Estradas: Operação da GNR “Todos os Santos 2025” até Domingo
A Guarda Nacional Republicana (GNR) vai intensificar a partir de sexta-feira, 31 de outubro, até Domingo, 2 de novembro, o patrulhamento e a fiscalização nas estradas com maior tráfego do continente no âmbito da operação “Todos os Santos” 2025.
A operação, segundo adianta a GNR em comunicado, visa reduzir a sinistralidade, garantir a fluidez do trânsito e apoiar todos os utentes das vias, quando se assinalam as datas – dos dias de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, que tradicionalmente levam as pessoas a visitar os cemitérios.
A GNR refere que durante o período da operação está prevista uma grande intensidade de tráfego rodoviário e, por isso, recomenda aos automobilistas uma condução prudente.
Nesse sentido, a guarda apela aos condutores o cumprimento das regras de trânsito, especialmente no que respeita às manobras de ultrapassagem, mudança de direção, inversão do sentido de marcha, cedência de passagem e distância de segurança.
Recomenda igualmente a utilização correta do cinto de segurança e dos sistemas de retenção para crianças, a não utilização dos telemóveis durante a condução, adequar a velocidade ao tipo de estradas e às condições de circulação e não ingerir bebidas alcoólicas, nem consumir substâncias psicotrópicas antes ou durante a condução.
Nesta sexta-feira, dia 31 de outubro, nove distritos de Portugal continental estão sob aviso laranja devido à previsão de chuva forte e persistente, avisa o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga são os distritos sob aviso laranja durante o dia de sexta-feira, porque se prevê “precipitação persistente e por vezes forte”, segundo o IPMA, que anteriormente tinha informado que estes territórios estariam sob aviso amarelo (o menos grave de uma escala de três).
Segundo informação do IPMA, outros três distritos vão estar na sexta-feira sob aviso amarelo, designadamente Santarém, Leiria e Castelo Branco.
De acordo com anterior comunicado do instituto responsável pela emissão de avisos meteorológicos, o distrito de Faro esteve sob aviso vermelho (o mais grave) devido à chuva intensa, sendo que esse aviso passou a laranja.
Os avisos do IPMA – vermelho, laranja e amarelo – são emitidos quando existe uma situação meteorológica de risco, que pode ser avaliada como de risco elevado, moderado ou reduzido.
A Proteção Civil registou 1.147 ocorrências em todo o país devido à precipitação e às inundações, concentradas na Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve, disse à agência Lusa o comandante Elísio Pereira.
O responsável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) referiu que foram registadas 700 ocorrências relacionadas com inundações, sendo que 658 ocorreram no distrito de Lisboa.
A ANEPC alertou para a possibilidade de inundações em zonas urbanas e cheias nos próximos dias devido às previsões de chuva e vento forte, pedindo à população que adote medidas preventivas.
Pecuária: Agricultores podem receber até 50 mil euros para construir vedações
A Corane –Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestinaabriu candidaturas ao apoio de até 50 mil euros, para pequenos investimentos em explorações agrícolas nos concelhos deVinhais, Bragança, Vimioso e Miranda-do-Douro, como sejam a construção de vedações nas explorações pecuárias para evitar os ataques de lobos.
A sessão de informação aos agricultores decorreu no dia 28 de outubro, na freguesia de Sendim, onde o técnico da Corane, Francisco Torrão, explicou que esta medida visa a melhoria da capacidade produtiva, da viabilidade económica, promovendo práticas sustentáveis e o uso de tecnologias adequadas à escala local.
“Cada projeto pode receber até 50 mil euros para investimentos como a construção e melhoramento de infraestruturas, a aquisição de máquinas e equipamentos, a implementação de soluções digitais e energias renováveis, plantações e outros investimentos diretamente ligados à atividade agropecuária”, especificou.
Segundo o regulamento, num investimento entre 2 mil e 50 mil euros, a taxa de apoio é de 55% e são elegíveis as pessoas singulares ou coletivas que exerçam a atividade agrícola, na área geográfica dos concelhos da raia nordestina: Vinhais, Bragança, Vimioso e Miranda do Douro.
Cada beneficiário só pode apresentar uma candidatura à medida “Pequenos Investimentos na Exploração Agrícola” e não são admitidas candidaturas com outros investimentos aprovados, provenientes do Fundo Europeu Agrícola para o Desenvolvimento Rural (FEADER) e outros fundos europeus.
