Entrevista: “Trabalhar desde Palaçoulo obriga-nos a ser proativos” – Alberto Martins

Entrevista: “Trabalhar desde Palaçoulo obriga-nos a ser proativos” – Alberto Martins

A Cutelaria Martins, sediada em Paçaçoulo, celebrou 70 anos de atividade. Fundada por José Maria Martins, um antigo ferrador que para agir contra a sazonalidade desta profissão e a posterior mecanização da agricultura, acabou por se dedicar por inteiro à arte da cutelaria. O ofício foi depois continuado pelos seus filhos, entre os quais o atual gestor, Alberto Martins, que com o passar dos anos modernizaram a empresa e deram a conhecer as navalhas de Palaçoulo, ao mundo inteiro.

Terra de Miranda – Notícias: Ao longo destes 70 anos de atividade, que grandes mudanças e transformações aconteceram na cutelaria Martins?

Alberto Martins: Na década de 1980, com a integração dos filhos de José Maria Martins na empresa, as instalações foram ampliadas, houve um investimento significativo na aquisição de equipamento e reforçou-se a equipa de trabalho, à qual foi transmitido o “saber fazer” adquirido ao longo dos anos. Esta modernização da empresa permitiu ajustar a capacidade produtiva ao escoamento dos produtos.

T.M.N.: A mecanização da empresa não retirou o caráter artesanal dos vossos produtos?

A.M.: Não, mesmo com a introdução de máquinas no processo produtivo, cada peça produzida na Cutelaria Martins é trabalhada e supervisionada manualmente. Do ponto de vista comercial, esta qualidade é reconhecida pelo público, que considera os nossos artigos como peças de grande qualidade e valor.

T.M.N.: Quantas pessoas trabalham na cutelaria Martins e quais são os vossos produtos?

A. M.: Atualmente trabalham na empresa 24 pessoas e fabricamos três tipologias de produtos: as navalhas, as facas e talheres. No nosso volume de negócios, as navalhas são as que têm maior preponderância. Por isso, fabricamos diversos modelos destinados a vários nichos de mercado. Por exemplo, hoje em dia é possível encontrar um produto da cutelaria Martins numa livraria, no merchandising de uma cantora australiana ou nos brindes-empresa dos pilotos da Red Bull e da multinacional Bayer, que recorre aos nossos produtos para comunicar a sua marca. Para tal, procuramos ser uma referência, na apresentação das nossas peças em caixas de cartão ou de madeira personalizadas. Também o souvenir ou a lembrança de um local ou região é outro nicho de mercado que procuramos explorar.

“Hoje em dia é possível encontrar um produto da cutelaria Martins numa livraria, no merchandising de uma cantora australiana ou nos brindes-empresa dos pilotos da Red Bull e da multinacional Bayer, que recorre aos nossos produtos para comunicar a sua marca.”

T.M.N.: Nas montarias ao javali ou nos passeios pedestres que se realizam nesta região é muito comum os participantes receberem como lembrança uma navalha de Palaçoulo.

A. M.: Sim, porque estes objetos também são uma marca identitária da região. Antigamente, dizia-se que no mundo rural uma navalha era uma terceira mão, pois tanto permitia enxertar a vinha na atividade agrícola, como servia para cortar o pão, o presunto e o queijo.

T.M.N.: Para onde vendem as navalhas, facas e os talheres da cutelaria Martins?

A. M.: Fazemos vendas para vários países, mas o mercado ibérico continua a ser o principal destino dos nossos produtos. Atualmente, também se regista um crescimento das vendas no sul de França, no âmbito dos souvenires. Durante a pandemia realizamos uma reflexão e decidimos lançar uma linha de peças temáticas, dirigidas a áreas como a caça, a pesca, a agricultura, o ciclismo, o motard, o cavalo, a vinha e o vinho, entre outras áreas, que nos permitem entrar em diversos nichos de mercado.

Durante a pandemia realizamos uma reflexão e decidimos lançar uma linha de peças temáticas, dirigidas a áreas como a caça, a pesca, a agricultura, o ciclismo, o motard, o cavalo, a vinha e o vinho, entre outras áreas, que nos permitem entrar em diversos nichos de mercado.

T.M.N.: A inovação ou a criação de novos produtos é por isso uma aposta da vossa empresa?

A.M.: Sim, a inovação é o nosso maior argumento. Por um lado, permite ajustarmo-nos aos interesses do público nos vários nichos de mercado. E por outro lado, leva-nos a desbravar terreno e a descobrir novos potenciais mercados. A inovação pode ser feita ao nível do design dos produtos, mas também da metodologia e da eficiência nos processos produtivos e na tecnologia utilizada que traz melhor e maior capacidade produtiva. Arrisco dizer que uma empresa ou unidade de produção sem inovação está estagnada.

