Caça: Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses elegeu novos Órgãos Sociais
A CNCP – Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses elegeu a 11 de abril, em Loures, os novos Órgãos Sociais que vão dirigir a entidade no quadriénio 2026–2030.
O ato eleitoral contou com a presença de dirigentes das várias federações do país, autarcas e representantes do setor, os quais testemunharam a renovação da confiança na liderança da estrutura máxima da caça em Portugal.
Vítor Palmilha foi reconduzido como Presidente da Direção, contando com António Martins Antunes (Federação de Viseu) na Presidência da Assembleia Geral.
José Fernando Figueiredo Luís (Federação do Algarve) mantém-se na presidência do Conselho Fiscal, enquanto Manuel Carvalho Pereira, da mesma federação, assume a presidência do Conselho Jurisdicional.
O Conselho Técnico passa a ser liderado por Manuel António Carvalho (Federação da 1.ª Região Cinegética), ao passo que Jorge Íris Nogueira (Federação da Beira Interior) assume a liderança do Conselho Disciplinar e Nelson Ribeiro Coutinho (OESTECAÇA) a presidência do Conselho de Arbitragem.
No seu discurso de tomada de posse, Vítor Palmilha deixou claro que este será o seu último mandato à frente da Confederação. O dirigente afirmou que, perante os desafios do setor, não podia ficar indiferente aos apelos de vários quadrantes que o motivaram a avançar para mais este mandato. Vítor Palmilha assegurou que tudo fará para defender os interesses dos caçadores e preparar uma nova liderança, que continue a pugnar pelos direitos e deveres dos caçadores e do mundo rural.
Durante a cerimónia, foi destacado o papel fundamental dos caçadores na recuperação do património cinegético e na preservação da fauna e flora, sublinhando-se o peso económico do setor e a urgência de medidas concretas por parte do Governo.
A encerrar a sessão, Vítor Palmilha manifestou total disponibilidade para colaborar com as entidades públicas, apelando, contudo, a que as reformas não sejam feitas à revelia das organizações e mantendo o compromisso de união entre as várias federações que compõem a CNCP, do Minho ao Algarve.
Atualmente, a Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses agrega as seguintes federações: Federação de Caçadores de Entre Douro e Minho; Federação das Associações de Caçadores da 1.ª Região Cinegética; Federação dos Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu; Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral; Federação de Caça e Pesca da Beira Interior; FEDERCAÇA – Federação de Caçadores do Centro; OESTECAÇA – Federação das Zonas de Caça do Oeste; FAC – Federação Alentejana de Caçadores; Federação de Caçadores do Algarve.
Miranda do Douro: Candidaturas ao Orçamento Participativo Jovem até 29 de maio
O município de Miranda do Douro disponibiliza um montante de 10 mil euros, destinado ao Orçamento Participativo Jovem (OPJ) 2026, estando abertas as propostas até 29 de maio.
“Esta iniciativa destina-se a incentivar os jovens do concelho a desenvolverem e apresentarem projetos inovadores de interesse local e podem-se candidatar-se jovens entre os 14 e os 35 anos, que sejam residentes, estudantes ou trabalhadores no concelho”, indica autarquia.
Os projetos podem ser individuais ou coletivos, mas cada jovem só poderá submeter uma candidatura, com um orçamento máximo de 10.000€.
Os jovens que pretendam apresentar propostas ao Orçamento Participativo Jovem 2026. podem fazê-lo mediante o preenchimento da ficha de inscrição e a entrega no Balcão Único, do Município de Miranda do Douro.
Segundo o regulamento, as propostas podem abranger diversas áreas de atuação do município, sejam elas materiais ou imateriais, incluindo, o urbanismo, proteção ambiental e energia, infraestruturas rodoviárias, trânsito e mobilidade, turismo, comércio e empreendedorismo jovem, educação, juventude e desporto, ação social e cultura.
“O OPJ visa promover a participação ativa dos jovens na vida pública, incentivando o diálogo entre juventude, técnicos e decisores autárquicos. Além disso, busca estimular o empreendedorismo jovem e reforçar o sentido de cidadania e responsabilidade social”, justifica o município de Miranda do Douro.
