Vimioso: Regresso da Feira do Livro dá aso ao prémio Literário Norberto Lopes
O parque municipal de Vimioso, acolheu a 9 de junho, a Feira do Livro e e a mostra de trabalhos Espress’Arte, duas inciativas culturais e educativas, organizadas pelo município de Vimioso e pelo Agrupamento de Escolas (AEV), com a mesma finalidade de aproximar os jovens (e também os adultos) às artes como a literatura, tendo sido anunciada a criação do prémio literário Dr. Norberto Lopes.
A Feira do Livro foi organizada pelo município de Vimioso e de acordo com a vice-presidente, Cristina Miguel, há já alguns anos que não organizava este evento literário na vila de Vimioso.
“O município de Vimioso decidiu retomar a Feira do Livro aproveitando o encerramento dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões e da comemoração a 10 de junho, do Dia de Portugal. De Camões e das Comunidades Portuguesas”, justificou a autarca vimiosense.
No parque municipal de Vimioso, a Feira do Livro contou com a participação de três expositores de livros: um alfarrabista com livros gratuitos; a bibliografia do concelho de Vimioso; e a Editoral Novembro. O evento literário e artístico incluiu ainda outras atividades como a dança, música, declamação de poemas, contos orais e jogos lúdicos.
A Feira do Livro contou também com a visita dos escritores Manuela Bulcão, Raul Minh’Alma e Pedro Chagas Freitas, que proporcionaram momentos de proximidade e de conversa com os leitores vimiosenses, jovens e adultos.
“No próximo ano vai ser criado o Prémio Literário Dr. Norberto Lopes, na categoria infanto-juvenil e na categoria de adultos, para incentivar e premiar a produção literária aos residentes no concelho de Vimioso”, anunciou Cristina Miguel.
O jornalista e escritor, Norberto Lopes nasceu em Vimioso, a 30 de setembro de 1900. Trocou o direito pelo jornalismo, justificando que, “um jornalista está sempre à procura da verdade”.
Em 1936, como chefe de redação do Diário de Lisboa, Norberto Lopes, tornou-se o primeiro reporter português a acompanhar a guerra civil na vizinha Espanha.
Referindo-se ao projeto educativo Express’Artes, o diretor do Agrupamento de Escolas de Vimioso (AEV), Jorge Gonçalves, explicou que um dos objetivos deste agrupamento é a abertura à comunidade.
“Em colaboração com o município de Vimioso organizámos duas atividades paralelas, o projeto Espress’Arte e a Feira do Livro. O projeto educativo “Express’ARTE é uma iniciativa realizada no âmbito do Plano Nacional de Artes, cuja finalidade é promover o sucesso escolar e a inclusão através da educação pelas artes. Para isso, os nossos alunos elaboraram trabalhos inspirados no património arquitetónico da vila de Vimioso, em desenho, pintura, maquetes em cartão reciclado, música e canto, vídeo e outras expressões artísticas”, indicou.
No Agrupamento de Escolas de Vimioso, a ano letivo já terminou a 5 de junho para os alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos. Encerra a 12 de junho, para os estudantes dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos. No final do mês, a 30 de junho, é a vez dos alunos do pré-escolar e 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos iniciarem a férias de verão.
Função Pública: Concurso para 200 guardas prisionais
Abriu a 9 de junho, um concurso público para recrutar 200 guardas prisionais, cujas candidaturas decorrem ao longo de 10 dias úteis e pela primeira vez, permite candidatos com 18 anos, segundo o anúncio publicado em Diário da República.
De acordo com o documento, as 200 vagas disponíveis dão acesso ao curso de formação inicial, para ingresso na categoria de guarda da carreira especial de guarda prisional e as candidaturas são feitas ‘online’.
Uma das novidades deste concurso é a mudança do limite das idades dos candidatos, uma vez que podem agora concorrer pessoas que tenham 18 anos completos à data do fim do concurso, alterando assim o limite mínimo que estava fixado nos 21 anos.
A idade máxima também aumentou, passando dos 28 para os 35 anos, e os candidatos têm de ter nacionalidade portuguesa, o 12.º ano de escolaridade como formação mínima e um registo criminal limpo.
Este concurso faz parte do Plano Plurianual de Recrutamento e Promoções do Corpo da Guarda Prisional, aprovado em maio e que inclui 400 novos recrutamentos e 380 promoções, até 2027.
