Deus dá sabor à vida!

II Domingo do Tempo Comum

Deus dá sabor à vida!

Is 62, 1-5 / Slm 95 (96) 1-3.7-8a. 9-10a.c / 1 Cor 12, 4-11 / Jo 2, 1-11

Entramos no chamado Tempo Comum, em pleno Ano Santo. Este é o tempo em que cada um é convidado a acompanhar, na rotina do dia a dia, o mistério de Cristo na sua totalidade. O Jubileu de 2025 convida-nos a sermos «peregrinos da esperança» e a pormos em Jesus a nossa confiança. Começamos, assim, com o episódio das Bodas de Caná, o primeiro sinal de que o reino de Deus já está no meio de nós.

Jesus é o mestre dos impossíveis. Numa festa de casamento em que parece faltar o vinho, faz o milagre acontecer. Tudo ocorre através de Maria, a Mãe atenta aos pormenores. É ela a primeira a confiar no poder do Filho, naquela que é a grande imagem do reino de Deus: um banquete onde somos convidados a tomar parte na festa com confiança. Nesta cena do Evangelho, Maria vem dizer-nos que há momentos em que só Jesus pode dar novo sentido à vida e abrir a uma nova compreensão os acontecimentos dolorosos.

A acompanhar este episódio da vida de Jesus, o Livro de Isaías traz-nos a imagem esponsal do amor entre a esposa e o marido. O profeta recorda ao Povo de Israel que Deus vê além das aparências. Podemos dizer que o amor de Deus transforma a nossa vida insípida, como a água, em nova vida cheia de sabor, como é o vinho. Este apelo do profeta é muito atual quando pensamos na esperança. Deus é fiel ao seu amor, está sempre pronto a recomeçar a relação, se nos voltarmos para Ele e lhe dermos o pouco que temos.

O amor de Deus transforma a nossa vida insípida, como a água, em nova vida cheia de sabor, como é o vinho.

Na Primeira Epístola aos Coríntios, diz São Paulo que «há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo». Recebemos de Deus dons e talentos para pormos a render ao serviço da unidade da comunidade cristã e é na diversidade que está a riqueza da Igreja. Estamos hoje no segundo dia da «Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos». Temos de ser mediadores da graça de Deus uns para os outros, em sinodalidade e na diversidade, atentos ao «vinho» que falta e à forma de o fazer multiplicar. Neste caminho, não estamos sós, pois temos connosco Maria a interceder junto de Deus.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Paradela: Festa de São Sebastião com cantar do Ramo e leilão do fumeiro

Paradela: Festa de São Sebastião com cantar do Ramo e leilão do fumeiro

A aldeia mais oriental de Portugal, Paradela, no concelho de Miranda do Douro, está a celebrar a festa em honra do mártir, São Sebastião, uma festividade que se iniciou a 9 de janeiro e culmina neste sábado, dia 18, com missa solene, o cantar do ramo e o leilão do fumeiro.

Em Paradela, a festa dedicada a São Sebastião, começou a 9 de janeiro, com a tradicional novena, uma oração diária que se recita durante nove dias consecutivos.

No dia 11 de janeiro, a mocidade da localidade assumiu a responsabilidade da recolha da lenha, para fazer a fogueira, na noite de 17 de janeiro.

Uma das marcas distintivas da festa em honra de São Sebastião, em Paradela, é a confeção de doces tradicionais, que vão ornamentar o ramo dedicado ao santo, uma tarefa realizada pelas mulheres da localidade.

A 16 de janeiro, a comunidade de Paradela, organizou o acolhimento aos (e)migrantes que regressam à terra natal, para participar na festa em honra de São Sebastião.

Esta sexta-feira, dia 17 de janeiro, conclui-se a oração da novena, acende-se a fogueira e começa a animação musical com os concertos de Ls Surriagos, Manaita e o DJ.

No sábado, o dia grande da festa começa com a alvorada dos gaiteiros, às 10h00 celebra-se a missa em honra de São Sebastião e no final da celebração religiosa canta-se o ramo e leiloa-se o fumeiro. A festa prossegue durante a tarde e ao serão há baile animado pelo grupo Midnes, sorteiam-se as rifas e a festividade termina ao som da música do DJ.

