Miranda do Douro: Helena Barril louva criação de estrutura de missão para língua mirandesa
A presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, louvou a aprovação pelo Governo, da criação da Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa, um organismo há muito aguardado para a defesa e divulgação da língua e cultura mirandesas.

A presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, expressou enorme satisfação pela conclusão do processo de criação da Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa.
“Houve um atraso porque foi decidido incluir mais três entidades em todo este processo de criação desta estrutura de missão, após o seu anúncio em março de 2025. Foram assim incluídas a Frauga – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote, a Academia de Letras de Trás-os-Montes e a Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro [UTAD]”, explicou a autarca social-democrata do distrito de Bragança.
Helena Barril disse que se está cada vez mais perto do início de funções da Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa e da dinamização daquela, a segunda língua oficial em Portugal, em todo o território nacional.
“Com esta resolução do Conselho de Ministros está tudo preparado, para que este organismo de promoção e salvaguarda da língua mirandesa inicie a sua missão na tentativa de salvaguardar este idioma, com muito trabalho que há pela frente”, vincou.
A autarca salientou ainda que a Câmara Municipal não se vai alhear de continuar a divulgar e a apoiar a língua mirandesa dentro e fora de portas, já que se trata de um idioma com características raianas e Espanha está perto.
“Agora trilhamos um novo caminho na divulgação do mirandês que nos vai conduzir a patamares supra nacionais”, destacou a autarca de Miranda do Douro.
Dirigida por um comissário e dois subcomissários, a designar, esta estrutura deverá contar ainda com um Conselho Consultivo composto por representantes do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, da Direção-Geral da Educação, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, da Câmara Municipal de Miranda do Douro, da Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa, das faculdades de Letras das universidades de Coimbra e do Porto, do Instituto Politécnico de Bragança e do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro.
O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) avançou que vê nesta decisão do Governo uma medida para a salvaguarda do mirandesa, acrescentando que se trata de uma medida positiva.
O MCTM sublinhou ainda que aguarda o conhecimento dos atos aprovados para depois se pronunciar de forma mais fundamentada e detalhada.
A Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), por seu lado, não quis pronunciar-se sobre este novo organismo.
Após o Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, anunciou a criação de Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa.
“Na cultura anunciamos a criação de uma Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa, procurando proteger o património e a diversidade cultural em Portugal”, disse o governante aos jornalistas.
Em 11 março de 2025, o Governo aprovou uma primeira resolução para a criação da Estrutura de Missão para a Promoção e Valorização da Língua Mirandesa.
A resolução foi publicada em 18 de março de 2025, prevendo que esta estrutura tivesse sede em Miranda do Douro, com o objetivo de aplicar o Plano Estratégico para a Promoção da Língua Mirandesa, apoiar o ensino, difusão e produção cultural em mirandês, dispondo de uma dotação anual de 500 mil euros.
O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial no país. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor em 29 de janeiro de 1999, com a publicação em Diário da República.
Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, em 2023, alertou para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, em redor do ano 2050.
O trabalho desta universidade espanhola identificava apenas 3500 conhecedores da língua e 1500 falantes regulares, o que se tornou numa situação preocupante para o futuro da “lhéngua” (língua).
Fonte: Lusa | Foto: HA