Vimioso: Curso de armadilhagem fotográfica permite monitorizar as espécies de animais que existem numa região

Vimioso: Curso de armadilhagem fotográfica permite monitorizar as espécies de animais que existem numa região

Vimioso acolheu entre os dias 7 a 10 de fevereiro, a III edição do curso de armadilhagem fotográfica, com o objetivo de dotar os participantes de conhecimentos e competências nas áreas da investigação da fauna silvestre e da ecologia, informou João Santos, da organização ambiental Palombar.

O curso decorreu no PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Natureza, em Vimioso e este ano contou com 14 participantes: 11 portugueses, 2 italianos e 1 espanhola. Entre estes participantes contavam-se alunos, investigadores e técnicos de conservação da natureza.

De acordo com o biólogo, João Santos, no primeiro dia da formação, foi ministrado o módulo básico, no qual os participantes aprenderam a manusear as câmaras fotográficas, a conhecer as suas caraterísticas, o funcionamento, a sua colocação no campo e ainda a legislação sobre a sua utilização.

“São câmaras sensíveis a movimento e quando um animal passa, a câmara dispara e é registada a sua fotografia”, explicou.

Os dias seguintes foram dedicados ao estudo de exemplos e à análise de dados no computador.

Segundo João Santos, com base na recolha das informações é possível realizar várias análises, tais como o número de espécies que existem numa determinada área, quais são os padrões de atividade dessa espécie, estudos de interação dos animais domésticos com os animais selvagens, transmissão de doenças entre animais, etc.

No quarto e último dia do curso, a 10 de fevereiro, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho da Palombar, na sua sede, na aldeia de Uva, no concelho de Vimioso.

Recorde-se que a Palombar tem como missão a conservação da natureza e da biodiversidade, assim como a preservação e conservação do património rural construído e edificado.

A maioria dos projetos da Palombar são realizados no nordeste transmontano, mais concretamente no Parque Natural do Douro Internacional, na área da Rede Natura 2000 dos rios Sabor e Maçãs e no Parque Natural de Montesinho.

Em Uva, os participantes visitaram o centro interpretativo dos pombais tradicionais, durante a manhã. E à tarde, foram conhecer um campo de alimentação para aves necrófagas, que se alimentam de cadáveres ou substâncias em decomposição, gerido pela Palombar, na zona de Algoso.

O italiano Fillipo Guidantoni, de 26 anos, foi um dos formandos no curso “Uso e Potencialidades da Armadilhagem Fotográfica em Estudos de Ecologia e Monitorização de Fauna Silvestre”. Questionado sobre a razão da sua participação, o jovem italiano respondeu que tinha interesse em aprender mais sobre a técnica da foto armadilhagem.

“É uma técnica pouco invasiva na natureza pois dispensa a presença humana e está a ser muito utilizada nos estudos da fauna”, disse.

Sobre a aprendizagem no curso, o jovem italiano respondeu que aprendeu a fazer estimativas sobre a densidade ou o número de animais existentes numa determinada área.

Filippo Guidantoni chegou a Portugal em maio de 2021, para realizar um ano de voluntariado na Palombrar. Sobre a sua estadia no concelho de Vimioso, disse que está a viver uma grande mudança, pois sendo natural da cidade de Roma, agora vive em Uva, uma pequena aldeia, com apenas 50 habitantes.

Outra participante no curso, a portuguesa Filipa Machado, veio de Cascais, com o propósito de aprender mais sobre a técnica da foto armadilhagem.

“Este curso é único em Portugal e é uma oportunidade para aprender com quem já usa esta ferramenta. São abordadas várias componentes, desde o funcionamento básico das câmaras de foto armadilhagem, as condicionantes para a sua instalação no campo e tem uma forte componente de análise de dados”, disse.

A análide de dados foi a principal razão para a participação de Filipa Machado no curso. A bióloga, que trabalha como técnica municipal de ambiente, em Cascais, deu o exemplo das aves necrófagas que fornecem um importante serviço ecológico.

“Houve um período em que os cadáveres eram removidos da natureza e as aves necrófagas ressentiram-se com essa perda de alimento. E para se conhecer, monitorizar e preservar as espécies, esta técnica da foto armadilhagem é muito importante”, explicou.