HA

São Sebastião

A festa em honra de São Sebastião, que veio a tornar-se soldado de Jesus Cristo, celebra-se a 20 de janeiro, data do seu martírio: 20 de janeiro do ano 300.

Para os católicos, a vida de São Sebastião é um exemplo de como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida. Para este santo, o amor de Deus é mais forte que tudo.

Descendente de uma família nobre, terá nascido em Narbona, sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma.

Em nome da religião enveredou por uma carreira militar, para desse modo defender os cristãos que sofriam uma terrível perseguição. As suas qualidades são amplamente elogiadas: figura imponente, prudência, bondade, bravura, era estimado pela nobreza e respeitado por todos.

De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.

O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo.

Primeiro cai nas graças do imperador, mas a defesa da fé cristã e a intercessão pelos cristãos perseguidos desencadeiam a sua morte. Cada mártir tornava-se um alento e um desafio para Sebastião. Foi denunciado por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas e chicoteado até à morte. Faleceu a 20 de janeiro do ano 300. Logo após o seu martírio começou a ser venerado como santo.

A iconografia deste santo é inconfundível: São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas e preso a um tronco de árvore.

Fonte: Diocese de Lamego

São Sebastião testemunhou a fé, com coragem e alegria e como jovem soldado, cristão, mostrou que santidade é possível em qualquer trabalho, em qualquer vocação, em qualquer compromisso humano.

Bragança-Miranda: Diocese vai plantar 500 oliveiras no Seminário de São José

Bragança-Miranda: Diocese vai plantar 500 oliveiras no Seminário de São José

Para assinalar o Ano Santo de 2025, a diocese de Bragança-Miranda vai plantar 500 oliveiras nos terrenos do Seminário de São José, na cidade de Bragança.

“A oliveira é uma das árvores mais impressionantes da terra. Na terra da Bíblia, foi e continua a ser a árvore mais importante de todas as árvores, por ser uma fonte de alimento, luz, higiene e cura. A oliveira simboliza, principalmente, a fidelidade e a determinação. Independente do ambiente em que se encontra: quente, seco, frio, húmido, rochoso ou arenoso; a oliveira vive, sobrevive e produz fruto. Diz-se que não é possível matar uma oliveira. Ainda que cortada e queimada, novos ramos emergirão da raiz», salienta o bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida.

Esta ação jubilar, ecológica e pedagógica pretende envolver toda a comunidade diocesana, desde os leigos, ao clero, até às unidades pastorais e instituições.

“Num caminho de união todos somos convidados a participar neste sinal. A oliveira foi a árvore escolhida, pela sua simbologia e pela importância sacramental do azeite”, salienta o padre Bruno Dias, promotor da iniciativa.

“Foi no Jardim do Getsémani (Gat Shemen, em hebraico – literalmente, o lugar da prensa de azeite) que “Yehsua” passou muito do seu tempo em Jerusalém com seus discípulos: “Jesus saiu e, como de costume, foi para o Monte das Oliveiras, e os seus discípulos seguiram-n’O” (Lc 22,39).” – escreve Dom Nuno Almeida.

O preço de cada oliveira e respetiva plantação é de 20 euros e a diocese convida a contribuir com donativos para o IBAN: PT50004522164024881673471

Os interessados em colaborar nesta iniciativa podem manifestar interesse através do mail: geral@seminariosjosebm.pt

Fonte: Ecclesia

Cultura: Gulbenkian abre candidaturas de apoio à criação artística

Cultura: Gulbenkian abre candidaturas de apoio à criação artística

A Fundação Calouste Gulbenkian abriu as candidaturas ao Apoio à Criação Artística, cujo valor pode variar entre os quatro e os 16 mil euros, em Artes Performativas, Artes Visuais, Cinema e Cruzamentos Disciplinares.