Em comunicado enviado no dia 22 de maio, o Ministério da Justiça referiu que “a valorização da carreira dos guardas prisionais tem sido uma das prioridades deste Governo”, reconhecendo “a importância da missão destes trabalhadores para “garantir a segurança e tranquilidade da comunidade prisional, bem como salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais” dos reclusos.
Fonte: Lusa | Imagem: Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
Sociedade: Congresso de Espiritualidade em Cuidados Paliativos foi «enorme sucesso»
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos destaca que o Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, realizado em Bragança, “foi um enorme sucesso” e apelou à assinatura da petição pública que promovem pela urgência de “reforçar” este setor.
“Este primeiro Congresso Internacional de Espiritualidade da nossa associação foi um enorme sucesso. A espiritualidade é, de facto, a essência do ser humano, que é muito diferente de religiosidade, e transversal a todos, independentemente das nossas crenças e da fé que professemos. É muito importante porque é a essência do ser humano e de cada um de nós, tanto da pessoa que cuidamos, como da pessoa que cuida”, disse presidente da APCP, Catarina Pazes, esta terça-feira, dia 9 de junho, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos, da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, realizou-se nos dias 5 e 6 de junho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPB – Instituto Politécnico de Bragança.
Catarina Pazes realçou que foram dois dias de “trabalho bastante positivos”, e tiram deste encontro internacional “um resultado muito, muito bom”, e assinalou a oportunidade de aprofundar esta temática, “de refletir, de apresentar evidência científicas”, e também de mobilizar recursos, e que, entre os profissionais, podem aprender uns com os outros para levarem para os seus contextos da prática clínica “mais e melhor, em termos de abordagem”.
O grupo de espiritualidade da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, liderado pela professora Ana Querido, organizou este I Congresso Internacional de Espiritualidade, realizado em Bragança, com uma “adesão foi muito boa, mais de 200 inscritos”, e “um programa muito amplo, com peritos”, que levaram “partilhas muito, muito importantes e muito valorizadas pelos participantes”.
O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, na comunicação ‘Espiritualidade e sentido da vida’, no segundo dia do congresso internacional, afirmou que “existe uma dimensão do humano que não se capta no microscópio”.
“Que não se mede com sondas nem com análises sanguíneas e nem se pode codificar em protocolos. Eis o invisível que sustenta o visível, eis o sentido que dá forma ao gesto, qual centelha de luz que habita o cuidado. Chamamos-lhe Espiritualidade”, referiu D. Nuno Almeida.
A presidente da APCP, a partir desta citação, explicou que esta é uma área clínica que “atende ao sofrimento”, que tem o propósito de aliviar e prevenir o sofrimento, e, “naturalmente, que tem que se ocupar e preocupar com as várias dimensões da pessoa”, para além de pensarem nas dimensões física, psicológica, e social.
“Nós precisamos de conhecer como ela é na sua essência, naquilo que a faz ser. E, de facto, saber quem é aquele a quem presto cuidado vai muito além daquilo que se pode medir e daquilo que se pode objetivar, porque acontece através de uma coisa que se chama relação; a importância que tem isto tudo no nosso trabalho é a diferença entre mais humanismo e menos humanismo, ou seja, um cuidado mais humanizado, individual e único”, desenvolveu.
Catarina Pazes comentou o tema do congresso internacional – ‘Finitude, sentido e cuidado’ -, concluindo que “fez todo o sentido” juntar essas três palavras “porque é o fio condutor para o cuidado” que prestam, sublinhou que a espiritualidade, “sendo algo essencial no ser humano”, está presente mesmo quando esta “não tem fé ou não acredita”, sendo possível trabalhar esse tema “mesmo que não haja fé e não haja religião”.