Sobre a vinda a Vimioso, a jovem bióloga disse que é a segunda vez que está no nordeste transmontano.

“Gosto muito. No ano passado, vim cá passar férias. É uma região bonita e diferente. Fui ver, por exemplo, o castelo de Algoso”, disse.

Patrícia Mateo foi uma das formadoras do curso “Uso e Potencialidades da Armadilhagem Fotográfica em Estudos de Ecologia e Monitorização de Fauna Silvestre”.

A investigadora da Universidade de Oviedo (Espanha) explicou que a sua missão foi ensinar os participantes a utililizar a câmara armadilhagem, nas investigações em conservação e gestão ambiental.

“As câmaras fotográficas se forem colocadas de acordo com determinada metodologia científica fornecem informações que permitem avaliar ou fazer estimativas sobre a densidade e a abundância de uma espécie de animais numa dada área”, explicou.

Sobre os animais que existem no concelho de Vimioso, Patrícia Mateo indicou a raposa, o texugo e o lobo (existe mais no norte do concelho) são algumas das espécies mais comuns.

Para além destes animais, a investigadora referiu que a região é muito rica na diversidade de aves, dada a proximidade às arribas do Douro, uma região muito procurada para a nidificação.

O curso “Uso e Potencialidades da Armadilhagem Fotográfica em Estudos de Ecologia e Monitorização de Fauna Silvestre”, foi organizado pela Palombar em parceria com o Instituto de Investigación en Recursos Cinegéticos, da Universidad de Castilla-La Mancha e o Instituto Mixto de Investigación en Biodiversidad, da Universidad de Oviedo, ambos em Espanha.

O curso contou ainda com o apoio da Câmara Municipal de Vimioso, do PINTA e da marca “Vales de Vimioso”.

HA

Ambiente: Aviação em Portugal emitiu 7,1% dos gases com efeito de estufa – Zero

Ambiente: Aviação em Portugal emitiu 7,1% dos gases com efeito de estufa – Zero

A aviação em Portugal representou 7,1% do total das emissões de gases com efeitos de estufa do país, em 2018, revelou a hoje a associação Zero, com base numa ferramenta que mapeia o impacto climático de 1.300 aeroportos.

“Os voos associados aos principais aeroportos portugueses, considerados apenas num sentido (e não ida e volta), resultaram em 4,75 milhões de toneladas de emissões de gases com efeito de estufa em 2018,”, indicou a Zero, com base em dados do Airport Tracker, uma ferramenta lançada pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente, da qual a associação ambientalista Zero faz parte.

O aeroporto de Lisboa é, de acordo com a mesma fonte, o principal responsável por emissões associadas aos voos de partida, com 3,03 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa (64% do total de emissões), seguindo-se o do Porto, com 9,77 milhões, e o de Faro (0,57).

A informação disponibilizada por esta ferramenta ‘online’ que cobre 99% dos voos de passageiros revela que apenas 20 aeroportos foram responsáveis por 27% das emissões de CO₂ do transporte aéreo de passageiros.

A análise, feita pela Zero mostra ainda que 44 aeroportos, criaram cada um mais CO₂, ao longo de um ano, do que uma central térmica a carvão.

O aeroporto de Lisboa é, de acordo com a mesma fonte, o principal responsável por emissões associadas aos voos de partida, com 3,03 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa (64% do total de emissões), seguindo-se o do Porto, com 9,77 milhões, e o de Faro (0,57).

“O Airport Tracker permite visualizar as profundas desigualdades socioeconómicas da aviação: os aeroportos acima estão predominantemente localizados na Ásia-Pacífico, América do Norte e Europa, sendo que os voos de passageiros de apenas 20 cidades criaram emissões de CO₂ equivalentes a uma economia de médio porte, como a de Espanha”, exemplifica a associação num documento divulgado.

Os voos de passageiros que partem de Londres Heathrow, Paris Charles de Gaulle, Frankfurt, Amsterdam Schiphol e Madrid Barajas emitem 53 milhões de toneladas de CO2, segundo a mesma fonte.

