Espanha: Leão XIV de visita de 6 a 12 de junho

Espanha: Leão XIV de visita de 6 a 12 de junho

Entre 6 e 12 de junho, o programa da visita do Papa Leão XIV a Espanha, tem como desígnios a paz, o desarmamento e as migrações, numa viagem que conta com meio milhão de pessoas inscritas para as celebrações.

“É quase desnecessário dizer que a expectativa é grande para esta peregrinação a uma terra de antiga tradição cristã”, afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, em encontro com os jornalistas.

A viagem de Leão XIV decorre entre 6 e 12 de junho e prevê um percurso de 2500 quilómetros, pelas cidades de Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canária e Santa Cruz de Tenerife.

A agenda pontifícia engloba um total de doze discursos, cinco saudações institucionais e cinco homilias.

O porta-voz da Santa Sé sublinhou a urgência de abordar a temática militar perante um momento histórico marcado pela justificação do uso de armamento.

A defesa da vida vulnerável e a reflexão sobre o progresso tecnológico constituem outras prioridades dos 23 encontros previstos.

roteiro inicia-se na capital espanhola, Madrid, com reuniões oficiais com os Reis de Espanha, às autoridades civis e o corpo diplomático.

O Papa reúne-se na segunda-feira, dia 8 de junho, com o primeiro-ministro espanhol e com os deputados do Parlamento nacional.

A dimensão pastoral inclui, no primeiro dia, uma paragem no projeto ‘Cedia 24 Horas’ para dialogar com cidadãos em situação de sem-abrigo.

O arcebispo de Madrid, cardeal José Cobo Cano, considerou que esta aproximação à estrutura da Cáritas significa que o pontífice entra no país através das “periferias” humanas.

A Eucaristia de domingo na Praça de Cibeles assinala a solenidade do Corpo de Deus, com uma procissão pelas ruas da capital espanhola.

Matteo Bruni elogiou a religiosidade popular ibérica, rejeitando a ideia de uma fé de “museu”.

A etapa na Catalunha, a partir de 9 de junho, contempla a inauguração da torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, assinalando o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.

A nova estrutura dodecagonal atinge 172,5 metros de altura no centro do templo.

A passagem por Barcelona integra também uma visita ao estabelecimento prisional de Brians 1 e a recitação do terço na Abadia de Montserrat.

Leão XIV dedica os últimos dois dias da viagem à emergência migratória na rota atlântica, escutando as populações acolhidas nas Ilhas Canárias, a 11 e 12 de junho.

O programa inclui deslocações ao porto de Arguineguín e ao centro de abrigo de Las Raíces para conhecer de perto o esforço de integração do arquipélago.

A intervenção principal em Las Raíces será proferida em francês para facilitar a comunicação com os estrangeiros oriundos do continente africano.

O gabinete de imprensa assinalou que, de momento, não está agendado qualquer encontro privado entre o Papa e vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero ou em instituições da Igreja Católica.

Esta é a primeira visita de um pontífice ao território espanhol desde a JMJ 2011, em Madrid, presidida por Bento XIV, que esteve ainda em Valência (2006), Santiago de Compostela e Barcelona (2010).

São João Paulo II esteve cinco vezes na Espanha.

Fonte: Ecclesia

Ambiente: Plataforma tecnológica ajuda proprietários a limpar terrenos

Ambiente: Plataforma tecnológica ajuda proprietários a limpar terrenos

Uma nova plataforma (que combina informação oficial, inteligência artificial e ferramentas tecnológicas) tem como utilidade ajudar os proprietários à limpeza, proteção de terrenos rústicos e prevenção de incêndios e assim assumir-se como um polo agregador na relação entre proprietários e o território.

Denominada “LandOS – A Minha Terra”, a nova plataforma tecnológica foi criada por um empresário dos Países Baixos, residente há 15 anos em Portugal e ligado ao desenvolvimento de tecnologia, casado com uma portuguesa, com família na zona de Manteigas, na Serra da Estrela, distrito da Guarda.