Bragança-Miranda: Seminário promove iniciativas na Semana de Oração pelas Vocações
De 19 a 26 de abril, a Igreja Católica assinala a Semana Nacional de Oração pelas Vocações, subordinada ao tema “Eu estou contigo” e a equipa formadora do Seminário diocesano de São José, em Bragança, promove duas iniciativas.
No dia 24 de abril, na Capela do Seminário, em Bragança, terá lugar o Lausperene às 14h00 e às 21h00, uma Vigília de Oração pelas Vocações.
No dia 25 de abril, os jovens e famílias são convidados a participar numa Caminhada Vocacional até ao Santuário de Nossa Senhora da Serra.
A partida está marcada para as 09h30, junto às cruzes, sendo a Eucaristia celebrada às 12h00. Segue-se um almoço partilhado e uma tarde com atividades lúdicas.
A esta iniciativa associam-se também, nesse dia, os diocesanos que integram o Seminário Maior Interdiocesano, em Gondomar, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.
Igreja: Proximidade humana marca memória de Francisco
A proximidade humana e a descentralização estrutural marcam o legado do Papa Francisco, falecido há um ano, sublinham dois especialistas em declarações à Agência ECCLESIA.
A politóloga Sílvia Mangerona, investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, assinala a “profundidade” do pensamento político e social de Francisco, falando um Papa “radical”.
“A radicalidade tem muito a ver com a instigação da alteração dos hábitos”, precisa.
A docente universitária valoriza o conteúdo dos principais documentos do pontificado anterior, considerando os textos como guiões essenciais para a sociedade contemporânea.
“A ‘Fratelli Tutti’ ou a ‘Laudato si’ são obras que deviam ser relidas muitas vezes em voz alta”, assinala.
A herança papal abrange a promoção do caminho sinodal, estimulando a escuta das comunidades de base e fomentando o papel ativo da mulher na Igreja Católica.
A investigadora elogia igualmente o impacto das opções do pontífice argentino na diplomacia mundial e na promoção do bem comum perante a atual polarização.
“A política é a gestão da coisa pública, da comunidade”, indica.
Francisco faleceu a 21 de abril de 2025, após um pontificado de mais de 12 anos.
António Marujo, diretor do jornal digital ‘7 Margens’, especializado em informação religiosa, foca a ação do anterior pontífice na coragem de debater temas complexos e na resposta concreta aos apelos dos grupos mais vulneráveis.
“Foi claramente um Papa que pôs a Igreja a mexer”, refere à Agência ECCLESIA.
O jornalista evoca a coerência entre a retórica do pontífice e a prática visível, exemplificada pelo acolhimento de refugiados e pela criação de estruturas de apoio aos sem-abrigo no Vaticano.
“Com Francisco nós percebemos que essa palavra, essa retórica tinha consequências”, assinala.
A internacionalização das estruturas romanas representa outro marco do anterior pontificado.
“É mais uma coerência: ao falar de periferias, traduziu isso também para o interior da Igreja, trouxe estas periferias para o centro”, recorda.
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, tornou-se, a 13 de março de 2013, o primeiro Papa jesuíta e o primeiro proveniente do continente americano a liderar a Igreja Católica.
Comprometido com o combate à “indiferença” e à “economia que mata”, o pontífice deixou como uma das suas marcas o processo sinodal iniciado em 2021, desafiando a Igreja a um caminho de escuta, diálogo e maior participação de todos os seus membros.
Portugal assumiu um papel de relevo nesta geografia papal, consolidado com a visita a Fátima em 2017 — para o centenário das Aparições e a canonização de Francisco e Jacinta Marto — e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.
Na capital portuguesa, Francisco deixou o apelo a uma Igreja aberta a “todos, todos, todos”, mensagem que ressoa como o seu testamento espiritual, para muitas pessoas.
O Centro Cultural e Desportivo das Minas de Argozelo vai jogar a final da Taça Distrital de Futebol, num confronto com o Futebol Clube de Vinhais, um jogo agendado para 1 de maio, no Estádio Municipal de Bragança.