Dos 346 aeroportos europeus analisados, 10 são responsáveis por 42% das emissões de CO₂ de passageiros da região e quatro desses 10 estão em apenas dois países: Reino Unido e Alemanha.

“Todas estas emissões estão isentas de imposto sobre combustível, das quais menos de 15% são cobradas nos esquemas de comércio de licenças de emissões da União Europeia e do Reino Unido. Estes esquemas incluem apenas voos domésticos e na UE, o que significa que os voos que saem da Europa não estão incluídos”, sublinha a associação num documento divulgado.

Na leitura da Zero, os ganhos de eficiência obtidos pela aviação foram superados pelo crescimento do tráfego.

“No futuro, aeronaves elétricas a bateria podem ser adequadas para voos mais curtos e aeronaves movidas a hidrogénio são mais promissoras para viagens de longo curso. No entanto, uma vez que mesmo os principais fabricantes acreditam que os motores a jato tradicionais dominarão até 2050, essas tecnologias provavelmente não chegarão a tempo de limitar o impacto climático do setor para cumprir as metas globais de descarbonização”, adverte.

“Para a Zero é fundamental considerar-se o total das emissões associadas ao total dos voos nos objetivos de neutralidade climática e não incluir apenas os voos domésticos e as emissões associadas às aterragens e descolagens”, lê-se no comunicado emitido pela associação.

Fonte: Lusa

Ambiente: Desassoreamento da barragem de Miranda do Douro não afeta saúde pública – APA

Ambiente: Desassoreamento da barragem de Miranda do Douro não afeta saúde pública – APA

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) assegurou que não existe qualquer risco para a saúde pública, decorrente do desassoreamento da barragem de Miranda do Douro, de onde está prevista a retirada de 8.000 metros cúbicos de sedimentos.

Em resposta as questões solicitadas pela agência Lusa sobre esta intervenção, a APA esclareceu que “não existe qualquer risco para a saúde pública pois são sedimentos que naturalmente circulam no rio e que devido à existência da barragem se vão acumulando”

“A intervenção é essencial para a segurança da infraestrutura e o programa de monitorização implementado permite acompanhar em contínuo as ações que estão a ser realizadas sendo acompanhadas quer pela APA, quer pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICNF), quer pelo município de Miranda do Douro e as entidades gestoras das captações para abastecimento público”, indicou a APA na mesma nota.

Na terça-feira, o Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) solicitou à APA a divulgação dos documentos relacionados com o desassoreamento da barragem de Miranda do Douro, por considerar que “há perigos para a saúde pública e ambiente”.

“Estas lamas [provenientes do desassoreamento] possuem um elevado nível de toxicidade e são perigosas para a saúde das populações, tendo estas direito a conhecer em toda a sua extensão quais as ameaças que elas comportam e todos os custos ambientais que esta operação envolve”, denunciou à Lusa o MCTM, em comunicado.

Na mesma nota, o MCTM pretendia que a APA divulgue,” imediata e publicamente, os requerimentos e todos os documentos anexos do pedido de autorização da Movhera [a nova concessionária da barragem] para a realização das obras”.

De acordo com APA, foram recolhidas três amostras verticais contínuas em profundidade de sedimentos, em três estações de amostragem para avaliar o tipo de sedimentos e a sua qualidade.

“A análise dos sedimentos e os seus resultados foram realizados nos termos previstos da Portaria n.º 1450/2007, de 12 de novembro, que apresenta cinco classes de materiais de acordo com o grau de contaminação em metais e compostos orgânicos”, assegura ou a APA.

Segundo a observação da APA, “os resultados obtidos ilustram que os sedimentos são classificados na classe 1 e que de acordo com a referida Portaria indicam que é material dragado limpo – pode ser depositado no meio aquático ou reposto em locais sujeitos a erosão ou utilizado para alimentação de praias sem normas restritivas”.

“Os sedimentos de maior dimensão podem ser troncos ou outros que podem ser arrastados em cheias que serão retirados e enviados para os destinos legalmente previstos”, vincam os estudos sobre indicados pela APA.

