O Centro Cultural e Desportivo das Minas de Argozelo vai jogar a final da Taça Distrital de Futebol, num confronto com o Futebol Clube de Vinhais, um jogo agendado para 1 de maio, no Estádio Municipal de Bragança.
Para chegarem à final da Taça Distrital, Argozelo e Vinhais venceram nas meias finais, o CD Macedo de Cavaleiros e o Rebordelo, respetivamente.
Na tarde de 19 de abril, no Campo da Cova, na vila de Argozelo, os macedenses que partiam em vantagem, já que tinha vencido o primeiro jogo por 1-0, não conseguiram conter o ímpeto da equipa argozelense, liderada por António Forneiro, que conseguiu dar a volta à eliminatória.
No final dos 90 minutos, o Argozelo vernceu por 2-1. Dada a vitória do Macedo por 1-0, no primeiro jogo, as duas equipas tiveram que jogar o prolongamento, durante o qual ambas as formações marcaram mais um golo, chegando assim aos 3-2.
A persistência do empate (3-3) nos dois jogos, obrigou as equipas à marcação de penáltis. Na marcação das grandes penalidades, os argozeleneses foram mais eficazes e venceram por 4-3, garantindo assim a presença na final da Taça Distrital de Futebol.
O jogo da final está agendado para o dia 1 de maio, sábado, às 16h00, no Estádio Municipal de Bragança.
Historicamente, o CCD Minas de Argozelo pretende reconquistar o troféu que ergueu pela última vez na época 2016/2017. O adversário, o FC Vinhais procura nesta época conquistar a dobradinha, depois da recente conquista do campeonato.
Paradela: Cerca de 500 pessoas no IV Trail Contrabando do Café
A aldeia mais oriental de Portugal, Paradela, no concelho de Miranda do Douro, recebeu a visita de quase meio milhar de pessoas, no dia 19 de abril, para participar na corrida e na caminhada do IV Trail Contrabando do Café, um evento desportivo que proporcionou o convívio e o contato com a natureza, no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).
Em Paradela, a corrida de 18 quilómetros, do IV Trail Contrabando do Café, foi ganha pelo atleta espanhol, Manuel Martins Fernandez, seguido de Ilídio Moreiras (CDMD) e Luis Paes (GDB).
Na prova feminina, a espanhola, Verónica Rodriguez foi a primeira a chegar à meta, seguida de Anabela Martins (CDMD) e da espanhola, Tânia Lucas.
O responsável pela seção de Atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), o atleta, Alírio Sebastião, informou que o IV Trail Contrabando do Café, contou com a participação de 487 pessoas.
“Pelo quarto ano consecutivo, o Trail Contrabando do Café está a consolidar-se como uma das provas de atletismo mais importantes do campeonato distrital de Trail da Associação de Atletismo de Bragança (AAF) e do campeonato da zona norte de Trail. Nesta quarta edição do Trail Contrabando do Café, inscreveram-se 127 atletas e 360 caminhantes. Todos os anos, a organização procura proporcionar aos atletas e aos caminhantes as melhores condições, quer na limpeza e a marcação dos percursos, quer na logística de todo o evento, com o acolhimento aos participantes, os reforços e o almoço convívio final”, indicou o organizador da prova.
No início do IV Trail Contrabando do Café, em Paradela, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, felicitou o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) pela organização deste evento desportivo numa das aldeias mais emblemáticas do concelho.
“Paradela é a localidade mais oriental de Portugal, onde o sol nasce primeiro, sendo possível contemplar este facto no belíssimo miradouro da Penha das Torres, onde é também possível avistar a entrada do rio Douro no nosso país. A realização do Trail Contrabando do Café nesta localidade fronteiriça, recorda a história do contrabando com Espanha e simultaneamente dá a conhecer aos atletas e caminhantes, a extraordinária beleza natural desta freguesia, que está inserida no Parque natural do Douro Internacional (PNDI)”, destacou a autarca mirandesa.
O presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas, é um dos mais entusiastas adetpos do Trail Contrabando do Café e desde a primeira edição em 2023, colabora ativamente na organização deste evento desportivo que todos os anos, traz à localidade mais oriental de Portugal, centenas de pessoas.