Em declarações à agência Lusa, Pedro Rocha, que faz parte da equipa de 10 pessoas responsável pelo desenvolvimento da “LandOS”, contou que o fundador do projeto, Alexander Griekspoor, sendo originário de “um dos países mais organizado em termos de ordenamento do território”, acabou confrontado com a realidade portuguesa, no que à desorganização relacionada com os terrenos rústicos diz respeito, devido a uma questão surgida em família.

O investidor acabou por identificar “uma oportunidade enorme de poder ajudar os proprietários a navegar esta complexidade que existe, porque parece que, em Portugal, o Estado, para resolver um problema, decide sempre adicionar mais uma camada de informação, seja legislativa, seja de incentivos, apoio ao investimento ou de novas condicionantes”, argumentou.

Apesar de estar em desenvolvimento contínuo e ainda longe das suas potencialidades máximas, a “LandOS” lançou, recentemente, um primeiro módulo funcional, de acesso gratuito, onde cada proprietário pode identificar o seu terreno e conhecer as medidas necessárias para o proteger dos incêndios.

Ao entrar na página, disponível em https://proteger.aminhaterra.pt/, a Lusa constatou que, primeiro, é pedido ao proprietário que indique o município ou freguesia onde o terreno se encontra.

O módulo indica, então, o risco de incêndio na zona e como o reduzir, e propõe, entre outra informação, a criação de uma lista de verificação adaptada ao terreno específico, bastando, para tal, responder a umas poucas perguntas sobre a utilização da parcela rústica, experiência do utilizador na gestão e prevenção de incêndios, a existência de edificações ou o tipo de vegetação, entre outras.

Durante o questionário, é ainda pedido ao utilizador que identifique os limites do terreno num mapa interativo, usando ferramentas de desenho fornecidas; depois, a plataforma gera a lista de verificação – também enviada ao utilizador por correio eletrónico – compilando um conjunto de obrigações legais e serem observadas, boas práticas e outra informação.

Pedro Rocha indicou que a “LandOS” utiliza um assistente de Inteligência Artificial (IA), denominado “Bom Vizinho”, que tem como objetivo “transformar informação complexa em informação mais simples”.

“A plataforma visa apoiar o proprietário, dando-lhe clareza e ajudando-o a compreender aquilo que ele pode, deve e tem de fazer”, afiançou.

Por outro lado, a plataforma não é só uma ferramenta de prevenção do risco de incêndio, antes uma ferramenta, em contínuo desenvolvimento, relacionada com todas as questões da propriedade rústica.

“Nós temos parcelas de terreno que davam para cada português ter um quintal. São mais de 12 milhões de parcelas de propriedade privada rústica em Portugal. Mas sabemos que o território rural está muito abandonado, por mil e um fatores. Muitas das vezes a terra ficou para trás, não pode ir connosco na mala do carro e o proprietário abandona-o porque não tem outra alternativa, hoje tem uma vida urbana, ou teve de emigrar, ficou desconectado com aquele terreno e não sabe o que fazer”, ilustrou Pedro Rocha.

Embora garanta que a plataforma “será sempre tendencialmente gratuita para os proprietários”, no futuro a “LandOS” poderá desenvolver um modelo de negócio, conectando os utilizadores “com os parceiros certos”, como uma cooperativa, uma associação florestal, um solicitador ou uma empresa de limpeza de terrenos, permitindo que quem, por exemplo, resida em Lisboa, possa usufruir de serviços locais em Bragança, sem ter de se deslocar especificamente com esse propósito.

“A pessoa pode contactar diretamente estes prestadores e isso irá adicionar valor aos territórios, a pessoas que vivem lá e trabalham lá, porque a plataforma passa a encaminhar esses serviços”, explicou Pedro Rocha.

Essa colaboração poderá estender-se a municípios, podendo estes perceber “quais são os terrenos que já foram limpos, através de um consentimento informado do proprietário ou definir prioridades na limpeza onde há maior risco de incêndio. A própria plataforma pode ajudar a fazer esta gestão de recursos”, vincou Pedro Rocha.  

