Miranda do Douro: Celebrações da Semana Santa

Miranda do Douro: Celebrações da Semana Santa

Em Miranda do Douro, as celebrações religiosas da Semana Santa iniciaram-se com a benção dos ramos e prosseguem na Quarta-feira Santa, dia 1 de abril, com a Missa do Senhor da Misericórdia, que dá entrada no Tríduo Pascal.

Segundo a Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD), o programa da Semana Santa iniciou-se no Domingo, dia 29 de março, no largo da Igreja da Misericórdia, com a benção dos ramos e a procissão até à Concatedral, onde se celebrou da Missa de Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

Em Miranda do Douro, as celebrações religiosas prosseguem na quarta-feira, dia 1 de abril, com a eucaristia na Igreja da Misericórdia e a investidura dos novos irmãos da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD).

O Tríduo Pascal começa na Quinta-feira Santa, 2 de abril, na igreja da Misericórdia, às 21h00, com a celebração da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, o rito do lava-pés e a transladação do Santíssimo.

Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, no Santuário de Nossa Senhora do Naso, há a adoração da Santa Cruz, às 15h00. À noite (21h00), na concatedral, em Miranda do Douro, está programada a encenação da Paixão do Senhor.

No Domingo, a Missa de Páscoa da Ressurreição do Senhor, celebra-se às 11h00, na concatedral.

Para a Igreja Católica, a Semana Santa é momento central do ano litúrgico, durante a qual se recorda a prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.

HA



Miranda do Douro: Contos N’Aldeia

Miranda do Douro: Contos N’Aldeia

Na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, a biblioteca municipal António Maria Mourinho, em Miranda do Douro, é o cenário dos contos “N’aldeia”, uma sessão de narração de contos tradicionais, integrada no programa da Feira da Bola Doce Mirandesa.

Os contos tradicionais portugueses são narrados por Vítor Fernandes, natural de Trás-os-Montes, onde cresceu a ouvir histórias contadas por familiares e vizinhos, nos serões à lareira ou nas ruas das aldeias.

O narrador inspira-se nas “eiras” de outrora — espaços rurais de convívio e trabalho comunitário — recriando ambientes de partilha de histórias, lengalengas, cantigas e provérbios, com espetáculos adaptados a diferentes públicos e idades.

“Entre risos, sustos e aventuras inesperadas, criaturas do imaginário popular surgem em cada recanto, enquanto as gentes da aldeia enfrentam travessuras, mistérios e segredos guardados há séculos”, pode ler-se.

Na Sexta-feira Santa, dia 3 de abril, estão programadas três sessões de contos orais (11h00, 14h00 e 16h00), na biblioteca municipal, em Miranda do Douro.

HA

Miranda do Douro: Feira da Bola Doce de 2 a 4 de abril

Miranda do Douro: Feira da Bola Doce de 2 a 4 de abril

De 2 a 4 de abril, realiza-se na cidade de Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce e dos Produtos da Terra, um certame que pretende destacar a valor gastronómico de produtos locais, como a Bola Doce Mirandesa e o Folar de Carne, dois ícones tradicionalmente associados à festa da Páscoa.

Em Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce decorre no Jardim dos Frades Trinos e a abertura acontece na manhã de Quinta-feira Santa, com a cerimónia oficial e a visita aos expositores, às 11h00.

Neste certame, à Bola Doce Mirandesa e ao folar de Carne, o público tem a oportunidade de adquirir outros produtos típicos da região, como o pão, o fumeiro, licores e vinhos regionais, azeite, frutos secos, queijos e peças de artesanato.

Segundo o programa, na quinta-feira, 2 de abril, está prevista uma sessão de esclarecimento, às 14h00, sobre a Certificação dos Produtos Regionais “Sabores de Miranda”. À tarde (17h30), realiza-se o worshop gastronómico “Degustar Terras de Trás-os-Montes, protagonizado pelo Chef de Cozinha, António Rosário. O primeiro dia da feira encerra com o concerto musical do grupo “Vizinhos” e a atuação do Dj Barroso.