“A religião tem um papel importante na medida em que organiza para nós, enquanto humanos, esta relação com o espiritual, e estrutura. Esta estrutura e organização muitas vezes é o que ajuda no trazer mais à nossa vida essa relação com o espiritual; creio que há um lugar para sermos crentes entre quem é profissional, e entre quem está a viver uma situação difícil por causa de uma doença, o que não pode, nem a crença nem a não crença, impedir o cuidado espiritual”, acrescentou.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos já começou a planear o II Congresso Internacional de Espiritualidade, que “será em 2028, e muito provavelmente no Baixo Alentejo, em Beja”.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos está a promover a petição publica ‘Reforçar os Cuidados Paliativos em Portugal é Urgente’, no âmbito da defesa do acesso equitativo a cuidados paliativos de qualidade para todos os cidadãos, que tem mais de oito mil assinatura (8 092). “A petição é dar voz a quem normalmente não tem voz, é associar-nos em comunidade, em sociedade, para uma causa que é tão transversal. Os cuidados paliativos são uma área dos cuidados de saúde, uma área especializada, que atendendo às pessoas que sofrem por causa de uma doença grave, são muito importantes”, explicou Catarina Pazes.
Segundo a presidente da APCP, a associação abriu esta petição porque, “apesar da reconhecida importância” dos Cuidados Paliativos, mesmo “por quem governa e por quem toma decisões”, o que acontece no dia-a-dia “é uma ausência de planeamento, de financiamento, uma ausência de medidas concretas que mudem a realidade de não acesso ou de escasso acesso a esta área”.
A petição alerta, em Portugal, que “mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável, destas, entre 70 a 85 mil morrem todos os anos com necessidade de cuidados paliativos”, e a APCP apela “a um compromisso urgente e concreto por parte do Governo”, com cinco pontos.
Um das medidas é a nomeação de “forma muito urgente, imediata”, da Comissão Nacional de Cuidados Políticos, que “é o interlocutor” entre equipas, entre a sociedade, entre aquilo que são os profissionais e as estruturas da comunidade, e da sociedade de cuidados políticos e o governo.
“Precisamos que haja uma monitorização do que está a acontecer, que se conheça a realidade, que se perceba os problemas que as equipas vão enfrentar, e que se coloque em marcha aquilo que é a estratégia para resolver esses problemas, com financiamento próprio, com indicadores, com avaliação daquilo que é feito e com uma justificação para aquilo que não foi feito. e estratégias para ultrapassar essas dificuldades”, desenvolveu Catarina Pazes, sobre algo que “tem falhado ao longo dos anos”, são feitos planos estratégicos, “mas não há um financiamento ajustado”.
A Rede Nacional de Cuidados Paliativos, segundo a especialista, “é uma rede absolutamente funcional, transversal a todo o sistema”, existem equipas de suporte intra-hospitalares, nos serviços de internamento, e na comunidade, “que se deslocam a casa dos doentes, aos lares de idosos, unidades de cuidados continuados, etc”, e as unidades de cuidados paliativos dentro da rede nacional de cuidados continuados.
“Eu apelo a que continuemos a assinar esta petição, que nos ocupemos deste tema e o discutamos em casa e entre amigos, e nos vários contextos, e no nosso trabalho, etc. Porque a consciência que precisamos de um suporte e de uma resposta diferente quando estamos a passar por um momento difícil por causa de uma doença grave, que ameaça a vida, é importante na hora de exigir cuidados de saúde de qualidade; O apelo que deixo, é a sociedade estar mais consciente sobre isso e podermos ajudar uns aos outros a levar esta exigência a quem pode, de facto, mudar aquilo que está a acontecer.”
Dia de Portugal: Escolha dos Açores para as comemorações reconhece importância estratégica do arquipélago
O presidente do Governo açoriano, José Manuel Bolieiro, considera que a escolha do arquipélago, para as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas representa o reconhecimento da sua “importância estratégica”, no contexto nacional e atlântico.
José Manuel Bolieiro recebeu o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, numa audiência de apresentação de cumprimentos, que antecedeu o início do programa oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Segundo uma nota de imprensa do executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM, na audiência, José Manuel Bolieiro “saudou a escolha da região para acolher as comemorações de 2026, considerando que a decisão representa um reconhecimento da importância estratégica dos Açores no contexto nacional e atlântico”.
O líder do executivo também sublinhou que a região encara esta responsabilidade com “entusiasmo e sentido de missão”.
“Estamos de braços abertos para acolher uma celebração de sucesso”, afirmou, citado na nota.
Bolieiro destacou ainda a “posição geográfica singular” dos Açores e a sua “vocação de ligação entre continentes e culturas”.
“Os Açores são um território de paz, de cosmopolitismo e de ligação ao mundo”, referiu.
Na audiência também participou a representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.
De acordo com a nota, o Presidente da República, António José Seguro, assinou o Livro de Honra da Presidência do Governo dos Açores, “deixando registo da sua passagem pela região no âmbito das comemorações oficiais do 10 de Junho”.
