De 5 a 7 de junho, a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) promoveu uma Blog Trip, que trouxe ao território criadores de conteúdos digitais espanhóis, uma iniciativa que deu a conhecer a diversidade paisagística, cultural, patrimonial, gastronómica e humana da região.
Integrada na estratégia de promoção turística das Terras de Trás-os-Montes no mercado espanhol, os visitantes foram distribuídos por três itinerários, concebidos para proporcionar uma visão abrangente da diversidade natural, cultural e turística das Terras de Trás-os-Montes.
“Os percursos abrangeram os nove municípios do território e permitiram o contacto direto com operadores turísticos, produtores locais, agentes culturais e comunidades que mantêm vivas as tradições e a identidade deste território”, informou a CIM-TTM.
Da natureza preservada dos parques naturais às aldeias e tradições, dos castelos e miradouros aos produtos endógenos e à gastronomia regional, a Blog Trip procurou proporcionar experiências genuínas e diferenciadoras, capazes de transmitir aos visitantes a autenticidade que caracteriza este território de fronteira.
“A iniciativa contou com o envolvimento de diversos parceiros locais, empresas de animação turística, unidades de alojamento e produtores, cuja colaboração foi determinante para o sucesso da ação e para a valorização integrada da oferta turística regional”, acrescenta a CIM-TTM.
Esta ação integra o plano de promoção turística da CIM-TTM para o mercado espanhol, dando continuidade ao trabalho desenvolvido em feiras internacionais como a FITUR e consolidando a aposta na captação de visitantes provenientes de um mercado de proximidade com elevado potencial para o território.
Assinalam-se cem anos sobre o nascimento do cónego Aníbal João Folgado, ocorrido a 8 de Junho de 1926, em Picote, no concelho de Miranda do Douro. Um século depois, o seu nome permanece ligado a algumas das mais importantes iniciativas pastorais e sociais desenvolvidas na Diocese de Bragança-Miranda durante a segunda metade do século XX.
Ordenado presbítero em 1949, Aníbal Folgado pertenceu a uma geração que atravessou profundas transformações na Igreja e na sociedade portuguesa. A sua formação em Filosofia e Pedagogia, realizada na Universidade de Lyon, colocou-o em contacto com correntes renovadoras do pensamento católico europeu, experiências que contribuíram para moldar uma visão pastoral marcada pela valorização da pessoa humana, pela educação e pela promoção social.
Ao longo do seu percurso desempenhou funções diversificadas: professor, formador, director espiritual, reitor de seminário, responsável diocesano, missionário junto das comunidades emigrantes e pároco. Contudo, qualquer enumeração de cargos seria insuficiente para compreender a singularidade da sua acção.
Durante quase uma década acompanhou as comunidades portuguesas emigradas na Alemanha, particularmente na região de Bona. Num período em que milhares de portugueses procuravam melhores condições de vida longe da sua terra natal, Folgado encontrou uma realidade marcada pela distância, pela saudade e pela fragilidade social. A sua presença junto dos emigrantes foi muito mais do que assistência religiosa: constituiu um apoio humano, cultural e comunitário num contexto frequentemente difícil.
Regressado a Bragança, assumiu responsabilidades de relevo na vida diocesana, mas foi sobretudo no campo da intervenção social que deixou algumas das marcas mais duradouras. A implantação da Obra Kolping em Portugal, iniciada em meados da década de 1980, representou uma das suas realizações mais significativas. Inspirada no pensamento social cristão de Adolph Kolping, esta instituição procurava conjugar formação humana, qualificação profissional, dinamização comunitária e evangelização, respondendo às necessidades concretas das populações.
Poucos anos mais tarde, a criação da Fundação Betânia revelou novamente a sua capacidade de antecipar problemas e construir respostas. Numa região confrontada com o envelhecimento populacional, a desertificação e a fragilidade das redes familiares, a Fundação nasceu para acolher idosos, apoiar famílias e promover uma cultura de cuidado e dignidade. Não se tratava apenas de prestar assistência, mas de criar condições para que cada pessoa fosse reconhecida na sua humanidade e valor.
Ao mesmo tempo, Folgado manteve um forte compromisso com sectores frequentemente esquecidos ou marginalizados. O trabalho desenvolvido junto das comunidades ciganas, a atenção aos mais pobres, o acompanhamento das crianças e dos idosos e a preocupação constante com a formação humana e espiritual testemunham uma visão da Igreja profundamente enraizada na proximidade.
