Agricultura: Vespa da galha do castanheiro afeta soutos em Bragança 

Agricultura: Vespa da galha do castanheiro afeta soutos em Bragança

A vespa da galha do castanheiro está a afetar severamente soutos em algumas freguesias do concelho de Bragança, alertaram agricultores e autarcas, estando previstas 100 largadas do parasitoide que combate a praga.

Os soutos de algumas zonas das freguesias de Carragosa, Parâmio, Salsas e Serapicos estão com um ataque considerado “severo” da vespa da galha do castanheiro, uma praga que cria galhas nos gomos e nas folhas da árvore, impedindo o seu crescimento e frutificação.

Um castanheiro fortemente afetado significa que mais de metade dos gomos de um só ramo tem vespa.

Virgílio Martins é um dos produtores afetados na aldeia de Vila Boa, freguesia de Serapicos. Tem 50 hectares de castanheiros.

Nesta altura do ano começam a surgir os gomos nas árvores e o agricultor já vê alguns afetados.

“Eu andei a enxertar e aqueles gomos que estão a sair agora estão completamente cheios de vespa (…). A mim, dá-me a impressão que é pior que o ano passado (…) aqui há zonas que é demais”, contou, à Lusa, o produtor.

A vespa da galha do castanheiro foi detectada, pela primeira vez, no distrito de Bragança, em 2017.

Não há uma cura para a praga, mas o seu controlo tem sido feito através de largadas do parasitoide ‘Torymus sinensis’, que se instala no castanheiro e se alimenta da vespa.

“No ano passado andaram a pôr [o parasitoide] mas não vejo, a bem dizer, melhoras”, afirmou Virgílio Martins.

Albino Bento, coordenador do Instituto Politécnico de Bragança e responsável pelo combate da praga, adiantou que esta semana começarão a fazer largadas do parasitoide, estando previstas 100 para o concelho de Bragança e outras 100 para o concelho de Vinhais, num protocolo estabelecido com ambos os municípios.

“Continuaremos com ataque elevado, sim. O ano passado foram feitas muitas largadas em toda aquela zona e a ideia será essa, será concentrar as largadas nas aldeias que estão com ataques mais elevados”, explicou.

De acordo com o investigador, este ano prevê-se que o ataque também será severo, nos mesmos locais de 2025, ou seja, “na zona do Parâmio, Zeive, Carragosa, Salsas e Salselas”, embora tenham sido feitas largadas e a taxa de parasitismo seja elevada, ou seja, de 40 a 60% de instalação do parasitoide que se alimenta da vespa.

“A resolução não é logo de um ano para o outro. (…) O inseto não controla logo de um ano para o outro, mas eu creio que estará em condições para o ano seguinte baixar bastante”, esclareceu.

Cada vespa chega a largar entre três a seis ovos por gomos. Nos castanheiros afetados no concelho de Bragança, cada gomo tem, em média, três vespas.

“Nunca me lembro de nada disto. Isto foi só há meia dúzia de anos para cá. (…) Quando foi no princípio, melhorou um bocadinho, mas este ano está-me a parecer que é muito, mas ainda é cedo”, vincou Virgílio Martins.  

O presidente da Junta de Freguesia da Carregosa, Élio Vaz, confirmou, à Lusa, que naquela aldeia, “nos castanheiros bravos já se vê as cerejinhas”, ou seja, os gomos afetados, que ficam vermelhos e parecem cerejas.

Ainda segundo o autarca, “não é provável que melhore”, porque, no ano passado, houve um ataque muito elevado e agora há zonas onde “só se veem os casulos” da vespa.

Para esta freguesia estão previstas 10 largadas. Élio Vaz considera que são poucas e, por isso, a junta coloca em cima da mesa a possibilidade de ter de comprar mais. No entanto, é preciso cumprir o critério das largadas, que têm de estar a 500 metros de distância umas das outras.

Nas freguesias de Salsas e Serapicos, a situação não é diferente. “Estão muito afetados. O castanheiro na nossa zona, Salsas, Freixeda, Vila Boa, Serapicos, está muito afetada pela vespa”, reiterou, à Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Salsas, Filipe Caldas.