“Na responsabilidade de presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, quero agradecer e elogiar o trabalho da seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro, pela organização anual do Trail Contrabando do Café, em Paradela. É já a quarta edição desta prova desportiva, que de ano para ano, traz mais gente a Paradela, o que potenciaa ainda mais o turismo de natureza, ao dar a conhecer as nossas belíssimas paisagens inseridas no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI)”, disse Nélio Seixas.
Em Paradela, uma novidade no IV Trail Contrabando do Café, foi a instalação de um mercado rural, para dar a conhecer aos visitantes, os produtos locais como o pão, doçaria tradicional, a bola doce mirandesa, mel, nozes, amêndoas, azeite, sabonetes, artesanato, entre outros produtos.
Uma das visitantes a Paradela, foi a atleta espanhola, Maite Pascual Martin, do Clube CEADEA Trail. A jovem espanhola veio da aldeia vizinha de Moveros (Espanha), acompanhada de alguns familiares, para correr os 18 quilómetros do Trail Contrabando do Café.
“Gostei muito do percurso da corrida, em particular pela beleza da natureza nesta época da primavera. No decorrer da prova fez bastante calor, o que me dificultou um pouco a corrida, mas ainda assim estou satisfeita com o meu desempenho pois concluí o percurso em 2 horas e 5 minutos, disse a jovem atleta.
Nos caminhantes, Abel Gonçalves e a esposa, Maria Otília, vieram de Palaçoulo, para participar na caminhada de 12 quilómetros do Trail Contrabando do Café. Aficionados das caminhadas, pelo bem estar físico que proporcionam, o casal de Palaçoulo revelou que têm por hábito participar em várias caminhadas ao longo do ano, em diferentes localidades.
“Para sair da rotina, ao longo do ano, procuramos participar em caminhadas em diferentes localidades. É uma atividade saudável e simultaneamente dá-nos a possibilidade de visitar outras localidades e conhecer pessoas. A caminhada aqui em Paradela, dada a orografia do terreno, foi um pouco mais exigente, com as descidas e subidas”, disse o caminhante de Palaçoulo.
Da Covilhã, Joana Meireles, veio com um grupo de amigos até Paradela, para percorrerem juntos os 12 quilómetros do Trail Contrabando do Café. Não obstante a dificuldade do percurso e o calor sentido ao longo da manhã, a jovem covilhense, mostrou-se impressionada com a beleza natural da região.
“Juntamente com sete amigos decidimos aproveitar este evento desportivo em Paradela, para viver um dia de Domingo diferente, mais ativo. Percorrer os 12 quilómetros, com descidas e subidas e o calor do sol, foi difícil, mas a animação do grupo e a beleza desta região foi uma grande motivação e o desafio está superado”, disse a jovem.
Natural de Paradela, Sandra Martins, veio expressamente da Maia, juntamente com o marido e os filhos, para participarem juntos, pelo quarto ano consecutivo, na caminhada do Trail Contrabando do Café.
“Todos os anos, em família, fazemos questão de guardar este fim-de-semana para regressar a Paradela e participarmos juntos na caminhada do Trail Contrabando do Café. Esta caminhada é também uma oportunidade de mostrar aos meus filhos a singular beleza da entrada do rio Douro em Portugal”, disse.
Questionada sobre o modo com a população de Paradela recebe as centenas de atletas e caminhantes em cada edição do Trail Contrabando do Café, Sandra Martins, enalteceu a simpatia e caráter acolhedor dos paradelenses.
“A população de Paradela é muito simpática e acolhedora. Ao longo do ano, o miradouro da Penhas das Torres atrai a vinda de muitos visitantes à aldeia e a população aprecia de sobremaneira estas visitas. Por isso, aquando da realização do Trail Contrabando do Café, os residentes na aldeia estão expectantes e recebem os atletas e caminhantes com muito agrado”, disse.