Fonte: Lusa

Dia Mundial do Ambiente: «A promoção da paz é um ato ecológico», afirma Juan Ambrosio

Dia Mundial do Ambiente: «A promoção da paz é um ato ecológico», afirma Juan Ambrosio

A propósito do Dia Mundial do Ambiente que se assinala a 5 de junho, Juan Ambrosio, da Rede ‘Cuidar da Casa Comum’ (RCCC), associou o cuidado da natureza à paz, falando na degradação ambiental que os conflitos provocam.

“A promoção da paz é claramente um ato ecológico, de promoção e de cuidado do ambiente, do cuidado do clima, do cuidado da casa comum, que é mais do que simplesmente o ambiente”, afirmou o teólogo, em declarações ao Programa ECCLESIA, transmitido a 5 de junho, pelas 15h (RTP2).

O Papa tem alertado para a destruição da natureza provocada pelas guerras, tendo escolhido como título da mensagem para o Dia Mundial de Oração e Cuidado da Criação, a 1 de setembro, a frase “Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices”, que destaca a relação entre os conflitos armados e a degradação do Meio Ambiente.

O docente da Universidade Católica Portuguesa (UCP) destaca a posição que Leão XIV tem adotado, “sem rodeios”, perante o cenário internacional marcado por violência e divisões.

“Dizendo claramente, isto não serve, isto é mau, não há guerras justas, não há guerras santas”, lembrou.

O texto de apresentação do Dia Mundial do Ambiente, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1972, assinala que o “planeta não discute”, “não negocia”, “ele envia sinais — elevação do nível do mar, incêndios florestais intensos, ondas de calor, geleiras derretendo”.

Para Juan Ambrosio, tudo o que está a acontecer revela o descontrolo, a não mudança de estilos de vida e o pouco cuidado dos humanos com a natureza.

“De facto, os ecossistemas ressentem-se, procuram equilíbrios, à custa de cada vez maiores tensões. E essa procura de equilíbrios, em coisas que nós vamos desequilibrando, vai provocar desequilíbrios na nossa vida e nos nossos modos de viver”, referiu.

O professor da Faculdade de Teologia da UCP alerta que sociedade não está a querer perceber os sinais evidentes dos desajustes e das “reações extremas” no meio ambiente, nomeadamente o “muito frio, muito calor, muita água, muita seca”, tudo em “polos extremos”.

“Os ecossistemas estão, de facto, desequilibrados” e “precisam, como é o tema deste Dia Mundial do Ambiente, da restauração e sustentabilidade”, realçou.

Apesar de a mudança de comportamentos ser “urgente”, Juan Ambrosio indica que é necessário ir mais longe, isto é, mudar a maneira de conceber os estilos de vida.

“A maneira como habitamos o planeta, e não só o ocupamos, e como vivemos uns com os outros, vai, obrigatoriamente, ter que mudar, na procura do bem comum. Esse critério máximo”, defendeu.

Lembrando o Papa Francisco, que na encíclica Laudato Si’ escreveu que “tudo está interligado”, o teólogo frisou que “o que se passa num ecossistema, por mais situado e regional que ele seja, acaba por ter impactos a nível global”.

Juan Ambrosio abordou ainda a assunção de políticas internacionais que permitam a salvaguarda do planeta, que considera que não deveriam estar longe da mudança de atitudes.

“Acham que está tudo bem, nada de diferente, já aconteceu isto noutros tempos. Portanto, se eles não são capazes de ver isso, então que a sensibilidade dos povos, das nações, os obrigue a ver isto”, acrescentou o professor universitário.

Em entrevista, o professor da Faculdade de Teologia da UCP recordou que cada um é responsável por aquilo que depende de si, com a consciência de que tudo está interligado.

“Temos que, em conjunto, colaborando uns com os outros, e, em corresponsabilidade, dar os passos necessários. E isso implica, de facto, mudanças de estilo de vida. Se calhar o downsizing [diminuição do tamanho] que se falava nas empresas vai ser preciso também consumirmos menos, termos menos, os recursos da terra são limitados”, disse.

Juan Ambrosio advertiu que “se alguns têm cada vez mais, isso só pode ser à custa de que alguns tenham cada vez menos”, uma vez que “os recursos são limitados”.

