Neste fim-de-semana de 17 a 19 de julho, as localidades raianas de Rio de Onor, organizam o Festival D’Onor, um evento cultural que envolve as comunidades e dá a conhecer as tradições e a cultura dos dois lados da fronteira.
Esta pequena aldeia do concelho de Bragança, que durante o ano tem cerca de 30 habitantes, transforma-se durante estes dias, com o regresso dos filhos da terra, que abrem as portas das suas casas, na tradicional ronda das adegas, uma das grandes atrações do festival, que acontece sempre ao sábado.
“É uma das coisas que não tem descrição. Eu que já passei bastantes rondas das adegas, o formato é sempre o mesmo, o que conta depois é o coração das pessoas, o bem receber que aqui temos, marca a diferença completamente. Entra aqui numa adega e sente-se em casa. É algo que não se explica, sem ser vivenciado”, realçou Rúben Monteiro, presidente da Montes de Festa- Associação.
Espera-se que nesta edição, que é já a oitava, estejam abertas 20 adegas, das quais cinco serão no lado espanhol da aldeia, em Rio de Honor, que também está “completamente envolvida” no festival.
Com “muita música à mistura”, gaitas de foles e pequenos concertos ao longo da aldeia, os visitantes andam de casa em casa, onde lhes é dado de beber e de comer.
Este ano haverá uma novidade. “Este ano tem a particularidade que vai terminar com um concerto em Rio de Honor espanhol”, adiantou à Lusa Rúben Monteiro.
À noite haverá os habituais concertos, com música tradicional da gaita-de-foles, música mais contemporânea e uma mistura de música eletrónica com tradicional.
Esta edição são cabeças de cartaz Edmundo Inácio, Kumpania Algazarra e o Dj Omiri,
No ano passado, durante os três dias do festival, passaram por Rio de Onor cerca de oito mil visitantes, sendo que só no sábado, o dia que junta mais gente, devido à ronda das adegas, a organização contabilizou seis mil pessoas.
“A estrutura do festival já é difícil de caber nela própria, ou seja, na aldeia”, admitiu a organização.
Rio de Onor caracteriza-se, não só, por ser uma aldeia transfronteiriça, mas pela sua beleza natural, numa harmonia entre o rio e a floresta, em pleno Parque Natural de Montesinho. Muitos visitantes acampam nestes dias.
Segundo Rúben Monteiro, neste momento, o parque de campismo já tem reservas de campistas de Madrid, do Porto, de Zamora, de Sanabria.
O Festival D’Onor representa um investimento de 30 mil euros, o maior de sempre, com o apoio de diversas entidades, mas segundo a associação Montes de Festa “o maior apoio para isto acontecer é a comunidade local em si”.
“Isto não acontece pelo apoio monetário, acontece pela envolvência das comunidades, sem isso não seria possível”, rematou Rúben Monteiro.
Meteorologia: Fenómeno “El Niño” altera clima mundial – IPMA
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indica que o fenómeno “El Niño”, de aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, que provoca alterações no clima a nível mundial já começou e deve prolongar-se até ao início de 2027.
O instituto cita o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), dos Estados Unidos, para dizer que o indicador de temperatura já está na fase “El Niño” e que a temperatura está 1,2ºC acima do normal.
O chamado índice ENSO é um indicador que mede o estado do fenómeno de interação oceano-atmosfera.
Com ele identifica-se se o mundo está perante um “El Niño”, se as temperaturas na superfície do mar estão acima do normal, perante “La Niña”, se estão inferiores ao normal, ou em fase neutral, quando as temperaturas estão nos valores normais.
No comunicado, o IPMA diz que as previsões de diversos modelos apontam para que ao longo das próximas semanas haja uma probabilidade superior a 99% de persistência de um episódio de “El-Niño”, até ao início de 2027.
E apontam também para uma probabilidade superior a 80% de se verificar um fenómeno de “El-Niño” muito forte.
O IPMA reafirma que, embora o fenómeno ocorra no Oceano Pacífico, pode influenciar significativamente os padrões climáticos à escala global.