De acordo com informação disponível no ‘site’ oficial da Fundação Calouste Gulbenkian, podem candidatar-se ao Apoio à Criação Artística “artistas nacionais ou estrangeiros, com domicílio fiscal em Portugal, em nome individual ou através de uma instituição com a qual estejam a colaborar na execução do projeto objeto da candidatura”.

Os candidatos podem concorrer a quatro patamares de apoio – quatro mil euros, oito mil euros, 12 mil euros e 16 mil euros -para a realização de projetos que devem ser iniciados e executados entre 1 de julho deste ano e 31 de dezembro de 2027.

Entre os critérios de exclusão deste concurso estão o facto de as entidades candidatas beneficiarem, à data da candidatura, de apoios bienais ou quadrienais da Direção-Geral das Artes, de se tratar de projetos comerciais ou com caráter académico ou escolar.

As candidaturas decorrem até 10 de março. e “o número de apoios será determinado pela Fundação Calouste Gulbenkian”.

Fonte: Lusa

Cultura: Taxa de execução do PRR é de 28,7%

Cultura: Taxa de execução do PRR é de 28,7%

A taxa de execução dos 319 milhões de euros, do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para a Cultura, está nos 28,7%, indicou a secretária de Estado da Cultura, Maria de Lurdes Craveiro.

“Todos trabalhamos febrilmente para que tudo isto chegue a bom porto. […] 28,7% é a última taxa de execução que temos. Começámos em abril do ano transato em 15,7% e neste momento conseguimos desbloquear muitíssimas situações”, afirmou a secretária de Estado aos jornalistas, em Lisboa, no final de uma apresentação pública do projeto Património Cultural 360, de digitalização de bens culturais, com financiamento do PRR.

Segundo Maria de Lurdes Craveiro, uma das situações “absolutamente bloqueadas” era a do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), situado na zona de Belém, e que está encerrado desde abril de 2022 para obras de remodelação e renovação, no âmbito do PRR.

O bloqueio no avanço das obras neste museu está relacionado com “um grande impasse” sobre o projeto de arquitetura, que teve de ser readaptado e redefinido, disse.

“Havia tomadas de posição que não foram subscritas por técnicos e houve necessidade de readaptar e redefinir o anterior projeto de arquitetura”, explicou Maria de Lurdes Craveiro, adiantando que o novo projeto está concluído, para que “possa ser lançado a concurso para a respetiva empreitada” e que a reabertura ao público aconteça em 2026.

A remodelação do MNA tinha um custo inicial de 24,5 milhões de euros, sendo um dos valores mais elevados do PRR entre os projetos para a área da Cultura, estando agora o orçamento situado nos 32,6 milhões de euros, segundo números disponibilizados no portal Mais Transparência.

Maria de Lurdes Craveiro não disse aos jornalistas o valor orçamentado, mas falou numa “reprogramação orçamental que é necessário fazer”, porque “em tudo aquilo que foi avançado, de forma muito meritória até, em 2020 e 2021, foi um orçamento muito global e muitas vezes arredado de uma realidade específica de cada das estruturas a intervencionar”.

De acordo com o portal Mais Transparência, o financiamento do PRR para a área da Cultura é de 319 milhões de euros, dos quais 102,79 milhões de euros são para investimento em redes culturais e transição digital e 216,2 milhões de euros são para investimento em Património Cultural.

O mesmo portal indica que dos 102,79 milhões de euros de investimento em redes culturais e transição digital, como por exemplo a digitalização de bens culturais, a modernização de cineteatros e a modernização no setor do livro, foram pagos 24,3 milhões de euros.

Na vertente do Património Cultural, que inclui obras de requalificação em vários museus, monumentos e teatros nacionais e a conclusão do Arquivo Nacional do Som, o valor pago e executado situa-se nos 47,7 milhões de euros.

A data de conclusão destas duas vertentes do PRR para a Cultura é março de 2026.

O PRR é um mecanismo de financiamento, de âmbito europeu, para ser aplicado em reformas estruturais em resposta à crise pandémica provocada pela covid-19.