Para chegarem à final da Taça Distrital, Argozelo e Vinhais venceram nas meias finais, o CD Macedo de Cavaleiros e o Rebordelo, respetivamente.
Na tarde de 19 de abril, no Campo da Cova, na vila de Argozelo, os macedenses que partiam em vantagem, já que tinha vencido o primeiro jogo por 1-0, não conseguiram conter o ímpeto da equipa argozelense, liderada por António Forneiro, que conseguiu dar a volta à eliminatória.
No final dos 90 minutos, o Argozelo vernceu por 2-1. Dada a vitória do Macedo por 1-0, no primeiro jogo, as duas equipas tiveram que jogar o prolongamento, durante o qual ambas as formações marcaram mais um golo, chegando assim aos 3-2.
A persistência do empate (3-3) nos dois jogos, obrigou as equipas à marcação de penáltis. Na marcação das grandes penalidades, os argozeleneses foram mais eficazes e venceram por 4-3, garantindo assim a presença na final da Taça Distrital de Futebol.
O jogo da final está agendado para o dia 1 de maio, sábado, às 16h00, no Estádio Municipal de Bragança.
Historicamente, o CCD Minas de Argozelo pretende reconquistar o troféu que ergueu pela última vez na época 2016/2017. O adversário, o FC Vinhais procura nesta época conquistar a dobradinha, depois da recente conquista do campeonato.
Paradela: Cerca de 500 pessoas no IV Trail Contrabando do Café
A aldeia mais oriental de Portugal, Paradela, no concelho de Miranda do Douro, recebeu a visita de quase meio milhar de pessoas, no dia 19 de abril, para participar na corrida e na caminhada do IV Trail Contrabando do Café, um evento desportivo que proporcionou o convívio e o contato com a natureza, no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).
Em Paradela, a corrida de 18 quilómetros, do IV Trail Contrabando do Café, foi ganha pelo atleta espanhol, Manuel Martins Fernandez, seguido de Ilídio Moreiras (CDMD) e Luis Paes (GDB).
Na prova feminina, a espanhola, Verónica Rodriguez foi a primeira a chegar à meta, seguida de Anabela Martins (CDMD) e da espanhola, Tânia Lucas.
O responsável pela seção de Atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), o atleta, Alírio Sebastião, informou que o IV Trail Contrabando do Café, contou com a participação de 487 pessoas.
“Pelo quarto ano consecutivo, o Trail Contrabando do Café está a consolidar-se como uma das provas de atletismo mais importantes do campeonato distrital de Trail da Associação de Atletismo de Bragança (AAF) e do campeonato da zona norte de Trail. Nesta quarta edição do Trail Contrabando do Café, inscreveram-se 127 atletas e 360 caminhantes. Todos os anos, a organização procura proporcionar aos atletas e aos caminhantes as melhores condições, quer na limpeza e a marcação dos percursos, quer na logística de todo o evento, com o acolhimento aos participantes, os reforços e o almoço convívio final”, indicou o organizador da prova.
No início do IV Trail Contrabando do Café, em Paradela, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, felicitou o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) pela organização deste evento desportivo numa das aldeias mais emblemáticas do concelho.
“Paradela é a localidade mais oriental de Portugal, onde o sol nasce primeiro, sendo possível contemplar este facto no belíssimo miradouro da Penha das Torres, onde é também possível avistar a entrada do rio Douro no nosso país. A realização do Trail Contrabando do Café nesta localidade fronteiriça, recorda a história do contrabando com Espanha e simultaneamente dá a conhecer aos atletas e caminhantes, a extraordinária beleza natural desta freguesia, que está inserida no Parque natural do Douro Internacional (PNDI)”, destacou a autarca mirandesa.
O presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas, é um dos mais entusiastas adetpos do Trail Contrabando do Café e desde a primeira edição em 2023, colabora ativamente na organização deste evento desportivo que todos os anos, traz à localidade mais oriental de Portugal, centenas de pessoas.