Os efeitos do fenómeno de “El-Niño” em Portugal não são diretos nem estatisticamente significativos, mas o IPMA continuará a acompanhar a evolução da situação e divulgar atualizações sempre que se justifique.
A Organização Meteorológica Mundial, que corrobora a informação do CPC/NOAA, alerta para, dada a intensidade do fenómeno, o aumento dos riscos de ocorrência de eventos climáticos extremos, especialmente na faixa tropical e equatorial.
Entre estes impactos incluem-se ondas de calor, episódios de seca e eventos de precipitação intensa, principalmente na faixa equatorial do planeta, diz a organização, citada também pelo IPMA.
Meteorologia: Temperaturas elevadas agravam risco de incêndio
Os distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso (Bragança), Belmonte (Castelo Branco), Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal, Mação (Santarém), Gavião, Nisa (Portalegre), Loulé, São Brás de Alportel e Tavira (Faro).
O IPMA colocou também mais de 60 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Coimbra, Leiria, Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Beja e Faro em perigo muito elevado de incêndio.
No sábado, dia 18 de julho, o perigo de incêndio vai intensificar-se, abrangendo mais concelhos de mais distritos.
O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.
O IPMA prevê para 17 de julho, no continente, céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de muito nublado até ao meio da manhã, em especial no litoral oeste e possibilidade de ocorrência de chuva fraca no litoral Norte e Centro até ao meio da manhã.
A previsão aponta ainda para neblina ou nevoeiro matinal, vento mais intenso junto à faixa costeira durante a tarde e pequena descida da temperatura mínima no interior.
AS temperaturas mínimas vão variar entre os 13 graus Celsius (Bragança) e os 20 (Faro) e as máximas entre os 23 (Porto e Viana do Castelo) e os 33 (Castelo Branco, Évora, Beja e Faro).
Miranda do Douro: Feira de Artesanato e Multiatividades de 14 a 23 de agosto
A avenida Aranda del Duero, em Miranda do Douro, volta a ser o palco da Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades, um certame que decorre de 14 a 23 de agosto, com artesanato, produtos locais, gastronomia, música e animação, num certame de verão que recebe a visita dos emigrantes e turistas.
O certame é organizado pela Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro (ACIMD) e segundo o presidente, Bruno Gomes, nesta XVIII edição vão participar 54 expositores, portugueses e espanhóis.
“A Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é um evento predominantemente vocacionado para a promoção e divulgação do artesanato . Por isso, os destaques da feira são a presença de artesãos da cutelaria, burel, madeira, artigos de divulgação da língua mirandesa, escultura e instrumentos musicais”, indicou.
Aos artesãos juntam-se ainda outros expositores com artigos e produtos de bijutaria, texteis, estampagem, minerais, livros, antiguidades, doçaria tradicional, mel, compotas, frutos secos e restauração de rua com pizzas, crepes e gelados.
O certame decorre entre as 10h00 e as 24h00, na avenida Aranda del Duero, que liga as ruas comerciais da cidade, à zona histórica de Miranda do Douro.
“Ao final da tarde, entre as 20h00 e as 23h00, a circulação na avenida só é permitida às pessoas, com o propósito de permitir uma visita mais agradável à feira. Ao longo destes 10 dias, verifica-se uma maior afluência de pessoas à cidade de Miranda, com o regresso dos emigrantes, a visita de turistas e a realização das festas da cidade”, indicou o empresário e dirigente associativo.
Ao longo dos 10 dias, a XXVIII Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é animada, diariamente, com as danças dos grupos de Pauliteiros de Miranda e com os espetáculos musicais das Festas da Cidade, que decorrem, em simultâneo, de 20 a 23 de agosto.
“Este ano, a programação da Famidouro inclui na abertura do certame, uma caminhada colorida e a festa da espuma. Para as crianças vão ser instalados insufláveis e para os mais crescidos uma pista de carrinhos de choque. Ao longo dos 10 dias, para animar a feira está programado o Festival de Folclore da Mirandanças, a atuação musical de Luís Velho e dos seus alunos, os concerto dos L’s Madrugadores e dos Rachó Lato, os cantares e danças do grupo Tradifols e do grupo espanhol Aulas de Música de Aliste e Trás os Montes, demonstrações de kickboxing e as danças de salão de Mogadouro”, indica a programação.
A Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é um evento organizado pela Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro (ACIMD), que conta com os apoios do município e da freguesia e a colaboração de várias associações do concelho.
“Este certame é um bom exemplo da entreajuda e do trabalho em conjunto que há entre a ACIMD, o município, a freguesia e a várias associações culturais do concelho de Miranda do Douro. Para assinalar esta colaboração, no encerramento da Famidouro gostaríamos de realizar um desfile com a participação de todos os intervenientes na organização e animação da feira”, referiu Bruno Gomes.
De acordo com a ACIMD, nesta época de verão, a Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é também um importante impulso para a economia local, já que a maior afluência de público à cidade traz maior movimento e retorno económico para os vários setores de atividade, com destaque para a restauração, o comércio e a hotelaria.
Miranda do Douro: IA e incentivos financeiros às empresas
No dia 15 de julho, realizou-se na freguesia de Miranda do Douro, uma sessão de esclarecimento destinada aos empresários locais, sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) e alguns dos incentivos financeiros que existem para apoiar a modernização e a competitividade das empresas do concelho de Miranda do Douro.
A sessão de informação foi orientada pelos representantes das empresas ADARME – Agência de Publicidade e Valdora – empresa de Consultoria.
No painel dedicado às estratégias de Competitividade e Inteligência Artificial aplicada aos Negócios, Alexandre Lourenço, da ADARME, referiu que perante os problemas do despovoamento, o envelhecimento da população e a falta de tempo para inovar, o recurso à Inteligência Artificial pode ser uma mais valia.
“Os serviços de marketing, criação de conteúdos e campanhas publicitárias com recurso à Inteligência Artificial (IA) podem ajudar os empresários a ganhar tempo, a aumentar as vendas e a competitividade das empresas”, disse.
Por sua vez, João Oliveira, da Valdora Consulting, informou os empresários de Miranda do Douro sobre alguns dos Apoios ao Investimento para Micro e Pequenas Empresas.
“No âmbito do turismo, estão abertas até 31 de dezembro de 2026, as candidaturas para o programa Linha de Apoio à Qualificação da Oferta. Trata-se de uma linha apoio ao investimento, protocolada entre o Turismo de Portugal e várias instituições bancárias, sendo um dos principais instrumentos financeiros de apoio às empresas do setor do turismo, nomeadamente da restauração e bebidas e do alojamento turístico”, referiu.
Como incentivos, nos nove concelhos da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (Cim-TTM), onde está o concelho de Miranda do Douro, estão abertas as candidaturas (até 30 de setembro de 2026) para o aviso “Apoio à criação de emprego e microempreendedorismo”, no âmbito do Programa Regional do Norte 2021-2027( NORTE 2030).
“Este apoio pretende incentivar a criação de emprego no território, financiando novos postos de trabalho em micro e pequenas empresas, em fase de expansão e em entidades da economia social, desde que os contratos sejam sem termo e a tempo inteiro”, acrescentou.
Outro incentivo às empresas sediadas no nordeste transmontano é o Sistema de Incentivos de Base Territorial. Trata-se de investimentos de pequena dimensão de micro e pequenas empresas, que contribuam para o emprego e para a modernização e resiliência das economias locais.
“A data prevista para a abertura das candidaturas a este incentivo é agosto de 2026. O financiamento âs empresas é até 60% a fundo perdido, para despesas elegíveis como a aquisição de máquinas e equipamento, softwares, painéis fotovoltaicos e baterias, entre outras despesas”, indicou.
Segundo o representante, a empresa de consultoria Valdora presta serviços como a elaboração e submissão de candidaturas, assim como o acompanhamento da execução do projeto, após a aprovação da candidatura.
A iniciativa “Incentivos & Oportunidades para o empresário mirandês”, em Miranda do Douro, foi organizada pela freguesia local, em colaboração com as empresas ADARME e Valdora.
O PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura, em Vimioso, preparou a Oficina “O Eclipse no Observatório do PINTA”, que consiste num conjunto de atividades lúdicas, destinadas aos apreciadores da astronomia, para observar o eclipse total do sol, previsto para o dia 12 de agosto.
A 12 de agosto de 2026, em Portugal continental vai presenciar-se um eclipse, com uma percentagem de ocultação do Sol entre os 92% e os 100%. No nordeste transmontano, prevê-se que a lua oculte em 99% a luz solar.
“Um eclipse acontece quando a lua se posiciona entre a Terra e o sol, projetando a sua sombra sobre o planeta. O momento máximo do eclipse deve ocorrer por volta das 19h30. O Sol vai ficar completamente encoberto durante cerca de 26 segundos”, indicam.
Olhar diretamente para o Sol, mesmo durante um eclipse, pode provocar lesões oculares graves, por isso, observação deve ser feita com filtros certificados, óculos certificados e projetores solares.
Em Portugal, o último eclipse total do Sol visível ocorreu em 1912. O próximo só deve acontecer em 2144, o que torna este evento uma raridade
Em Vimioso, a sessão de astronomia é organizada pelo município de Vimioso, em conjunto com a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA) e a organização Palombar.
Mogadouro: “Máscaras da Alma – Entre o Sagrado e o Profano”
De 18 de julho até 18 de setembro, o Posto de Turismo de Mogadouro acolhe a exposição “Máscaras da Alma – Entre o Sagrado e o Profano”, do artista plástico, Rui Santos, inspirada nas gentes, costumes e no património cultural de Trás-os-Montes.
O autor adiantou que esta mostra de máscaras convida os visitantes a percorrer um universo onde a tradição, a identidade e a espiritualidade se cruzam.
“Inspirada nas gentes, nos costumes e no património cultural de Trás-os-Montes, a exposição propõe uma reflexão sobre as diferentes “máscaras” que todos usamos ao longo da vida: as que revelam quem somos e as que escondem aquilo que sentimos”, explicou.
Através da pintura, Rui Santos que também conhecido por ‘Gady’ estabelece um diálogo entre o sagrado e o profano, entre a fé e a superstição, entre a memória coletiva e a experiência individual, valorizando o património humano e cultural que molda a identidade transmontana.
Miranda do Douro: Museu da Terra de Miranda recebe trajes tradicionais
Em Miranda do Douro, o Museu da Terra de Miranda recebeu uma coleção proveniente do Museu Nacional do Traje, sediado em Lisboa, trata-se de um conjunto de trajes tradicionais mirandeses como capas de honra, trajes dos pauliteiros e indumentárias femininas.
A par dos trajes, o Museu da Terra de Miranda recebeu uma gaita-de-foles e outras peças de elevado valor histórico, etnográfico e cultural, profundamente ligadas à identidade da região do planalto mirandês.
“Estes novos elementos representam um reforço muito relevante das coleções do Museu da Terra de Miranda, permitindo preservar, estudar e dar a conhecer um património que testemunha a riqueza das tradições, dos saberes e da cultura mirandesa”, indica o museu.
De acordo com a direção da unidade museológica, a parceria entre o Museu Nacional do Traje e o Museu da Terra de Miranda “traduz o reconhecimento da importância do museu na salvaguarda e valorização do património cultural da região, reunindo as condições adequadas para assegurar a conservação, investigação e divulgação deste valioso acervo”.
Leitura: Nova edição de “Os Maias” usa QR Codes para guiar leitores pelo universo de Eça de Queirós
A 16 de julho, é apresentada uma nova edição da obra literária “Os Maias”, enriquecida com códigos QR, o que possibilita aos leitores conhecer a cidade de Lisboa, no tempo de Eça de Queirós (1845-1900), visitar o Ramalhete, ouvir a música das personagens e compreender referências históricas.
Com esta iniciativa, a editora Quetzal procura aproximar os leitores contemporâneos de um romance considerado central no cânone literário português e de leitura obrigatória nas escolas, mas cuja compreensão – sobretudo entre os jovens – pode ser dificultada pela abundância de referências que estão presas ao passado.
