Semana Santa: Procissões são «sermões silenciosos»
Durante a Quaresma e a Semana Santa, as arte nas procissões religiosas são “sermões silenciosos”, disse o c cónego José Paulo Abreu, da arquidiocese de Braga.

“São João Damasceno dizia que a arte são sermões silenciosos, são uma Bíblia sem palavras. E há coisas que não precisam de palavras. Está tudo dito na simbólica, na iconografia, nas vestes, no silêncio”, explica o responsável pelo Cabido da Sé de Braga.
Professor da Faculdade de Teologia convida a participar nas procissões que enchem as ruas da cidade de Braga, em especial durante a Semana Santa que tem início na segunda-feira, dia 30, e a descobrir “o ambiente contagioso que ali se vive”.
“É necessário vivê-las para se perceber que não é normal haver-se tanto milhares de pessoas sem abrir a boca, num ambiente contagioso e que se vai criando”, relata.
Desde a procissão que recorda a ‘entrada triunfal’ de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, a procissão da Burrinha na quarta-feira, dia 1, a procissão Ecce Homo na Quinta-feira santa, a procissão do enterro na Sexta-feira santa, que recriam todo o relato da Paixão de Jesus, “recriam o caminho feito por Jesus”.
“A procissão do enterro, organizada pelo Cabido da Sé, acontece num silêncio absoluto entre milhares de pessoas. É espantoso. O silêncio, a luz contida, a concentração e o ar pungido das pessoas, é algo chocante”, recorda.
O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, está, ao longo da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, num caminho feito com o cónego José Paulo Abreu.
O responsável dá conta que o Rito Bracarense marca algumas celebrações neste tempo – por exemplo na procissão da ‘Entrada triunfal’ em Jerusalém, no Domingo de Ramos:
“Na chegada à Catedral, o arcebispo bate com o bastão três vezes na porta, e ouve-se: ‘Quem é que está aí a bater à porta?’, ‘É o Rei da Glória?, ‘Mas quem é esse Rei da Glória?’, e repete-se essa coreografia, enquanto se atiram folhas dos ramos de oliveira, e há toda uma coreografia das crianças”, indica.
Também a cerimónia do Lava-pés, na Quinta-feira santa, convida “pessoas de instituições” locais, tornando o ato “muito simbólico”, e o rito Bracarense manifesta-se ainda na Sexta-feira Santa com a Adoração da Cruz.
“Nesta cerimónia, depois da Adoração da Cruz, temos a uma chamada Procissão Teofórica: dentro de uma urna são metidas a Eucaristia e uma Bíblia, e a urna é levada, desde o altar principal, para uma capela ao lateral, que é a capela da Senhora do Sameiro, indicando que Eucaristia está lá, a Bíblia está lá, mas há como que algum encobrimento, para despontar radioso, no Domingo de Páscoa”, conta.
O cónego José Paulo Abreu regista outro momento, usual na tradição em Braga, de se visitarem “sete igrejas” após a celebração do Lava-pés e da Missa da Ceia do Senhor.
“Tem uma raiz histórica no que se fazia nas igrejas de Roma, quando as pessoas eram convidadas a frequentar sete igrejas para passarem pelas Portas Santas. Isto traduziu-se na visita às igrejas, que se faz em Braga. Tem início na Sé e passa pela igreja da Misericórdia, depois Santa Cruz, a igreja dos Terceiros – uma igreja franciscana que fica aqui ao pé da Arcada – depois a igreja do Salvador, a igreja do Pópulo e a igreja da Conceição”, apresenta.
O responsável destaca ainda a procissão da Burrinha, que acontece na quarta-feira Santa, que ajuda de forma “catequética” a traduzir o Antigo Testamento.
“É uma forma inteligente de repropor de forma muito interessante e pedagógica o Antigo Testamento, e entendermos toda a história do povo de Israel, a aliança entre Deus e o seu povo, como é que Deus foi conduzindo o seu povo, quem é que foi enviando. A burrinha é a que Nossa Senhora montou antes de nascer Jesus, e trata-se de um momento catequético muito interessante”, indica.
A conversa com o cónego José Paulo Abreu vai ser emitida no programa ECCLESIA, na Antena 1, no sábado, às 06h00.
Fonte: Ecclesia | Imagem: SCMMD