“Na responsabilidade de presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, quero agradecer e elogiar o trabalho da seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro, pela organização anual do Trail Contrabando do Café, em Paradela. É já a quarta edição desta prova desportiva, que de ano para ano, traz mais gente a Paradela, o que potenciaa ainda mais o turismo de natureza, ao dar a conhecer as nossas belíssimas paisagens inseridas no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI)”, disse Nélio Seixas.
Em Paradela, uma novidade no IV Trail Contrabando do Café, foi a instalação de um mercado rural, para dar a conhecer aos visitantes, os produtos locais como o pão, doçaria tradicional, a bola doce mirandesa, mel, nozes, amêndoas, azeite, sabonetes, artesanato, entre outros produtos.
Uma das visitantes a Paradela, foi a atleta espanhola, Maite Pascual Martin, do Clube CEADEA Trail. A jovem espanhola veio da aldeia vizinha de Moveros (Espanha), acompanhada de alguns familiares, para correr os 18 quilómetros do Trail Contrabando do Café.
“Gostei muito do percurso da corrida, em particular pela beleza da natureza nesta época da primavera. No decorrer da prova fez bastante calor, o que me dificultou um pouco a corrida, mas ainda assim estou satisfeita com o meu desempenho pois concluí o percurso em 2 horas e 5 minutos, disse a jovem atleta.
Nos caminhantes, Abel Gonçalves e a esposa, Maria Otília, vieram de Palaçoulo, para participar na caminhada de 12 quilómetros do Trail Contrabando do Café. Aficionados das caminhadas, pelo bem estar físico que proporcionam, o casal de Palaçoulo revelou que têm por hábito participar em várias caminhadas ao longo do ano, em diferentes localidades.
“Para sair da rotina, ao longo do ano, procuramos participar em caminhadas em diferentes localidades. É uma atividade saudável e simultaneamente dá-nos a possibilidade de visitar outras localidades e conhecer pessoas. A caminhada aqui em Paradela, dada a orografia do terreno, foi um pouco mais exigente, com as descidas e subidas”, disse o caminhante de Palaçoulo.
Da Covilhã, Joana Meireles, veio com um grupo de amigos até Paradela, para percorrerem juntos os 12 quilómetros do Trail Contrabando do Café. Não obstante a dificuldade do percurso e o calor sentido ao longo da manhã, a jovem covilhense, mostrou-se impressionada com a beleza natural da região.
“Juntamente com sete amigos decidimos aproveitar este evento desportivo em Paradela, para viver um dia de Domingo diferente, mais ativo. Percorrer os 12 quilómetros, com descidas e subidas e o calor do sol, foi difícil, mas a animação do grupo e a beleza desta região foi uma grande motivação e o desafio está superado”, disse a jovem.
Natural de Paradela, Sandra Martins, veio expressamente da Maia, juntamente com o marido e os filhos, para participarem juntos, pelo quarto ano consecutivo, na caminhada do Trail Contrabando do Café.
“Todos os anos, em família, fazemos questão de guardar este fim-de-semana para regressar a Paradela e participarmos juntos na caminhada do Trail Contrabando do Café. Esta caminhada é também uma oportunidade de mostrar aos meus filhos a singular beleza da entrada do rio Douro em Portugal”, disse.
Questionada sobre o modo com a população de Paradela recebe as centenas de atletas e caminhantes em cada edição do Trail Contrabando do Café, Sandra Martins, enalteceu a simpatia e caráter acolhedor dos paradelenses.
“A população de Paradela é muito simpática e acolhedora. Ao longo do ano, o miradouro da Penhas das Torres atrai a vinda de muitos visitantes à aldeia e a população aprecia de sobremaneira estas visitas. Por isso, aquando da realização do Trail Contrabando do Café, os residentes na aldeia estão expectantes e recebem os atletas e caminhantes com muito agrado”, disse.
Sobre o percurso da camianhada deste ano, Sandra Martins, elogiou a organização, em particular pelo cuidado em proporcionar boas condições de acesso ao miradouro da Penha das Torres.
