Paradela: Roscos, fumeiro e emigrantes animam a festa de São Sebastião

De 15 a 24 de janeiro, a aldeia mais oriental de Portugal, Paradela, no concelho de Miranda do Douro, celebra a festa em honra de São Sebastião, num programa festivo cujos destaques são a oração da novena, confecção comunitária dos roscos, o regresso dos (e)migrantes, o acender da fogueira, a missa e o leilão dos roscos e do fumeiro.

Inês Gonçalo, natural de Paradela, explicou que a Festa em honra de São Sebastião, tem como mordomos dois rapazes e duas raparigas solteiras.

“Este ano, a responsabilidade da organização da festa coube aos jovens Matilde Gonçalo, Laura Vinhão, Marcelo Pires e Ivo Sebastião”, indicou.

Os preparativos para festa iniciaram-se a 15 de janeiro, com a novena, uma oração que se realiza diariamente, às 20h00, na igreja matriz e decorre durante nove dias.

“No decorrer da novena, em Paradela, há a tradição das pessoas oferecerem peças de fumeiro, como chouriças, salpicões, pernil, orelha de porco, que no final são leiloados e cuja receita serve para pagar as despesas da festa”, revelou Inês Gonçalo.

Outro preparativo para a festa de São Sebastião foi a apanha da lenha, um trabalho feito pelos rapazes da aldeia, para acender a fogueira que vai aquecer o ambiente, neste mês frio de janeiro.

A confecção dos roscos realizou-se a 21 de janeiro, pelas mulheres de Paradela. Os roscos são um dos ícones da doçaria tradicional, que vão adornar o ramo ou andor, que é leiloado no dia grande da festa em honra de São Sebastião.

Inês Gonçalo, mãe da jovem mordoma, Laura Vinhão, explicou que para confeccionar os roscos, é tradição pedir ovos pela aldeia, aos quais se junta farinha, açúcar e anis.

“Ao participar na confecção comunitária dos roscos revivi a minha infância, pois tive a oportunidade de estar e conviver com pessoas amigas. Foi uma jornada de trabalho muito gratificante, desde o bater os ovos, o amassar, dar forma aos roscos, até ao tarefa final de cozedura dos roscos no forno. Ao longo do dia confeccionámos dezenas de quilos de roscos e utilizámos 80 dúzias de ovos. Os roscos vão ser leiloados após a missa em honra de São Sebastião, que se celebra no sábado, dia 24 de janeiro, na igreja matriz de Paradela”, partilhou.

Na aldeia mais oriental de Portugal, Paradela, a festa em honra de São Sebastião é tão apreciada pela população, que os muitos (e)migrantes que vivem e trabalham em França, Espanha e noutras localidades de Portugal, regressam para participar na festividade.

“No serão de 22 de janeiro realiza-se a receção e um convívio com os nossos (e)migrantes, que todos os anos regressam para celebrarmos juntos a festa de São Sebastião. No dia seguinte, os (e)migrantes juntam-se aos residentes na conclusão da oração da novena, no acender da fogueira e na alvorada. É graças aos (e)migrantes que a festa atinge uma maior dimensão”, disse.

No serão de sexta-feira, dia 23 de janeiro, começa a animação musical com os concertos dos grupos L’s Sorriagos, Charanga Manaita e DJ.

No sábado, dia 24 de janeiro, o dia grande da festa tem como principais momentos a missa em honra de São Sebastião, às 11h30, seguida do leilão do ramo e das carnes (fumeiro).

«O Ramo é um andor enfeitado com roscos de maior dimensão, a que chamamos “caras” em forma de quadrado e triangulares. A montagem do ramo é um trabalho algo minucioso, já que implica o trabalho com uma agulha e um fio para segurar as caras e peças de fruta (maçãs e laranjas), numa estrutura em madeira. Os rosquinhos custam 1€, as caras em forma de triângulo custam 13€ e caras quadradas têm um preço de 15€», indicou, Inês Gonçalo.

Na aldeia de Paradela, a festa prossegue durante a tarde e noite de sábado, 24 de janeiro, com as danças das Pauliteiras de Miranda, uma desgarrada de concertinas e a animação musical do grupo Renovação 3 e a atuação de um DJ.

São Sebastião

A festa em honra de São Sebastião celebra-se na data do seu martírio: 20 de janeiro.

A vida deste santo (256 – 20 de Janeiro de 288 d. C) é um exemplo de como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida e o amor de Deus é mais forte que tudo.

São Sebastião, foi um apaixonado por Deus e um defensor dos cristãos.

Na iconografia, o mártir, São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas e preso a um tronco de árvore.

HA

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