VI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Jesus vai mais além
Sir 15, 16-21 / Slm 118 (119), 1-2.4-5. 17-18.33-34 / 1 Cor 2, 6-10 / Mt 5, 17-37 ou 5, 20-22a.27-28.33-34a.37

São Mateus trata da relação de Jesus (a nova Lei) com o Antigo Testamento (a antiga Lei): primeiro, faz uma exposição geral; depois, aplica a matérias específicas.
Com efeito, Jesus afirma que Ele – e, portanto, o Novo Testamento – não está em contradição com o Antigo Testamento. Quer dizer que o Antigo Testamento não é banido, mas assumido. É assumido com os olhos do Novo Testamento. É, portanto, interpretado numa perspetiva mais ampla, mais exigente, mais profunda.
Jesus clarifica: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar». E adverte: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus».
A seguir, Jesus aplica isto a matérias específicas. Começa sempre com a fórmula: «Foi dito aos antigos… Eu, porém, digo-vos…». Ou seja: primeiro, refere um mandamento ou um procedimento do Antigo Testamento; depois, transporta a matéria para uma perspetiva mais ampla. Assim, Jesus refere o mandamento «não matarás» (Ex 20, 13). Mas não se limita ao homicídio. Fala também da ira, do menosprezo e da maledicência. Jesus refere o mandamento «não cometerás adultério» (Ex 20, 14). Mas fala também do adultério cometido já no coração. Jesus alude ao direito de o marido repudiar a sua mulher (Deut 24, 1). Mas pede aqui cautela, numa linha de maior reciprocidade na responsabilidade. Jesus alude à obrigação de não faltar ao cumprimento dos juramentos (Lev 19, 12; Num 30, 3). Mas exorta a que não se jure de modo algum, tendo em mente a honestidade que não precisa de jurar.
Este ampliar da reflexão, que Jesus nos pede, deve-se ao facto de Ele focar não tanto o cumprimento exterior do que está mandado, mas a atitude interior que lhe deve estar subjacente. Jesus centra-se, antes de mais, não no objeto da Lei, mas no sujeito chamado a cumprir a Lei. Expande uma observação que vem já no Livro do Ben-Sirá: «se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade». No fundo, é procurar ver o cumprimento da Lei com a dimensão que Deus lhe dá. Como diz São Paulo: «nós falamos (…) de uma sabedoria que não é deste mundo, (…), falamos da sabedoria de Deus» (1.ª Coríntios).




