“De ano para ano, a secção de Atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) tem o cuidado de aprimorar o percurso, facilitando assim a passagem dos atletas e caminhantes. Como reparo à organização, em comparações com as edições anteriores, neste IV Trail Contrabando do Café faltou a encenação/animação dos guardas-fiscais em perseguição aos contrabandistas dos café”, disse.
De visita a Paradela, para acompanhar o final do Trail Contrabando do Café, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, agradeceu o contributo da seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) na dinamização do desporto no concelho.
“O trabalho que está a ser desenvolvido pelo Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) mostra a importância do associativismo, pois é um pilar importante na dinamização de atividades e eventos desportivos.”, realçou o autarca.
Por sua vez, o presidente do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), Nuno Martins, justifica o sucesso do clube com a missão (e a dedicação) de dar oportunidades aos jovens mirandeses de praticar desporto.
“Atualmente, o Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD) oferece as modalidades de futsal, atletismo e voleibol. No atletismo, quero destacar o trabalho realizado pela Alírio Sebastião, na formação de uma equipa que atualmente é constituída por quase 50 atletas, que representam Miranda do Douro em provas locais, regionais e nacionais. O sucesso do clube, nas várias modalidades, deve-se ao compromisso e a dedicação de todos: direção, equipas técnicas e atletas”, destacou o presidente do CDMD.
O Trail Contrando do Café é um evento anual, organizado pela seção de atletismo do Clube Desportivo de Miranda do Douro (CDMD), que conta com a colaboração da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, ´do Município de Miranda d Douro e o patrocínio de várias empresas.
Ambiente: Miranda do Douro lidera propriedades identificadas do BUPi (68%)
Até 16 de abril, o serviço Balcão Único do Prédio (BUPi) registou 42% de área de terrenos em Portugal, sendo que o serviço de Miranda do Douro (distrito de Bragança) lidera na percentagem de propriedades identificadas, com 68%.
De acordo com dados avançados pela eBUPi – Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado, até 16 de abril, de 173 municípios sem cadastro predial, 158 já disponibilizam o registo no BUPi, com 3.390.628 matrizes identificadas no continente, correspondentes a 39% das 8.917.154 para identificar.
Na Região Autónoma da Madeira, o BUPi possui identificadas 28.309 matrizes (9%), considerando os prédios inscritos na Autoridade Tributária (AT), das 302.417 para identificar nos cinco municípios sem cadastro predial.
O sistema de registo, criado em 2017 como um projeto-piloto em 10 municípios e depois alargado, já identificou 42% da área, com 1.676.077 hectares em Portugal continental e Madeira (1.662.366 no continente e 13.711 na ilha), de um total de 3.750.998 ha para identificar.
No entanto, segundo a eBUPi, “existe 6% do território” em que onde não é possível georreferenciar, nomeadamente em área urbana e domínio público, e na Madeira os dados ainda não são totalmente exatos por insuficiência de informação territorial “para aplicar esta metodologia”.
Ainda com base nos dados do BUPi, no continente 506.451 cidadãos identificaram as suas propriedades, apoiados por 761 técnicos alocados, enquanto na Madeira se registaram 7.239 cidadãos, com apoio de 26 técnicos.
Em termos de municípios, no continente, Miranda do Douro (distrito de Bragança) lidera na percentagem de propriedades identificadas, com 68%, seguido de Amares (Braga), com 64%, Penedono (Viseu), com 62%, Penalva do Castelo (Viseu), com 61%, e Mondim de Basto (Vila Real), com 60%.
Na percentagem de área identificada, destacam-se Alfândega da Fé (Bragança), com 70%, Manteigas (Guarda), 68%, Mira (Coimbra), 67%, e São João da Pesqueira (Viseu) e Miranda do Douro, com 66%.
Na Madeira, nas propriedades identificadas, Ponta do Sol e São Vicente têm 11%, seguidos de Ribeira Brava (10%), Calheta (8%) e Porto Moniz (6%), enquanto em área lidera Porto Moniz (57%), seguindo-se São Vicente (54%), Ponta do Sol (42%), Ribeira Brava (19%) e Calheta (14%).