Na ocasião, José Manuel Bolieiro ofereceu ao Presidente da República um livro, um quadro e um queijo de São Jorge, segundo fonte do Governo Regional.
Após a audiência, decorreu a cerimónia do hastear da Bandeira Nacional, no Pátio da Alfândega, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, que deu início às comemorações oficiais do Dia de Portugal na Região Autónoma dos Açores.
Esta quarta-feira, 10 de Junho, a cerimónia militar do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, também em Angra do Heroísmo, com discursos do Presidente da República e do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais.
António José Seguro escolheu o professor universitário açoriano Miguel Monjardino, nascido em Angra do Heroísmo, para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano, as primeiras do seu mandato presidencial.
A seguir à cerimónia militar do 10 de Junho, o programa do chefe de Estado inclui um almoço com a população, no Pavilhão Multiusos do Porto Judeu, e a cerimónia do arriar da bandeira nacional.
Miranda do Douro: Festa da Amizade volta a reunir idosos do concelho
No feriado de 10 de junho, o Santuário de Nossa Senhora do Naso, na Póvoa, volta a acolher mais uma edição da Festa da Amizade – Encontro de Idosos Mirandeses, um encontro anual que reúne mais de um milhar de pessoas, vindas das várias localidades do concelho de Miranda do Douro.
A Festa da Amizade – Encontro de Idosos Mirandeses é organizada pelo município de de Miranda do Douro e tem como finalidade proporcionar às pessoas idosas um dia diferente, marcado pelo convívio.
“Este encontro é um importante momento de promoção do envelhecimento ativo e de combate ao isolamento social, fortalecendo os laços de amizade e proximidade entre a população sénior”, justifica o município.
No Santuário do Naso, aos participantes na Festa da Amizade é oferecido um programa diversificado, que se inicia com a celebração da eucaristia, às 11h00.
“Segue-se o almoço às 13h00 e durante a tarde há animação musical, baile, jogos tradicionais e diversas atividades de convívio, num ambiente de alegria e confraternização”, indica a organização.
Durante a tarde, a animação musical conta com a participação do Coro da Universidade Sénior, da Banda Filarmónica Mirandesa e do baile animado pelo grupo DM Music.
Programa
11h00 – Missa
13h00 – Almoço
14h30 – Coro da Universidade Sénior – Associação Filarmónica Mirandesa
Miranda do Douro: Semana Internacional de Arquivos de 8 a 12 de junho
No âmbito da Semana Internacional dos Arquivos, que decorre entre 8 e 12 de junho, o município de Miranda Douro promove no serão desta terça-feira, 9 de junho, à apresentação do trabalho de investigação desenvolvido no Arquivo Municipal de Miranda do Douro, pelos investigadores Anabela Leal de Barros e António Bárbolo Alves, sobre a série documental “Testamentos”.
Este ano, a Semana Internacional dos Arquivos tem como tema “Arquivos para a Justiça: direitos, memória e futuros”, um título que reflete o reconhecimento de que os arquivos são pilares fundamentais para a democracia, a defesa de direitos e a reparação histórica através da memória.
No site institucional, o Município de Miranda do Douro informa que decidiu associar-se à celebração do Dia Internacional dos Arquivos (9 de junho), mostrando, de forma prática, como os documentos do passado constroem os direitos e o futuro da nossa comunidade.
“É precisamente neste cruzamento entre justiça histórica e memória coletiva que se insere a documentação senhorial e social da nossa região”, pode ler-se.
Na cidade de Miranda do Douro, o Dia Internacional dos Arquivos é assinalado a 9 de junho, às 21h00, no Arquivo Municipal, com a apresentação do trabalho de investigação realizado pelos investigadores Anabela Leal de Barros e António Bárbolo Alves.
“O estudo incide sobre a série documental Testamentos – um acervo profundamente ligado ao tema deste ano, onde as vontades individuais se tornaram direitos salvaguardados e onde a memória da Terra de Miranda ficou perpetuada para o futuro”, informa o município.
Em todo o mundo, a Semana Internacional dos Arquivos proporciona a realização de atividades destinadas a difundir o papel crucial dos arquivos na sociedade e a incentivar a utilização do património documental neles conservado.
