Santulhão: “A pastorícia é uma atividade ambiental indispensável” – Filipe Calado
O ex-emigrante, Filipe Marques Calado, regressou a Santulhão, no concelho de Vimioso para se dedicar à pastorícia, uma atividade que diz ser muito necessária dado o abandono dos campos e a elevada vegetação existente nos montes, o que é um sério risco para a ocorrência e propagação de incêndios.
Em Trás-os-Montes, por causa do despovoamento há cada vez menos pessoas a dedicarem-se à agricultura e à pecuária e o consequente abandono dos campos é uma das principais causas da ocorrência de incêndios de grandes dimensões.
Após 20 anos de trabalho em França, o emigrante português, Filipe Marques Calado regressou a Portugal, à sua terra natal, Santulhão, no concelho de Vimioso, para se dedicar à pecuária e mais concretamente à criação de cabras serranas.

O dia-a-dia de Filipe Calado começa com o nascer do sol, para conduzir as cabras pelas encostas sobre o rio Sabor, onde abundam ervas, estevas e giestas que fazem as delícias das cabras.
“Desde miúdo sou um apaixonado pela pastorícia, devido ao contato com a natureza e os animais. Atualmente, já conto com 35 cabras, que no pastoreio são acompanhadas e protegidas por dois cães devido à presença de predadores como o lobo-ibérico”, disse.
Na aldeia transmontana de Santulhão, nem o acentuado declive dos montes, nem o rigor do inverno, nem a solidão do ofício desmotivam Filipe Calado, da dedicação à pastorícia, que encara como um imperativo para preservar esta ancestral profissão.
“É com tristeza e preocupação que constato que os muitos campos estão abandonados o que resulta num excesso de mato, silvas e lenha, que por vezes torna muito difícil a passagem do rebanho”, descreveu.
Foi sobretudo com uma preocupação ambiental, que Filipe Calado, decidiu constituir a empresa agrícola “Anna O Rio – Produtos Biológicos”, em abril de 2025 e futuramente pretende produzir leite, carne e fertilizante natural.
Para o presidente da Freguesia de Santulhão, Adrião Rodrigues, o cuidado ambiental da aldeia como Santulhão depende de atividades como a agricultura e a pecuária, que na sua perpectiva, não são apenas económicas, são também indispensáveis contra o despovoamento, o abandono dos campos e o rejuvenescimento da população.
“A fixação de pessoas em Santulhão é muito importante e o regresso de emigrantes como o Filipe Calado, que ao dedicar-se à pecuária e à pastorícia, vem contribuir para a dinamização económica e a limpeza ambiental da freguesia. Saúdo por isso, a sua iniciativa que pode motivar outros”, disse o autarca de Santulhão.

A 18 de dezembro e com o propósito de incentivar a pastorícia, o governo apresentou o programa “Apoio à redução de carga de combustível através do pastoreio”.
O programa contempla apoios às áreas de baldio (120 euros por hectare) ou apoio aos animais (pagamento complementar anual até 30 euros por ovelha ou cabra e até 150 euros por bovino), pretendendo-se que se chegue até 135 mil hectares geridos. Inclui ainda apoio ao investimento na instalação de novas pastagens e apoio à instalação de novos produtores, com um prémio de instalação de 30 mil euros, repartidos em cinco anos.












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