O decreto-lei 87/2026, publicado a 15 de abril, em Diário da República, veio alargar procedimentos e prorrogar a gratuitidade da georreferenciação de propriedades, no âmbito do sistema de informação cadastral simplificado e do BUPi, até 30 de setembro.
O diploma, que entrou em vigor a 16 de abril, altera a lei 78/2017, destinada a “um eficaz planeamento, gestão e decisão sobre o território nacional e uma eficiente definição de políticas públicas de prevenção de riscos e combate aos incêndios rurais”.
No diploma estipula-se que “são gratuitos, até 30 de setembro”, os atos “que abranjam prédios rústicos ou mistos com área igual ou inferior a 50 hectares” e que, “a partir de 01 de outubro”, por cada representação gráfica georreferenciada (RGG) serão cobrados 15 euros, até ao nono registo, e 10 euros a partir da décima RGG.
Determina-se ainda que, nas candidaturas a apoios financeiros, “designadamente de fundos da União Europeia, fundos nacionais ou outros”, que “tenham por objeto prédios rústicos ou mistos, devem ser instruídos com RGG”.
Por outro lado, “as RGG relativas aos bens imóveis do domínio privado do Estado, das regiões autónomas, das autarquias locais e dos institutos públicos devem ser realizadas até 31 de dezembro de 2027”.
A alteração legislativa, explicou a coordenadora da eBUPi, Eugénia Amaral, “era aguardada há algum tempo” e apresenta “algumas novidades importantes para o regime”, como a “necessidade de apresentação” da RGG “no momento da titulação”, além de no registo, “que vai dar uma maior segurança às transações imobiliárias”, pois os intervenientes asseguram-se logo “da localização, limites e área do prédio que está a ser transacionado”.
Eugénia Amaral considerou que a “melhoria contínua do sistema e da plataforma informática permitirá conhecer melhor o território e caminhar para “interoperabilidade entre sistemas”, entre a Autoridade Tributária, Direção-Geral do Território e Instituto de Registos e Notariado.
“De maneira a que o cidadão, no fundo, só se desloque uma vez a uma destas entidades e que não haja a necessidade de se deslocar múltiplas vezes para resolver um assunto”, concluiu.
Economia: Matadouro do Cachão entrou em processo de insolvência
O matadouro industrial do Cachão, localizado em Frechas, no concelho de Mirandela, entrou em processo de insolvência, após um dos credores ter solicitado a cobrança da dívida que atinge quase um milhão de euros, informou a administração.
O administrador do matadouro do Cachão, que tem como acionistas maioritários os municípios de Mirandela e de Vila Flor, informou que a “insolvência foi requerida por um dos credores do matadouro”, a Ares Lusitani.
“Estamos a falar de uma dívida original de cerca de 400 mil euros, que resulta de um financiamento ao BES, (…) e, com a capitalização do juro, neste momento já se fixa em valores próximos dos 983 mil euros”, adiantou o administrador Michel Monteiro.
Contactada pela Lusa, até ao momento não foi possível obter esclarecimentos da Ares Lusitani.
Questionado sobre a razão de a dívida ter vindo a crescer, o responsável explicou que a causa estará da diminuição de exploração de animais para abate.
“Se já estamos a injetar dinheiro no matadouro para ter atividade operacional em normal funcionamento, pouca margem nos deixa para conseguir amortizar o passivo que foi constituído”, referiu.
O matadouro industrial do Cachão emprega 23 trabalhadores, “na maioria com idades entre os 63 e 66 anos”. Apesar de o processo de insolvência estar a decorrer, continua a “mantêm-se em total e pleno funcionamento” e até ao momento “ninguém foi despedido”.
Caso o processo seja fechado e seja declarada insolvência, Michel Monteiro garantiu que os colaboradores “terão de ser ressarcidos dos seus direitos”.
Ainda assim, decorre ainda o prazo para entrega da reclamação dos créditos, por parte dos credores, e depois disso, os municípios de Mirandela e Vila Flor irão apresentar um “plano de recuperação”, que será votado na assembleia de credores.
