Vimioso: Centro de Saúde já dispõe de sete médicos
Após o município de Vimioso estabelecer um novo incentivo financeiro aos médicos, o Centro de Saúde da vila recebeu a chegada de quatro novos profissionais que asseguram as consultas abertas, permitindo assim que a equipa médica existente possa dar resposta às solicitações da população do concelho.
Atualmente, a equipa do Centro de Saúde de Vimioso é constituída por 3 médicos de família, responsáveis pelo atendimento a cerca de 3 mil utentes do concelho de Vimioso. A esta equipa médica, juntaram-se recentemente outros quatro médicos que asseguram as consultas abertas.
As consultas abertas, ao invés das consultas programadas, são consultas médicas e de enfermagem destinadas a dar resposta a situações de doença aguda, que necessitam de observação no próprio dia.
A vinda de quatro profissionais de saúde, para assegurar as consultas abertas, ocorreu após o município de Vimioso alterar o Regulamento de Atribuição de Incentivos e Manutenção de Médicos no Concelho, com a introdução de um apoio pecuniário de 10€/hora.
Segundo o regulamento municipal, em Vimioso, as medidas vigentes de apoio aos médicos contemplam a disponibilização de habitação permanente ou subsídio para arrendamento ou ainda a aquisição ou construção de habitação no concelho; o pagamento de despesas mensais de eletricidade, água e internet; o pagamento de equipamento, mobiliário e eletrodomésticos; a disponibilização de uma viatura municipal para deslocações profissionais médicas às freguesias do concelho; entre outros incentivos.
Com a contratação de novos profissionais, no Centro de Saúde de Vimioso trabalham atualmente 7 médicos, 9 enfermeiros e 6 secretários clínicos.
O município de Vimioso sustenta que o acesso à saúde constitui um direito universal, consagrado na Constituição e determinante na qualidade de vida dos munícipes.
Bragança-Miranda: Retiro «O processo de luto à luz da Fé»
O Santuário do Imaculado Coração de Maria, em conjunto com a Paróquia de São Pedro de Alfândega da Fé (Diocese de Bragança-Miranda), promove no dia 18 de abril, um retiro espiritual subordinado ao tema “O processo de luto à luz da Fé”.
O retiro decorre no Santuário do Imaculado Coração de Maria, nos Cerejais, concelho de Alfândega da Fé e é orientado pelo padre Manuel Ribeiro.
“O luto é um caminho exigente, marcado por perguntas, silêncio e saudade. Este retiro espiritual pretende oferecer um tempo de escuta, reflexão e oração, ajudando cada participante a compreender o seu processo de dor e a reencontrar esperança à luz da fé”, pode ler-se.
A participação no retiro é gratuita, sendo, no entanto, necessária inscrição prévia.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, considerou que a descentralização na área da educação está “a correr muito bem”, embora admita que há aspetos a melhorar na relação entre os municípios e as escolas.
“A descentralização é um processo relativamente recente, que está a correr muito bem. No país como um todo, nós apresentámos recentemente um estudo que mostra que, quer do lado das escolas, quer do lado das autarquias, a avaliação é muito positiva”, destacou o ministro.
No final de uma reunião, no âmbito da iniciativa “Construir Educação, Aproximar Territórios”, que decorreu em Coimbra, Fernando Alexandre apontou que, apesar da transferência de competências estar a correr bem, “ainda há vários aspetos que é preciso melhorar”, na relação entre os municípios e as escolas.
“Alguns têm a ver com a própria cultura, porque é um novo papel das autarquias no sistema educativo, em que as escolas estavam habituadas, basicamente, a relacionar-se com o Mistério da Educação, não tinham interferência das autarquias. Vemos que essa é uma dimensão institucional, mas também cultural”, concretizou.
O ministro da Educação aludiu ainda a outros aspetos específicos, como é o caso do pessoal não docente que dá apoio a crianças com necessidades específicas.
“São questões que afetam muitas escolas em todo o território nacional e que nós aqui também ouvimos essas preocupações das escolas, que é, no fundo, a garantia de recursos para que as escolas possam cumprir a sua missão nessas dimensões”, indicou.