A nova edição do romance de Eça de Queirós foi apresentada hoje, em Lisboa, pelo diretor editorial da Quetzal, Francisco José Viegas, que definiu este projeto como uma forma de devolver aos leitores do século XXI o contexto histórico, político, cultural e social que os leitores de 1888 possuíam naturalmente.
“Hoje os nossos miúdos não conhecem essas referências e, desculpem, muitos professores também não”, afirmou.
Para tal, a edição mantém integralmente o texto original de Eça de Queirós, mas foi dotada de centenas de notas assinaladas por códigos QR que remetem para conteúdos explicativos acessíveis através do telemóvel.
Os códigos permitem esclarecer referências a geografia, toponímia, política, gastronomia, moda, figuras históricas, literatura, música, pintura, instituições e objetos do quotidiano oitocentista.
Deste modo, torna-se possível ouvir as músicas referidas na obra, como é o caso do “Hino da Carta”, descobrir quem foram personalidades como Guizot, e ver as pinturas referidas no texto, como os quadros pendurados nos salões da Casa do Ramalhete.
Os leitores podem também descobrir quem eram figuras como Gambetta, Klopstock ou o duque de Saldanha, onde ficavam locais como o Aterro, o Jockey Club ou o Hotel Bragança, perceber o significado de palavras como “dogcart”, “fumoir”, “bambinela”, “cretone”, “repes”, “talagarça” ou “rapé”, e contextualizar dezenas de outras referências espalhadas ao longo da narrativa.
Durante a apresentação, Francisco José Viegas defendeu que as dificuldades de leitura de “Os Maias” não resultam essencialmente da escrita de Eça, mas da perda de um conjunto de referências culturais que os leitores do século XIX dominavam de forma natural.
“É absurdo nós lermos um livro e não sabermos aquilo de que ele fala. O que queremos fazer é abrir estes livros para serem lidos na sua totalidade”, considerou o editor, que espera que esta edição “facilite a vida aos estudantes que leiam ‘Os Maias’ por obrigação e também aos professores que têm de dar ‘Os Maias’ por obrigação”.
O editor recordou que o romance começa precisamente com uma referência geográfica muito concreta – a Casa do Ramalhete, situada na Rua de São Francisco de Paula, no bairro das Janelas Verdes – e sustentou que compreender o espaço, os lugares e os contextos onde decorre a ação é fundamental para compreender a obra.
A propósito, evocou uma entrevista do escritor Vladimir Nabokov à revista Paris Review, na qual o autor explicava que, ao ensinar “Ulisses”, de James Joyce, começava por pedir aos alunos que adquirissem um mapa de Dublin e um mapa dos transportes da cidade.
Para Francisco José Viegas, o mesmo princípio aplica-se à obra de Eça de Queirós, em que conhecer a geografia da Lisboa de “Os Maias” é uma das formas de entrar no romance.
Os conteúdos disponíveis através dos códigos QR funcionam como uma rede de notas explicativas digitais, remetendo para fontes abertas, incluindo páginas institucionais, arquivos, museus, enciclopédias, plataformas de consulta pública e, em muitos casos, a conteúdos multimédia.
Os leitores podem, por exemplo, escutar as obras musicais mencionadas no romance, como peças de Mendelssohn ou excertos de óperas como “La Traviata”, e visualizar pinturas referidas por Eça, incluindo obras de Velázquez e Rubens.
Segundo Francisco José Viegas, o projeto pretende igualmente recuperar dimensões da obra que frequentemente passam despercebidas aos estudantes, entre elas o humor, a ironia e a riqueza das personagens criadas por Eça de Queirós.
Na opinião do editor, e ex-secretário de Estado da Cultura do XIX Governo Constitucional, o ensino do romance privilegiou durante décadas aspetos relacionados com a estrutura narrativa e a cronologia da ação, quando uma parte importante do prazer da leitura reside nas personagens, nos diálogos e nas referências culturais que atravessam a narrativa.
A edição inclui ainda um ‘quiz’ com 100 perguntas sobre o romance, pensado para testar os conhecimentos dos leitores e promover uma abordagem mais lúdica da obra.