“Pode acontecer o plano não ser aprovado nesta primeira fase, pode acontecer haver um ajustamento no plano e ser votado posteriormente, ou seja, este processo ainda se pode arrastar durante algum tempo ou pode ficar já definido daqui a quatro, cinco ou seis semanas caso os credores concordem com o plano de recuperação. Está nas mãos dos credores, não ficará nas mãos dos acionistas”, vincou Michel Monteiro.
O administrador salientou que esta dívida é uma herança de anteriores administrações, mas os municípios estão empenhados para resolver o problema.
“Os acionistas, mesmo sabendo que temos um enorme défice de exploração, que resulta da constante diminuição de efetivos para abate, tem mantido o matadouro a funcionar (…) Os acionistas estão verdadeiramente dedicados em manter aquela valência em funcionamento (…) Se fosse entregue a um privado não aguentaria um mês. Nenhuma empresa compra uma empresa para ter prejuízo”, afirmou.
Numa nota enviada à Lusa, a CDU revelou que já tinha questionado o presidente da câmara de Mirandela, Vítor Correia, numa Assembleia Municipal, sobre a possível insolvência do matadouro. No entanto, disse não ter obtido qualquer resposta.
“O MIC (matadouro industrial do Cachão) encontra-se insolvente, uma vez que o seu passivo é superior ao seu ativo em cerca de 2,3 milhões de euros, e, portanto, deverá vir a ser declarada a sua insolvência. Pelo facto de o Município deter uma participação de 49,1% na sociedade intermunicipal AIN (Agroindustrial do Nordeste, E.I.M, S.A.) e esta, por sua vez, deter a totalidade do capital (100%) da sociedade MIC (Matadouro Industrial do Cachão, S.A.) verificamos que a sociedade A.I.N. nunca efetuou a cobertura dos prejuízos da sociedade M.I.C. (…) e que, a esta data, deverão ultrapassar 3 milhões de euros”, pode ler-se no comunicado.
Confrontado com esta informação, o administrador Michel Monteiro disse que “a questão nem é o passivo ser superior ao ativo”, mas sim a “fragilidade dos capitais próprios”.
A CDU entende que “a gravidade deste possível desfecho é profundamente negativo para os trabalhadores que perdem o seu posto de trabalho” e, por isso, vai questionar, na Assembleia da República, o ministro da Agricultura “sobre as medidas em curso para garantir que os produtores locais não ficam impedidos de abater os seus efetivos”.
O SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, também já se pronunciou. “Esta decisão representa o culminar de um longo processo de má gestão, marcado por opções de endividamento cuja finalidade nunca se traduziu na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade. Trata-se de um caminho que foi sendo sucessivamente avalizado pelas autarquias de Mirandela e Vila Flor”, afirmou, num comunicado enviado à Agência Lusa.
Além de salientar os postos de trabalho que podem ficar em causa, o sindicato realçou ainda a importância da pecuária para o nordeste transmontano, um dos “principais pilares de subsistência da região”, que entende que “não pode ser abandonada”.
“Não existe, neste momento, qualquer infraestrutura com capacidade equivalente de abate em funcionamento”, vincou, acrescentando que “o eventual encerramento do Matadouro Industrial do Cachão representará uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes, agravando as dificuldades já existentes, pela perda de infraestruturas essenciais e de capacidade produtiva”.
O matadouro do Cachão sofreu obras recentemente. Em janeiro de 2025, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária fechou a infraestrutura por falta de condições e de manutenção do equipamento, obrigando à realização de obras. Reabriu cerca de um mês depois, após um investimento de 17 mil euros do município de Mirandela, segundo adiantou, à Lusa, a câmara.
Angola: Papa denuncia «chaga da corrupção» e pede superação das divisões da guerra civil
Na sua visita a Angola, o Papa Leão XIV defendeu em Luanda a superação definitiva das divisões e a cura da “chaga da corrupção” no país, através de uma nova cultura de justiça e partilha.
“Podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, disse Leão XIV na homilia da Missa a que presidiu na esplanada do Kilamba, arredores da capital angolana.
O pontífice foi acolhido por uma multidão em festa, que as autoridades locais, percorrendo o espaço em veículo aberto.
A homilia, no terceiro domingo do tempo da Páscoa, estabeleceu um paralelo entre o desânimo dos discípulos de Emaús e a história recente do de Angola, “país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade”.
“A conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”.
Leão XIV dirigiu-se especificamente aos jovens angolanos, desafiando-os a serem protagonistas de uma transformação social baseada na compaixão.
“Jesus Ressuscitado, que percorre o caminho convosco e por vós se parte como pão, encoraja-vos a ser testemunhas da sua ressurreição e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade”, declarou.
A intervenção deixou um aviso sobre a necessidade de separar a fé católica de elementos específicos da religiosidade local.
“É necessário estar sempre atentos às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual”, precisou o pontífice.
Muitas pessoas pernoitaram no local, para poderem aceder aos locais mais próximos do altar, sendo acompanhadas pelo dispositivo de segurança implementado pelas autoridades angolanas.
A Igreja Católica no país lusófono organizou a presença de delegações de todas as dioceses e das várias comunidades religiosas presentes em Angola, que o Papa desafiou a “construir espaços de fraternidade e paz”, com “gestos de compaixão e solidariedade”.
“A história do vosso país, as consequências ainda difíceis que suportais, os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza exigem a presença de uma Igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos”, disse-lhes o Papa.
“A Boa Nova do Senhor, hoje também para nós, é precisamente esta: Ele está vivo, ressuscitou e caminha ao nosso lado enquanto percorremos o caminho do sofrimento e da amargura, abrindo-nos os olhos para que possamos reconhecer a sua obra e concedendo-nos a graça de recomeçar e reconstruir o futuro.”
No final da Missa, o arcebispo de Luanda agradeceu a presença do Papa, classificando o dia como um momento de “encanto jubiloso”.
“Obrigado por nos recordardes que devemos ser um povo unido no bem, na verdade e na justiça; povo de irmãos de mãos dadas comprometido com a felicidade, e o bem-estar do outro”, disse D. Filomeno Vieira Dias.
A agenda papal prossegue esta tarde, com a recitação do terço no Santuário da Muxima, após uma deslocação em helicóptero, ao longo de mais de 100 quilómetros.
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São Paulo II ter realizado uma visita apostólica ao país, que incluiu uma passagem por São Tomé e Príncipe, entre os dias 4 e 10 de junho de 1992; e depois Bento XVI, de 20 a 23 de março de 2009.
Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do atual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.
A deslocação conclui-se a 23 de abril, na Guiné Equatorial.
III Domingo da Páscoa – Ano A / 1.º Dia da Semana de Oração pelas Vocações
Reconhecer Jesus Ressuscitado
At 2, 14.22-33 / Slm 15 (16), 1-2a e 5.7-8.9-10.11 / 1 Pe 1, 17-21 / Lc 24, 13-35
São Lucas mostra-nos dois discípulos caminhando tristes na direção de Emaús. É a tarde do dia da ressurreição. Mas o coração deles está atordoado com o que aconteceu dois dias antes. Dizem a Jesus com espanto: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou».
Na verdade, o caso destes dois discípulos mostra que a descoberta do Senhor ressuscitado não é necessariamente linear. Pode passar por escuridões do coração: «Jesus aproximou-se deles e pôs-se com eles a caminho. Mas…»; «Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas…».
Levou tempo até que os olhos destes discípulos se abrissem. Reconheceram Jesus ao final do dia. Não se esqueça, aliás, que nem os que já descobriram o Senhor ressuscitado estão livres de passar por escuridões do coração. É precisamente a pensar nestas escuridões que Pedro nos dirige a sua exortação.
Diz ele nos Atos dos Apóstolos: «Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus»; «Vós destes-lhe a morte»; «Mas Deus ressuscitou-o». Diz ele também na sua 1.ª Carta: «Por Ele [Cristo] acreditais em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus».