X Domingo do Tempo Comum – Ano A
Confiança em Deus
Os 6, 3b-6 / Slm 49 (50), 1.8.12-13.14-15 / Rom 4, 18-25 / Mt 9, 9-13

Precisamos de conhecer Deus a fundo. É fundamental perceber quem é Deus. A sua vinda a nós é certa. Ver-nos-emos seguramente frente a Ele. Essa vinda é a boa notícia. É como a vinda da «aurora»; traz-nos a luz. É como a vinda da «chuva da primavera»; irriga a nossa vida (Oseias). Precisamos, então, de ser permeáveis a Deus: ser dóceis à sua vinda e abertos ao seu modo de ser e atuar.
Deus quer «a misericórdia e não os sacrifícios» (Oseias). É que a rotina obstinada dos sacrifícios pode fechar-nos a Deus. Ficamos cheios de nós mesmos; demasiado convencidos a respeito de nós mesmos. Acabamos por nos distanciar de Deus sem nos darmos conta disso. Por conseguinte, a misericórdia é bem melhor que os sacrifícios. Ao praticá-la, estamos a ser condicentes com aquilo que Deus é.
Foi o grande conhecimento de Deus que permitiu a Abraão levar longe a sua fé. Abraão acreditou na palavra de Deus e confiou plenamente na sua promessa. Interiorizou que Deus não fala em vão.
Abraão foi capaz de andar em frente, assente unicamente nessa promessa. Acreditou mesmo que teria descendência, que «havia de tornar- -se pai de muitas nações» (Carta aos Romanos). Não se deixou abalar pelo que parecia contrariar a realização da dita promessa: o facto de ele já ser velho e também de Sara não ter tido filhos antes. Abraão mostrou uma tal confiança em Deus que este lhe tomou isso como mérito.
É também a este grande conhecimento de Deus que Jesus nos convida. Refere o perigo de alguém não conseguir olhar abertamente nem para si próprio nem para Deus por se ter muito como “justo”. Elogia a atitude de quem, sendo pecador, não foge à qualificação de si mesmo como pecador. Daí que Jesus pareça dar-se bem com o convívio dos pecadores à mesa. É o princípio dum relacionamento que os poderá levar à conversão. Daí que Jesus se atreva mesmo a chamar Mateus, um pecador, para seu discípulo. Foi uma ousadia que teve resposta pronta: Mateus «levantou-se e seguiu Jesus» (Evangelho de São Mateus).
Fonte e imagem: Rede Mundial de Oração do Papa (RMOP)