Já sobre as preocupações dos municípios em relação à necessidade de obras no parque escolar, Fernando Alexandre lembrou que estão identificas mais de 500 escolas, em todo o país, a necessitar de intervenção.
“Obviamente que não se vai resolver de uma vez um problema que se acumulou ao longo das últimas décadas. Por isso, nós temos um plano, que prioriza as intervenções mais urgentes”, afirmou.
Aos municípios que partilharam a pressão que sentem para realizar obras em escolas, o governante assegurou ter sido muito claro, transmitindo que “não há recursos para resolver o problema das 500 escolas no país todo de uma vez”.
“E também não há capacidade de construção para isso. Não basta ter recursos, o que já é um desafio, pois é preciso também ter capacidade de construção para realizar esses projetos”, referiu.
No que toca a falta de pessoal não docente, identificada no “Diagnóstico e Avaliação do Processo de Descentralização na área da Educação”, realizado por uma equipa de investigadores da Universidade do Minho, o governante assumiu que está a ser avaliada.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação promove, até 15 de abril, a iniciativa “Construir Educação, Aproximar Territórios”, que prevê um conjunto de cinco reuniões com os diretores de todas as Escolas do país e com as autarquias, nas áreas de intervenção das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
Estes encontros de trabalho contam também com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, da secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira, e dos vice-presidentes das CCDR para a Educação.
Participam representantes da Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC).
A iniciativa visa “reforçar a articulação e a proximidade entre os serviços do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, as escolas e as autarquias, no quadro da reforma em curso na área da educação.
Ensino: Provas-ensaio dos 4.º, 6.º e 9.º anos prepararam avaliações digitais
A 14 de abril iniciam-se as provas-ensaio do 4.º, 6.º e 9.º anos, para que os alunos testem o formato digital em que vão realizar as avaliações externas, que começam no final de maio.
Inicialmente previstas para começar em 23 de fevereiro, as provas-ensaio foram adiadas devido às tempestades que atingiram várias zonas do país no início daquele mês.
O novo calendário das provas-ensaio inicia-se a 14 de abril, com a prova de Inglês para os alunos do 6.º ano, que dois dias depois fazem o teste de Inglês (dia 16) e a 20 de abril a prova de Matemática.
Os alunos do 4.º ano realizam a prova de Português a 15 de abril, seguindo-se a de Matemática (17 de abril).
Já os alunos do 9.º ano vão realizar o teste para o exame nacional de Português a 21 de abril e o teste para Matemática, em 23 de abril.
Estas provas em formato digital servem para garantir que as escolas estão preparadas para a época de avaliação externa, que começa no final de maio e para que os alunos saibam utilizar a plataforma nas provas oficiais.
Este ano, as provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA) dos 4.º e 6.º anos realizam-se entre 27 de maio e 9 de junho. Já as provas finais do 9.º ano estão marcadas para 17 de junho (Português) e 22 de junho (Matemática).
Sendim: Grupo Desportivo de Sendim é campeão distrital de Futsal
O Grupo Desportivo de Sendim é o novo campeão distrital de Futsal, no escalão de Infantis, tendo somado 11 vitórias e apenas uma derrota, numa competição em que marcou 117 golos e sofreu apenas 23.
No último jogo do campeonato distrital, o Grupo Desportivo de Sendim, recebeu no pavilhão da Escola EB 1|2| 3, na vila de Sendim, a visita do Grupo Desportivo Macedense e mais uma vez, a equipa de Sendim venceu por inquestionáveis 4-1.
Na classificação final, o Grupo Desportivo de Sendim conquistou 33 pontos, provenientes de 11 vitórias e apenas uma derrota. Em segundo lugar, ficou o Águia Futebol Clube de Vimioso, com 25 pontos, com oito vitórias, um empate e três derrotas.
O treinador do Grupo Desportivo de Sendim, Luís Preto, explicou que o sucesso dos infantis sendineses deve-se à garra e à paixão pelo jogo, demonstrada pelas crianças nas últimas épocas.