De acordo com o regulamento, na atividade agrícola são valorizadas a viticultura, a cultura de frutos de casca rija, olivicultura, fruticultura, criação de ovinos, caprinos, suínos, aves (avicultura), abelhas (apicultura) e coelhos (cunicultura) e a produção agrícola.
A engenheira zootécnica, Andrea Cortinhas, da Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) explicou que a medida “Pequenos Investimentos na Exploração Agrícola” contempla a construção de cercas e vedações.
“Neste momento de grande preocupação no planalto mirandês, por causa dos sucessivos ataques de lobos aos rebanhos de ovinos, esta medida é bem-vinda. Os criadores de animais que pretendam construir cercas e vedações nas suas explorações pecuárias podem beneficiar do apoio financeiro desta medida”, indicou.
Na construção das vedações, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) recomenda:
a altura mínima seja de 1,8 a 2 metros, incluindo remate em pescoço de cavalo;
postes de estrutura rígida para suporte da vedação, colocados a uma distância máxima de 5 metros entre si;
painéis da vedação enterrados a uma profundidade mínima de 30 cm ou cravados no solo com rebordo mínimo de 50 cm junto ao solo para o exterior;
espaçamento não superior a 15 cm entre os elementos da malha da vedação, pelo menos num dos sentidos (horizontal ou vertical).
Na avaliação das candidaturas são valorizados os investimentos em tecnologias para uso eficiente da água, em equipamento de produção, utilização de energias renováveis e na implementação do modo de produção biológico.
O orçamento disponível para apoiar os agricultores é de 870 326,81 euros.
O prazo para submeter as candidaturas decorre até às 17h00, do dia 21 de novembro de 2025. Os agricultores interessados podem consultar o Aviso de Abertura e a legislação nos sites www.pepacc.pt e CORANE.
Os resultados da avaliação das candidaturas submetidas é disponibilizado no portal do PEPAC e no site da Corane – Associação para o Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina, em www.corane.pt.
Para esclarecimentos ou apoio na candidatura, os serviços da ACOM estão disponíveis na Posto Zootécnico de Malhadas, Miranda do Douro, Portugal, 5210-150 | telefone 273 417 066 | geral@ovinosmirandeses.pt
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, agendou as eleições presidenciais para Domingo, 18 de janeiro de 2026, nos termos previstos na Constituição e na Lei Eleitoral, o qual segue agora para publicação no Diário da República.
“Nos termos previstos na Constituição e na Lei Eleitoral, o Presidente da República assinou o Decreto que fixa as eleições presidenciais para Domingo, 18 de janeiro de 2026, o qual seguiu para publicação no Diário da República”, lê-se numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet.
O chefe de Estado tinha confirmado a meio de setembro estar inclinado a marcar as eleições presidenciais para esta data, referindo querer evitar que o prazo limite para entrega de candidaturas coincidisse com o Natal e que uma eventual segunda volta calhasse no domingo de Carnaval.
Com as presidenciais marcadas para 18 de janeiro, uma eventual segunda volta, que por lei acontece três semanas depois, deve realizar-se a 8 de fevereiro.
A Lei Eleitoral do Presidente da República estabelece que o chefe de Estado “marca a data do primeiro sufrágio para a eleição para a Presidência da República, com a antecedência mínima de 60 dias”.
Um eventual segundo sufrágio, se nenhum dos candidatos obtiver “mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco”, acontecerá “no vigésimo primeiro dia posterior ao primeiro” entre os dois candidatos mais votados.
As candidaturas à Presidência da República podem ser apresentadas até “trinta dias antes da data prevista para a eleição”, por “cidadãos eleitores portugueses de origem, maiores de 35 anos”, propostas por “um mínimo de 7.500 e um máximo de 15 mil cidadãos eleitores”.
A lei impõe que tanto o primeiro como o eventual segundo sufrágio se realizem “nos 60 dias anteriores ao termo do mandato do Presidente da República cessante”, período que começará em 8 de janeiro de 2026, sendo a data de fim do mandato 9 de março.
Em Portugal, no sistema democrático, todas as anteriores eleições presidenciais realizaram-se no mês de janeiro, com exceção dos dois primeiros actos eleitorais, após o 25 de Abril de 1974. Assim, as primeiras eleições presidenciais realizaram-se a 27 de junho de 1976. Já o segundo ato eleitoral para a presidência da República Portuguesa ocorreu a 7 de dezembro de 1980.
