No serão de 3 de abril, Sexta-feira Santa, a Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso (AHBVV) presenteia a população com um Concerto de Páscoa, às 21h30, na igreja matriz, em Vimioso.
Ao longo da sua história, a banda filarmónica vimiosense tem animado as festas no concelho de Vimioso e realizou guardas de honra, na Câmara Municipal, aquando das visitas de Presidentes da República Portuguesa, Primeiros-Ministros e outros governantes.
No estrangeiro, a banda de Vimioso participou no concerto das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, em Paris.
A Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso foi fundada a 12 de Abril de 1945.
Em Vimioso, o Concerto de Páscoa é uma inciativa conjunta da Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso, do Município de Vimioso e da Unidade Pastoral de Nossa Senhora da Visitação.
Igreja: Semana Santa em Argozelo, Carção, Santulhão e Matela
As celebrações da Semana Santa, nas paróquias de Argozelo, Carção, Santulhão e Matela decorrem de 1 a 5 de abril, num programa que se inicia com as confissões, prossegue com as celebrações do tríduo pascal e culminam no Domingo de Páscoa, com a eucaristia da Ressurreição e e visita pascal.
Na vila de Argozelo, esta quarta-feira, dia 1 de abril, há confissões, a partir das 20h00, na igreja matriz. Com a entrada no Tríduo Pascal, a partir de Quinta-feira Santa, 2 de abril, rezam-se as Laudes, às 8h30; a eucaristia da Ceia do Senhor, celebra-se às 21h00. Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, às 15h00, celebra-se a Paixão do Senhor, com a procissão do Enterro. No Sábado Santo, a Vigília Pascal começa às 21h00. No Domingo de Páscoa, a eucaristia da Ressurreição do Senhor celebra-se às 11h00 e a visita pascal inicia-se às 13h00.
Nas paróquias de Carção, Santulhão e Matela, o Tríduo Pascal também inclui as celebrações da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa), da Paixão do Senhor (Sexta-feira Santa), Vigília Pascal (Sábado Santo) e a Eucaristia (ou Celebração da Palavra) da Ressurreição do Senhor e Visita Pascal, no Domingo, dia 5 de abril.
Para a Igreja Católica, a Semana Santa é momento central do ano litúrgico, durante a qual se recorda a prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.
As paróquias de Argozelo, Carção, Santulhão e Matela estão confiadas à comunidade dos frades capuchinhos, sendo constituída pelos sacerdotes, Frei Hermano Filipe e Frei Hermenegildo Sarmento e pelo diácono, Frei John Naheten, religiosos capuchinhos nascidos em Timor-Leste.
Os Capuchinhos – Frades de hábito marrão e de capuz pequeno, surgiram em Itália, no século XVI, com o objetivo de observar rigorosamente a “Regra e Vida dos Frades Menores, escrita por São Francisco de Assis e praticar a pobreza radical, a oração contemplativa e a vida missionária anunciando a todos, o Evangelho de Jesus Cristo.
Roma: Papa vai levar a Cruz em todas as estações da Via-Sacra
Na Sexta-feira Santa, Leão XIV vai levar a Cruz, em todas as estações da Via-Sacra, no coliseu de Roma, a primeira celebração a que preside na Semana Santa, enquanto Papa.
De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, as meditações das 14 estações foram escritas, este ano, pelo franciscano Francesco Patton, que foi custódio da Terra Santa, entre 2016 e 2025.
De acordo com o portal de notícias do Vaticano, frei Francesco Patton reside no atualmente em Monte Nebo, na Jordânia, tendo sido “várias vezes porta-voz da dor do povo do Médio Oriente”, sobretudo em situações de conflito
Em 2025, a Via-Sacra no Coliseu de Roma foi presidida pelo cardeal vigário do Papa para a Diocese de Roma, D. Baldo Reina, e as meditações foram escritas pelo Papa Francisco, depois de voltar à Casa Santa Marta após um longo internamento no hospital Gemelli.