O desassoreamento [da barragem de Miranda do Douro] que está a ser realizado visa a manutenção da comporta de fundo da barragem essencial para manter a segurança desta infraestrutura.

Segundo a APA, a intervenção teve um estudo prévio que indicou “a necessidade de remover os sedimentos acumulados devido à existência da barragem”.

A APA deixa ainda a garantia de que os sedimentos finos serão diluídos e descarregados para jusante e por isso poderá verificar-se uma pequena alteração ao nível da concentração de sólidos suspensos na água das duas albufeiras.

“Os sedimentos compactos e de maiores dimensões que sejam retirados serão colocados na área associada à concessão para separação, acondicionamento e posterior deposição nos locais apropriados consoante o seu tipo”, explicou a APA.

A APA refere também que toda a operação terá associado um sistema de monitorização da qualidade da água na albufeira de Miranda e na albufeira de Picote (a jusante) em tempo real e convencional, para controlo da operação, avaliação de potenciais impactos nas massas de água e também nas captações para produção de água para abastecimento público, existentes nas duas albufeiras.

De acordo com a Movhera, a nova concessionária da barragem de Miranda do Douro, o processo escolhido para o desassoreamento, “o qual foi devidamente avaliado e aprovado pelas autoridades competentes, foi concebido para minimizar possíveis impactes ambientais e paisagísticos, assim como constrangimentos nas acessibilidades e infraestruturas de transporte locais”.

“Todos os parâmetros relevantes para a operação estarão permanentemente sujeitos a monitorização por entidades devidamente certificadas, que recorrerão a processos previamente aprovados”, acrescenta.

Fonte: Lusa

Ambiente: Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro está a criar uma comunidade energética

Ambiente: Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro está a criar uma comunidade energética

Foi apresentado em Miranda do Douro, o primeiro projeto para a criação de uma comunidade energética, que resulta de uma parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMD) e a empresa Cleanwatts.

As comunidades de energia estão a crescer exponencialmente em todo o mundo, para responder ao desafio da produção de energia limpa e atender às metas de neutralidade carbónica, garantindo preços de energia mais acessíveis e combatendo a pobreza energética.

De acordo com o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD), o engenheiro Manuel Rodrigo, a criação desta primeira comunidade energética deve-se à parceria com a empresa Cleanwatts, que instalou os painéis solares nos edifícios da instituição para a produção de energia elétrica, energia que se destina ao autoconsumo da instituição e também para a partilha com outras entidades.

“Esta parceria entre a Cleanwatts e a Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro visa criar uma comunidade, em que a energia produzida em excesso seja utilizada por outras valências da SCMMD. Assim, em vez de injetar o excesso de energia na rede, esta vai ser transferida para as instalações do jardim infantil, para a unidade de cuidados continuados ou para os lares de Palaçoulo ou Duas Igrejas”, explicou o provedor.

Para além disso, Manuel Rodrigo, acrescentou que o objetivo desta nova comunidade energética visa garantir a autossustentabilidade energética da SCMMD. “De momento e graças à parceria com a Cleanwatts já temos alguns painéis fotovoltaicos instalados. Entretanto, pretendemos instalar mais painéis para produzir mais energia e como comunidade, é nosso propósito partilhar a produção de energia com outras entidades, tais como a Câmara Municipal, os Bombeiros, etc., e também com os colaboradores da SCMMD, de modo a reduzir os custos domésticos com a eletricidade”, esclareceu.

O provedor da SCMMD congratulou-se com a aprovação do projeto e afirmou que o investimento nas energias renováveis é mesmo um imperativo, de modo a assegurar a autossustentabilidade da instituição na produção de eletricidade, na cidade e no concelho de Miranda do Douro.

Referindo-se à parceria com a SCMMD, o presidente da Cleanwatts, Basílio Simões, especificou que foram instalados painéis solares em quatro edifícios da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro (SCMMD).

“Em alguns destes edifícios, a energia que já está a ser produzida é praticamente igual ao consumo. Dado que durante o dia há excesso de produção, esse excesso é canalizado para outros edifícios, onde não havia possibilidade de instalar os painéis fotovoltaicos, no telhado”, disse.