Quem com ele conviveu recorda não apenas o padre ou o responsável institucional, mas sobretudo o homem. Discreto, simples, avesso ao protagonismo e que parecia pouco interessado em si mesmo. Toda a sua vida, aliás, poderia ser resumida numa simples opção linguística: preferiu sempre o “nós”. A autoridade que exercia não nascia da imposição, mas da confiança que inspirava. Escutava mais do que falava, deixando a suspeita de que a atenção é, afinal, uma das formas mais raras e necessárias da caridade.
Em 2009, a Câmara Municipal de Bragança distinguiu-o com a Medalha Municipal de Mérito, reconhecendo publicamente décadas de dedicação à comunidade. A homenagem traduzia um sentimento amplamente partilhado: o de que a sua vida ultrapassava largamente os limites da acção paroquial ou eclesiástica, integrando-se na própria história social da cidade e da região.
O seu legado mais profundo não se encontra, porventura, nos edifícios, nas instituições ou nas distinções recebidas, mas nas memórias daqueles que o conheceram, nos percursos que ajudou a transformar e nas estruturas que continuam a servir muito para além do seu fundador.
Face ao individualismo e à fragmentação social, a vida de Aníbal Folgado recorda que a fé pode tornar-se força de transformação colectiva quando se traduz em serviço, proximidade e compromisso concreto com a dignidade humana.
Henrique Manuel Pereira é professor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa – Porto
Picote: Moderno Escondido nas meias-finais das “Novas 7 Maravilhas de Portugal”
O conjunto patrimonial do Moderno Escondido, em Picote, está nas meias-finais do concurso “ Novas 7 Maravilhas de Portugal”, na categoria Património do Século XX, sendo que a votação está aberta até ao dia 13 de junho.
Em comunicado, a Freguesia de Picote, informa que esta distinção reconhece a singularidade e o valor de um património que marcou profundamente a história de Picote, onde exsite um valioso património de arquitetura, urbanismo, arte e engenharia de excecional relevância nacional.
“Encontramo-nos atualmente numa fase decisiva da competição, sendo fundamental o envolvimento de todos para que esta candidatura continue o seu percurso de sucesso. Assim, apelamos à colaboração de todos na votação e apoio a esta candidatura, realça a freguesia de Picote.
O conjunto arquitetónico do Moderno Escondido, no Barrocal do Douro (Picote) resulta do trabalho dos arquitetos J. Archer, Nunes de Almeida e R. Ramos, formados na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
A construção do Moderno Escondido surge no contexto do Primeiro Plano de Fomento (1953-1958), que definiu como prioridade o aumento da produção de energia hidroelétrica em Portugal.
Numa das regiões mais isoladas e menos desenvolvidas do país, foi necessário criar infraestruturas modernas de produção energética e condições atrativas para acolher uma nova comunidade, dando origem a um notável conjunto arquitetónico e urbanístico que permanece como um dos mais relevantes testemunhos do modernismo português.
As votações estão abertas até à semifinal, agendada para o dia 13 de junho.
VOTE POR TELEFONE: Ligue já para o 761 207 015 (Custo: 1€ + IVA por chamada).
VOTE PELA APP: Também pode votar através da aplicação TVI Pass.
Nas “Novas 7 Maravilhas de Portugal”, o concelho de Miranda do Douro participa com duas candidaturas que mostram a riqueza histórica, cultural e arquitetónica do concelho, como são a concatedral de Miranda do Douro (categoria religião) e o Moderno Escondido, em Picote (categoria Século XX).
Póvoa: Festa da Amizade proporcionou encontro, confraternização e animação
No feriado de 10 de junho, o Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa, acolheu a Festa da Amizade, o encontro anual de idosos do concelho de Miranda do Douro, num programa que se iniciou com a missa campal, seguida do almoço-convívio e da animação musical durante a tarde.
O Encontro de Idosos Mirandeses iniciou-se com a missa campal, no santuário do Naso, uma celebração que a 10 de junho é dedicada ao Santo Anjo de Portugal.
O dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal foi introduzido no calendário litúrgico português por ordem do Papa Pio XII.