Segurança: Carlos Cabreiro nomeado diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ)
Natural de Picote, no concelho de Miranda do Douro, Carlos Cabreiro, que ocupava o cargo de diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), foi nomeado pelo governo, o novo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A informação foi divulgada através do gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que já tinha adiantado, em declarações no final da reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, que aprovou o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2025.
Carlos Cabreiro, de 59 anos, coordenador superior de investigação criminal, é natural de Picote, no concelho de Miranda do Douro. O novo diretor da PJ é licenciado em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa e pós-graduado em guerra de informação, pela Academia Militar.
Trabalha na Polícia Judiciária desde 1991, onde começou por integrar o departamento que investigava fraudes e criminalidade económico-financeira.
Em 1995, passou a coordenar a Brigada de Investigação da Criminalidade Informática (BICI), a Unidade Nacional de Informação sobre Crime Económico Organizado (UNICEO) e a Brigada de Pesquisa (BP).
Em 2005 ascendeu a Subdiretor Nacional Adjunto na Direção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), onde esteve até 2009.
Entre 2009 e 2016 coordenou a secção de investigação de criminalidade informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo e em 2016 foi nomeado diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T).
Entre os processos mediáticos em que esteve envolvido encontram-se o caso que envolvia o ‘hacker’ Rui Pinto, acusado de aceder ilegalmente a emails do Benfica e que foi detido em Budapeste em 2019, e o caso ‘Tugaleakes’, em 2015, que envolvia crimes de sabotagem informática, dano informático, acesso ilegítimo e acesso indevido a diversos sistemas informáticos do Estado e empresas privadas.
Recentemente, sobre cibercriminalidade, que assumiu contornos de criminalidade transnacional e altamente complexa, Carlos Cabreiro defendeu uma harmonização a “nível mundial no estabelecimento de regras mínimas para a conservação” dos metadados das telecomunicações.
Finanças: Entrega das declarações do IRS inicia-se a 1 de abril
Inicia-se a 1 de abril, a entrega das declarações do Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS), relativas aos rendimentos ganhos em 2025, uma operação que é efetuada no Portal das Finanças e decorre até 30 de junho.
O prazo para a apresentação das declarações de IRS decorre durante três meses, de 1 de abril a 30 de junho de 2026.
O período de entrega é o mesmo para todas as categorias de rendimento, seja para quem tem a declarar apenas o salário do trabalho por conta de outrem, seja para quem trabalha a recibos verdes, seja para quem exerce a atividade nas duas modalidades, seja para pensionistas ou para quem tem outras fontes de rendimento, como rendas.
Este é o momento em que os contribuintes declaram à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) todos os rendimentos auferidos ao longo do ano anterior, de 01 de janeiro a 31 de dezembro, cabendo ao fisco calcular o imposto real que incide sobre a totalidade dos rendimentos e fazer o acerto final.
Nesse fecho de contas entre os contribuintes e o Estado, a administração fiscal terá em conta quanto é que um contribuinte já adiantou ao Estado de IRS ao longo de 2025 através das retenções na fonte, que no ano passado conheceram três tabelas diferentes para refletir a descida do imposto a meio do ano.
Do acerto final do imposto resultará uma de três situações: um contribuinte recebe um reembolso, entrega mais imposto ao Estado ou nada tem a receber nem a entregar.
Ao longo dos três meses de entrega, o Portal das Finanças deverá receber mais de seis milhões de declarações, tendo como referência as estatísticas do fisco relativas à campanha do IRS do ano passado.
A partir de dados da AT, segundo a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, em 2025, foram submetidas mais de seis milhões de declarações no Portal das Finanças no período de entrega regular, referentes a declarações enviadas individualmente ou por agregado familiar (com dois sujeitos passivos).
Segundo a previsão do Governo, os contribuintes abrangidos pelo IRS Automático que submetam a obrigação fiscal por esta via deverão receber o reembolso em menos de duas semanas após o envio do ficheiro Modelo 3 e quem entregar a declaração pela via normal receberá em três a três semanas e meia.