Segundo Basílio Simões, o significado de comunidade energética é o da partilha: “onde se produz mais energia, esta é distribuída para outros locais”, explicou.

O presidente da Cleanwatts informou ainda que nos lares de Duas Igrejas e de Palaçoulo – duas valências da SCMMD – foram instalados painéis solares que produzem mais energia daquilo que é necessário. Por conseguinte, o próximo passo é apresentar o projeto às populações locais e averiguar a recetividade das pessoas, em aderir à comunidade energética, de modo a usufruírem da energia que está a ser produzida pelos lares que pertencem à SCMMD.

“Na Europa, espera-se que cerca de 37% das residências participem em comunidades de energia até 2050”, explicaram os responsáveis pela Cleanwatts.

HA

Ambiente: Projeto ibérico preserva a avifauna do Douro Internacional

Ambiente: Projeto ibérico preservou a avifauna do Douro Internacional

Vários especialistas ambientais afirmaram que o projeto ibérico ‘Life Rupis’, que teve uma duração de cinco anos, deixou uma “marca única” na preservação da avifauna do Douro Internacional e na área protegida de Arribes del Duero, do lado espanhol.

“O projeto foi toda uma proeza que conseguiu juntar nove parceiros de Portugal e Espanha e conseguiu captar investimentos financeiros relevantes para um projeto, estritamente ligado à conservação da natureza, o que deixou uma marca única nestas áreas protegidas transfronteiriças, apenas separadas pelas águas do rio Douro”, disse o biólogo do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), António Monteiro.

Lançada há cinco anos por nove entidades ibéricas ligadas à conservação da natureza no Douro Internacional, a iniciativa apresentou resultados “positivos” nomeadamente no reforço da população de aves como a águia – perdigueira e o britango e na conservação de outras espécies “emblemáticas” que nidificam neste território fronteiriço do rio Douro.

O balanço deste programa tido como “emblemático” foi dado a conhecer em Mogadouro, nas cerimónias do 23.º aniversário do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

António Monteiro destacou o benefício direto nas populações de aves rupícolas (aves que nidificam nas escarpas rochosas) com destaque para a pequena colônia de abutre preto que se encontrava “criticamente ameaçada de extinção em Portugal”.

“O abutre preto já tem um pequeno núcleo populacional junto à fronteira no território a meio do PNDI que agrega cerca de 10 a 20 indivíduos. Há o registo de dois casais que já nidificam por estas paragens”, indicou o biólogo.

O PNDI é considerado como um ” verdadeiro santuário europeu” de aves rupícolas onde espécies como o britango já contabilizam 120 casais nidificantes.

A águia de Bonelli, que nidifica no ponto mais a norte da área protegida ibérica já soma 14 casais, “e está estável”.

“Estas duas espécies estavam ameaçadas e foram recuperadas nos últimos anos”, frisou o biólogo do ICNF.

O projeto ‘Life Rupis’ teve início em julho de 2015, teve uma duração de cinco anos, e foi dotado com um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia e cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

Os nove parceiros envolvidos neste projeto são a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Associação Transumância e Natureza, Palombar, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Junta de Castilla y León, Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, Vulture Conservation Foundation, EDP Distribuição e GNR.

Segundo Joaquim Teodósio, coordenador do ‘Life Rupis’ e membro da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o britango e a águia-perdigueira estiveram em perigo de extinção, tanto em Portugal como em Espanha e o ‘Life Rupis’ contribuiu para “a sua estabilização”.

“O britango é o abutre mais pequeno da Europa. Esteve classificado como ‘em perigo’ no território Europeu, onde as suas populações registaram um decréscimo de 50% nos últimos 40 anos, e uma elevada perda de ‘habitat'”, explicou.

Já a águia-perdigueira teve um estatuto de “quase ameaçada” na Europa, devido ao decréscimo populacional e à pressão sobre as suas populações.

“Estamos a falar de dois parques naturais ibéricos, houve articulação entre as partes envolvidas, quer do lado português, quer do lado espanhol, e que deixam registos importantes para o futuro da fauna e da flora de ambos o território”, explicou aquele membro da SPEA.