No dia 3 de abril, sexta-feira, o chef de cozinha, João França, oferece uma sessão gastronómica sobre a confeção da Bola Doce Mirandesa, às 16h30. No âmbito cultural, a Biblioteca Municipal António Maria Mourinho, é o palco de três sessões (11h00; 14h00 e 16h00) de contos orais para crianças, narrados por Vitor Fernandes. Em Miranda do Douro, esta Sexta-feira Santa culmina com a representação teatral da Via Sacra e a procissão do Enterro do Senhor.

No sábado, 4 de abril, um dos atrativos da Feira da Bola Doce é a demonstração gastronómica do chef de cozinha, Marcelo Dias, dedicada à confeção do cordeiro mirandês. O certame encerra com o concerto de Luís Trigacheiro e a atuação do Dj Berto Boss.

Nos dias 2, 3 e 4 de abril, a Feira da Bola Doce conta com a animação da Banda Filarmónica Mirandesa, dos grupos de pauliteiro(a) de Miranda e da Tuna da Universidade Sénior.

Em Miranda do Douro, a Feira da Bola Doce e Produtos da Terra é um evento anual que tem por finalidade valorizar os produtos endógenos e apoiar a sua comercialização.

HA

Igreja/Portugal: Especialistas sublinham pensamento social cristão na Constituição

Igreja/Portugal: Especialistas sublinham pensamento social cristão na Constituição

Nos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, especialistas em Direito, referem que o documento reflete princípios da Doutrina Social da Igreja na defesa da dignidade humana.

“Há uma marca evidente, na nossa Constituição que tem a ver com esta marca do personalismo, ou seja, com a assunção de que, apesar de tudo e antes de tudo, os direitos fundamentais servem a pessoa e a dignidade da pessoa humana, que é mesmo a trave-mestra de toda a Constituição”, refere à Agência ECCLESIA a presidente da Associação de Juristas Católicos, Inês Quadros.

A professora da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa destacou a centralidade do bem comum no texto de 1976.

“A procura do bem comum e a subordinação do poder político e económico ao serviço do desenvolvimento integral do ser humano são marcas que atravessam o diploma e que possuem uma raiz cristã inegável”, acrescentou.

Em entrevista ao Programa ECCLESIA, emitido hoje na RTP2, a investigadora Sílvia Mangerona, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, corroborou esta perspetiva ao identificar a inviolabilidade da vida na lei suprema nacional.

“A Constituição tem vários momentos em que reflete a Doutrina Social da Igreja, desde logo ao colocar a dignidade da pessoa humana como elemento fundante da própria República e depois no elenco dos direitos fundamentais, começando logo pelo direito à vida, afirmando que a vida humana é inviolável”, assinalou a docente universitária.

Sílvia Mangerona realçou igualmente a forte consagração dos direitos sociais no ordenamento jurídico português.

A nossa Constituição exige uma solidariedade estrutural, obrigando a que o Estado promova ativamente a igualdade de oportunidades e a proteção da família, uma abordagem que espelha claramente o pensamento social católico.”

José Maria Cortes, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, perspetivou caminhos de futuro, sugerindo uma maior centralidade legal para a proteção das populações vulneráveis.

“Poderia estar feita uma referência mais explícita no fundo, não apenas à necessidade de prestação do Estado, mas à necessidade de pôr a pessoa na sua vulnerabilidade e àqueles mais frágeis no centro da reflexão e da atividade também”, recomendou.

O especialista defendeu a aplicação prática do princípio da subsidiariedade para garantir um maior envolvimento da sociedade civil na resolução dos problemas comunitários.

“A valorização da Doutrina Social da Igreja impõe a missão de repensar a intervenção do Estado, prestigiando as instituições intermédias e assegurando que o poder central respeita as competências das comunidades locais”, indica, no âmbito da celebração do meio século da aprovação da Constituição da República Portuguesa.

O livro ‘Pensar a Constituição à Luz da Doutrina Social da Igreja’ foi apresentado a 18 de março, na livraria da Universidade Católica Editora, em Lisboa, numa sessão promovida pela Associação de Juristas Católicos.

Fonte: Ecclesia | Imagens: Assembleia da República

Leitura: Livrarias infantojuvenis constroem comunidades

Leitura: Livrarias infantojuvenis constroem comunidades

Com oficinas, leituras animadas e canções, as livrarias infantojuvenis desdobram-se hoje em múltiplas atividades e o livreiro ganhou mais protagonismo para criar comunidades de leitores e alimentar o negócio do livro.