Devido à vespa da galha do castanheiro, mas também a outras doenças do castanheiro, como a tinta e o cancro, e às alterações climáticas, a produção de castanha teve uma quebra de “50%” nesta zona do concelho de Bragança.

Em Portugal, cerca de 85% da produção de castanha é proveniente de Trás-os-Montes. Nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto, por ano.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr

Pecuária: Atrasos no pagamento de indemnizações por ataques de lobos

Pecuária: Atrasos no pagamento de indemnizações por ataques de lobos

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) admitiu que há pagamentos em atraso, de indemnização por ataques de lobos a explorações pecuárias, nas regiões Norte e Centro do país.

O esclarecimento do ICNF surge após alguns pastores do planalto mirandês terem manifestado descontentamento pelos atrasos no pagamento dos prejuízos, alegadamente provocados pelos ataques de lobos a rebanhos, nos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso.

O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) justificou que “os pagamentos que se encontram em atraso referem-se a comunicações ocorridas durante o ano de 2026, encontrando-se já uma parte dos processos em pagamento”, indicou.

Segundo o ICNF, os pagamentos são realizados pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) após transferência das verbas correspondentes às validações técnicas efetuadas por este organismo público.

O ICNF acrescentou ainda que “os processos pendentes de 2025 estão associados à necessidade de regularização do registo da morte dos animais no Sistema Nacional de Informação e Registo Animal (SNIRA)”.

De acordo com este Instituto, os valores de referência a atribuir por animal, no caso das espécies elegíveis para indemnização (bovinos, ovinos, caprinos, equídeos e cães de proteção e condução de gado), por danos causados pelo lobo, encontram-se definidos no Despacho n.º 14 506/2025, de 5 de dezembro de 2025.

“Estes valores variam em função da raça, sexo, classe etária e respetivo valor comercial”, indicou.

Segundo o ICNF, no corrente ano de 2026, já foram registadas um total de 326 comunicações, de alegados danos causados por lobo nas regiões Norte e Centro.

Em 2025 foram registados 510 prejuízos confirmados.

O ICNF reitera que o lobo-ibérico possui em Portugal o estatuto de “Em Perigo” (Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental), sendo uma espécie protegida.

Estima-se que a população ronde os 300 animais em Portugal, o que corresponde ao valor médio da estimativa de 190 a 390 lobos. A nível da União Europeia(UE), é considerado uma espécie prioritária de interesse comunitário pela “Diretiva Habitats”.

Sendo reconhecida a importância do lobo-ibérico no equilíbrio natural dos ecossistemas, na valorização e diferenciação do território, Portugal tem estado comprometido em conciliar a sua conservação com a presença e as atividades humanas.

Entre as medidas previstas destacam-se as indemnizações por danos causados pelo lobo-ibérico, cujo valor foi recentemente atualizado, traduzindo-se num aumento justo para os produtores de gado, porque passará a considerar a espécie pecuária atacada e o seu custo no mercado.

O despacho, publicado em dezembro de 2025, “produziu efeitos a partir de janeiro de 2026, e refletiu-se num aumento médio de mais de 200% nas indemnizações pagas aos produtores de gado”.

Esta atualização acontece no âmbito do Programa Alcateia 2025-2035 que estabelece, para os próximos 10 anos, medidas dirigidas à conservação/restauro ecológico da população do lobo-ibérico em Portugal.

Este programa tem financiamento garantido pelo Fundo Ambiental para projetos no âmbito da conservação da natureza, biodiversidade e apoio direto à conservação do lobo.

Desde 2024, que as proximidades dos ataques dos lobos às aldeias estão a sobressaltar os produtores de ovinos e caprinos.

Um grupo de pastores do planalto mirandês já se queixou que os ataques de lobos ocorridos são “uma calamidade” e pedem a atuação do Governo para ajudar a solucionar este problema que causa “avultados prejuízos”.

Os pastores dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro já tinham afirmado que alguma coisa tinha que ser feita e que não podem continuar a criar animais que contribuem para a economia desta região devido aos ataques de lobos.

Fonte: Lusa | Fotos: HA e PA

Fiscalidade: MCTM critica demora na cobrança do IMI das barragens

Fiscalidade: MCTM critica demora na cobrança do IMI das barragens

O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) criticou o Estado pela demora em cobrar os impostos devidos pelas barragens, como o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).