Em Portugal, a devoção ao anjo da guarda intensificou-se com as Aparições do Anjo aos Pastorinhos de Fátima, em 1916, que ensinou aos videntes a oração “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.
Os anjos são criaturas inteiramente dedicadas ao louvor e ao serviço de Deus. Segundo a Bíblia, os Anjos são mensageiros de Deus, em momentos decisivos da História da Salvação e estão encarregados da proteção dos homens e da Igreja.
Na homília, o padre Manuel Marques dirigindo-se às pessoas idosas das várias comunidades paroquiais do concelho de Miranda do Douro, lembrou a importància da amizade e da confraternização.
“A Festa da Amizade, organizada todos os anos, pelo município de Miranda do Douro e pelas freguesias é uma oportunidade de encontro, de convívio e de confraternização entre todos”, disse o sacerdote.
Após a missa, seguiu-se um almoço convívio para as centenas de pessoas das várias IPSS’s e freguesias do concelho de Miranda do Douro, do Lar de San Salvador em Rabanales (Espanha), Banda Filarrmónica Mirandesa. Tuna da Universidade Sénior, Bombeiros, Centro de Saúde e outras entidades do concelho.
A tarde no Santuário do Naso foi animada pelo do Coro da Universidade Sénior, a Banda Filarmónica Mirandesa e o baile musical do grupo DM Music.
Mundial 2026: Papa diz que futebol mostra importância do coletivo
Na véspera do início do Mundial 2026, o Papa Leão XIV apresentou o futebol como uma lição que evidencia a importância do jogo em equipa, contra o egoísmo e o individualismo.
“O futebol também nos ajuda a recordar algo muito importante: a vida não é uma corrida para se viver de forma solitária, é algo que se joga em equipa e é preciso aprender a correr juntos”, disse Leão XIV, num encontro com organizações solidárias, em Barcelona.
“Alguém pode ser uma estrela, mas se nunca passa a bola e não deixa os outros entrar no jogo, provavelmente vai perder”, acrescentou.
A intervenção surgiu em resposta a uma carta do pequeno Renzo, de seis anos, e foi apresentada na igreja de Santo Agostinho, num bairro marcado pela pobreza.
“Quando estive em Trujillo (Peru), jogava futebol com os seminaristas. Defesa, se querem saber, não era grande goleador”, gracejou.
Leão XIV recordou que gosta mais de jogar ténis e que, quando era jovem, praticou “futebol americano, um pouco mais violento”.
“Quando estava em Roma, onde vivi a minha primeira experiência do Mundial, o de 1982, que foi aqui em Espanha, e depois no Peru, com os seminaristas, acompanhava muito as equipas locais, mas também jogava com os seminaristas”, relatou.
O campeonato de mundo de futebol masculino, o primeiro de sempre com 48 seleções, incluindo Portugal, vai decorrer entre quinta-feira e 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
“Um pouco de desporto faz bem a todos, é preciso procurar, digamos, manter-se e estar em boa saúde de corpo, mente e alma; isso, sim, tem feito parte da minha vida”, assinalou o Papa.
O encontro decorreu no interior da igreja de Santo Agostinho, onde várias entidades diocesanas prestam assistência a populações sem-abrigo e a famílias carenciadas.
No México, a Conferência Episcopal local assinalou que o Mundial de Futebol não deve ocultar a grave crise de segurança e a criminalidade que afetam o país.
“O desporto não deve ser uma distração para estas dores, mas uma oportunidade privilegiada para colocar as nossas diferenças ao serviço da justiça, da verdade e da paz”, exigem os bispos católicos.
O documento sublinhou que a convivência local vive ensombrada por rivalidades extremas, denunciando abertamente o drama dos “desaparecimentos”, da corrupção e das constantes injustiças sociais.
A reflexão dos bispos católico recuperou a recente intenção de oração do Papa para o mês de junho, que convida as comunidades católicas a rezar “pelos valores do desporto”.
Leão XIV afirmou, na proposta de oração, que é “uma alegria jogar em equipa”, porque “ninguém se salva sozinho”, desejando que o desporto seja “caminho de paz” e “escola de fraternidade”.
“Faz que aqueles que praticam, treinam ou apoiam descubram no desporto uma linguagem universal que aproxima culturas, une povos e semeia respeito, solidariedade e superação pessoal”, pediu o Papa.
Futebol: México e África do Sul dão início ao Mundial 2026
Esta quinta-feira, dia 11 de junho, o coanfitrião México e a África do Sul jogam o ‘pontapé de saída’ da 23.ª edição do Campeonato do Mundo de futebol, num encontro da primeira jornada do Grupo A, que tem lugar na Cidade do México.
A partir das 13:00 locais (20:00, em Lisboa), inicia-se o maior Mundial de sempre, em três países (Estados Unidos, México e Canadá), durante 39 dias, com 48 seleções e um total de 104 jogos, mais 40 do que os realizados em 2022.
O jogo México vs África do Sul é antecedido da cerimónia de abertura, uma das três previstas, já que as outras vão anteceder, na sexta-feira, 12 de junho, os jogos do Canadá vs Bósnia-Herzegovina, do Grupo B: Estados Unidos vs Paraguai, do Grupo D.
A primeira fase, com as 48 seleções divididas por 12 grupos, tem um total de 72 jogos, com os dois primeiros classificados a qualificaram-se para a fase a eliminar, juntamente com os oito melhores terceiros.
Os 32 conjuntos apurados vão disputar os 16 avos de final, fase em estreia no Campeonato do Mundo, seguindo os ‘oitavos’, os ‘quartos’, as ‘meias’ e, após o jogo do ‘bronze’, a final, em 19 de junho, no Estádio MetLife, em East Rutherford.
Entre os 48 participantes no Mundial2026 está Portugal, presente pela nona vez e sétima consecutiva, repetindo 1966, 1986, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
A seleção portuguesa estreia-se na quarta-feira, dia 17 de junho, no jogo diante da República Democrática do Congo, no Estádio NRG, em Houston, a partir das 12:00 locais (18:00 em Lisboa), em encontro da primeira jornada do Grupo K.
Depois do embate com os africanos, Portugal, que tem como melhor registo na prova o terceiro lugar da estreia, em 1966, com nove golos do ‘rei’ Eusébio, defronta ainda o estreante Uzbequistão (23 de junho) e a Colômbia (28).
Ambiente: “Nordeste Vivo” contra instalação de parques eólicos e fotovoltaicos
O Nordeste Transmontano tem um novo movimento cívico – Plataforma Nordeste Vivo – composto por 25 pessoas de vários setores de atividade, que prometem lutar contra a instalação de parques eólicos e fotovoltaicos neste território.
José Jambas, membro da Plataforma Nordeste Vivo – Movimento Cívico pelo Território do Nordeste Transmontano, disse que este é um movimento cívico apartidário composto por 25 pessoas de vários setores de atividade que vão desde o turismo, ao meio ambiente, hotelaria, associações de agricultores e pecuária ou técnicos superiores em várias outras áreas económicas.
“A Plataforma Nordeste Vivo avança como um movimento cívico, apartidário, composto por diversos representantes da sociedade civil, unidos por um objetivo comum: a defesa intransigente do território do Nordeste Transmontano e da qualidade de vida das populações locais”, vincou.
Segundo José Jambas, este movimento pretende saber o ponto de situação em que se encontram os projetos de hibridização das barragens de Picote, Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua, no distrito de Bragança, para as quais foram anunciados, pela elétrica francesa Engie, parques eólicos e fotovoltaicos de dimensões consideráveis.
“Todo este processo de implantação de parques eólicos e fotovoltaicos têm surgido de forma camuflada, onde nestes projetos não há um rigor ou aproximação às populações e têm surgido de surpresa e, quando nos apercebemos, já estão autorizados ou quase a ser construídos. Este movimento surge para que haja seriedade e transparência, para que as comunidades onde estes parques vão ser construídos tenham uma voz ativa no processo”, defendem os membros da Plataforma Nordeste Vivo.
De acordo com José Jambas, “a Plataforma Nordeste Vivo é favorável à transição energética, mas contra a imposição da produção industrial”.
Para esta plataforma cívica, o Nordeste Transmontano “não é um espaço vazio disponível para ocupação industrial, sendo uma terra de pessoas, de memória, de tradição e de equilíbrio entre comunidade e natureza”.
“É um território onde a agricultura, a pecuária, a caça, a apicultura, o turismo e os modos de vida rurais continuam intimamente ligados à paisagem e à cultura local”, indica este movimento cívico.