Em Portugal, o modelo de livraria especializada em literatura para crianças mudou nos últimos anos, porque já não chega ter escaparates com livros ilustrados, nem uma programação paralela de mediação com os leitores.

“Passou a haver um modelo de livraria infantojuvenil – até pela natureza dos objetos para contar, lidos em voz alta – cuja premissa assenta nesta ideia de primeiro comunicar o livro, animando-o, e depois haver a compra”, explicou à agência Lusa a pedagoga Dora Batalim Sottomayor.

Em muitas das cerca de 30 livrarias infantojuvenis que existem no país já funciona esse modelo de espaço cultural recheado de atividades, onde os pais ou educadores levam as crianças para sessões de leitura em voz alta, feitas pelos próprios livreiros ou por animadores por eles contratados.

Algumas também fizeram das redes sociais – sobretudo desde a pandemia – uma montra de visibilidade, com milhares de seguidores angariados, a quem disponibilizam vídeos, gravados ou em direto, de leitura e interpretação de livros.

Dora Batalim Sottomayor, que acompanha há várias décadas as políticas de promoção do livro e da leitura e o mercado do livro, diz que “há claramente perfis diferentes” de livreiros e de livrarias para crianças.

Existem livrarias em que o livreiro é alguém que “pode ser fundamental no aconselhamento e descoberta do livro” e que dá espaço ao leitor para se relacionar individualmente com o livro.

Há livrarias onde as pessoas “vão para assistir a um contar de um livro como quem vai a um espaço mais cénico”. Tornaram-se “quase clubes de fãs, em que a identidade da pessoa [livreira] está muito ligada à própria livraria”.

E “aparentemente há públicos para todas”, referiu Dora Batalim Sottomayor à Lusa, nas vésperas de se assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil, a 02 de abril.

Em termos de público, Sofia Vieira é um fenómeno no panorama infantojuvenil, cujo nome é quase sinónimo da livraria Aqui Há Gato, com portas abertas desde 2007 no centro histórico de Santarém.

“Isto é uma ideia muito romântica. Só que para manter isto é muito difícil. […] Ou somos muito inteligentes a fazer, a gerir, ou então estamos condenados”, contou Sofia Vieira em entrevista à agência Lusa, antes de uma esgotada sessão de leitura na livraria.

Para garantir sustentabilidade, Sofia Vieira conta histórias na livraria, vai a escolas, festivais, bibliotecas, faz oficinas e escreve. A tudo isto acrescentou, em 2020, a divulgação ‘online’, “um pequeno milagre” para o seu negócio livreiro.

Com a pandemia da covid-19, sem poder acolher crianças na livraria por causa do confinamento, passou a ler histórias ‘online’, em direto e em vídeos gravados. Seis anos depois, mantém a rotina diária na Internet, onde tem 50 mil seguidores no Facebook, 36,7 mil no Instagram e 123 mil no Youtube.

No último mês alcançou três milhões de visualizações dos vídeos que publica no Youtube e dos quais diz não retirar qualquer rendimento, até porque algumas editoras discordaram que as suas histórias ficassem disponíveis ‘online’.

“Eu não estou a criar leitores digitais, estou a criar leitores! Porque se eu não estivesse a criar leitores, eu não tinha pessoas aqui que vêm visitar-nos de Bragança, Braga, Porto. Estou a criar leitores com critério, que entram aqui e que me dizem assim: ‘Ó Sofia, eu gosto tanto daquela história que tem aquela personagem. […] Eu quero que os miúdos venham cá. Eu quero que os miúdos comprem livros”, exclamou.

Aos que a criticam por estar a colocar na Internet a leitura na íntegra de muitos livros, mesmo com o consentimento das editoras, Sofia Vieira responde com uma ideia de serviço público.

“Isso eu tenho claro em mim, eu estou a prestar um serviço público, por isso é que eu não estou a rentabilizar um cêntimo pelos nossos filhos [com os vídeos na Internet]. Porque eu quero que os miúdos tenham o máximo de contacto com os livros, porque saem sempre livros a toda hora, a todo momento. […] Há crianças que, se calhar, a única maneira de ouvirem histórias é aquela e o livro é um produto cultural, nem devia ter IVA”, diss

Em Coimbra, a Faz de Conto, aberta desde 2017 no Exploratório – Centro Ciência Viva, também partilha dessa ideia de comunidade, vende e promove o livro infantil através de oficinas de ilustração, sessões de histórias, tanto na livraria como em escolas e festivais.

