II Domingo do Tempo Comum / 1.º Dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
O mundo aposta na força. Deus aposta no amor.
Is 49, 3.5-6 / Slm 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9. 10-11ab / 1 Cor 1, 1-3 / Jo 1, 29-34

O mundo aposta na força. Deus aposta no amor.
Vivemos num mundo que nos ensina a admirar os fortes, a seguir os vencedores, a confiar em quem domina. Olhamos à nossa volta e vemos os símbolos do poder: dragões, águias, leões, guerreiros. Quando o objetivo é vencer, quase nunca escolhemos a fragilidade. Apostamos na força.
E, no entanto, o coração do Evangelho começa com uma imagem que continua a desconcertar:
“Eis o Cordeiro de Deus.”
Não um herói armado. Não um líder dominador. Um cordeiro.
Deus não entra na história com gritos, nem com imposições. Entra em silêncio, com mansidão. Não conquista territórios, oferece-se. Não impõe a sua vontade, ama até ao fim. O cordeiro não ameaça, não agride, não responde com violência. Permanece, suporta, entrega-se. Assim é Jesus.
Também João Batista teve de reaprender Deus. Pensava conhecê-Lo, preparou o caminho durante toda a vida, mas acaba por reconhecer, com humildade: “Eu não O conhecia.” A fé começa aqui: quando deixamos cair as certezas rígidas e permitimos que Deus nos surpreenda.
A fé não nasce de ideias repetidas, mas de um encontro. João diz: “Eu vi.” Quem vê, testemunha. Quem é tocado, já não fala por ouvir dizer, mas por experiência vivida.
Talvez o mundo não precise de mais vencedores. Talvez precise de pessoas capazes de amar como Jesus: mansas, fortes por dentro e verdadeiramente livres.
Fonte: Padre João Torres | Imagem: ACOM