T.M.N.: Inovação mas sempre ligada à tradição.

A.M.: Sim, porque por mais conhecimento e inovação que haja, é importante lembrar a origem e a história da empresa. Volto a lembrar que a Cutelaria Martins foi construída em cima de uma carta ou licença de Ferrador, seguida de muitos anos de trabalho, de resiliência e de foco. Foi graças ao trabalho desenvolvido pelos nossos antepassados que chegamos ao presente e continuamos a projetar o futuro, com responsabilidade.

T.M.N.: Porque razão afirma que os produtos da Cutelaria Martins têm alma, história e identidade?

A.M.: Porque no fabrico das nossas navalhas há uma matriz que nos foi legada: um punho em madeira, um anel e uma lâmina em inox. Já me perguntaram porque não fabricamos canivestes suiços, ao que respondi que esse objeto não é transmontano. Todos os nossos produtos refletem a identidade e a história do povo transmontano.

A inovação pode ser feita ao nível do design dos produtos, mas também da metodologia e da eficiência nos processos produtivos e na tecnologia utilizada que traz melhor e maior capacidade produtiva.

T.M.N.: A cutelaria Martins está instalada em Palaçoulo, no interior do país. Esta localização é uma dificuldade acrescida ou não?

A.M.: Estarmos localizados no interior do país tem algumas desvantagens como a dificuldade de acesso ao conhecimento técnico e a criação de sinergias empresariais. No entanto, sou da opinião que devemos otimizar as circunstâncias, ou seja, ver também as vantagens desta localização. E uma das vantagens é estarmos mais próximos dos mercados europeus, desde logo da vizinha Espanha. Paradoxalmente, outra vantagem é a obrigatoriedade de produzir todos os componentes dos nossos artigos: as lâminas, os anéis e os punhos, o que no final torna as nossas peças diferenciadas e de valor acrescentado. Bem vistas as coisas, este trabalho acrescido desde Palaçoulo não nos deixa acomodar, obriga-nos a ser proativos e dá-nos uma maior capacidade de resposta aos desafios.

Outra vantagem de estarmos localizados no interior do país é a obrigatoriedade de produzir todos os componentes dos nossos artigos: as lâminas, os anéis e os punhos, o que no final torna as nossas peças diferenciadas e de valor acrescentado.

O processo de manufatura das navalhas de Palaçoulo, na Cutelaria Martins.

T.M.N.: O fundador da Cutelaria, José Maria Martins falecido em 7 de abril de 2016 deixou como principal legado os valores da simplicidade, lealdade e congruência. São estes os valores que continuam a nortear a empresa?

A.M.: Sim, estes valores são uma escola de vida. Na convivência com o meu pai aprendemos a praticar estes valores, assim como a honestidade, o respeito e o compromisso ou a honra para com os clientes.

T.M.N.: A localidade de Palaçoulo, através das várias empresas aqui sediadas, é um raro exemplo de como é possível agir contra o despovoamento e fixar a população. Na sua opinião, que outras empresas poderiam ter sucesso nesta região?

A.M.: Os exemplos vêm antes das empresas. Lembro-me do meu pai afirmar que se não tivesse enveredado pela área da cutelaria, teria criado uma empresa de calçado. E eu não duvido que teria sido bem sucedido. Porque era uma pessoa com valores, comprometido e muito focado. São estas as condições determinantes para ser bem sucedido em qualquer empresa ou tarefa, por mais simples e rotineira que seja. Sobre a realidade empresarial de Palaçoulo, estou convencido que o meu pai e as outras pessoas da sua geração, que desenvolveram empresas nas áreas da cutelaria, da tanoaria e mais tarde da serralharia são verdadeiros heróis, pelas adversidades que superaram e as boas práticas que implementaram e transmitiram às gerações seguintes.

“Os exemplos vêm antes das empresas. Lembro-me do meu pai afirmar que se não tivesse enveredado pela área da cutelaria, teria criado uma empresa de calçado. E eu não duvido que teria sido bem sucedido. Porque era uma pessoa com valores, comprometido e muito focado.”

Perfil

Alberto Afonso Martins

É licenciado em Assessoria de Administração pelo ISLA, Lisboa: e frequenta um um Mestrado em Marketing – Universidade Portucalense.

Desde 2014 é membro da Gerência, com a função de Diretor Geral da José Maria Martins – Cutelaria Tradicional de Palaçoulo, Lda.; acumula a responsabilidade da comunicação de conteúdos e publicações (Redes sociais e página Web) da Cutelaria Martins

Entre 2008  e 2014, foi o responsável pela definição e aplicação do plano de reposicionamento estratégico, da inovação e do marketing da Cutelaria Martins.

