XVI Domingo do Tempo Comum – Ano A
Trigo e joio
Sab 12, 13.16-19 / Slm 85 (86), 5-6. 9-10.15-16a / Rom 8, 26-27 / Mt 13, 24-43 ou Mt 13, 24-30

São Mateus apresenta três parábolas do Reino: o trigo e o joio (vv. 24-30), o grão de mostrada (vv. 31-32), o fermento (v. 33). Vamos à parábola do trigo e do joio. O trigo tem sido o principal cereal produzido na Palestina. Por sua vez, o joio é, segundo o dicionário, uma «planta herbácea que se desenvolve espontaneamente e com frequência nas searas, prejudicando o resultado destas culturas através dos seus frutos». Estes transportam uma substância tóxica (temulina) proveniente de um fungo e não são fáceis de separar dos outros cereais, especialmente do trigo.
Está, aqui, a pertinência da parábola. Os que ouvem Jesus percebem de que é que está a falar. Da parábola extraem-se dois ensinamentos. Primeiro: o que é de Deus tem de aprender a viver no nosso coração com o que não é de Deus («veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo»). Segundo: não será fácil distinguir completamente o que é de Deus do que não é de Deus até que cheguemos ao face a face final e pleno com Deus («deixai-os crescer ambos [trigo e joio] até à ceifa»).
É que no andamento da nossa vida espiritual, precisamos de dar um nome àquilo que vivemos. Nomear (descrever) o que vivemos ajuda-nos a lidar precisamente com isso que vivemos. Mas nem sempre acertamos nesse nomear. Nem sempre temos a certeza de que o nomear está correto:
É de Deus ou vem de outro sítio? Edifica-nos como pessoa ou vai corroer-nos? Precisamos da direção espiritual. E precisamos também de tempo. É que o nomear daquilo que vivemos pode mudar com o tempo. Há o nomear a quente; imediato, impaciente. Mas há também um nomear mais sereno, mais amplo, mais maduro; feito a maior distância temporal.
Arriscamo-nos a gerir mal aquilo que vivemos por nem sempre o lermos bem. Podemos, no entanto, confiar no Senhor, que é propenso a perdoar-nos e a dar-nos uma nova oportunidade. «Vós, o Senhor da força, julgais com bondade»; «o vosso domínio soberano torna-vos indulgente para com todos» (Livro da Sabedoria). Deste confiar no Senhor fala também São Paulo. Deus, que «vê no íntimo dos corações», concede-nos o seu Espírito que «vem em auxílio da nossa fraqueza» (Carta aos Romanos).
Deste confiar no Senhor falam-nos igualmente a parábola do grão de mostarda e a parábola do fermento (São Mateus). O Senhor ajuda-nos a construir Reino em nós e à nossa volta. Tem é de se ter a disponibilidade do tal grão: “apagar-se” e nesse “apagamento” vir a dar uma árvore que os olhos veem. Tem é de se ter a disponibilidade do tal fermento: não se tomar como fim em si mesmo, mas dar desenvolvimento a outra coisa que está para além de si mesmo.
Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP) | Foto: HA












