Miranda do Douro: Município congratula-se com manutenção do valor patrimonial da barragem

Miranda do Douro: Município congratula-se com manutenção do valor patrimonial da barragem

O município de Miranda do Douro congratulou-se com a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Mirandela, que manteve o Valor Patrimonial Tributário de mais de 111 milhões de euros relativos à barragem de Miranda do Douro, um valor patrimonial tributário atribuído pela Autoridade Tributária (AT).

O vereador do município de Miranda do Douro, Vitor Bernardo, disse que apesar de ser uma vitória, “ainda há muito caminho para andar” porque a concessionária da barragem, a Movhera, já recorreu de outra decisão semelhante para o Tribunal Administrativo e Central do Norte (TACN).

“Posso dizer que a Movhera já intentou um recurso para o TAFN do caso da barragem de Picote, também no concelho de Miranda do Douro. Estou convencido que ainda há muito caminho para andar. A minha convicção, plena, é que a concessionária só desistirá do processo quando não tiver a hipótese de mais recursos em tribunal”, indicou o autarca.

Desde janeiro, esta é a terceira decisão semelhante do TAF de Mirandela, em relação à cobrança do IMI das barragens edificadas no rio Douro Internacional, concretamente as barragens de Miranda e Picote, no concelho de Miranda do Douro, e a barragem de Bemposta, no concelho de Mogadouro.

O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Mirandela manteve o valor Patrimonial Tributário de mais de 111 milhões de euros da barragem de Miranda do Douro.

Segundo a sentença datada de 19 de fevereiro, o TAF de Mirandela julgou improcedente a impugnação judicial deduzida pela Movhera contra a avaliação da Autoridade Tributária que atribuiu aquele valor à barragem.

Em outubro de 2024, a Movhera foi notificada do resultado da avaliação ao Aproveitamento Hidroelétrico (AH) de Miranda do Douro para efeitos de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), tendo sido apurado um Valor Patrimonial Tributário (VPT) de 111.851.850 euros.

Não tendo concordado com o teor da avaliação promovida pelo Serviço de Finanças de Mogadouro, a empresa requereu uma segunda avaliação que foi realizada em novembro de 2024 e que manteve aquele valor.

Seguidamente, foi notificada das liquidações de IMI emitidas por referência ao Aproveitamento Hidroelétrico de Miranda do Douro, entre os anos de 2020 e 2023.

A empresa impugnou esta avaliação junto do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Mirandela, alegando que uma barragem não pode ser qualificada como um prédio para efeitos de IMI.

No entanto, o tribunal concluiu que o Aproveitamento Hidroelétrico é um prédio para efeitos de fixação de Valor Patrimonial Tributário e consequente liquidação de IMI.

“Temos o elemento físico que é constituído pelos edifícios e construções incorporados ou assentes com caráter de permanência; tem a suscetibilidade de ter valor económico, independentemente de produzir, ou não qualquer rendimento; e tem o elemento de natureza jurídica que corresponde à sua integração no património da impugnante até 31/12/2042”, lê-se na sentença.

A empresa alegava ainda que os órgãos de segurança e exploração da barragem não podiam ser objeto de inscrição e avaliação para efeitos de IMI. No entanto, o TAF concluiu que estes “estão para a barragem, como as portas, janelas ou telhado estarão para uma casa”.

Contactada pela agência Lusa, a concessionária Movhera reitera que “não comenta publicamente decisões dos tribunais”

A vertente fiscal das barragens começou a ser discutida na sequência da venda pela EDP de seis barragens em Trás-os-Montes (Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua), por 2,2 mil milhões de euros, a um consórcio liderado pela Engie, tendo o negócio ficado concluído no final de 2020.

Fonte: Lusa | Fotos: HA e Flickr

Turismo: Cultura liga o Norte de Portugal a Castela e Leão

Turismo: Cultura liga o Norte de Portugal a Castela e Leão

Com o título “Corredor do Património Cultural Norte de Portugal – Castela e Leão”, foi aprovado o projeto que visa valorizar, proteger e promover o património cultural comum nas duas regiões de Portugal e de Espanha, reforçando o papel da cultura e do turismo sustentável no desenvolvimento económico e social deste território transfronteiriço.