HA

Ambiente: Preço da água deve aumentar 25% até 2030

Ambiente: Preço da água deve aumentar 25% até 2030

Até 2030, o preço da água deverá aumentar 25,7% para manter o consumo urbano aos níveis de 2022, segundo um estudo no qual, pela primeira vez, se faz uma análise do valor económico da água em Portugal.

O estudo “O valor económico da água em Portugal” é apresentado a 19 de junho, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, tendo sido coordenado pelo economista e professor da Universidade “Católica-Lisbon” Miguel Gouveia. As duas instituições patrocinaram a investigação que, dizem, pretende contribuir para a procura de soluções sustentáveis para a gestão da água.

Segundo o documento, em 2015 os agregados familiares gastaram em média 1,3% do orçamento em despesas com a água e serviços conexos (resíduos sólidos e águas residuais), um valor mais baixo se comparando com outros países. Aumentar as tarifas não será incomportável para a maioria das famílias, diz o documento.

A análise conjugada dos dados indica que o consumo urbano de água deverá aumentar cerca de 5,7% até 2030. “Para manter o consumo ao nível de 2022, o preço da água terá de subir 25,7% até 2030, para uma média de 3,2 euros o metro cúbico, o que pode ser visto como o valor económico da água em consumo urbano”, diz o documento.

Miguel Gouveia disse que para a redução de consumos são necessárias muitas campanhas de informação e sensibilização, esforços que terão de ser acompanhados por aumentos de preços, que não sendo “algo simpático” não terão grande impacto “na esmagadora maioria dos agregados”.

“Também percebo que se peça mais aos que têm mais”, disse, referindo-se ao que alguns municípios já fazem, que é aumentar os preços nos escalões superiores de consumo.

A agricultura, o setor que mais consome, também terá de fazer um uso mais racional da água. “Tem de haver um esforço em todas as frentes”

Miguel Gouveia lembrou que o progresso tecnológico levou a melhorias no consumo de água, que as máquinas de lavar consomem hoje muito menos água, ou que na agricultura o percurso é o mesmo. “Há 30 ou 40 anos o regadio gastava 14 mil metros cúbicos por hectare, hoje gasta quatro mil metros cúbicos”.

Na agricultura, salientou, o valor da água é muito superior ao custo na maior parte das vezes, explicando que o estudo serviu para estabelecer um valor da água, algo que estava a faltar em Portugal.

Segundo o estudo, o valor económico médio da água usada na agricultura em todo o país e todas as culturas, a preços de 2022, foi estimado em 0,585 euros.

Os valores dependem da região do país e do tipo de cultura. Por exemplo a estimativa para o valor da água usada no arroz apontava para 0,08 euros, um valor positivo apenas devido às ajudas da Política Agricultura Comum (PAC), enquanto no abacate o valor da água era de 2,65 euros o metro cúbico.

Na base do trabalho, referiu o responsável, está o facto de em Portugal a precipitação anual média ter diminuído 20% nos últimos 20 anos, prevendo-se que diminua mais 10 a 25% até final do século.

Além de outros, a escassez hídrica terá impacto direto no potencial de geração de hidroeletricidade, tornando a eletricidade mais cara, e “terá impactos macroeconómicos significativos, nomeadamente no PIB (num cenário de efeitos climáticos mais severos, o PIB poderá cair 3,2%), em aumentos das taxas de desemprego e inflação, e numa deterioração da balança comercial.”.

“Vamos ter menos água, vai ser um processo gradual, apesar de em Portugal haver mais chuva do que em vários países da Europa”, notou o responsável, salientando que caso se invista em formas de não perder a água (mais albufeiras) poderá haver uma maior oferta. Sem investimento será o deserto a avançar pelo sul do país, alertou.

“Nem todos os investimentos são rentáveis e isso pode ver-se com este valor da água”,disse, salientando a importância de haver uma “boa análise custo benefício” das políticas publicas em discussão, para impedir riscos de desperdício.

Nas palavras de Miguel Gouveia, que cita a opinião de peritos, a reutilização de águas residuais tratadas faz sentido no Algarve mas menos em outras regiões, porque a elevação dessas águas (as estações de tratamento, ETAR, ficam perto do nível do mar) tem um custo.

Da mesma forma as melhorias nas redes para evitar fugas também ficarão muito caras. “Não significa que não vale a pena investir, significa que não vamos ter grande retorno”, explicou.

