Ambiente: Há mais água armazenada nas bacias hidrográficas

Ambiente: Há mais água armazenada nas bacias hidrográficas

No final do mês de dezembro, a quantidade de água armazenada nas bacias hidrográficas foi superior à média, segundo o Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH).

A bacia hidrográfica do Barlavento algarvio continuava no final de dezembro a ser a que menos quantidade de água reservava com 54,6%. A média para o mês de dezembro nesta bacia hidrográfica é de 60,1%.

Também a bacia do Mira estava no final de dezembro abaixo da média para este mês com (média 68,2%), encontrando-se com 58,1%.

No último dia do mês de dezembro e comparativamente com o mês anterior verificou-se um aumento do volume armazenado em 11 bacias hidrográficas e uma descida em uma, segundo o SNIRH.

Das 60 albufeiras monitorizadas, 35 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e três têm disponibilidades inferiores a 40%.

De acordo com os dados do SNIRH, a bacia do Oeste (98,1%), Tejo (86,6%), Guadiana (86,2%), Douro (81,8%), Arade (80,8%), Ave (80,9%), Cávado (80,6%), Mondego (78,7%), Lima (70%) e Sado (63,2%) eram as que apresentavam maior volume de água no final de dezembro.

A cada bacia hidrográfica pode corresponder mais do que uma albufeira.

De acordo com o mais recente boletim climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com a chuva terminou o estado de seca fraca que afetava os distritos de Évora, Beja e Faro.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

Política: 11 candidatos à Presidência da República

Política: 11 candidatos à Presidência da República

Perfil dos 11 candidatos às eleições presidenciais, de 18 de janeiro.

Marques Mendes: O político que foi quase tudo no PSD e quer ser Presidente

Luís Marques Mendes, 68 anos, foi deputado, secretário de Estado, ministro e líder do PSD, e entregou o cartão de militante no dia em que anunciou a candidatura a Presidente da República, em 06 de fevereiro.

Meses mais tarde, no final de maio, o PSD aprovou o apoio formal à sua candidatura, e o CDS-PP acabaria por fazer o mesmo, em novembro.

Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes nasceu em Azurém, uma freguesia do concelho de Guimarães (distrito de Braga), em 05 de setembro de 1957, e viveu boa parte da sua vida em Fafe, filiando-se em junho de 1974 no então PPD (que em 1976 passaria a PPD/PSD).

Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Coimbra e, ainda estudante com 19 anos, chegou a vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e a adjunto do governador civil de Braga.

Integrou os três governos liderados por Cavaco Silva nas décadas de 80 e 90, como secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e, finalmente, ministro Adjunto do primeiro-ministro, entre 1992 e 1995, e líder parlamentar.

Depois de perder a liderança do PSD em 2000, ganhou à segunda, em 2005, esteve no cargo dois anos – perdeu para Luís Filipe Menezes nas eleições diretas.

Não exerceu mais cargos políticos, tendo desempenhado funções como consultor jurídico da Abreu Advogados desde 2012. Foi comentador televisivo na SIC entre 2013 e janeiro deste ano, uma semana antes de avançar para Belém.

É conselheiro de Estado desde 2011, primeiro eleito pela Assembleia da República no segundo mandato de Cavaco Silva, e desde 2016 como um dos cinco membros escolhidos pelo atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Gouveia e Melo: o almirante das vacinas que promete estar acima das disputas partidárias

O almirante na reserva Gouveia e Melo candidata-se a Presidente da República com a promessa de estar acima das disputas partidárias e ser mobilizador na ação, após ter adquirido notoriedade como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.

Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, divorciado, com dois filhos, tem 65 anos, nasceu em Quelimane, Moçambique, entrou na Escola Naval em setembro de 1979 e teve uma longa carreira militar até chegar a chefe do Estado-Maior da Armada em dezembro de 2021, cargo em que permaneceu até ao fim de 2024.

Na esfera pública, Henrique Gouveia e Melo começou a distinguir-se quando liderou a equipa das Forças Armadas destacada para apoiar as populações e os bombeiros durante a tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande em 2017.

Em novembro de 2020, integrou a ‘task force’ do plano de vacinação contra a covid-19. E em fevereiro de 2021, após várias polémicas, o ex-primeiro-ministro, António Costa, nomeou-o coordenador da equipa.

O sucesso no exercício deste cargo valeu-lhe elevado reconhecimento público e em 2022 o seu nome começou a ser apontado como um dos possíveis candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa no cargo de Presidente da República.

Anunciou a sua candidatura presidencial em 14 de maio, em plena campanha eleitoral para as legislativas, o que lhe valeu críticas.

Gouveia e Melo diz situar-se no “centro pragmático”, afirma ter Mário Soares e o general Ramalho Eanes como modelos de Presidente, e defende que a política externa portuguesa deve ter “um pé na Europa e outro no Atlântico”.

Após o 25 de Abril de 1974, saiu com a família de Moçambique. Durante o chamado período revolucionário, viveu primeiro em Viseu e depois no Brasil. Filho de um advogado “liberal” crítico do Estado Novo, regressou em definitivo a Portugal a seguir ao 25 de Novembro de 1975.

Com 24 anos, na Escola Naval, integrou a esquadrilha de submarinos, onde passou 31 dias seguidos submerso.

Exerceu diversos comandos operacionais ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, em que acumulou mais de 20 mil horas de navegação.

Durante largos meses manteve o “tabu” sobre a sua candidatura a Belém. Em outubro de 2021, em Lisboa, tinha manifestado a intenção de não se “deixar cair na tentação” da política. “Se isso acontecer, deem-me uma corda para me enforcar”, disse.

Mais tarde, alegou que essa declaração foi uma nota de humor. Para os seus adversários, porém, simbolizou as suas contradições políticas.

André Ventura: O rosto do Chega que se afirma candidato antissistema

André Ventura, líder e figura central do Chega, voltou a entrar na corrida a Belém depois do terceiro lugar em 2021, reclamando-se o candidato antissistema, que não será o Presidente de todos os portugueses.