O projeto enquadra-se na área de cooperação Norte de Portugal–Castela e Leão, e tem como prioridade potenciar a cooperação transfronteiriça para enfrentar o desafio demográfico, integrando o objetivo: “Uma Europa mais social e inclusiva”, em linha com o Pilar Europeu dos Direitos Sociais.

“Pretende-se consolidar um corredor cultural transfronteiriço, capaz de estruturar e dinamizar o ecossistema cultural na região Norte de Portugal e na Comunidade Autónoma de Castela e Leão (NORCYL), promovendo uma atuação coordenada e estratégica dos principais agentes culturais e turísticos”, informa a CCDR-N.

Assente nos laços históricos, culturais e patrimoniais que unem o Norte de Portugal e Castela e Leão, o projeto aposta na valorização integrada de recursos como o património romano e românico, o património classificado como Património da Humanidade, o património paisagístico, literário, artístico e simbólico.

O projeto foi aprovado com um financiamento FEDER total de 877.918,87 euros, correspondente a um custo total elegível de 1.170.558,48 euros. O projeto decorre até 31 de dezembro de 2028.

Entre os principais objetivos, a CCDR Norte destaca o reforço da cooperação institucional transfronteiriça; a construção e afirmação de uma identidade cultural partilhada; a promoção do turismo cultural sustentável como motor de desenvolvimento; e a criação de condições mais atrativas para viver, trabalhar e investir no território, contribuindo para enfrentar o desafio demográfico.

A parceria integra várias entidades portuguesas e espanholas, sendo que o principal beneficiário é a Fundación Rei Afonso Henriques.

“Integram ainda o consórcio a Fundación Santa María la Real del Patrimonio Histórico, o Município de Braga, o Turismo do Porto e Norte de Portugal, E.R., a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, a VALSOUSA – Associação de Municípios do Vale do Sousa (Rota do Românico), a Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, a Fundação Côa Parque, bem como diversas entidades e municípios de Castela e Leão”, indicam.

Fonte: CCDR Norte | Foto: Flickr

Ambiente: Frota da Resíduos do Nordeste com viaturas mais ecológicas e eficientes

Ambiente: Frota da Resíduos do Nordeste com viaturas mais ecológicas e eficientes

A empresa intermunicipal Resíduos do Nordeste apresentou uma nova frota, com 25 viaturas mais amigas do ambiente e que permitem a recolha de lixo mais célere e segura, nos concelhos de Bragança, Vinhais, Vimioso e Miranda do Douro.

De acordo com o presidente da Resíduos do Nordeste e autarca de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, a renovação da frota fazia parte do caderno de encargos e representa um investimento de cerca de 1,3 milhões de euros, que considera “relevante” e que vai permitir prestar “um melhor serviço”.

As viaturas utilizadas para fazer a rota da Terra Fria, ou seja, os concelhos de Bragança, Vinhais, Vimioso e Miranda do Douro, foram apresentadas a 23 de fevereiro, no Teatro Municipal de Bragança.

O diretor-geral da empresa intermunicipal, Paulo Praça, salientou que a frota foi totalmente renovada, com 25 viaturas, de várias dimensões, incluindo varredoras de rua, elétricas, a gás e a Diesel de “última geração”.

“Era estritamente necessário melhorar a eficiência da frota. Não é uma questão só de ser nova, frota mais eficiente, adequada ao território, com preocupações ecológicas, menos ruído, menos consumos, menos emissões de CO2 (Dióxido de Carbono)”, adiantou Paulo Praça.

As novas viaturas vão permitir ainda fazer um trabalho mais célere e chegar a locais que até agora, com os camiões antigos, não era possível, como por exemplo, na zona histórica de Bragança, junto ao castelo.

Por outro lado, segundo Paulo Praça, dão mais conforto e mais segurança aos trabalhadores. “Com o sistema do duplo gancho (…) [a recolha] torna-se mais segura e mais ágil de fazer, evita intervenção humana e é menos arriscada do que aquilo que se fazia. Esperamos conseguir fazer mais e melhor”, vincou.

Quanto à recolha de resíduos indiferenciados e resíduos seletivos, o diretor-geral revelou, à Lusa, que, em 2025, houve um crescimento nos dois tipos de materiais, embora ainda não tenha números oficiais.

Em causa estará o aumento das atividades económicas e o turismo flutuante. Paulo Praça explicou que têm sido instalados equipamentos de recolha seletiva, nos locais dos eventos, porém, este é um problema que diz ser europeu, uma vez que a Europa ainda não conseguiu quebrar o ciclo de “mais crescimento económico mais produção de resíduos”.