Os transvases podem ser uma solução, e a construção de dessalinizadoras pode ser também uma opção, apesar de cara, especialmente por ser um seguro em casos de falta extrema, “mas não pode ser uma estratégia cega”.

Miguel Gouveia insiste numa “análise sistemática do que é que das várias opções vale a pena”. E reforça : “Essa é a mensagem principal, respostas o mais racionais possíveis”.

O estudo é apresentado numa sessão que também debaterá temas como a estratégia da água para o setor agrícola ou as desigualdades pluviais.

Fonte: Lusa

Portugal: População residente ultrapassou 10,6 milhões de pessoas

Portugal: População residente ultrapassou 10,6 milhões de pessoas

Em 2023., a população residente em Portugal aumentou pelo quinto ano consecutivo, ultrapassando 10,6 milhões, indicou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em 31 de dezembro de 2023, a população residente em Portugal foi estimada em 10.639.726 pessoas, mais 123.105 do que em 2022.

“O acréscimo populacional resultou de um saldo migratório de 155.701 pessoas (136.144 em 2022), que compensou o saldo natural negativo, de -32.596 (-40.640 em 2022)”, de acordo com o INE.

Em 2023, em consequência do aumento da natalidade, o número médio de filhos por mulher em idade fértil aumentou para 1,44 filhos, contra 1,42 em 2022.

O envelhecimento demográfico em Portugal “continuou a acentuar-se”, notou o Instituto.

Em 2023, o índice de envelhecimento – que compara a população com 65 e mais anos com a população dos zero aos 14 anos – atingiu o valor de 188,1 idosos por cada 100 jovens (184,4 em 2022).

“A idade mediana da população residente em Portugal, que corresponde à idade que divide a população em dois grupos de igual dimensão, passou de 46,9 anos em 2022 para 47,1 anos em 2023”, referiu o INE, ao divulgar as estimativas da população residente.

Do total de residentes no país no final do ano passado, 5.083.568 eram homens e 5.556 158 mulheres.

O aumento de 123.105 pessoas relativamente a 2022 representa uma taxa de crescimento efetivo 1,16%, face a 0,91% em 2022, segundo a mesma fonte.

Fonte: Lusa

Cultura: Ilustrações da fé do povo expostas no Museu do Abade de Baçal

Cultura: Ilustrações da fé do povo expostas no Museu do Abade de Baçal

O Museu do Abade de Baçal, em Bragança, tem expostos até 29 de setembro, quase 100 ex-votos da Diocese Bragança-Miranda, dos séculos XVIII e XIX.

É a primeira vez que um tão grande número destas pinturas que testemunham a fé e o dia-a-dia do povo estão juntas e visitáveis, numa exposição que recebeu o nome de “Segundo uma promessa”.

“Esse foi um dos objetivos desta exposição, conseguir reunir quase uma centena de ex-votos, ou tabuinhas votivas, pela primeira vez. Nos anos 1980 um trabalho do padre Belarmino Afonso, que identificou uma série destas obras, foi o ponto de partida. Em número nunca estiveram tantas obras juntas”, partilhou com a Lusa Jorge da Costa, diretor do Museu do Abade de Baçal.

Hoje os ex-votos têm outras formas, como partes do corpo em cera, uma bengala, uma fotografia ou uma trança de cabelo, mas neste período da História usavam-se pinturas, essencialmente em madeira ou que podiam ser sobre tela ou cartão.

“São pequeninas pinturas que são uma representação pictórica, complementada com texto, de um milagre, de qualquer coisa que foge ao nosso entendimento ou à ciência. Estamos a falar de uma questão de fé”, explicou Jorge da Costa.

As pinturas, que narram o pedido que foi feito ao santo da devoção e a graça recebida, eram entregues aos santuários ou capelinhas, locais também eles associados a milagres, para servirem de testemunho do sucedido.

“A maioria das pinturas não tem propriamente uma grande qualidade artística. Eram encomendadas a artesãos sem grande talento ou técnica. E a verdade é que são muito elementares mas não deixam de nos dar muita informação sobre este período porque, para além de serem um testemunho de fé, são também um testemunho do quotidiano”, segundo Jorge da Costa, que é também curador desta exposição. 

Assim, é possível perceber as doenças que afetavam as pessoas, o modo de vestir ou o mobiliário das casas. Nas pinturas aparece representado o vovente, que fez o pedido, o santo que concedeu a graça, num plano superior, separado do terreno, e, no caso de doença, o doente, por norma deitado numa cama de dossel.

Sobre as doenças, algumas surgem com mais frequência. 