“Achamos estranho que, ao fim de quase seis anos, o Estado ainda não tenha sido capaz de cobrar um cêntimo, nem dos impostos sobre o negócio da venda das barragens [e de outros centros eletroprodutores], nem do IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis]. A luta do Movimento conseguiu que a justiça reconheça que as populações têm direito a mais de 500 milhões de euros deste imposto”, disse o membro do Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM), Óscar Afonso.

Óscar Afonso acrescentou ainda que os acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo (STA) ditam que “há lugar a cobrança de Imposto Municipal sobre Imóveis [IMI] e que, até data, são mais de 40 acórdãos favoráveis à cobrança deste imposto, em centrais elétricas, fotovoltaicas e eólicas”.

“O que nós defendemos é que, agora, cabe ao Governo aplicar a lei que estabelece que há lugar à cobrança do IMI e não aterrar essa mesma Lei”, vincou o também economista.

Em comunicado, o MCTM avançou “que há intenção de alterar o Código do IMI, na parte em que esta lei obriga as concessionárias de centros eletroprodutores a pagar este imposto”.

O Movimento cívico, que desde 2020 se tem debatido pelo pagamento dos impostos em dívida sobre a venda de seis barragens em Trás-os-Montes, acrescentou ainda que se “está a ponderar o formato dessa alteração legal para evitar contencioso”.

Para o MCTM, “a justiça colocou uma pedra sobre este assunto e cabe ao Governo cobrar os impostos, que são devidos, devendo concentrar-se exclusivamente nisso”, assinalando que “a lei não tem que ser alterada” mas “tem que ser aplicada”.

“Alertamos o Governo: se essa proposta [alteração ao Código do IMI] for por diante, pediremos às populações que se levantem e não permitam mais esta ofensa aos seus direitos”, reiteraram os membros do MCTM.

Em 7 de novembro, o ministro da Finanças confirmou que o Governo vai apresentar uma proposta de lei sobre as regras de cobrança do IMI das barragens.

A informação foi avançada por Joaquim Miranda Sarmento em resposta à bancada do PCP durante uma audição no parlamento no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), durante a qual foi abordada a decisão do Ministério Público relativa ao negócio da venda de seis barragens do Douro Internacional pela EDP ao consórcio liderado pela Engie.

“Haverá uma proposta legislativa a vir a este parlamento [sobre o IMI] muito em breve”, disse então o ministro, sem, no entanto, esclarecer quando é que o executivo o fará.

Já este ano, no final de março, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais disse que as alterações que o Governo quer fazer às regras do IMI das barragens e parques eólicos terão de ser tomadas com cuidado para não colocar em causa as cobranças atuais.

“As alterações têm que ser ponderadas. Qualquer alteração legislativa precisa de acautelar e não pôr em causa aquilo que temos à data de hoje”, referiu Cláudia Reis Duarte numa audição no parlamento, advertindo que qualquer mudança na legislação, por si só, “pode gerar novo contencioso”.

A secretária de Estado falava na Comissão de Orçamento Finanças e Administração Pública ao lado do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, na sequência de um requerimento apresentado pelo Chega para o Governo fazer um ponto de situação sobre a liquidação de impostos relativos às barragens e sobre as alterações que pretende fazer ao Código do IMI.

No final de outubro de 2025, o Ministério Público arquivou as suspeitas criminais, mas concluiu que o Estado tinha a receber 335,2 milhões de euros em impostos e mandou a AT “proceder à cobrança dos impostos em falta e que não foram pagos”.

A EDP fez saber em novembro de 2025, que cumpriu as regras fiscais na venda das barragens do Douro em 2020 e prometeu “defender os seus interesses”.

A vertente fiscal das barragens começou a ser discutida na sequência da venda pela EDP de seis barragens em Trás-os-Montes (Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Baixo Sabor, Feiticeiro e Tua), por 2,2 mil milhões de euros, a um consórcio liderado pela Engie, tendo o negócio ficado concluído no final de 2020.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr e HA

Campo de Víboras: I Feira dos Tendeiros e Lavradores a 2 e 3 de maio

Campo de Víboras: I Feira dos Tendeiros e Lavradores a 2 e 3 de maio

No fim-de-semana de 2 e 3 de maio, a aldeia de Campo de Víboras organiza a I Feira dos Tendeiros e Lavradores, um novo certame no concelho de Vimioso, que tem como propósitos homenagear a gente trabalhadora e resiliente desta localidade e simultaneamente promover os produtos e as tradições locais.