Segundo José Jambas, esta região já contribui significativamente para a produção energética nacional, acolhendo inúmeras infraestruturas que há décadas impactam as populações e o território.
Por este motivo, a Plataforma Nordeste Vivo considera que “ocorrerão impactos profundos e irreversíveis provocados pela implantação destes megaprojetos de energia fotovoltaica e eólica e vários setores, impactos diretos na saúde e qualidade de vida das populações, perdas irreversíveis de produção agrícola e pecuária com a ocupação e destruição de solos férteis e áreas de pastorícia significativa nas áreas utilizadas para caça e perdas de conectividade entre as populações de espécies cinegéticas, entre outros”.
O movimento considera que “o que está a ser imposto vai contra toda a estratégia de desenvolvimento do território que tem sido posta em prática no Nordeste Transmontano: a aposta no turismo ligado aos valores naturais e culturais, a promoção de raças autóctones, a agricultura que privilegia a qualidade à quantidade”.
A Plataforma Nordeste Vivo nasce para ser a voz de um território “que não está à venda e exige transparência total nos processos de licenciamento e aprovação dos projetos, como Estudos de Impacto Ambiental rigorosos, independentes e publicamente acessíveis antes de qualquer aprovação”.
Vimioso: Regresso da Feira do Livro dá aso ao prémio Literário Norberto Lopes
O parque municipal de Vimioso, acolheu a 9 de junho, a Feira do Livro e e a mostra de trabalhos Espress’Arte, duas inciativas culturais e educativas, organizadas pelo município de Vimioso e pelo Agrupamento de Escolas (AEV), com a mesma finalidade de aproximar os jovens (e também os adultos) às artes como a literatura, tendo sido anunciada a criação do prémio literário Dr. Norberto Lopes.
A Feira do Livro foi organizada pelo município de Vimioso e de acordo com a vice-presidente, Cristina Miguel, há já alguns anos que não organizava este evento literário na vila de Vimioso.
“O município de Vimioso decidiu retomar a Feira do Livro aproveitando o encerramento dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões e da comemoração a 10 de junho, do Dia de Portugal. De Camões e das Comunidades Portuguesas”, justificou a autarca vimiosense.
No parque municipal de Vimioso, a Feira do Livro contou com a participação de três expositores de livros: um alfarrabista com livros gratuitos; a bibliografia do concelho de Vimioso; e a Editoral Novembro. O evento literário e artístico incluiu ainda outras atividades como a dança, música, declamação de poemas, contos orais e jogos lúdicos.
A Feira do Livro contou também com a visita dos escritores Manuela Bulcão, Raul Minh’Alma e Pedro Chagas Freitas, que proporcionaram momentos de proximidade e de conversa com os leitores vimiosenses, jovens e adultos.
“No próximo ano vai ser criado o Prémio Literário Dr. Norberto Lopes, na categoria infanto-juvenil e na categoria de adultos, para incentivar e premiar a produção literária aos residentes no concelho de Vimioso”, anunciou Cristina Miguel.
O jornalista e escritor, Norberto Lopes nasceu em Vimioso, a 30 de setembro de 1900. Trocou o direito pelo jornalismo, justificando que, “um jornalista está sempre à procura da verdade”.
Em 1936, como chefe de redação do Diário de Lisboa, Norberto Lopes, tornou-se o primeiro reporter português a acompanhar a guerra civil na vizinha Espanha.
Referindo-se ao projeto educativo Express’Artes, o diretor do Agrupamento de Escolas de Vimioso (AEV), Jorge Gonçalves, explicou que um dos objetivos deste agrupamento é a abertura à comunidade.
“Em colaboração com o município de Vimioso organizámos duas atividades paralelas, o projeto Espress’Arte e a Feira do Livro. O projeto educativo “Express’ARTE é uma iniciativa realizada no âmbito do Plano Nacional de Artes, cuja finalidade é promover o sucesso escolar e a inclusão através da educação pelas artes. Para isso, os nossos alunos elaboraram trabalhos inspirados no património arquitetónico da vila de Vimioso, em desenho, pintura, maquetes em cartão reciclado, música e canto, vídeo e outras expressões artísticas”, indicou.
No Agrupamento de Escolas de Vimioso, a ano letivo já terminou a 5 de junho para os alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos. Encerra a 12 de junho, para os estudantes dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos. No final do mês, a 30 de junho, é a vez dos alunos do pré-escolar e 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos iniciarem a férias de verão.