Sobre o percurso da camianhada deste ano, Sandra Martins, elogiou a organização, em particular pelo cuidado em proporcionar boas condições de acesso ao miradouro da Penha das Torres.
“De ano para ano, a secção de Atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) tem o cuidado de aprimorar o percurso, facilitando assim a passagem dos atletas e caminhantes. Como reparo à organização, em comparações com as edições anteriores, neste IV Trail Contrabando do Café faltou a encenação/animação dos guardas-fiscais em perseguição aos contrabandistas dos café”, disse.
De visita a Paradela, para acompanhar o final do Trail Contrabando do Café, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, agradeceu o contributo da seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) na dinamização do desporto no concelho.
“O trabalho que está a ser desenvolvido pelo Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) mostra a importância do associativismo, pois é um pilar importante na dinamização de atividades e eventos desportivos.”, realçou o autarca.
Por sua vez, o presidente do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), Nuno Martins, justifica o sucesso do clube com a missão (e a dedicação) de dar oportunidades aos jovens mirandeses de praticar desporto.
“Atualmente, o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) oferece as modalidades de futsal, atletismo e voleibol. No atletismo, quero destacar o trabalho realizado pela Alírio Sebastião, na formação de uma equipa que atualmente é constituída por quase 50 atletas, que representam Miranda do Douro em provas locais, regionais e nacionais. O sucesso do clube, nas várias modalidades, deve-se ao compromisso e a dedicação de todos: direção, equipas técnicas e atletas”, destacou o presidente do CDMD.
O Trail Contrando do Café é um evento anual, organizado pela seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), que conta com a colaboração da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, ´do Município de Miranda d Douro e o patrocínio de várias empresas.
Ambiente: Miranda do Douro lidera propriedades identificadas do BUPi (68%)
Até 16 de abril, o serviço Balcão Único do Prédio (BUPi) registou 42% de área de terrenos em Portugal, sendo que o serviço de Miranda do Douro (distrito de Bragança) lidera na percentagem de propriedades identificadas, com 68%.
De acordo com dados avançados pela eBUPi – Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado, até 16 de abril, de 173 municípios sem cadastro predial, 158 já disponibilizam o registo no BUPi, com 3.390.628 matrizes identificadas no continente, correspondentes a 39% das 8.917.154 para identificar.
Na Região Autónoma da Madeira, o BUPi possui identificadas 28.309 matrizes (9%), considerando os prédios inscritos na Autoridade Tributária (AT), das 302.417 para identificar nos cinco municípios sem cadastro predial.
O sistema de registo, criado em 2017 como um projeto-piloto em 10 municípios e depois alargado, já identificou 42% da área, com 1.676.077 hectares em Portugal continental e Madeira (1.662.366 no continente e 13.711 na ilha), de um total de 3.750.998 ha para identificar.
No entanto, segundo a eBUPi, “existe 6% do território” em que onde não é possível georreferenciar, nomeadamente em área urbana e domínio público, e na Madeira os dados ainda não são totalmente exatos por insuficiência de informação territorial “para aplicar esta metodologia”.
Ainda com base nos dados do BUPi, no continente 506.451 cidadãos identificaram as suas propriedades, apoiados por 761 técnicos alocados, enquanto na Madeira se registaram 7.239 cidadãos, com apoio de 26 técnicos.
Em termos de municípios, no continente, Miranda do Douro (distrito de Bragança) lidera na percentagem de propriedades identificadas, com 68%, seguido de Amares (Braga), com 64%, Penedono (Viseu), com 62%, Penalva do Castelo (Viseu), com 61%, e Mondim de Basto (Vila Real), com 60%.
Na percentagem de área identificada, destacam-se Alfândega da Fé (Bragança), com 70%, Manteigas (Guarda), 68%, Mira (Coimbra), 67%, e São João da Pesqueira (Viseu) e Miranda do Douro, com 66%.
Na Madeira, nas propriedades identificadas, Ponta do Sol e São Vicente têm 11%, seguidos de Ribeira Brava (10%), Calheta (8%) e Porto Moniz (6%), enquanto em área lidera Porto Moniz (57%), seguindo-se São Vicente (54%), Ponta do Sol (42%), Ribeira Brava (19%) e Calheta (14%).