Em 1986, o sufrágio para eleger o Presidente da República aconteceu a 26 de janeiro de 1986, tendo sido até hoje, o único com uma segunda volta, que aconteceu em 16 de fevereiro de 1986.
As seguintes eleições presidenciais realizaram-se a 13 de janeiro de 1991; 14 de janeiro de 1996; 14 de janeiro de 2001; 22 de janeiro de 2006; 23 de janeiro de 2011; 24 de janeiro de 2016; e 24 de janeiro de 2021.
Miranda do Douro: Requalificação do Bairro da Terronha
O município de Miranda do Douro iniciou a segunda fase das obras de requalificação da Terronha, um investimento de 400 mil euros que visa transformar e valorizar esta zona da cidade, avançou a presidente da Câmara Municipal, Helena Barril.
“A intervenção tem um custo de 400 mil euros e visa a requalificação e ampliação do parque de estacionamento da Rua da Canteira e o melhoramento dos espaços e vias envolventes”, explicou a autarca, Helena Barril.
Segundo o município de Miranda do Douro, o concurso foi lançado duas vezes, dado que todos os concorrentes apresentaram propostas acima do preço base.
“No início de 2025, foi lançado um novo procedimento concursal com a revisão do custo da obra”, indica a autarquia.
Uma das intervenções é a substituição do telhado do parque estacionamento, no Bairro da Terronha, em Miranda do Douro.
Palancar: Lobos voltam a matar sete ovelhas e dois cordeiros
No Domingo, dia 26 de outubro, um ataque de lobos na aldeia do Palancar, no concelho de Miranda do Douro, causou a morte a cinco ovelhas e dois cordeiros, informou um familiar do pastor proprietário dos animais.
“O ataque aconteceu ao final do dia de Domingo, 26 de outubro, quando o meu tio andava a pastorear os animais e algumas ovelhas terão ficado para trás e ele não se apercebeu pelo que o lobo, ou lobos, desviou as ovelhas e os cordeiros “, explicou Mário Torrado.
De acordo com esta fonte, “os pastores no Planalto Mirandês andam revoltados porque garantem que andam trabalhar para alimentar os lobos”.
“Por aqui há um sentimento de revolta, porque as pessoas andam a trabalhar para tentar tirar algum rendimento e ficam sem os seus bens e ficam com a ideia que andam a trabalhar para o lobo, o que gera medo e revolta ”, justificou Mário Torrado.
De acordo com Mário Torrado, os técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) tomaram conta da ocorrência.
Em cerca de um mês e meio, este é o quinto ataque de lobos registado no concelho de Miranda do Douro, que foi relatado ao ICNF.
Em 19 de setembro, o ICNF indicou que desde 2024, foram registados 32 ataques de lobos, na região do planalto mirandês, um número que agora é mais dilatado.
Só no concelho de Miranda do Douro, num mês, foram registados quatro ataques de lobos nas localidades de Malhadas, Fonte Ladrão, Genísio, Águas Vivas a agora no Palancar que resultaram na morte de algumas dezenas de animais e ferimentos graves noutras dezenas.
Também no concelho de Mogadouro e Vimioso há relatos de ataques de lobos, em 2024 e 2025.
As proximidades dos ataques dos lobos às aldeias também estão a sobressaltar os produtores de ovinos e caprinos deste território transmontano que aconteceu muito próximo das aldeias.
Um grupo de pastores do Planalto Mirandês queixam-se que os ataques de lobos ocorridos desde o início do ano são “uma calamidade“ e pedem a atuação do Governo para ajudar a solucionar este problema que causa “avultados prejuízos”.
Pastores dos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro afirmaram à agência Lusa que alguma coisa tem que ser feita, porque há “avultados prejuízos” nas explorações pecuárias, e desta forma não podem continuar a criar animais que contribuem para economia desta região, e pedem ajuda aos ministérios da Agricultura e Ambiente.
António Padrão disse que os pastores andam com “o credo na boca” porque os ataques de lobos os estão a deixar “assustados e desmotivados”, sendo necessário a intervenção do Governo, para ajudar a ajudar a resolver “esta calamidade”.
Os pastores já afirmaram que se nada for feito, partem para medidas de luta.
Segundo o ICNF, o lobo ibérico possui em Portugal o estatuto de espécie em perigo, que lhe confere o Estatuto de Espécie Protegida.