Joaquim Teodósio salientou a criação da primeira brigada cinotécnica antivenenos do Norte do país, que envolveu forças da GNR na investigação de 37 situações, com 17 em que a presença de veneno nos cadáveres das aves foi confirmada.

“Infelizmente, sem nenhum caso a seguir em tribunal”, lamentou o responsável.

Outros dos projetos em destaque foi o aumento do conhecimento aplicado à conservação da natureza e do trabalho integrado e coordenado dos dois lados da fronteira onde foram identificadas as ameaças mais graves à avifauna: o uso de veneno, mortalidade em linhas elétricas, incêndios florestais.

Outra das ações foi a correção de 239 postes perigosos em mais de 51 quilômetros de linhas elétricas avaliadas como perigosas para a avifauna nestas áreas protegidas.

Foram contabilizados pelos promotores do Life Rupis um investimento total de 2, 7 milhões no território, incluindo reforço das capacidades técnicas e institucionais dos vários parceiros, nomeadamente Organizações Não Governamentais (ONG) neste território do Douro Internacional.

O programa ‘Life Rupis’ também incluiu um programa de educação ambiental que envolveu todas as escolas da região onde participaram mais de 5.000 alunos e professores.

Lusa | HA

Ambiente: Movimento apresenta queixa contra a degradação das barragens do Douro Internacional

Ambiente: Movimento apresenta queixa contra a degradação ambiental no Douro Internacional

O Movimento Cultural da Terra de Miranda (MCTM) apresentou uma queixa contra o Estado, na Provedoria de Justiça, devido aos prejuízos ambientais causados pela construção das barragens do Douro Internacional, há cerca de 60 anos.

“O que no levou à apresentação desta queixa na Provedoria de Justiça é o facto haver danos ambientais causados pela construção das barragens dos Douro Internacional, há 60 anos, e ninguém quer saber disso. Estamos a ser completamente ignorados pelo Governo e pela EDP”, disse hoje à Lusa Aníbal Fernandes, um os membros deste movimento.

Segundo aquele movimento, o estado de abandono e de degradação de pedreiras e escombreiras resultantes da construção das barragens de Miranda do Douro, Picote e Bemposta representam um perigo para a segurança e para a saúde das populações.

“Apesar dos vários alertas já por emitidos pelo MCTM, o senhor ministro do Ambiente tem-nos tratados com arrogância e pesporrência que são dignas de registo negativo em todo o processo de vendas das barragens”, vincou Aníbal Fernandes.

Para o MCTM, estas pedreiras e escombreiras e danos ambientais “são monumentos ao comportamento extrativo da concessionária, ao desprezo inadmissível de um Estado centralista e à ignorância e insensibilidade cultural, ambiental e histórica de ambos”.

“Trata-se de verdadeiros crimes ambientais continuados cujos responsáveis são a atual e anterior concessionárias das barragens [EDP e Engie] e os sucessivos governantes”, acrescenta.

O movimento entende ser “inadmissível” que a EDP tenha abandonado o território com estes danos ambientais depois de ter extraído “volumes colossais de riqueza produzida pelos recursos naturais da Terra de Miranda”.

“Este Movimento tudo fará para que essa responsabilização institucional, política e pessoal se torne efetiva, incluindo no plano financeiro e criminal”, vincou Aníbal Fernandes.

O MCTM de Miranda disse ainda estar atento à degradação do chamado “Moderno Escondido”, em Picote, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, que está ao abandono e que está classificado como “Conjunto de Interesse Público”.

O empreendimento, o primeiro a ser construído no Douro Internacional no processo de eletrificação do país, é muito mais do que a barragem, já que com ela nasceu, entre 1953 e 1958, uma “cidade ideal” num local remoto do Planalto Mirandês.

“Tratar-se de um exemplo europeu de uma arquitetura que foi pensada ao pormenor e que a EDP abandonou estando a saque. A EDP não pode evocar que não tem conhecimento, já que o único espaço que mereceu atenção e preservou foi a antiga pousada que é utilizada por altos quadros desta empresa”, denuncia aquele Movimento.