“Conseguimos ser campeões distritais de futsal de infantis, um feito que já procurávamos desde a época anterior, ano em que não conseguimos o título apenas pela diferença de golos em comparação com o Alfandeguense. Nesta época, voltamos a demonstrar a mesma ambição e realizámos um excelente percurso com 11 vitórias e apenas uma derrota”, disse o técnico sendinês.
Sobre a prestação dos jovens jogadores sendineses, destaque para a participação e contributo das meninas.
“Estou convencido de que o exemplo e a dedicação das meninas infantis ao futsal está a inspirar e motivar outras meninas mais novas a aventurarem-se nesta modalidade desportiva. No recente 31º Encontro de Futsal de Petizes e Traquinas, que decorreu em Vimioso, no dia 12 de abril, o Grupo Desportivo de Sendim, apresentou uma equipa de traquinas inteiramente feminina.”, disse o técnico sendinês.
Na vila de Sendim, o título de campeões distritais de futsal infantis foi celebrado num cortejo pelas ruas da localidade, no dia 11 de abril.
O Grupo Desportivo de Sendim é uma associação desportiva, sem fins lucrativos, fundada em 1977. Atualmente, o clube tem apenas equipas de futsal, nos escalões jovens.
Vimioso: 31º Encontro de Futsal Petizes e Traquinas trouxe um milhar de pessoas ao multiusos
No Domingo, dia 12 de abril, o pavilhão multiusos, em Vimioso, foi o recinto de jogos do 31º Encontro de Futsal Petizes e Traquinas, um evento lúdico e desportivo que reuniu 300 crianças, de 15 clubes do distrito de Bragança, que vieram acompanhadas dos pais, familiares e amigos.
O evento foi coorganizado pela Associação de Futebol de Bragança (AFB) e pelo Águia Futebol Clube de Vimioso, teve o apoio do Município de Vimioso e contou com a participação de equipas dos seguintes clubes: Águia FC Vimioso, Grupo Desportivo de Freixo, Escola Crescer, Escola Arnaldo Pereira, Grupo Desportivo Macedense, CSP Vila Flor/FC Leão Negro, FC Mogadourense, AR Alfandeguense, GD Bragança, Grupo Desportivo de Sendim, Grupo Desportivo Mirandês 1968, Clube Desportivo de Miranda do Douro, Clube Académico de Mogadouro, FC Mãe d´Água e FC Vinhais.
O presidente do Águia Futebol Clube de Vimioso, Vitor Cardoso, indicou que o pavilhão multiusos, recebeu a visita de um milhar de pessoas, entre crianças, técnicos, familiares e amigos.
“Em colaboração com a Associação de Futebol de Bragança (AFB), os jogos foram organizados ao longo de todo o dia. Os jogos começaram às 9h00 da manhã e decorreram até às 13h30. Após o almoço, os jogos recomeçaram às 14h30 e terminam ao final da tarde (17h30), com um lanche e a entrega de lembranças a todos os jovens jogadores”, explicou.
Questionado sobre a importância destes encontros distritais, o dirigente do Águia Futebol Clube de Vimioso, referiu-se à recente notícia da convocatória do jovem vimiosense, João Martins, para a Seleção Nacional de Futsal Masculino Sub-13, agendado para os dias 17 a 19 de abril, na Cidade do Futebol, em Oeiras.
“A convocatória do João Martins é o resultado do talento, dedicação e paixão destes jovens pelo desporto. O João é um bom exemplo de que com entrega e compromisso em cada treino e jogo é possível evoluir de forma consistente”, disse Vitor Cardoso.
No decorrer do 31º Encontro de Futsal de Petizes e Traquinas, em Vimioso, como habitualmente acontece, muitos pais acompanharam os filhos. De Mogadouro, Carla Amorim veio com o marido e a filha, para acompanhar o filho, Rafael Salgueiro, jovem jogador do Clube Académico de Mogadouro.
“Para as crianças como o meu filho, estes encontros distritais são momentos muito importantes, pois são oportunidades de mostrar individualmente e em equipa, o que aprendem durante os treinos semanais. Para nós, pais, os encontros de futsal distritais são oportunidades de sair da rotina e visitar outras localidades do distrito de Bragança”, disse.