André Claro Amaral Ventura, 42 anos, começou o seu percurso político no PSD, partido pelo qual foi eleito vereador da Câmara Municipal de Loures em 2017, após uma campanha que ficou marcada por declarações sobre a comunidade cigana, que causaram polémica.

Em 2018, desfiliou-se do PSD, em rutura com o então líder do partido, Rui Rio, renunciou ao mandato de vereador em Loures.

André Ventura fundou o Chega em 2019 e é o seu presidente desde o primeiro congresso, cargo que mantém há seis anos, após várias reeleições.

O líder do Chega, que conta com o apoio do partido, anunciou em setembro que voltaria a candidatar-se a Presidente da República para esta força política “ter voz” nas presidenciais de 18 de janeiro.

O discurso discriminatório contra ciganos e anti-imigração, que tem vindo a repetir ao longo dos anos, manteve-se nesta candidatura, nomeadamente em cartazes espalhados pelo país e que lhe valeram um processo em tribunal.

Em 2019, Ventura foi eleito pela primeira vez para a Assembleia da República, na altura como deputado único. Dois anos depois, o partido elegeu 12 deputados e em 2025 conseguiu 60 lugares, tornando-se a segunda força parlamentar.

Ventura foi candidato a Presidente da República pela primeira vez em 2021 e conseguiu perto de 500 mil votos, que se traduziram em 11,9% dos votos, e ficou em terceiro lugar.

André Ventura nasceu em 15 de janeiro de 1983, em Algueirão-Mem Martins, freguesia do concelho de Sintra. É casado com Dina Nunes Ventura desde 2016 e não tem filhos.

É licenciado em direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado na mesma área pela Universidade de Cork, na Irlanda. É jurista, foi professor universitário, consultor e inspetor na Autoridade Tributária e, antes da política, ficou conhecido como comentador televisivo sobre desporto. É adepto do Benfica.

André Pestana: Das greves nas escolas a candidato pelos “sem voz”

André Pestana, 48 anos, de Coimbra, conhecido pelas greves nas escolas em 2022/2023, enquanto rosto do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), apresentou a candidatura às eleições presidenciais “para ser a voz dos sem voz”.

Na página da sua candidatura, André Pestana diz ter sido desafiado por 50 ativistas de várias áreas para entrar na corrida à Presidência da República, com o objetivo de “ser a voz dos sem voz”, “elevar a luta pelos serviços públicos a outro patamar” e “ripostar à barbárie social/ecológica e injustiça crescentes”.

Nascido e criado em Coimbra, é professor de Biologia e Geologia, tem dois filhos e o seu mote de campanha “é hora de abrir a pestana”.

Formou-se em Biologia na Universidade de Coimbra, com média final de curso de 16 valores, e doutorou-se em Biologia, na área das alterações climáticas, na Universidade Técnica de Lisboa e distinguiu-se na luta contra as propinas.

Desde 2001, como professor do ensino secundário, deu aulas em escolas de várias zonas do país (Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Serpa, Lisboa, Oeiras, Fátima, Cascais, Sintra) sempre como professor precário, tendo efetivado apenas em 2023. Foi sindicalista do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa da Federação Nacional dos Professores (SPGL/FENPROF).

Em 2018, “sucessivas desilusões” levaram-no a fundar, juntamente com colegas, um o S.TO.P, inicialmente Sindicato de Todos os Professores e, atualmente, Sindicato de Todos os Profissionais da Educação, com sucessivas greves em 2018, 2019 e 2020.

Passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo Bloco de Esquerda (BE) e mais tarde pelo MAS, tendo, posteriormente, interrompido a militância partidária.

Humberto Correia: O candidato surpresa que quer resolver a crise da habitação

O pintor e autor Humberto Correia apareceu de surpresa com a entrega de quase 9.500 assinaturas no Tribunal Constitucional e prometeu percorrer Norte a Sul vestido de D. Afonso Henriques, com a crise da habitação no centro das preocupações.

Nascido em 1961 no concelho de Olhão, distrito de Faro, onde reside, Humberto Correia é pai de dois filhos e esteve emigrado em França, onde trabalhou cerca de 10 anos em várias fábricas e 15 anos na construção civil.

Regressou a Portugal em 2003 e dedicou-se a pintar quadros na rua, na baixa de Faro, durante 20 anos.

Em 2017 foi candidato à Câmara Municipal de Faro e é também autor do livro “As Pulgas da Minha Infância”, sobre um menino que cresce no seio de uma família pobre da sociedade portuguesa nos anos 60 e 70 do século XX.

Humberto Correia justificou a sua decisão de avançar para a corrida à Presidência da República com a pobreza vivida por “muitos portugueses”, considerando que a atual crise da habitação é “o maior problema” do país.

O candidato defende mais habitação social construída pela Estado, para alugar a preços acessíveis, e que o Presidente da República deve recorrer à magistratura de influência para resolver este problema.

Como ações de campanha, o candidato prometeu percorrer o país a entregar os seus panfletos na rua, vestido de Dom Afonso Henriques.

O início da campanha será em Viana do Castelo, seguindo-se Guimarães, Braga, Vila Real, Bragança, e a ideia é ir descendo até ao Algarve, tal como Dom Afonso Henriques na conquista de Portugal.

Jorge Pinto: O “europeísta convicto” que quer levar um “novo sotaque” até Belém

O deputado do Livre Jorge Pinto assume-se como um europeísta convicto, vê a esquerda como “uma janela” e é o candidato mais novo na corrida a Belém, para onde se propõe levar um “sotaque novo”.

Eduardo Jorge Costa Pinto nasceu em Amarante, cidade do distrito do Porto conhecida como “a princesa do Tâmega”, a 20 de abril de 1987.