O decreto-lei 87/2026, publicado a 15 de abril, em Diário da República, veio alargar procedimentos e prorrogar a gratuitidade da georreferenciação de propriedades, no âmbito do sistema de informação cadastral simplificado e do BUPi, até 30 de setembro.
O diploma, que entrou em vigor a 16 de abril, altera a lei 78/2017, destinada a “um eficaz planeamento, gestão e decisão sobre o território nacional e uma eficiente definição de políticas públicas de prevenção de riscos e combate aos incêndios rurais”.
No diploma estipula-se que “são gratuitos, até 30 de setembro”, os atos “que abranjam prédios rústicos ou mistos com área igual ou inferior a 50 hectares” e que, “a partir de 01 de outubro”, por cada representação gráfica georreferenciada (RGG) serão cobrados 15 euros, até ao nono registo, e 10 euros a partir da décima RGG.
Determina-se ainda que, nas candidaturas a apoios financeiros, “designadamente de fundos da União Europeia, fundos nacionais ou outros”, que “tenham por objeto prédios rústicos ou mistos, devem ser instruídos com RGG”.
Por outro lado, “as RGG relativas aos bens imóveis do domínio privado do Estado, das regiões autónomas, das autarquias locais e dos institutos públicos devem ser realizadas até 31 de dezembro de 2027”.
A alteração legislativa, explicou a coordenadora da eBUPi, Eugénia Amaral, “era aguardada há algum tempo” e apresenta “algumas novidades importantes para o regime”, como a “necessidade de apresentação” da RGG “no momento da titulação”, além de no registo, “que vai dar uma maior segurança às transações imobiliárias”, pois os intervenientes asseguram-se logo “da localização, limites e área do prédio que está a ser transacionado”.
Eugénia Amaral considerou que a “melhoria contínua do sistema e da plataforma informática permitirá conhecer melhor o território e caminhar para “interoperabilidade entre sistemas”, entre a Autoridade Tributária, Direção-Geral do Território e Instituto de Registos e Notariado.
“De maneira a que o cidadão, no fundo, só se desloque uma vez a uma destas entidades e que não haja a necessidade de se deslocar múltiplas vezes para resolver um assunto”, concluiu.
Economia: Matadouro do Cachão entrou em processo de insolvência
O matadouro industrial do Cachão, localizado em Frechas, no concelho de Mirandela, entrou em processo de insolvência, após um dos credores ter solicitado a cobrança da dívida que atinge quase um milhão de euros, informou a administração.
O administrador do matadouro do Cachão, que tem como acionistas maioritários os municípios de Mirandela e de Vila Flor, informou que a “insolvência foi requerida por um dos credores do matadouro”, a Ares Lusitani.
“Estamos a falar de uma dívida original de cerca de 400 mil euros, que resulta de um financiamento ao BES, (…) e, com a capitalização do juro, neste momento já se fixa em valores próximos dos 983 mil euros”, adiantou o administrador Michel Monteiro.
Contactada pela Lusa, até ao momento não foi possível obter esclarecimentos da Ares Lusitani.
Questionado sobre a razão de a dívida ter vindo a crescer, o responsável explicou que a causa estará da diminuição de exploração de animais para abate.
“Se já estamos a injetar dinheiro no matadouro para ter atividade operacional em normal funcionamento, pouca margem nos deixa para conseguir amortizar o passivo que foi constituído”, referiu.
O matadouro industrial do Cachão emprega 23 trabalhadores, “na maioria com idades entre os 63 e 66 anos”. Apesar de o processo de insolvência estar a decorrer, continua a “mantêm-se em total e pleno funcionamento” e até ao momento “ninguém foi despedido”.
Caso o processo seja fechado e seja declarada insolvência, Michel Monteiro garantiu que os colaboradores “terão de ser ressarcidos dos seus direitos”.
Ainda assim, decorre ainda o prazo para entrega da reclamação dos créditos, por parte dos credores, e depois disso, os municípios de Mirandela e Vila Flor irão apresentar um “plano de recuperação”, que será votado na assembleia de credores.