“Por exemplo, temos a tísica pulmonar, problemas de ossos, vários associados a bebés ou crianças. Mas, muitas vezes, não nos dizem exatamente qual era a doença, sendo designado por “maleita” ou “malina”. São expressões muito interessantes porque estamos a falar de um português do século XVIII”, descreveu Jorge da Costa, acrescentando que, apesar do modo diferente de escrita e até de alguns erros ortográficos, deixam pistas importantes sobre o modo de vida da altura.

Além de doenças, há perigos ou aflições que ficaram imortalizadas nestas pinturas.

“Temos o caso de um ex-voto que representa a viagem de um emigrante para o Brasil em que a meio da viagem o barco sofreu uma tempestade. Noutra situação, um homem que viajava e que, de repente, se depara com uma trovoada repentina e pede auxílio ao seu santo padroeiro. Há ainda referência a uma peste que atacou os animais”, detalhou Jorge da Costa.

Estes testemunhos são pouco conhecidos do público em geral por estarem, em muitos casos, guardadas nas sacristias ou em gavetas e poucas expostas nos locais de culto.

“Encontrámos obras em muito bom estado. Outras nem por isso. Outro dos objetivos desta exposição passa por identificar as obras e chamar a atenção para a importância deste património”, disse Jorge da Costa, acrescentado que as pinturas que necessitavam de conservação foram intervencionadas e que outras, ao longo dos anos e por serem de madeira, poderão ter sido atacadas pelo xilófago (bicho da madeira) e desaparecido.

Fonte: Lusa

Ambiente: Lei europeia do Restauro da Natureza

Ambiente: Lei europeia do Restauro da Natureza

Na União Europeia (UE), Portugal vai votar a favor da Lei do Restauro da Natureza em defesa da conservação de espécies e habitats, anunciou a ministra do Ambiente e Energia.

“Portugal vai votar a favor na Lei do Restauro, no Conselho do Ambiente no Luxemburgo. É uma lei muito equilibrada, que foi muito ponderada e muito trabalhada”, disse aos jornalistas Maria da Graça Carvalho.

A ministra, que participa no Conselho de Ministros do Ambiente e onde vai ser votada a lei, esclareceu assim a posição de Portugal depois de várias Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGA) e movimentos de cidadãos terem avançado que a intenção era votar contra.

Maria da Graça Carvalho desconhece o motivo que levou as ONGA a pensar que Portugal iria votar contra, manifestando-se até surpreendida, mas considerou que poderá estar relacionado com o facto de “vários países terem mudado de posição”.

“Alguns dos membros do Governo, que eram eurodeputados na altura, trabalharam muito nesta lei. Traduzimos uma série de emendas que estão lá na versão final da lei e introduzimos uma diversidade. A lei tem em atenção as características de país para país, de região para região, as características locais e as características das regiões ultraperiféricas”, precisou.

A ministra frisou que os eurodeputados conseguiram introduzir estas alterações na altura, o que tornou “a lei muito equilibrada”, pelo que Portugal só podia votar agora a favor.

“Os membros do Governo que foram eurodeputados votaram a favor da última versão desta lei”, ressalvou.

A Lei do Restauro da Natureza prevê que todos os países da UE sejam obrigados a apresentar e adotar um Plano Nacional de Restauro, com objetivos específicos, os quais terão que prever o restauro de, pelo menos, 30% dos habitats terrestres, costeiros, marinhos e de água doce em estado de conservação desfavorável até 2030, 60% até 2040 e 90% até 2050.

Os Estados-membros da UE terão ainda de garantir que não ocorre uma deterioração significativa nas áreas sujeitas a restauro.

Explicando a importância desta lei para Portugal e para toda a UE, Maria da Graça Carvalho afirmou que “incentiva e tem planos para o restauro da natureza”, seja dos solos, florestas e meio urbano.

“Incentiva a um maior número de árvores em meio urbano. Incentiva a recuperar os rios e a remover as barreiras artificiais que não são necessárias e obsoletas”, disse, referindo que tem também planos para “a proteção da floresta e retirar a biomassa acumulada”.

A ministra frisou igualmente que a nova legislação vai permitir fazer “os mapas das espécies, dos ecossistemas e dos habitats” e monitorizar os indicadores escolhidos.

“É uma lei de proteção, de recuperação de solos e nunca uma lei contra a utilização de solos. Vai recuperar áreas que estão degradadas e, portanto, tem que ver aqui um investimento humano grande”, sublinhou.

Segundo a ministra, o Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) terá um trabalho de liderança neste processo, que juntamente com a Agência Portuguesa do Ambiente, responsáveis pelas cidades, comunidades locais, sociedade civil, academia, com as ONGs vão desenhar as estratégias do que é preciso fazer para recuperar os ecossistemas que estão mais degradados, sejam rios, florestas, e solos.

