Fumeiro: Jovens investem na tradição

Os jovens, Hugo Santos e Catarina Adoniz decidiram produzir fumeiro à moda antiga e participar na 46ª Feira do Fumeiro de Vinhais, um certame que decorre nesta vila transmontana, de 5 a 8 de fevereiro. 

Hugo Santos tem apenas 22 anos, mas é caso para dizer que a idade é só um número, uma vez que nasceu e foi criado em matanças de porcos e confeção de fumeiro.

Uma tradição de família, que se tornou numa paixão, um sentimento que se mantém até aos dias de hoje, porque já diz o ditado “quando se nasce com a vontade, nunca se perde”.

“A minha mãe e o meu pai sempre mataram porcos e eu sempre gostei da matança, era um dia diferente, era um dia que se juntava muita gente. Então decidi começar nisto”, disse, à Lusa, o jovem agricultor do distrito de Bragança.

Mas foi para seguir as pisadas do avô que Hugo decidiu vender fumeiro na Feira do Fumeiro de Vinhais. Pela primeira vez, ocupa o lugar do avô, que já não tem idade para o fazer.

O certame é apenas o culminar do cuidado e engorda de seis porcos bísaros. Um trabalho que faz com a ajuda da mãe, já que nos tempos livres, além de trabalhar a terra e tratar dos animais, também toca concertina.

E foi com a mãe que aprendeu a fazer “bom fumeiro”. Além dos temperos, o jovem considera que o segredo está na maneira como é feito, com “carinho” e “vontade”. “Se fizermos isto sem vontade e às três pancadas, o fumeiro nunca vai sair bom”, afirmou.

Natural de Quirás de Lomba, onde ainda vive nos dias de hoje, Hugo Santos teme que a tradição da matança do porco e da produção de fumeiro se perca. Chegam os dedos de uma mão para contar os jovens que ainda vivem nesta aldeia e os idosos, “por muito que gostem de fazer isto, já não têm possibilidade”.

“Dizem que o nosso concelho é envelhecido, mas é com eles que aprendemos muita coisa”, vincou.

No que depender de si, Hugo não deixará que este saber se perca. O seu objetivo é aumentar a produção de porcos, “mas nunca diminuir”.

Uma produção de apenas três animais, que desde o Verão tem vindo a crescer, graças ao amor que ganhou por um “porquinho”, que o impediu de o matar, deixando-o para criação.

Para a Feira do Fumeiro matou seis e, neste momento, está já a criar cinco porcos bísaros, para vender fumeiro ao longo de todo ano.

O agricultor admite que “requer muito trabalho e muito esforço” e é isso que afasta os jovens desta área.

Exceto Catarina Adoniz, que também quis seguir as pisadas da avó e da mãe. Com 29 anos, também decidiu fazer fumeiro para vender.

Em casa sempre foram criados porcos, dos quais faziam enchidos, mas sempre para consumo próprio.

No entanto, a jovem decidiu arriscar e participar, pela primeira vez, na Feira do Fumeiro. Apaixonou-se pela confeção manual e, por isso, as únicas máquinas que usa são os seus braços e os da mãe, que dão uma ajuda que admite ser preciosa. “É um bocado trabalhoso. São precisos vários braços”, afirmou.

Para si, um bom fumeiro está na forma de encher, no tempero, que fica na carne durante “três dias”, e ainda na secagem, o processo final, antes de poder ser consumido.

Catarina Adoniz trabalha numa empresa em Bragança, que nada tem a ver com a confeção tradicional de fumeiro. À Lusa, contou que decidiu avançar com a produção, porque cresceu a fazer fumeiro e gosta de criar animais, sendo assim uma forma de continuar a fazer algo que gosta.

Para já, a venda será apenas no certame, mas o sonho comanda a vida e a jovem está já encaminhada. “Ainda não tenho capacidade para produção no ano inteiro, mas é uma coisa que está na minha cabeça, vamos ver como é que corre. É uma possibilidade”, disse.

A Feira do Fumeiro decorre de 5 a 8 de fevereiro, na vila transmontana de Vinhais. Este ano, o certame conta com a participação de mais dois jovens produtores do concelho, Hugo Santos e Catarina Adoniz, num total de 70 expositores de enchidos.

Fonte: Lusa | Imagens: Município de Vinhais

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