“Pode acontecer o plano não ser aprovado nesta primeira fase, pode acontecer haver um ajustamento no plano e ser votado posteriormente, ou seja, este processo ainda se pode arrastar durante algum tempo ou pode ficar já definido daqui a quatro, cinco ou seis semanas caso os credores concordem com o plano de recuperação. Está nas mãos dos credores, não ficará nas mãos dos acionistas”, vincou Michel Monteiro.
O administrador salientou que esta dívida é uma herança de anteriores administrações, mas os municípios estão empenhados para resolver o problema.
“Os acionistas, mesmo sabendo que temos um enorme défice de exploração, que resulta da constante diminuição de efetivos para abate, tem mantido o matadouro a funcionar (…) Os acionistas estão verdadeiramente dedicados em manter aquela valência em funcionamento (…) Se fosse entregue a um privado não aguentaria um mês. Nenhuma empresa compra uma empresa para ter prejuízo”, afirmou.
Numa nota enviada à Lusa, a CDU revelou que já tinha questionado o presidente da câmara de Mirandela, Vítor Correia, numa Assembleia Municipal, sobre a possível insolvência do matadouro. No entanto, disse não ter obtido qualquer resposta.
“O MIC (matadouro industrial do Cachão) encontra-se insolvente, uma vez que o seu passivo é superior ao seu ativo em cerca de 2,3 milhões de euros, e, portanto, deverá vir a ser declarada a sua insolvência. Pelo facto de o Município deter uma participação de 49,1% na sociedade intermunicipal AIN (Agroindustrial do Nordeste, E.I.M, S.A.) e esta, por sua vez, deter a totalidade do capital (100%) da sociedade MIC (Matadouro Industrial do Cachão, S.A.) verificamos que a sociedade A.I.N. nunca efetuou a cobertura dos prejuízos da sociedade M.I.C. (…) e que, a esta data, deverão ultrapassar 3 milhões de euros”, pode ler-se no comunicado.
Confrontado com esta informação, o administrador Michel Monteiro disse que “a questão nem é o passivo ser superior ao ativo”, mas sim a “fragilidade dos capitais próprios”.
A CDU entende que “a gravidade deste possível desfecho é profundamente negativo para os trabalhadores que perdem o seu posto de trabalho” e, por isso, vai questionar, na Assembleia da República, o ministro da Agricultura “sobre as medidas em curso para garantir que os produtores locais não ficam impedidos de abater os seus efetivos”.
O SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, também já se pronunciou. “Esta decisão representa o culminar de um longo processo de má gestão, marcado por opções de endividamento cuja finalidade nunca se traduziu na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade. Trata-se de um caminho que foi sendo sucessivamente avalizado pelas autarquias de Mirandela e Vila Flor”, afirmou, num comunicado enviado à Agência Lusa.
Além de salientar os postos de trabalho que podem ficar em causa, o sindicato realçou ainda a importância da pecuária para o nordeste transmontano, um dos “principais pilares de subsistência da região”, que entende que “não pode ser abandonada”.
“Não existe, neste momento, qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento”, vincou, acrescentando que “o eventual encerramento do Matadouro Industrial do Cachão representará uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes, agravando as dificuldades já existentes, pela perda de infraestruturas essenciais e de capacidade produtiva”.
O matadouro do Cachão sofreu obras recentemente. Em janeiro de 2025, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária fechou a infraestrutura por falta de condições e de manutenção do equipamento, obrigando à realização de obras. Reabriu cerca de um mês depois, após um investimento de 17 mil euros do município de Mirandela, segundo adiantou, à Lusa, a câmara.
Angola: Papa denuncia «chaga da corrupção» e pede superação das divisões da guerra civil
Na sua visita a Angola, o Papa Leão XIV defendeu em Luanda a superação definitiva das divisões e a cura da “chaga da corrupção” no país, através de uma nova cultura de justiça e partilha.
“Podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, disse Leão XIV na homilia da Missa a que presidiu na esplanada do Kilamba, arredores da capital angolana.