De Miranda do Douro, Fernando Falcão, também veio acompanhar o filho, Santiago Falcão, que joga na equipa de traquinas, do Grupo Desportivo Mirandês.
“Na infância, os jogos com outras equipas do distrito de Bragança permitem às crianças desenvolver as suas aptidões técnicas e o entrosamento coletivo. A par do jogo, estas jornadas proporcionam o convívio entre as crianças. Para nós, os pais, também são dias diferentes pois obrigam-nos da sair de casa”, disse.
Na perspetiva dos treinadores, Vitor Hugo, do Grupo Desportivo Mirandês, indicou que nos escalões de petizes (crianças com idade inferior a 7 anos) e traquinas (com idades entre os 7 e os 9 anos), as crianças desenvolvem sobretudo o gosto pela modalidade.
“Nestas idades o mais importante é deixar as crianças jogarem livremente e conviverem saudavelmente com os outros miúdos. Nos jogos diante doutras equipas, as crianças ganham experiência e adquirem novas apendizagens sobre o futsal”, disse o técnico mirandês.
Por sua vez, o treinador do Grupo Desportivo de Sendim, Luís Preto, destacou o entusiasmo com que as crianças vivem e participam nos encontros distritais de futsal, organizados pela Associação de Futebol de Bragança (AFB).
“Este dia é uma autêntica festa para as crianças! Recordo que nestas idades o mais importante não é resultado dos jogos, mais sim a oportunidade em jogar futsal, com os seus companheiro(a)s de equipa, diante de outras equipas. Nestas idades, o mais importante é dar às crianças a oportunidade em desenvolver o gosto pelo desporto e neste caso, pelo futsal”, salientou o técnico sendinês.
Nos escalões de petizes e traquinas, os jogos têm uma duração de 15 minutos, são lúdicos e não há competição oficial.
A Associação de Futebol de Bragança (AFB) indica que nestas idades, pretende-se que as crianças aprendam a jogar em equipa, a respeitar as regras do jogo e a praticar o fair-play.
Malhadas: Ministro da Agricultura visitou os concursos de ovinos mirandeses e cães de gado transmontanos
O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, visitou o mercado de gado, em Malhadas, no sábado, dia 11 de abril, para acompanhar os concursos de ovinos mirandeses e cães de gado transmontanos, tendo o governante aproveitado a visita ao concelho de Miranda do Douro, para incentivar os jovens a dedicarem-se à agricultura e à pecuária.
Este ano, participaram no XXIX Concurso Nacional de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa, 10 criadores do concelho de Miranda do Douro, com 62 animais, nas seções de ovelhas, bazias, cordeiros e carneiros.
Por sua vez, o concurso de cães de gado transmontanos, contou com a participação de oito criadores, que trouxeram a concurso 23 animais, nas seções de jovens fêmeas e machos (entre os quatro e os 15 meses) e adultos fêmeas e machos ( com mais de 15 meses).
De visita ao mercado de gado, em Malhadas, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, referiu-se à prioridade do governo em incentivar a renovação geracional do setor agropecuário, através da medida “Instalação de jovens Agricultores”.
“Um jovem agricultor, até aos 40 anos, que queira dedicar-se exclusivamente à agropecuária, num território como o concelho de Miranda do Douro, fazendo um investimento de 500 mil euros, recebe 300 mil euros a fundo perdido”, disse o governante.
O ministro da agricultura referiu-se também aos recentes apoios à instalação de novos produtores pecuários e à redução de carga combustível através do pastoreio, medidas que explicou, têm o objetivo de apoiar a pastorícia.
Nos concursos de ovinos mirandeses e cães de gado transmontanos, o ministro da Agricultura, participou, juntamente com o executivo municipal e os dirigentes da Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM), na entrega de prémios aos criadores.
A acompanhar o ministro da agricultura, em Malhadas, a presidente do Município de Miranda do Douro, Helena Barril, realçou uma vez mais, a atratividade do planalto mirandês.