Em declarações à Lusa, a secretária de Estado afirmou que a “expectativa é a de que os prazos médios de reembolso sejam próximos ou similares aos do ano passado”.
A funcionalidade do IRS Automático, que permite uma submissão mais célebre, bastando a confirmação de uma declaração provisória já totalmente preenchida pela AT, vai abranger pela primeira vez os trabalhadores cobertos pelas regras do IRS Jovem (contribuintes até aos 35 anos).
Segundo a previsão da secretária de Estado, esta modalidade de entrega deverá abranger cerca de dois milhões de declarações, das quais “mais de 200 mil” dizem respeito a contribuintes do IRS Jovem.
Em relação ao impacto das alterações nas tabelas de retenção na fonte em 2025 nos valores dos reembolsos a receber pelos contribuintes, a secretária de Estado disse que o Governo tem feito um “caminho de tentar aproximar o imposto devido ao imposto efetivamente devido”, referindo que tal não resultará necessariamente num valor de reembolsos mais baixos.
“As tabelas refletem a descida e a aproximação ao imposto devido. No mundo ideal, as pessoas não tinham imposto a pagar nem a receber. É evidente que isso não é possível porque há muitas variáveis”, afirmou, vincando que as retenções na fonte são apenas “uma delas”.
A entrega das declarações é feita totalmente de forma digital, já não sendo possível entregar o ficheiro Modelo 3 em papel numa repartição de Finanças.
No entanto, um contribuinte sem acesso à Internet pode agendar uma ida a um serviço de Finanças para proceder ao preenchimento da declaração com o auxílio de um funcionário do fisco.
Em Miranda do Douro, as celebrações religiosas da Semana Santa iniciaram-se com a benção dos ramos e prosseguem na Quarta-feira Santa, dia 1 de abril, com a Missa do Senhor da Misericórdia, que dá entrada no Tríduo Pascal.
Segundo a Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD), o programa da Semana Santa iniciou-se no Domingo, dia 29 de março, no largo da Igreja da Misericórdia, com a benção dos ramos e a procissão até à Concatedral, onde se celebrou da Missa de Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.
Em Miranda do Douro, as celebrações religiosas prosseguem na quarta-feira, dia 1 de abril, com a eucaristia na Igreja da Misericórdia e a investidura dos novos irmãos da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD).
O Tríduo Pascal começa na Quinta-feira Santa, 2 de abril, na igreja da Misericórdia, às 21h00, com a celebração da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, o rito do lava-pés e a transladação do Santíssimo.
Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, no Santuário de Nossa Senhora do Naso, há a adoração da Santa Cruz, às 15h00. À noite (21h00), na concatedral, em Miranda do Douro, está programada a encenação da Paixão do Senhor.
No Domingo, a Missa de Páscoa da Ressurreição do Senhor, celebra-se às 11h00, na concatedral.
Para a Igreja Católica, a Semana Santa é momento central do ano litúrgico, durante a qual se recorda a prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.
Na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, a biblioteca municipal António Maria Mourinho, em Miranda do Douro, é o cenário dos contos “N’aldeia”, uma sessão de narração de contos tradicionais, integrada no programa da Feira da Bola Doce Mirandesa.
Os contos tradicionais portugueses são narrados por Vítor Fernandes, natural de Trás-os-Montes, onde cresceu a ouvir histórias contadas por familiares e vizinhos, nos serões à lareira ou nas ruas das aldeias.
O narrador inspira-se nas “eiras” de outrora — espaços rurais de convívio e trabalho comunitário — recriando ambientes de partilha de histórias, lengalengas, cantigas e provérbios, com espetáculos adaptados a diferentes públicos e idades.
“Entre risos, sustos e aventuras inesperadas, criaturas do imaginário popular surgem em cada recanto, enquanto as gentes da aldeia enfrentam travessuras, mistérios e segredos guardados há séculos”, pode ler-se.
Na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, estão programadas três sessões de contos orais (11h00, 14h00 e 16h00), na biblioteca municipal, em Miranda do Douro.
