Educação: Projeto «Cáritas na Escola» chegou a quase 15 mil alunos

A Cáritas Portuguesa apresentou o primeiro relatório do projeto ‘Cáritas na Escola’, tendo envolvido 14 800 alunos, 240 escolas e 488 professores apostados em escutar os jovens, abordar temas do quotidiano em metodologias de educação não formal e ajudar a desconstruir preconceitos.

“Estamos a usar os nossos preconceitos para organizar estas iniciativas. E aquilo que temos aprendido com os jovens é que eles têm muito mais para nos dar na organização destes temas: quando começamos a ser mais próximos, também aprendemos sobre as suas necessidades, quais são os temas que os desafiam e aproveitamos para responder dúvidas, canalizar energias”, explicou à Agência ECCLESIA Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa.

Em sessões organizadas inicialmente por equipas Cáritas, os alunos maioritariamente aas disciplinas de Educação Moral e Religiosa Católica e Cidadania e Desenvolvimento, são convidados a debater temas como migrações, sustentabilidade, igualdade de oportunidades, mas também pobreza e voluntariado, abordando áreas temáticas que podem cruzar também Geografia ou História.

“Ir às escolas e ver o que é que as escolas precisavam, o que é que desafia os miúdos e o que é que é importante para eles, que se discuta de forma abertamente, para que eles possam incorporar temas no seu conhecimento e na sua forma de estar. Cada escola escolhe os temas, e marca o seu ritmo com a equipa Cáritas, procurando desenvolver valores próximos da ação da Cáritas e da Igreja”, explica ainda Rita Valadas.

Sérgio Fernandes, da Cáritas diocesana do Funchal, que no último ano envolveu 11 escolas do território, regista uma participação crescente no projeto e a importância da educação não formal no crescimento de futuros cidadãos.

“A intervenção do Caritas na Escola em cada ciclo é diferente, adequada à idade e nós acreditamos que, quanto mais cedo, transmitirmos valores que fazem parte da missão Caritas, melhor para a formação de cidadãos futuros. Educar para a cidadania, é complementar à escola, esbatendo dificuldades da própria instituição, e a educação não formal terá cada vez mais importância no ensino atual e no ensino futuro”, indica.

Sira Lopes, responsável pelo «Projeto B!Equal-E9G (integrado no Programa Escolhas) da Cáritas Arquidiocesana de Braga, dá conta de um projeto criado pelos alunos para combater o desperdício alimentar, criado depois de um debate na escola.

“Os debates ajudam as crianças e jovens a participar de forma ativa e os resultados que nós temos são participações em voluntariado, projetos que surgem. Na última sessão surgiu a ideia de combater o desperdício e criar uma brigada na escola contra o desperdício nas cantinas que acaba por ir para o lixo. O facto de levarmos a Cáritas à escola e falarmos dos nossos valores, da nossa missão, faz com que estas crianças cresçam com valores”, sublinha.

A técnica da Cáritas de Braga reconhece ainda a capacidade de os jovens levarem os temas abordados para a casa e serem também motores de mudança em casa.

“Nem todas as famílias vão abraçar estas temáticas, mas muito do feedback que nós fomos recebendo, dá conta de temas levados para casa e respostas das famílias. Podermos quebrar alguns estereótipos que as próprias famílias têm, mostra o quão importante é os jovens crescerem com informação”, explica.

Helena Domingues, gestora de projeto da área de Intervenção social da Cáritas Portuguesa, que desenvolveu diversas sessões em escolas nas 20 dioceses onde o projeto foi apresentado, destaca a vontade de participação dos jovens e de a sua voz ser escutada.

“Dentro do contexto de sala de aula há muita sede para participar. Os alunos, desde o primeiro ciclo ao ensino secundário, respondem muito bem a este desafio, quando nós pedíamos para participar nos debates, nas atividades que apresentamos, as dinâmicas em sala de aula, há muito esta vontade e esta recetividade por parte tanto dos alunos como dos professores”, traduz.

A rotatividade do corpo docente e a escassez de recursos desafia o projeto «Cáritas na Escola» a apostar em «embaixadores» que continuem a apostar no projeto nos estabelecimentos de ensino, promover “formação contínua através dos workshops”, “renovação pedagógica” procurando cruzar a “atualidade” e o seu compromisso com “o enquadramento pedagógico com as políticas públicas na área da educação vigentes no contexto nacional”.

Fonte: Ecclesia

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