Filho de dois professores, Jorge e Ercília, e conhecido entre os amigos como “Jójó”, cresceu numa quinta no centro de Amarante, numa família numerosa, com nove irmãos do lado do pai e cinco do lado da mãe.

Desde novo que Jorge Pinto revelou ter uma forte consciência política, associando-se a vários movimentos associativos, na defesa da causa timorense e ambiental.

É licenciado em Engenharia do Ambiente e doutorado em Filosofia Social e Política.

Aos 21 anos, saiu de Portugal: fez Erasmus na Lituânia e elaborou a sua tese de mestrado na Índia, antes de viver em países como França, Itália ou Bélgica.

Foi em Bruxelas que residiu mais tempo e onde se fixou em 2012 como funcionário europeu, tendo trabalhado na agência de apoio à aviação europeia Eurocontrol e exercido funções na Comissão Europeia.

Aos 18 anos, filiou-se no PS, partido do qual saiu em 2013, altura em que António José Seguro – também candidato presidencial – era líder socialista.

Em 2014, foi um dos fundadores do Livre e dez anos depois o primeiro deputado do partido eleito pelo círculo eleitoral do Porto.

Define-se como um “europeísta convicto” e já disse ver a esquerda como “uma janela” e não “uma gaveta”, em resposta a declarações de Seguro. A sua referência política na Presidência da República é Jorge Sampaio.

É casado com uma violoncelista espanhola e tem um filho de um ano.

Cotrim Figueiredo: O gestor que se tornou “político acidental”

João Cotrim Figueiredo, 64 anos, foi gestor a maior parte da vida, mas, há seis anos, tornou-se um “político acidental” que, de deputado a líder da IL e eurodeputado, ambiciona agora chegar ao mais alto cargo da Nação.

Nascido em 24 de junho de 1961 em Lisboa, João Fernando Cotrim Figueiredo ganhou notoriedade nacional em 2019, quando se tornou no primeiro deputado da Iniciativa Liberal a sentar-se no parlamento, mas, antes disso, teve 34 anos de experiência empresarial.

Essa experiência começou logo aos 15 anos quando, ainda estudante no Colégio de Alemão, começou a vender, porta a porta, cabides da empresa Manequim, fundada pelo seu bisavô, experiência que, diria mais tarde, lhe revelou que queria ser homem de negócios.

Após o fim do ensino secundário, em 1979, foi viver para Londres, fascinado pelo “espírito de liberdade” que se vivia na capital inglesa, e onde, para conseguir pagar a licenciatura em Economia na London School of Economics, foi acumulando empregos, entre os quais servir ‘cocktails’ numa galeria de arte contemporânea.

Ao longo desses 34 anos, Cotrim Figueiredo foi administrador da Compal e da Nutricafés, diretor-geral da TVI e, entre 2013 e 2016, presidente do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, a convite do então ministro da Economia Bernardo Pires de Lima, do Governo de Pedro Passos Coelho.

Apesar de afirmar que “nunca foi antipolítico”, Cotrim Figueiredo assumiu recentemente que só decidiu entrar na política quando, numa conversa com um dos filhos, que estava à procura de emprego, percebeu que as gerações mais jovens tinham menos oportunidades e piores condições profissionais do que a sua geração.

Ficaria cerca de três anos como líder da IL, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2023, período no qual a IL ascendeu a quarta força política, com um grupo parlamentar de oito deputados.

Como líder do partido e deputado na Assembleia da República, que deixou em 2022, Cotrim Figueiredo ficou conhecido pelo seu sentido de humor, retórica e fórmulas inventivas, mas também por defender propostas polémicas e que se tornariam bandeiras do partido, como a criação de uma taxa única de IRS ou um vasto programa de privatizações, que incluía empresas como a RTP, Caixa Geral de Depósitos e TAP.

Nas eleições europeias de 2024 foi eleito eurodeputado com o melhor resultado de sempre do partido em qualquer tipo de eleições, com mais de 350 mil votos (9,08%).

António Filipe: o sócio do Belenenses que quer ser o primeiro comunista em Belém

António Filipe, 62 anos, candidata-se à Presidência da República depois de quase 50 anos de atividade política, a maioria da qual na Assembleia da República e ao serviço do PCP, partido ao qual aderiu em 1983.

Nascido em 28 de janeiro de 1963 na Amadora, distrito de Lisboa, António Filipe Gaião Rodrigues tinha 12 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974, dia em que, segundo diz, “a vida passou a ser a cores” e que o levou, em junho daquele ano, a ter o primeiro encontro com o PCP, numa sessão de esclarecimento organizada numa pequena associação dirigida pelo seu pai.

Com “grande vontade de participar e de intervir”, inscreveu-se na União Estudantil Comunista (UEC), antecessora da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), iniciando o seu percurso de intervenção política como delegado de turma, quase ao mesmo tempo em que se tornou, aos 13 anos, sócio do clube de futebol Belenenses, paixão que mantém até hoje – é atualmente membro do Conselho Geral do clube de Belém.

Colega de turma do ex-primeiro-ministro e presidente do Conselho Europeu, António Costa, e aluno do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, no curso de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, António Filipe juntar-se-ia à JCP no ano da sua fundação, em 1979, tornando-se seu dirigente em 1985.

Eleito deputado do PCP em 1989, manteve-se ininterruptamente no parlamento até 2022 e foi vice-presidente da Assembleia da República entre 2005 e 2022, tornando-se reputado entre camaradas e adversários pelo seu sentido de humor e por ser uma pessoa séria, aberta ao diálogo e que procura consensos.

O agora candidato presidencial ficou, no entanto, também conhecido por posições polémicas a nível de política internacional, designadamente o facto de ter considerado “profundamente injusto” classificar o histórico líder cubano Fidel Castro como um ditador, além de ter afirmado que o atual Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, personifica “um poder xenófobo e belicista rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi”.

Manuel João Vieira: Entre o irracional e o sério a expor “o absurdo da política”

O músico e artista plástico Manuel João Vieira anunciou pela quinta vez a candidatura à Presidência da República, com as habituais propostas surrealistas para expor o “absurdo da política”, e justificou a decisão com o “crescimento do fascismo”.