Miranda do Douro: Feira da Bola Doce de 2 a 4 de abril
De 2 a 4 de abril, realiza-se na cidade de Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, um certame que pretende destacar a valor gastronómico de produtos locais, como a Bola Doce Mirandesa e o Folar de Carne, dois ícones tradicionalmente associados à festa da Páscoa.
Em Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce decorre no Jardim dos Frades Trinos e a abertura acontece na manhã de Quinta-feira Santa, com a cerimónia oficial e a visita aos expositores, às 11h00.
Neste certame, à Bola Doce Mirandesa e ao folar de Carne, o público tem a oportunidade de adquirir outros produtos típicos da região, como o pão, o fumeiro, licores e vinhos regionais, azeite, frutos secos, queijos e peças de artesanato.
Segundo o programa, na quinta-feira, 2 de abril, está prevista uma sessão de esclarecimento, às 14h00, sobre a Certificação dos Produtos Regionais “Sabores de Miranda”. À tarde (17h30), realiza-se o worshop gastronómico “Degustar Terras de Trás-os-Montes, protagonizado pelo Chef de Cozinha, António Rosário. O primeiro dia da feira encerra com o concerto musical do grupo “Vizinhos” e a atuação do Dj Barroso.
No dia 3 de abril, sexta-feira, o chef de cozinha, João França, oferece uma sessão gastronómica sobre a confeção da Bola Doce Mirandesa, às 16h30. No âmbito cultural, a Biblioteca Municipal António Maria Mourinho, é o palco de três sessões (11h00; 14h00 e 16h00) de contos orais para crianças, narrados por Vitor Fernandes. Em Miranda do Douro, esta Sexta-feira Santa culmina com a representação teatral da Via Sacra e a procissão do Enterro do Senhor.
No sábado, 4 de abril, um dos atrativos da Feira da Bola Doce é a demonstração gastronómica do chef de cozinha, Marcelo Dias, dedicada à confeção do cordeiro mirandês. O certame encerra com o concerto de Luís Trigacheiro e a atuação do Dj Berto Boss.
Nos dias 2, 3 e 4 de abril, a Feira da Bola Doce conta com a animação da Banda Filarmónica Mirandesa, dos grupos de pauliteiro(a) de Miranda e da Tuna da Universidade Sénior.
Em Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce e Produtos da Terra é um evento anual que tem por finalidade valorizar os produtos endógenos e apoiar a sua comercialização.
Igreja/Portugal: Especialistas sublinham pensamento social cristão na Constituição
Nos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, especialistas em Direito, referem que o documento reflete princípios da Doutrina Social da Igreja na defesa da dignidade humana.
“Há uma marca evidente, na nossa Constituição que tem a ver com esta marca do personalismo, ou seja, com a assunção de que, apesar de tudo e antes de tudo, os direitos fundamentais servem a pessoa e a dignidade da pessoa humana, que é mesmo a trave-mestra de toda a Constituição”, refere à Agência ECCLESIA a presidente da Associação de Juristas Católicos, Inês Quadros.
A professora da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa destacou a centralidade do bem comum no texto de 1976.
“A procura do bem comum e a subordinação do poder político e económico ao serviço do desenvolvimento integral do ser humano são marcas que atravessam o diploma e que possuem uma raiz cristã inegável”, acrescentou.
Em entrevista ao Programa ECCLESIA, emitido hoje na RTP2, a investigadora Sílvia Mangerona, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, corroborou esta perspetiva ao identificar a inviolabilidade da vida na lei suprema nacional.
“A Constituição tem vários momentos em que reflete a Doutrina Social da Igreja, desde logo ao colocar a dignidade da pessoa humana como elemento fundante da própria República e depois no elenco dos direitos fundamentais, começando logo pelo direito à vida, afirmando que a vida humana é inviolável”, assinalou a docente universitária.
Sílvia Mangerona realçou igualmente a forte consagração dos direitos sociais no ordenamento jurídico português.