Função Pública: Concurso para 200 guardas prisionais
Abriu a 9 de junho, um concurso público para recrutar 200 guardas prisionais, cujas candidaturas decorrem ao longo de 10 dias úteis e pela primeira vez, permite candidatos com 18 anos, segundo o anúncio publicado em Diário da República.
De acordo com o documento, as 200 vagas disponíveis dão acesso ao curso de formação inicial, para ingresso na categoria de guarda da carreira especial de guarda prisional e as candidaturas são feitas ‘online’.
Uma das novidades deste concurso é a mudança do limite das idades dos candidatos, uma vez que podem agora concorrer pessoas que tenham 18 anos completos à data do fim do concurso, alterando assim o limite mínimo que estava fixado nos 21 anos.
A idade máxima também aumentou, passando dos 28 para os 35 anos, e os candidatos têm de ter nacionalidade portuguesa, o 12.º ano de escolaridade como formação mínima e um registo criminal limpo.
Este concurso faz parte do Plano Plurianual de Recrutamento e Promoções do Corpo da Guarda Prisional, aprovado em maio e que inclui 400 novos recrutamentos e 380 promoções, até 2027.
Em comunicado enviado no dia 22 de maio, o Ministério da Justiça referiu que “a valorização da carreira dos guardas prisionais tem sido uma das prioridades deste Governo”, reconhecendo “a importância da missão destes trabalhadores para “garantir a segurança e tranquilidade da comunidade prisional, bem como salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais” dos reclusos.
Fonte: Lusa | Imagem: Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
Sociedade: Congresso de Espiritualidade em Cuidados Paliativos foi «enorme sucesso»
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos destaca que o Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, realizado em Bragança, “foi um enorme sucesso” e apelou à assinatura da petição pública que promovem pela urgência de “reforçar” este setor.
“Este primeiro Congresso Internacional de Espiritualidade da nossa associação foi um enorme sucesso. A espiritualidade é, de facto, a essência do ser humano, que é muito diferente de religiosidade, e transversal a todos, independentemente das nossas crenças e da fé que professemos. É muito importante porque é a essência do ser humano e de cada um de nós, tanto da pessoa que cuidamos, como da pessoa que cuida”, disse presidente da APCP, Catarina Pazes, esta terça-feira, dia 9 de junho, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, realizou-se nos dias 5 e 6 de junho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPB – Instituto Politécnico de Bragança.
Catarina Pazes realçou que foram dois dias de “trabalho bastante positivos”, e tiram deste encontro internacional “um resultado muito, muito bom”, e assinalou a oportunidade de aprofundar esta temática, “de refletir, de apresentar evidência científicas”, e também de mobilizar recursos, e que, entre os profissionais, podem aprender uns com os outros para levarem para os seus contextos da prática clínica “mais e melhor, em termos de abordagem”.
O grupo de espiritualidade da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, liderado pela professora Ana Querido, organizou este I Congresso Internacional de Espiritualidade, realizado em Bragança, com uma “adesão foi muito boa, mais de 200 inscritos”, e “um programa muito amplo, com peritos”, que levaram “partilhas muito, muito importantes e muito valorizadas pelos participantes”.
O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, na comunicação ‘Espiritualidade e sentido da vida’, no segundo dia do congresso internacional, afirmou que “existe uma dimensão do humano que não se capta no microscópio”.
“Que não se mede com sondas nem com análises sanguíneas e nem se pode codificar em protocolos. Eis o invisível que sustenta o visível, eis o sentido que dá forma ao gesto, qual centelha de luz que habita o cuidado. Chamamos-lhe Espiritualidade”, referiu D. Nuno Almeida.
A presidente da APCP, a partir desta citação, explicou que esta é uma área clínica que “atende ao sofrimento”, que tem o propósito de aliviar e prevenir o sofrimento, e, “naturalmente, que tem que se ocupar e preocupar com as várias dimensões da pessoa”, para além de pensarem nas dimensões física, psicológica, e social.
“Nós precisamos de conhecer como ela é na sua essência, naquilo que a faz ser. E, de facto, saber quem é aquele a quem presto cuidado vai muito além daquilo que se pode medir e daquilo que se pode objetivar, porque acontece através de uma coisa que se chama relação; a importância que tem isto tudo no nosso trabalho é a diferença entre mais humanismo e menos humanismo, ou seja, um cuidado mais humanizado, individual e único”, desenvolveu.
