Miranda do Douro: “A mudança para o sistema de digitalização deveria ter sido gradual” – Diretor do AEMD

No Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD), as classificações dos exames nacionais do ensino secundário já estão todas afixadas e de acordo com o diretor, o professor António Santos, a mudança para o sistema de digitalização e avaliação deveria ter sido feita gradualmente e não de uma só vez.

O Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD), professor António Santos, indicou que a causa do problema na avaliação dos exames nacionais do ensino secundário, foi a alteração da correção em papel, para a correção digital dos exames.

“Este ano, os exames nacionais do ensino secundário após serem realizados pelos alunos, foram digitalizados em Lisboa, para depois serem distribuídos em formato digital aos professores de todo o país, para correção”, explicou o diretor do AEMD.

Este ano, outra alteração introduzida no sistema de avaliação dos exames nacionais do ensino secundário, foi a atribuição aos professores da responsabilidade da correção de itens e não da totalidade de cada prova.

“No novo sistema de avaliação, por iténs, um mesmo exame pode ser corrigido por vários professores. Por um lado, é mais fácil dado que a cada professor é-lhe atribuída a responsabilidade de corrigir apenas alguns iténs, o que permite especializar-se nesses temas. Mas por outro lado, há quem defenda que com esta avaliação perde-se a avaliação do exame na sua globalidade”, disse o diretor do AEMD.

Na perspetiva do professor António Santos, o problema da demora em afixar as notas dos exames nacionais do ensino secundário terá sido a mudança “abrupta” para um sistema inteiramente digital.

“No ano passado, testou-se este novo sistema de avaliação digital apenas na disciplina de filosofia e este ano, aplicou-se a todas as outras disciplinas. Na minha opinião, avançou-se muito depressa e creio que poderia ter corrido melhor se a avaliação digital tivesse sido feita de um modo mais faseado e não de uma vez só”, defendeu.

Após alguns constrangimentos, no Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD) as notas dos exames do ensino secundário foram todas afixadas no dia 19 de julho.

Questionado se houve pedidos de reapreciação da correção das provas, o diretor do AEMD, António Santos, respondeu que houve apenas três a quatro solicitações.

Esta terça-feira, dia 21 de julho, os alunos (inscritos) começaram a realizar os exames nacionais do ensino secundário da segunda fase, que decorre até 24 de julho.

“Esta segunda fase dos exames nacionais do ensino secundário destina-se aos alunos que tiveram nota negativa na 1ª fase ou pretendem melhorar a sua classificação, para, por exemplo, concorrer ao ensino superior”, indicou.

O presidente do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) garantiu que o sistema de digitalização das provas foi “testado várias vezes” antes dos exames do secundário, sublinhando que a implementação começou há vários anos, “não começou ontem”.

“O sistema de digitalização de fichas de prova foi testado várias vezes”, afirmou o presidente do EduQa, Luís Pereira, durante a audição parlamentar sobre o processo de digitalização e avaliação dos exames nacionais, requerida pelos grupos parlamentares do Livre e do PCP, assegurando que foi seguido “um processo de pilotagem sistemático que não começou ontem”.

Luís Pereira dos Santos sublinhou que foi um processo gradual que começou com as provas do 9.º ano, ficando os exames nacionais do ensino secundário “para a última fase”, depois de testados os sistemas.

“A prova de matemática do 9.º ano utiliza um sistema idêntico e não teve problemas logo na primeira aplicação”, disse, referindo-se ao facto de existir uma parte da prova que é feita pelos alunos em papel e posteriormente digitalizada.

“Quem acha que esta é uma transição assética, nunca implementou nada desta complexidade”, acusou o presidente do EduQa, na sua primeira declaração pública desde o arranque dos exames nacionais do ensino secundário, que este ano foram pela primeira vez digitalizados.

Fonte: Lusa

HA

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