A I Feira dos Tendeiros e Lavradores é uma iniciativa da União de Freguesias de Algoso, Campo de Víboras e Uva, em colaboração com o município de Vimioso. De acordo com o representante da freguesia, Nuno Santos, o certame pretende destacar o papel histórico dos tendeiros e dos lavradores, figuras centrais na construção da identidade social e económica desta aldeia do concelho de Vimioso.

“Decidimos organizar uma feira para homenagear as gentes do Campo de Víboras, que ao longo de várias gerações procuraram continuamente melhores condições de vida. Inicialmente, os tendeiros dedicaram-se ao comércio ambulante, com a venda de tecidos a metro, como o riscado, tirilene, burel, cotim, seda, nylon e linho para fazer o vestuário. Simultaneamente, o certame é também uma homenagem aqueles que permaneceram na aldeia, os lavradores e que dedicaram as suas vidas à lavoura e ao cultivo da terra”, justificou o autarca de Campo de Víboras.

Sobre a história dos tendeiros, Nuno Santos elogiou a audácia, de homens e mulheres, que singraram na vida ao desenvolver a sua atividade comercial por todo o país.

“Durante décadas, os tendeiros souberam adaptar-se às diferentes procuras do mercado. Da venda inicial de tecidos passaram depois para as colchas e os bordados. Depois veio a venda de ouro e mais tarde, alguns antigos tendeiros converteram-se em empresários da construção civil”, informou.

A par da homenagem aos tendeiros e lavradores, outro objetivo do certame que decorre nos dias 2 e 3 de maio, no Campo de Víboras, é apoiar os agricultores e artesãos da região, na promoção e comercialização dos produtos.

“Na I Feira dos Tendeiros e Lavradores vão participar 20 produtores e artesãos, expondo produtos como o fumeiro, a doçaria tradicional, frutos secos, azeite, vinho e licores, bijuteria, artesanato e até vestuário (em homenagem aos tendeiros). Atualmente, no Campo de Víboras está a realizar-se um grande investimento na plantação de olivais. Nesta localidade já se produz azeite de qualidade e por isso gostaria de promover na feira, as marcas Distintus e Meirinhos. Também na pecuária, em Campo de Víboras ainda há um criador de bovinos de raça mirandesa e por isso vamos organizar as tradicionais chegas de touros”, justificou o autarca.

O programa da I Feira dos Tendeiros e Lavradores, em Campo de Víboras, tem outros destaques como são a caminhada até ao marco geodésico, na manhã de sábado.

“A caminhada até ao marco geodésico tem uma distância de 3,5 quilómetros, num percurso de ida e volta. No regresso à aldeia, os caminhantes têm direito ao almoço no recinto da feira. As inscrições para a caminhada são feitas através do contato 914 950 557”, informou, Nuno Santos.

Anualmente, a festa religiosa dedicada a Nosso Senhor dos Aflitos, conta com o regresso de muitos conterrâneos, que vivem e trabalham noutras localidades do país e no estrangeiro. Este ano, a realização simultânea da festa e da I Feira dos Tendeiros e Lavradores está a gerar expetativa, pelo que a organização espera a afluência de muita gente, no fim-de-semana de 2 e 3 de maio.

“A festa em honra de Nosso Senhor dos Aflitos começa no dia 24 de abril, com a procissão da imagem de Cristo da capela para a igreja matriz. De 24 de abril até ao dia 3 de maio, celebra-se diariamente, a novena com a eucaristia, às 20h00, na igreja matriz. No Domingo, dia 3 de maio, o momento alto da festa é a celebração da eucaristia, seguida da procissão à volta da aldeia”, indicou Nuno Santos.

Na tarde de Domingo, dia 3 de maio, outro destaque da I Feira dos Tendeiros e Lavradores é a palestra sobre a “Origem e história dos Tendeiros”.