“Desde o início que tentamos promover o livro infantil sempre à base da comunidade, envolvendo as pessoas de Coimbra e acabamos por chegar a todo o país”, contou à Lusa a fundadora da Faz de Conto, Sofia Correia.

Com sessões de leitura todos os domingos de manhã, Sofia Correia considerou que a realização de atividades é essencial e que a mediação é um fator diferenciador numa livraria independente.

“É fundamental para a sua sobrevivência, porque, se não fosse isso, acho que podiam comprar livros no supermercado”, justificou.

Para a livreira, as principais dificuldades são manter o público e a relevância da livraria e o mais gratificante é a mediação bem-sucedida, seja nas leituras ou nas sugestões dadas aos leitores.

“O que eu gosto mais na livraria é mesmo encontrar o livro certo, para a pessoa certa, no momento certo. Às vezes conseguimos, nem todas, infelizmente, mas há uns momentos que fazem toda a diferença e que nos dão vontade de continuar”, admitiu, sorrindo.

Sofia Correia destacou a “evolução dos públicos” da Faz de Conto, que, além de já ser um público fiel, abrange “muitas pessoas diferentes”, incluindo famílias, bibliotecários, professores, mas também adultos que compram livros para si.

“É muito interessante ver que os públicos têm crescido e passado a palavra a outras pessoas que acabam por vir também”, descreveu.

Um dos projetos livreiros mais recentes para crianças, que também procura criar uma comunidade, é a Zumbido, que abriu em 2025 do outro lado da rua do Mercado de Matosinhos, no distrito do Porto, tornando-se assim na única livraria de rua de um concelho com quase 180 mil habitantes.

Adepta do livro ilustrado enquanto obra que não se deve restringir ao público infantil, a livreira Joana Domingues contou à agência Lusa que encara a Zumbido com espírito de missão, em prol do livro, mas também da comunidade, num espaço onde há café e pastelaria de especialidade, jogos de tabuleiro, exposições e oficinas.

“Não é só a livraria, mas é um espaço onde as pessoas vão estar juntas, onde podem ler, onde podem trabalhar, mas onde as histórias são sempre a base, o fio condutor de tudo”, disse.

“Pensei muito, mas quis mesmo arriscar. Sei que ainda tenho muito para aprender. […] Se continuar a vender livros, imagino-me a estar nisto muitos anos”, afirmou Joana Domingues, que sublinhou ter uma relação “espetacular” com as editoras, apesar do volume limitado de livros que tem, por enquanto.

Entre as livrarias especializadas, a que tem tido uma estratégia mais expansiva é a Poets & Dragons Society, iniciada em 2018 na Costa de Caparica, no distrito de Setúbal, que começou por ser uma editora de poesia, estendeu-se a outros géneros, em particular ao livro ilustrado em português e em inglês, e trabalhava ‘online’ com sessões de histórias e venda de livros.

O foco da Poets & Dragons são as crianças do pré-escolar e primeiro ciclo de escolaridade e o perfil editorial é feito de “livros divertidos com repetições para leituras emergentes” e propícios à oralidade, como explicou à agência Lusa Elisabete Rosa-Machado, cofundadora do projeto.

“As pessoas precisam de ver o livro antes de comprar e nós fazíamos os vídeos e as pessoas compravam através dos vídeos. Então, fez-nos sentido abrir a primeira livraria para a pessoa ter contacto direto com os livros”, recordou esta professora de primeiro ciclo, com formação em livro infantil e gestão de bibliotecas escolares.

Perante o sucesso no digital, Elisabete Rosa-Machado e o marido abriram a primeira livraria na Costa de Caparica, depois outra em Lisboa, estiveram presentes em feiras do livro e construíram uma rede de dez animadores de leitura, que vão a escolas com os livros da editora.

