Sendim: Venda da cooperativa Ribadouro sem propostas de compra
A aquisição do imóvel e terreno da Adega Cooperativa Ribadouro (ACR), situados na vila de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, ficou deserta, dada a ausência de qualquer proposta enviada por carta.

Segundo fonte oficial do Tribunal de Bragança, “a entrega de propostas, que terminou na sexta-feira, dia 13 de fevereiro ficou sem interessados, seguindo agora o processo para negociação particular”.
A proposta base tinha sido fixada em 595 mil euros.
Em causa está a tentativa de vender o imóvel para fazer face a uma dívida da Adega Cooperativa Ribadouro à Caixa de Crédito Agrícola, no montante de cerca de 500 mil euros.
O porta-voz da ACR disse que agora “é deixar o processo seguir os trâmites legais”.
Os viticultores do planalto mirandês já apelaram às entidades bancárias credoras que ajudem a manter viva a ACR, por considerarem ser um ativo importante para o território.
“Existe uma dívida de cerca de 500 mil euros à Caixa de Crédito Agrícola e uma outra dívida de 200 mil euros ao Millennium BCP. Em três anos da nossa direção, conseguimos liquidar, neste período, cerca de 600 mil euros. O que é importante agora é atrair investidores para tomarem posse da ACR e que mantenham o mesmo fim: a recolha de uvas e produção de vinho”, explicitou a 26 de janeiro, o membro da direção da adega André Xavier.
Segundo o dirigente desta cooperativa, “em concordância com a Caixa de Crédito Agrícola, ficou decidido que o ideal seria liquidar a dívida através de penhora e tentar arranjar um investidor que mantenha o ramo de negócio”.
“Um dos objetivos de futuro é que um possível investidor, que esteja ligado ao setor vitivinícola, pegue no imóvel e os seus equipamentos para continuar a laborar. O importante, agora, é que quem comprar o imóvel, em hasta pública, compre também o seu recheio para a direção pagar aos restantes credores. O que está penhorado é o imóvel e o terreno. A cooperativa está pronta para receber uvas”, vincava.
Segundo a direção, a cooperativa Ribadouro nunca parou de laborar e quem a adquirir poderá fazer aqui uma espécie de “centro ponto de recolha de uvas e depósito de vinho, como acontece numa adega vizinha”.
“Independente de nos custar muito entregar isto a outras pessoas ou entidades, já que se trata de património dos associados, a cooperativa tem condições estruturais para continuar a laborar. Contudo, na última reunião de associados que houve todos os sócios concordaram que esta era a melhor opção”, disse.
A adega vinícola de Sendim tem atualmente meio milhar de associados, tendo sido criada em 1956 para servir os vitivinicultores dos três concelhos do planalto mirandês: Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.
Em setembro de 2013, a adega cooperativa de Sendim lançou no mercado, os primeiros 10 mil litros de um vinho biológico, produzido nesta sub da região vinícola de Trás-os-Montes.
Em 2012 anunciava igualmente a exportação de 210 mil garrafas de vinho ‘Pauliteiros’ para o Nepal, tornando-se a primeira produtora de vinhos a exportar para aquele país.
A Adega Cooperativa Ribadouro comercializou vinho para vários países como a França, Alemanha, Angola, Brasil e Bielorrússia.
Fonte: Lusa