Língua: Mirandês no LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias
No fim-de-semana de 5 a 7 de junho, a língua mirandesa vai ser falada e cantada em Barcelos, no LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias, através da peça de teatro “La Princesa de ls Çapatos Rotos”, representada por alunos de Miranda do Douro e a música do grupo L’s Madrugadores.

O LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias é um evento cultural, de periodicidade bienal, que pretende afirmar o teatro como uma importante atividade cultural na preservação linguística.
Nesta terceira edição, o festival decorre no fim-de-semana de 5 a 7 de junho, no Theatro Gil Vicente e outros palcos, na cidade de Barcelos e a programação inclui espetáculos de teatro, concertos de música, oficinas e conversas temáticas.
Em representação da língua mirandesa, os alunos do 8º ano, da Escola Secundária de Miranda do Douro vão apresentar a peça de teatro “La Princesa de ls Çapatos Rotos”. O trabalho tem a direção de Duarte Martins, professor e subcomissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa.
“É a segunda vez que vamos participar no LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias, em Barcelos. Trata-se de um encontro de pessoas e por conseguinte de línguas e culturas, onde se dá especial atenção às potencialidades do teatro para a formação e a difusão da cultura e língua de cada região”, começou por dizer Duarte Martins.
O professor de Língua e Cultura Mirandesa, Duarte Martins, acrescentou que a participação no festival, em Barcelos, é também uma oportunidade para os cerca de 20 jovens mirandeses, do 8º ano, conhecerem outras pessoas e culturas, durante o fim-de-semana.
“Os alunos gostam muito desta experiência fora de portas, pois têm a oportunidade de conhecer outras realidades culturais e sentem-se valorizados. A representação teatral permite-lhes expressarem-se em mirandês, mas também falar em público e socializarem com os outros. Na aprendizagem da língua, o teatro é mesmo um veículo privilegiado e do agrado dos alunos. Para além disso, os ensaios e as atuações libertam as crianças e jovens da dependência do mundo virtual, dos telemóveis e tablets”, indicou.
Dada a recente realização da I Bienal do Teatro Popular Mirandês, em Miranda do Douro, Duarte Martins, subcomissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa mostrou-se esperançado com o reavivar desta arte na região.
«O teatro ou a arte dramática que antigamente era muito comum em muitas aldeias de Miranda do Douro está bastante esquecida, com exceção de localidades como Malhadas. Antigamente, os teatros ou colóquios eram autênticos eventos culturais que juntavam as populações. Por isso, é de saudar o atual surgimento de iniciativas pelos grupos culturais do concelho de Miranda do Douro que estão a reavivar o teatro popular mirandês, como recentemente aconteceu com a representação das peças “A Confissão do Marujo”, em Miranda do Douro e “Auto da Tia Lucrécia, em Duas Igrejas«, disse.
A música ocupa também destaque no LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias, em Barcelos, com os seguintes espetáculos: o grupo Palacio do Rei, da Galiza; o projeto Phole, pelos músicos João Gigante e Vitor Lima, do Minho: e os jovens Ls Madrugadores, de Miranda do Douro.
O programa do festival inclui outras atividades, como uma mesa redonda dedicada à importância do teatro como expressão para a salvaguarda e a difusão das línguas minoritárias, coordenada pelo Clube para a UNESCO de Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias.
O festival continua conta com participantes de várias regiões linguísticas. De Minde, na Serra d’Aire, o coletivo da Casa do Povo de Minde e o Teatro de Minde Boca de Cena levam ao festival o minderico, através de uma performance teatral, exibição de vídeo “A Cabiçalva” e conversa com o público.
Também de Riba de Mouro, na Serra da Peneda, o projeto Lá de Riba apresenta uma performance teatral e um momento de discussão centrado no ribamourês.
Do País Basco chega o basco, considerado a língua viva mais antiga da Europa, com a comédia “Kutsidazu Bidea Ixabel”, levada à cena pela companhia Txalo-Talo.
Já das Astúrias, no âmbito do teatro popular em asturiano, recentemente classificado como Bem de Interesse Cultural pelo Principado das Astúrias, será apresentada a comédia “Una de Matrimonios”, pelo grupo Teatru Carbayín.

O LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias é organizado pela companhia Teatro de Balugas e pelo Clube UNESCO, para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias.
O festival conta com o financiamento do Município de Barcelos, da Fundação Manuel António da Mota/ Grupo Mota Engil, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), da Fundação INATEL e o apoio de várias entidades nacionais e internacionais.
HA