O pontífice foi acolhido por uma multidão em festa, que as autoridades locais, percorrendo o espaço em veículo aberto.
A homilia, no terceiro domingo do tempo da Páscoa, estabeleceu um paralelo entre o desânimo dos discípulos de Emaús e a história recente do de Angola, “país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade”.
“A conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”.
Leão XIV dirigiu-se especificamente aos jovens angolanos, desafiando-os a serem protagonistas de uma transformação social baseada na compaixão.
“Jesus Ressuscitado, que percorre o caminho convosco e por vós se parte como pão, encoraja-vos a ser testemunhas da sua ressurreição e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade”, declarou.
A intervenção deixou um aviso sobre a necessidade de separar a fé católica de elementos específicos da religiosidade local.
“É necessário estar sempre atentos às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual”, precisou o pontífice.
Muitas pessoas pernoitaram no local, para poderem aceder aos locais mais próximos do altar, sendo acompanhadas pelo dispositivo de segurança implementado pelas autoridades angolanas.
A Igreja Católica no país lusófono organizou a presença de delegações de todas as dioceses e das várias comunidades religiosas presentes em Angola, que o Papa desafiou a “construir espaços de fraternidade e paz”, com “gestos de compaixão e solidariedade”.
“A história do vosso país, as consequências ainda difíceis que suportais, os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza exigem a presença de uma Igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos”, disse-lhes o Papa.
“A Boa Nova do Senhor, hoje também para nós, é precisamente esta: Ele está vivo, ressuscitou e caminha ao nosso lado enquanto percorremos o caminho do sofrimento e da amargura, abrindo-nos os olhos para que possamos reconhecer a sua obra e concedendo-nos a graça de recomeçar e reconstruir o futuro.”
No final da Missa, o arcebispo de Luanda agradeceu a presença do Papa, classificando o dia como um momento de “encanto jubiloso”.
“Obrigado por nos recordardes que devemos ser um povo unido no bem, na verdade e na justiça; povo de irmãos de mãos dadas comprometido com a felicidade, e o bem-estar do outro”, disse D. Filomeno Vieira Dias.
A agenda papal prossegue esta tarde, com a recitação do terço no Santuário da Muxima, após uma deslocação em helicóptero, ao longo de mais de 100 quilómetros.
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São Paulo II ter realizado uma visita apostólica ao país, que incluiu uma passagem por São Tomé e Príncipe, entre os dias 4 e 10 de junho de 1992; e depois Bento XVI, de 20 a 23 de março de 2009.
Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do atual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.
A deslocação conclui-se a 23 de abril, na Guiné Equatorial.
III Domingo da Páscoa – Ano A / 1.º Dia da Semana de Oração pelas Vocações
Reconhecer Jesus Ressuscitado
At 2, 14.22-33 / Slm 15 (16), 1-2a e 5.7-8.9-10.11 / 1 Pe 1, 17-21 / Lc 24, 13-35
São Lucas mostra-nos dois discípulos caminhando tristes na direção de Emaús. É a tarde do dia da ressurreição. Mas o coração deles está atordoado com o que aconteceu dois dias antes. Dizem a Jesus com espanto: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou».
Na verdade, o caso destes dois discípulos mostra que a descoberta do Senhor ressuscitado não é necessariamente linear. Pode passar por escuridões do coração: «Jesus aproximou-se deles e pôs-se com eles a caminho. Mas…»; «Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas…».
Levou tempo até que os olhos destes discípulos se abrissem. Reconheceram Jesus ao final do dia. Não se esqueça, aliás, que nem os que já descobriram o Senhor ressuscitado estão livres de passar por escuridões do coração. É precisamente a pensar nestas escuridões que Pedro nos dirige a sua exortação.
Diz ele nos Atos dos Apóstolos: «Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus»; «Vós destes-lhe a morte»; «Mas Deus ressuscitou-o». Diz ele também na sua 1.ª Carta: «Por Ele [Cristo] acreditais em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus».