“Eu não estou aqui a fazer a apologia de lutar contra o consumo, não é isso que se está aqui a dizer, é outro estilo de vida que não tenha que estar constantemente a substituir coisas, se elas ainda estão perfeitamente usáveis, perfeitamente utilizáveis. Essa mudança é necessária, de facto”, referiu.

Fonte: Ecclesia

Corpo de Deus: Papa elogia procissões como «testemunho público da fé»

Corpo de Deus: Papa elogia procissões como «testemunho público da fé»

As dioceses portuguesas celebram esta quinta-feira, 4 de junho, a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, uma festa com raízes medievais que leva milhares de pessoas às ruas, em várias procissões.

A celebração litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser assinalada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na atual Bélgica. A celebração foi depois alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV, através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; terá chegado a Portugal nos finais do século XIII e tomou a denominação de festa de Corpo de Deus.

As comunidades católicas de Portugal assinalam este dia com procissões públicas, acompanhadas em várias localidades com tapetes de flores nas ruas.

A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que “onde, a juízo do bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”.

O Papa convidou esta quarta-feira à celebração da solenidade do Corpo de Deus, evocando o “Cristo presente na Eucaristia”.

“Na Eucaristia, contemplamos Jesus, pão partido e dado por cada um de nós. Uma expressão da piedade eucarística popular são as procissões com o Santíssimo Sacramento que se realizam nas ruas de muitas cidades; a este respeito, encorajo-vos a manter viva esta bela manifestação de testemunho público da fé”, disse Leão XIV, no final da audiência geral.

A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo celebra-se no 60.º dia após a Páscoa, uma quinta-feira, ligando-se assim à Última Ceia; nos países onde não é feriado civil, a celebração assinala-se no próximo domingo.

O Papa sublinhou esta quarta-feira, perante milhares de peregrinos reunidos no Vaticano, que “a participação nas procissões eucarísticas, sobretudo por parte das famílias, das crianças e dos jovens, pode ser um testemunho corajoso de fé e uma lembrança para todos de que Deus está presente no meio do seu povo e o acompanha no seu dia a dia”.

Leão XIV vai proceder à procissão do Corpo de Deus este domingo, em Madrid, no âmbito da sua viagem a Espanha.

Fonte: Ecclesia | Fotos: Flickr

Alimentar é fazer viver!

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Solenidade)

Alimentar é fazer viver!

Deut 8, 2-3.14b-16a / Slm 147, 12-13. 14-15.19-20 / 1 Cor 10, 16-17 / Jo 6, 51-58

A palavra “pão” aparece nove vezes nas leituras de hoje. O verbo “comer”, dez vezes. O verbo “viver”, seis. O substantivo “vida”, três. Portanto, fala-se de alimentar, comunicar vida, fazer viver. Fala-se da origem dessa vida e também do seu destino. Fala-se de quem faculta essa vida, assim como se refere quem tem a ocasião de a receber. É todo o tom eucarístico das leituras que salta à vista.

Jesus apresenta-se como «o pão vivo descido do Céu» (São João). Aplica a si uma designação forte: a palavra “vivo” vem reforçar a ideia de “pão”. Mais adiante explica: Ele é o pão descido do Céu, diferente daquele que no Antigo Testamento também tinha descido do céu: o maná dado a comer na travessia do deserto. É que Jesus é o pão que faz viver eternamente. Alimentando-nos do pão que é Jesus, permanecemos n’Ele e Ele permanece em nós. Passamos a “viver por” Jesus (São João): isto é, por meio de Jesus ou em virtude de Jesus. Passamos a ter a vida em nós. Não uma vida qualquer. Mas uma vida que enche e dura. Uma vida que, vindo para dentro de nós, se revela grande em horizonte e extensa no tempo.

Esta oferta eucarística de Deus, na pessoa de Jesus, responsabiliza- -nos duplamente. Primeiro, temos de guardar memória de quanto o Senhor nos tem alimentado. «Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egito». «Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná» (Deuteronómio). Depois, temos de associar-nos a Jesus como alimento para os outros. «Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo?… formamos um só corpo» (1.ª Carta aos Coríntios). Mas trata-se dum corpo que, ao alimentar-se do pão que é Cristo, fica associado a Cristo como pão que se dá a comer ao mundo.

