Mobilidade: Rede de transporte a pedido nas aldeias
A partir de agosto, os nove municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes vão disponibilizar uma rede de transporte a pedido, para colmatar a falta de transportes públicos nas aldeias, avançou o presidente desta CIM-TTM, Pedro Lima.

O presidente da comunidade intermunicipal, Pedro Lima, explicou que o transporte terá uma vertente “permanente”, com as rotas associadas ao transporte escolar, e outra “de inovação com transporte a pedido”, através de uma articulação entre câmaras municipais e juntas de freguesia.
“Vai possibilitar uma resposta mais alargada, a nível territorial, e também a nível de maior flexibilidade a nível de horários deste transporte a pedido, que vai ser articulado com os autarcas e tendo por base as necessidades das populações”, sublinhou.
Segundo o autarca, nas aldeias onde já existem rotas de autocarro, mantêm-se, mas naquelas onde não existe sequer transporte público, que as ligue à sua sede de concelho, será feito consoante pedido da população.
“Uma aldeia que tenha a necessidade de um ou dois munícipes se deslocarem à sede de concelho, num dado dia, há uma articulação, ou seja, tentar agregar ali as pessoas, com o operador, e efetua-se esse transporte, que anteriormente não existia”, exemplificou.
Uma vez que uma parte significativa de idas à sede de concelho é feita por idosos que têm consultas no centro de saúde ou hospital, os municípios irão estabelecer um acordo com a Unidade Local de Saúde do Nordeste, para que “as consultas sejam feitas pelo menos no mesmo dia” para os utentes que são da mesma aldeia, para melhor aproveitamento do serviço de transporte.
“Nós estamos muito satisfeitos, por chegar a este ponto. (…) Foi uma luta de anos, estamos convencidos de que vai funcionar bem”, vincou o autarca.
O projeto de transporte vai custar cerca de cinco milhões de euros, durante quatro anos, aos nove municípios que compõem a CIM Terras de Trás-os-Montes, Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Mogadouro, Miranda do Douro, Vinhais, Vimioso e Vila Flor.
De acordo com Pedro Lima, este serviço vai ter “um custo também bastante significativo para todos os concelhos envolvidos” e, por isso, esperam uma “majoração positiva” do Governo, para suportar este tipo de transporte.
“Nós sabemos muito bem que se não forem os autarcas, muitas vezes, a darem esse passo em frente, que ninguém o dará e depois quem é que sofre? É a população. (…) Nós vamos dar este passo, vamo-nos substituir ao Estado, que nos abandonou, que desistiu do território, que deixou pessoas isoladas em aldeias, que têm direito de viverem nessas aldeias e de se ligarem à sede de concelho e a todas as outras do seu país, como qualquer cidadão nacional”, contestou.
Ainda assim, o transporte será “praticamente gratuito” para os utilizadores, que terão acesso a um passe.
Fonte: Lusa | Imagem: CIM-TTM