Figura conhecida do entretenimento há várias décadas, nasceu em 1962, em Lisboa, estudou Ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian e licenciou-se na Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1988, seguindo o exemplo do pai, o pintor João Rodrigues Vieira.

O músico, pintor e professor foi líder dos Ena Pá 2000, banda caracterizada pelo humor absurdo (‘nonsense’) e por vezes pornográfico das suas letras, bem como dos Corações de Atum e dos Irmãos Catita, tendo criado e representado várias personagens em palco, como Lello Universal, Lello Minsk, Lello Marmelo, Élvis Ramalho, Orgasmo Carlos, Catita, entre outros.

Entre o absurdo e o sério, nota-se-lhe a crítica além do ‘nonsense’, tendo defendido na sua última candidatura à Presidência que a política e a arte deviam estar mais unidas e que é preciso desconstruir “as frases absurdas da política”.

Insistindo na promessa de “só desistir se for eleito”, entre as propostas que apresenta – umas novas, outras repetidas de candidaturas anteriores – Vieira promete vinho canalizado em todas as casas e fontes de bagaço nas ruas, patinadoras russas para todos os homens, dançarinos cubanos para todas as mulheres e um Ferrari para cada português.

Relativamente à imigração, um dos alvos do discurso da extrema-direita, Manuel João Vieira propõe tratamentos para clarear a pele das pessoas mais escuras e escurecer a das pessoas mais claras, para uniformizar o tom de pele de todos os que vivem em Portugal.

Manuel João Vieira tinha já anunciado candidaturas às eleições presidenciais de 2001, 2006, 2011 e 2016.

Seguro quebra jejum na política “sem amarras” e com apoio do PS

António José Seguro, antigo líder socialista, quebrou uma década de interregno político com a candidatura presidencial, que assegura ser “sem amarras” apesar do apoio do PS quatro meses depois, posicionando-se na “esquerda moderada e moderna” após ter recusado gavetas.

Seguro avançou para as eleições presidenciais sem esperar pelo partido que liderou e, em 15 de junho, apresentou a sua candidatura “sem amarras”, apartidária e aberta a todos os democratas. Só quatro meses depois é que o PS formalizou o apoio.

António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. É casado e tem dois filhos.

Depois de ocupar vários cargos públicos – membro do Governo, deputado ou eurodeputado, entre outros – Seguro afastou-se da vida política após a demissão de secretário-geral do PS, em setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa.

Remetendo-se à condição de “militante de base” depois de deixar a liderança do PS, que ocupou entre 2011 e 2014, o agora candidato presidencial dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios e manteve-se quase em silêncio sobre as questões políticas ao longo da última década, com raríssimas exceções.

Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, conheceu, pela mão de António Guterres, uma ascensão rápida: chefe de gabinete do secretário-geral, foi eleito deputado nas legislativas de 1991 e a partir de 1994 fez parte do núcleo duro do “guterrismo” e secretário de Estado do Desporto.

Em 1999, foi número dois de Mário Soares na lista do PS às europeias, regressando a Lisboa dois anos depois ser ministro-adjunto do primeiro-ministro.

Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre na segunda linha, apesar de ter sido cabeça de lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011, tendo coordenado a reforma do Parlamento em 2007.

Do teatro para a política, Catarina Martins aponta a Belém para “cuidar da democracia”

Após mais de uma década na liderança do BE, 14 anos como deputada e uma carreira dedicada à cultura, a eurodeputada bloquista Catarina Martins concorre pela primeira vez à Presidência da República, prometendo “cuidar da democracia” e fazer pontes.

Catarina Soares Martins nasceu no Porto em 1973, é casada e tem duas filhas e, após um percurso ligado ao teatro, a atriz chegou ao parlamento em 2009, então ainda como independente pelas listas do BE, partido ao qual aderiu só em 2010 apesar de o seu pai ser um dos subscritores do manifesto “Começar de Novo”, que deu origem a esta força política.

Entre 2012 e 2013, liderou os destinos do partido, no início com João Semedo, a “liderança bicéfala” que sucedeu à era de Francisco Louçã.

A partir de 2014 assumiu, sozinha, os comandos do partido e nas legislativas de 2015 levou o BE ao melhor resultado da sua história com mais de meio milhão de votos, 19 deputados e a terceira força política no parlamento.

É na sequência destas eleições que assina, em nome do BE, o acordo com o PS que deu corpo à batizada ‘geringonça’, o apoio parlamentar de toda a esquerda que permitiu que António Costa chegasse então a primeiro-ministro.

As eleições de 2022 ditaram um dos piores resultados do BE, que caiu para quinta força política e ficou reduzido a cinco deputados.

Depois das eleições de 2023 que deram a maioria absoluta ao PS e a António Costa, Catarina Martins anuncia que iria deixar de ser coordenadora do partido.

Depois de 14 anos no parlamento, faz uma pausa de pouco mais de meio ano. Em março de 2024, foi escolhida como cabeça de lista do BE às europeias, conseguindo assegurar a sua eleição, mas ficando sozinha no Parlamento Europeu já que o partido perdeu um dos dois mandatos que tinha.

Antes de ser uma cara conhecida dos portugueses pela sua atividade política, a sua vida esteve ligada à Cultura, tendo em 1994 fundado uma companhia de teatro profissional no Porto.

Estudou na Universidade de Coimbra, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, tem ainda um mestrado em Linguística e frequenta um doutoramento em Didática das Línguas.

Fonte: Lusa | Imagem: CNE

Meteorologia: Frio prolonga-se até 7 de janeiro

Meteorologia: Frio prolonga-se até 7 de janeiro

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indica que há nove distritos de Portugal continental sob aviso amarelo devido ao tempo frio, que foi prolongado até quarta-feira, dia 7 de janeiro, devido à persistência de valores baixos da temperatura mínima.