“As raças autóctones como são os ovinos de raça churra galega mirandesa e os cães de gado transmontanos são outros dois símbolos identitários da Terra de Miranda, que importa muito preservar e promover, pois são uma herança cultural que traz um significativo retorno económico e turístico para a região”, salientou a autarca de Miranda do Douro.
Sobre a dificuldade em atrair os jovens do concelho, para o setor agropecuário, Helena Barril, elogiou o trabalho desenvolvido pelo atual ministro da agricultura, proporcionando incentivos financeiros para a instalação de novos agricultores e criadores de animais.
Por sua vez, a presidente da Freguesia de Malhadas, Micaela Igreja, expressou contentamento pela grande afluência de público à localidade, para participar e/ou acompanhar os concursos de ovinos mirandeses e de cães de gado transmontanos.
“A aldeia de Malhadas é uma localidade predominantemente rural, onde a agricultura e a pecuária são duas atividades ancestrais. É em Malhadas que estão as sedes das associações de criadores de ovinos mirandeses e de bovinos de raça mirandesa. Todos os anos, estes concursos anuais das raças autóctones registam a afluência de muito público. De modo a tornar estes eventos ainda mais atrativos, este ano a freguesia convidou alguns produtores e artesãos locais para a realização de um mercado rural, que veio enriquecer ainda mais o evento”, justificou a jovem autarca de Malhadas.
Como acontece todos os anos, os concursos de ovinos mirandeses e cães de gado transmontanos culminaram com um almoço convívio, na Casa do Povo, em Malhadas.
Com os concursos das raças autóctones, o Município de Miranda do Douro pretende apoiar os criadores, promovendo simultaneamente o património cultural e económico do concelho.
Miranda do Douro: A pastorícia fixa populações e reduz o risco de incêndios florestais
A 10 de abril, a cidade de Miranda do Douroreuniu criadores pecuários, técnicos e várias entidades para debater o contributo da pastorícia, uma atividade agropecuária, que é considerada fundamental na gestão ambiental, na fixação e na subsistência das populações rurais.
O colóquio dedicado à pastorícia foi organizado pela Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) e de acordo com a secretária-técnica, Andrea Cortinhas, a iniciativa surgiu a propósito do XXIX Concurso Nacional de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa.
“2026 é o ano das pastagens e dos pastores e decidimos aproveitar a realização do concurso anual de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa para debater e refletir sobre o estado do setor agropecuário em Miranda do Douro. Dado o envelhecimento da população e a dificuldade em rejuvenescer o setor, continuamos a enfrentar sérias dificuldades em conservar esta raça autóctone dos ovinos mirandeses”, disse a dirigente associativa.
O anfitrião do encontro, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, felicitou a Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) pela organização do colóquio dedicado à pastorícia.
“Perante o declínio do número de animais ruminantes e o abandono dos campos, este colóquio permitiu-nos debater o problema e definir estratégias para inverter esta realidade. Saúdo, por isso, o apoio financeiro significativo do governo à instalação de novos criadores pecuários”, disse o autarca mirandês.
O encontro em Miranda do Douro contou com a participação do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que na sua intervenção alertou para a redução em Portugal, do número de animais ruminantes e de pastores.
“Desde 1989 houve uma diminuição de 40% de animais ruminantes, em Portugal, e porconseguinte também houve uma redução no número de pastores”, indicou o governante.
Para contrariar esta tendência, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, referiu-se à recente medida de apoio à instalação de novos produtores pecuários, com a atribuição de 30 mil euros.
“O apoio assume a forma de subvenção não reembolsável atribuída por cinco anos. O montante do apoio corresponde a um prémio à instalação no valor global de 30 mil euros. Nos primeiros três anos, o apoio é de 8.400 euros, passando a 2.400 euros anuais nos restantes dois anos”, especificou.
Já o programa de apoio à redução de carga combustível através do pastoreio, conta com 15 milhões de euros por ano, com a atribuição de 150 euros por vaca em aleitamento e 30 euros por ovelha ou cabra.
Em Miranda do Douro, a diretora geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Pombo, enalteceu o trabalho dos pastores na gestão e conservação da natureza.
“A pastorícia tem uma importância fundamental já que apoia a fixação e a subsistência das populações, contribui para a fertilização dos solos e reduz o risco de incêndios”, salientou.