Fonte: RMOP | Foto: Flickr

Porto: Cooperativa Árvore acolhe “Mês do Mirandês”

Porto: Cooperativa Árvore acolhe “Mês do Mirandês”

De 6 de junho até 4 de julho, a Cooperativa Árvore, no Porto, inicia o “Mês do Mirandês”, um evento multidisciplinar com exposições, mostra de trabalhos e uma conferência dedicada à preservação e atualidade da língua e cultura da Terra de Miranda.

A cooperativa de atividades artísticas indica que o “Mês do Mirandês” pretende afirmar-se como um espaço de encontro entre a tradição e a contemporaneidade, onde a língua mirandesa surge não apenas como herança cultural, mas também como instrumento de criação artística, pensamento e afirmação identitária.

“Com esta iniciativa, a Cooperativa Árvore pretende aproximar os públicos urbanos da realidade linguística e cultural da Terra de Miranda, reforçando assim a valorização da diversidade cultural em Portugal”, justificam.

O mirandês é a segunda língua oficial de Portugal, sendo falada por cerca de 3 mil pessoas, principalmente no concelho de Miranda do Douro.

“A língua mirandesa pertence ao ramo asturo-leonês, que evoluiu do latim vulgar e possui características gramaticais próprias que a diferenciam tanto do português como do castelhano”, explicam.

Em 1999, a língua mirandesa foi oficialmente reconhecida pela Assembleia da República, considerado um marco histórico que permitiu a sua regulamentação e introdução nos currículos escolares da região. No entanto, apesar do estatuto oficial, a língua mirandesa continua a enfrentar sérios desafios na sua preservação.

Com idêntico propósito de preservar e divulgar a língua, a programação do “Mês do Mirandês” inclui a exposição “PE(r)SSONA”, da artista Balbina Mendes.

“A exposição “PE(r)SSONA” é uma reflexão contemporânea sobre identidade, pertença e memória cultural, inspirada na cultura mirandesa. Através de diferentes técnicas e materiais, como óleo, aguarela, cerâmica, serigrafia e plexiglass, a artista constrói uma linguagem visual marcada por máscaras, rostos e símbolos que exploram a relação entre o indivíduo e a coletividade. As obras evocam tradições ancestrais e questionam a forma como a identidade é construída, ocultada e partilhada”, descrevem.

O trabalho de Balbina Mendes revisita a cultura mirandesa como um espaço de mistério, autenticidade e reinvenção contínua da tradição.

“Entre texturas, cores e contrastes, a artista cria um universo simbólico onde a memória, a história e a regionalidade se cruzam, dando voz a uma herança cultural que permanece viva e em constante transformação”, escrevem.

Na sala 2 da cooperativa Árvore, está outra exposição “No Piso Térreo de um Clarão”, de Marco Silva, inspirada na ideia do jardim privado como espaço de contemplação e reflexão.

“Através da pintura e da sobreposição de luz, gesto e matéria, as obras criam um ambiente crepuscular onde o ser se revela para além da imagem. Entre luz e escuridão, estas pinturas suspendem o tempo e evocam um espaço de transição, incerteza e revelação interior”, pode ler-se.

O Mês do Mirandês também dá destaque aos trabalhos realizados pelos alunos dos Cursos Livres, evidenciando a diversidade de práticas e experiências artísticas promovidas pela Árvore.

A 27 de junho, acontece um dos momentos centrais da programação do “Mês do Mirandês”, com a conferência, às 16h00, “Terra de Miranda: património e identidade, hoje ( Tierra de Miranda: patrimonho i eidentidade, hoije)” – dedicada à preservação e à atualidade da língua e cultura mirandesas.

A conferência conta com a participação de Alfredo Cameirão, Ana Afonso, José Meirinhos e Óscar Afonso, promovendo um espaço de reflexão sobre património, território e identidade cultural.

• Alfredo Cameirão é o comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (organismo recém-criado na dependência do Ministério da Cultura), tem um historial de envolvimento na promoção e valorização da língua e cultura mirandesas, designadamente enquanto professor, escritor e tradutor.