“Faltam medidas, nomeadamente umas medidas que não nos compete a nós, não são da nossa responsabilidade, que são as de prevenção. Veja-se o caso dos resíduos têxteis, o próprio desperdício alimentar (…) existe bastante desperdício na nossa sociedade e isso não é adequado e esperamos que, no futuro, as pessoas e as políticas definam cada vez mais prevenção para a área dos resíduos, que é fundamental”, defendeu.

Ainda assim, espera que “com este reforço de meios de equipamentos e com o papel dos cidadãos, que é determinante”, em 2026, a recolha de resíduos indiferenciados diminua e a recolha de materiais reciclados aumente.

Fonte: Lusa | Imagem: RN

Ambiente: UPorto desenvolve projeto científico para valorizar líquenes

Ambiente: UPorto desenvolve projeto científico para valorizar líquenes

A Universidade do Porto (UPorto) está desenvolver no interior Norte do país, um projeto científico que pretende valorizar os líquenes dos carvalhais, como recurso endógeno para área como a perfumaria, tinturaria e a gastronomia.

A investigadora e coordenadora do projeto “Líquenes à moda do Norte”, Joana Marques, disse que o foco da investigação são os líquenes, fungos aparentados com os cogumelos, que ainda são pouco conhecidos e explorados do ponto de vista de recurso natural e podem ser utilizados em áreas como perfumaria, tinturaria, gastronomia ou reparação de ecossistemas após incêndios florestais.

“Pretendemos estudar para depois utilizar os líquenes como recurso endógeno desta região, onde estes fungos existem em quantidade e não estão a ser utilizados. É importante aprender a utilizá-los, testar a sua utilização e perceber qual a capacidade que este recurso tem igualmente na recuperação dos ecossistemas, após um incêndio florestal”, explicou a investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto.

Joana Marques defendeu ainda que é necessário aprender a utilizar os líquenes e perceber qual é a sua utilização e capacidade de recuperação, após uma colheita, como bio indicador de qualidade ambiental.

A investigadora Joana Marques explicou que os líquenes são “esponjas que absorvem à agua”, contribuem para o equilíbrio do microclima das florestas e são ricos em compostos de azoto, elemento que também enriquece os solos para a utilização agrícola.

A visão para o futuro dos investigadores envolvidos no projeto “Líquenes à moda do Norte” é que possam ter valor económico, que as comunidades locais saibam distinguir as espécies que têm valor e possam tirar algum aproveitamento.

Este projeto junta vários parceiros como a Associação BIOPOLIS, Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), ALDEIA e VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, o Centro Ciência Viva de Bragança, entre outros

O projeto tem a duração de três anos, sendo financiado em 200 mil euros pela fundação “La Caixa”, que representa 75% do montante total da iniciativa.

Fonte: Lusa | Foto: LMN

Vimioso: Comandante dos Bombeiros Voluntários apresentou a demissão do cargo

Vimioso: Comandante dos Bombeiros Voluntários apresentou a demissão do cargo

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Vimioso (BVV), Luís Videira apresentou a sua demissão por alegadas divergências com a direção da associação humanitária, informou o comandante sub-regional das Terras de Trás-os-Montes.

Segundo João Noel Afonso, na origem da demissão poderão estar alegadas divergências entre a estrutura de comando da responsabilidade de Luís Videira, o comandante demissionário e a direção desta corporação.

“Ainda não recebemos a demissão do comandante Luís Videira de forma oficial, mas a informação chegou de forma verbal”, vincou o responsável.

Agora, o Corpo de Bombeiros de Vimioso passa a ser comandado pelo elemento mais graduado das suas fileiras.

Luís Videira tomou posse como comandante dos Bombeiro Voluntários de Vimioso, em 17 de julho de 2025 após a demissão da anterior estrutura de comando, no início de novembro de 2024.

Luís Videira pertence aos quadros da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), onde desempenha funções de operador de comunicações no Comando Sub-regional das Terras de Trás-os-Montes.

Luís Videira, de 41 anos, acumulava o cargo de comandante dos voluntários de Vimioso com as suas funções na ANEPC.