O Dia Internacional dos Arquivos, a 9 de junho, é celebrado desde 1948, fruto da inciativa do Conselho Internacional de Arquivos (CIA) — uma organização internacional não governamental integrada na UNESCO, que promove a gestão eficiente de documentos, bem como a preservação do património arquivístico da humanidade.
Dia de Portugal: Igreja convida a «vencer o medo juntos» e à defesa da vida
O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, da Igreja Católica em Portugal, o bispo, D. Pedro Fernandes, publicou uma mensagem para a comemoração do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, convidando o país a “vencer o medo juntos” e à defesa da vida.
“O Portugal de sempre será o Portugal de amanhã se souber velar pela própria verdade, na defesa da vida toda e de todas as vidas. E que fique claro: a incontestável matriz cristã da identidade portuguesa impele-nos ao diálogo, que também é inter-religioso e intercultural; inspira-nos fraternidade e valorização da liberdade; convoca-nos à corresponsabilidade e à inclusão”, escreve D. Pedro Fernandes, na mensagem para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2026.
Entre “a gratidão e o compromisso”, o responsável católico elogia o “plural povo português, que se celebra a 10 de junho” e deseja que “seja permitido vencer o medo juntos, não divididos”, na procura de paz e no diálogo, “não nos discursos de ódio”, e “num sério ‘cumprimento’ de Portugal regido pela busca do “bem comum”.
A todos os nossos irmãos cristãos e a todos os outros nossos concidadãos, portugueses ou não, desejo, unido a Cristo, que Portugal se cumpra em nós e entre nós, como um lugar de paz e de justiça para todos.”
D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, assinala que as identidades nacionais têm algo de perene, “em que a continuidade se deve assegurar”, e de dinâmico, que “contraria compreensões imobilistas, rígidas”.
“Sabemos o quanto a identidade nacional e a cultura de um povo se vão construindo e entretecendo ao longo de séculos, acolhendo diferentes inspirações e conjugando diferentes origens, nem sempre lineares. Somos o que somos graças a um longo caminho, feito de memória e criatividade”, sustentou.
Para o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, a memória é importante quanto ao legado recebido, enquanto a criatividade, “indissociável da memória, é igualmente decisiva”.
“As nossas trajetórias históricas foram um processo criativo, em que nos soubemos reinventar, recolhendo com gratidão o dom e reinvestindo-o em novos desafios. Entre a gratidão e a construção, eis onde nos podemos ir descobrindo e afirmando”, acrescentou.
No âmbito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o responsável católico também refere-se ao contexto global contemporâneo que “é marcado pela incerteza e por uma mudança nem sempre reconfortante”:
“Espreita-nos o medo e a tentação de nos recurvarmos sobre nós, temorosos do que aí venha e do que os outros nos tragam”.
Segundo D. Pedro Fernandes, a história, “e também a fé cristã” que o anima, dizem que “é no diálogo e no acolhimento” que se encontra a estabilidade “e as condições para evoluir”, e destaca que o Papa Leão XIV na sua primeira encíclica ‘Magnifica Humanitas’ (Magnifica Humanidade), apresenta “duas imagens sugestivas”, da Torre da Babel, “feita de identidades fechadas e autoritárias”, e da reconstrução da Cidade Santa, que, “ao tempo de Neemias, se empreendeu num esforço comunitário de envolver todos”.
É este modelo de hospitalidade que também anunciamos aos nossos concidadãos que não são cristãos. Se vivemos em experiência de emigração, sabemos o quanto custa a discriminação e a violência do preconceito, mas também o quanto é reconfortante a porta aberta, a inclusão e a permissão para caminhar juntos, aprender e, de algum modo, nos tornarmos um, com os povos que nos acolhem. Essa experiência é inestimável para vencer as tentações populistas que nos dividem e impedem de caminhar como um povo.”
Na mensagem para o 10 de junho, D. Pedro Fernandes salienta que o poeta português “tocou algo de essencial” do que se é enquanto povo que “sabe estar e sabe partir, que sabe fazer do encontro de povos e culturas uma fonte para se assumir”, e citou também Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, e Fernando Pessoa.
O programa comemorativo do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2026 começou no Luxemburgo, com a visita do presidente da República, e outros responsáveis políticos à comunidade lusa e lusodescendentes no grão-ducado, e vai continuar nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira; António José Seguro designou a Ilha Terceira como sede das comemorações.