Fonte: Lusa

Valcerto: Caminhada pela ponte românica e o castelo de Algoso

Valcerto: Caminhada pela ponte românica e o castelo de Algoso

No Domingo, dia 19 de janeiro, o município de Mogadouro organiza a 3ª Caminhada Mensal, desta vez em Valcerto, com a travessia da ponte românica e a subida ao castelo de Algoso, uma atividade que tem como metas incutir hábitos de vida saudável na população e simultaneamente dar a conhecer alguns dos lugares mais belos da região.

A caminhada do próximo Domingo, inicia-se com a concentração dos caminhantes às 9h00, na estação de caminonagem, em Mogadouro. Daí, o grupo viaja até à aldeia de Valcerto, para iniciar o passeio junto à igreja paroquial da aldeia.

O percurso de oito quilómetros, com dificuldade média, prevê passagens pelo castro, a travessia da ponte românica e a subida ao castelo de Algoso.

Entre os benefícios das caminhadas, os médicos destacam a melhoria da circulação sanguínea, o bem-estar físico e mental, a redução do sedentarismo e da sonolência e o fortalecimento muscular.

No final da caminhada, os participantes têm direito ao almoço convívio, na aldeia de Valcerto, cujo custo é de 12 passos.

Para obter mais informações sobre as Caminhadas Mensais pode contatar o município de Mogadouro através do telemóvel 934 661 587 ou do email: desporto@gmail.com.

A inscrição na caminhada é feita através da ligação: https://forms.gle/Tozg1NxQ18WtAXQd8

HA

Algoso: Dom Nuno Almeida na Festa em honra de São Sebastião

Algoso: Dom Nuno Almeida na Festa em honra de São Sebastião

Este ano, em Algoso, a festa em honra do padroeiro, São Sebastião, agendada para o dia 20 de janeiro, tem como maior destaque a visita de Dom Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda, no âmbito da sua visita pastoral ao arciprestado de Miranda.

Segundo o programa, o dia festivo inicia-se às 10h45 da manhã com a receção a Dom Nuno Almeida, no largo da Igreja, em Algoso.

A eucaristia está marcada para as 11h00, sendo presidida pelo bispo diocesano, uma celebração que finaliza com a procissão da imagem do padroeiro, São Sebastião.

Antes do almoço comunitário, na casa do povo, a freguesia de Algoso volta a recriar o leilão dos “pés, orelhas e focinho do porco”. Trata-se de uma tradição relacionada com a antiga matança do porco, outrora tão caraterística na estação do inverno.

Durante a tarde, o dia festivo em Algoso prossegue com a visita do bispo de Bragança-Miranda e a comunidade local, às várias capelas da aldeia, como são os templos dedicados a São Roque, ao Senhor da Misericórdia, a São João Batista e a Nossa Senhora da Assunção (Castelo).

Em Algoso, a festa em honra de São Sebastião encerra com um concerto musical na igreja matriz.

São Sebastião

A festa em honra de São Sebastião celebra-se na data do seu martírio: 20 de janeiro.

Para os católicos, a vida de São Sebastião é um exemplo de como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida e o amor de Deus é mais forte que tudo.

Na iconografia, São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas e preso a um tronco de árvore.

No âmbito da visita pastoral de Dom Nuno Almeida ao arciprestado de Miranda, vai realizar-se na sede da freguesia de Algoso, de 21 a 24 de janeiro, uma formação bíblica orientada pelo franciscano capuchinho, frei Filipe.

HA

Ambiente: GNR recebeu mais de 12 mil denúncias

Ambiente: GNR recebeu mais de 12 mil denúncias

Em 2024, a linha SOS Ambiente da GNR recebeu 12.562 denúncias, relacionadas com infrações ambientais, o valor mais elevado de sempre, sendo que a maioria das denúncias está relacionada com animais de companhia e incêndios florestais.

Das 12.562 denúncias, 3.509 foram sobre animais de companhia, com quase outras tantas, 3.506, na área da defesa da floresta contra incêndios. Sobre o bem-estar animal foram recebidas 813 denúncias, sobre a Convenção de Berna (defesa da flora e da fauna selvagens e dos seus habitats naturais) 803, e sobre resíduos 765, destaca a GNR em comunicado.