Catarina Pazes comentou o tema do congresso internacional – ‘Finitude, sentido e cuidado’ -, concluindo que “fez todo o sentido” juntar essas três palavras “porque é o fio condutor para o cuidado” que prestam, sublinhou que a espiritualidade, “sendo algo essencial no ser humano”, está presente mesmo quando esta “não tem fé ou não acredita”, sendo possível trabalhar esse tema “mesmo que não haja fé e não haja religião”.
“A religião tem um papel importante na medida em que organiza para nós, enquanto humanos, esta relação com o espiritual, e estrutura. Esta estrutura e organização muitas vezes é o que ajuda no trazer mais à nossa vida essa relação com o espiritual; creio que há um lugar para sermos crentes entre quem é profissional, e entre quem está a viver uma situação difícil por causa de uma doença, o que não pode, nem a crença nem a não crença, impedir o cuidado espiritual”, acrescentou.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos já começou a planear o II Congresso Internacional de Espiritualidade, que “será em 2028, e muito provavelmente no Baixo Alentejo, em Beja”.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos está a promover a petição publica ‘Reforçar os Cuidados Paliativos em Portugal é Urgente’, no âmbito da defesa do acesso equitativo a cuidados paliativos de qualidade para todos os cidadãos, que tem mais de oito mil assinatura (8 092). “A petição é dar voz a quem normalmente não tem voz, é associar-nos em comunidade, em sociedade, para uma causa que é tão transversal. Os cuidados paliativos são uma área dos cuidados de saúde, uma área especializada, que atendendo às pessoas que sofrem por causa de uma doença grave, são muito importantes”, explicou Catarina Pazes.
Segundo a presidente da APCP, a associação abriu esta petição porque, “apesar da reconhecida importância” dos Cuidados Paliativos, mesmo “por quem governa e por quem toma decisões”, o que acontece no dia-a-dia “é uma ausência de planeamento, de financiamento, uma ausência de medidas concretas que mudem a realidade de não acesso ou de escasso acesso a esta área”.
A petição alerta, em Portugal, que “mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável, destas, entre 70 a 85 mil morrem todos os anos com necessidade de cuidados paliativos”, e a APCP apela “a um compromisso urgente e concreto por parte do Governo”, com cinco pontos.
Um das medidas é a nomeação de “forma muito urgente, imediata”, da Comissão Nacional de Cuidados Políticos, que “é o interlocutor” entre equipas, entre a sociedade, entre aquilo que são os profissionais e as estruturas da comunidade, e da sociedade de cuidados políticos e o governo.
“Precisamos que haja uma monitorização do que está a acontecer, que se conheça a realidade, que se perceba os problemas que as equipas vão enfrentar, e que se coloque em marcha aquilo que é a estratégia para resolver esses problemas, com financiamento próprio, com indicadores, com avaliação daquilo que é feito e com uma justificação para aquilo que não foi feito. e estratégias para ultrapassar essas dificuldades”, desenvolveu Catarina Pazes, sobre algo que “tem falhado ao longo dos anos”, são feitos planos estratégicos, “mas não há um financiamento ajustado”.
A Rede Nacional de Cuidados Paliativos, segundo a especialista, “é uma rede absolutamente funcional, transversal a todo o sistema”, existem equipas de suporte intra-hospitalares, nos serviços de internamento, e na comunidade, “que se deslocam a casa dos doentes, aos lares de idosos, unidades de cuidados continuados, etc”, e as unidades de cuidados paliativos dentro da rede nacional de cuidados continuados.
“Eu apelo a que continuemos a assinar esta petição, que nos ocupemos deste tema e o discutamos em casa e entre amigos, e nos vários contextos, e no nosso trabalho, etc. Porque a consciência que precisamos de um suporte e de uma resposta diferente quando estamos a passar por um momento difícil por causa de uma doença grave, que ameaça a vida, é importante na hora de exigir cuidados de saúde de qualidade; O apelo que deixo, é a sociedade estar mais consciente sobre isso e podermos ajudar uns aos outros a levar esta exigência a quem pode, de facto, mudar aquilo que está a acontecer.”