O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana começa a sua mensagem com “uma especial saudação” a todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, como aos cidadãos e cidadãs que “bebem da fonte da identidade nacional e da cultura portuguesa”.
Numa partilha “quase pessoal”, D. Pedro Fernandes recorda que também experimentou”a crise do contacto com a diferença”, como tantos “compatriotas vivendo no estrangeiro, ou concidadãos de outras nacionalidades, vivendo em Portugal”, e epxlica que foi aprendendo “a fazer as sínteses”, alcançadas a partir da hospitalidade que “foi proporcionada por outros e a partir do próprio acolhimento à novidade deles”.
“Tal experiência propicia um grande enriquecimento: é precisamente diante da diferença dos outros que se torna mais clara a própria identidade e, ao mesmo tempo, é este contacto que nos permite a abertura e a permeabilidade que nos faz crescer e aprender, entre continuidade com o que somos e hospitalidade àquilo em que nos vamos tornando”, acrescentou o bispo de Portalegre-Castelo Branco, religioso dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos).
A Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), tem quatro obras/secretariados: a Pastoral dos Ciganos, a Pastoral do Mar, a Pastoral do Turismo e a Obra Portuguesa das Migrações (OCPM).
Fonte: Ecclesia | Fotos: Em 2026, a Ilha Terceira e o Luxemburgo acolhem as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. (Fotos: Flickr)
Espanha: Papa defende gratuidade contra «lógica do lucro»
Na sua visita a Madrid (Espanha), o Papa Leão XIV elogiou o trabalho de milhares de voluntários e propôs a gratuidade como resposta a interesses económicos e financeiros.
“Num mundo continuamente influenciado pela lógica do interesse e do lucro, onde o termo crescimento se reduz à dimensão económico-financeira, é necessário pensar e viver segundo a lógica mais verdadeira, ou seja, a de um crescimento humano integral”, disse Leão XIV a 12 mil pessoas reunidas no pavilhão do IFEMA, onde decorreu o momento conclusivo da passagem do pontífice pela capital espanhola.
“A gratuidade é um fermento que faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual de uma sociedade”, acrescentou.
A intervenção destacou que a fé cristã exige uma atitude permanente de serviço.
“Isto realiza-se através através de um estilo de vida, de uma forma de pensar e de agir que é a do Evangelho”, assinalou o Papa.
Leão XIV reconheceu os sacrifícios pessoais assumidos pelos que prepararam e acompanharam a sua visita, marcada por vários banhos de multidão pelas ruas de Madrid.
“Tiraram dias de folga no trabalho, alguns de vós dedicaram-se a tempo inteiro durante meses, mas cada um deu o que pôde, oferecendo coração, mãos, ideias, talentos, sorrisos”, agradeceu.
O encontro incluiu a exibição de um vídeo sobre ‘O Exército Silencioso’ de voluntários, testemunhos e momentos musicais.
Nuño Castrillo, um pai de família que desenvolveu a plataforma de gestão e inscrição para o evento, partilhou a sua motivação.
“Não há qualquer cálculo por trás, não esperamos nada em troca”, declarou.
A organização registou mais de 17 mil candidaturas, para um total de 10 mil vagas disponíveis, mobilizando profissionais de áreas como a saúde, segurança e protocolo.
Na capital de Espanha, o encontro terminou, após um interlúdio musical, com palavras de agradecimento do arcebispo de Madrid.
“Obrigado por nos lembrar que o Evangelho continua a ter força para tocar o coração das nossas cidades e abrir caminhos de fraternidade, no meio de um mundo cansado de divisões e ruído”, disse o cardeal José Cobo Cano.
Antes da despedida, Leão XIV abençoou as primeiras pedras de 18 novas igrejas, que vão ser construídas na Província Eclesiástica de Madrid.
O Papa Leão XIV seguiu de carro até ao Aeroporto Internacional Adolfo Suárez, em Madrid-Barajas, de onde partiu com destino a Barcelona, para a segunda etapa da visita apostólica à Espanha, que se encerra a 12 de junho, no arquipélago das Canárias.
Atenor: Qualidade musical e gastronómica sobressaem na Ronda das Adegas
De 5 a 7 de junho, a aldeia de Atenor, no concelho de Miranda do Douro voltou a receber a visita de muitos visitantes, nacionais e estrangeiros, para a tradicional Ronda das Adegas, um evento anual que delicia o público pela qualidade da oferta cultural e gastronómica.
