1.º de maio: Juventude Operária Católica alerta para a precariedade laboral

A Juventude Operária Católica (JOC), em Portugal, alerta para a “precariedade laboral” que ”marca a vida de muitos jovens” e anunciou que vai refletir sobre os seus direitos e futuro, a 1 de maio, Dia do Trabalhador, em Coimbra.

“É uma realidade pela qual a maioria dos jovens passa, a maior parte dos trabalhadores passa pelo problema da precariedade laboral, mas os jovens em particular sofrem muito mais com esse problema”, disse o presidente da JOC Portugal, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Segundo Pedro Esteves, da Diocese de Aveiro, a precariedade laboral foi uma realidade trazida pelos grupos da Juventude Operária Católica para “ser trabalhada” pelo movimento da Igreja Católica em Portugal, no início deste ano pastoral 2025/2026, em novembro.

“Isto vem sempre da base, daquilo que os grupos sentem que precisam. Esta realidade vinha já do ano pastoral anterior, a nossa campanha nacional também foi sobre a precariedade laboral, e a situação não melhorou, até está em vias de piorar”, desenvolveu o entrevistado.

A JOC Portugal pediu aos participantes do encontro nacional do Dia do Trabalhador 2026 que levem “uma história (de pessoa conhecida) ou uma notícia” que retrate uma situação de “precariedade laboral (ou várias situações)”, preocupados com a realidade em que vivem, como a “insegurança face ao futuro, escola que não garante emprego, precariedade no trabalho, injustiça, degradação da pessoa humana e do ambiente, exclusão, violência”.

Em Portugal, governo e representantes dos trabalhadores e das entidades patronais estão a debater o ‘Anteprojeto Trabalho XXI’, uma proposta de reforma da legislação laboral do executivo, que foi apresentada em julho de 2025.

O presidente da JOC Portugal observa que tem “algum tempo que este debate sobre o pacote laboral”, e neste movimento operário têm “vindo a trabalhar sobre isto”, e este 1.º de maio “também será um bom para trabalhar sobre esta problemática”.

“Há muitas linhas vermelhas, neste pacote laboral que não devem ser ultrapassadas, ou seja, há a problemática dos contratos a termo, ou seja, aumentar o limite dos contratos a termo, há toda a questão de poder-se despedir e depois contratar em outsourcing. Há várias problemáticas que no meu entender são linhas vermelhas”, identificou Pedro Esteves.

Segundo o responsável nacional da Juventude Operária Católica, a situação atual “está extremamente precária para os jovens trabalhadores” e o que se quer fazer é aumentar essa precarização”, que não é uma forma de evolução, mas “uma forma de regressão”.

“Ao longo dos anos fomos melhorando as condições laborais, não é agora piorando as condições laborais que estamos a evoluir, isso é regressão”, sublinhou, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

‘Precariedade laboral – Que direitos, que futuro?’, é o tema do encontro nacional da JOC, neste dia 1 de maio de 2026, uma atividade que consiste em duas partes, de reflexão/formação e de participação na manifestação pública, em Coimbra, com início na Sé; os participantes devem levar material para escrever, “roupa preta”, e almoço para partilhar.

“No formato do nosso tipo de reflexão, que é a revisão de vida, o ‘ver, julgar e agir’, onde vamos analisar algumas realidades sobre precariedade laboral à luz do Evangelho, descobrir algumas pistas de ação, e, depois, agir”, acrescentou Pedro Esteves.

A parte do agir vai também ser feita durante a manifestação pública do Dia do Trabalhar, onde vão estar “bem identificados”, para além da tarja da JOC com mais algum elemento identificativo a partir da reflexão sobre a precariedade laboral.

A Igreja Católica celebra a 1 de maio a festa litúrgica de São José Operário, como forma de associar-se à comemoração mundial do Dia do Trabalhador.
Esta celebração litúrgica foi instituída no ano de 1955, pelo Papa Pio XII, diante de milhares de trabalhadores italianos, a quem disse “longe de despertar discórdia, ódios e violência, o 1.º de maio é e será um recorrente convite à sociedade moderna a realizar aquilo que ainda falta à paz social”.

A JOC Portugal tem sede em Lisboa, e está presente em quatro dioceses portuguesas – Aveiro, Leiria-Fátima, Porto e Santarém – e está também a dinamizar uma campanha de consignação do IRS para “continuar o trabalho junto da juventude trabalhadora”.

Do seu programa de atividades 2025/2026, para além dos encontros dos grupos, a nível nacional destaca-se umaa formação sobre Doutrina Social da Igreja – ‘Como colocar os ensinamentos de Jesus em Prática?’, no dia 10 de junho, no CUMN, em Coimbra, e o acampamento, de 27 a 30 de agosto.

A Juventude Operária Católica nasceu na Bélgica, em 1925, por iniciativa do padre Joseph Cardijn e de um grupo de jovens trabalhadores, e chegou a Portugal passados 10 anos, em 1935.

Fonte: Ecclesia | Imagens: JOC

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