• Ana Afonso é professora e tradutora de mirandês, tem desenvolvido um percurso académico na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e um importante trabalho de apoio ao desenvolvimento da Biquipédia, l’anciclopédia lhibre an lhéngua mirandesa (a Wikipédia em mirandês).

• José Meirinhos é professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tem um longo percurso de promoção e valorização da língua e cultura mirandesas, designadamente em instituições como a Frauga - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote.

• Óscar Afonso é diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tem levado a cabo análises económicas e estratégicas visando o melhor aproveitamento dos recursos naturais da região, esteve envolvido no Movimento Cultural da Terra de Miranda e na autarquia de Miranda do Douro

A Cooperativa Árvore, criada em 1963, no Porto, tem como missão a produção, divulgação e comercialização de obras artísticas e editoriaisa, assim como a formação e informação dos Cooperadores e do público em geral, na área das Artes Visuais, Estudos de Arte e em outras áreas da criação e do saber.

HA

Miranda do Douro: Concatedral e Moderno Escondido são candidatos às 7 Maravilhas de Portugal

Miranda do Douro: Concatedral e Moderno Escondido são candidatos às 7 Maravilhas de Portugal

Na edição das “7 Maravilhas de Portugal”, o concelho de Miranda do Douro participa com duas candidaturas que mostram a riqueza histórica, cultural e arquitetónica do território, como são a Concatedral de Miranda do Douro (categoria religião) e o Moderno Escondido, em Picote (categoria Século XX).

A Concatedral de Miranda do Douro, um dos monumentos mais emblemáticos da região, integra a categoria Religião e a candidatura pode ser apoiada através do número 761 207 010.

“De arquitetura religiosa quinhentista, maneirista e barroca, a antiga Sé de Miranda do Douro apresenta uma imponente planta em cruz latina, composta por três naves de igual altura, divididas por pilares de secção cruciforme, transepto saliente e cabeceira tripartida formada por dois absidíolos e capela-mor. A sua construção remonta ao século XVI, após a elevação de Miranda do Douro a cidade e sede de diocese, em 1545”, informa o município.

O projeto da antiga Sé iniciou-se em 1549 e as obras começaram em 1552, sob a direção dos arquitetos Gonçalo de Torralva e Miguel de Arruda.

“O valor histórico, artístico e arquitetónico deste monumento faz da Concatedral uma referência incontornável do património nacional”, destaca a autarquia de Miranda do Douro.

Na categoria Século XX, a candidatura do Moderno Escondido, no Barrocal do Douro (Picote), pode ser apoiada através do número 761 207 050.

“O conjunto arquitetónico do Moderno Escondido, no Barrocal do Douro (Picote) resulta do trabalho dos arquitetos J. Archer, Nunes de Almeida e R. Ramos, formados na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. A obra reflete as influências do Movimento Moderno, da arquitetura brasileira e do racionalismo italiano, num período marcado pela procura de uma identidade arquitetónica nacional”, informa o município.

Os projetos desenvolvidos em Picote conseguiram conciliar tradição e modernidade, dando origem a soluções inovadoras e de elevado valor patrimonial.

“A construção do Moderno Escondido surge no contexto do Primeiro Plano de Fomento (1953-1958), que definiu como prioridade o aumento da produção de energia hidroelétrica em Portugal. Numa das regiões mais isoladas e menos desenvolvidas do país, foi necessário criar infraestruturas modernas de produção energética e condições atrativas para acolher uma nova comunidade, dando origem a um notável conjunto arquitetónico e urbanístico que permanece como um dos mais relevantes testemunhos do modernismo português”, disse.

Em 2027 assinalam-se os 20 anos das 7 Maravilhas de Portugal, uma iniciativa que continua a promover, valorizar e dar visibilidade a alguns dos mais importantes patrimónios do país. O Município de Miranda do Douro apela à participação de todos nesta votação, contribuindo para a valorização e divulgação de dois exemplos únicos do património histórico e arquitetónico do concelho.

Fonte: MMD | Fotos: HA e Flickr

Vimioso: Exército Português esclareceu os jovens sobre carreira militar

Vimioso: Exército Português esclareceu os jovens sobre a carreira militar

Na tarde de 2 de junho, realizou-se em Vimioso, uma sessão de esclarecimento sobre o ingresso e a carreira militar, uma iniciativa do Exército Português, que tem como objetivos informar e esclarecer os jovens sobre as várias oportunidades profissionais existentes nas Forças Armadas.