Segundo Elisabete Rosa-Machado, a Poets & Dragons foi contactada por outras livrarias interessadas em replicar o modelo de livraria, pelo que o projeto se estendeu pelo país num regime de venda exclusiva do catálogo daquela editora.

É assim que existem, por exemplo, a Montanha de Livros, em Braga, ou a Patanisca & Sardanisca, em Águeda. Há ainda livrarias em Castelo Branco, Porto, e está prevista a abertura em Guimarães, Faro, Viseu e na Madeira. A partir de abril, a Poets & Dragons contará também com uma livraria itinerante para ir a escolas ou a feiras do livro.

Para Elisabete Rosa-Machado, as livrarias também têm a sua função no ecossistema da promoção da leitura e do livro infantil.

“Há pessoas que vêm aqui ainda desorientadas, [e dizem] o que é que eu posso oferecer ao meu filho? Há muitas famílias perdidas, não têm que saber o que nós sabemos, está tudo certo, então eu acho que a livraria faz esse papel”, disse.

De acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), em 2025 a venda de livros em Portugal cresceu 6,9% em relação ao ano anterior, com um total de quase 15 milhões de livros vendidos, e esse aumento foi muito impulsionado pelos livros de colorir e infantis.

Os dados relativos ao número de unidades vendidas por género indicam que o mais procurado e único com um crescimento significativo em número de vendas foi o infantil/juvenil, que passou de 34,5% em 2024 para 36,3% em 2025.

Num mercado em que são publicadas muitas novidades editoriais, Dora Batalim Sottomayor concorda que pais e professores possam sentir-se “perdidos e a precisar de pautas de qualidade”, fornecidas por mediadores, bibliotecários ou livreiros.

“Vamos esperar que estas pessoas conheçam profundamente o que é um livro, que conheçam muitos livros e que tenham critérios de qualidade”, observou.

Com maior ou menor intuito comercial, a investigadora lembra o desígnio nobre das livrarias de serem “lugares em que as pessoas têm contacto com o livro, mexem no livro”.

“Fazem um grande trabalho num tempo tão digital em que tudo está dentro do nosso bolso: Poder entrar num espaço recheado de livros, com livreiros dedicados, que conhecem o seu acervo e que possam encaminhar os leitores e fazê-los descobrir o livro”, defendeu.

Fonte: Lusa | Fotos: HA

Educação: Férias da Páscoa dão a conhecer profissões e negócios do Douro

Educação: Férias da Páscoa dão a conhecer profissões e negócios do Douro

No âmbito da iniciativa Take Action, da associação Bagos D’Ouro, 40 estudantes estão a aproveitar as férias da Páscoa para conhecerem profissões e negócios do Douro, um projeto que pretende mostrar que há emprego e futuro nesta região.

Lançado há 10 anos, o Take Action é um projeto educativo de exploração e orientação vocacional que ajuda crianças e jovens a descobrir o seu caminho através do contacto direto com profissões e negócios da região do Douro.

A associação Bagos D’Ouro disse hoje, em comunicado, que o projeto “tem contribuído para desmistificar a ideia de que o futuro passa necessariamente por sair do território, mostrando que o Douro oferece também caminhos possíveis e inspiradores”.

Na edição de 2026, que decorre entre hoje e quarta-feira, participam cerca de 40 jovens do 3.º ciclo e do ensino secundário, que terão a oportunidade de contactar com mais de 50 empresas da região.

“Há 10 anos que o Take Action pretende dar aos nossos jovens ferramentas para escolherem o seu caminho com mais confiança, mostrando-lhes que o futuro pode estar mais próximo do que imaginam e que a região do Douro pode ser casa para os talentos das novas e futuras gerações”, afirmou, citada no comunicado, Maria Inês Taveira, coordenadora geral da Bagos D’Ouro.

A responsável acrescentou que “só conhecendo é possível decidir e que o contacto direto com o mundo do trabalho é fundamental para abrir horizontes e reforçar a ligação ao território”.

O Take Action foi criado, precisamente, com o objetivo de alargar horizontes e dar a conhecer as oportunidades profissionais existentes na região, permitindo aos jovens contactar diretamente com diferentes áreas de atividade, da hotelaria à medicina, do jornalismo ao desporto, passando pelo ensino e pela engenharia informática.

O projeto está estruturado em diferentes etapas, acompanhando o percurso escolar dos participantes.

