Epifania do Senhor (Solenidade)
Adorar o Deus Menino
Is 60, 1-6 / Slm 71 (72), 2.7-8.10-13 / Ef 3, 2-3a.5-6 / Mt 2, 1-12

Todos os textos falam de convergência universal em torno de um mesmo ponto. Assim, em Isaías, aflui-se a Jerusalém, que resplandece com a sua luz. Vai-se ao seu encontro, seja de perto, seja de longe. Levam-se as riquezas que se têm, a pensar noutra riqueza que está no ponto de chegada: a presença do Senhor.
Por sua vez, na Carta aos Efésios, São Paulo fala de uma graça concedida a todos, por mérito de Cristo Jesus: «os gentios recebem a mesma herança que os judeus». Basta-lhes acolherem o Evangelho pregado pelos apóstolos. O Evangelho de Cristo surge, assim, como o polo aglutinador da família humana que a ele se abre.
Enfim, no Evangelho de São Mateus, os Magos chegam do Oriente para adorar o Menino junto a Belém. Não são pessoas quaisquer. Os Magos ocupam uma posição de poder, representam a gente da sua região, passam pela residência dum rei e vão ao encontro de outro que é rei. Chegados diante do Menino, prostram-se diante dele, adoram-no e oferecem-lhe tesouros. A sua procedência – o Oriente – representa, pela sua distância, a totalidade do mundo.
Note-se a estrela que guia os Magos. Vista já no Oriente, seguia à frente deles e parou onde estava o Menino. Foi fundamental para o caminho que os Magos tiveram de percorrer. O ponto de chegada não era evidente quando partiram: «onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?». Havia dificuldades a vencer: para começar, a distância; depois, o desconforto da parte de alguns (o caso de Herodes).
Repare-se no contraste entre a alegria dos Magos e a perturbação de Herodes. Nos Magos, há abertura à notícia do nascimento do Messias. Em Herodes, nota-se fechamento. Para os Magos, o Messias que nasceu é componente da construção das suas vidas. Para Herodes, esse Messias é causador de um desmoronar. Na pessoa dos Magos existe um espaço que não se vê na pessoa de Herodes. Os Magos entendem que aquilo que já são pode ser enriquecido pela novidade surgida junto a Belém. Herodes vive aquilo que já é como o tudo que não tem de acolher mais. Desta forma, os Magos e Herodes representam duas atitudes que podemos ter relativamente a Jesus.