Miranda do Douro: “Sou feliz a viver e trabalhar na Terra de Miranda” – João França
João França nasceu na freguesia da Vitória, no Porto e durante a sua infância e juventude vinha regularmente a Miranda do Douro, visitar a avó, Balbina Rodrigues. Nas férias, era habitual ajudar a avó, na cozinha e no serviço de mesa do restaurante Casa da Balbina, que funciona desde 1971. Hoje, o jovem João França e o proprietário e Chef de Cozinha do restaurante.

Após a conclusão do 12º ano, João França entrou no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), onde estudou engenharia eletrotécnica. No entanto, no decorrer dos estudos universitários decidiu que a sua vocação não era a engenharia e enveredou pela licenciatura em Gestão Hoteleira, na Universidade Portucalense.
“No curso de gestão hoteleira adquiri diversos conhecimentos de planeamento e gestão de hotelaria, contabilidade, turismo, empreendedorismo, idiomas, gastronomia e vinhos, entre outros saberes. No decorrer da licenciatura realizei vários estágios, entre os quais um em Barcelona, no Hotel Pullman, onde ganhei uma nova e ampla perspetiva das potencialidades deste setor”, disse o jovem.
Em 2015, a família convidou o jovem João França, então com 27 anos, a assumir a liderança do restaurante Casa da Balbina, em Miranda do Douro. Com alguma relutância, pois esse não era o seu plano de vida, aceitou o desafio de assumir interinamente a responsabilidade do restaurante. Nos primeiros tempos, pensou que seria possível conciliar este trabalho, com outros projetos no Porto, mas depressa percebeu que isso era inconciliável. O jovem “tripeiro” viu-se obrigado a dedicar-me inteiramente ao restaurante em Miranda do Douro, onde conheceu e se apaixonou pela Lara, a sua companheira, o que o ajudou a enraizar-se definitivamente na região.
Nos primeiros tempos de trabalho na Casa da Balbina, João França dedicou-se mais ao backoffice, às tarefas de gestão e à remodelação do restaurante. As obras só aconteceram depois da pandemia, em 2022 e 2023, ano da reabertura do restaurante.
Atualmente, quem visita a Casa da Balbina, em Miranda do Douro, tem a oportunidade de degustar pratos como a vitela assada, a posta à mirandesa, o cordeiro ou cabrito assado na brasa, o frango albardado, entre outras iguarias. O jovem Chef de Cozinha, João França, é um apreciador das tradições e dos produtos regionais, aos quais gosta de acrescentar-lhes um toque de inovação e modernidade.
“Sou um apreciador da cozinha de memórias, isto é, que remetem para histórias vividas pelos nossos antepassados. Um destes pratos típicos é o frango albardado, que inicialmente é estufado, ao qual depois se coze o arroz e finalmente o frango (já estufado) é ainda frito com ovo e salsa. Antigamente, esta comida era levada na albarda do burro (daí o nome frango albardado), para comer na pausa dos trabalhos agrícolas, como a segada dos cereais”, contou João França.
Para o jovem empresário, que trocou o Porto por Miranda do Douro, esta pequena cidade fronteiriça tem um enorme potencial turístico.
“Na minha perspectiva, Miranda do Douro tem uma extraordinária beleza natural e tem um património histórico e cultural únicos, daí que seja uma cidade tão apelativa e visitada. No entanto, no meu entendimento não pode ser apenas o município e as freguesias a organizarem eventos e atividades para atrair turistas e visitantes. Isso compete-nos também nós empresários e associações, de modo a atrair ainda mais público ao longo de todo o ano e assim a dinamizar mais toda a economia local”, sugeriu.

Ao longo do ano, o restaurante Casa da Balbina recebe a visita de vários públicos, portugueses, espanhóis e turistas de inúmeras nacionalidades. Dada a vizinhança com Espanha, os espanhóis são aqueles que mais visitam o restaurante, para degustar o bacalhau, mas também para se aventurarem noutras experiências gastronómicas caraterísticos da Terra de Miranda, como o cordeiro mirandês, o frango albardado, o caldo de cascas ou a tabafeia com grelos.
Desafiado a inspirar o(a)s jovens da região que sonham viver e trabalhar no planalto mirandês, João França, encorajou-os a não ter medo de arriscar, de errar e voltar a tentar sempre que for necessário.
“No meu percurso de vida também tive que mudar de curso e não sonhava vir trabalhar para Miranda do Douro. Mas para minha surpresa, surgiu essa possibilidade e hoje em dia sou uma pessoa feliz a viver e trabalhar na Terra de Miranda”, concluiu.






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