Argozelo: Concerto de Páscoa no Santuário de São Bartolomeu
O Santuário de São Bartolomeu, em Argozelo, é o palco do concerto de Páscoa “Projeto Luz Cantar Amor de Deus”, um espetáculo de música sacra, agendado para a tarde de Domingo, dia 19 de abril.
O concerto é uma iniciativa das Paróquias de Argozelo, Carção, Santulhão e Matela, em colaboração com o município de Vimioso.
Numa antevisão ao concerto, o superior da comunidade dos Frades Capuchinhos Franciscanos, Frei Hermano Filipe, convidou todos os paroquianos a assistir ao espetáculo musical, que está agendado para as 17h00, no santuário de São Bartolomeu, afirmando que “a música sacra é um meio de proximidade e comunhão com Deus”.
Desde o Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor (5 de abril), a Igreja Católica está a celebrar o Tempo Pascal, um período de 50 dias que decorre até o Domingo de Pentecostes, que este ano se celebra a 24 de maio.
Meteorologia: Fim-de-semana com temperaturas próximas dos 30 graus
Neste fim-de-semana, Portugal continental e o arquipélago da Madeira estão com risco elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV), estando previstas temperaturas até 30 graus em algumas regiões, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O arquipélago da Madeira e os distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro estão com níveis muito elevados de exposição à radiação ultravioleta (UV).
Por sua vez, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Aveiro, Coimbra e Leiria têm elevados de exposição à radiação ultravioleta (UV). .
O risco de exposição à radiação UV vai permanecer elevado no continente e no arquipélago da Madeira no fim de semana, estando previstas no sábado, temperaturas máximas de 30 graus em distritos como Beja, Évora, Setúbal e Santarém.
Em Lisboa, Braga, Bragança, Castelo Branco, Portalegre, Coimbra, Viseu, Vila Real e Leiria são esperadas temperaturas máximas entre os 25 e os 28 graus Celsius hoje e no fim de semana.
A escala de radiação ultravioleta tem cinco níveis, entre risco extremo e baixo.
Para as regiões em risco extremo, o IPMA recomenda que se evite o mais possível a exposição ao sol.
No que diz respeito a regiões com risco muito elevado, o IPMA aconselha a utilização de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’, guarda-sol, protetor solar e que se evite a exposição das crianças ao sol.
O IPMA recomenda para as regiões com risco elevado o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, ‘t-shirt’ e protetor solar.
Ambiente: Reciclagem aumentou no distrito de Bragança
Em 2025, a Resíduos do Nordeste recolheu mais de seis mil toneladas de material reciclado, no distrito de Bragança e no concelho de Foz Côa (Guarda), mais 380 toneladas do que em 2024, indicou o diretor-geral, Paulo Praça.
O diretor-geral da Resíduos Nordeste, Paulo Praça realçou que o aumento de material reciclado é “uma tendência” que se tem verificado “nos últimos anos”.
“Conseguimos crescer nos vários fluxos, nomeadamente no papel/cartão, vidro, metal e plástico, resíduos e equipamentos elétricos e também a componente de biorresíduos”, acrescentou o diretor-geral da empresa intermunicipal, responsável pela recolha de lixo nos 12 concelhos do distrito de Bragança e ainda em Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.
O material mais recolhido, no ano passado, foi papel, num total de 2.055 toneladas, seguindo-se o vidro, 1.317 e o metal, 1.068. De acordo com Paulo Praça, estes números são o resultado do trabalho que tem sido desenvolvido pela Resíduos do Nordeste e os próprios municípios, mas também pelos cidadãos.
Para conseguir alcançar números ainda mais elevados, a empresa intermunicipal vai instalar mais cerca de 150 ecopontos, que se juntam aos 1.000 já existentes, e ainda a aquisição de mais viaturas, para poderem fazer o alargamento da rede de recolha.
“O investimento global, naquilo que é a recolha seletiva no seu todo, viaturas, equipamentos, nas várias dimensões, nós temos identificado um investimento de três milhões de euros nesse âmbito. Estamos nesse momento a iniciar os processos de contratação pública para proceder à aquisição desses equipamentos e esperamos que este ano seja possível começar a haver resultados”, vincou.