O Take Action Kids dirige-se a alunos do 5.º e 6.º ano, promovendo uma primeira aproximação ao mundo das profissões, seguindo-se o Take Action I, para o 8.º e 9.º ano, o Take Action II, para o ensino secundário, com experiências mais aprofundadas e contacto direto com empresas, e o Take Action Uni, que acompanha jovens do 12.º ano, ensino profissional e superior.

Criada em 2010, a associação sem fins lucrativos começou a sua intervenção em São João da Pesqueira, distrito de Viseu, e Sabrosa, distrito de Vila Real.

Hoje já atua em Alijó, Carrazeda de Ansiães, Tabuaço, Armamar, Murça e Mesão Frio, apoiando, no ano letivo de 2025/26, mais de 240 crianças e jovens de cerca de 140 famílias durienses.

Fonte: Lusa | Imagens: Bagos d’Ouro

Opinião: Dar sem esperar – o verdadeiro valor do voluntariado

Opinião: Dar sem esperar – o verdadeiro valor do voluntariado

O voluntariado, à luz da fé cristã, assume um significado profundo e transformador, sobretudo quando direcionado aos mais vulneráveis da sociedade. Mais do que um simples ato de solidariedade, é uma verdadeira expressão do amor ao próximo, um dos pilares centrais do cristianismo.

No ensinamento de Jesus Cristo, encontramos um apelo claro à ação: cuidar dos pobres, visitar os doentes e não esquecer aqueles que vivem privados de liberdade. O voluntariado torna-se, assim, uma forma concreta de viver a fé, traduzindo em gestos reais valores como a caridade, a compaixão e a justiça.

A minha experiência como voluntária na pastoral penitenciária tornou este ensinamento ainda mais real e profundo. Ao longo desse percurso, vivi momentos intensos e enriquecedores, participando em atividades e, sobretudo, visitando aqueles que se encontram privados de liberdade. Essas visitas não são apenas encontros — são verdadeiros momentos de humanidade, onde o olhar, a escuta e a presença ganham um valor imenso.

Aprendi, com o saudoso Padre João Gonçalves, mais conhecido pelo Padre das Prisões (que já partiu para casa do PAI) uma frase que marcou profundamente a minha forma de viver o voluntariado: “vou visitar Jesus Cristo que está preso no preso; é esse quem eu vou visitar”.

Esta perspetiva transforma completamente o sentido da ação. Deixa de ser apenas um gesto de ajuda e passa a ser um encontro espiritual, onde cada pessoa visitada é reconhecida na sua dignidade e humanidade. Os grupos mais vulneráveis — como os reclusos, muitas vezes esquecidos e marginalizados pela sociedade — precisam não só de apoio material, mas também de presença, escuta e esperança.

O voluntariado junto destes contextos é exigente, mas profundamente necessário. É aí que a fé se torna viva, concreta e desafiadora. Além disso, esta experiência mostrou-me que o voluntariado não transforma apenas quem recebe, mas também quem dá. Cada visita, cada conversa e cada gesto deixam marcas profundas, ensinando-nos a olhar o outro sem julgamentos, com compaixão e respeito. É um caminho de crescimento humano e espiritual.

O voluntariado cristão encontra o seu sentido mais pleno quando se dirige aos mais vulneráveis, especialmente àqueles que a sociedade tende a esquecer. Através da minha vivência na pastoral penitenciária, compreendi que servir é, acima de tudo, reconhecer Cristo no outro. E é nesse encontro que o voluntariado ganha o seu verdadeiro significado: amar em ação.

Fonte: Ecclesia | Sandra Marisa Rodrigues, Diocese de Bragança-Miranda

Sendim: Domingo de Ramos de Ramos na Paixão do Senhor

Sendim: Domingo de Ramos de Ramos na Paixão do Senhor

Em Sendim, a Missa de Domingo de Ramos que iniciou a Semana Santa, celebrou-se a 29 de março, tendo o padre António Pires explicado que este é o momento central do ano litúrgico e exortou os fiéis a aprofundar a fé, para que que seguindo o exemplo de Cristo, a vida seja uma permanente entrega de amor e serviço.

