Juventude: Saúde mental e a falta de referências espirituais

O novo Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil, da Igreja Católica em Portugal, alerta contra a “instrumentalização” das novas gerações e aponta a saúde mental e o ambiente digital como desafios centrais urgentes.

O documento estratégico, apresentado no Porto, pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), exige que os jovens sejam vistos como sujeitos ativos e não como meros “destinatários passivos”, exigindo uma mudança de paradigma às comunidades.

“Acreditamos que só é possível fazer Pastoral Juvenil com os jovens reconhecendo a sua agência, o seu papel decisivo no diálogo com o chamamento de Deus. Por isso, empenhamo-nos em superar todas as abordagens educativas, políticas ou pastorais que os manipulam ou instrumentalizam”, pode ler-se.

A reflexão faz análise à condição juvenil contemporânea, apontando o dedo às pressões modernas e sublinhando “desafios complexos “.

Os jovens enfrentam desafios complexos como a saúde mental, o isolamento, a falta de sentido e a dificuldade em assumir compromissos. Sente-se uma ausência de empatia, o peso das redes sociais e a pressão para corresponder a padrões exteriores.”

O documento descreve o mundo digital como “um verdadeiro ambiente de vida dos jovens”, exigindo uma presença católica qualificada neste território.

“Sendo um espaço ambíguo, oferece oportunidades de participação e criatividade, mas também expõe a riscos como o isolamento, a ansiedade, a superficialidade relacional e a pressão da comparação permanente”, indica o Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil.

O novo documento resulta do processo de auscultação ‘Escuta 360’, liderado pelo DNPJ, e destina-se a servir como mapa para dioceses, paróquias, movimentos e instituições no planeamento da sua ação junto da juventude.

Qualquer projeto e prática de Pastoral Juvenil tem especial atenção aos jovens que são mais vulneráveis: os portadores de deficiência, os migrantes, as vítimas de abuso, os excluídos da sociedade e os que têm dificuldades de integração.”

Numa altura em que o país ainda gere o legado da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, o texto rejeita uma estratégia sustentada apenas em “eventos pontuais”, pedindo a passagem para “processos continuados, sistemáticos, avaliados e melhorados”.

O DNPJ aponta ainda baterias à “processos de exclusão, mesmo que involuntários”, dentro das comunidades católicas, defendendo uma “Pastoral Juvenil popular”, que “entre em diálogo com a fé vivida, ainda que de forma confusa, por aqueles que se sentem mais fora da Igreja”.

A nível estrutural, o texto impõe a participação efetiva dos jovens nos órgãos de decisão católicos e apela à “transparência dos processos de discernimento” nas paróquias e dioceses.

O documento, estruturado em 15 pontos, apela à construção de “espaços inclusivos” e reitera a necessidade de dar “protagonismo” à juventude nas lideranças católicas e na missão evangelizadora, reconhecendo a importância da “intergeracionalidade” e do testemunho na vida de fé.

Fonte: Ecclesia

Deixe um comentário