No colóquio realizado em Miranda do Douro, foram ainda identificados outros problemas na atividade agropecuária, como o envelhecimento da população rural, o abandono da atividade agrícola e o risco de erosão genética das raças autóctones.
“As raças autóctones de pequenos ruminantes são essenciais para a sustentabilidade ambiental e sócio-económica dos territórios rurais”, conclui-se.
Sociedade: «A lei da nacionalidade não é racional» – D. José Ornelas
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Dom José Ornelas, denunciou que a lei da nacionalidade, proposta pelo Governo, “não é racional” criticando que não há “cidadãos com meios direitos”, pelo que espera que lei seja “bem analisada” pelo Tribunal Constitucional.
“Um cidadão que chegou de outras latitudes e de outras culturas, que é aceite no nosso sistema político e insere-se nele, tem também de ser tratado com equidade. Não há cidadãos a meio – a nossa Constituição não prevê cidadãos com metade dos direitos e outros que os perdem. Se alguém falha, naquilo que é próprio de um cidadão, deve sofrer, como qualquer outro cidadão – se tem penas para assumir, deve assumi-las, mas não perde a nacionalidade por isso. Não é racional”, sublinha D. José Ornelas em entrevista à Agência ECCLESIA.
O responsável reconhece a “necessidade” de “regular a imigração”, considerando a lei “necessária”, “sobretudo para proteger os próprios imigrantes que chegam, para que não sejam vítimas de máfias” que existem e se “aproveitam”.
D. José Ornelas diz que o Estado tem de “disciplinar a política de abertura”, mas também “tem de incentivar um correto acolhimento a estes imigrantes e que esse processo aconteça num tempo aceitável”.
“Sabemos que houve transformação dos organismos que controlam tudo isto, o que leva o seu tempo, e alguma melhoria existe, mas há muito caminho a fazer para dar possibilidade a quem é acolhido, sentir-se um cidadão de pleno direito e não a meio termo”.
O responsável, sem questionar a constitucionalidade da lei – “o tribunal Constitucional irá dizer” – afirma faltar “racionalidade e um humanismo”, fatores sem os quais “qualquer sociedade perde a sua razão”: Se não tiver valores verdadeiramente a defender e se não tiver justiça a assegurar para todos”.
D. José Ornelas foi eleito presidente da CEP em 2020, e desde então aconteceu em Portugal uma reconfiguração política e parlamentar, que o responsável atribui a uma “desilusão com o ‘status quo’ que não resolve os problemas”.
“Há uma desilusão com a afirmação de políticas, que se esquecem de estar no meio das pessoas, com um centralismo que tantas vezes é feito com um desapreço pelo trabalho que se pede às autarquias mais próximas da população, e a quem não se dá os meios para isso”, critica.
“O populismo apresenta um remédio que não tem a ver com a doença. O problema do populismo é que não procura uma solução justa; procura uma solução que dê votos, adaptada a solucionar uma realidade, mas não com o objetivo de encontrar uma justiça para todos”.
“O populismo e extremismo vão levar a uma conflitualidade cada vez maior, que está a acontecer. Os fenómenos das guerras que neste momento estão a pôr em cheque a existência de grandes blocos e de regiões inteiras como o Médio Oriente, como a Ucrânia, como a África”, acrescenta.
D. José Ornelas reconhece o uso do “voto de protesto” mas indica ser “sementeira de divisão, de ódio, de falta de fundamento da análise política, social e económica”, sem saída da crise, afirmando que o resultados das eleições presidenciais mostraram que “o extremismo é recuperável” se os portugueses entenderem haver “um modo de estar na política e de estar na vida social com credibilidade e com solidariedade”.
O bispo de Leiria – Fátima pede que se leia o Evangelho e que este seja entendido como “instrumento de análise da realidade, do relacionamento fraterno e dos valores” a defender.