Na vila de Vimioso, a sessão de esclarecimento decorreu no auditório do pavilhão multiusos e teve como destinatários, os jovens portugueses, com idades entre os 18 e os 24 anos (ou 27 anos no caso de licenciatura).

Durante a sessão, dois militares apresentaram as condições de admissão ao Exército em Portugal, incluindo os requisitos necessários para ingresso, as fases do concurso e os critérios de seleção.

No encontro, os jovens vimiosenses foram também informados sobre as condições de remuneração e as diversas possibilidades de progressão na carreira militar.

O sargento-ajudante do Exército Português, Nuno Babo, indicou que, atualmente, o Gabinete de Atendimento ao Público (GAP) está a realizar sessões de esclarecimento nos vários concelhos do distrito de Bragança, em colaboração com os gabinetes de Inserção Profissional (GIP).

“Estamos a informar e esclarecer os jovens entre os 18 e os 24 anos (ou 27 anos no caso de licenciatura) sobre as valências e as mais valias de ingressar no Exército Português”, disse.

Questionado sobre o interesse dos jovens do distrito de Bragança pela carreira militar, o sargento Nuno Babo, respondeu que nas visitas às escolas se verifica interesse e vontade dos jovens em conhecer melhor as várias oportunidades profissionais existentes no Exército Português.

Na sessão em Vimioso, o jovem, Ivan Pera, com 21 anos e formação e Mecatrónica Automóvel, mostrou-se interessado em ingressar no Exército Português.

“Ao participar nesta sessão de esclarecimento chamou-me à atenção a possibilidade de continuar a utilizar a minha formação em mecatrónica automóvel, ao serviço do Exército Português e em quarteis geograficamente próximos, como em Vila Real ou Chaves. Outra motivação são as condições remuneratórias e sociais que a carreira militar oferece”, disse o jovem vimiosense.

Com estas sessões de informação, o Exército Português pretende despertar os jovens para a importância da formação técnica, física e pessoal; para uma carreira profissional estável e com progressão; e para o trabalho em equipa e a liderança, ao serviço a Portugal.

HA

Vimioso: Jovens estrangeiros conhecem a agricultura e pecuária do concelho

Vimioso: Jovens estrangeiros conhecem a agricultura e pecuária do concelho

Um grupo de jovens oriundos da ilha francesa da Martinica, situada no Mar das Caraíbas, entre a América do Norte e o Brasil, está a realizar uma visita de estudo a Vimioso para conhecer a realidade agrícola e pecuária do concelho, no âmbito do projeto Erasmus.

Os jovens estudam na Escola Agrícola de Croix Rivail, na Martinica, uma ilha francesa, que tem 385 mil habitantes, situada entre as Américas e a Europa. Esta localização geográfica proporciona oportunidades de intercâmbios regulares com os países europeus, como é o caso desta visita a Portugal, através do projeto Erasmus (o programa da União Europeia (UE) que apoia a educação, formação, juventude e o desporto na Europa).

Na vila de Vimioso, o grupo de jovens estudantes da Martinica foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos, que expressou alegria pela visita dos jovens e professores estrangeiros, no âmbito dos estudos em agricultura e pecuária.

No concelho de Vimioso, os jovens estudantes, acompanhados pelo agricultores António Padrão e Paula Higino, estão a conhecer a realidade agrícola do território, onde predominam as culturas de sequeiro como o olival, amendoal, os soutos de castanheiros e a vinha. Na aldeia de Uva, o grupo visitou a adega da Menina de Uva, que produz vinho a partir das vinhas e castas tradicionais desta região.

Na pecuária, os alunos franceses visitaram as explorações de bovinos mirandeses, assim como a Unidade de Transformação da Carne Mirandesa.

Na estadia em Vimioso, o grupo de jovens martinicos teve oportunidade de visitar também a igreja matriz, o Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), em São Joanico e as Termas de Vimioso.