O comandante dos voluntários de Vimioso começou a sua carreira nos bombeiros de Pinhel, no distrito da Guarda, tendo atingido o posto de subchefe.

Desde o início de novembro de 2024 que havia um vazio de comando no Bombeiros Voluntários de Vimioso, na sequência também da demissão do anterior comandante, António Sutil, que, na ocasião, informou que a sua decisão “era irreversível”, tendo então passado ao quadro de honra.

A corporação de bombeiros de Vimioso tem no seu quadro ativo cerca de 60 operacionais e 30 veículos, que asseguram o socorro à população, combate a incêndios urbanos e florestais e o transporte de doentes para várias unidades hospitalares da região Norte e Centro.

Fonte: Lusa

Castro Vicente: IX Feira do Bísaro com grande afluência de público

Castro Vicente: IX Feira do Bísaro com grande afluência de público

Em Castro Vicente, a nona edição da Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro registou a afluência de muito público, vindo inclusive de Espanha e do Grande Porto, tendo os visitantes aproveitado a estadia nesta freguesia do concelho de Mogadouro para degustar a gastronomia local e comprar produtos como o fumeiro tradicional.

A presidente da freguesia de Castro Vicente, Carla Lousão, afirmou que a IX Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro, superou as expetativas da organização, dada da grande afluência de público, no fim-de-semana de 21 e 22 de fevereiro.

“O fim-de-semana de sol e o variado leque de atividades programadas permitiram atrair muito público, à feira do Bísaro, em Castro Vicente. No sábado, destaco, por exemplo, o passeio de todo-o-terreno, a matança do porco, as palestras e os concertos musicais que animaram o certame. No Domingo, a caminhada, os passeios de BTT e de carros clássicos, a visita interpretada ao Cabeço do Santo Cristo, assim como o Festival da Açorda de Txitos, ao almoço, e o Encontro de Cantares Tradicionais, no encerramento da feira, deram grande visibilidade a Castro Vicente”, disse a autarca local.

No final do certame, Carla Lousão, agradeceu a colaboração da população de Castro Vicente na organização e sublinhou que este trabalho aprofunda a identidade e o sentido de pertença a esta localidade, edificada nas encostas do rio Sabor.

“Para tornar a Freguesia de Castro Vicente ainda mais apelativa vão iniciar-se os trabalhos para melhorar a visitação ao Cabeço de Santo Cristo e aos miradouros sobre o rio Sabor. Outro projeto da freguesia é a requalificação do largo do pelourinho, onde tem lugar a Feira anual dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro”, avançou a autarca.

Em representação do município de Mogadouro, Norberto Leite, felicitou a freguesia de Castro Vicente pela organização bem sucedida da IX Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro e destacou a singularidade de cada localidade do concelho de Mogadouro.

“O Município de Mogadouro está ao lado das freguesias na valorização e divulgação do património cultural, natural e dos produtos endógenos de cada localidade. Este evento, em Castro Vicente, é um ótimo exemplo de como é possível atrair visitantes às aldeias e assim promover turisticamente todo o concelho de Mogadouro. Para trazer gente a Castro Vicente, o município associou-se ao certame, com a organização da caminhada mensal, que contou com a participação de 160 pessoas”, indicou, Norberto Leite.

Entre os visitantes da IX Feira do Bísaro, em Castro Vicente, o espanhol, Óscar, veio na companhia do pai e do irmão, desde Medina del Campo, em Valladolid (Espanha), para participarem no passeio de carros clássicos.

“Ao volante de um citroene xantia 2.0, viajamos 250 quilómetros para participar no passeio de automóveis clássicos. Gosto muito de viajar até Portugal, em particular até Trás-os-Montes, onde existe uma grande afinidade cultural com a Comunidade Autónoma de Castela e Leão e em particular com a província de Zamora”, disse o visitante espanhol.

Em Castro Vicente, o trio de espanhóis aproveitou a feira para comprar pão, mel e azeite e incentivou as pessoas a dedicarem-se à agricultura e à pecuária para devolver vida às aldeias.

“Os produtos agrícolas e pecuários como o azeite, o queijo ou a carne continuam a ser a melhor aposta para fixar a população e atrair novos habitantes. Depois, se houver a possibilidade de atrair algum tipo de indústria para transformar esses produtos seria uma mais valia para estas pequenas localidades”, indicou o visitante espanhol.