“Quando uma pessoa lê o Evangelho para excluir, para (alimentar) um discurso de ódio, para um discurso de irrisão e achincalhamento de quem quer que seja, venha de onde venha, esteja onde estiver, isso não é Evangelho, não é um discurso de conciliação. Não pode ser. Não significa perguntar a Deus o que é que ele pensa, mas querer ensinar a Deus, pôr-nos nós em lugar de Deus para julgar e discriminar os outros”, critica.
O responsável sublinha ser dever da Igreja católica “denunciar” esse discurso que “é contrário ao Evangelho”.
“As grandes ditaduras foram construídas assim. Como é que um país que se diz formado e com valores, escolhe alguns líderes que tem – e esse poderia ser o nosso contexto – escolhe os líderes que se dizem cristãos e se regem assim. Não aguento essa contradição”, sublinha.
No final de dois mandatos à frente da CEP, D. José Ornelas, em entrevista à Agência ECCLESIA, analisa os principais temas que marcaram os anos de 2020 a 2026, no panorama nacional e mundial; a entrevista será emitida no programa 70X7, com emissão na RTP2, e publicada na íntegra no portal de informação.
Igreja: Leão XIV inicia viagem a África para denunciar exploração e promover a paz
O Papa Leão XIV inicia a 13 de abril, uma longa viagem apostólica de de onze dias, por vários países africanos, com a missão de denunciar a corrupção e promover a paz em territórios em conflito.
A terceira deslocação internacional do pontífice norte-americano abrange a Argélia, os Camarões, Angola e a Guiné Equatorial, países onde o Papa vai falar em inglês, francês, português e espanhol.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, sublinhou na apresentação da viagem aos jornalistas que este itinerário visa recolher as necessidades de um continente frequentemente esquecido pela comunidade internacional.
“É uma viagem pela riqueza deste grande continente, povoado por povos e mundos diferentes”, indicou o porta-voz do Vaticano.
A primeira etapa, na Argélia, onde os católicos são uma minoria de cerca de 0,1% da população, constitui uma visita inédita de um Papa e é marcada pela herança de Santo Agostinho; Leão XIV foi responsável mundial da Ordem dos Agostinianos, antes de ser cardeal.
A agenda prevê a abordagem de temas como a crise migratória no Mediterrâneo e o diálogo com o mundo islâmico, além de um alerta contra a exploração económica do território africano.
“Haverá também uma referência ao risco de exploração dos recursos por parte de outros, sejam pessoas ou organizações”, adiantou o Vaticano.
Nos Camarões, o pontífice vai visitar Bamenda, uma região anglófona fustigada por conflitos armados, onde se prevê um encontro com vítimas da guerra e líderes de diversas confissões religiosas.
O núncio apostólico em Iaundé, D. José Avelino Bettencourt, destacou o simbolismo da presença do Papa em contextos de elevada fragilidade social e militar.
“Ele vai visitar uma prisão também, ele vai visitar uma zona de guerra, ele vai visitar hospitais, vai visitar asilos de crianças órfãs. E ele dá-se completamente a 100% para servir e está disposto a sacrificar-se, mesmo com o pouco tempo livre que tem”, disse à Agência ECCLESIA.
Em Angola, a visita entre os dias 18 e 21 de abril passa por Luanda, pelo Santuário da Muxima e por Saurimo, colocando a reconciliação nacional no centro das celebrações.
O Missal oficial da viagem integra intenções de oração específicas para a realidade angolana, pedindo o fim da corrupção e o alívio da pobreza e do desemprego que afetam a juventude.
José Manuel Imbamba, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), afirmou que o país precisa de curar “fissuras” na consciência histórica e social.
“O continente africano está cheio de jovens vigorosos, jovens sonhadores, jovens corajosos a quem é preciso dar espaço, dar tempo para que continuem a concretizar os seus sonhos. E esta vinda do Santo Padre ao continente é um despertar, porque infelizmente o continente africano é tido só como um espaço, como um lugar para se extrair riqueza e matéria-prima”, indicou, em entrevista à Agência ECCLESIA e Renascença.
A viagem termina na Guiné Equatorial, onde o Papa vai reforçar o apoio da Igreja à construção de uma cultura de paz e ao desenvolvimento humano integral.
O périplo coincide com o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, que será evocado a 21 de abril.