Ifanes: Cantou-se e leiloou-se o ramo na Festa de São Sebastião
Na aldeia de Ifanes, no concelho de Miranda do Douro, voltou a celebrar-se a festa em honra de São Sebastião, no sábado, dia 31 de janeiro, uma festividade que tem como caraterísticas distintivas, o canto e a benção do ramo na eucaristia, seguido da procissão e do leilão, no adro da igreja.
Este ano, os mordomos da festa em honra de São Sebastião, em Ifanes, foram os jovens Simão Cabreiro, Maria Inês Cabreiro, Gonçalo Marcos e Joel Antão. A escolha dos jovens para mordomos, tem como propósito assegurar a continuidade da festa e a preservação das tradições que lhe estão associadas.
Coube às mães dos jovens mordomos, Gina Marcos e Marisa Ortega, confecionar ao longo do ano, os saborosos roscos, para angariar dinheiro para a festa e para ornamentar os cinco ramos de oferenda a São Sebastião.
“Em Ifanes, os roscos são feitos com farinha, ovos, essência de aniz e açúcar. A receita é um segredo. Alguns destes ingredientes, como os ovos e o açúcar, são doados pela comunidade de Ifanes, sendo que este ano utilizámos 150 dúzias de ovos”, indicaram.
Feitos os roscos, segue-se a minuciosa tarefa de ornamentar os cinco ramos (pequenas estruturas de madeira), com os roscos e pães. Em Ifanes, cada ramo é encimado por três roscos em forma de pomba e três maçãs.
Outra tradição associada à festa de São Sebastião, em Ifanes, é o jantar das “claras”. A designação advém das claras dos ovos que não são utilizadas na confeção dos roscos e são reaproveitadas para fazer outros doces.
“Com as claras dos ovos, a comunidade de Ifanes decidiu fazer outros doces que são servidos num jantar comunitário, a que se deu o nome de jantar das claras”, explicaram.
Este ano, a missa solene em honra de São Sebastião, celebrou-se ao início da tarde de sábado, dia 31 de janeiro, na igreja matriz. A celebração religiosa começou com a tradição do canto do ramo, entoado pelas mordomas da festa.
“Queremos pedir licença,
para cantar nesta igreja.
Ao mártir, São Sebastião,
Rogai a Deus que assim seja...”


Na homilia da missa, o pároco de Ifanes, padre Manuel Marques, destacou as virtudes da Fé e da Esperança de São Sebastião, que deu a vida em defesa da adesão a Cristo, Filho de Deus.
“O mártir, São Sebastião, sofreu o martírio por causa da prática da caridade. Nas Bem-aventuranças, Jesus chama de bem-aventurados aqueles que sofrem perseguição por amor do Evangelho. Alegrai-vos e exultai porque é grande a vossa recompensa nos céus”, disse o pároco.
A eucaristia conclui-se com a procissão da imagem de São Sebastião, pelas ruas de Ifanes e com o acender da fogueira.
No adro da igreja, realizou-se o tradicional leilão dos ramos, cuja venda destinou-se a angariar dinheiro para pagar as despesas da festa.
Um dos participantes no leilão, o presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Nélio Seixas, afirmou que na aldeia de Ifanes, a festa em honra de São Sebastião e as tradições que lhe estão associados são um legado cultural que importa preservar.
“Em Ifanes, a festa em honra do mártir, São Sebastião, é a festividade em que há uma maior participação da comunidade local, nas diferentes tarefas como a confeção dos roscos, na ornamentação dos ramos, no leilão, no preparar a fogueira, na missa e procissão. Esta festividade que terá alguns séculos é a mais distintiva de Ifanes”, disse o jovem autarca.
A festa em honra de São Sebastião, na aldeia de Ifanes, prosseguiu durante a tarde de sábado, com as danças das Pauliteiras. Ao serão, a festividade encerrou com as atuações dos grupos musicais NV3 e Zíngarus.
Em várias localidades da Terra de Miranda, o ritual de confeção e oferenda dos ramos, ornamentados com roscos (tradicionalmente feitos com farinha, ovos, açúcar e aguardente ou aniz) está relacionado com o ciclo agrícola. Segundo o etnógrafo, Mário Correia, os roscos são ofertas a Deus, sendo mesmo benzidos pelos sacerdotes no decorrer da eucaristia.
"Os roscos são feitos com farinha de trigo e por isso simbolizam o pão, considerado um alimento essencial e garante da sobrevivência. As comunidades ao ornamentarem o andor com os roscos ou o pão, estão a agradecer a Deus pela colheita e a pedir a sua intercessão para o novo ano agrícola, que vai começar com a chegada da primavera”, explicou o etnógrafo.























HA