Atenor: Podas das vinhas no planalto mirandês
Nos meses de fevereiro e março, estão a realizar-se as podas das videiras, como acontece na vinha da Quinta da Ribeira das Fragas, em Atenor, uma propriedade de 11 hectares, pertencente a uma empresa agrícola familiar, cujos jovens proprietários afirmam que a viticultura é uma atividade rentável no planalto mirandês.
Luís Simão, da empresa agrícola Quinta Ribeira das Fragas informou que nos 11 hectares de vinha, existem 40 mil videiras, das castas “Alicante Bouschet”, “Tinta Roriz” e “Touriga Roriz” e a poda é feita com a mão-de-obra familiar.
“A poda define-se pelo corte total ou parcial dos ramos das videiras, para regular o crescimento vegetativo e reprodutivo das plantas. Neste momento, nas vinhas estamos a realizar os trabalhos de poda e atamento das vides nos arames de formação”, explicou.
Na freguesia de Atenor, no concelho de Miranda do Douro, esta empresa agrícola optou por plantar a vinha numa grande extensão, para evitar a dispersão em pequenas parcelas e diminuir os custos adicionais associados às deslocações de vinha para vinha.
“A cultura intensiva permite controlar melhor a propagação de doenças e a aplicação de tratamentos fitossanitários”, justificou.
Questionado se a viticultura é uma atividade rentável, Luís Simão, respondeu que sim, apesar da preocupante situação financeira da cooperativa Ribadouro, em Sendim.

“Para nós, viticultores, a existência de uma empresa como o Sogrape na região é uma mais-valia. No meu entendimento, para que a viticultura seja rentável, há que abdicar de outras culturas. Acredito que a dedicação a uma só cultura, neste caso à vinha, torna-nos mais competitivos. Ao passo que os agricultores que se dedicam a várias culturas e ainda à pecuária, o trabalho, os investimentos e as despesas são muito dispendiosos”, disse.

A dedicação exclusiva à viticultura permitiu à empresa Quinta Ribeira das Fragas introduzir inovações na atividade, como é a instalação de um sistema de fertirrigação.
“Este inovador sistema permite uma irrigação localizada e simultaneamente através da água fornecem-se os nutrientes ao solo necessários o desenvolvimento das videiras. Outra vantagem deste sistema é a não compactação dos solos com a sucessiva passagem dos tratores junto às videiras”, explicou o viticultor, Luís Simão.
A introdução do sistema de rega e fertilização do solo resultou de um investimento de quase 250 mil euros, financiados pelo Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020).
“Nos últimos anos verificámos que as videiras sofrem muito com o excessivo calor e as secas prolongadas nos meses quentes da primavera e verão. Por isso, decidimos instalar o sistema fertiirrigação, para regar e alimentar as videiras sobretudo nos meses de maior calor”, justificou.
No total, a família de jovens viticultores, constituída por Luís Simão, Sofia Peres, Mariana Peres e Gustavo Peres, é proprietária de cerca de 20 hetares de vinha, na União de Freguesias de Sendim e Atenor.
Questionado sobre o que há a fazer para motivar mais jovens a enveredarem pela agricultura no planalto mirandês, Luís Simão, sugeriu a criação de um gabinete de apoio à instalação de jovens agricultores.
“No âmbito do concelho de Miranda do Douro seria benéfico que existisse um gabinete de apoio à instalação de jovens agricultores, com informações sobre os programas de apoio à agricultura e à pecuária e como submeter candidaturas”, sugeriu.










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