No entanto, o responsável reconhece que, em Portugal, os parâmetros de reciclagem ainda ficam aquém, devido a “fatores sociais” e a uma “sociedade de consumo”.
“Face à infraestrutura disponível em Portugal, nós já devíamos ter melhor resultado, porque se virmos a rede de ecopontos instalados, ecocentros, meios alocados, devíamos ter mais e melhores resultados, mas isso depende também do cidadão, das nossas práticas”, afirmou.
Por isso, salientou a importância de sensibilizar a população para a reciclagem, nomeadamente os mais novos, crianças e jovens, com visitas à empresa e explicação de todo o processo de recolha seletiva.
Bemposta: Festival de mascarados regressa com um milhar de figurantes
De 17 a 19 de abril, a aldeia de Bemposta, no concelho de Mogadouro, é o local do Encontro de Rituais Ancestrais, no qual vão participar 70 grupos de mascarados e mais de mil figurantes de cinco países.
O evento em Bemposta é considerado um dos maiores festivais de máscaras dos rituais de inverno e de carnaval da Europa, pretendendo superar os seis mil visitantes da edição do ano anterior.
A presidente da Associação Maschocalheiro – Associação de Bemposta, Amélia Folgado, adiantou que a principal proveniência dos mascarados é a vizinha Espanha, dada localização da aldeia junto à fronteira.
“Pretendemos ultrapassar os seis mil visitantes registados em 2025, visto que este ano o encontro dos rituais vai durar três dias. Nesta iniciativa estão inseridas várias atividades como caminhadas, palestras sobre as máscaras ancestrais, com representações dos mascarados dos seis países envolvidos, pelas ruas de Bemposta, para além do grande desfile marcado para a tarde de 18 de abril”, disse.
Amélia Folgado acrescentou ainda que o encontro junta tradições de mascarados vindos vários pontos de Portugal, Espanha, Itália e Bulgária onde há novos grupos este ano, para assim existir maior diversidade neste tipo de cultura ancestral e não haver repetições face a anos anteriores.
A organização indica que o encontro se assume como “uma iniciativa de natureza transnacional”.
“Encontro de Rituais Ancestrais, reflete a posição geográfica de Bemposta na raia luso-espanhola, contando com uma forte participação de grupos e visitantes provenientes de Espanha, que se associam às diferentes atividades e reforçam a dimensão ibérica e europeia da iniciativa”, indicou a Maschocalheiro.
O momento central do evento está previsto para sábado, 18 de abril, com o desfile dos 70 grupos participantes, que vão percorrer as ruas de Bemposta com dezenas de grupos de caretos, mascarados, música tradicional e rituais ancestrais, transformando esta localidade num espaço de encontro entre culturas e comunidades.
A vereadora com o pelouro da Cultura no município de Mogadouro, Márcia Barros, explicou que este encontro é já uma referência a nível internacional e, ao mesmo tempo, promove o território, como um todo.
“Este encontro é caracterizado pela promoção do nosso património imaterial e cultural. Mas há outras vertentes, como a dinamização económica que é refletida na promoção e venda dos produtos endógenos, já que o evento atrai milhares de pessoas”, vincou.
O programa ocupa três dias de atividades e inclui jornadas técnicas de reflexão sobre máscaras e tradições rituais, exposições, mercado de produtos tradicionais, atividades para as famílias, entre ‘ateliers’ para as crianças, caminhadas, e animação musical, convidando os visitantes a descobrir o património cultural e natural do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), onde a freguesia de Bemposta está inserida.
“Com uma programação que este ano é de três dias, conseguimos fixar as pessoas na região do Planalto Mirandês que acabam por esgotar a hotelaria e a restauração”, destacou Márcia Barros.
O anfitrião destes rituais será o Chocalheiro de Bemposta, “figura emblemática” das tradições do Nordeste Transmontano.
O VI Encontro Internacional de Rituais Ancestrais é realizado em parceria com o município de Mogadouro e com a Junta de Freguesia de Bemposta, e com o apoio do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Duero-Douro e da Movhera.