Outro visitante, João Leite, veio de Paredes, integrado num grupo de caminhadas, para passar o fim-de-semana em Castro Vicente e participar na IX Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro.

“A convite da presidente da freguesia, Carla Lousão, viemos caminhar nesta bela região do rio Sabor. A par da beleza natural fiquei deliciado com a gastronomia transmontana e tive oportunidade de degustar a posta de vitela e a açorda de txitos”, disse.

Para valorizar os produtos locais, João Leite, recomendou a aposta no associativismo e no emparcelamento das terras, de modo a que os pequenos agricultores ganhem maior escala e criem produtos âncora.

“A exemplo do que acontece na minha região do Vale do Sousa, em que há um produto de excelência como é o vinho verde, a aposta em cooperativas é uma vantagem para valorizar, inovar e comercializar os produtos endógenos”, sugeriu.

Entre os expositores da IX Feira dos Produtos da Terra e Fumeiro Tradicional Bísaro, Célia Morais, da Quinta da Faia, comercializou vários produtos caraterísticos de Castro Vicente como as casulas, butelos, alheiras, linguíças, azeite, chícharos (feijão frade), figos secos e lenha.

“Esta feira é uma oportunidade para mostrar o que se produz nas aldeias da Freguesia de Castro Vicente. Durante o fim-de-semana, o certame recebeu a visita de muita gente que aproveitou para comprar sobretudo peças de fumeiro”, disse.

Por sua vez, o apicultor, David Batista, foi outro dos expositores na Feira do Bísaro, em Castro Vicente. O jovem apicultor, deu a degustar ao público o mel de castanheiro e de rosmaninho e expôs outros produtos da marca “Pardaloca”, como o pólen, licor de mel, sabonetes, bálsamos labiais e cera para calçado e madeira.

“Em Trás-os-Montes, dada a diversidade de flores, as abelhas produzem vários tipos de mel como o mel de castanheiro, que tem uma cor mais escura ou o mel de rosmaninho, mais dourado. Estas feiras, mais do que as vendas, permitem-nos dar a conhecer os nossos produtos e estabelecer contatos para futuras vendas”, destacou.

Entre a população de Castro Vicente, a jovem, Marlene Alexandra, da Associação Sociorecreativa foi uma das pessoas que ajudou na organização da IX Feira dos Produtos da Terra e do Fumeiro Tradicional Bísaro.

“Para quem vive em Castro Vicente é uma alegria enorme receber a visita de tanta gente do concelho de Mogadouro, de concelhos vizinhos e também de outras regiões do país e de Espanha. Cabe-nos, a nós, a população local, acolher bem quem nos visita para que apreciem a estadia e voltem a visitar-nos mais vezes ao longo do ano”, disse.

No concelho de Mogadouro, a freguesia de Castro Vicente, que compreende ainda as aldeias de Porrais e Vilar Seco, é a mais distante da sede de concelho e é a única freguesia situada do lado direito do rio Sabor.

No âmbito do património cultural e natural, Castro Vicente tem como principais locais de interesse a igreja matriz, o pelourinho como símbolo da anterior autonomia administrativa, o antigo castro e a capela no Cabeço do Santo Cristo com pinturas a fresco e os miradouros sobre o rio Sabor.

HA

Ucrânia: Papa exige que «armas se calem» no quarto aniversário da invasão russa

Ucrânia: Papa exige que «armas se calem» no quarto aniversário da invasão russa

O Papa Leão XIV exigiu que as “armas se calem” na Ucrânia, assinalando o quarto aniversário da invasão em larga escala da Rússia, com um apelo urgente ao diálogo e ao fim da destruição.

“Renovo com veemência o meu apelo:  que as armas se calem. Que cessem os bombardeamentos. Que se chegue sem demora a um cessar-fogo e se reforce o diálogo para abrir caminho à paz”, disse Leão XIV, após a recitação do ângelus.

Perante milhares de pessoas, reunidas na Praça de São Pedro, o pontífice recordou o início do conflito no leste europeu, a 24 de fevereiro de 2022.

“Caros irmãos e irmãs, já se passaram quatro anos desde o início da guerra contra a Ucrânia. O meu coração continua comovido com a dramática situação que está diante dos olhos de todos”, assinalou.

O impacto da violência nas populações civis mereceu um destaque particular na reflexão.