“A nossa Constituição exige uma solidariedade estrutural, obrigando a que o Estado promova ativamente a igualdade de oportunidades e a proteção da família, uma abordagem que espelha claramente o pensamento social católico.”
José Maria Cortes, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, perspetivou caminhos de futuro, sugerindo uma maior centralidade legal para a proteção das populações vulneráveis.
“Poderia estar feita uma referência mais explícita no fundo, não apenas à necessidade de prestação do Estado, mas à necessidade de pôr a pessoa na sua vulnerabilidade e àqueles mais frágeis no centro da reflexão e da atividade também”, recomendou.
O especialista defendeu a aplicação prática do princípio da subsidiariedade para garantir um maior envolvimento da sociedade civil na resolução dos problemas comunitários.
“A valorização da Doutrina Social da Igreja impõe a missão de repensar a intervenção do Estado, prestigiando as instituições intermédias e assegurando que o poder central respeita as competências das comunidades locais”, indica, no âmbito da celebração do meio século da aprovação da Constituição da República Portuguesa.
O livro ‘Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja’ foi apresentado a 18 de março, na livraria da Universidade Católica Editora, em Lisboa, numa sessão promovida pela Associação de Juristas Católicos.
Fonte: Ecclesia | Imagens: Assembleia da República
Com oficinas, leituras animadas e canções, as livrarias infantojuvenis desdobram-se hoje em múltiplas atividades e o livreiro ganhou mais protagonismo para criar comunidades de leitores e alimentar o negócio do livro.
Em Portugal, o modelo de livraria especializada em literatura para crianças mudou nos últimos anos, porque já não chega ter escaparates com livros ilustrados, nem uma programação paralela de mediação com os leitores.
“Passou a haver um modelo de livraria infantojuvenil – até pela natureza dos objetos para contar, lidos em voz alta – cuja premissa assenta nesta ideia de primeiro comunicar o livro, animando-o, e depois haver a compra”, explicou à agência Lusa a pedagoga Dora Batalim Sottomayor.
Em muitas das cerca de 30 livrarias infantojuvenis que existem no país já funciona esse modelo de espaço cultural recheado de atividades, onde os pais ou educadores levam as crianças para sessões de leitura em voz alta, feitas pelos próprios livreiros ou por animadores por eles contratados.
Algumas também fizeram das redes sociais – sobretudo desde a pandemia – uma montra de visibilidade, com milhares de seguidores angariados, a quem disponibilizam vídeos, gravados ou em direto, de leitura e interpretação de livros.
Dora Batalim Sottomayor, que acompanha há várias décadas as políticas de promoção do livro e da leitura e o mercado do livro, diz que “há claramente perfis diferentes” de livreiros e de livrarias para crianças.
Existem livrarias em que o livreiro é alguém que “pode ser fundamental no aconselhamento e descoberta do livro” e que dá espaço ao leitor para se relacionar individualmente com o livro.
Há livrarias onde as pessoas “vão para assistir a um contar de um livro como quem vai a um espaço mais cénico”. Tornaram-se “quase clubes de fãs, em que a identidade da pessoa [livreira] está muito ligada à própria livraria”.
E “aparentemente há públicos para todas”, referiu Dora Batalim Sottomayor à Lusa, nas vésperas de se assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil, a 02 de abril.
Em termos de público, Sofia Vieira é um fenómeno no panorama infantojuvenil, cujo nome é quase sinónimo da livraria Aqui Há Gato, com portas abertas desde 2007 no centro histórico de Santarém.
“Isto é uma ideia muito romântica. Só que para manter isto é muito difícil. […] Ou somos muito inteligentes a fazer, a gerir, ou então estamos condenados”, contou Sofia Vieira em entrevista à agência Lusa, antes de uma esgotada sessão de leitura na livraria.
Para garantir sustentabilidade, Sofia Vieira conta histórias na livraria, vai a escolas, festivais, bibliotecas, faz oficinas e escreve. A tudo isto acrescentou, em 2020, a divulgação ‘online’, “um pequeno milagre” para o seu negócio livreiro.