Segundo o IPMA, vão estar sob aviso amarelo os distritos de Bragança, Viseu, Guarda, Vila Real, Castelo Branco e Portalegre entre as 00:00 de segunda-feira e as 09:00 de quarta-feira, bem como Évora, Beja e Faro entre as 00:00 de terça-feira e as 09:00 de quarta-feira.

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta, numa nota publicada no seu ‘site’, que “quando a temperatura desce o risco de doenças respiratórias, agravamento de condições crónicas e acidentes aumenta”.

Para se proteger dos efeitos negativos do frio na saúde, a DGS deixa várias recomendações à população, como evitar mudanças bruscas de temperatura, vestir roupa por camadas, proteger as extremidades com gorro, luvas e meias quentes e usar calçado antiderrapante para evitar quedas.

Manter a pele hidratada, sobretudo a cara, mãos e lábios, beber água e bebidas quentes e comer sopa são outras das indicações, para que a população se mantenha hidratada e quente.

Em casa, deve evitar-se estar mais de uma hora seguida sentado, para reduzir o risco de desenvolver problemas de saúde e ajudar a manter o corpo aquecido.

A DGS aconselha ainda a população a fazer “refeições mais frequentes, encurtando as horas entre elas”, e a aumentar o consumo de alimentos ricos em vitaminas, sais minerais e antioxidantes, como, por exemplo, frutos e hortícolas, pois contribuem para reduzir o aparecimento de infeções.

Por outro lado, deve evitar-se o consumo de alimentos fritos, com muita gordura ou açúcar.

A DGS pede ainda especial atenção aos mais vulneráveis: “crianças pequenas, pessoas idosas, pessoas com doenças crónicas, trabalhadores ao ar livre ou pessoas em situação de isolamento ou sem-abrigo”.

Aconselha igualmente a população a planear com antecedência e confirmar se tem medicamentos e alimentos suficientes, caso seja mais difícil sair de casa, e, para os que não podem sair de casa, recomenda que identifiquem outras pessoas que os consigam ajudar a ir buscar alimentos e medicamentos.

No exterior, por causa do frio, deve-se evitar esforços físicos.

O IPMA colocou também sob aviso amarelo a costa norte da ilha da Madeira e o Porto Santo entre as 12:00 de segunda-feira e as 06:00 de terça-feira, devido à agitação marítima, prevendo ondas de norte/nordeste entre quatro e 4,5 metros.

O arquipélago da Madeira está a ser afetado desde quarta-feira pela depressão Francis, caracterizada por chuva, agitação marítima e ventos fortes, o que tem motivado vários avisos amarelos e laranja, o segundo nível mais grave.

Fonte: Lusa | Imagem: IPMA

Adorar o Deus Menino

Epifania do Senhor (Solenidade)

Adorar o Deus Menino

Is 60, 1-6 / Slm 71 (72), 2.7-8.10-13 / Ef 3, 2-3a.5-6 / Mt 2, 1-12

Todos os textos falam de convergência universal em torno de um mesmo ponto. Assim, em Isaías, aflui-se a Jerusalém, que resplandece com a sua luz. Vai-se ao seu encontro, seja de perto, seja de longe. Levam-se as riquezas que se têm, a pensar noutra riqueza que está no ponto de chegada: a presença do Senhor.

Por sua vez, na Carta aos Efésios, São Paulo fala de uma graça concedida a todos, por mérito de Cristo Jesus: «os gentios recebem a mesma herança que os judeus». Basta-lhes acolherem o Evangelho pregado pelos apóstolos. O Evangelho de Cristo surge, assim, como o polo aglutinador da família humana que a ele se abre.

Enfim, no Evangelho de São Mateus, os Magos chegam do Oriente para adorar o Menino junto a Belém. Não são pessoas quaisquer. Os Magos ocupam uma posição de poder, representam a gente da sua região, passam pela residência dum rei e vão ao encontro de outro que é rei. Chegados diante do Menino, prostram-se diante dele, adoram-no e oferecem-lhe tesouros. A sua procedência – o Oriente – representa, pela sua distância, a totalidade do mundo.

Note-se a estrela que guia os Magos. Vista já no Oriente, seguia à frente deles e parou onde estava o Menino. Foi fundamental para o caminho que os Magos tiveram de percorrer. O ponto de chegada não era evidente quando partiram: «onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?». Havia dificuldades a vencer: para começar, a distância; depois, o desconforto da parte de alguns (o caso de Herodes).

Repare-se no contraste entre a alegria dos Magos e a perturbação de Herodes. Nos Magos, há abertura à notícia do nascimento do Messias. Em Herodes, nota-se fechamento. Para os Magos, o Messias que nasceu é componente da construção das suas vidas. Para Herodes, esse Messias é causador de um desmoronar. Na pessoa dos Magos existe um espaço que não se vê na pessoa de Herodes. Os Magos entendem que aquilo que já são pode ser enriquecido pela novidade surgida junto a Belém. Herodes vive aquilo que já é como o tudo que não tem de acolher mais. Desta forma, os Magos e Herodes representam duas atitudes que podemos ter relativamente a Jesus.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Vila Chã de Braciosa: Ano Novo iniciou-se com a Festa do Menino

Vila Chã de Braciosa: Ano Novo iniciou-se com a Festa do Menino

Na aldeia de Vila Chã de Braciosa, no concelho de Miranda do Douro, o Ano Novo iniciou-se a 1 de janeiro, com a tradicional Festa do Menino, uma celebração religiosa de adoração ao Nascimento de Jesus, que todos os anos é animada pelos mascarados de solstício de inverno – a Velha, o Bailador e a Bailadeira – que têm a missão de fazer a ronda pela aldeia para convidar as pessoas para a festa e desejar um Feliz Ano Novo à população.

