Avelanoso: Parque eólico gera interesse financeiro e preocupação ambiental
No dia 9 de maio, a população da União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso, participou na sessão de apresentação e auscultação do projeto eólico de Avelanoso, tendo os habitantes locais expressado interesse no retorno financeiro mas também receio e preocupação com os impactos para a saúde pública e o condicionamento de atividades como a agricultura, o turismo e a caça.
A apresentação do projeto do Parque Eólico de Avelanoso foi realizado pela empresa de consultoria Gesto Energia. Em Avelanoso, os representantes da empresa começaram por explicar à população que este projeto consiste na produção de energia renovável, neste caso através de parque eólico, para depois ligar à barragem de Picote.
“A combinação de fontes de energias renováveis como a hidráulica, eólica e a fotovoltaica, em instalações híbridas é uma ferramenta bem-sucedida para gerar e fornecer energia limpa e eficiente. Por isso, a Engie pretende hibridizar as barragens de Picote, Bemposta, Baixo Sabor e Foz Tua”, justificaram.

Segundo a Gesto Energia, a instalação de um parque eólico com 35 aerogeradoes compreende uma área de estudo de quase 6 mil hetares, que compreende a União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso e a União de Freguesias de Caçarelhos e Angueira, no concelho de Vimioso; as freguesias de São Martinho de Angueira, a União de Freguesias de Constantim e Cicouro e União de Freguesias de Genísio e Especiosa (concelho de Miranda do Douro).
“A área necessária para a instalação de cada aerogerador é de três hectares. Um aerogerador converte a energia do vento em eletricidade. Cada aerogerador tem um torre de 120 metros de altura, uma pá de 80 metros de diâmetro e a fundação é a 20 metros de profundidade”, informaram.
Na auscultação às populações, os representantes da empresa de consultoria informaram que a implantação precisa de terrenos e por isso, a Engie pretende adquirir propriedades numa das seguintes modalidades: aluguer de longa duração ou compra.
“Os contratos serão iguais para todos os proprietários. Em caso de aluguer ou rendas, os valores são atualizados anualmente mediante a taxa de inflação”, indicaram.
Segundo a empresa Gesto Energia, a instalação de um parque éolico traz benefícios para os municípios com a receita proveniente do Fundo Ambiental, a melhoria e manutenção da área ambiental e os contrapartidas financeiras para os proprietários dos terrenos.
Entre as desvantagens, a população presente na sessão em Avelanoso chamou a atenção para o impacto visual dos aerogeradores na natureza, o ruído das hélices das torres eólicas e os danos provocados na flora e na fauna.
O presidente da União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso, Filipe Canedo, avançou que a autarquia teve a primeira reunião com a Gesto Energia, em novembro de 2025, sobre o estudo de implantação do parque eólico de Avelanoso.
“Na primeira reunião foi-nos comunicada a intenção de instalar uma torre piloto junto à fronteira para medir o vento. E a Gesto Energia comunou-nos a intenção da Engie instalar cerca de 8 aerogeradores na União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso”, disse.
Questionado sobre a reação da população à instalação do parque éolico nas localidades de Vale de Frades e Avelanoso, Filipe Canedo, revelou que as pessoas estão apreensivas e receosas com o impato negativo que os aerogeradores possam provocar na saúde pública, nas atividades económicias e os impactos ambientais.
“A população está receosa de que a instalação dos aerogeradores, tão próxima da localidade cause perturbações na saúde mental das pessoas devido ao ruído das hélices. Outro problema é o espaço ocupado pelos aerogeradores, que vai limitar atividades como a agricultura, o turismo ambiental e a caça. A estes problemas acresce ainda a falta de marcação dos terenos na serra de Avelanoso, o que pode provocar conflitos entre a populaçáo”, indicou.

Por seu lado, o representante de Serapicos na União de Freguesias, Vitor Miranda, optou por destacar o lado positivo da instalação do parque eólico no concelho de Vimioso.
“Este projeto tem vários aspetos a considerar: por um lado traz inovação e modernidade com o aproveitamento da energia do vento para a produção de eletricidade, o que por conseguinte traz um retorno financeiro para o concelho de Vimioso. Por outro lado, é verdade que o impato visual e algum ruído dos aerogeradores pode causar alguma estranheza inicial”, disse.

Glória Pimentel, natural de Avelanoso, também se mostrou pessimista relativamente à instalação de um parque eólico na freguesia. A viver no Porto, Glória Pimentel, disse que gosta de regressar mensalmente à sua aldeia para descansar e contemplar a natureza.
“Dado que vivo no Porto, sou conhecedora do ruído das grandes cidades. Este projeto de instalação de um parque eólico em Avelanoso ainda está muito embrionário, pelo que é necessário que a população seja devidamente informada sobre os aspetos que possam vir a deteriorar a sua qualidade de vida. O nordeste transmontano tem como maior riqueza a qualidade ambiental, a natureza e a tranquilidade que aqui se vive. Faço muitas caminhadas pela serra de Avelanoso e não é tanto o impacto visual dos aerogeradores que me preocupa, mas sim o ruído das turbinas. Por isso, exige-se um claro esclarecimento sobre o impacto que estes aerogeradores possam ter na vida das pessoas”, alertou.
O processo do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para iniciar o projeto do Parque Eólico de Avelanoso e consequente processo de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, estiam-se que demore cerca de dois anos, adiantaram os técnicos da empresa Gesto.
HA | Fotos e vídeo: HA e Glória Pimentel