“Ter mais diversidade e solos em boas condições e nunca o contrário. Esta é uma lei que é benéfica para todos”, sustentou, lamentando que tenha havido “muita desinformação” e “algum medo” de uma lei que classificou de positiva.

A proposta legislativa foi aprovada, em Estrasburgo (França), a 27 de fevereiro, com 329 votos a favor, 275 contra e 24 abstenções, depois de ter sido avançada em 22 de junho de 2022, pela Comissão Europeia para responder às más condições em que foram avaliados 80% dos habitats europeus, tanto terrestres como

Fonte: Lusa

Política: Governo vai apresentar nova Lei de Finanças Locais

Política: Governo vai apresentar nova Lei de Finanças Locais

O Governo vai apresentar uma nova Lei de Finanças Locais para “atualizar” de forma “transparente, previsível e justa” o quadro de recursos financeiros para os municípios exercerem as novas competências em matéria de descentralização, avançou o primeiro-ministro.

“Estamos focados em poder apresentar, em diálogo com os municípios, uma nova Lei de Finanças Locais que possa vir a atualizar este novo enquadramento e dar de forma transparente, previsível e justa os recursos financeiros de que os mancípios precisam para exercer as competências que lhe foram atribuídas”, afirmou Luis Montenegro, referindo-se à descentralização de competências do Estado.

O social-democrata tinha já afirmado em maio que o executivo iria “revisitar” o diploma para lhe “conferir maior previsibilidade e maior confiança”.

O chefe de Governo reafirmou o compromisso com a descentralização, defendendo que o processo “só vale a pena se as competências forem reais, se não forem apenas aparentes e se houver meios financeiros para executar essas competências”.

A alteração desta legislação tem sido uma reivindicação das autarquias. Em maio, a Associação Nacional de Municípios Portugueses propôs, “na verdadeira aceção do termo, uma nova Lei de Finanças Locais: uma lei que modernize Portugal e que seja em si mesma uma reforma do Estado, tornando-o mais eficiente e próximo das pessoas”.

Em jeito de resposta às críticas da oposição ao trabalho do executivo (PSD/CDS-PP), Luís Montenegro referiu que, apesar de nem toda a gente acreditar no seu projeto e de muitos terem ideias diferentes, “o Governo da República foi escolhido pelo povo, o Programa do Governo foi apresentado à Assembleia da República”.

“Se a principal crítica que quiserem continuar a fazer ao Governo é que o Governo está a executar o seu Programa, então vão-se cansar de criticar, porque nós vamos executar esse Programa até ao fim”, assegurou.

Luís Montenegro aproveitou o momento para elencar algumas das áreas em que o executivo interveio nos primeiros meses de governação, dando como exemplo a Educação.

“Nós tomámos posse há pouco tempo, já tivemos ocasião de decidir coisas importantes – na escola pública, dando mais estabilidade à escola pública, com medidas que querem, e espero mesmo que possam atingir, maior capacidade de termos professores nas escolas, para não termos tantos milhares de alunos que ficam para trás nas aprendizagens por não terem professor a pelo menos uma disciplina”, indicou.

“Na Saúde, com um programa que é de emergência e de transformação. Na Solidariedade Social, ajudando os pensionistas que são os mais pobres dos pobres, aqueles que têm um rendimento inferior a 550 euros e que agora elevámos para 600 euros”, acrescentou.

O primeiro-ministro destacou também medidas nas áreas da Habitação, “um setor fundamental para muitos portugueses poderem ficar em Portugal”, e da Imigração, “regulando a entrada e permanência dos imigrantes”.

“Imigrantes que nós precisamos, que nós queremos acolher e integrar com dignidade. E é precisamente a pensar numa integração digna que é preciso não fechar a porta, mas também não a deixar completamente escancarada”, disse.

Fonte: Lusa

O Reino de Deus

XI Domingo do Tempo Comum

O Reino de Deus

Ez 17, 22-24 / Slm 91 (92), 2-3.13-16 / 2 Cor 5, 6-10 / Mc 4, 26-34

Para falar do Reino, Jesus recorre quase sempre a parábolas. Não dá definições claras nem descrições minuciosas, nem faz acompanhar as suas palavras de uma apresentação powerpoint. O mistério não se explica, aponta-se. É por isso que precisamos de histórias para poder entrar nele.

Jesus apresenta-nos hoje duas parábolas agrícolas. Na primeira, ele compara o Reino a um homem que semeia e aguarda que a terra produza fruto, enquanto na segunda, compara-o ao grão de mostarda, que sendo uma semente pequena se torna uma das maiores plantas da terra.