Em julho, foi apresentado o Programa Alcateia 2025-2035, de proteção do lobo ibérico, que tem para este ano um orçamento de 3,3 milhões de euros e contempla a revisão das indemnizações por ataques de lobos a gado, aproximando-as dos valores de mercado.
PREJUÍZOS ATRIBUÍDOS AO LOBO
Os prejuízos sobre efetivos pecuários atribuídos ao lobo são indemnizados pelo Estado Português desde a entrada em vigor da Lei n.º 90/88, de 13 de agosto - Lei de Proteção ao Lobo-ibérico.
Nesta revisão das normas aplicáveis alterou-se a abordagem que se faz ao direito à indemnização. Este modelo pretende potenciar a corresponsabilização dos proprietários de gado pela proteção do mesmo, sem pôr em causa a obrigação do Estado, de indemnizar, como compensação do risco que aqueles proprietários correm pela atividade que exercem, em áreas de presença de lobo. Institui-se um mecanismo de pagamento de indemnização que supõe o pagamento de um número limitado de prejuízos em cada ano civil, bem como uma redução do valor a pagar relativamente ao dano efetivo, à medida que aumenta o número de ocorrências.
É fixada a lista de animais passíveis de indemnização e clarificados os conceitos relativos aos requisitos de proteção a observar para que possa ser reconhecido o direito à indemnização, a título de exemplo a tipologia do cão de proteção de gado.
Outra alteração significativa prende-se com a transferência do pagamento das indemnizações do ICNF, para o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, de forma a aumentar a eficácia administrativa, proporcionado ainda uma maior acessibilidade no acompanhamento do processo por parte dos interessados.
Espera-se com este conjunto de medidas potenciar a coexistência da atividade pecuária com a presença de lobo.
De forma a melhor esclarecer sobre a implementação destas medidas, é disponibilizado um folheto informativo destinado aos criadores de gado em área de lobo.
Avelanoso: X Feira da Castanha e Produtos da Terra no fim-de-semana de 1 e 2 de novembro
No fim-de-semana de 1 e 2 de novembro, a aldeia de Avelanoso, no concelho de Vimioso, organiza a já tradicional Feira da Castanha e Produtos da Terra, um evento que nesta X edição começa com a montaria ao javali, inclui um encontro de folclore, o II passeio pedestre, as chegas de touros e no encerramento o magusto comunitário.
Em Avelanoso, os soutos de castanheiros são uma cultura que contribui para a economia local, no entanto, este ano, por causa da seca prolongada nos meses de verão, a apanha da castanha está atrasada e prevê-se uma significativa redução na colheita e uma diminuição no calibre dos frutos.
Ainda assim, a freguesia de Avelanoso organiza nos dias 1 e 2 de novembro, a X edição da Feira da Castanha e Produtos da Terra, um certame tem como maior atrativo a exposição e comercialização de produtos locais, com destaque para a castanha, mas também outros produtos como a amêndoa, noz, avelã, marmelo, produtos hortícolas e a doçaria tradicional. A estes juntam-se produtos da região, como o fumeiro, pão, queijos, compotas, mel, produtos hortícolas, vinho, licores e o artesanato.
Dado que a feira coincide com o feriado religioso, do Dia de Todos os anos, no dia 1 de novembro, o programa inclui a celebração da missa dedicada aos fiéis defuntos e uma visita ao cemitério.
No sábado dia 1 de novembro, outros destaques da feira são a montaria ao javali, a atuação do Rancho Folclórico de Vimioso no lar de São Pedro e o encontro de folclore, que conta com a visita do rancho folclórico da Mirandanças, de Miranda do Douro.
Na aldeia de Avelanoso, no fim-de-semana há serviço permanente de restaurante, com almoços e jantares, para o público.
No Domingo, 2 de novembro, a jornada começa com o II Passeio pedestre “Rota da Castanha”, uma atividade que tem o duplo propósito de proporcionar a atividade física e dar a conhecer aos participantes o produto âncora de Avelanoso, a castanha, numa visita aos soutos de castanheiros existentes nesta localidade raiana.
A X edição da Feira da Castanha e Produtos da Terra tem como novidade a introdução de jogos tradicionais para crianças, como a corrida de sacos e a corrida do ovo na colher.
Ao longo do fim-de-semana, a animação musical do certame conta com a participação de grupos de gaiteiros e de bombos.