Este ano, os mordomos da Festa do Menino, em Vila Chã de Braciosa foram Maria Arribas Meirinho, com oito anos e Daniel Arribas Escalante, de 20 anos. Os preparativos para a festa começaram a 21 de dezembro, com a recolha da lenha para a Fogueira do Menino, que se acende a 1 de janeiro, junto à igreja matriz de Vila Chã de Braciosa.

“Aos jovens mordomos compete acompanhar os gaiteiros e os mascarados no peditório pelas ruas da aldeia, assim como embelezar os altares da igreja matriz para a celebração da eucaristia e no final da missa cabe às crianças transportar o andor com a imagem do Menino Jesus. Para animar o serão, aos mordomos compete também contratar o grupo musical para o baile ao serão”, informou Ana Arribas, mãe da jovem mordoma.

Na ronda matinal pela aldeia, ao som da gaita de foles, a missão é angariar dinheiro para a festa e os mordomos são acompanhados pelas três figuras mascaradas – a velha, o bailador e a bailadeira – que têm a missão de convidar as pessoas para a festa e desejar-lhes um “Feliz Ano Novo”. Nas visitas às famílias, a comitiva é ocasionalmente presenteada com um aperitivo (licor, figos secos, tremoços, bolachas e chocolates) e em troca a mordomia dedica-lhes uma música da gaita-de-foles, caixa e bombo e as danças dos mascarados de inverno.

Este ano, após a conclusão do peditório pela aldeia, os mordomos, gaiteiros e mascarados tiveram direito a um merecido e saboroso almoço, com chouriças e alheiras assadas, bacalhau, butelo com cascas e na sobremesa as tradicionais fritas ou filhós.

Ao início da tarde (14h30), celebrou-se na Igreja matriz de Vila Chã de Braciosa, a Missa em honra do Menino Jesus, que a 1 de janeiro coincide com a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e o Dia Mundial da Paz. A celebração religiosa foi presidida pelo padre António Pires e na homília, o sacerdote convidou a assembleia a contemplar a união de Maria com Jesus e a aprender com os pastores a anunciar o Deus Menino.

“Neste primeiro dia de um novo ano, como cristãos somos convidados a anunciar o nascimento do Deus Menino, o Príncipe da Paz. Cada um de nós também é construtor de paz. Na mensagem para o Dia Mundial da Paz que se celebra a 1 de janeiro, o Papa Leão XIV ensina que a bondade desarma e a paz não é uma utopia. A paz começa em cada um de nós, por isso cabe-nos trabalhar pela paz com brandura, ternura, paciência e caridade”, exortou o sacerdote.

No final da missa, foram nomeados os novos mordomos para a Festa do Menino, agendada para 1 de janeiro de 2027, tendo sido nomeados os jovens Fernando Curralo Pires, Beatriz Venâncio e Leonor Preto.

Seguiu-se no adro da igreja de Vila Chã de Braciosa, a tradicional procissão da imagem do Menino Jesus e no final houve danças ao som da música tradicional.

Dado o frio do inverno, outro momento muito aguardado nesta aldeia das arribas do rio Douro, foi o acender da Fogueira do Menino, a meio da tarde, com a lenha recolhida pelos rapazes e homens da aldeia, um trabalho que todos os anos reforça a amizade e o espírito comunitário.

Em Vila Chã de Braciosa, a Festa do Menino e a animação do ritual do solstício de inverno voltaram a atrair a visita de turistas: um grupo de portugueses naturais de Penafiel que veio passar o fim-de-ano à região e um grupo de cidadãos franceses. Ambos os grupos de visitantes, elogiaram a hospitalidade das gentes locais e a preservação de tradições como a música, os trajes, a fogueira, a gastronomia e a beleza natural da Terra de Miranda.

Festa do Menino – Fiesta De L Menino

Na aldeia de Vila Chã de Braciosa, o peditório para a Festa do Menino é animado pelas figuras da Velha, o bailador e a bailadeira.

A figura da "Velha" é interpretada por José Joaquim Sebastião, que se distingue pelo vestuário escuro, o rosto tisnado, um enorme terço pendurado ao pescoço feito de bugalhas com um cruz de cortiça queimada, usada para tisnar os mais distraídos. Numa das mãos, a Velha transporta ainda um pau com bexigas de porco, usado para afugentar os miúdos. Outro adereço, é a alforge carregada ao ombro para guardar as chouriças recebidas para a festa.

As outras duas figuras, também interpretadas por homens, o "Bailador" e a "Baladeira" vestem trajes mais coloridos e têm a missão de dançar durante o peditório, animado com a música do trio de gaiteiras (gaita-de-foles, caixa e bombo).

HA

UE/40 anos: Integração europeia foi “uma das grandes conquistas do 25 de Abril” – Marcelo Rebelo de Sousa

UE/40 anos: Integração europeia foi “uma das grandes conquistas do 25 de Abril” – Marcelo Rebelo de Sousa

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a integração europeia foi “uma das grandes conquistas do 25 de Abril” e que passados 40 anos, Portugal mantém um “compromisso inabalável” com a União Europeia (UE).

Marcelo Rebelo de Sousa assinala hoje, através de uma mensagem no sítio oficial da Presidência da República na Internet, os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em conjunto com a Espanha, formalizada em 12 de junho de 1985 e que entrou em vigor em 01 de janeiro de 1986.

“Ao longo destas quatro décadas, Portugal percorreu o caminho da consolidação democrática, beneficiando das enormes vantagens da pertença à UE, como modernização económica, desenvolvimento, estabilidade e reforço da mobilidade dos cidadãos. A integração europeia foi, por isso, uma das grandes conquistas do 25 de Abril”, sustenta o chefe de Estado.

O Presidente da República defende que Portugal “ofereceu também um contributo importante, trazendo uma perspetiva única de abertura e conexão com diferentes geografias, promoção das políticas de coesão e defesa do mercado único”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “quarenta anos depois, Portugal e os portugueses mantêm um compromisso inabalável para com a União Europeia”.

