Campo de Víboras: I Feira dos Tendeiros e Lavradores a 2 e 3 de maio

No fim-de-semana de 2 e 3 de maio, a aldeia de Campo de Víboras organiza a I Feira dos Tendeiros e Lavradores, um novo certame no concelho de Vimioso, que tem como propósitos homenagear a gente trabalhadora e resiliente desta localidade e simultaneamente promover os produtos e as tradições locais.

A I Feira dos Tendeiros e Lavradores é uma iniciativa da União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, em colaboração com o município de Vimioso. De acordo com o representante da freguesia, Nuno Santos, o certame pretende destacar o papel histórico dos tendeiros e dos lavradores, figuras centrais na construção da identidade social e económica desta aldeia do concelho de Vimioso.

“Decidimos organizar uma feira para homenagear as gentes do Campo de Víboras, que ao longo de várias gerações procuraram continuamente melhores condições de vida. Inicialmente, os tendeiros dedicaram-se ao comércio ambulante, com a venda de tecidos a metro, como o riscado, tirilene, burel, cotim, seda, nylon e linho para fazer o vestuário. Simultaneamente, o certame é também uma homenagem aqueles que permaneceram na aldeia, os lavradores e que dedicaram as suas vidas à lavoura e ao cultivo da terra”, justificou o autarca de Campo de Víboras.

Sobre a história dos tendeiros, Nuno Santos elogiou a audácia, de homens e mulheres, que singraram na vida ao desenvolver a sua atividade comercial por todo o país.

“Durante décadas, os tendeiros souberam adaptar-se às diferentes procuras do mercado. Da venda inicial de tecidos passaram depois para as colchas e os bordados. Depois veio a venda de ouro e mais tarde, alguns antigos tendeiros converteram-se em empresários da construção civil”, informou.

A par da homenagem aos tendeiros e lavradores, outro objetivo do certame que decorre nos dias 2 e 3 de maio, no Campo de Víboras, é apoiar os agricultores e artesãos da região, na promoção e comercialização dos produtos.

“Na I Feira dos Tendeiros e Lavradores vão participar 20 produtores e artesãos, expondo produtos como o fumeiro, a doçaria tradicional, frutos secos, azeite, vinho e licores, bijuteria, artesanato e até vestuário (em homenagem aos tendeiros). Atualmente, no Campo de Víboras está a realizar-se um grande investimento na plantação de olivais. Nesta localidade já se produz azeite de qualidade e por isso gostaria de promover na feira, as marcas Distintus e Meirinhos. Também na pecuária, em Campo de Víboras ainda há um criador de bovinos de raça mirandesa e por isso vamos organizar as tradicionais chegas de touros”, justificou o autarca.

O programa da I Feira dos Tendeiros e Lavradores, em Campo de Víboras, tem outros destaques como são a caminhada até ao marco geodésico, na manhã de sábado.

“A caminhada até ao marco geodésico tem uma distância de 3,5 quilómetros, num percurso de ida e volta. No regresso à aldeia, os caminhantes têm direito ao almoço no recinto da feira. As inscrições para a caminhada são feitas através do contato 914 950 557”, informou, Nuno Santos.

Anualmente, a festa religiosa dedicada a Nosso Senhor dos Aflitos, conta com o regresso de muitos conterrâneos, que vivem e trabalham noutras localidades do país e no estrangeiro. Este ano, a realização simultânea da festa e da I Feira dos Tendeiros e Lavradores está a gerar expetativa, pelo que a organização espera a afluência de muita gente, no fim-de-semana de 2 e 3 de maio.

“A festa em honra de Nosso Senhor dos Aflitos começa no dia 24 de abril, com a procissão da imagem de Cristo da capela para a igreja matriz. De 24 de abril até ao dia 3 de maio, celebra-se diariamente, a novena com a eucaristia, às 20h00, na igreja matriz. No Domingo, dia 3 de maio, o momento alto da festa é a celebração da eucaristia, seguida da procissão à volta da aldeia”, indicou Nuno Santos.

Na tarde de Domingo, dia 3 de maio, outro destaque da I Feira dos Tendeiros e Lavradores é a palestra sobre a “Origem e história dos Tendeiros”.

«A palestra é moderada pela vice-presidente do município de Vimioso, Cristina Miguel e tem como convidados José Augusto Heleno da Fonseca, autor do livro “Campo de Víboras no Caminho de Santiago” e várias pessoas naturais de Campo de Víboras que vão dar o seu testemunho sobre a vida de tendeiros», adiantou.

Na aldeia de Campo de Víboras, segundo o último censos, residiam 154 pessoas. Nos últimos anos, tem-se registado um significativo investimento na agricultura, nomeadamente no cultivo de olivais e amendoais, o que explica o regresso de pessoas à aldeia.

“Sim, felizmente há cada vez mais pessoas que estão cansadas de viver nas cidades e decidem regressar definitivamente à aldeia, para se dedicarem, por exemplo, à agricultura, nomeadamente ao cultivo do olival e amendoal. Foi o meu caso, que no ano 2022, juntamente com a minha esposa decidimos sair de uma grande cidade como o Porto, para vir viver permanentemente no Campo de Víboras”, concluiu Nuno Santos.

HA



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