“Quantas vítimas, quantas vidas e famílias destruídas, quanta destruição, quanto sofrimento indescritível”, lamentou o Papa.

Desde a janela do apartamento pontifício, Leão XIV sublinhou as repercussões globais do conflito armado, ultrapassando as fronteiras territoriais.

“Na verdade, toda guerra é uma ferida infligida a toda a família humana. Ela deixa para trás morte, devastação e um rasto de dor que marca gerações”, sustentou.

A paz não pode ser adiada. É uma necessidade urgente que deve encontrar espaço nos corações e traduzir-se em decisões responsáveis.”

A intervenção culminou com um apelo à oração, “pelo povo ucraniano martirizado e por todos aqueles que sofrem por causa desta guerra e de todos os conflitos do mundo”.

“Que o dom tão esperado da paz possa brilhar nos nossos dias”, desejou o Papa.

A intervenção de Leão XIV surge num contexto de forte tensão no terreno, com o registo de novas ofensivas.

Várias explosões foram ouvidas durante a última madrugada na capital da Ucrânia, Kiev, onde as autoridades declararam o alerta devido ao risco de ataques inimigos com armas balísticas, dois dias antes de se assinalar oficialmente o quarto aniversário do início da invasão russa.

Fonte: Ecclesia | Foto: Embaixada da Ucrânia em Portugal

Política: José Luís Carneiro propõe contratos territoriais para potenciar interior 

Política: José Luís Carneiro propõe contratos territoriais para potenciar interior

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, propôs em Bragança, a criação de “contratos territoriais de desenvolvimento” para potenciar as regiões do Interior, que “carecem de uma atenção especial das políticas públicas”, segundo os agentes económicos.

“O mais importante é a necessidade de estabelecermos contratos territoriais de desenvolvimento que procurem valorizar o potencial endógeno, o potencial de cada território, ou seja, aquilo que cada território tem de mais positivo e que mais possa contribuir para a criação de emprego, para a fixação de jovens mais qualificados e para a atração de investimento direto do estrangeiro, para criar mais e melhores oportunidades”, afirmou.

No âmbito da sua recandidatura a secretário-geral do Partido Socialista, sob o lema “Contamos Todos”, José Luís Carneiro reuniu a 22 de fevereiro, no Instituto Politécnico de Bragança, com forças vivas da cidade, ligadas a vários setores, nomeadamente turismo, restauração, florestas, ensino, movimento social, desportivo e recreativo e autarcas.

Depois de ter ouvido várias preocupações locais, o socialista sublinhou que a principal mensagem transmitida foi que a região transmontana “carece de uma atenção especial das políticas públicas”.

Questionado sobre as declarações do novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, que considera inaceitável os baixos salários na PSP, José Luís Carneiro referiu apenas que “é muito importante valorizar as funções de soberania nos territórios do Interior” e que é necessário “investir nas infraestruturas e nos equipamentos de segurança”, acabando por não comentar o assunto em questão porque o novo governante “ainda não tomou posse”.

Na visita a Bragança, o secretário-geral do PS criticou o Governo pela alteração de institutos politécnicos para universidades.

“Foi com estupefação que os professores e investigadores desta região verificaram que, poucos dias antes de se discutir na Assembleia da República o novo regime jurídico das instituições do ensino superior, o Governo tenha avançado com decisões de passagem de alguns institutos politécnicos para universidades, sem sequer ouvir os outros responsáveis dos institutos politécnicos, o que cria novas desigualdades”, vincou.

Depois da reunião com os agentes económicos e forças vivas de Bragança, José Luís Carneiro reuniu com os militantes do partido, também no Instituto Politécnico de Bragança (IPB).

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

 

Mogadouro: Centro interpretativo do Douro Internacional

Mogadouro: Centro interpretativo do Douro Internacional

O município de Mogadouro vai investir cerca de 700 mil euros na reconversão da antiga Casa dos Magistrados, em centro interpretativo do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), anunciou o presidente da Câmara Municipal, António Pimentel.

Segundo o autarca mogadourense, no imóvel já funciona a sede do PNDI, pelo que faz sentido avançar com um centro de interpretação dedicado a esta área ambiental protegida.

A conversão do edifício vai realizar-se no âmbito de um “aviso público dotado de cinco milhões de euros para investimentos no PNDI, a dividir pelos quatro concelhos desta área protegida e pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), tendo este organismo abdicado de grande da verba que lhe foi atribuída, sendo [assim] canalizada para a criação deste centro interpretativo”, explicou o autarca mogadourense.