Com a pandemia da covid-19, sem poder acolher crianças na livraria por causa do confinamento, passou a ler histórias ‘online’, em direto e em vídeos gravados. Seis anos depois, mantém a rotina diária na Internet, onde tem 50 mil seguidores no Facebook, 36,7 mil no Instagram e 123 mil no Youtube.
No último mês alcançou três milhões de visualizações dos vídeos que publica no Youtube e dos quais diz não retirar qualquer rendimento, até porque algumas editoras discordaram que as suas histórias ficassem disponíveis ‘online’.
“Eu não estou a criar leitores digitais, estou a criar leitores! Porque se eu não estivesse a criar leitores, eu não tinha pessoas aqui que vêm visitar-nos de Bragança, Braga, Porto. Estou a criar leitores com critério, que entram aqui e que me dizem assim: ‘Ó Sofia, eu gosto tanto daquela história que tem aquela personagem. […] Eu quero que os miúdos venham cá. Eu quero que os miúdos comprem livros”, exclamou.
Aos que a criticam por estar a colocar na Internet a leitura na íntegra de muitos livros, mesmo com o consentimento das editoras, Sofia Vieira responde com uma ideia de serviço público.
“Isso eu tenho claro em mim, eu estou a prestar um serviço público, por isso é que eu não estou a rentabilizar um cêntimo pelos nossos filhos [com os vídeos na Internet]. Porque eu quero que os miúdos tenham o máximo de contacto com os livros, porque saem sempre livros a toda hora, a todo momento. […] Há crianças que, se calhar, a única maneira de ouvirem histórias é aquela e o livro é um produto cultural, nem devia ter IVA”, diss
Em Coimbra, a Faz de Conto, aberta desde 2017 no Exploratório – Centro Ciência Viva, também partilha dessa ideia de comunidade, vende e promove o livro infantil através de oficinas de ilustração, sessões de histórias, tanto na livraria como em escolas e festivais.
“Desde o início que tentamos promover o livro infantil sempre à base da comunidade, envolvendo as pessoas de Coimbra e acabamos por chegar a todo o país”, contou à Lusa a fundadora da Faz de Conto, Sofia Correia.
Com sessões de leitura todos os domingos de manhã, Sofia Correia considerou que a realização de atividades é essencial e que a mediação é um fator diferenciador numa livraria independente.
“É fundamental para a sua sobrevivência, porque, se não fosse isso, acho que podiam comprar livros no supermercado”, justificou.
Para a livreira, as principais dificuldades são manter o público e a relevância da livraria e o mais gratificante é a mediação bem-sucedida, seja nas leituras ou nas sugestões dadas aos leitores.
“O que eu gosto mais na livraria é mesmo encontrar o livro certo, para a pessoa certa, no momento certo. Às vezes conseguimos, nem todas, infelizmente, mas há uns momentos que fazem toda a diferença e que nos dão vontade de continuar”, admitiu, sorrindo.
Sofia Correia destacou a “evolução dos públicos” da Faz de Conto, que, além de já ser um público fiel, abrange “muitas pessoas diferentes”, incluindo famílias, bibliotecários, professores, mas também adultos que compram livros para si.
“É muito interessante ver que os públicos têm crescido e passado a palavra a outras pessoas que acabam por vir também”, descreveu.
Um dos projetos livreiros mais recentes para crianças, que também procura criar uma comunidade, é a Zumbido, que abriu em 2025 do outro lado da rua do Mercado de Matosinhos, no distrito do Porto, tornando-se assim na única livraria de rua de um concelho com quase 180 mil habitantes.
Adepta do livro ilustrado enquanto obra que não se deve restringir ao público infantil, a livreira Joana Domingues contou à agência Lusa que encara a Zumbido com espírito de missão, em prol do livro, mas também da comunidade, num espaço onde há café e pastelaria de especialidade, jogos de tabuleiro, exposições e oficinas.
“Não é só a livraria, mas é um espaço onde as pessoas vão estar juntas, onde podem ler, onde podem trabalhar, mas onde as histórias são sempre a base, o fio condutor de tudo”, disse.