De acordo com os números do serviço de ambiente da GNR, no ano passado foram recebidos 23.518 contactos por telefone e 15.328 contactos por mail, a que se juntam 3.642 contactos pelo site da GNR e 38 por carta.

A GNR assegura a proteção da natureza e do ambiente através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), criado em 2001.

A Linha SOS Ambiente e Território foi criada em 2002, como instrumento de apoio ao cidadão. Em 22 anos, a linha contabilizou um total de 158.370 denúncias e 395.818 contatos.

No comunicado sobre o balanço de 2024, a GNR recorda que a linha SOS Ambiente e Território (número telefónico 808 200 520 e mail sepna@gnr.pt) está disponível 24 horas por dia.

Este serviço permite a qualquer pessoa denunciar situações que violem as leis ambientais e de conservação da natureza, além de obter conselhos sobre questões relacionadas com a natureza, ambiente, florestas, animais de companhia, leis sanitárias e ordenamento do território.

Fonte: Lusa

Economia: Mais de 21% do património líquido dos portugueses está em depósitos bancários

Economia: Mais de 21% do património líquido dos portugueses está em depósitos bancários

Mais de 21% do património líquido dos portugueses está em depósitos bancários e o rendimento disponível das famílias tem crescido há quatro trimestres, segundo uma análise da Corum Investments Portugal e da BA&N Research Unit.

“De acordo com dados do BCE [Banco Central Europeu] referentes ao primeiro trimestre de 2024, cada português tinha em média 22,3 mil euros no banco em depósitos”, lê-se no documento.

Este valor representa 21,2% do património líquido das famílias, a parcela de riqueza mais elevada entre os países da zona euro.

A análise “Poupança das Famílias e Política Monetária” revelou que as famílias portuguesas têm conseguido guardar uma maior parte do rendimento disponível nos últimos trimestres, devido a taxas de crescimento mais altas no rendimento, que contrastam com as despesas de consumo.

O rendimento disponível das famílias cresceu 7,9% para mais de 188.999 milhões de euros nos 12 meses terminados em junho (dados do INE – Instituto Nacional de Estatística).

Por sua vez, a despesa de consumo avançou 4,6% para 169.400 milhões de euros, permitindo uma poupança de cerca de 19.000 milhões de euros.

Nos primeiros três meses de 2024, cada português tinha, em média, um património líquido de 105.000 euros, um aumento homólogo de 6%.

Já em comparação com o cenário pré-pandemia de covid-19, o progresso é de 29%.

“Face ao registado há 10 anos (60,7 mil euros), a riqueza média de cada português aumentou 73%”, destacou.

No que diz respeito à dívida, o peso do crédito no património líquido passou de 22,4% (há 10 anos) para 13,4% em 2024.

Em março, cada português tinha uma dívida bancária de 14.000 euros, “estabilizando face ao registado no período homólogo de 2023 e um aumento de apenas 6% em 10 anos”.

Em termos da composição do património, os portugueses têm 65 mil euros em imobiliário, sendo que, há dez anos, este valor estava abaixo dos 40 mil euros.

Em segundo lugar aparecem os depósitos bancários, que têm um peso de quase 50% no total dos ativos não financeiros.

A análise concluiu ainda que o peso dos depósitos em Portugal reflete-se numa exposição “muito diminuta a títulos cotados nos mercados financeiros”.

O investimento em títulos de dívida caiu para quase metade desde o início da pandemia, representando agora 0,4% do património líquido.

Cada português tinha, em março, 590 euros investidos em ações, o que equivale a 0,6% do património líquido. Há 10 anos, o peso era quase o dobro e antes da pandemia estava em 0,5%.

Em fundos, por seu turno, o investimento rondava os 2.720 euros, o equivalente a 2,6% da riqueza líquida.

“A preferência por depósitos para aplicar as poupanças tem representado, no ano passado, um elevado custo de oportunidade, pois estes oferecem um rendimento que muitas vezes nem consegue cobrir a inflação. É o que se perspetiva que continue a acontecer agora que o BCE está a baixar os juros”, considerou, exemplificando que quem aplicou poupança em depósitos a prazo em setembro de 2023 teve um retorno bruto de 2,3% no período homólogo.

