Fátima: «Peregrinar é encontrar-me comigo e com Deus» – padre Cláudio Silva

O padre Cláudio Silva, da Diocese do Porto, está a acompanhar espiritualmente um grupo de 300 pessoas, na peregrinação até ao Santuário de Fátima, para as celebrações de 13 de maio e afirma que esta experiência é uma oportunidade de encontro de cada pessoas consigo mesma e com Deus.

“Acompanho este grupo, Travanca-Amarante, por uma questão afetiva e porque também, como me sinto peregrino, preciso de um grupo para participar e por isso juntámos os dois em um”, afirmou o sacerdote, em declarações à Agência ECCLESIA, esta quinta-feira, em Anadia, Aveiro.

Este é o quarto ano em que o pároco de Alpendorada realiza a experiência a pé até à Cova da Iria, com um conjunto de 300 peregrinos e 70 voluntários que se dividem equipas de apoio logístico, assistência médica, distribuição de alimentação e transporte de bagagens.

“É diferente de ir uma só pessoa, é diferente de ir um pequeno grupo, somos uma família. É o que sentimos, porque isto passa de ano para ano e ao longo do ano, mesmo não estando juntos, todos nos voltamos a ver, a rever e a sentir a experiência que foi feita na peregrinação”, assinalou o padre Cláudio Silva.

A nível espiritual, o sacerdote destaca que a estes peregrinos “não falta nada”, descrevendo que existem momentos de confissão, Eucaristia e Adoração.

Ao longo dos muitos quilómetros, o padre Cláudio conta que se aproxima de cada um, individualmente, para perceber os sentimentos, dúvidas, e muitos deles desabafam.

“Há revoltas, há sentimentos de tristeza, há gratidão e tudo isso preenche também o coração de um padre, porque, no fundo, sentimos que aquilo que é o próprio do padre aqui se realiza”, disse.

O pároco relata que, durante a peregrinação, às vezes, são os próprios peregrinos que dizem: ‘Precisava de falar consigo’.

Quando chegamos ao sítio onde vamos dormir, é este o tempo, há o caminho, mas também aqui, enquanto uns vão fazer tratamento aos pés, aos músculos, eu faço à alma e ao espírito, converso, vêm ter comigo e tentamos”.

Ao longo dos dias de caminhada até Fátima, o padre Cláudio Silva afirma que é possível que consiga “falar um a um com todos”.

“Peregrinar é encontrar-me comigo e com Deus”, referiu.

O Grupo de Peregrinos a Pé Travanca-Amarante partiu na terça-feira, 5 de maio, e conta chegar ao Santuário de Fátima na segunda-feira, no dia 11.

Sofia, de 42 anos, é um does elementos, cumprindo este ano a segunda peregrinação até à Cova da Iria.

“O ano passado e este ano é como promessa. Mas se não tivesse promessa, voltava novamente, porque é uma sensação única que uma pessoa repete sempre. Quem vem a primeira vez, quer vir sempre a segunda, pelo menos”, testemunhou.

Para a peregrina, tudo no caminho até Fátima é enriquecedor, contudo o “grupo é a melhor coisa”, realçando a união que se vive: “Nós fazemos amigos que levamos para a vida”.

“É bom, ajudamo-nos todos uns aos outros. Quando se precisa de um sorriso, dá-se um sorriso. Precisa de um abraço, dá-se um abraço. Ajudamos nos momentos difíceis, ajudamo-nos todos uns aos outros. Acabamos por ficar a ser uma família”, salienta.

Para Sofia, peregrinar “é um momento de fé”, enfatizando que se vivem muitos sentimentos ao longo do caminho.

“Se temos uma noção das coisas, a partir da peregrinação é totalmente diferente. Ficamos com muito mais fé”, afirmou.

A Peregrinação Internacional Aniversária de Maio assinala a primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos, na Cova da Iria, e este ano é presidida por D. Rui Valério, patriarca de Lisboa.

O Santuário da Cova da Iria divulgou que estavam inscritos, até ao momento, 138 grupos de peregrinos, dos cinco continentes, num total de 6301 pessoas.

Fonte e fotos: Ecclesia

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