«A palestra é moderada pela vice-presidente do município de Vimioso, Cristina Miguel e tem como convidados José Augusto Heleno da Fonseca, autor do livro “Campo de Víboras no Caminho de Santiago” e várias pessoas naturais de Campo de Víboras que vão dar o seu testemunho sobre a vida de tendeiros», adiantou.

Na aldeia de Campo de Víboras, segundo o último censos, residiam 154 pessoas. Nos últimos anos, tem-se registado um significativo investimento na agricultura, nomeadamente no cultivo de olivais e amendoais, o que explica o regresso de pessoas à aldeia.

“Sim, felizmente há cada vez mais pessoas que estão cansadas de viver nas cidades e decidem regressar definitivamente à aldeia, para se dedicarem, por exemplo, à agricultura, nomeadamente ao cultivo do olival e amendoal. Foi o meu caso, que no ano 2022, juntamente com a minha esposa decidimos sair de uma grande cidade como o Porto, para vir viver permanentemente no Campo de Víboras”, concluiu Nuno Santos.

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Constantim: Missa campal e feira levaram portugueses e espanhóis à ermida de Nossa Senhora da Luz

Constantim: Missa campal e feira levaram portugueses e espanhóis à ermida de Nossa Senhora da Luz

No Domingo, dia 26 de abril, a romaria dedicada a Nossa Senhora da Luz, em Constantim, voltou a atrair a vinda de muito público, portugueses e espanhóis, para participar na missa campal e fazer compras na feira franca, instalada na zona envolvente à ermida da Luz.

Em Constantim, a ermida de Nossa Senhora da Luz é uma capela edificada a 890 metros de altitude, com um vista privilegiada para todo o planalto mirandês e para a província de Zamora (Espanha). Construída em plena fronteira com Espanha, esta proximidade geográfica, aliada à mútua devoção a Nossa Senhora, explica a grande afluência de portugueses e espanhóis a esta festividade, que se celebra anualmente no último fim-de-semana de abril.

Este ano, a missa dominical foi presidida pelo padre Manuel Marques e concelebrada, pelo pároco de Moveros, Pablo Cisneros e pelo pároco de Vimioso, Rufino Xavier. Na homília da missa, o padre Rufino Xavier destacou o modelo de Bom Pastor, que é Jesus.

“Neste Domingo do Bom Pastor, em que se celebra também o Dia Mundial das Vocações, é uma oportunidade para refletir como respondemos à vocação/missão que Deus nos confia? Nossa Senhora respondeu generosamente à vocação/missão que lhe foi confiada por Deus para ser a mãe de Jesus. Por isso, Maria é Nossa Senhora da Luz, a luz que é Cristo”, destacou.

A celebração religiosa terminou ao final da tarde de Domingo, com a procissão de regresso da imagem de Nossa Senhora da Luz, à igreja matriz de Constantim, animada pela música da Banda Filarmónica Mirandesa.

Durante o dia de Domingo, realizou-se na zona envolvente à ermida da Luz, a feira franca, que todos os anos conta com a participação de centenas de feirantes portugueses e espanhóis e atrai a vinda de milhares de visitantes, portugueses e espanhóis.

Antigamente, quando ainda existia controlo na fronteira entre Portugal e Espanha, a romaria da Luz, era considerada uma das mais importantes feiras do nordeste transmontano.

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Vimioso: A “liberdade” de viver no interior está em risco

Vimioso: A “liberdade” de viver no interior está em risco

Na vila de Vimioso, a comemoração do 25 de abril teve como destaque a sessão solene que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal, onde o presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Pires e os deputados municipais, Jorge Santos (PSD) e Marina Vaz (PS), foram unânimes em afirmar que a “liberdade” de viver no interior está em risco e exigem-se novas políticas para fixar as pessoas.

Em Vimioso, a comemoração do 52º aniversário da revolução dos cravos, iniciou-se na praça Eduardo Coelho, em frente à Câmara Municipal, com a cerimónia do hastear da bandeira nacional e a entoação do hino acompanhados pela Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso (A.H.B.V.V.).

Com é tradição na comemoração do 25 de abril, o presidente da Assembleia Municial, Sérgio Pires e o presidente da Câmara Municipal, António Santos. colocaram uma coroa de flores no memorial aos Antigos Combatentes.

