpretada por Natalina José) vem viver uns tempos lá para casa.

No meio deste ambiente familiar, há um assalto durante a noite, deixando no ar diversas questões sobre se o assalto foi programado pelo genro para se ver livre da sogra; ou programado pela sogra para se ver livre do genro; ou nenhuma das duas…

No elenco de atores, a comédia “Ladrão que rouba ladrão” conta com a participação de Natalina José, Telmo Miranda, Marisa Carvalho e Pedro Silva.

Os bilhetes para o teatro já estão esgotados, sendo que a lotação máxima no miniauditório de Miranda do Douro, é de 100 lugares.

HA

Miranda do Douro: “Na Rússia o povo até pode votar, mas não pode escolher” – José Milhazes

Miranda do Douro: “Na Rússia o povo até pode votar, mas não pode escolher” – José Milhazes

A biblioteca municipal António Maria Mourinho, em Miranda do Douro, recebeu a 11 de abril, a visita do historiador e escritor, José Milhazes, que viveu 38 anos em Moscovo, sendo por isso um conhecedor da sociedade, política e história da Rússia e um acreditado intérprete da atual invasão e guerra na Ucrânia.

Na palestra em Miranda do Douro, o historiador e jornalista, natural da Póvoa do Varzim, que tem sido um analista da atual invasão da Rússia e da guerra na Ucrânia, começou por explicar a razão pela qual viveu 38 anos na ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e atual Rússia.

“Em 1977, contra a vontade dos meus familiares (mãe e irmãs) decidi ir estudar para o leste da Europa, para a antiga URSS. Em 1980, em Moscovo, conheci a estónia Siiri, com quem casei e tive dois filhos. Mas a vida, naquele sistema comunista era de enorme carência e miséria. Faltava tudo”, recordou.

Em Moscovo, José Milhazes licenciou-se em História da Rússia, na Universidade Estatal de Lomonossov e estabeleceu-se naquele país enquanto tradutor de obras literárias e políticas.

“Fazendo uso do conhecimento sobre a sociedade, a política e a história russas, comecei a fazer trabalho jornalístico na TSF e depois noutros media portugueses, como agora acontece na SIC, ao acompanhar a invasão e guerra da Ucrânia”, disse.

No decorrer da palestra em Miranda do Douro, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, questionou o historiador “se vale mais uma democracia imperfeita ou uma ditadura perfeita?”.

Ao que José Milhazes respondeu, peremtoriamente: “sem qualquer dúvida, a democracia é inquestionavelmente melhor do que os regimes autoritários e totalitários, como é o atual regime na Rússia. Aí, o povo até pode votar, mas as eleições são uma farsa, pois não podem escolher os candidatos”.

O historiador acusou ainda os dirigentes russos de “adulterarem repetidamente a história para seu benefício próprio”, o que conduz à manipulação da opinião pública.

Referindo-se a Portugal, o historiador, doutorado Relações Internacionais, na Universidade do Porto, lembrou que as democracias são uma “construção contínua” e alertou para o crescimento de partidos extremistas em Portugal, como é “o caso do Chega, nas nas recentes eleições legislativas alcançou um milhão de votos”.

No final da palestra na biblioteca municipal António Maria Mourinho, em Miranda do Douro, o também escritor, José Milhazes, autografou vários dos seus livros como são: “As Minhas Aventuras no País dos Sovietes”; Os Blumthal; “Rússia e Europa: uma parte do todo”; “A mais breve história da Rússia”; “A mais breve história da Ucrânia”, entre outras obras.

HA