As questões abordam episódios, personagens, diálogos, refeições, locais e outros detalhes do universo de “Os Maias”.
A seleção dos conteúdos acessíveis através dos códigos QR foi realizada pelo historiador e escritor português André Canhoto Costa, autor igualmente publicado pela Quetzal.
De acordo com Francisco José Viegas, esta edição é a primeira de um projeto mais amplo destinado a contextualizar grandes clássicos da literatura portuguesa através de recursos digitais.
No início do próximo ano, deverão ser publicadas novas edições de “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, e de “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garrett, estando pensadas também obras de Júlio Dinis, como “As Pupilas do Senhor Reitor” ou “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, adiantou.
Publicado em 1888, o romance “Os Maias” é considerado um dos mais importantes da literatura portuguesa e está integrado nas leituras obrigatórias do ensino secundário.
Ambiente: CIM das Terras de Trás-os-Montes apresentou Plano de Ação Climática
A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) apresentou um plano estratégico de mitigação das alterações climáticas, cujo programa inclui ações de sensibilização nas escolas, junto dos empresários e agricultores.
“São os nossos comportamentos que têm de mudar para nos adaptarmos às alterações climáticas, conseguirmos continuar a viver, ou seja, termos um equilíbrio entre aquilo que são as alterações climáticas e aquilo que é o desenvolvimento económico, mas também a nossa cultura”, sublinhou o presidente da CIM-TTM, Pedro Lima.
O Plano de Ação Climática divide-se em duas partes, mitigação e adaptação. No que toca à mitigação, são apontadas medidas de diminuição de consumo de produtos derivados de petróleo, e no que toca à adaptação, o objetivo é atuar na gestão da água e na prevenção de incêndios.
Segundo o presidente desta comunidade intermunicipal, que abrange os municípios de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Mogadouro, Miranda do Douro, Vinhais, Vimioso e Vila Flor, é preciso sensibilizar e mudar comportamentos, desde logo com várias ações de debate e consciencialização nas escolas, mas também junto dos empresários agrícolas.
“Pegando na temática dos incêndios, não podemos continuar a ter comportamentos negligentes, não podemos continuar a ter comportamentos como se as alterações climáticas não existissem e os incêndios eram a mesma coisa que há 15 ou 20 anos. Outro exemplo, temos que saber respeitar a água, temos de saber poupar água, temos de ter comportamentos muito diferenciados”, frisou o autarca.
Este plano teve por base um estudo prévio, que permitiu concluir que, apesar de a região não ser grande emissora de gás efeito de estufa, comparativamente a grandes centros urbanos, essa emissão está associada aos transportes e à agricultura, nomeadamente uso de maquinaria agrícola.
“O que tem maior peso nas emissões de gases de efeito estufa são os produtos derivados de petróleo, gasolina, gasóleo, ou seja, reduzir para termos outras alternativas”, esclareceu Ruben Duarte, da Biz Future, empresa responsável pelo plano, sublinhando que uma das soluções passa pela mobilidade elétrica, mas também pela mobilidade mais ativa, andar mais a pé.
No que diz respeito a estratégias agrícolas, além de ter de haver uma adaptação nas culturas plantadas, o plano recomenda a instalação de painéis fotovoltaicos em edifícios, mas também maquinaria com melhor classe energética.
Uma vez que a maioria dos agricultores da região tem uma idade superior a 50 anos, Ruben Duarte reconhece que será um “trabalho difícil” de mudança de mentalidades, mas que deve ser feito, bem como, investimento nos transportes públicos, para se tornarem mais eficientes, na região e em todo o país. “Sem investimento na questão dos transportes é impossível mudar o paradigma”, afirmou.
O Plano de Ação Climática foi apresentado na albufeira do Azibo, Macedo de Cavaleiros, conta com um financiamento de 370 mil euros, do programa NORTE 2030.
A vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para a área do Ambiente, Gabriela Leite, revelou que a CCDR-N também já lançou, na semana passada, um Plano Regional de Ação Climática, que tem em conta os planos dos municípios.