A tarde de Domingo, a X Feira da Castanha e Produtos da Terra, em Avelanoso, tem como atrações as danças dos pauliteiros mirandeses de Palaçoulo, as chegas de touros e o magusto de castanhas assadas, com vinho e jeropiga, que encerra o certame.
A Feira da Castanha e Produtos da Terra é um evento anual organizado pela freguesia de Avelanoso e que conta com o apoio do município de Vimioso.
Ambiente: Ministra nega intenção de extinguir ICNF
A ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho negou que o Governo esteja a prever “esquartejar competências” do Instituto da Conservação da Natureza (ICNF), depois de notícias apontarem a extinção do organismo e divisão das suas competências por outras entidades.
A declaração da ministra Maria da Graça Carvalho segue-se a diversas reações negativas depois de o jornal Expresso ter noticiado, em 14 de outubro, citando “várias fontes” não identificadas, que o Governo pretendia extinguir o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), tal como atualmente existe, e dividir as suas competências entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
“Gostaria de vos dizer que, tanto do meu ponto de vista, como do ponto de vista do senhor ministro da Agricultura e Mar, que tem a primeira tutela do ICNF, […] uma autoridade nacional, seja ela da água, da biodiversidade ou das florestas, não é uma competência que possa ser desmantelada, dividida ou fracionada. Quem conhece o nosso pensamento, tanto o meu como o do senhor ministro, sabe que não seríamos favoráveis a uma divisão ou um esquartejar destas competências”, afirmou Maria da Graça Carvalho, durante uma intervenção na APA.
Segundo Graça Carvalho, as notícias “não foram desmentidas” só porque “estava dentro de um avião”, mas “não podem ser propagadas ‘ad eternum’ sem serem confirmadas com quem, de direito, pode ter uma palavra a dizer sobre o assunto”.
Depois da notícia do Expresso, várias associações ambientalistas, a Ordem dos Biólogos, uma carta aberta com centenas de especialistas, entre os quais Filipe Duarte Santos, Galopim de Carvalho, Viriato Soromenho Marques e o ex-ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes, demonstraram preocupação face à possibilidade de extinção do ICNF e eventual integração na APA.
Segundo estes agentes e especialistas do setor do Ambiente, a fusão ou redistribuição das competências do ICNF seria um retrocesso com consequências significativas para o país.
Também o PAN e o Livre apresentaram requerimentos para a audição urgente da ministra no parlamento, para mais esclarecimentos sobre o assunto.
De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2026, o ICNF receberá 44,7 milhões de euros para áreas protegidas, prevenção de incêndios ou alterações climáticas.
As verbas destinam-se ainda a projetos de ordenamento do território e adaptação às alterações climáticas, pagamentos a equipas de sapadores florestais, gabinetes técnicos florestais e “agrupamento de baldios”.
A dotação para 2026 é inferior à do orçamento em vigor (53,2 milhões de euros), que significou uma duplicação da verba de 2024.
Está também prevista a transferência do ICNF, enquanto autoridade florestal nacional, para as autarquias locais, ao abrigo dos contratos celebrados ou a celebrar no âmbito do Fundo Ambiental, mas sem indicação de dotação.
Na proposta admite-se ainda transferências do ICNF “para entidades, serviços e organismos competentes da área da defesa nacional, com vista a suportar os encargos com ações de vigilância e gestão de combustível em áreas florestais sob gestão do Estado”, ao abrigo de protocolo a celebrar no âmbito Fundo Ambiental.
Obras públicas: Contratos com um valor total de 6.230 milhões de euros
Até setembro, o montante total de contratos de empreitada de obras públicas, registados no Portal Base, atingiu 6.230 milhões de euros, um crescimento de 94% face ao mesmo período de 2024, impulsionado pela linha ferroviária de alta velocidade.
Segundo dados da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), no que diz respeito a contratos celebrados através de concursos públicos, o montante atingiu 5.345 milhões de euros, um crescimento de 109% face aos mesmos nove meses do ano anterior, impulsionado sobretudo pela celebração do contrato do troço Porto – Oiã (Oliveira do Bairro) da linha ferroviária de alta velocidade, no valor de 1.661 milhões de euros.
Já as empreitadas de obras públicas adjudicadas por ajuste direto/consulta prévia, também registaram um crescimento, embora mais moderado, de 8% em termos homólogos, totalizando 540 milhões de euros.
Na rubrica “outros contratos celebrados” verificou-se também um aumento expressivo de 122%, para um montante total de 345 milhões de euros.
Entre janeiro e setembro, foram promovidos 6.187 concursos de empreitadas de obras públicas, no valor global de 8.624 milhões de euros, o que representa aumentos de 66% em número e de 33% em montante, face a igual período de 2024.
Para a AICCOPN, isto reflete “uma forte aceleração na dinâmica do investimento público”.
Igreja: Leão XIV sublinha «fome de verdade e de sentido» no mundo contemporâneo
No Vaticano, o Papa Leão XIV presidiu à Missa com os estudantes das universidades pontifícias, abrindo assim o Jubileu do Mundo Educativo e indicou que o mundo contemporâneo tem “fome de verdade e de sentido”.
“Hoje, tornamo-nos especialistas em detalhes infinitesimais da realidade, mas somos incapazes de ter novamente uma visão de conjunto, uma visão que una as coisas através de um significado maior e mais profundo; a experiência cristã, pelo contrário, quer ensinar-nos a olhar para a vida e a realidade com um olhar unitário, capaz de abraçar tudo, rejeitando qualquer lógica parcial”, disse, na homilia que proferiu na Basílica de São Pedro.
“Alimentar a fome de verdade e de sentido é uma tarefa necessária, porque sem verdade e significados autênticos pode-se entrar no vazio e pode-se até morrer”, acrescentou.
O encontro jubilar decorre até 1 de novembro, reunindo em Roma mais de 20 mil participantes de 124 países, incluindo Portugal.
Perante docentes e alunos das universidades pontifícias, o Papa destacou que “a vida só é viva se estiver em caminho, só se souber dar passos”, sublinhando o simbolismo da passagem pela Porta Santa, típica do Jubileu, como expressão de um percurso de conversão.
“A Igreja precisa constantemente de converter-se, de seguir Jesus sem hesitações, de passar da escravidão à liberdade, da morte à vida”, afirmou.
Leão XIV alertou que, quando o ser humano é “incapaz de ver além de si mesmo, das suas ideias e convicções, permanece prisioneiro, escravo, incapaz de amadurecer o seu próprio julgamento”.
“Quem estuda eleva-se, alarga os seus horizontes e recupera um olhar que não se fixa apenas em baixo, mas é capaz de olhar para cima: para Deus, para os outros, para o mistério da vida”, observou.
O Papa advertiu contra a “atrofia espiritual” e o risco de uma especialização que perde a visão de conjunto, referindo a docentes e investigadores que a Igreja “precisa deste olhar unitário”.
“O que acontece nas salas de aula da universidade e nos ambientes educativos de qualquer ordem e grau não deve permanecer um exercício intelectual abstrato, mas tornar-se realidade capaz de transformar a vida”.
Antes da Missa, acompanhado pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, Leão XIV assinou a carta apostólica ‘Desenhar novos mapas de esperança’, para assinalar o aniversário da declaração ‘Gravissimum Educationis’, do Concílio Vaticano II, que se assinala 28 de outubro.
“Este património não é imutável: é uma bússola que continua a indicar a direção. As expectativas, hoje, não são menores do que as muitas com que a Igreja teve de lidar há 60 anos. Pelo contrário, ampliaram-se e tornaram-se mais complexas”, escreve o pontífice, numa passagem divulgada pelo Vaticano.
Ao longo Jubileu do Mundo Educativo, o Papa vai relançar o Pacto Educativo Global, com três novos eixos: o desenvolvimento da vida interior, a humanização do digital e a educação para a paz.
Esta quinta-feira, Leão XIV vai falar a mais de 6 mil estudantes em peregrinação, no Auditório Paulo VI (11h00 locais, menos uma em Lisboa); na sexta-feira, encontra-se no mesmo local com os educadores que participam no Jubileu (11h00), antes da passagem pela Porta Santa; a 1 de novembro (10h30), na Praça de São Pedro, Leão XIV vai celebrar a Missa conclusiva, para todo o mundo educativo, proclamando o santo cardeal John Henry Newman como “doutor da Igreja”.
Entre as iniciativas desta semana destaca-se o congresso internacional “Constelações Educativas: um pacto com o futuro”, no Auditório da Conciliação, e encontros com estudantes e educadores de todo o mundo.
O Vaticano salienta que a rede católica de ensino é “a maior estrutura educativa global”, presente em 171 países e responsável por mais de 231 mil instituições escolares e universitárias.