Na vila de Sendim, a celebração começou com a benção dos ramos no adro da Capela de Nosso Senhor da Boa Morte, onde se leu o Evangelho da entrada e aclamação de Jesus, em Jerusalém. Seguiu-se depois a procissão em direção à igreja matriz, onde se celebrou a eucaristia da Paixão do Senhor.

Na homília, o padre António Pires, afirmou que a prisão, julgamento e execução de Jesus é mais do que um episódio bíblico, é o cerne da vida cristã e é o espelho do que Deus deseja realizar nas nossas vidas.

“O amor como Jesus o viveu é a única força capaz de mudar os corações e a humanidade inteira, tornando felizes as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre povos, culturas e civilizações”, explicou.

Para o sacerdote, a entrada de Jesus em Jerusálem e a aclamação com ramos revela que Ele é o Senhor e merece o melhor das nossas vidas. Por isso, padre António Pires exortou a assembleia a aprofundar constantemente a fé, para conhecer melhor a Deus e também para ter lucidez e fortaleza para enfrentar os momentos difíceis.

“Não basta o entusiasmo inicial de acreditar em Deus, a conversão exige um conhecimento profundo e uma relação pessoal com Cristo. Desta relação de amizade com o Senhor nasce uma vida nova, de amor, doação e serviço aos outros!”, disse o pároco de Sendim.




No final da eucaristia, o sacerdote anunciou as celebrações do Tríduo Pascal na vila de Sendim: na Quinta-feira Santa, 2 de abril, há a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, às 18h30, seguida da procissão do Senhor da Piedade.

Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, realiza-se às 21h30, a Procissão do Senhor da Boa Morte.

No Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, as celebrações começam com o repicar dos sinos às 10h30 da manhã e o tocar do gaiteiro no campanário da igreja. A missa pascal celebra-se 11h30, na igreja matriz.



HA





É morrendo para o mundo que se vence o mundo

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A

É morrendo para o mundo que se vence o mundo

Is 50, 4-7 / Slm 21 (22), 8-9.17-18a. 19-20.23-24 / Filip 2, 6-11 / Mt 26, 14 – 27, 66 ou Mt 27, 11-54

A leitura do Evangelho hoje é a Ceia Pascal e a Paixão de Jesus em São Mateus. Daqui a cinco dias, na celebração da Sexta-feira Santa, escutar-se-á a Paixão de Jesus em São João. São dois momentos litúrgicos, perto um do outro, em que se é convidado a acompanhar os passos de Jesus neste momento difícil da sua vida. Isto significa que o tempo em que estamos – a Semana Santa – deve ser menos de palavras e mais de silêncio.

Houve um tempo para escutar Jesus de modo a aprender d’Ele e ganhar um maior conhecimento a seu respeito. Agora, é o tempo de estar silenciosamente com Jesus, contemplando as diversas cenas por que passa. É o tempo de examinar a situação em que Ele se encontra e permitirmos que isso nos afete. É sabido que a narração da Paixão é longa e apresenta os sucessivos cenários de forma bastante gráfica. Impressiona a concentração de atitudes e sentimentos humanos: a traição e o remorso de Judas, a cobardia e o choro de Pedro, a fúria coletiva da multidão, o ar admirado de Pilatos, o escárnio dos soldados, o insulto e a troça dos que passam diante da cruz.

Impressiona particularmente o que vai na alma de Jesus. No monte das Oliveiras: «A minha alma está numa tristeza de morte». Na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?». Impressiona ver como a divindade se esconde. Impressiona ver como Jesus sofre às mãos das trapalhices dos que o circundam: ou melhor, das trapalhices de todos nós, da humanidade inteira.

Impressiona, apesar de tudo, a firmeza de Jesus. Aplicou a si o que dizia o profeta Isaías: «apresentei as costas… e a face», «não desviei o meu rosto». Certamente é uma firmeza imbuída de grande fé: «sei que não ficarei desiludido» (Isaías). É a firmeza de fé que, no dizer de São Paulo (Carta aos Filipenses), chega a ser correspondida por Deus: Jesus «humilhou-se… obedecendo até à morte e morte de cruz»; «por isso, Deus o exaltou… para que… toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor».