A sessão solene teve lugar no salão nobre do Município, onde foram proferidos os discursos alusivos à importância histórica da revolução militar e política do 25 de abril de 1974.

No seu discurso, o presidente da Assembleia Municipal de Vimioso, Sérgio Pires, referiu que “comemorar a Revolução dos Cravos” é um dever de memória e uma obrigação de agradecer a todos quantos trouxeram “a liberdade, a igualdade, a fraternidade e a democracia”.

“Foi a democracia que nos trouxe o Poder Local Democrático. Foram as autarquias, as Assembleias e Câmaras Municipais, Assembleias e Juntas de Freguesias que investiram na criação de infraestruturas essenciais e possibilitaram melhores condições de vida no nosso concelho”, sublinhou Sérgio Pires.

O presidente da Assembleia Municipal lembrou ainda que no corrente ano se celebram os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia (UE).

“A par da revolução do 25 de abril, a integração europeia consumada em 1986 foi outro marco de suma importância para o fim do isolamento do nosso país, em particular para os territórios do interior, como o concelho de Vimioso. Os fundos comunitários foram o motor que acelerou o desenvolvimento local, com a construção de infraestruturas, a requalificação do património e dinamização das atividades económicas, como a agricultura, a pecuária ou o turismo”, salientou.

Do lado dos deputados municipais, Jorge Santos, do grupo municipal do PSD, corroborou da mesma opinião e no seu discurso afirmou que celebrar o 25 de abril não pode ser apenas um exercício de memória, deve ser também uma responsabilidade.

“O poder local foi sem dúvida, uma das maiores conquistas do 25 de abril de 1974. As autarquias, pela sua proximidade às populações, foram o rosto mais vísível do progresso: levaram água, luz, estradas, escolas e equipamentos. Deram dignidade aos territórios”, disse.

Contudo, o deputado social-democrata alertou que passados 52 anos, os territórios do interior como o concelho de Vimioso continuam a precisar de evolução.

“A realidade não é estática, muda, evolui e exige novas respostas. O país mudou e o interior, como o nosso concelho de Vimioso, também. Continuamos a perder população, serviços e por isso, exigem-se novas respostas. Ouvir ideias diferentes não é um problema, é sim um privilégio da democracia. E a democracia constrói-se diariamente, com diálogo, respeito e capacidade de fazer melhor no poder local”, disse.

O partido socialista (PS) confiou à jovem deputada municipal, Marina Vaz, a responsabilidade de discursar na sessão solene do 52º aniversário da revolução de abril.

“Eu sou neta de abril, não estive lá, mas sei exatamente o que está em causa. Aprendi com os meus pais, tios e alguns professores o que significava a liberdade. Disseram-me que a revolução do 25 de abril de 1974 transformou a resignação em esperança, a repressão em liberdade, a guerra em paz”, começou por dizer a jovem deputada municipal.

Mariana Vaz prosseguiu dizendo que a liberdade é a conquista mais importante, no entanto alertou que este valor é frágil e tem que ser defendido constantemente.

“A liberdade também se mede na capacidade de escolher viver na nossa tera, no concelho de Vimioso, mas atualmente esta escolha está cada vez mais condicionada. O despovoamento continua. Por isso, precisamos de políticas que fixem as pessoas, que atraiam investimento, que valorizem o que é nosso: da agricultura ao turismo, da identidade cultural ao potencial humano”, indicou.

Após a sessão solene, realizou-se no salão nobre da Câmara Municipal de Vimioso, a sessão ordinária da Assembleia Municipal.

Em Vimioso, o programa da comemorativo do 25 de abril prosseguiu durante a tarde, no Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), com uma audição da Escola de Música da A.H.B.V.V. e uma merenda convívio.

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Argozelo: Frades Capuchinhos têm um novo sacerdote

Argozelo: Frades Capuchinhos têm um novo sacerdote

Em Argozelo, a comunidade dos frades capuchinhos tem um novo sacerdote, após a ordenação presbiteral, no Domingo, dia 26 de abril, de Frei John Naheten, natural de Timor Leste, uma celebração que decorreu na Igreja dos Capuchinhos, em Gondomar.