Com estas palavras, o Senhor aponta-nos dois traços paradoxais do Reino. Por um lado, o Reino cresce discretamente, sem se dar por ele; por outro, é a maior planta de tudo o que foi criado.

Nós gostaríamos que o Reino, à medida que cresce, fizesse mais ruído, mas não é este o estilo do nosso Deus. De facto, a bondade, tal como a beleza, não faz barulho nem se impõe: revela-se. A nós cabe-nos estar atentos, esperando que o «trigo amadureça», isto é, que o fruto chegue a bom termo, para que possamos, na presença de Deus, celebrar a colheita.

Por outro lado, o Reino tem começos tímidos, inesperados, nos quais dificilmente alguém apostaria a sua fortuna. Quem diria, olhando para um grão de mostarda, que esta planta viria a crescer sem controlo e espalhar-se pelo campo? No Médio Oriente, esta planta é mais parecida com um arbusto do que com uma árvore, e cresce em altura e largura, ocupando todo o espaço que lhe permitirem, oferecendo refúgio a quem precisa. É um autêntico santuário. E assim é o Reino, que, com começos humildes, se vai insinuando sobre a superfície da terra, acolhendo todos os que precisam de descanso.

As coisas que realmente importam na vida não se explicam: apontam-se. Podemos dizer aos nossos filhos que não devem gritar, mas se as palavras não forem acompanhadas de exemplo, dificilmente darão fruto.

O Reino é discreto e sem medida. Ofereçamos aos outros o fruto do trabalho silencioso e o descanso que se alcança no santuário da amizade com Jesus.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Miranda do Douro: Pacheco Pereira é o convidado na “Cumbersa ne l Arquibo”

Miranda do Douro: Pacheco Pereira é o convidado na “Cumbersa ne l Arquibo”

Para assinalar o Dia Internacional dos Arquivos, o município de Miranda do Douro, vai promover esta sexta feira, dia 14 de junho, no Arquivo Municipal, mais uma “Cumbersa ne l Arquibo”, desta vez com o historiador José Pacheco Pereira.

No âmbito do Cinquentenário do 25 de abril de 1974, o professor, investigador da história contemporânea portuguesa, jornalista e político, José Pacheco Pereira vai falar às 21h00, sobre a importância dos arquivos na descoberta e documentação do passado e formulação de novas ideias.

O Dia Internacional dos Arquivos é celebrado anualmente a 9 de junho e tem como propósito sublinhar a importância dos arquivos e o seu papel fundamental na sociedade.

O Conselho Internacional de Arquivos realiza anualmente uma semana de eventos para celebrar a data e marcar a importância dos Arquivos para a eficiência das organizações, preservação da história e garantia de direitos.

Este ano o tema proposto é «CiberArquivos» e pretende que os profissionais, organizações e associações do setor, reflitam e debatam sobre o impacto dos avanços tecnológicos no domínio dos arquivos e sobre as suas potencialidades para a transparência, a decisão informada e a preservação da cultura.

O sector dos arquivos não está apenas a adaptar-se à digitalização, mas também a enfrentar os desafios e as oportunidades trazidos pela inteligência artificial, “machine learning”, “blockchain, e outras tecnologias avançadas.

O Dia Internacional dos Arquivos foi proclamado na Assembleia Geral do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), em novembro de 2007, no Québec, Canadá.

A data foi escolhida por ter sido a 9 junho 1948 que a UNESCO criou o Conselho Internacional de Arquivos (ICA).

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Floresta: Produtores defendem simplificação das normas e reforço de verbas

Floresta: Produtores defendem simplificação das normas e reforço de verbas

Os produtores e gestores florestais defenderam hoje a simplificação das normas e o reforço de verbas públicas para enfrentar os desafios e manter a economia e a sustentabilidade da floresta, reduzindo o risco de incêndios.

A pretensão dos produtores e gestores florestais foi manifestada durante o seminário intitulado “Gestão da Floresta e da Paisagem do Algarve”, que hoje decorreu em Monchique, concelho que tem sido afetado por vários incêndios nos últimos anos, no distrito de Faro.

Promovida pela Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) em parceria com a Associação Florestal de Portugal (Forestis), que representa mais de 17.000 proprietários florestais, a iniciativa juntou produtores, gestores florestais e representantes de entidades públicas e privadas.

Ao intervirem no seminário, a maioria dos produtores defendeu “a clarificação da política florestal e a redução e simplificação das normas de funcionamento, medidas complementadas com uma maior disponibilidade de verbas por parte do Estado”.