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

Semana Santa: Procissões são «sermões silenciosos»

Semana Santa: Procissões são «sermões silenciosos»

Durante a Quaresma e a Semana Santa, a arte apresentada nas procissões religiosas são “sermões silenciosos”, disse o cónego José Paulo Abreu, da arquidiocese de Braga.

“São João Damasceno dizia que a arte são sermões silenciosos, são uma Bíblia sem palavras. E há coisas que não precisam de palavras. Está tudo dito na simbólica, na iconografia, nas vestes, no silêncio”, explica o responsável pelo Cabido da Sé de Braga.

Professor da Faculdade de Teologia convida a participar nas procissões que enchem as ruas da cidade de Braga, em especial durante a Semana Santa que tem início na segunda-feira, dia 30, e a descobrir “o ambiente contagioso que ali se vive”.

“É necessário vivê-las para se perceber que não é normal haver-se tanto milhares de pessoas sem abrir a boca, num ambiente contagioso e que se vai criando”, relata.

Desde a procissão que recorda a ‘entrada triunfal’ de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, a procissão da Burrinha na quarta-feira, dia 1, a procissão Ecce Homo na Quinta-feira santa, a procissão do enterro na Sexta-feira santa, que recriam todo o relato da Paixão de Jesus, “recriam o caminho feito por Jesus”.

“A procissão do enterro, organizada pelo Cabido da Sé, acontece num silêncio absoluto entre milhares de pessoas. É espantoso. O silêncio, a luz contida, a concentração e o ar pungido das pessoas, é algo chocante”, recorda.

O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, está, ao longo da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, num caminho feito com o cónego José Paulo Abreu.

O responsável dá conta que o Rito Bracarense marca algumas celebrações neste tempo – por exemplo na procissão da ‘Entrada triunfal’ em Jerusalém, no Domingo de Ramos:

“Na chegada à Catedral, o arcebispo bate com o bastão três vezes na porta, e ouve-se: ‘Quem é que está aí a bater à porta?’, ‘É o Rei da Glória?, ‘Mas quem é esse Rei da Glória?’, e repete-se essa coreografia, enquanto se atiram folhas dos ramos de oliveira, e há toda uma coreografia das crianças”, indica.

Também a cerimónia do Lava-pés, na Quinta-feira santa, convida “pessoas de instituições” locais, tornando o ato “muito simbólico”, e o rito Bracarense manifesta-se ainda na Sexta-feira Santa com a Adoração da Cruz.

“Nesta cerimónia, depois da Adoração da Cruz, temos a uma chamada Procissão Teofórica: dentro de uma urna são metidas a Eucaristia e uma Bíblia, e a urna é levada, desde o altar principal, para uma capela ao lateral, que é a capela da Senhora do Sameiro, indicando que Eucaristia está lá, a Bíblia está lá, mas há como que algum encobrimento, para despontar radioso, no Domingo de Páscoa”, conta.

O cónego José Paulo Abreu regista outro momento, usual na tradição em Braga, de se visitarem “sete igrejas” após a celebração do Lava-pés e da Missa da Ceia do Senhor.

“Tem uma raiz histórica no que se fazia nas igrejas de Roma, quando as pessoas eram convidadas a frequentar sete igrejas para passarem pelas Portas Santas. Isto traduziu-se na visita às igrejas, que se faz em Braga. Tem início na Sé e passa pela igreja da Misericórdia, depois Santa Cruz, a igreja dos Terceiros – uma igreja franciscana que fica aqui ao pé da Arcada – depois a igreja do Salvador, a igreja do Pópulo e a igreja da Conceição”, apresenta.

O responsável destaca ainda a procissão da Burrinha, que acontece na quarta-feira Santa, que ajuda de forma “catequética” a traduzir o Antigo Testamento.

“É uma forma inteligente de repropor de forma muito interessante e pedagógica o Antigo Testamento, e entendermos toda a história do povo de Israel, a aliança entre Deus e o seu povo, como é que Deus foi conduzindo o seu povo, quem é que foi enviando. A burrinha é a que Nossa Senhora montou antes de nascer Jesus, e trata-se de um momento catequético muito interessante”, indica.

A conversa com o cónego José Paulo Abreu vai ser emitida no programa ECCLESIA, na Antena 1, no sábado, às 06h00.

Fonte: Ecclesia | Imagem: SCMMD