Miranda do Douro: Cidade homenageou personalidades

No dia 10 de julho, Miranda do Douro celebrou os 481 anos da Cidade, como uma sessão solene no salão nobre da Câmara Municipal, onde foram homenageados, com medalhas de mérito, Ricardo Ribas, Ângelo Arribas e a título póstumo, Francisco Gonçalves Cangueiro e Manuel António dos Santos André.

Na sessão solene comemorativa dos 481 anos de elevação de Miranda do Douro a cidade, foram homenageados com as Insígnias de Mérito: Ricardo Peres Ribas, atleta de Malhadas, campeão nacional dos 5 mil metros, em 2002, 13 presenças no top 10 do campeonato nacional, entre 2004 e 2017 e participação nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Nunca devemos desistir dos nossos sonhos, há que acreditar que é possível realizá-los”, afirmou o atleta mirandês.


Ouro homenageado foi o nonagenário, Ângelo Arribas, natural da Freixiosa. Gaiteiro, tamborileiro e professor de gaita-de-foles é considerado um “verdadeiro guardião da tradição, de saber feito de experiência, dedicação, paciência e coração”.

“Um homem que sem procurar reconhecimento consegue deixar marcas profundas na vida de todos os que têm o privilégio de o conhecer. É graças a pessoas como o senhor Ângelo Arribas que o património cultural imaterial continua vivo e pode ser transmitido às novas gerações”, escreve o município de Miranda do Douro.

A título póstumo, foram entre as medalhas de mérito a Francisco Gonçalves Cangueiro e Manuel António dos Santos André.

Francisco Cangueiro foi distinguido pelo percurso profissional na arte da cutelaria. Segundo o município, o artesão, natural de Palaçoulo, “dedicou-se ao longo de quatro décadas à talha e à cutelaria artesantal, tornando-se um dos mais destacados embaixadores da Terra de Miranda, em Portugal e no estrangeiro”.

“As suas peças, reconhecidas pelas originalidade, pela qualidade dos materiais e pelo elevado nível artístico chegaram às mãos de colecionadores, caçadores, apreciadores de cutelaria e apreciadores do artesanato tradicional”, indica o município.

Também a título póstumo, Manuel António dos Santos André foi homenageado pelo exemplo de vida nas artes gráficas, onde fundou em Palaçoulo, a empresa Tipalto – Tipografia do Planalto, Lda.

“Foram muitos os desafios, especialmenten nos primeiros anos. (…) Numa região desertifcada e com poucas oportunidades foi preciso acreditar, persisitir e trabalhar arduamente. Graças ao profissionalismo, à qualidade do nosso trabalho e à relação de confiança construída com os clientes, conseguimos crescer e consolidar a empresa”, escreveu Manuel André a 8 de novembro de 2022.

No final de cerimónia, o presidente da Assembleia Municipal, Pedro Velho, interpelou questionado se atualmente os mirandeses estão a agir para continuar a engrandecer os 481 anos da história da cidade de Miranda do Douro.

“A história, por si só, não garante o futuro de ninguém. É apenas uma herança. Há que acrescentar-lhe valor para a tonar ainda mais valiosa para as novas gerações”, afirmou.

Pedro Velho referiu-se à língua mirandesa e à hospitalidade do povo da Tera de Miranda como exemplos de legados que importa preservar e transmitir.

“O mirandês não continua vivo apenas porque está protegido pela lei ou porque é ensinado nas escolas. Coninua vivo porque as pessoas têm gosto em comunicar em língua mirandesa. (…) O presente e futuro de Miranda também se decide no modo como falamos da nossa terra, como recebemos quem nos visita, como acolhemos quem aqui escolhe viver, trabalhar e investir”, disse.

No seu discurso, a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, evocou o cinquentenário das primeiras eleições autárquicas, a 12 de dezembro de 1976, para sublinhar a importância do poder local no desenvolvimento de Miranda do Douro.

“Foi um dos momentos mais importantes da nossa democracia. Naquele tempo, Portugal era um país profundamente desigual, marcado pelo analfabetismo, pobreza e pela necessidade de emigrar”, recordou.

Sobre o papel das mulheres no exercício de cargos políticos, Helena Barril, partilhou a sua preocupação da reduzida participação feminina, ao longo dos anos e por isso mesmo, destacou o feito de ter sido eleita a primeira mulher, a assumir a presidência da Câmara Municipal de Miranda do Douro.

“No dia 26 de setembro de 2021 fui eleita presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro. Mais do que um motivo de orgulho pessoal, foi um sinal de que a democracia continua a evoluir. Recebi essa confiança com humildade e um profundo sentido de missão. (…) ao longo destes anos conheci o melhor das pessoas, a solidariedade, a amizade, o espírito de missão. Mas também conheci a crítica injusta e o preconceito por ser mulher. Mas isto não me desanima, pelo contrário, reforça a convicção de que vale a pena lutar para abrir caminho para os que vierem depois de nós. Porque é assim que se faz a democracia, com perseverança, trabalho, coragem e lucidez”, concluiu Helena Barril.

Miranda do Douro

Em 1545, o rei de Portugal, D. João III solicitou a criação de uma diocese no nordeste do país e escolheu a então vila de Miranda do Douro, para ser a sede do novo bispado.

O Papa, Paulo III, acedeu ao pedido do rei português e foi assim que, por carta régia de 10 de Julho de 1545, o rei D. João III fez simultaneamente de Miranda do Douro sede de diocese e cidade.

HA

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