O diretor regional do Algarve do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) considerou o encontro “muito importante para debater a floresta”, porque a preocupação está também na sustentabilidade, já que a floresta é “muito mais do que a madeira”.

“Temos de manter um território sustentável sem comprometer as gerações futuras, porque a floresta é um ecossistema com grande biodiversidade, com valor na retenção de carbono, na emissão de oxigénio, na flora e fauna e na economia”, apontou Joaquim Castelão Rodrigues.

Para o dirigente regional do ICNF, “há que olhar para uma floresta adaptativa, baseada em princípios como a diversidade, multifuncionalidade e segurança, nomeadamente o risco de incêndio”.

De acordo com dados do ICNF, o Algarve tem uma área de 63% de floresta, com maior representatividade do pinheiro manso, seguindo-se os sobreiros e os eucaliptos.

“Para uma gestão mais eficaz da floresta precisamos de criar mosaicos, medida de ordenamento que é defendida pelos produtores e gestores do espaço florestal”, concluiu.

Por seu turno, o antigo secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Florestal, Miguel Freitas, considerou como crucial, a existência de um programa de apoio à gestão ativa da floresta que apoiasse as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).

Segundo Miguel Freitas, também membro do conselho consultivo da Forestis e investigador da Universidade do Algarve, era muito importante que se olhasse para a figura das ZIF, dado existirem 200 “que gerem cerca de dois milhões de hectares de área florestal em todo o país”.

No Algarve, existem 21 que gerem 100.000 hectares, especificou.

Para o antigo governante, “é fundamental que se reforcem” as verbas para a floresta, revelando que em 2018 o Fundo Ambiental tinha 145 milhões de euros, dos quais 40 milhões eram destinados para a floresta e, em 2024 o mesmo fundo tem 1,8 mil milhões de euros “e para a floresta, os mesmos 40 milhões”.

“Isto é, nós aumentámos 10 vezes o valor do Fundo Ambiental e continuamos a dar o mesmo para a floresta”, notou.

Segundo Miguel Freitas, a floresta em Portugal tem um valor de 2,2 mil milhões de euros, “em duas grandes componentes: na dos produtos, aquilo que é a matéria-prima, e de serviços e ecossistemas, que é o ambiente”.

“Temos uma arquitetura daquilo que são as políticas públicas, onde se está a trabalhar, quer no domínio dos povos rurais, quer no domínio da transformação da paisagem, mas continua a faltar um elemento essencial que é aquele que apoia a gestão”, concluiu.

Fonte: Lusa

“Verão Seguro”: GNR reforça fiscalização até setembro

“Verão Seguro”: GNR reforça fiscalização até setembro

A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou o início da “Operação Verão Seguro 2024”, com reforço em todo o país de patrulhamento, apoio e fiscalização, sobretudo em zonas de maior aglomerado de veraneantes e turistas.

A operação decorre até 15 de setembro e abrange os locais de veraneio, eventos, os estabelecimentos e locais de diversão noturna, os principais eixos rodoviários, fronteiras, residências e proteção da floresta.

Esta operação repete-se todos os anos durante o verão, altura em que “é expectável um crescente número de turistas nas zonas na área de responsabilidade territorial da guarda, registando-se assim um aumento substancial de população”, refere a GNR em comunicado.

“Em consequência disto, esta época caracteriza-se ainda por uma diminuição da população nas áreas de residência habitual, o que faz com que algumas habitações fiquem desabitadas durante períodos de tempo prolongados, pelo que importa prevenir a ocorrência da criminalidade associada”, realça a guarda.

Na nota, a guarda indica que vai empenhar várias valências de reforço em ações coordenadas de sensibilização, patrulhamento e de fiscalização, dando especial atenção à vigilância na orla costeira, considerando também praias e locais junto à costa.

A GNR vai igualmente intensificar o patrulhamento junto aos estabelecimentos de diversão noturna e de maior aglomerado de pessoas, bem como garantir a segurança de eventos, festas e romarias sazonais, reforçar as ações de apoio, regularização e fiscalização da circulação rodoviária.

A guarda promove ainda o policiamento de proximidade junto das zonas residenciais para alertar sobre procedimentos de segurança a adotar para prevenção de situações de furto e roubo em residência e a vigilância e deteção de incêndios rurais para assegurar a proteção da natureza e do ambiente.

Para promover e facilitar o policiamento de proximidade aos turistas e numa conjuntura de cooperação internacional, a GNR irá realizar diversas ações de patrulhamento misto e conjunto, em vários pontos do país com a Guardia Civil espanhola, a Gendarmerie Nationale francesa e a Arma dei Carabinier italiana.

Fonte: Lusa