A obra já foi colocada a concurso por cerca de 634 mil euros de valor base, mais IVA, em que as propostas vão ser abertas no dia 03 de março, e não será necessário o visto do Tribunal de Contas (TdC), devido ao montante envolvido.

“Estou convicto de haverá propostas e logo a seguir à abertura das mesmas será feito o relatório de análise para depois avançar com as obras”, indicou.

António Pimentel disse ainda que este centro interpretativo do PNDI será dotado de tecnologias modernas.

“Aqui estará uma exposição permanente do melhor que o PNDI comporta, em sintonia com o ICNF” e que alberga quatro concelhos, avançou.

Este projeto abrange igualmente a Porta de Entrada no PNDI que será construída a expensas da autarquia e que ficará situada junto à fronteira com Espanha, no Cardal do Douro.

O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) é a segunda maior área ambiental protegida do país e abrange os concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda.

O PNDI tem 86.834,82 hectares, abrange uma superfície adjacente ao rio Douro, sendo a vegetação dominada pela azinheira (Quercus rotundifolia, localmente conhecida por carrasco), destacando-se ainda a presença de bosques de zimbro (Juniperus oxycedrus), sobreirais (Q. suber) e manchas de carvalho-negral (Q. pyrenaica). 

O Douro Internacional é uma área fundamental para a conservação da avifauna, uma das zonas mais importantes no contexto nacional e mesmo ibérico. 

O destaque vai para as aves rupícolas que nidificam em zonas rochosas, como o abutre-do-egipto (Neophron percnopterus) e a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), que por aqui se refugiaram e reproduzem.  

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

Tentações exigem decisões

I Domingo da Quaresma

Tentações exigem decisões

Gen 2, 7-9; 3, 1-7 / Slm 50 (51), 3-4. 5-6a.12-13.14.17 / Rom 5, 12-19 ou Rom 5, 12.17-19 / Mt 4, 1-11

A leitura do Génesis apresenta o pecado original praticado por Adão e Eva. É um pecado que é tido como origem da sequência histórica do pecado da humanidade. O pecado original – como, aliás, todo o pecado – significa, na base, a transgressão da estrutura da relação entre Deus e o ser humano. Efetivamente, Deus é criador; o ser humano é criatura. O ser humano não começou por si mesmo. Foi posto por Deus a existir. É-lhe, então, devedor.

O ato criador comporta o estabelecimento de regras. Se Deus criou o “o quê” das coisas, criou também o “como” das coisas. Ora, Deus proibiu que o ser humano comesse o fruto de duas árvores do jardim que Ele lhe deu a habitar: a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e do mal. A proibição de comer da árvore da vida significa que não é dado à criatura ser senhor da vida.

A criatura recebe de Deus a vida para a administrar, sem nunca poder possuí-la como coisa inteiramente sua. Por sua vez, a proibição de comer da árvore da ciência do bem e do mal significa que o ser humano não tem um conhecimento absoluto da verdade e, por isso, deve ter cuidado ao julgar. Só Deus tem esse conhecimento absoluto, porque a verdade, no fundo, tem a dimensão do próprio Criador.

Daí que a criatura, ao querer «esclarecer a inteligência» – e é bom que o queira – não deva julgar que, algum dia, igualará a inteligência de Deus. O «meio do jardim» onde estão as tais duas árvores, ou seja, o mais central e mais profundo da existência humana, é terreno que só a inteligência de Deus abarca inteiramente. A inteligência humana pode aproximar-se daí. Mas terá de o fazer sempre com Deus; nunca sem Ele.

São Mateus diz que «Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado». Significa que foi submetido à tentação por vontade do próprio Deus. Efetivamente, a tentação é momento de definição pessoal e, por conseguinte, também de estruturação da pessoa. A tentação do «pão» representa a da riqueza; a tentação do «pináculo» representa a da fama; a tentação dos «reinos» representa a do poder. Através destas tentações, Jesus teve de decidir se queria viver contando com Deus ou em concorrência com Ele. A forma como responde a Satanás mostra que escolheu a primeira possibilidade: «adorarás o Senhor teu Deus».

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa | Imagem: Pastoral da Cultura