“Ao olharmos para o mundo que nos rodeia, percebemos com total clareza a importância de seguirmos juntos, com os nossos parceiros da União Europeia, para preservar e fortalecer o nosso espaço de democracia, liberdade, solidariedade e dignidade humana, que construímos ao longo da nossa história comum e que urge defender”, afirma.

Em defesa do projeto europeu, o chefe de Estado acrescenta: “Juntos, temos mais força para fazer face aos enormes desafios que enfrentamos a bem do bem-estar e do futuro de todos nós”.

O tratado de adesão à então CEE foi assinado em 1985, por Mário Soares, pelo vice-primeiro-ministro do Governo PS/PSD, Rui Machete e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama e das Finanças, Ernâni Lopes.

Horas depois, realizava-se em Madrid idêntica sessão, para a entrada de Espanha na CEE.

Quando o tratado entrou em vigor, em 1 de janeiro de 1986, já estava em funções o Governo do PSD chefiado por Aníbal Cavaco Silva, que iria governar durante dez anos.

Fonte: Lusa

Economia: IVA baixa para 6% na produção de azeite

Economia: IVA baixa para 6% na produção de azeite

A partir de 1 de janeiro, o IVA de 6%, que já se aplica ao azeite enquanto bem, passa a cobrir “as operações de transformação de azeitona em azeite”, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2026.

A lista de bens com IVA reduzido – na qual estão elencados os bens e as prestações de serviços tributados com a taxa de 6% – passa a contar a partir de 1 de janeiro com três novas tipologias de bens ou serviços.

Da mesma forma, com o novo Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) ficou assegurado que um conjunto de produtos continua a estar isento do imposto sobre o consumo.

O IVA de 6%, que já se aplica ao azeite enquanto bem, passa a cobrir “as operações de transformação de azeitona em azeite”, até agora tributadas com o IVA normal, de 23%.

O mesmo sucede com a venda de carne de caça, cujo IVA baixa de 23% para 6%, na sequência de uma proposta de alteração ao OE para 2026 (OE2026) apresentada pelo PSD e CDS-PP para equivaler a tributação da carne de caça ao que se verifica com as carnes e miudezas comestíveis, frescas ou congeladas.

Quando apresentaram esta proposta de alteração, as bancadas que suportam o Governo no parlamento justificaram o desagravamento com o facto de a carne de caça maior abatida em Portugal ser “imediatamente transportada para Espanha, onde é transformada, embalada e comercializada, sem gerar qualquer receita fiscal” em Portugal, regressando ao mercado nacional como produto final e “deixando em Espanha todo o valor acrescentado associado à cadeia de valor, desde o processamento à comercialização”.

Também as transmissões de objetos de arte efetuadas pelos revendedores registados de obras de arte passam a ser tributadas a 6%, em vez de 23%. Com isso, ficam em situação de igualdade com as vendas de obras realizadas pelos próprios autores, herdeiros e legatários, que já são tributadas com o IVA reduzido.

Além do alargamento da lista de 6%, o OE2026 prolonga até 31 de dezembro as isenções de IVA que atualmente já existem para quem compra adubos, fertilizantes e corretivos de solos, farinhas, cereais e sementes utilizados nas atividades de produção agrícola.

A legislação garante que estas operações continuam a conferir “o direito à dedução do imposto que tenha incidido sobre bens ou serviços adquiridos, importados ou utilizados pelo sujeito passivo para a sua realização”.

Também é prolongada até 31 de dezembro a isenção de IVA atualmente em vigor “na aquisição de alimentação para animais de companhia por parte das associações zoófilas legalmente constituídas”.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr

Finanças: Novo ano traz descida do IRS

Finanças: Novo ano traz descida do IRS

A entrada em 2026 traz um desagravamento do Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS), para a generalidade dos contribuinte, que vai refletir-se num alívio nos salários e pensões, pelo que as entidades que pagam os rendimentos têm de atualizar as retenções mensais.

A descida do imposto sobre os rendimentos é uma medida do Orçamento do Estado (OE2026) que entra em vigor em janeiro, no qual estão consagradas três alterações ao Código do IRS, que levam a um aumento do rendimento líquido dos trabalhadores e pensionistas.

Com o OE2026, há uma descida das taxas do 2.º ao 5.º escalões em 0,3 pontos percentuais, há uma atualização dos valores que definem os 9 degraus de rendimento em 3,51% em relação a 2025 (fazendo com que as taxas de cada escalão comecem a aplica-se mais acima na escala dos rendimentos) e há um aumento do referencial do mínimo de existência (mecanismo que garante uma isenção total do IRS para quem recebe o salário mínimo e uma redução parcial do imposto para quem tem um vencimento imediatamente acima).

Como o IRS é um tributo anual, é com base nos escalões que a Autoridade Tributária vai calcular o imposto sobre a totalidade dos rendimentos ganhos ao longo de 2026, de 1 de janeiro a 31 de dezembro.

Entretanto, para refletir o desagravamento no imposto descontado todos os meses, o Governo terá de adaptar as tabelas de retenção na fonte aplicadas aos trabalhadores por conta de outrem e aos pensionistas.

Fonte oficial do Ministério das Finanças confirmou que as tabelas serão publicadas neste mês de janeiro, cabendo depois às entidades pagadoras (empresas privadas, serviços públicos, autarquias, IPSS e outras entidades, como a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações) processar os rendimentos deste ano de acordo com as novas taxas mensais.

Ainda não se sabe, no entanto, se as entidades vão conseguir aplicar as novas tabelas nos salários e pensões de janeiro.

Em regra, quando as tabelas são conhecidas posteriormente ao primeiro processamento do ano, as entidades pagadoras podem corrigir os valores no mês seguinte.

Para se saber o que acontece este ano será preciso esperar pelo despacho que fixa as novas tabelas.

Com o OE2026, a taxa do 2.º degrau baixa para 15,7% (em vez dos anteriores 16%), a do 3.º escalão passa para 21,2% (em vez de ser de 21,5%), a do 4.º patamar diminui para 24,1% (em vez de 24,4%) e a do 5.º fica nos 31,1% (em vez de 31,4%).

