Igreja: Quaresma é um tempo de conversão

A Igreja Católica inicia esta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, o tempo da Quaresma com um apelo à conversão das relações e da linguagem, unindo a proposta espiritual do Papa Leão XIV, à urgência de reconstrução material e social em Portugal, após as tempestades.

Na sua mensagem para a Quaresma de 2026, Leão XIV desafia os fiéis a um “jejum de palavras ofensivas”, argumentando que a verdadeira penitência passa por “desarmar a linguagem” para permitir uma “escuta mais profunda do clamor dos oprimidos”.

O Papa insiste que a Quaresma não é um caminho solitário, mas um tempo de “justiça e reconciliação”.

Em Portugal, esta visão foi partilhada por D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, que na sua mensagem exorta à “abstinência de palavras que atingem e ferem”, bem como por D. Pedro Fernandes, que apelou a um “jejum de palavras”, dirigindo-se à Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

As mensagens dos bispos portugueses sublinham que a dimensão espiritual do jejum e da esmola devem levar a gestos concretos de solidariedade para com os milhares de afetados pelas intempéries.

Várias dioceses decidiram canalizar a totalidade ou parte da sua renúncia quaresmal para o apoio às populações afetadas pelas cheias e ventos fortes das últimas semanas.

A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.

Na diocese de Bragança-Miranda, o bispo, Dom Nuno Almeida, escreveu a mensagem quaresmal “Da Esperança à Caridade”.

“É fundamental sabermos a quem está ancorada a nossa vida: Jesus Cristo, o Crucificado e Ressuscitado. Ele revela-se como centro fundamental da nossa vida na Cruz, qual ponto nevrálgico que dá sentido aos caminhos da nossa vida. Assim, o  itinerário da Quaresma aparece-nos como um rumo de esperança, que nos leva sempre a passos e gestos concretos de caridade. É tempo de conversão pessoal, pastoral e missionária, através de uma redescoberta da relação com Deus (oração), com os outros (partilha) e connosco próprios!, escreve D. Nuno Almeida.

O que é a Quaresma? 

A Quaresma é um dos tempos mais marcantes do calendário cristão e antecede a celebração da Páscoa. Durante 40 dias, a Igreja convida os fiéis a um caminho de maior interioridade, marcado pela oração, pela partilha e pela preparação espiritual. Neste explicador, respondemos às principais perguntas sobre o significado e as práticas da Quaresma.

A Quaresma é o tempo litúrgico que prepara os cristãos para a celebração da Páscoa, o centro da fé cristã. É um período marcado pela reflexão interior, pela conversão do coração e pela renovação espiritual, convidando cada fiel a rever a sua vida à luz do Evangelho.

Quando começa e quando termina?

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor, que abre o Tríduo Pascal. Ao todo, são 40 dias, não contando os domingos, que mantêm sempre um carácter pascal.

Porque dura 40 dias?

Os 40 dias recordam o tempo que Jesus passou no deserto, em oração e jejum, antes de iniciar a sua vida pública. Na Bíblia, o número 40 está frequentemente associado a tempos de prova, preparação e renovação, como os 40 anos do povo de Israel no deserto.

O que simboliza a Quarta-feira de Cinzas?


A Quarta-feira de Cinzas assinala o início da Quaresma. Nesse dia, os fiéis recebem cinzas na testa, acompanhadas de palavras que apelam à conversão. As cinzas são sinal de humildade, lembrando a fragilidade humana e a necessidade de voltar o coração para Deus.

Quais são as práticas associadas à Quaresma?


A Igreja propõe três caminhos fundamentais: oração, para fortalecer a relação com Deus; jejum, como exercício de autocontrolo e liberdade interior; e partilha com os mais pobres, expressão concreta da caridade e da atenção aos outros.

O jejum é obrigatório?


O jejum é obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa para os fiéis que o podem cumprir. A abstinência de carne é pedida às sextas-feiras da Quaresma, como sinal de penitência e de preparação espiritual.

Porque é usada a cor roxa nas celebrações?

O roxo é a cor da penitência, do recolhimento e da sobriedade. Ajuda a criar um ambiente mais contido nas celebrações litúrgicas, sublinhando que este é um tempo de interioridade e de conversão.

O que é a Via-Sacra?


A Via-Sacra é uma devoção que recorda o caminho de Jesus até à cruz, através de várias estações. É especialmente vivida durante a Quaresma, sobretudo às sextas-feiras, ajudando os fiéis a meditar sobre o sofrimento de Cristo e o sentido da entrega.

A Quaresma é um tempo de tristeza?


Não. Embora seja um tempo exigente e marcado pela sobriedade, a Quaresma é vivida com esperança. É um caminho que prepara para a alegria da Páscoa, a celebração da Ressurreição.

Para que serve a Quaresma?

A Quaresma serve para ajudar os cristãos a prepararem-se interiormente para celebrar a Ressurreição de Cristo de forma mais consciente, profunda e comprometida, traduzindo a fé em gestos concretos de mudança, reconciliação e amor ao próximo.

Fonte: Ecclesia, Diocese de Bbragança-Miranda e RR | Imagem: Paróquias Astromil Rebordosa

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