Bem diferente da realidade de Trás-os-Montes, o clima tropical e a agricultura na ilha francesa da Martinica assenta na produção de banana e de rum, produtos que são orientados para a exportação.

HA

HA | Fotos: HA e Paula Higino

Ambiente: ICNF nega atrasos de indemnizações a produtores após ataques de lobos

Ambiente: ICNF nega atrasos de indemnizações a produtores após ataques de lobos

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) desmentiu atrasos no pagamento de indemnizações a produtores pecuários afetados por ataques de lobos, enquanto as associações e a academia apresentaram propostas para proteger a espécie do lobo ibérico.

“Têm sido repetidamente referidos atrasos superiores a um e a dois anos [no pagamento de indemnizações a produtores de gado afetados por ataques de lobo ibérico, previstas no atual programa de proteção da espécie]. Quero claramente afirmar que isso não corresponde minimamente à verdade”, frisou o vice-presidente do Conselho Diretivo do ICNF, Paulo Salsa, em audição na Assembleia da República, na Comissão de Agricultura e Pescas, a requerimento do PAN e do Chega.

A investigadora Raquel Godinho, do BIOPOLIS/CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, defendeu um sistema de “compensação positiva”, no qual os produtores “são compensados quando favorecem a espécie, quando têm alcateias que são reprodutoras nos seus territórios”.

Relativamente ao programa Alcateia 2025-2035, criado pelo Governo para proteger o lobo ibérico, a cientista deixou uma sugestão: “O sucesso deste programa não deveria ser medido pelo número ou agilidade das indemnizações pagas, mas pela capacidade de criar territórios onde estas indemnizações sejam cada vez menos necessárias.”

Marta Cálix, diretora de Restauro Ecológico da ARIP – Associação Rewilding Iberia PT, disse que o lobo ibérico e a política de conservação da natureza não podem “continuar dependente de um instituto como o ICNF, que acumula funções incompatíveis entre si”.

“Portugal precisa de um instituto de conservação e restauro da natureza com um mandato único, claro e exclusivamente dedicado à proteção e restauro da natureza”, sustentou.

Para a responsável, “enquanto a conservação for uma função secundária dentro de um organismo sobrecarregado, sob tutela dupla e sem recursos apropriados, vamos continuar a ter os mesmos problemas”.

“Dizer que o lobo é uma calamidade para os produtores pecuários é tapar o sol com a peneira. O que está a falhar não é a lei, é a sua aplicação. O prazo legal para pagamento de indemnizações é de 60 dias. Os atrasos têm sido de um a dois anos. É uma violação legal sistemática que agrava conflitos necessariamente”, avisou.

Marta Cálix defendeu ainda o fomento de presas selvagens como “uma das alavancas mais eficazes e menos aproveitadas para reduzir estruturalmente a predação sobre efetivos pecuários”, referindo reforços populacionais de corso e veado.

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural admitiu que “os prejuízos sentidos por muitos produtores são reais e exigem uma resposta pública mais eficaz”, alertando que “a evidência científica disponível não sustenta a ideia de que o abate de lobos resolve esse problema”.

“Pelo contrário, vários estudos indicam que o aumento da mortalidade pode desestruturar as alcateias e contribuir para um agravamento dos ataques no período seguinte”, sublinhou a associação, para quem “o estado atual do lobo em Portugal não evidencia uma recuperação consolidada” mas “regressões territoriais relevantes”.

Francisco Petrucci-Fonseca, do GRUPO LOBO – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema, assinalou “várias falhas no sistema de compensação” aos produtores, pediu apoios agrícolas e “apoios diretos para construção e melhoramento de vedações”, bem como “a criação de uma equipa de intervenção rápida para atuar em situações urgentes, ataques a gatos protegido, danos relevantes ou em áreas sensíveis, aplicando de imediato medidas de proteção”.

O Programa Alcateia 2025-2035, lançado pelo Governo, tem em 2026 um orçamento de 3,3 milhões de euros para proteger o lobo e indemnizar produtores. Identificou no país quatro núcleos populacionais: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro, num total de 58 alcateias (56 confirmadas, 2 prováveis) e cerca de 300 animais.

Fonte: Lusa | Imagem: Palombar