Campo de Víboras: Feira homenageou os tendeiros

No Campo de Víboras, a I Feira dos Tendeiros e Lavradores culminou na tarde de Domingo, dia 3 de maio, com uma palestra sobre a história dos tendeiros, os homens e mulheres que dedicaram as suas vidas ao comércio ambulante de tecidos, colchas, cobertores, bordados e outros artigos, em todo o país.

Na palestra dedicada à história dos tendeiros, o investigador, José Augusto Heleno da Fonseca, também ele natural de Campo de Víboras, descreveu os seus conterrâneos como “um povo audaz, resiliente e capaz de enfrentar os maiores desafios para conseguir os seus objetivos”.

Segundo o historiador, esta vocação comercial dos habitantes de Campo de Víboras remonta à origem judaica, mais precisamente aos judeus provenientes de Espanha, aquando da expulsão em 1492.

Alguns dos 80 mil judeus expulsos de Espanha, instalaram-se em Vimioso, Carção, Argozelo e Campo de Víboras.

“Os judeus eram conhecidos pelo grande potencial empreendedor e comercial, sendo excelentes artesãos e mercadores. No tempo em que as acessibilidades eram difíceis, com poucas e rudimentares estradas, o percurso destes mercadores ambulantes era feito através de caminhos escabrosos e da travessia de rios e ribeiras sem pontes. O transporte das mercadorias eram feito com os animais, burros, machos e cavalos”, descreveu.

Os comerciantes de Campo de Víboras vendiam uma variedade de tecidos: algodão, lá, linho, seda e cânhamo. Com o avançar dos tempos, os tendeiros começaram a vender peças de vestuário, pronto a vestir como aventais, batas, saias, blusas, calças e camisas confeccionados pelos alfaiatas e costureiras locais,

José Augusto Heleno da Fonseca indicou que os tendeiros de Campo de Víboras distribuiam-se geograficamente pelos vários concelhos da região, evitando a concorrência.

“Começaram pela venda porta-a-porta, pelas aldeias mais próximas e iam alargando o negócio com um leque mais diversificado de artigos e a maiores distâncias até chegarem ao mercado das feiras regionais. A mercadoria consistia em peças de riscado, cotim, popelina, chita, lã e flanela, que eram vendidas ao metro; colchas e cobertores, camas de roupa, toalhas de mesa e de banho; rendas, bordados e até retrosaria”, contou.

No Campo de Víboras, a atividade comercial foi transmitida de pais para filhos, durante gerações, até finais do século XX.

“Durante 500 anos, desde os mercadores ou tendeiros percorreram aldeias, vilas e cidades na sua atividade comercial. No século XX, a invenção do automóvel veio facilitar o transporte das mercadorias e a deslocação dos tendeiros para outras regiões do país. Simultaneamente, os automóveis permitiram às próprias populaçóes deslocarem-se às vilas e cidades à procura dos bens essenciais, como o vestuário, o que provocou mudanças nas trocas comerciais e na relação que até então haviam estabelecido com os tendeiros”, concluiu.

A palestra “A origem dos tendeiros” foi uma das atividades da I Feira dos Tendeiros e Lavradores, que decorreu no fim-de-semana de 2 e 3 de maio. A palestra contou ainda com a participação de várias pessoas naturais de Campo de Víboras, que deram o seu testemunho de vida sobre a atividade profissional na venda ambulante de artigos.

No final do encontro, o historiador José Augusto Heleno da Fonseca, a vice-presidente do município de Vimioso, Cristina Miguel e o representante da União de Freguesias, Nuno Afonso comunicaram a intenção de construir um monumento de homenagem aos tendeiros, no Campo de Víboras.

HA

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