Na abertura da XIV Ronda das Adegas, a presidente do Município de Miranda do Douro, Helena Barril, realçou a longevidade deste evento cultural, musical e gastronómico que se tornou um ícone da região.
“À semelhança de outras marcas identitárias do concelho de Miranda do Douro, a Ronda das Adegas, em Atenor, também é um símbolo da Terra de Miranda, pois é uma montra da arquitetura tradicional, das tradições, das atividades económicas como a agricultura e a pecuária, dos antigos ofícios, dos produtos locais e da gastronomia, da língua mirandesa, da música tradicional e danças dos pauliteiros e dos jogos tradicionais”, destacou a autarca mirandesa.
Anualmente, a Ronda das Adegas é organizada pela Associação Cultural e Recreativa de Atenor (ACRA) e de acordo com o presidente, Vitor Rodrigues, este evento exige dinheiro e muito trabalho de planeamento e logística.
“Há já quatro edições que a Ronda das Adegas é organizada pela mesma direção da ACRA, pelo que julgo que é necessário passar o testemunho a uma direção mais jovem, com outra energia e novas ideias. No âmbito financeiro agradeço ao município de Miranda do Douro e à União de Freguesias de Sendim e Atenor pelo incondicional apoio na organização da Ronda das Adegas. Agradeço também à população de Atenor, pela hospitalidade e a confiança ao cederem os seus espaços para a instalação das adegas”, disse o dirigente associativo.
Luís Santiago, presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, sublinhou o compromisso da autarquia na projeção da Ronda das Adegas, a nível regional, nacional e internacional.
“A aldeia de Atenor pela sua pequena dimensão, pela arquitetura tradicional das casas em xisto e pelo percurso circular é muito atrativa e apetecível para o público. Ao juntar a estas caraterísticas únicas, outros ingredientes como a boa música e a gastronomia, estão reunidas condições para que a Ronda das Adegas seja um evento que faça parte do calendário anual de muitas famílias, grupos de amigos e pessoas vindas da região e de outras latitudes”, justificou o autarca sendinês.
Todos os anos, o evento em Atenor, atrai a vinda de centenas e milhares de pessoas da região, do país e até do estrangeiro.
De Porto viajaram até Miranda do Douro, cinco pessoas pertencentes ao motoclube Vespa Clube do Porto, para conhecer a Ronda das Adegas. Em Atenor, os portuenses deliciaram-se com as paisagens, o património histórico, a língua mirandesa, a gastronomia e a música tradicional.
De Palmela, viajaram até Atenor, 33 pessoas do motoclube de Palmela e do grupo Motard “Os Preguiças”. Uma das motards, Iola Fernandes, revelou que já participa na Ronda das Adegas há três anos consecutivos e disse apreciar sobretudo a hospitalidade da população local.
“Chegámos no dia 4 de junho e vamos ficar em Atenor até ao dia 8 de junho, para desfrutar ao máximo da Ronda das Adegas”, disse.
Do lado da população residente, o casal Sabina Martins e Tó André, disseram que a Ronda das Adegas é um evento que traz gente e alegria durante um fim-de-semana à localidade.
“Para nós que vivemos permanentemente em Atenor, pouco importa se de ano para ano, há mais ou menos gente na Ronda das Adegas. O que importa é que este evento continue fiel à antiga tradição de abrir as adegas e os currais para provar o vinho, degustar os petiscos e proporcionar o convívio entre as pessoas locais e os visitantes”, disseram.
Para que o evento não se perca, o jovem casal de Atenor lembrou a importância de oferecer atividades diversificadas para os vários públicos, como atividades para crianças, jogos tradicionais, ioga, workshops artesanais, um mercado rural, animação de rua e e miniconcertos durante o dia.
Do estrangeiro, o casal dos Países Baixos, Frans der Adel e Manda Adel, regressaram a Atenor, pela quarta vez, para participar na Ronda das Adegas.
“Gostamos muito da tranquilidade e da beleza do planalto mirandês. Somos apaixonados pela observação das aves que há no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI). Gostamos muito de caminhar e andar de bicicleta nesta região. Na Ronda das Adegas, em Atenor, apreciamos a variedade da gastronomia, dos vinhos e dos produtos locais, que por sinal este ano há menos expositores”, disseram.