Esta análise tem como fontes o BCE, Reuters, Banco de Portugal, Confidencial Imobiliário, IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública e a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP).

Fonte: Lusa

Sociedade: Pobreza seria de 40% sem transferências sociais

Sociedade: Pobreza seria de 40% sem transferências sociais

Em 2023, sem transferências sociais, a designada taxa de risco de pobreza em Portugal, seria de 40,3%, apontam Inês Tavares e Renato Miguel do Carmo, no estudo “Tendências recentes da pobreza e da privação em Portugal”, agora divulgado.

A taxa de risco respeita a rendimentos monetários líquidos anuais inferiores a 7.588 euros, o que significa 632,33 euros por mês, provenientes de trabalho, capital e transferências privadas.

Os 40,3% baixam para 21,4% após as transferências relativas a pensões de reforma e sobrevivência e para 16,6% depois das restantes transferências sociais, relacionadas com doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social.

Este estudo dos membros do Observatório das Desigualdades, integrado no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE, assenta no Inquérito às Condições de Vida e de Rendimento, realizado em 2024 pelo Instituto Nacional de Estatística, que inquiriu 19.815 famílias, que forneceu informação sobre 37.524 pessoas, das quais 33.128 com 16 e mais anos.

Em termos estáticos e globais, os 16,6% representam uma melhoria de 0,4 pontos percentuais (pp) em relação a 2022.  

De forma desagregada, os números mostram a deterioração da situação dos idosos e das mulheres e o risco elevado de agregados familiares monoparentais e de um nível de escolaridade limitado ao ensino básico.

Assim, entre 2022 e 2023 baixou a taxa de risco de pobreza entre os menores de 18 anos, em 2,9 pp para 17,8%, e na população em idade ativa, em 1,6 pp, para 14,4%, mas no grupo com 65 ou mais anos aumentou quatro pp, para 21,1%, o valor mais elevado desde 2017 em qualquer grupo etário, apontam Tavares e Carmo.

Os autores do estudo falam mesmo em “intensificação mais agravada (do risco de pobreza) nos mais velhos”.

A mesma deterioração ocorre com as mulheres, que “mantêm um risco de pobreza mais elevado que os homens, realidade ainda mais acentuada em 2023”.

Com efeito, “o fosso do risco de pobreza entre homens e mulheres aumentou de 0,9 pp em 2021 e de 1,5 pp em 2022 para 2,2 pp em 2023. Deste modo, 2023 é o ano em que o fosso é mais elevado no período contemplado” (2018-2024).

Esta situação mantém-se mesmo quando desdobrada por idade, com as mulheres a apresentarem taxas de risco de pobreza mais elevadas em todos os escalões etários e em todos os anos em análise.

A situação é particularmente negativa no grupo etário com 65 ou mais anos, no qual as mulheres apresentam valores geralmente pelo menos quatro pp acima dos homens. “Tal indica que é na população mais envelhecida que se intensificam em maior grau as desigualdades de género, possivelmente consequência de carreiras contributivas mais curtas e intermitentes, frutos da precariedade laboral e informalidade (entre outros fatores) que tendem a afetar mais as mulheres”, avançam Tavares e Carmo.

Por outro lado, são também apontados os fatores principais para as taxas de risco de pobreza mais altas, no que respeita à composição do agregado familiar: este ser constituído por idosos com 65 ou mais anos; composto apenas por uma pessoa; ou ter dependentes menores de idade, sobretudo quando se trata de várias crianças, sendo os agregados monoparentais um dos que em maior risco de pobreza se encontram.

O estudo considera ainda o risco de pobreza em função do nível de escolaridade, com uma diferença gritante, de 17 pp, entre quem tem só o ensino básico e quem completou o ensino superior. “Este continua a ser um fator que interfere decisivamente nas oportunidades dentro do mercado de trabalho e, em consequência, nos níveis de rendimento, acabando por se espelhar também na pobreza”, apontam.

Fonte: Lusa