A celebração da ordenação sacerdotal foi presidida pelo bispo emérito de Angola-Viana, D. Joaquim Lopes, no IV Domingo da Páscoa, também chamado de Domingo do Bom Pastor.

A comunidade dos frades capuchinhos, em Argozelo, é agora constituída pelos sacerdote português, frei Hermano Filipe, por frei Hermenegildo Sarmento e frei John Naheten, ambos religiosos capuchinhos nascidos em Timor-Leste.

Na diocese de Bragança-Miranda, a comunidade dos Franciscanos Capuchinhos iniciaram a sua atividade apostólica a 6 de outubro de 2023, com uma “Fraternidade Itinerante de Presença e Apostolado” (FIPA), colaborando com a igreja local, na celebração dos sacramentos, na formação bíblica, na pastoral juvenil-vocacional, na pregação e na visita aos idosos e doentes.

Após o falecimento a 6 de janeiro, do Padre Aníbal da Anunciação, os Frades Capuchinhos assumiram as paróquias de Argozelo, Carção, Santulhão e Matela, acumulando esta responsabilidade com a administração dos cursos bíblicos na diocese de Bragança-Miranda.

Os Capuchinhos – Frades de hábito marrão e de capuz pequeno, surgiram em Itália, no século XVI, com o objetivo de observar rigorosamente a “Regra e Vida dos Frades Menores, escrita por São Francisco de Assis e praticar a pobreza radical, a oração contemplativa e a vida missionária anunciando a todos, o Evangelho de Jesus Cristo.

“A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFM.Cap) é um ramo da Família Franciscana que tem São Francisco de Assis como pai e fundador. No século XVI, houve a reforma capuchinha em que os franciscanos desejavam regressar ao espírito de São Francisco de Assis (1181-1226), num estilo de vida assente na proximidade às pessoas, em particular nas regiões onde mais ninguém queria ir, como talvez seja hoje o interior de Portugal”, disse Frei Hermano Filipe.

Em Portugal, os religiosos da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos estão presentes em Barcelos (Arquidiocese de Braga), no Porto, Gondomar, Fátima, Lisboa (Paróquia do Calhariz de Benfica), na Baixa da Banheira (Diocese de Setúbal), e têm uma Fraternidade Itinerante de Presença e Apostolado (FIPA), na Paróquia de Argozelo (Vimioso), da Diocese de Bragança-Miranda.

HA



O Senhor é meu pastor

IV Domingo da Páscoa – Ano A / Domingo do Bom Pastor / Último Dia da Semana de Oração pelas Vocações

O Senhor é meu pastor

At 2, 14a.36-41 / Slm 22 (23), 1-3a. 3b-4.5.6 / 1 Pe 2, 20b-25 / Jo 10, 1-10

No Evangelho de São João, Jesus conta a parábola do bom pastor. Sabe muito bem o que está a dizer e para quem está a falar. Refere a relação personalizada entre o pastor e as ovelhas. Da parte do pastor: «Ele chama cada uma delas pelo seu nome». Da parte das ovelhas: elas «seguem-no, porque conhecem a sua voz». De facto, Jesus tem na cabeça uma cena do quotidiano da sua gente. No início do dia, o pastor leva as ovelhas para um local de pastagem. Passa o dia todo com elas. Não possui meios de distração tecnológicos (telemóvel). Tem tempo de sobra para observar cada ovelha e perceber-lhe os tiques. O mesmo se pode dizer de cada ovelha em relação ao pastor.

Jesus é, na verdade, o bom pastor. É o nosso pastor. Cuida de nós. Diz Ele de nós: «Conheço as minhas ovelhas e elas conhecem- -me». Também nós podemos dizer d’Ele: «O Senhor é meu pastor: nada me falta».

É esta proximidade – melhor, intimidade – que fortalece a comunidade cristã. Veja-se como a pregação de Pedro produziu frutos (Atos dos Apóstolos): «juntaram- -se aos discípulos cerca de três mil pessoas». Pedro pôde dizer na sua 1.ª Carta: «Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas».

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP

O Senhor é meu pastor

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele guia-me por sendas direitas, por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo
o vosso cajado e o vosso báculo dão-me confiança.

Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários;
com óleo perfumais-me a cabeça
e meu cálice transborda.