Do lado dos expositores, Luís Martins, do restaurante Baraço, edificado na aldeia do Azinhoso (Mogadouro) referiu que é importante sair do restaurante para dar a conhecer a sua gastronomia a outros públicos.
“Não basta pensar apenas na minha aldeia, é necessário e salutar ir mais longe para dar a conhecer a minha gastronomia a outros públicos. A participação na Ronda das Adegas, em Atenor, é uma ótima oportunidade, dado que é um evento muito conhecido que reúne pessoas de todo o país e do estrangeiro”, justificou o chef de cozinha.
Em Atenor, Luís Martins, presenteou o público com receitas como caldo de casulas no pote, rissol de perdiz, queijo fresco de ovelha, creme de morangos, entre outras iguarias gastronómicas.
“Tendo em consideração da sazonalidade, todos estes pratos são feitos a partir de produtos da região, como são a carne mirandesa, a perdiz, o queijo de ovelha, a manteiga de amêndoa, a bola doce mirandesa, os figos, etc. Esta seleção de pratos visa também promover a nossa região através da gastronomia”, justificou Luís Martins.
Outro produto identitário da região é o vinho. O vitivinicultor de Sendim, António Picotês, em parceria com o cozinheiro do restaurante Baraço, Luís Martins, participaram juntos na Ronda das Adegas.
“A Ronda das Adegas é um evento muito interessante que na minha opinião pode ainda ser melhorado, pois quem nos visita procura o que é genuíno na região. Ao participar neste evento, juntamente com o chef de cozinha Luís Martins, quis dar a provar os vinhos Picotês Wines, um produto de qualidade proveniente das vinhas plantadas nas arribas do rio Douro. ”, concluiu.
Opinião: Mocidade de Sendim mantém viva uma das mais emblemáticas tradições da vila
A tradição voltou a cumprir-se para a vila de Sendim com a celebração da Santíssima Trindade, uma data que continua a ser um dos momentos mais marcantes da identidade cultural e comunitária local. No centro das festividades esteve, uma vez mais, a Mocidade de Sendim, composta por três rapazes e três raparigas que, ano após ano, assumem a responsabilidade de representar a juventude sendinesa.
Escolhidos como mordomos da Mocidade, estes seis jovens recebem o testemunho da geração anterior e dedicam grande parte do ano à organização de iniciativas que permitem manter viva uma tradição secular. O principal objetivo do seu trabalho culmina precisamente no dia da Santíssima Trindade, quando marcam presença na romaria com o tradicional bar da Mocidade, ponto de encontro e convívio para habitantes e visitantes.
Um dos momentos mais emocionantes da celebração acontece após os atos religiosos, quando a Mocidade toma a iniciativa de rondar a igreja empunhando as históricas bandeiras da Malta de Sendim. Atrás dos jovens segue a população, de ramos erguidos ao alto, enquanto se entoam os cânticos característicos que ecoam e simbolizam a força, a garra e a união do povo sendinês. Trata-se de um ritual profundamente enraizado na memória coletiva da comunidade, transmitido de geração em geração.
Concluída a volta à igreja, a festa prossegue em direção ao Vale de Fonte de Aldeia, localmente conhecido como a “Charca”. É neste cenário que a mordomia oferece o tradicional jantar a toda a população de Sendim, reunindo centenas de pessoas à mesa num ambiente de partilha e confraternização.
Mais do que uma refeição, este momento representa um verdadeiro reencontro da comunidade. Famílias, amigos, emigrantes regressados à terra e visitantes juntam-se para celebrar as suas raízes, fortalecer laços de amizade e desfrutar de uma atmosfera marcada pela boa disposição e pelo espírito de união.
A Mocidade de Sendim continua, assim, a desempenhar um papel fundamental na preservação de uma tradição que ultrapassa o simples caráter festivo. É um símbolo de pertença, continuidade e orgulho coletivo, demonstrando que as novas gerações permanecem empenhadas em honrar e transmitir o património cultural que distingue a vila de Sendim.
Num tempo em que muitas tradições enfrentam o risco de desaparecer, a Santíssima Trindade e a Mocidade de Sendim permanecem como um exemplo vivo da capacidade de uma comunidade em manter as suas raízes, celebrando a amizade, a identidade e o espírito único que caracteriza o povo sendinês.