“Pensei muito, mas quis mesmo arriscar. Sei que ainda tenho muito para aprender. […] Se continuar a vender livros, imagino-me a estar nisto muitos anos”, afirmou Joana Domingues, que sublinhou ter uma relação “espetacular” com as editoras, apesar do volume limitado de livros que tem, por enquanto.
Entre as livrarias especializadas, a que tem tido uma estratégia mais expansiva é a Poets & Dragons Society, iniciada em 2018 na Costa de Caparica, no distrito de Setúbal, que começou por ser uma editora de poesia, estendeu-se a outros géneros, em particular ao livro ilustrado em português e em inglês, e trabalhava ‘online’ com sessões de histórias e venda de livros.
O foco da Poets & Dragons são as crianças do pré-escolar e primeiro ciclo de escolaridade e o perfil editorial é feito de “livros divertidos com repetições para leituras emergentes” e propícios à oralidade, como explicou à agência Lusa Elisabete Rosa-Machado, cofundadora do projeto.
“As pessoas precisam de ver o livro antes de comprar e nós fazíamos os vídeos e as pessoas compravam através dos vídeos. Então, fez-nos sentido abrir a primeira livraria para a pessoa ter contacto direto com os livros”, recordou esta professora de primeiro ciclo, com formação em livro infantil e gestão de bibliotecas escolares.
Perante o sucesso no digital, Elisabete Rosa-Machado e o marido abriram a primeira livraria na Costa de Caparica, depois outra em Lisboa, estiveram presentes em feiras do livro e construíram uma rede de dez animadores de leitura, que vão a escolas com os livros da editora.
Segundo Elisabete Rosa-Machado, a Poets & Dragons foi contactada por outras livrarias interessadas em replicar o modelo de livraria, pelo que o projeto se estendeu pelo país num regime de venda exclusiva do catálogo daquela editora.
É assim que existem, por exemplo, a Montanha de Livros, em Braga, ou a Patanisca & Sardanisca, em Águeda. Há ainda livrarias em Castelo Branco, Porto, e está prevista a abertura em Guimarães, Faro, Viseu e na Madeira. A partir de abril, a Poets & Dragons contará também com uma livraria itinerante para ir a escolas ou a feiras do livro.
Para Elisabete Rosa-Machado, as livrarias também têm a sua função no ecossistema da promoção da leitura e do livro infantil.
“Há pessoas que vêm aqui ainda desorientadas, [e dizem] o que é que eu posso oferecer ao meu filho? Há muitas famílias perdidas, não têm que saber o que nós sabemos, está tudo certo, então eu acho que a livraria faz esse papel”, disse.
De acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), em 2025 a venda de livros em Portugal cresceu 6,9% em relação ao ano anterior, com um total de quase 15 milhões de livros vendidos, e esse aumento foi muito impulsionado pelos livros de colorir e infantis.
Os dados relativos ao número de unidades vendidas por género indicam que o mais procurado e único com um crescimento significativo em número de vendas foi o infantil/juvenil, que passou de 34,5% em 2024 para 36,3% em 2025.
Num mercado em que são publicadas muitas novidades editoriais, Dora Batalim Sottomayor concorda que pais e professores possam sentir-se “perdidos e a precisar de pautas de qualidade”, fornecidas por mediadores, bibliotecários ou livreiros.
“Vamos esperar que estas pessoas conheçam profundamente o que é um livro, que conheçam muitos livros e que tenham critérios de qualidade”, observou.
Com maior ou menor intuito comercial, a investigadora lembra o desígnio nobre das livrarias de serem “lugares em que as pessoas têm contacto com o livro, mexem no livro”.
“Fazem um grande trabalho num tempo tão digital em que tudo está dentro do nosso bolso: Poder entrar num espaço recheado de livros, com livreiros dedicados, que conhecem o seu acervo e que possam encaminhar os leitores e fazê-los descobrir o livro”, defendeu.