A graça e a bondade hão-de acompanhar-me,
todos os dias da minha vida,
e minha morada é a casa do Senhor,
para todo o sempre.

Meteorologia: Fim-de-semana com sol e chuva

Meteorologia: Fim-de-semana com sol e chuva

Os distritos de Bragança, Guarda e Castelo Branco estão sob aviso amarelo, a 24 de abril, devido à previsão de chuva, por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada e de queda de granizo, segundo o IPMA.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), O aviso amarelo para estes três distritos vai estar em vigor entre as 12:00 e as 21:00 de sexta-feira, 24 de abril.

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

O IPMA prevê para 24 de abril, no continente períodos de céu muito nublado, aguaceiros e trovoada no interior, em especial durante a tarde e vento moderado de noroeste a partir da tarde.

A previsão aponta ainda para neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais, em especial do litoral Norte e Centro, pequena subida da temperatura mínima e pequena descida da máxima no interior Norte e Centro.

Na região sul está prevista uma pequena subida da temperatura máxima.

As temperaturas mínimas vão oscilar entre os 9 graus Celsius (em Viana do Castelo, Braga, Leiria, Setúbal e Évora) e os 13 (em Castelo Branco e Bragança) e as máximas entre os 19 (na Guarda, Porto, Aveiro e Viana do Castelo) e os 26 (em Santarém).

Fonte: Lusa | Imagem; IPMA

Agricultura: Candidaturas de jovens agricultores no distrito de Bragança

Agricultura: Candidaturas de jovens agricultores no distrito de Bragança

Com 69 candidaturas aprovadas, Macedo de Cavaleiros é o concelho do distrito de Bragança com mais candidaturas de jovens a projetos agrícolas, o que representa um investimento de 17 milhões de euros.

Na apresentação da feira Agrinordeste, agendada para 9 e 10 de maio, o autarca de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges realçou o impacto que a agricultura tem para o concelho e o investimento dos jovens agricultores, com o número de candidaturas aprovadas.

“Tentar fazer com que este concelho, predominantemente agrícola, fixe jovens através da agricultura, isso era essencial”, vincou.

Para isso, o município apostou numa feira agrícola, que afirma distinguir-se das demais, porque além da troca de experiência e conhecimentos, há também uma parte prática.   

“O objetivo aqui não é só ser uma simples mostra do produto, mas sim partilhar experiências, aprender como posso dinamizar, modernizar a agricultura para melhor produzir os meus produtos, não só através de seminários, mas também de experimentar, ou seja, no terreno ver e experimentar aquilo que de melhor, em termos de modernização, está a acontecer no nosso país, para depois levar essa modernização para a agricultura da nossa região e podermos evoluir”, realçou o presidente da câmara, Sérgio Borges, na apresentação do certame, hoje.

O certame vai decorrer no parque de exposições, onde vão participar 75 expositores, com produtos endógenos, maquinaria, associações agrícolas, mas também todas as juntas de freguesia do concelho, dando assim destaque à agricultura familiar. O programa do certame inclui ainda seminários, concursos de gado e animação.

O objetivo com as demonstrações e a partilha de conhecimentos durante os dois dias da feira, disse Sérgio Borges, possa por atrair mais jovens ao setor, mas também mudar mentalidades dos agricultores mais velhos, que se mostram “reticentes” à mudança,

A Agrinordeste representa um investimento de 75 mil euros ao município de Macedo de Cavaleiros, que ambiciona tornar esta feira numa referência regional e até nacional.

Na feira estará também presente o gabinete de divisão de agricultura, criado por este executivo municipal, com o intuito de prestar apoio aos agricultores de Macedo de Cavaleiros.

O município de Macedo de Cavaleiros quer ir ainda mais longe e criar um “PDM Agrícola”, isto é, fazer o cadastro agrícola do concelho, para que os agricultores saibam em que zonas é mais favorável plantar um determinado tipo de cultura.

Na região Norte, foram apresentadas cerca de 400 candidaturas, para a instalação de jovens agricultores nos concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais.

Este apoio está inserido no PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum) e financia a modernização e instalação de jovens, entre os 18 e os 40 anos, com apoio não reembolsável.

Fonte: Lusa | Foto: Flickr