Apesar de o desagravamento das taxas só acontecer nestes quatro patamares, os contribuintes de todos os escalões sentem uma descida do IRS, quer quem está acima, quer quem está abaixo, fruto das várias mudanças fiscais consagradas no Orçamento.

Além das novas taxas e dos novos limites dos escalões, o valor de referência do mínimo de existência sobe para 12.880 euros.

Com isso, fica assegurado que os contribuintes com um rendimento até ao salário mínimo nacional de 2026 (920 euros brutos por mês) ficam totalmente isentos de IRS, à semelhança do que acontecia com quem recebia o equivalente à retribuição mínima de 2025 (870 euros).

Uma vez que a fórmula de cálculo deste mecanismo salvaguarda que os contribuintes com um rendimento imediatamente acima de 920 euros também beneficiam de uma redução fiscal – de uma isenção parcial do imposto –, quem está no 1.º escalão também sente um desagravamento do IRS mesmo sem existir uma alteração da taxa.

Quem se encontra nos patamares de rendimento acima do 5.º escalão sente igualmente um aumento do rendimento líquido porque o cálculo do IRS é feito de forma progressiva e as taxas que incidem sobre 2.º, 3.º, 4.º e 5.º escalões, reduzidas em 0,3 pontos percentuais, também se aplicam a esses contribuintes.

Segundo simulações da consultora PwC, realizadas para a Lusa quando o Governo apresentou a proposta de OE2026 em 09 de outubro, as mudanças vão aumentar o rendimento dos contribuintes de todos os escalões.

Fonte: Lusa

Dia Mundial da Paz: Leão XIV pede reforço das instituições internacionais e da diplomacia

Dia Mundial da Paz: Leão XIV pede reforço das instituições internacionais e da diplomacia

Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de janeiro, o Papa Leão XIV apelou aos governantes de todo o mundo para que retomem o “caminho desarmante da diplomacia”, pedindo o fortalecimento das instituições supranacionais em vez da sua deslegitimação.

“É o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço”, lamenta Leão XIV, na mensagem para o 59.º Dia Mundial da Paz, que se celebra no primeiro dia de 2026,

O Papa aborda a dimensão política da construção da paz, num contexto de “desestabilização planetária” cada vez mais imprevisível.

O documento pede aos responsáveis políticos que investiguem a fundo a melhor forma de harmonizar as comunidades a nível mundial, baseando-se na “sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos”.

Leão XIV adverte contra a tentação do “fatalismo” perante a globalização e os conflitos, rejeitando a ideia de que as dinâmicas atuais são fruto de forças anónimas impossíveis de controlar.

Para contrariar a estratégia de quem procura “semear o desânimo”, o Papa propõe o desenvolvimento de “sociedades civis conscientes” e formas de associativismo que promovam a participação não violenta.

“É necessário motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança”, escreve.

Citando a encíclica ‘Rerum Novarum’ de Leão XIII, escrita no final do século XIX, o Papa sublinha a importância da cooperação e da justiça restaurativa, tanto em pequena como em grande escala, lembrando que a dignidade humana está hoje exposta aos “desequilíbrios de poder entre os mais fortes”.

A mensagem evoca ainda o Jubileu da Esperança, que a Igreja Católica vive até 6 de janeiro de 2026, deixando votos de que este Ano Santo leve milhões de pessoas a iniciar um “desarmamento do coração, da mente e da vida”.

O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968, pelo Papa São Paulo VI, sendo celebrado anualmente a 1 de janeiro, pela Igreja Católica.

Fonte: Ecclesia

A notícia é o nascimento de Jesus!

Santa Maria, Mãe de Deus / (Solenidade) Dia Mundial da Paz

A notícia é o nascimento de Jesus!

Num 6, 22-27 / Slm 66 (67), 2-3.5-6.8 / Gal 4, 4-7 / Lc 2, 16-21

Começa a “propagação” da pessoa de Jesus.

São Lucas diz que os pastores foram visitar o Menino e depois regressaram «glorificando e louvando a Deus». Jesus nasceu e isso é a notícia. Jesus começa por ser «o Menino deitado na manjedoura». Nasce na margem da povoação (Belém), na margem dos nossos sistemas e das nossas seguranças, na margem do mundo. Mas é preciso que Ele passe da margem para o centro. Ele deve ser o centro do mundo e das nossas vidas.

Será um caminho árduo que requer as nossas forças.

Veja-se que a própria celebração do Natal é caminho. O Natal não é um dia só (o nascimento de Jesus). Engloba também as festas da Sagrada Família (Domingo passado), de Santa Maria, Mãe de Deus (hoje), da Epifania (próximo Domingo) e do Batismo do Senhor (Domingo posterior). Em tudo isto se revelam aspetos da Encarnação do Senhor. Esta não foi só a gestação de Jesus no ventre materno. É também a sua vinda e manifestação à humanidade.

Precisamos de interiorizar, então, a ideia de caminho. Parece que hoje estamos mais treinados para instantes do que para caminhos. Reparemos no caminho da interação com Deus. Invoca-se o Senhor? Então, Ele abençoa-nos. Dirige para nós o olhar e é-nos favorável (Números). Visita-se o Senhor? Então, voltamos para casa alegres com o que ouvimos e vimos (São Lucas). Acolhemos o Espírito que Deus nos envia? Então, temo-lo a habitar em nós, levando-nos a vê-lo como Pai (Carta aos Gálatas).

Reparemos também no caminho da maturação interior. «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração» (São Lucas). Há as coisas que acontecem na nossa vida e há o sentido que lhes damos. Há o desenho que as coisas realmente têm e a impressão com que ficamos delas. Enfim, há a sequência dos impactos daquilo que a vida nos traz e há o encadeamento do laborar interior a respeito desses impactos.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa