Cultura: “As orações de Junqueiro – Oração ao Pão e Oração à Luz” em mirandês

Numa edição bilingue, em português e mirandês, o livro “As orações de Junqueiro – Oração ao Pão e Oração à Luz”, foi apresentado na Casa da Cultura Mirandesa, em Miranda do Douro, um trabalho coordenado por Henrique Manuel Pereira e traduzido pelo professor, António Bárbolo Alves.

«Numa fase mística da sua vida, as orações ou cânticos “Oração ao Pão (1902)” e “Oração à Luz (1904)” do escritor Guerra Junqueiro são poesia pura. Estes dois textos revelam uma das dimensões mais densas e fecundas do pensamento deste escritor transmontano, natural de Freixo de Espada à Cinta”, começou por dizer o professor e tradutor, António Bárbolo.

Sobre o trabalho de tradução para língua mirandesa, António Bárbolo Alves, revelou que após uma leitura atenta e repetida dos textos de Guerra Junqueiro, tentou traduzir a essência da sua mensagem, procurando respeitar o mais possível a originalidade do poeta e político português (1850-1923).

“Na tradução e para minha agradável surpresa deparei-me com um feliz encontro entre os textos de Guerra Junqueiro e a roupagem telúrica ou rural da língua mirandesa. Na sua demanda do “segredo íntimo das coisas”, Guerra Junqueiro procurou, pela poesia e pela filosofia, a unidade profunda da vida e do ser”, disse o tradutor.

António Bárbolo indicou que a tradução da obra “As Orações de Junqueiro” prolongou-se durante mais de um ano e resultou de um trabalho conjunto com Henrique Manuel Pereira, a fotografia de Jorge Morais, retratos, gravura e ilustração de José Rodrigues, Urbano e Conceição Couceiro e a capa de Pedro Cascalheira.

Em Miranda do Douro, o livro “As orações de Junqueiro – Oração ao Pão e Oração à Luz”, traduzido para mirandês, pode ser adquirido na Casa da Cultura Mirandesa.

Para língua mirandesa, anteriormente, já havia sido traduzido outro livro de Guerra Junqueiro, “Fiel, O melro, A lágrima; poemas narrativos”, por Alfredo Cameirão, António Bárbolo Alves e Ana Afonso.

Guerra Junqueiro

Poeta e político português, nascido em 1850, em Freixo de Espada à Cinta (Trás-os-Montes), e falecido em 1923, em Lisboa.

Oriundo de uma família de lavradores abastados, tradicionalista e clerical, é destinado à vida eclesiástica, chegando a frequentar o curso de Teologia entre 1866 e 1868. Licenciou-se em Direito em Coimbra, em 1873, durante um período que coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã. Nessa cidade convive de perto com o poeta João Penha, em cuja revista literária, A Folha, faz a sua estreia literária.

Durante a sua vida, combina as carreiras administrativa (exercendo a função de secretário dos governos civis de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo) e política (sendo eleito por mais de uma vez deputado pelo partido progressista) com a lavoura nas suas terras de Barca de Alva, no Douro.

Entre 1911 e 1914, assume o cargo de Ministro de Portugal na Suíça.

Na fase final da sua vida, retira-se para a sua propriedade no Douro, assinalando-se então uma viragem na sua orientação poética, que se volta para a terra e para "os simples", como atestam as suas últimas obras: Pátria (1896), ainda satírica, mas já de inspiração saudosista e panteísta; Os Simples (1892) - um hino de louvor à terra, de uma poesia que evoca a sua infância, impregnada de saudosismo, de recordações calmas e consoladoras e onde se sente uma grande ternura pela correspondente paisagem social; Oração ao Pão (1902) e Oração à Luz (1904), estas enveredando por um caminho espiritual.

Fonte: Ifp

HA

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