“As ações do MCTM continuarão até que esta injustiça seja reparada e não ficamos indiferentes ao que esta acontecer”, vincou Aníbal Fernandes.

Em 13 de novembro de 2020, foi anunciado que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tinha aprovado a venda de barragens da EDP (Miranda, Bemposta, Picote, Baixo Sabor e Foz-Tua) à Engie.

A EDP concluiu, em 17 de dezembro, a venda por 2,2 mil milhões de euros de seis barragens na bacia hidrográfica do Douro a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova.

Lusa | HA

Ambiente: Iniciou-se plantação de sobreiros e azinheiras no Baixo Sabor

Ambiente: Iniciou-se a plantação de sobreiros e azinheiras no Baixo Sabor

Os municípios do Baixo Sabor estabeleceram uma parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para desenvolver um projeto para a plantação de “pequenos bosques” num território atingido por um grande incêndio, em 2013.

A iniciativa “Plantar o Futuro nos Lagos do Sabor”, começou  com a plantação de 350 sobreiros e azinheiras cedidos pelo ICNF à Associação de Municípios do Baixo Sabor (AMBS).

Estas árvores de espécies autóctones foram plantadas na área dos ‘Lagos do Sabor’ que abrangem os concelhos de Mogadouro, Moncorvo, Alfândega da Fé, e Macedo de Cavaleiros.

“Temos a noção de que estas 350 árvores não são suficientes para um território tão vasto, mas trata-se de um pequeno passo para criar sustentabilidade no território, dos Lagos do Sabor, que foi flagelado por um grande incêndio, em 2013, e ainda hoje sofremos as consequências”, disse o presidente da AMBS, Nuno Gonçalves.

O incêndio deflagrou a 8 de julho de 2013, em Picões, no concelho de Alfândega da Fé, e propagou-se durante quase quatro dias, até 11 de julho, aos municípios de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

“Esperamos que, com estas iniciativas estatais e municipais, consigamos replantar, aos poucos, todas estas áreas afetadas pelo fogo”, vincou o também autarca de Torre de Moncorvo.

Este incêndio causou prejuízos de “três a quatro milhões de euros” na área agrícola, segundo o relatório preliminar sobre a destruição causada pelas chamas no verão de 2013.

Dados oficiais indicam que as chamas consumiram uma área de “14.912 hectares”, tendo ameaçado várias populações dos concelhos de Mogadouro, Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé.

As primeiras árvores foram plantadas em locais emblemáticos como São Lourenço no Felgar (Torre de Moncorvo), Santo Antão da Barca (Alfândega da Fé) e em Mogadouro, junto a Meirinhos.

Segundo os autarcas da AMBS, a plantação de árvores poderá chegar a alguns milhares, e tudo dependerá da capacidade de produção de espécies autóctones dos viveiros do ICNF.

A diretora Regional Norte de Conservação de Florestas do Norte, Sandra Sarmento, disse que é importante plantar novos bosques de sobreiros, azinheiras e zimbros.

“Esta não é a melhor época para a plantação destas espécies. Em outubro vamos recomeçar a plantar mais árvores e o número depende da quantidade de sementes desta variedades que existam nos viveiros do ICNF. É sempre difícil fazer uma estimativa de quantas árvores estarão disponíveis”, vincou a responsável.

De acordo com Nuno Gonçalves, a “iniciativa servirá, igualmente, para embelezar este território onde serão instalados os futuros ‘Eco Resorts do Sabor’, um projeto turístico emblemático”.

Os ‘Lagos do Sabor’ são constituídos por cerca de 70 quilômetros navegáveis numa albufeira que resulta da construção da barragem do Baixo Sabor, abrangendo quatro concelhos: Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros.

Um pequeno grupo de alunos, de várias escolas do Baixo Sabor, ajudaram na plantação das primeiras espécies de sobreiros e azinheiras.

Durante o ato simbólico foram devolvidas à natureza três aves rupícolas, recuperadas no Centro de Interpretação Ambiental e Recuperação de Animais (CIARA) do Felgar, no concelho Torre de Moncorvo que é tutelado pela AMBS.

Lusa | HA